Busca de lucro ameaça saúde dos brasileiros

 

Por Carlos Magno Gibrail

A ANS, Agência Nacional de Saúde, criada para fiscalizar, normatizar e controlar as atividades da Saúde Suplementar poderá ter dois novos diretores vindos da Medial e da Amil. É um progresso e tanto para as prestadoras de serviço e um reforço poderosíssimo nas atividades de lobby. Tão forte, que se a moda pega poderá dispensar os próprios lobistas.

Entidade e cargos são muito importantes: “Parágrafo único. A natureza de autarquia especial conferida à ANS é caracterizada por autonomia administrativa, financeira, patrimonial e de gestão de recursos humanos, autonomia nas suas decisões técnicas e mandato fixo de seus dirigentes”. É o que determina no seu artigo primeiro a LEI No 9.961 DE 28 DE JANEIRO DE 2000, que cria a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A Presidência da República enviou os nomes de Maurício Ceschin e Leandro Reis Tavares para a diretoria da ANS, ao Senado, mas a sabatina ainda não tem data marcada.

Mauricio Ceschin foi presidente da Qualicorp, que oferece serviços de saúde, e superintendente da Medial uma das maiores operadoras na área de saúde. A diretoria proposta é de Desenvolvimento setorial, que cuida do ressarcimento ao SUS quando o cliente dos planos são atendidos na rede pública.
Leandro Reis Tavares foi dirigente da Amil e o cargo indicado é de diretor de fiscalização, cuja função básica é verificar se as operadoras estão cumprindo as normas.

Se aprovados, vão se juntar ao diretor de normas e habilitação Alfredo Cardoso ex Amil.

O jornalista Ricardo Westin da Folha, alerta que os planos de saúde podem ser maioria na ANS e registra que cerca de 70 entidades das áreas de saúde e defesa do consumidor protestam contra os dois nomes que irão completar os cinco da diretoria da ANS.

“É um escândalo” diz Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vida.

“Com as novas indicações do governo Lula, as empresas do mercado terão maioria e ditarão os caminhos da saúde suplementar” ressalta o presidente do Sinagências, o sindicato dos funcionários das agências reguladoras.

A declaração do presidente da ANS é assustadora para quem tem plano de saúde: “A presença de visões diferentes até enriquecem a questão regulatória”. Enquanto que a do ministro da saúde é desalentadora.

Segundo Westin, o Ministério da Saúde que indicou o nome de ambos, disse que a escolha foi técnica. O que também não ilustra nada e só confirma a insensatez ou a hipocrisia das explicações. Equivalente a tudo que tem ocorrido na Casa que irá arguií-los, o Senado de Sarney, rei dos Mares, do Maranhão e, indiscutivelmente, a cara de pau do ano.

Às 70 entidades que protestam, há que se juntar a mídia e toda a população esclarecida, para tomar partido veementemente contra esta indicação, que coloca o lobby na esfera da decisão para a qual dirigia sua função. Agora, se aprovados, com 3 a 2 na ANS, os planos de saúde podem configurar uma nova tipologia de mercado. Oligopólio controlado como monopólio, cuja agência reguladora é da casa.Ou como diriam os publicitários, uma “House”.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung e sabe que prevenir é o melhor remédio

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Acidente com ônibus: Eu já sabia, dizem ouvintes

 

Do helicóptero, com o Paulo Henrique Souza, veio a primeira informação de que o acidente de trânsito aparentava ser grave, dado o número de ambulâncias e a presença de um helicóptero do resgate no local. Do alto dava para ver que um micro-ônibus havia batido na traseira de um ônibus, na avenida Raimundo Pereira Magalhães, no Jaraguá, zona norte da capital paulista. De baixo, no serviço de apuração, começaram a chegar os detalhes como o número de pessoas feridas, 32 no total, e os motivos do acidente. O ônibus parou fora do ponto e o micro-ônibus estava em alta velocidade, disseram algumas pessoas próximas e passageiros. Do local, com a Luciana Marinho, registramos a imagem da imprudência – ou uma delas: o pneu liso, impróprio para circular, sustentava o micro-ônibus lotado de passageiros.

Desta ação da reportagem da CBN à reação dos ouvintes-internautas. O Luiz Alexandre escreveu que o problema é da falta de educação dos motoristas das cooperativas “que andam com ônibus (pneus) carecas, em excesso de velocidade, param no meio da rua e deixam um careca de cabelo em pé”. A Maria Aparecida reproduziu mensagem enviada duas semanas atrás na qual alertava para o desrespeito dos motoristas de lotação no local onde houve o acidente desta terça-feira. Em outro ponto da cidade, o Antônio Carlos Vianna comentou que “principalmente no horário de pico” os motoristas profissionais desrespeitam as rotatórias e põe em risco a segurança dos passageiros e pedestres, na Vila Madalena. E o Daniel Lescano diz que “os ônibus da linha Guarulhos-Estação Armênia desviam o trajeto pelas ruas residenciais de Vila Maria, cansei de denunciar a EMTU mas nada mudou até agora”.

À SPTrans, que deve fiscalizar a atuação de ônibus e micros na capital paulista, restou a constatação de que foi enganada, pois o micro com os pneus carecas havia passado pela vistoria dia 29.09: “Na ocasião apresentou todos os ítens de segurança em perfeito estado, inclusive pneus novos. A fiscalização da SPTrans vai abrir um processo para investigar a responsabilidade pela troca dos pneus do veículo, que agora, segundo observações da reportagem, apresenta pneus carecas ou sem condições de uso”.

Vamos aguardar !

Agora o outro lado

O motorista do micro-ônibus que se acidenteo na Raimundo Pereita de Magalhães foi afastado da função e passará por treinamento e avaliação física e psicológica, segundo informa a SMT em nota divulgada no fim da tarde desta quarta-feira, 14.09:

“A Secretaria Municipal de Transporte informa que afastou os dois motoristas de ônibus envolvidos em acidentes ontem e na segunda-feira. Um deles dirigia o micro-ônibus que colidiu na Avenida Aricanduva, na segunda-feira, deixando quatro feridos. O outro é o motorista do micro-ônibus que se chocou contra um ônibus, ontem, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Ambos estão impedidos de dirigir e passarão por processo de reciclagem e avaliação de saúde física e psicológica, enquanto a Secretaria Municipal de Transportes aguarda a apuração de responsabilidade pelos acidentes, a ser feita por sindicância e por inquérito policial”.

Rádio na Era do Blog: Conversa ao pé do computador

 

O radinho de pilha ainda está sobre o balcão, mas no escritório foi abduzido pelo computador. O ouvinte-internauta navega nas novas mídias, mas ainda ouve no rádio o mesmo que ‘antigamente’ e nas mesmas emissoras que no passado (entenda por antigo e passado qualquer coisa que tenha acontecido mais de um ano atrás). São algumas das informações que podemos encontrar na pesquisa realizada pelo Grupo de Profissionais do Rádio, com a participação de 2.580 pessoas convidadas a entrar na internet e a responder ao questionário, em setembro.

Dos que responderam, 79% disseram que ouvem rádio em casa, 64% no carro e 46% no trabalho. Antes que você me cobre, a somatória ultrapassa os 100% porque as pessoas ouvem rádio de diferentes maneiras, dependendo a necessidade e a possibilidade. E a pesquisa permitia em algumas questões múltiplas respostas.

Para constatar a mudança de hábito na mesa de trabalho, onde provavelmente está o seu computador, tomei como base a questão “você costuma ouvir rádio através de …”. Apesar do aparelho de rádio ter sido citado por 74%, ouvir rádio na internet pelo computador alcançou a marca de 63%, superando, inclusive, o rádio do carro, 61%. Destaco ainda aqueles acostumados a sintonizar o rádio no celular (37%) ou no Ipod (21%).

É curioso ver que apesar da enorme quantidade de ouvintes-internautas, a maioria ainda busca as emissoras que estava acostumada no off-line. Somando as respostas, 88% ouvem na internet, emissoras que estão no AM e/ou FM. E o que ouvem ou buscam nos canais de rádio na internet ? O mesmo que ouviam no aparelho de rádio: a programação que está no ar, disseram 83% dos entrevistados, com destaque para o binômio música (66%) e notícia (60%)

Isto não quer dizer que o novo ouvinte não dá valor para os demais serviços oferecidos pelas emissoras que estão rede. Cresce o interesse a medida que ele passa a navegar no site da rádio. Mais da metade (51%), por exemplo, vai atrás dos blogs dos comentaristas/locutores (de minha parte, obrigado); e parte do público (28%) ouve podcast.

Por enquanto, a maioria dos ouvintes-internautas apenas trocou a forma de propagação do som, das ondas criadas pelo alemão Heinrich Rudolf Hertz pelas do britânico Tim Berners Lee. Não se engane, porém: estamos trabalhando com uma audiência de ‘migrantes digitais’ que aprende como boa parte de nós a navegar neste novo mundo, mas a audiência que dará vida ao rádio está nos ‘nativos digitais’ que nasceram na década de 80 e aprendem que tem o poder de controlar o consumo de mídia, ouvindo o que querem, na hora que podem ou quando precisam.

Como se elege um vereador

 

Gráfico mostra a influência do vereador em cada uma das regiões

Gráfico mostra a influência do vereador em cada uma das regiões

 

O investimento nos campos de futebol de várzea, projeto que poderia se transformar em apoio a prática do esporte e incentivo as atividades de entreterimento nas periferias desasistidas da capital, se confunde com a estratégia eleitoral de vereadores e candidatos a tal, em São Paulo. Reportagem do Estadão de domingo, assinada pelos jornalistas Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta, mostra que a prefeitura desembolsou cerca de R$ 800 mi, desde 2007, para recuperar mais de 300 campos, 1/4 dessa verba saiu de emendas parlamentares.

Das muitas frases das cinco reportagens publicadas em duas páginas, uma me preocupa em especial: “Alguns líderes comunitários, contudo, reclamam que atualmente só conseguem melhorias quando se comprometem com parlamentares”. No momento em que a construção e recuperação dos campos estão relacionadas ao apoio de vereadores, todos os objetivos do programa ficam desvirtuados. Contamina-se uma prática que deveria ser incentivada.

O Orçamento é público e a este deve servir, única e exclusivamente. No momento em que sua execução se torna refém dos desejos de vereadores, torna-se privado.

Deixarei aqui os links das duas reportagens que estão abertas ao público:

“Investimento público na várzea reforma 300 campos em três anos”

Para Prefeitura, grama fica até 40% mais cara

E reproduzo trecho do artigo “O que mantém o clientelismo vivo”, do professor Fernando Antonio Azevedo, cientista político e docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que, infelizmente, está bloqueado e apenas pessoas cadastradas podem acessá-lo:

… Como tudo isso funciona? Na elaboração do Orçamento, o parlamentar destina verbas para atender sua base eleitoral. Como o Orçamento no Brasil não é impositivo, mas autorizativo, o Poder Executivo ganha grande margem de manobra para barganhar apoio político com os parlamentares: emendas são liberadas quase sempre de acordo com conveniências e necessidades políticas do governo. E o parlamentar aparece diante da sua clientela política como patrono dos benefícios.

É por isso que São Paulo terá mais de 622 campos para a prática do futebol de várzea. Isso pode não nos tornar uma potência olímpica, mas levará os políticos ao pódio eleitoral.

Mudou muito, mas ônibus já transportaram porco e galinha

 

Por Adamo Bazani

Dois amigos unidos pelo ônibus relembram passagens curiosas e falam das mudanças profundas que ocorreram no transporte de passageiros, na segunda parte desta reportagem

SÃO CAMILO 147

Lázaro Barbosa da Silva, 44, e Márcio Antônio Capucho, o Miranda, 37, se dizem testemunha ocular da evolução do transporte de passageiros, tanto em relação aos modelos dos ônibus, como às cidades e às operações.

Na Viação Cacique, tinha uma linha que ia até um bairro de São Bernardo do Campo, chamado Represa. “Era praticamente uma zona rural dentro da cidade grande. O ônibus ia até uma rua asfaltada, o restante do bairro era de ruas de terra e lama quando chovia. Os passageiros, educados, diferentemente de muitos de hoje, iam com um sapato até o ponto de ônibus. Lá, eles trocavam de calçado, sujo de barro, para entrar no ônibus. Muitos trocavam até as roupas de cima. Parecia um passageiro até o ponto e outro dentro do ônibus. Mas era inevitável, os ônibus sempre acabavam ficando sujos por dentro”, conta Lázaro.

E na época das festas de fim de ano ?

“O pessoal ia com animais vivos dentro do ônibus, para depois servirem de almoço nas festas. Quantas vezes eu trabalhei com cacarejo de galinhas na minha orelha. Um dia, me lembro como hoje, um passageiro entrou com um porco dentro, isso no início dos anos 80. O bicho se soltou, começou a correr no veículo e os passageiros também. Foi uma bagunça só, o porco no chão e os passageiros subindo nos bancos. Fora a sujeira e o cheiro dentro do carro” , diverte-se Lázaro.

O que faz Miranda lembrar as dificuldades da região do ABC Paulista no início da sua carreira eram as ruas de terra e cascalho, desafios para os motoristas. “Eu ainda novo, quis pegar o ônibus de um motorista chamado Marcondes. Então, ele ficou ao meu lado enquanto eu dirigia. Numa ladeira de terra, no Jardim Itapoá, região do Parque Capuava, em Santo André, me desesperei. Simplesmente o carro, um Caio Amélia, começou a deslizar na ladeira. Eu queria devolver a direção para o Marcondes, mas ele, dizia: ‘Não dá, não dá pra parar, agora você tem de ir até o final da ladeira’. A traseira puxava para um lado e a frente para o outro, os pneus não seguravam na via, mas no final, depois de muito susto, deu certo”

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De linguiça a carniça, de televisão em cores a dores de amores, de copo-d’água ao mal de mágoa, de ideia e de plateia, de canapê ou canapé, bebê ou bebé

 
Por Maria Lucia Solla

Ouça o texto “De linguiça a carniça, …” na voz da autora

 

 

E convém que se fale do hífen.

Eu entendo que na vida ele tenha pouco peso. Entendo que esteja tão lá em baixo que nem dá para ver o acento agudo no “i“.
Mas faz parte.
E faz parte da nossa língua escrita.

E aqui é importante que eu confesse que não faço parte do grupo que quer de volta o nacionalismo, ufanismo, ou como queiram chamar. Acredito na evolução do Homem, e a Humanidade começou sem pátria.
No paraíso.
Aí foi um divide daqui, puxa dali, rasga ao meio acolá, assina tratado e depois pica o papel em pedacinhos, mata homens, mulheres, crianças, animais, árvores, pássaros, répteis, e delimitam-se fronteiras em nome do “isto é meu e isso é teu”.

Eu acredito ainda no Homem, seja ele branco, amarelo, vermelho, marrom, listrado ou quadriculado. Acredito no Homem, tenha ele olhos castanhos, azuis, verdes ou cor de mel.

E por falar em cor de mel, fica sem hífen, assim como cara de pau.
Mas cor-de-rosa mantém o hífen.
Não se sinta mal.

Mas falávamos de nacionalismo. Eu tive bandeira e hino na escola, mas não acredito que o mundo ficaria melhor se a prática voltasse. Ao contrário, se quiser a verdade nua e crua do que penso, acho que não está melhor porque ainda existe isso e mais um pouco disso, aqui e ali, no mundo, desde a pré-história (com hífen).

O que falta ao homem é respeito e amorosidade, empenho e religiosidade, coragem e verdade, boa-educação e dignidade;
seja ele afro-asiático, indo-europeu,
cristão ou judeu.

Hífen não pode mesmo ser muito bom. Não é de comer, não dá fofoca, não dá barato, não dá dinheiro e não faz moda. É um sinal deitado, e com ele ou sem ele a gente entende o que se quer dizer. Ou seja, ele nem faz lá grande diferença.

O que já não é verdadeiro para o sinal de interrogação, por exemplo. Todo torto, vítima de lordose agudamente crônica, devido a postura de dar dó, quando não usado adequadamente causa uma confusão que só.

O ponto de exclamação, por outro lado, apesar da postura impecável e do corpinho bem-talhado, anda em desuso. A pontuação da hora vem em grupo; são os pontinhos das reticências, já que tudo pode ser…

Mas voltando ao hífen, a nossa língua não é das mais fáceis, mas é das mais ricas. Tem lugar cativo no clube, para nós que somos chegados num, das neo-latinas, acompanhada de feras como francês, italiano e espanhol.

E como tudo nesta vida, ela é bonita se bem-falada, se bem-escrita, bem-articulada, respeitada, bem explorada e acariciada. E é assim que ela quer ser usada. Para que você seja bem-compreendido, ouvido quando fala, lido quando escreve, acreditado quando promete, respeitado quando exige respeito em troca.

Mas o hífen é só parte do que foi mexido na língua escrita. O restante passa pela acentuação, um retoque no alfabeto e a execução sumária do trema, que de saudade faz que eu trema.

Na verdade da realidade dos fatos, menos de 0.6% das palavras foi afetado pelo tal Acordo Ortográfico.
Não é de arrepiar.
Com o tempo todo mundo vai se acostumar.

Enquanto isso, se você precisa escrever, use um corretor, compre um dicionário atualizado e comece pela palavra que mais gosta, a mais sonora, a que te traz lembranças de outrora.

Você vai se surpreender. Curioseia daqui, curioseia dali e, como tudo na vida, além de comer e coçar, é só começar
E se duvidar, pode se animar e gostar.

E como anda a tua comunicação?

Pense nisso, ou não, e obrigada pela atenção.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, é sempre bem-vinda ao Blog do Mílton Jung, com hífen, é lógico.

Avalanche Tricolor: Tá na hora do carrinho

 

Dinho, não usou a 11 mas sabia dar carrinho como poucos

Dinho, não usou a 11 mas sabia dar carrinho como poucos

Corinthians 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu/SP

 

Eram 20 e poucos minutos do segundo tempo. Túlio estava aberto pelo lado direito, na intermediária, pouco antes da linha da área do Corinthians. Se não me falha a memória havia um marcador por perto a atrapalhá-lo o suficiente para fazê-lo perder a bola que rolou sozinha em direção a linha de fundo. O adversário a protegeu para que seguisse seu destino. O bandeirinha se preparava para sinalizar a cobrança de tiro de meta. O locutor da televisão já pensava em chamar o comercial ou um gol qualquer de outras partidas do campeonato. A jogada estava decidida.

Túlio se recusou a aceitar esta ideia e correu com todo seu esforço em direção a bola, talvez para compensar mais um erro cometido na partida, dentre tantos que assistimos nesta tarde, no estádio do Pacaembu. Com um carrinho a alcançou, surpreendeu o marcador, o bandeira, o locutor da TV e este que insiste em acreditar na recuperação do seu time na competição. Prensou a bola nas pernas do adversário e conquistou o direito a cobrança de um escanteio.

Foi este momento que propiciou a Tcheco o cruzamento na área e o gol de cabeça de Réver. O único nestes dois últimos jogos fora de casa.

Longe de mim transformar esta crônica em homenagem a Túlio. Confesso a você que sinto uma dor no coração todas as vezes que o vejo em campo, principalmente como hoje, com a camisa 11. Em toda a história do Imortal Tricolor craques a usaram com talento e orgulho. Jogadores nem sempre maravilhosos ou com futebol para encher os olhos da torcida, forjaram sua imagem de ídolo. Poderia citar muitos, mas seria injusto comigo mesmo se não lembrasse o nome de Loivo que jogou entre 1968 e 1975, época em que a camisa 11 era exclusividade dos ponteiros esquerdos. Trombador e batedor de faltas, é o quinto maior goleador da história do Grêmio. Não por acaso ganhou o apelido de Coração de Leão. Fui apaixonado por ele contra a opinião de parte da torcida gremista.

Decididamente, não estou aqui para tecer elogios a Túlio. Este texto é dedicado ao carrinho, jogada execrada pela imprensa brasileira, amaldiçoada pela Fifa, mas admirada pelos loucos amantes do futebol raça, que fez o Grêmio ser grande, diferente e apaixonante. Naquele instante de Túlio, vi o Grêmio dos meus sonhos no gramado do Pacaembu, Infelizmente, aquele não é o Grêmio do Paulo Autuori.