Suplentes de vereador tentam vaga no Tapetão

A investigação do Ministério Público sobre a legalidade do reajuste de 61,8% no salário dos vereadores de São Paulo (veja post abaixo) é apenas um dos casos envolvendo o legislativo municipal que passa por análise de promotores ou vai parar nos tribunais. Há duas vagas na Câmara que podem ser decididas, também, no tapetão – com o perdão do linguajar futebolístico.

David Soares x Seu Madruga

A primeira põe em choque os vereadores David Soares (PSC) e Jonas Santana, o Seu Madruga (PRP). Eles fizeram parte da coligação que elegeu Marcelo Aguiar (PSC) vereador, em 2008. Este, porém, renunciou ao cargo para assumir vaga na Câmara dos Deputados, no dia 1º de fevereiro.

Naturalmente, David Soares seria o suplente a assumir o cargo, tendo sido o segundo mais votado na coligação, com 27.494 mil votos. Filho de R.R Soares da Igreja da Graça, empresário e proprietário de emissoras de TV, porém, desfiliou-se do PSC, assinou ficha pelo PDT e mudou domicílio eleitoral para o Mato Grosso, interessado em disputar a eleição de 2010 como suplente de Senador em uma chapa com o PT. Seu nome, porém, foi descartado na coligação e ele voltou ao PSC e à São Paulo.

As variantes na vida política do vereador David Soares abriram espaço para que o terceiro vereador mais votado da coligação PSC-PRP reivindicasse a vaga de Marcelo Aguiar: Seu Madruga, líder comunitário, catador de material reciclável, e o mais votado no PRP, 7.705 votos. Os defensores de sua candidatura alegam que Soares abriu mão da suplência de vereador no momento em que mudou o domicílio eleitoral.

A Câmara de São Paulo deu posse dia 1º de fevereiro a David Soares, mas Seu Madruga ainda acredita na possibilidade de o Ministério Público Eleitoral mudar esta decisão. A pretensão dele é muito difícil pois a lei leva em consideração a condição legal do candidato na promulgação do resultado.

Em conversa na Câmara, Seu Madruga confessou que ficaria feliz se Soares aceitasse um acordo para que ele tomasse posse e permanecesse como vereador ao menos uns três meses. A proposta não foi aceita.

Quito Formiga x Afanásio Jazadi

A outra discussão bem mais encrencada do ponto de vista jurídico é em torno da vaga do vereador Jooji Hato (PMDB) que vai renunciar em 15 de março para assumir o cargo de deputado estadual na Assembleia de São Paulo. A princípio quem tomará posse é Quito Formiga do PR – que em entrevista ao CBN SP anunciou que representa os espíritas na Câmara -, que integrou a coligação com PMDB e DEM, em 2008.

Com base em decisão do STF sobre a posse de suplentes na Câmara dos Deputados, o ex-deputado estadual Afanásio Jazadi (PMDB) foi a Justiça para requerer a vaga do partido dele na Câmara de Vereadores. Em dezembro do ano passado, o Supremo entendeu que a vaga de um parlamentar que havia renunciado para não ser cassado era do partido e não da coligação. Afánazio seria o quinto suplente da coligação e o primeiro do PMDB.

Nos próximos dias, a Câmara de Deputados terá de dizer se acata decisão do STF e aceita que seja dada posse ao suplente do partido.

Agora o outro lado

O ex-deputado e suplente de vereador Afanásio Jazadi, em nota, nega que esteja requerendo a vaga do vereador Jooji Hato. Leia:

“Radialista Milton Jung

Tomei conhecimento, somente há pouco, que V. Sa. teria tratado do
assunto “suplentes da coligação ou do partido”, com o Vereador Kito
Formiga, em seu programa.

Fui citado várias vezes – segundo alguns ouvintes – sem ter sido
procurado pela sua Produção para eventual versão de minha parte.

Independente do ali tratado, afirmo a V. Sa. que não ingressei em juízo
contra quem quer que seja sobre referido assunto. Muito menos, por
enquanto, tenho questionamentos a fazer.

Como o bom e velho jornalismo não foi seguido à época, espero que, ao menos, essa minha posição seja colocada o mais rápido possível, como satisfação a meus eleitores, muitos deles seus ouvintes.

Gratíssimo!

AFANASIO JAZADJI
11-3241-4422
http://www.afanasio.com.br”

Vereadores defendem salário de R$ 15 mil em SP

 

O Ministério Público Estadual alega que a Câmara de Vereadores não respeitou a regra da anterioridade prevista na Constituição. De acordo com a norma, o subsídio dos vereadores é fixado pela legislatura anterior, assim o salário de R$ 15.013 só valeria a partir de 2013.

A Câmara de Vereadores se defende explicando que foi aplicada regra em vigor no município, desde 1992, que vincula o valor do reajuste dos parlamentares paulistanos ao dos deputados federais. Sendo assim, nos dois primeiros anos de trabalho, os vereadores continuaram com o salário de cerca de R$ 9 mil da legislatura anterior.

Apesar de provocados, poucos vereadores aceitaram responder por Twitter se aprovavam o reajuste em seus subsídios e se consideravam justo o salário de R$ 15.013 por mês.

Cláudio Vieira, do Adote um Vereador, enviou mensagens para os 39 perfis de vereadores que estão na rede, apenas cinco responderam e tiveram material publicado no Blog Adotei Marco Aurélio Cunha. Alguns dos novos vereadores entrevistados pelo CBN SP também falaram do tema. Em um caso e no outro, ninguém se rebelou a regra que impõe o reajuste nem ao novo valor.

Conte Sua História de SP: Amigos do Tatuapé

 

Os amigos do Tatuapé são o tema da história enviada, por e-mail pelo ouvinte-internauta Eduardo Pennacchioni, que foi ao ar nesse sábado, no CBN SP. Leia, ouça, se inspire e Conte Sua História de São Paulo:

Meu nome é Eduardo Pennacchioni – nascido em 1955 no bairro do Tatuapé Este bairro sempre foi diferenciado e sempre assemelhou-se a uma cidade do interior no convívio de seu moradores. Tenho alguns amigos, cuja amizade começou no colégio e também éramos vizinhos. Eu tinha aproximadamente 16 anos.

Como o Bairro tinha uma carcteristica de manter um bom relacionamento entre os vizinhos, a amizade entre nós se mantém até os dias de hoje, ou seja, há mais de 35 anos. Criamos uma espécie de confraria para encontros semanais em uma pizzaria do bairro, para falarmos um pouco de negócios, tomar um chopp ou vinho, comermos uma pizza e, finalmente, jogarmos palitinho, sim palitinho… e vermos que ficará de Pato.

Nestes encontros que já passaram dos 20 anos, vimos os filhos crescerem e agora vieram os netos e o encontro do palitinho continua. Mesmo quando alguém viaja para o exterior faz questão de ligar na hora do jogo para saber quem ficou de Pato. E de longe participar da brincadeira. Gostaria que esta historia de amizade ficasse registrada, para demonstrar que isso acontece em São Paulo e mais precisamente em meu bairro Tatuapé.

Ouça a história de Eduardo Pennacchioni sonorizada por Cláudio Antônio

Conte Sua História de São Paulo enviando o texto ou agendando uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.

De peeling

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça De Peeleing na voz e sonorizado pela autora

Olá

esta semana também foi difícil. Há tempo venho encarando um perrengue atrás do outro. Só ensina quem precisa aprender? tenho plena consciência disso. Meus ouvidos são os primeiros a ouvir o que digo.

Neste ponto é preciso parar para refletir sobre ouvir e escutar, que nós brasileiros usamos indiscriminadamente, sem perceber a diferença abissal entre os termos; e a gente fala, o outro ouve, mas não escuta; e vice-versa.

Pois bem, levando em conta meus ouvidos, parece que têm ouvido bem, mas escutado mal e porcamente. Os filtros andam tão sujos quanto estava o filtro do ar condicionado do meu carro.

Faz tempo que minha vida pede mudança. Um dia dói aqui, outro ali, em todos os meus corpos. E eu, que sempre fui mulher de grandes transformações, me vejo covarde, hesitante; tenho preferido perder a lutar. Tenho aberto mão da vida.

Hoje me dei conta de que ainda estou viva e de que nós, terráqueos, não precisamos apenas de mudança; precisamos de transformação, e transformação profunda. Só ela renova. No ano passado fiz, pela primeira vez, um peeling no rosto; leve e superficial, que me deixou o rosto amarelo durante horas, até poder lavar. A dermatologista disse que meu rosto se livraria da pele que demorava a se renovar. É evidente que se tivesse deixado o processo correr por conta da vida, se permitisse que meu rosto tivesse continuado, preguiçoso, a produzir um tanto de células hoje, outro tanto amanhã, eu poderia continuar a ter, como sempre tive, uma pele que se renova, no seu ritmo.

Mas a intervenção da dermatologista deixou minha pele sem chão. Em dois ou três dias, começou a descascar, sem trégua, e foi bonito de ver que a nova pele se mostrava no mesmo ritmo em que a velha oferecia espaço.

Hoje, olhei para trás e, em vez de ver o que já tive, o que já fiz, ou as aventuras maravilhosas que vivi, percebi claramente quanta vida ainda existe para mim, debaixo desta pele da minha vida. Toda a magia que vivi até hoje foi impulsionada pela transformação corajosa que provoquei ou aceitei.

Está na hora de largar o osso que venho roendo enquanto rosno dia após dia, e de convidar o planeta Marte a dar uma boa espanada na minha Lua natal, separando o joio do trigo.

Me recuso a ser escrava do passado; me recuso a ser escrava de mim. Minha vida precisa de um peeling. E a tua?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: A lenda e o quero-quero

 

Grêmio 2 x 1 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

Quero-quero foi condenado por Nossa Senhora a cantar a mesma música pela imprudência cometida quando acompanhava a passagem pelo deserto da Sagrada Família, que fugia da ordem do rei Herodes para que fossem mortos. Diz a lenda que a família do Menino Jesus estava parada num oásis cercada de aves e animais quando soldados inimigos se aproximaram. Todos se aquietaram a pedido de Nossa Senhora, menos o danado do quero-quero que por pouco não revelou o esconderijo de João, Maria e Jesus.

É por isso que o quero-quero, até hoje, mesmo que queira, não pode dizer outra coisa, escreveu Roque Callage (1888 – !931) em história que teve origem no imaginário popular rio-grandense e reencontrei, neste sábado, no livro “Lendas Gaúchas” que me chamava atenção ao lado do aparelho de TV, enquanto o Grêmio suava em bicas em mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho.

O sufoco tricolor tinha origem muito mais na temperatura – batia nos 40 graus – do que no adversário. Apesar deste ter chegado ao Olímpico Monumental envergando a bandeira de melhor campanha da competição, líder do seu grupo e com o goleador do Campeonato em seu ataque. Banca esta que se desfez antes mesmo dos primeiros 10 minutos.

Com uma defesa segura, saída rápida para o ataque, bola sendo passada com velocidade, e jogadores se movimentando por todos os lados, o Grêmio resolveu a partida ainda no primeiro tempo, mesmo que em campo estivesse apenas parte de seu time titular. O torcedor ainda teve oportunidade de assistir à estreia do zagueiro Rodolfo e o retorno do atacante Borges. Bote nesta conta, também, os gols de Douglas e Vilson.

O calor era tal que nem a família de quero-quero – já tradicional nos jogos em Porto Alegre – se arriscava a bater asa no gramado do estádio Olímpico. Quando muito dava uma corridinha sem-vergonha para o lado do campo para escapar da bola. Gritar seu grito tradicional, nem pensar. Melhor calar.

Foi o quero-quero que apareceu na TV e a falta de fôlego dos jogadores no segundo tempo que me levaram a passar a mão no livro de Lendas e, por coincidência, abri-lo na página em que Callage descreve a saga do passarinho matraqueador. Muito mais interessante do que o jogo modorrento que se desenrolava.

Ainda bem que os jogos do Campeonato Gaúcho ainda servem para alguma coisa: lembrar as boas histórias contadas nos Pampas.

A propósito: sabe quem já tem a melhor campanha da competição e com uma partida a menor é líder de sua chave ?

Poderia dizer que é o Grêmio responsável por escrever algumas das maiores lendas já vistas no Sul do País, mas achei melhor ficar quieto, senão ainda haverá alguém para publicar nos comentários aí embaixo que eu sou um falastrão igual ao quero-quero.

Divirta-se, a moda é masculina

 

Por Dora Estevam
 
Estou adorando todas as postagens de moda masculina. O que os desfiles de Paris, Milão e São Paulo mostraram para os homens é algo totalmente vigoroso de uma alegria contagiosa.  Os desfiles estão cada vez mais incríveis em termos de produção e moda, propriamente combinados.
 
Quer matar a curiosidade de como funciona este meio?

Acompanhe o vídeo a seguir. Foi feito por Justin Wu especialmente para Jak & Jill Blol. Super carinhoso e de bom gosto. Alegre, cheio de vida, o vídeo mostra os bastidores dos desfiles e de alguns dos melhores momentos dos meninos de Paris e Milão. Adoro!

Por aqui, separei algumas fotos de alguns estilistas. É tudo muito diferente, foge do que estamos acostumados a ver nas ruas. Mas vamos respeitar o trabalho destes moços, certo?
 
LINO VILLAVENTURA

Lino fez uma moda renovada para homenagear os 15 anos da São Paulo Fashion Week.

 
 
ALEXANDRE HERCHCOVICH

Se depender de Alexandre pode vir terremoto, vulcões ou tempestades. Com as roupas que ele criou para o próximo inverno os homens estarão protegidos de tudo isso. Ah, e modernos!


  
JOÃO PIMENTA

Trouxe um desfile inspirado na moda militar e religiosa. Entendi. Quase um franciscano. Um frasciscano com dinheiro.


 
 
 
 
CAVALERA

Fez chover para dar um clima intimista, mais a cara da cidade nestes dias tão molhados.
 

 
Por toda esta produção você deve ter imaginado o quanto estes estilistas trabalharam. Um esforço e tanto. Tudo isso você terá o prazer de ver pessoalmente, provar e ter uma ou várias peças em seu armário em poucos meses, em lojas de shoppings e de rua.
 
 É o horizonte da moda masculina – como escrevi no post anterior.
 
E você está preparado para ser este homem?

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

 

O artigo de Carlos Magno Gibrail (Marketing e Futuro na Moda arrasam nop SPFW), nosso doutor em marketing de moda, trouxe importante colaboração para a reflexão sobre a exposição das marcas na 15a edição da São Paulo Fashion Week. Aproveito este sábado, sempre dedicado a moda e estilo de vida, graças as provocações da colunista Dora Estevam, para destacar um dos comentários publicados aqui no Blog, assinado pela leitora-internauta Louise Rossetti:

Eu concordo que este tipo de ação chame a atenção, cause mídia espontânea (inclusive a sua) e burburinho. Mas somente Promoção e Propaganda não criam posicionamento de marca. Acho raso, volátil, linkar a marca a celebridades, principalmente quando elas não tem absolutamente nada a ver com a identidade da marca.

Se a marca é pop, deve investir em ideias pop, não em marketing “barato” e óbvio. O consumidor não é mais inocente como nos anos 90. Não se aceita mais qualquer coisa. E apesar da mídia gerada, o produto é fraco, o posicionamento é dissonante e a ligação com o cliente fica prejudicada assim que se usa o produto, pois é quando a imagem do Ashton ou da Giselle se dissipam. (ou seja, deixa-se de atender o desejo do cliente).

Eu acredito em construir uma identidade de marca, com mais P’s fortes, além de promocao e propaganda. E isso se faz priorizando tbm os outros fatores.

“Falem mal, mas falem de mim” é pobre, dura pouco. Branding em que a criação não conversa com a comunicação, não é branding.

Acho a ideia da Ellus mais louvável, por exemplo. Uma marca que quer se posicionar como moderna, avant gard, que usou uma mídia nova, diferente.

Para pagar U$ 500.000 para uma celebridade, basta ter dinheiro. Para fazer algo bacana, e elevar a marca, definitivamente, precisa-se de criatividade.

Olhos e ouvidos abertos na Câmara de São Paulo

 

As câmeras de segurança da Câmara Municipal de São Paulo ganham nova função. Desde terça-feira, são os olhos do cidadão a vigiar o trabalho dos vereadores. Se antes serviam apenas para preservar o patrimônio, agora transmitem pela internet as sessões das comissões permanentes e audiências públicas, onde são realizados os principais debates em torno de projetos de lei e temas de interesse da cidade.

A estrutura técnica do site da Câmara permitirá que cerca de 300 internautas assistam aos encontros de uma só vez, número que aparentemente é baixo se levarmos em consideração a audiência possível na internet, mas é muitas vezes maior do que a quantidade de eleitores que comparecem no parlamento.

Foi Massao Uehara, um integrante do Adote um Vereador – projeto que convida o cidadão a controlar ação parlamentar através de blogs -, que identificou a possibilidade de transformar as imagens das câmeras de segurança em fonte de informação da sociedade, no ano passado.

Naquela época, a demanda já havia sido apresentada pela ONG Voto Consciente em uma lista de sugestões para tornar mais clara a atuação dos vereadores. Restrições técnicas eram alegadas para impedir o acompanhamento das comissões na internet. Pura balela, como pode se ver agora.

Bastou o grupo que mandava na Câmara ser derrotado na eleição à Mesa Diretora para o projeto ser executado. Foi um dos primeiros atos do novo presidente da Casa José Police Neto (PSDB) que sem gastar um só tostão em equipamento colocou as imagens na tela do nosso computador. Para a transmissão serão desembolsados cerca de R$ 7 mil por ano.

Mais importante, porém, é o que esta medida tomada pelo novo comando da Câmara Municipal de São Paulo significa na relação do legislativo com a sociedade. “Foi mais do que um passa à frente, foi um enorme pulo”, disse Sônia Barbosa do Voto Consciente entusiasmada com as raras ações que tornam a vida no parlamento mais acessível ao cidadão, nestes cerca de 20 anos em que a ONG acompanha o trabalho dos legisladores.

“Vai facilitar nosso controle, pois boa parte é feita pela internet”, reforçou Cláudio Vieira que ao lado de Audrey Danezi e Sérgio Mendes representaram o projeto Adote um Vereador no lançamento do sistema.

A falta de transparência é um dos motivos que levam o legislativo paulistano – e não é diferente nas demais cidades – a um índice de confiança vergonhoso. Dentre 24 instituições, é a pior avaliada, tendo a desconfiança de 62% das pessoas ouvidas em pesquisa do IRBEM – Indicador de Referência de Bem-Estar no Município, encomendada pela Rede Nossa São Paulo.

Para mudar esta percepção será preciso ir além. Por isso, depois dos olhos eletrônicos é preciso abrir bem os ouvidos para o que a sociedade pensa.

Seria importante criar um canal para receber, examinar e encaminhar as reclamações, sugestões e pedidos da população. Comentários deixados neste blog revelam o quanto a ausência de respostas indigna o eleitor.

Mais do que reduzir a frustração deste à falta de atenção a e-mails e cartas enviadas, o serviço poderia funcionar como um representante dele dentro do parlamento, identificando as demandas não atendidas e cobrando medidas em determinadas situações.

A luta (literal) eleitoral que ocorreu na disputa pela Mesa Diretora em dezembro, a troca de favores por cargos no Executivo e o surgimento de denúncias de vereadores que se beneficiam com verbas indenizatórias – como a que atinge Antonio Goulart (PMDB) – mostram que a Câmara tem muito a melhorar.

Portas escancaradas – seus olhos e ouvidos, incluídos – à comunidade pode induzir esta transformação de comportamento. E caberá ao cidadão ocupar estes espaços com sua voz para que as decisões no parlamento se traduzam em melhor qualidade de vida no ambiente urbano.

Foto-ouvinte: Poste dente de leite

Poste em queda

Moradores partiram para o bom humor na tentativa de evitar uma tragédia na rua Hastimplhilo de Moura, próximo do Portal do Morumbi, zona oeste da capital. Este poste está prestes a cair, pendurado em barras de aço expostas. Sua proximidade com um ponto de ônibus amedronta pedestres, principalmente. Após reclamar para Eletropaulo e prefeitura e não serem atendidos, colocaram um cartaz no qual qual batizam o poste de “Dente de Leite – é só puxar que cai.

A foto foi enviada por Vera Lúcia Alves da AMASUMO – Associação dos Moradores e Amigos da Super Quadra Morumbi

Éramos felizes e não sabíamos ?

 

Por Milton Ferretti Jung

“Éramos felizes e não sabíamos”. Ouve-se seguidamente essa frase. Quem ainda não a escutou? Ela serve para lembrar, com prazer, o passado, nem sempre se referindo ao que as pessoas viveram. Outro dia, por exemplo – socorre-me o Google – um diretor da Rede Globo disse que os radiodifusores sentem saudade do tempo em que não havia a ameaça das novas mídias em seu modelo de negócios.

Normalmente, porém, quem pronuncia a frase é gente que vivenciou na sua infância momentos inesqucíveis, comparando-os com a realidade dos dias de hoje.

Permitam-me que regresse aos meus oito anos ou pouco mais que isso. Minha família morava diante de uma pracinha. Essa não passava de um triângulo situado no encontro de duas ruas. A prefeitura tentou em vão transformá-la numa praça de  verdade, mas nós, seus usuários, nunca permitimos porque acabaria com nossos improvisados jogos de futebol, basquete, vôlei e outras brincadeiras. Na minha rua havia também muitos terrenos baldios, os quais, às vezes ,serviam para que uma turma maior participasse de “peladas”, eis que o chão da pracinha era não só inclinado como sem um mínimo de grama.

O tempo foi passando, a pracinha permaneceu incólume. Os terrenos baldios acabaram. Em seu lugar surgiram casas. Os guris cresceram, casaram, tiveram filhos, alguns edifícios substituíram as casas mais velhas. Ainda sobraram os que, na juventude,fundaram um clubezinho – o Tijuca – que congrega parte da turma antiga em jantares de confraternização.

Meus filhos, quando visitavam seus avós, que nunca se mudaram, chegaram a conhecer a pracinha. Meus netos, porém, nunca passaram sequer perto da residência avoenga. Eles estão noutra. Brincam,hoje,como muitas crianças da idade dele, com computadores,iPod,iPad,Nintendo,Play Station, etc.

O Fernando, mais moço da turminha, filho do Christian e da Lúcia,irmão da Vitória, possui até um blog e está tentando ensinar a tia Jacque a criar o dela. Gregório e Lorenzo, filhos do Mílton e da Abigail, desde menininhos lidam melhor com computadores  que muita gente grande. Eu jogo somente Tetris no PC. E olhe lá.

Quando paro para pensar, volta e meia me ocorre a frase com a qual iniciei este texto e me pergunto quem teria mais razão para usá-la: eu, meus filhos ou meus netos? Responda quem se achar capaz.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, trabalha na Rádio Guaíba de Porto Alegre e é meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)