A campanha eleitoral está nas ruas, ainda

 

Um cidadão distraído poderia imaginar que a campanha eleitoral está a todo vapor ao passear por ruas de São Miguel Paulista, na zona leste.

Sujeira eleitoral

Cartazes, faixas e muros seguem tomados pelo rosto feliz dos candidatos, seus nomes e números, de acordo com uma série de imagens feitas pelo ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, colaborador do blog.

Sujeira eleitoral

O prazo para que os candidatos que disputaram o segundo turno retirem toda a propaganda das ruas se encerra dia 30, segundo o TRE-SP. Para os que participaram apenas do primeiro turno, o material teria de ter sido recolhido em 4 de novembro.

Sujeira eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo tem convênio com a prefeitura que está autorizada a retirar a propaganda ‘esquecida’ pelos políticos.

Sujeira eleitoral

Veja mais imagens no álbum do CBN SP no Flickr

O cinema triunfa na Paulista

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em outras regiões da cidade e do planeta terra, o cinema ao vivo tem ajudado a restituir ao mundo a verdade do mundo. É o que vimos há uma semana, quando um jovem foi agredido no rosto por outro jovem com lâmpada fluorescente.

Até então o grupo do agressor, apoiado por pais e advogados, inventaram situações e acusações infundadas. Bastou a imagem gravada para um dos advogados de defesa conscientizar-se e sair do caso. É bem verdade que mesmo diante da cena irrefutável houve quem discutisse o real, o que comprova a mente distorcida orquestrada pela ética disforme, que criou e desenvolveu comportamento tão desequilibrado nos jovens provocadores.

A enorme repercussão do fato gravado foi do tamanho da sua gravidade, todavia o foco de homofobia, embora relevante, não é o mais importante. O contundente é a agressão em si, gerada do nada ou do tudo. Vindo de meninos com instrução e famílias constituídas.

Esta complexidade deve ser estudada, principalmente para verificar se não é a resultante daquelas escolas cujos pais exigem que os filhos sejam tratados como clientes. E, como tal, sejam os “donos” dos colégios.

Menos complexa, mas tão importante quanto à psicologia do caso é a questão do uso generalizado das câmeras sob o aspecto legal e ético.

A cidade de Londres que previne e pune o crime com a maior quantidade urbana de câmeras do mundo; pesquisadores como Paco Underhill, que formou uma teoria do varejo através das câmeras; esportes como a Fórmula1 e o Tênis, que impedem injustiças nas competições milionárias com repetição de lances duvidosos; assim como uma série de residências, condomínios e empresas que têm tido sucesso na segurança com as câmeras de gravações, são exemplos para análise desta controvertida questão da invasão de privacidade dos cidadãos.

O dinheiro na meia, o dinheiro na bolsa e depois a reza, a mini saia da Uniban e a grande quantidade de babás espancando bebês mundo afora, foram protagonistas de casos que sem elas não existiriam.

O Rodeio das Gordas por falta de imagens gravadas ainda preenche muitas telas eletrônicas de relacionamento.

A FIFA, entidade dirigente do esporte mais popular do mundo, quanto mais expande seu império mais teme as câmeras. Certamente para manter o simulacro tão bem alicerçado do poder centralizado e estimulador para as demais confederações afiliadas. A ponto dos atores principais, os futebolistas, adotarem o mesmo e progressivo papel de simuladores absolutos. Chegam a trocar os pés pelas mãos, até mesmo para vagas no supremo torneio da entidade.

As cidades, cada vez mais populosas, deveriam prevenir e punir a criminalidade urbana como prioridade, sem receios de cerceamento pelas imagens.

É hora de repensar a liberdade de gravar e ser gravado. O cinema poderá ser bem-vindo neste cenário urbano contemporâneo. Reproduzindo o cotidiano com suas tragédias, dramas, farsas e comédias. Cinema ao vivo, para todos e para tudo.

Graças a ele, a promotora da Infância e Juventude Ana Lunardelli decretou ontem a internação dos quatro adolescentes envolvidos na agressão da Avenida Paulista na Fundação Casa por tentativa de homicídio e lesão corporal.

O pedido foi motivado “pelas imagens divulgadas pela polícia”. Sem elas, os agressores, libertados, arquitetavam a defesa com a imaginação que a ausência de imagem permite.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Como está a disputa para presidente da Câmara

 

A Câmara Municipal de São Paulo está em alvoroço. Nos gabinetes e corredores – às vezes até mesmo em um bate-papo no banheiro -, os vereadores não falam em outra coisa. Dia 15 de dezembro será eleito o novo presidente da Casa que substituirá Antônio Carlos Rodrigues (PR), no poder há quatro anos.

Dois candidatos estariam disputando o voto dos 55 vereadores. Um terceiro corre por fora. José Police Neto (PSDB), Milton Leite (DEM) e Aurélio Miguel (PR) são os nomes mais lembrados pelos colegas, cada um com sua peculiaridade.

Miguel é o “sonho de consumo” do atual presidente. São do mesmo partido e dividem fronteira em suas zonas eleitorais, nas regiões sul e oeste da capital. Rodrigues estaria preparando-o para assumir o posto há cerca de dois anos. O vereador, porém, oficialmente, não é candidato nem estaria pedindo voto. Seria apresentado às vésperas da eleição como a alternativa na Câmara para conciliar os ânimos acirrados.

Leite é apontado como o candidato do Centrão. Não bastasse ter saído ainda mais forte da última eleição – elegeu os dois filhos, um para Assembleia e o outro para a Câmara dos Deputados -, é o homem do Orçamento. Ele é quem comanda a discussão dentro da Casa sobre como o dinheiro da prefeitura será usado no ano seguinte. Vereador para ter uma emenda aceita negocia com ele. Portanto, tem muita influência.

O parlamentar do DEM contudo insiste em dizer, publicamente, que não é candidato. Ligou para a redação da CBN, nessa terça-feira, incomodado com a notícia de que estaria na disputa. Semana passada, já havia conversado com repórteres de outro veículo, mas o recado era diferente: dizia ter o apoio da cúpula do partido.

Antes de convencer este jornalista de que não é candidato – “minha palavra não basta?”, disse por telefone -, precisa explicar isso aos colegas. Carlos Apolinário do mesmo partido dele anunciou no dia 10 deste mês, registrado em ata, que vota em Milton Leite para presidência da Câmara. Nada consta de que Leite tenha agradecido a gentileza e afirmado estar fora da disputa.

É necessário contar, também, para o vereador José Américo (PT) que tem tentado convencer seus pares de que o partido tem de ficar ao lado de Milton Leite do DEM.

Esta eleição, por sinal, é para confundir a cabeça do cidadão. Se o PT apoia o candidato do DEM, o prefeito do DEM apoia o do PSDB. Não que isso possa ser considerado um absurdo. O tucano José Police Neto é o líder do Governo Kassab na Câmara desde sempre e o prefeito está pronto para abandonar o DEM.

Netinho – o do PSDB – tem a seu favor a relação que construiu com os demais vereadores, mesmo os da oposição. Ajudou vários deles a refazer projetos de lei tornado-os possíveis de aprovação.

Esta situação, porém, não lhe oferece vantagem folgada na eleição para a presidência. A disputa é voto a voto e a decisão deve sair na véspera do pleito, talvez apenas na manhã do dia 15 quando as candidaturas são apresentadas oficialmente.

Apesar de o regimento interno prever votação secreta, desde que José Eduardo Martins Cardozo (PT) ganhou a eleição para presidente da Câmara, há oito anos, o voto é aberto. Isto tem deixado alguns parlamentares com medo. Há quem tenha declarado, informalmente, que apoiar o candidato do lado oposto pode significar o ostracismo – na política isto se traduz por não aprovação de projetos de lei nem liberação de verba para seu reduto eleitoral.

Com tudo isso, um vereador de primeiro mandato, assustado com a veemência das negociações, decreta: “A Câmara está rachada”.

Agora o outro lado

Recado enviado por e-mail pelo presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues, do PR (publicado às 12h24):

O Vereador Aurélio Miguel é um grande amigo e um companheiro de partido e não meu “sonho de consumo” para presidir a Mesa Diretora da Câmara, como afirma o jornalista. Meu candidato é o vereador que o Centrão indicar, conforme compromisso já assumido. Jamais trai a palavra empenhada

Jantar da turma de 60 em defesa da história do Liceu

 

Alunos do passado preocupados com o futuro da escola. Cena rara neste Brasil desacostumado a valorizar suas instituições se registrará na noite desta quarta-feira (24/11), na Pizzaria Moraes, no bairro da Bela Vista. Colegas da turma de 1960 do curso científico do Liceu Coração de Jesus voltam a se encontrar para comemorar os 50 anos de formatura e têm uma missão: defender a escola e o bairro em que foi fundada.

O Liceu surgiu no bairro dos Campos Elíseos, em 1885, tendo como âncora a Igreja Coração de Jesus, tombada como patrimônio histórico. Dos anos de 1940 a 1960, viveu seu auge reunindo cerca de 4 mil alunos. Em 125 anos de história, os salesianos formaram parte da elite intelectual do País com uma educação de qualidade em região considerada nobre da capital paulista, que abrigava a mansão dos donos do café e a sede do Palácio do Governo.

O esforço para manter o mesmo nível de ensino porém não foi suficiente para conter a evasão de alunos. Muitos dos quais deixaram o Liceu assustados com a degradação das ruas em seu entorno. Calçadas tomadas por indigentes e drogados não condiziam com o ambiente que pais e filhos buscavam em uma escola.

Com apenas 400 estudantes em suas salas de aula, o colégio tem enfrentado dificuldades para se manter e levou a comunidade a se mobilizar para proteger este importante capítulo da história de São Paulo. Um abraço ao prédio da instituição marcou o lançamento do Movimento Viva o Liceu, este ano.

Logo mais à noite, quando estiverem comemorando os 50 anos de formatura, ex-alunos também discutirão novas abordagens em defesa da manutenção da qualidade do ensino do Liceu e da recuperação do bairro de Campos Elíseos. Esperam ainda trazer as demais turmas do passado para esta batalha, fazendo com que o colégio mais uma vez dê uma lição para a cidade.

Talvez assim consigam fazer com que o conhecimento compartilhado dentro da escola contamine o seu entorno. E não o contrário.

Leia também:


Liceu: Simulacro e simulação

Abraço no Liceu para salvar patrimônio da cidade

Vida nova no Bosque da Saúde

 

A família de sabiá-laranjeira aumentou nestes dias de novembro, no ninho que construiu na rua Samambaia, em pleno Bosque da Saúde.

Sabia-laranjeira

André Pereira, vizinho deles, ouvinte-internauta e indiscreto, registrou parte destes momentos em fotografia, e não teve como deixar de reparar na bela cor dos ovos, azuis como o do Grêmio por quem ele torce (e eu, também).

Sabia-laranjeira

Os “meninos” logo ensaiaram os primeiros gritos, provavelmente a espera da recompensa a ser oferecida pelos pais.

Sabia-laranjeira

O pai não escondia a satisfação e o orgulho pelo acontecimento. Peito em riste, parecia desafiar a quantidade de prédios que cerca o espaço que foi só deles.

Sabia-laranjeira

“A natureza ainda pulsa na floresta de pedra”, comemorou André Pereira, a quem agradecemos por dividir estes instantes com os leitores do Blog.

Foto-ouvinte: Escuridão no Jardim Ângela

 

Sem luz

Se você não é capaz de enxergar muita coisa nesta foto, não se preocupe. Esta é, também, a visão dos moradores da rua Aurélio Neves, Sapopemba, zona leste de São Paulo. De acordo com Carlinhos Cobra, os moradores continuarão “cegos” enquanto a prefeitura estiver “surda” às reclamações. Há um mês, as luzes dos postes se apagaram e os pedidos se iniciaram. Até agora nenhuma previdência foi tomada.

O problema que o Carlinhos conta não é um privilégio dele. O maior número de reclamações feitas à Ouvidoria de São Paulo se refere a iluminação pública. No terceiro trimestre deste ano foram registradas 549 queixas de pessoas que haviam solicitado o serviço da Ilume, mas não foram devidamente atendidas.

Para fazer reclamações à Ouvidoria:

* Pelo telefone 0800-175717 das 9h às 17h.

* Pessoalmente, das 9h às 17h, na Avenida São João, 473, 16º andar, Centro.

* Por fax: 3334-7132.

* Correios: Avenida São João, 473 – 16º andar – Centro – São Paulo – SP – CEP 01035-000

Conte Sua História de São Paulo: Coisas de meninos

 

No Conte Sua História de São Paulo, Aldo Della Monica que nasceu em 1952 aqui na capital e passou quase toda a infância no Tatuapé – momentos que foram lembrados no texto enviado ao Museu da Pessoa:

Ouça o texto de Aldo Della Monica sonorizado por Cláudio Antônio

Parece que certas coisas nunca mudam. Soltar pum, por exemplo, sempre foi um negócio engraçado. Os meninos são mestres nessas coisas. Os garotos daqueles tempos também. Aliás, também tínhamos nossos heróis japoneses. National Kid voava sobre Tóquio e sempre detonava os monstros vilões ao final do filme. Outro dia, revi um trecho do National Kid: vai voar mal assim lá nas arábias…

Outros tempos. No começo dos anos 60, computador era palavrão. O que se diria de computação gráfica e outros desses bichos tecnológicos modernos.

Bem, voando mal ou não, ele era nosso herói japonês.

Bairro de operários e pequenos comerciantes, o Tatuapé parecia uma dessas pequenas cidades interioranas. Quando alguém precisava ir á Praça da Sé, no Centro, dizia: eu vou à cidade. Como se vivêssemos em outro local que não na própria cidade de São Paulo.

A rua Bom Sucesso, asfaltada e recém iluminada, terminava em uma pracinha de terra. Os poucos automóveis que ali passavam pertenciam aos moradores daquele trecho de rua. Não havia movimento de veículos e, nos finais de tarde, dava pra se ouvir muito bem o barulho dos grilos lá da pracinha.

Tal silêncio só era interrompido, vez ou outra, pelo som do trem da Central do Brasil, que passava mais à frente, logo depois da praça.

É… bons tempos, mesmo! A gente nem precisava ter medo de sair à rua.

Lá pelas seis da tarde, banho tomado e com a série do National Kid devidamente atualizada, a garotada saía à rua. Brincava-se no meio da rua mesmo.

Não sei se a idéia foi do Francisquinho, o mais gordinho da rua. Mas, resolvemos promover um concurso de puns. O responsável pelo pum mais barulhento seria o campeão.

Havia uns dez garotos em nosso quarteirão. Todos mais ou menos entre os 9 e 10 anos.

Meninas?… nós só começávamos a reparar que elas existiam: a Miriam, a Denise, Angela, Ilze, Angelina…

Mas foi por causa da Dorinha, a mais velha delas – uns 12 anos- que um garoto passou a frequentar nossa turma: o Dagmar morava lá em cima, quase no final da rua e devia ter a mesma idade da Dora.

Nos intervalos das façanhas do National Kid, os reclames na TV tentavam vender os drops Dulcora, aquele que era embrulhado um a um. Era um tablete de drops que usava o slogan: Drops Dulcora a delícia que o paladar adora! Não demorou para que um de nós democratizasse a idéia: Dulcora, a delícia que o Dagmar a Dora. A gozação não abalou o Dagmar. Ele parecia mesmo apaixonado. Mas, tímido, não conseguia se declarar à Dorinha.

Paulinho, apesar do diminutivo, era o mais alto de nós. Magro e meio despachado, Seu pai era feirante. Vendia balas, doces biscoitos. Vez por outra, quando os sacões de biscoito de polvilho estavam no fim, o pai do Paulinho deixava ele trazer as sobras para a turma. Era apenas o farelo dos biscoitos mas… e a farra? O desafio era fazer alguém encher a boca com o farelo e dizer: minha mãe é rica porque pode. Invariavelmente o p de pode acabava virando ph, ou…f, pra se mais moderno.

Não sei se há explicação científica, mas tenho provas empíricas suficientes de que, depois de comer tanto farelo de polvilho, acabávamos todos, por assim dizer, virando um bando de balões de gás. Acho que foi daí que tiveram a idéia do concurso de puns.

Sábado, final de tarde. Minha tia Inês já tinha voltado da permanente na cabeleireira. Tio Zé Carlos engraxava seu mais novo par de botas. No baile iria rolar Ray Conniff para dançar de rosto colado e Chubby Checker, pra esquentar as cadeiras.Nós, no entanto, estávamos preocupados com outras emoções: hoje, o Dagmar iria se declarar à Dorinha.

Ficamos todos atrás do caminhão que o Seu Mário deixava estacionado na frente de sua casa.

Do outro lado da rua ( em frente à casa da Dona Aracy), o Dagmar: cabelo com corte americano curto máquina 1, calça nova com barra, camisa branca e pulover azul marinho.

– Olha lá, a Dorinha vem vindo!

Ela morava na pracinha.

Dava pra ler os lábios do Dagmar tentando relembrar o que ele devia ter ensaiado nos últimos quinze dias: você tem namorado; qual a sua religião (coisas de nossa educação no colégio das Irmãs); você quer namorar comigo?!

A Dorinha se aproximou.

Mal o Dagmar pôs as mãos nos bolsos, mostrando que iria começar a sua declaração e… uma explosão familiar ecoou pela silenciosa Bom Sucesso.

– O que foi isso?! gritou assustada a Dorinha.

Nada não! Era o Paulinho que acabava de vencer o concurso…

Você também pode contar um capítulo da nossa cidade. Escreva para www.museudapessoa.net. Ou agende uma entrevista, em áudio e vídeo, pelo telefone 2144-7150.

Parlamentares reeleitos não se livram de denúncias

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Os pedidos de cassações dos parlamentares estaduais e federais envolvidos em escândalos nesta legislatura que finda logo a seguir, podem resultar na extinção dos seus novos mandatos na posterior. Não basta alegar que aquela passou. Conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, a reeleição possibilita a retomada da tramitação do processo no ponto em que o mesmo estacionou.

É verdade que os Conselhos de Ética da Câmara dos Deputados e de Assembléias Legislativas podem rejeitar politicamente a reabertura dos processos contra deputados federais e estaduais acusados.

O entendimento do Supremo Tribunal Federal é o de que se a representação popular do suspeito ou acusado foi confirmada pelo povo nas urnas, o fato que determinou as providências no Legislativo não sofre prescrição ou desaparece. Isto se chama “princípio da unidade da legislatura”.

Dois julgamentos do STF admitiram a continuidade dos processos de cassação por quebra de decoro. Segundo ambos, diante da exigência de moralidade nos mandatos, o fim da legislatura determina apenas o encerramento dos assuntos relativos ao processo legislativo (arquivamento de projetos, etc), sem implicações no impedimento de formalização de denúncias e tramitação de processos de responsabilização política por fatos ocorridos no mandato anterior.

O seguinte trecho de um voto proferido pelo Ministro Celso de Mello expõe didaticamente a compreensão do Supremo sobre este assunto:

(…) o princípio da unidade de legislatura não representa obstáculo constitucional a que as Casas legislativas venham, ainda que por fatos anteriores à legislatura em curso, a instaurar – contra quem já era titular de mandato na legislatura precedente – procedimento de caráter político-administrativo, destinado a viabilizar a decretação da perda do mandato, por fato atentatório ao decoro parlamentar, cometido por quem então se achava investido na condição de membro de qualquer das Casas do Congresso Nacional (…).

Portanto, a posição consolidada no STF é clara no sentido de que a reeleição do parlamentar garante a continuidade da acusação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Foto-ouvinte: Lixo na escola

 

Lixo de escola

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Nas regiões mais pobres da cidade de São Paulo, o lixo ganha as ruas de forma assutadora e muito perigosa -,por se tratar essencialmente de uma questáo de saúde pública. É gritante  o entulho ao longo da calçada da Escola Estadual Sargento Alves da Silva, na rua Bernardo Gomes de Brito, Parque Independência, extremo sul da Capital , área de responsabilidade da Subprefeitura de Campo Limpo. Um professor, perguntado como se sentia em  ter um lixão na porta de sua escola, respondeu:  “A minha obrigaçao aqui é dar aula.”
 
Se a população não tem nenhum ato de responsabilidade cidadã – ao emporcalhar o bairro  onde mora – o poder público é omisso na fiscalização e na aplicação da lei. Pouco ou quase nada faz na criaçao de políticas públicas eficientes para o setor. Faltam investimentos , sim , na limpeza urbana. Não adianta a Prefeitura  querer fugir dessa responsabilidade…  A modernização da limpeza  patina na lama ,em dias de  chuva fraca . Por exemplo ,até quando a retirada de grande quantidade de entulhos será braçal ?
 
 Como ficou o concurso de agentes vistores e a informatizaçao do serviço de fiscalização ? Por que não adotar o serviço de remoção  de entulho 24 horas? Seria um grande avanço na limpeza urbana, para tirar a cidade do atoleiro da sujeira .
 
Quanto aos “ecopontos”, passou da hora a terceirização da manutenção desses equipamentos.
 
 
Ainda impera o atraso no serviço de varrição e coleta  de São Paulo,que ,em alguns casos, chega a ser tratada  com descaso por parte do poder público municipal. Vale lembrar que até há pouco tempo os garis  da Zona Sul eram transportados em pau de arara  (…)

Avalanche Tricolor: Pelo direito de sonhar

Grêmio 3 x 1 Atlético PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

Poucas vezes demorei tanto para publicar uma Avalanche. A partida se encerrou há 24 horas e você, caro e raro leitor deste blog, sabe do meu esforço para exprimir aqui sofrimentos, paixões, admirações e, na maioria das vezes, alucinações sentidas no decorrer dos 90 minutos de jogo tão logo este termine.

Desta vez, porém, deixei ir embora as emoções da partida, e toda a rodada se completar. Ao contrário do que possam imaginar, não tomei a atitude porque estaria concentrado na arte de secar o adversário, esporte preferido da torcida brasileira em especial quando o campeonato está próximo do fim.

Tenho tido o cuidado, desde o início desta nossa recuperação, de me ater apenas aos nossos feitos. Deixo que os defeitos dos outros se revelem por si só. Mesmo porque não acredito muito que olho grande mude alguma coisa no futebol. Seriedade, sim. Perseverança, também. Confiança, determinação, doação, humildade, bola rolando com sensatez, luta e talento. Todas estas coisas que apareceram em nosso time nesta segunda parte do campeonato.

Incrível a mudança que assistimos nesta sequência de resultados positivos. Nesta mesma fase, na primeira parte da competição, éramos um bando de desnorteados que contávamos, única e exclusivamente, com a nossa saga.

Sempre soubemos que nossa história havia sido marcada por provações até alcançarmos algo realmente relevante. Por isso, sempre nos damos o direito de sonhar com algo acima do possível.

As vitórias voltaram com um time mais bem organizado, marcação eficiente, passes em velocidade, carrinhos certeiros, movimentação coerente, chutes confiantes a gol. E muitos gols: temos o melhor ataque da competição, o melhor atacante e a melhor campanha neste segundo turno. Não tenho medo de dizer que temos, também, o melhor time nesta altura do campeonato.

Vítor não exige mais palavras; Paulão se mostrou zagueiro seguro; Neuton se revela a cada oportunidade, desta vez com um golaço; os dois volantes, Adílson e Rochemback, estão acima do lugar comum; o lado esquerdo alucina o adversário com a rapidez de Fábio Santos e Lúcio; Douglas tem um talento excepcional; e quando Jonas está no time, seja qual for seu companheiro, o ataque joga muito. Sem falar o simpático – pela cara, pelo jogo e pelo nome – Diego Clementino. E mais um grupo que está sempre pronto para atender ao chamado do técnico.

Apesar de tudo isso, ainda tínhamos dificuldade de nos colocarmos entre os mais bem classificados. O caminho estava congestionado. Havia muita gente na frente para ultrapassar. Alguns mais distantes, outros bem próximos. Mas todos foram ficando para trás. Um a um. Até colocarmos os pés no propalado G-4.

Ainda faltavam os resultados deste domingo para confirmarmos presença na elite do Campeonato Brasileiro. Não queria escrever antes disto se concretizar.

E a rodada se completou com o nome do Grêmio surgindo no alto da tabela.

O futebol recuperado não foi suficiente para nos dar a chance de disputar o título, apesar de termos time tão equilibrado quanto os três pretendentes. Não temos a garantia de que o quarto lugar nos levará à Libertadores, devido as mudanças no regulamento após a competição se iniciar.

Com certeza, porém, o Grêmio, sob o comando de Renato Gaúcho, voltou a ser o Grêmio de todos nós. Que sempre nos oferece o direito de sonhar mais. E sonharmos juntos.