Dele


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Por Maria Lucia Solla

ora se não havera de haver um plano
ou será que o traçado divino
é passível de engano

tudo é ele
e tudo vem dele
que não cerceia
não vai te por na cadeia

sem ser passível dele
ele é o engano também
e na sua grandeza infinita
na sua obra bendita
não dita regras
não proíbe não incita

dá liberdade que também é ele
pra que se possa escolher
o que se quer ser
ou pelo menos aceitar
o que não se pode mudar

a escolha é infinita
dentro da sua grandeza
a gente pode escolher
se quer a feiúra ou a beleza

se mora no bangu
ou em santa tereza
se vai levando
ou prefere morrer de tristeza

e a gente tem pose demais
e consciência de menos
acerta menos e erra mais

no primeiro ano da escola
era preciso urgente
ensinar que é uma escolha
escrever ou não
da primeira à última folha

que não é preciso
provar tudo o que encontrar
pra saber o que vai te derrubar
e o que vai te levantar

e mostrar que nada é impossível
mas que nada é de graça

que você pega o que te agradar
mas que sempre haverá de haver
um preço a pagar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

A Ceia do Natal!

 


Por Dora Estevam

O clima de Natal já chegou! Se depender das decorações das lojas, a festa não vai ter fim. São shoppings, supermercados, ruas, casas e prédios, todos, todos muitíssimos enfeitados. Verdadeiras paixões. Com tudo isso ficamos cada vez mais cedo entrosados com o espírito natalino. Eu amo!

Pensando em Natal pensamos em comida (siiiim, comida!). Além dos presentes, cartões e roupas. Nada pode falhar ou faltar. Os detalhes para cada prato, cada decoração; as roupas diferenciadas, roupas de festa mesmo. Pois é o momento que celebramos o nascimento de Jesus com toda a família.

E quando falamos em comida vem logo àquela pergunta: o que vamos fazer de diferente este ano? Diferente mas ao mesmo tempo igual. Ou diferente, mas renovado. Onde recorrer nestas horas? Receitas familiares aparecem aos montes: receitas da vovó, da tia, dos amigos, das revistas. É uma loucura desenfreada para agradar e fazer o melhor e mais gostoso.

Eu adoro comida de Natal, gosto do tradicional, mas amo as transformações culinárias que os chefes oferecem. Cada chefe de cozinha com seus truques. Truques que encantam e seduzem o paladar.

Mas devo lembrar que há pessoas com restrições na comida, daí precisam elaborar pratos diferenciados; há aqueles também que preferem algo totalmente diferente, por isso a variedade de ofertas deve ser muito grande. Não são todos os pratos que agradam.

Pensando nisso (para ajudar na escolha do seu menu) resolvi conversar com um grande querido e amigo: o Horácio Cymes, banqueteiro do Buffet Arroz de Festa – e ninguém melhor do que ele para falar da Ceia mais tradicional do ano, depois do casamento.

Dora: Horácio, o que não pode faltar na mesa do brasileiro?
Horácio: Por incrível que pareça na mesa do brasileiro não pode faltar a releitura da tradicional farofa, acompanha bem todos os assados e é de gosto quase unânime.

Dora: Qual a sugestão para quem não come carne vermelha?
Horácio: Para quem não come carne vermelha a minha sugestão é sempre um bacalhau, que pode vir das receitas tradicionais ou inovados como o recheio de uma massa.

Dora: Quais as combinações mais interessantes e práticas para quem quer fazer em casa?
Horácio: Para donas de casa que adoram um fogão, elas podem fazer um peito de peru com molho de castanhas, um tradicional Tender de fácil manejo, não faltando uma bela salada verde que poderá ser incrementada com queijos (brie, lascas de grana padano) ou lascas de presunto cru, um deliciosos risoto de figo seco, uma farofa de frutas secas e uma receita tradicional de bacalhau.

Dora: Com que antecedência deve pedir um menu Festas?
Horácio: Com certeza temos que nos preparar pelo menos com um mês de antecedência para evitar correria de ultima hora.

Dora: Para quem quiser encomendar a Ceia, como calcular por pessoa para não faltar comida ?
Horácio: No cômputo geral, você deve estimar 1 quilo de comida por pessoa. Claro que vai sobrar!

Dora: E as bebidas, alguma em voga?
Horácio: O frisante é sempre um bom acompanhamento para o Natal tropical.

Dora: A dona de casa que gosta de decorar a mesa deve tomar alguns cuidados para não atrapalhar o paladar da comida com motivos perfumados, como velas, por exemplo?
Horácio: Poderão ser usadas velas sem cheiro, e evitar ao máximo as flores perfumadas.

Dora: Para o Ano Novo, o menu muda completamente?
Horácio: Para o Ano Novo devemos elaborar um cardápio que nada lembre o Natal. Podemos entrar com um Filet Wellington que nada mais e que um belo rosbife de filet mignon temperado com patê de fígado e cogumelos revestido de um massa folhada e assado. Para acompanhar uma lentilha que é da cultura popular. Um risoto de alcachofra e aspargos sauté. Para quem não come carne vermelha, podemos fazer um camarão ã nossa moda: temperar o camarão apenas com sal e bater no liquidificador 300 ml de molho de tomate, 300 ml de leite de coco e 300 g de catupiry. Colocar o camarão no refratário, por o molho por cima e levar ao forno pré-aquecido a 200 graus por 15 mimutos.

Dora: As superstições da passagem sempre aparecem: você se recorda de algumas? Houve caso de algum cliente pedir para não incluir por este motivo?
Horácio: Ė comum clientes pedirem para não colocar aves na ceia de Reveillon! Dizem que aves “ciscam para trás”, e isso é atraso de vida.

Depois destas dicas maravilhosas, espero ter contribuído com você e sua família para elaborar já o menu das festas. Deixe tudo pronto e garanta uma recepção com muito sucesso.  Anote as dicas e encaminhe aos amigos, eles também irão gostar da ideia.

Todo o menu pode ser encontrado no site do Buffet Arroz de Festa que está na rua Fradique Coutinho, 112, Pinheiros, em São Paulo. Vocês vão ficar enlouquecidos com tanta beleza.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Kassab a caminho do PMDB

 

Foi quase no fim de uma entrevista com a repórter Marcela Guimarães. Ela questionava o prefeito Gilberto Kassab (DEM) sobre o futuro político dele. Tira o corpo daqui, escapa por ali, Kassab tentava de todas as maneiras negar especulações de que ele deixará o partido.

Apesar da experiência com as palavras, não resistiu e acabou admitindo encontro com o presidente do PMDB e vice-presidente eleito da República, Michel Temer. “Na vida pública, você conversa com todos”, desconversou.

A entrevista com o prefeito está aqui para você ouvir

Certamente a conversa com Temer não foi sobre investimentos do futuro Governo Federal na cidade de São Paulo. A saída do DEM e o sonho de Kassab ser candidato ao Governo do Estado, em 2014, são assuntos dos bastidores políticos desde antes da última eleição.

“Ele não se sente confortável em um partido com o perfil cada vez mais conservador”, explicou o consultor político Gaudêncio Torquato, em entrevista ao CBN São Paulo, que vê no prefeito paulistano “um dos principais articuladores políticos deste país”.

Aqui você ouve a entrevista com Gaudêncio Torquato

Kassab no PMDB seria bom para ele e para o partido que tomou uma surra em São Paulo, está com apenas um deputado eleito na Câmara e quatro na Assembleia. O prefeito teria espaço para lançar-se candidato ao Governo, turbinado pelas inúmeras obras que pretende entregar até o fim de seu mandato em 2012, em oposição a Geraldo Alckmin, do PSDB.

Mas Alckmin nem assumiu o governo ainda e já se discute a sucessão dele ? Não podemos esquecer que político está sempre olhando para o futuro.

A lei da fidelidade partidária atrapalha a troca de partido. Nada que alguém com habilidade não seja capaz de contornar. Alegar incompatibilidade ideológica com o DEM que estaria caminhando ainda mais para a direita seria uma forma de Kassab escapar de qualquer quarentena imposta pela legislação.

Uma discordância interna também viria a calhar. E a disputa para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo poderia colaborar com as intenções do prefeito. Há uma briga entre PSDB e DEM pelo comando da casa, a partir de janeiro. E o prefeito está ao lado dos tucanos.

Kassab não esconde seu apoio a candidatura do vereador José Police Neto do PSDB. Tem, inclusive, ligado para parlamentares e pedido o voto para o tucano que, afinal, é o líder do governo dele. Milton Leite que é do DEM teria o apoio da cúpula do partido na iniciativa de se transformar em presidente da Câmara de São Paulo. Uma linha de choque entre o prefeito e o comando do partido poderia ser bem-vinda nesta altura da disputa.

Ipad, quem precisa de um ?

 

A velocidade com que gadgets chegam em nossas mãos é muito maior do que nossa necessidade. Neste momento me deparo com esta situação ao testar um Ipad, presente da família. Corri para a revista com a qual tenho maior intimidade por ser especializada nos produtos da Apple, a Mac+, e passei a folheá-la com ansiedade. Queria logo uma resposta para minha dúvida: por que preciso de um Ipad?

Lógico que o primeiro aplicativo que baixei foi o da CBN, tinha de testá-lo. E ouvir rádio nestes equipamentos para mim é a prova inconteste de que este veículo está sempre disposto a evoluir, característica que o levou a sobreviver e frustrar aqueles que por vezes assinaram seu atestado de óbito. No entanto, o Ipad me obriga apenas a ouvir rádio. E faz o som desaparecer, enciumado, se busco nova tarefa, comportamento nada mais natural nestes tempos (o meu, não o do Ipad).

Nas sugestões do editor e na navegação pela loja de aplicativos da Apple descobri outras funcionalidades. O acesso ao banco em um clique – menos o HSBC que teima em andar atrás da concorrência -, a leitura do jornal que já recebo em casa e do outro que demora a chegar na banca, algumas revistas e muitos livros de graça – nenhum em português que realmente valha a pena ler (se você souber de um deixe a indicação, por favor). De qualquer forma, livros que chegam pelo Ibook são ótimos de ler pelas facilidades oferecidas, dicionário prático, espaço para anotações e agilidade na busca.

A bateria dele é viciante, parece não terminar nunca. Falam em até nove horas ininterruptas. Uma goleada sobre qualquer outro equipamento eletrônico.

Ensaiei este post no Pages do Ipad – o Word da Apple -, demorei para encontrar algumas facilidades que havia nele e mais ainda para dar sequência aos parágrafos. Preferi correr para meu MacBook que já está totalmente dominado. Devo me acostumar com o teclado na tela, mesmo que não cosiga digitar com a mesma velocidade e muitos dedos além do ‘indicador’. Há uma irritante mania do programa sugerir palavras com letra maiúscula onde não deve. Até parece que não sabe falar em português (e não sabe mesmo).

O Keynote do Ipad é nota 10. Sou tão fã deste programa de apresentação que nem mesmo o fato de eu ser um neófito em Ipad me incomoda. Montar as telas com os dedos é fácil e interessante. Soube, porém, que arquivos do Keynote migrados para o Ipad tiveram problemas de adaptação. A Apple já teria feito os ajustes necessários. Não descobri como, pois minha primeira migração “deu pau” e arquivos de vídeo desapareceram.

No aplicativo do WordPress não consigo cadastrar meu blog ‘desenhado’ sobre esta plataforma mas com endereço Globo.com. Isto não chega a ser um problema. Encrenca é quando tento editá-lo pelo Safari, pois não dá pra rolar o texto nem a área de ‘categoria’. Ou seja, se depender do Ipad para atualizar o blog, tô ferrado. Pra escrever outro blog no qual sou colaborador e foi todo criado no WordPress, funciona de maneira razoável.

Sei que não tem máquina de fotografia nem vídeo, ruim para quem usa o Ipad para se comunicar via Skype, mas apenas por isso. Mesmo porque não vejo senso em tirar fotos com o equipamento, não é prático.

A resposta definitiva sobre a necessidade de estar com o Ipad em mãos não é muito clara para mim, ainda. Bem verdade que enquanto escrevia este post – e isto foi feito cada dia um pouco – mexi muito naquela tela e a quantidade de digitais que deixei é testemunha disso. Houve momentos, em que não fui capaz de abandoná-lo pelo Imac ou o MacBook que estavam sobre a mesa de escritório. Um comportamento revelador, sem dúvida.

Com todas estas dúvidas e sem ter explorado parte de aplicativos interessantes que estão a espera de um clic, não por acaso fui encontrar no conselho de uma terapeuta, nossa colega de blog Maria Lucia Solla, a melhor justificativa até aqui. O Ipad, assim como muitas das novidades eletrônicas que chegam ao mercado a todo momento, fascinam os adultos da mesma maneira que os brinquedos chamam atenção das crianças.

Portanto, pegue o seu e se divirta, sem dor na consciência.

Foto-ouvinte: Represa Billings cercada de lixo

Era um passeio pela Represa Billings. A quantidade de lixo, porém, falou mais alto. E o jornalista que por ali passeava, se viu na obrigação de registrar em foto as cenas lamentáveis de desrespeito com o meio ambiente. Airton Goes, do Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira, se espantou com a quantidade de sujeira espalhada no entorno da represa, ao lado da rua dos Mandis, próximo do espaço Sete Campos – Distrito de Pedreira.

Góes definiu as imagens como desoladoras e comentou, em e-mail: “A quantidade de lixo que continua sendo jogada na represa, que responde por parte da água consumida na cidade de São Paulo, é absurda”.

Chove chuva, chove promessa, chove desculpa, chove…


Por Carlos Magno Gibrail

Enchente em São Paulo

E enche. As enchentes que abalam grande parte das metrópoles brasileiras são resultado de um longo processo de modificação e desestabilização da natureza por forças humanas. As várzeas foram ocupadas e impermeabilizadas, as árvores escassearam e o progresso que foi instalado não trouxe a compensação natural.

A adequação das dimensões de todo o sistema de escoamento das águas não foi realizada e os piscinões que poderiam equilibrar parte do processo não foram executados em quantidade desejável.

Ou seja, a atualização das medidas necessárias para bocas de lobo, bueiros e canalização de águas pluviais não foram planejadas nem efetivadas. Isto significa que estes equipamentos não atendem ao volume de águas atuais. Como sabemos as chuvas de hoje são maiores daquelas de antes pelo desmatamento, inclusive da Amazônia, e pelo aquecimento global. E a população aumentada não cuida e entope estes escoadouros com lixo e detritos orgânicos.

Contamos ainda com três milhões de pessoas que vivem em áreas de risco.

É por isto que com duas chuvas em véspera de verão a cidade de São Paulo já teve mortes por enchente.

As ações preventivas não foram completadas. Ficaram nas promessas. Menos mal que há uma semana tivemos a aprovação unânime no Senado da Medida Provisória 494 que trata da liberação de recursos da União para atender casos de calamidade pública, sem exigir trâmites burocráticos convencionais. Esta medida que será apresentada ao presidente da república para sanção, cria o SINTEC Sistema Nacional de Defesa Civil, que deverá receber todo o mapeamento nacional das áreas de risco.

Nesta linha de levantamento, a Prefeitura de São Paulo está concluindo um sistema que irá permitir avisar os três milhões de moradores que estão em área de risco. Através de quatro a cinco mil líderes comunitário informará com antecedência a chegada de chuvas pelo SMS dos celulares. O problema ainda assim não estará resolvido porque a imprecisão é comum no verão. Nesta ;ultima chuva às 20h previu-se chuva forte no sul e o vento mudou para o centro e o norte da cidade de São Paulo, onde às 22h começou a chover.

É a resolução do problema começando pelo efeito e não pela causa. Nas próximas eleições será melhor tratar de temas pertinentes às grandes necessidades coletivas e públicas e deixar religião e preconceitos individuais para as igrejas e demais comunidades. Antes disso deveremos refletir sobre dados como os mais de 50% de financiadores desta última campanha terem sido as empresas envolvidas na construção civil. Não se sabe, entretanto para quem e de quem foi o dinheiro doado.

É chover no molhado? Espero que não.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Ação Pegada Berrini quer mobilidade e um bairro cidadão

 

Trabalhei no WTC por dois anos seguidos. O prédio fica ali próximo da Ponte Estaiada, entre a Marginal Pinheiros e a Avenida Berrini. Naquela época, a ponte ainda não existia e muitos apostavam que com o trânsito da Roberto Marinho sendo despejado do outro lado, os carros que seguissem por baixo, vindo lá dos lados da Bandeirantes, ou no sentido contrário, lá dos lados do Shopping Morumbi, andariam com mais rapidez e, finalmente, os motoristas estariam livres dos congestionamentos.

Nunca acreditei no resultado prático dessas obras gigantescas e o que se via na Berrini dava pouca esperança de que a situação iria melhorar, principalmente levando em consideração as notícias de novos empreendimentos empresariais e aumento da frota de carro – naqueles tempos se falava em 6 milhões, hoje os jornais já dizem que serão 7 milhões até início do ano que vem (ouça esta notícia aqui)

Sair da redação no horário de pico era impossível. Os elevadores estavam sempre lotados e o congestionamento nos deixava parado dentro do estacionamento. Lá fora ainda havia o medo de assaltos no trânsito travado. A ideia era atrasar o fim do expediente para encarar situação mais amena. Cada vez era preciso deixar o local mais tarde.

Lembrei-me deste cenário, hoje, quando entrevistei o artista plástico Fábio Woody que participa do projeto Ação Pegada Berrini, iniciado há algumas semanas quando empresários, moradores, trabalhadores, pedestres, ciclistas e toda esta gente que se encaixa na tag #cidadão sentaram em uma sala grande e começaram a discutir soluções e criações para resolver o problema da mobilidade na região.

Ouça a entrevista de Fábio Woody, no CBN SP

O curioso é que o investimento inicial feito pela cidade na Avenida Berrini e arredores tinha como intenção criar um ambiente em que moradias e empresas convivessem e a necessidade de grandes deslocamentos fosse evitada. Se não me engano isto pode ser lido, inclusive, na Operação Urbana da Roberto Marinho.

Apesar da construção sem parar de apartamentos, esta realidade não se concretizou. E a Berrini para – ou continua parando – nos horários de pico que se estendem para além das 7 às 10 e das 18h às 20h.

Incentivar o deslocamento de bicicleta com prédios e comércio criando espaços para estacioná-las e escritórios com direito a banho, além de promover seu uso das estações da CPTM/Metrô até o local de trabalho pode ajudar.

Restringir o uso de carro com mudanças de vias e limitar os pontos de estacionamento nas ruas no entorno da Berrini são medidas que devem ser adotadas mas com o cuidado de a emenda não ficar pior do que o soneto. Haverá comerciante que ficará de cabelos em pé.

Rever o horário de entrada e saída, evitar reuniões presenciais e promover o trabalho em casa devem ser alvo de análise, mesmo que muitos escritórios já façam isso.

Criar espaço específico e exclusivo para ônibus circularem me parece um bom caminho, mesmo que gere revolta em quem não pensa na possibilidade de deixar o carro em casa ou à distância – para estes, quem sabe espécies de bolsões de estacionamento?

Talvez seja o caso de a Secretaria Municipal de Transportes reavaliar a restrição aos ônibus fretados, medida adotada há pouco mais de um ano para “facilitar o deslocamento na região” – diziam os técnicos na época.

A CET pode, também, dar uma espiada no tempo dos semáforos das vias principais. Quantos dos que estão espalhados por ali são considerados ‘inteligentes’? E a distribuição da faixas para pedestres, permite o passeio seguro ? Nunca devemos esquecer: calçadas são espaços que privilegiam as pessoas, portanto toda barreira tem de ser eliminada.

Bem mais complicado, pelo impacto econômico que teria, é o aumento das restrições para a construção de prédios e ocupação da terra naquela área. Mas se a intenção é mudar a Berrini, talvez seja necessário, sim, pensar nisto com base no que está no Plano Diretor Estratégio e na revisão deste plano que, pelo visto, não sairá da Câmara Municipal.

Como se vê, mesmo sem tempo para a reflexão, há muitos interesses que, na entrevista, chamei de difusos. Mas que o Woody fez questão de ressaltar têm o mesmo objetivo: melhorar a qualidade de vida na área da Berrini.

Se é assim mesmo – e eu acredito -, quem vive, trabalha e precisa da região tem obrigação de se mexer, se unir a este grupo, antes que a Berrini pare de vez.

Caso você não tenha nada a ver com esta história, pense como poderia organizar ação semelhante onde você vive, transformando o entorno e a si mesmo. Construindo um bairro cidadão.

Faltam interação e transparência em site da Câmara

 

A interatividade e transparência defendidas em discurso, não aparecem com clareza no novo site da Câmara Municipal de São Paulo, no ar desde quinta-feira. A constatação é de usuários que testaram o serviço desenvolvido em três meses com a presença da Prodam e da Contexto (agência de publicidade), a um custo estimado de R$ 400 mil – segundo informações do vereador e vice-presidente da casa Dalton Silvano (PSDB).

Observações enviadas por e-mail e pelo Twitter, ou deixadas aqui no Blog, chamam atenção para o fato de que o site passou por uma recauchutagem mas avançou pouco em relação as suas funcionalidades. Um exemplo é o formulário de contato, comum em outros sites, que apenas ganhou nome mais pomposo: Mandato Participativo.

Foi Màssao Uéhara, do Adote um Vereador, que trabalha com web, quem fez vários alertas pertinentes, a começar pelo alto custo se levarmos em consideração que o sistema no qual se baseou a construção do site é um CMS – Content Management System – gratuito, que em português pode ser lido como sistema de gestão de conteúdo, bastante explorado pois reduz o custo da criação, contribuição e manutenção.

É comum grandes empresas usufruírem destas facilidades, criando sobre esta base pré-programada como ocorre, por exemplo, com este blog que você lê, desenvolvido pela Globo.com sobre a plataforma do WordPress. No caso da Câmara, o serviço é o Joomla, o que explica o fato de o site ter sido entregue em três meses. “A diferença é que (as empresas) não são órgãos públicos e não gastariam uma nota preta só para fazer uma maquiagem com algumas migalhas de avanços em relação a transparência e acessibilidade”.

Aliás, o ouvinte-internauta identificado por Franferr escreveu para pedir que a transparência começasse pela publicação, detalha, dos valores gastos no projeto.

Màssao criticou ainda falha na segurança do site que estaria vulnerável a ataque de hackers.

A maior frustração dele, porém, foi em relação a prestação de contas dos vereadores, pois se reproduziu o que havia no site anterior que não facilitava a pesquisa e comparação de dados. Na época em que se falou do investimento que seria feito no novo site sugerimos, inclusive, que a prestação de contas tivesse como exemplo o trabalho desenvolvido por Maurício Maia que reuniu as informações de forma simplificada como você pode ver aqui.

Sérgio Mendes, também do Adote, lembra que uma das ideias era que se tivesse maior interatividade com o eleitor e o debate fosse aberto a todos os cidadãos: “Onde ficarão as mensagens enviadas aos vereadores? Elas serão visíveis aos demais leitores do site? Poderão receber comentários?”. Nada consta até agora.

Cláudio Vieira, que acompanha o mandato do vereador Marco Aurelio Cunha (DEM), afirmou que o site “não consegue dar transparência total ao seu dono, o cidadão”.