De caqui e vida

Por Maria Lucia Solla

Maria Lucia Solla, De caqui e vida

Assista ao vídeo De caqui e Vida, apresentado por Maria Lucia Solla

Olá,

Estava lavando um caqui na pia da cozinha quando me dei conta da escuridão em que vivemos.
Me dei conta de nossa ignorância.

Depois de milhares de anos, morando aqui, a gente ainda luta contra a vida. Disputa com ela.
Se defende dela.
Morre de medo.

Tudo bem, não somos simples. Nossa máquina é complicada, mas veio de fábrica, assim.
A semente é escolhida de acordo com o terreno onde será plantada.
Planta de sombra não vinga ao sol.
Planta solar, em gruta escura e fria, nem com reza braba vingaria.

Muitos já quebraram a cabeça, queimaram as pestanas e perderam um par de parafusos, tentando desvendar os mistérios da vida, mas poucos se desprenderam do detalhe e vislumbraram o Todo.
Poucos viram além do véu.
Einsten foi um deles. Botou um linguão enorme pra fora e sorriu com um olhar zombeteiro.

Pois eu, que não pertenço a esse grupo, tive um eureka, lá na pia da cozinha; percebi o paralelo entre comer uma fruta e viver a vida que a gente , por falar nisso, mal e mal desfruta.

Peguei o caqui, lavei, e depois não sabia se devia secá-lo com um pano de prato ou com uma folha de papel toalha. Meu caqui veio do mercado, embalado e sufocado, condenado a uma cela com capacidade para 4, e dividida com outros 7 caquis.

Lavo só na água corrente?
Água não é livre de impureza. Germes bactérias…
Jesus me abana; me dá umas férias!
Mergulho em solução de água sanitária?
Nesse ponto meu plexo solar dá saltos mortais. Não, não; acho melhor não.

Ai paro e penso: caramba, que vida louca vamos levando. Sabendo que a viagem é de ida e volta, começamos chorando e seguimos esperneando.

Quando a gente percebe o corpo, dando à luz o ego, e se dá conta de que tem um veículo à disposição, para ir de lá pra cá, a gente se confunde com ele e o mantém de vidros fechados e escurecidos, e segue rezando a cartilha que alguém deixou no banco do carona.

A gente se prende ao ego a tal ponto que se rende a ele. Só se desprende da cegueira, parcialmente, na chegada ao destino, se tiver sorte. Quando estiver frente a frente com os não-olhos da morte.

Enfim, tanto conhecimento na área científica e social não basta para que a gente se dê conta do fundamental: Não sou o veículo!

Ele permite que eu me movimente e que eu interaja com o que vejo fora de mim, mas é só isso.

Simples assim.

Como a vida do caqui; do seu nascimento até o seu fim.
Sua trajetória o leva a se realizar em mim.
E a sua trajetória, para onde o leva?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos como caqui, pensa na vida e escreve no Blog do Milton Jung.

Do editor: Não me perguntem o motivo, mas a plataforma de edição do blog mudou sem aviso. Isso me atrapalha pra burro (e me faz sentir como tal). Não consigo, por exemplo, publicar no post o vídeo da Maria Lucia. Você terá de clicar lá no link para assistir à moça. E se alguém souber como publicar vídeos do You Tube no sistema de edição padrão do WordPress, agradeço a ajuda.

“Rádio é a única mídia que você leva no bolso”

Milton Ferretti Jung

Peço licença para um momento família. Mas vocês verão que o espaço aberto no Blog tem razão de ser pelo talento das duas figuras que se encontraram em um bar de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (sim, a mesma quinta em que assistia pela internet à semifinal da Libertadores). Ruy Ostermann, o professor, e Milton Ferretti Jung, meu mestre, sentaram lado a lado para o programa “Encontros com o Professor” e fizeram um bate-papo de velhos amigos que enfrentaram as situações mais inusitadas da profissão e da vida pessoal.

Da compra de um fusca, entregue com o cartão de visita do mecânico, a transmissão de um jogo de futebol que jamais foi ao ar, os dois se divertiram e divertiram o público que ocupou as cadeiras do StudioClio, na rua José do Patrocínio, na capital gaúcha. Eu não estive por lá, distante que estava nestas férias, mas soube por visitantes que os dois deixaram o local rapidamente, pois tinham compromisso diante da tela da TV para torcer pelo Grêmio. Sim, meu vício é genético.

Ops … dizem que o professor não confessa, nem por tortura, para quem torce lá no Sul. Então, não posso taxar que ele deixou o bar para “torcer” pelo Grêmio.

Do palco, uma frase para quem acredita na potência do rádio: “A rádio tem seu lugar, sempre! É a única mídia que podemos levar no bolso”, disse Milton Ferretti Jung

Para conferir alguns momentos você vai ao site do “Encontros …”

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais !

Grêmio 2 x 2 Cruzeiro
Libertadores – Olímpico Monumental


Ridgefield é uma pequena e rica cidade do estado americano de Connecticut. Futebol aqui é coisa de mulher. Das outras vezes em que vim para cá descansar vi muitas meninas batendo um bolão. Exceção feita aos brasileiros que vivem na cidade mais próxima, Danbury, poucas são as referências ao futebol do Brasil. Não chega a ser assunto em mesa de bar nem mesmo na primeira página do jornal do dia seguinte. O lugar ideal para escrever esta coluna, talvez.

Em volta da casa em que estou, há um interminável bosque e o barulho lá fora é da chuva que marca o início do verão no nordeste americano. Assisti ao jogo na tela de meu computador o que provoca uma situação curiosa. Apesar de começar uma hora antes – devido ao fuso horário – acontece para mim quase um minuto depois – é a demora provocada pela transmissão digital. Não muda nada no que vai acontecer em campo, mas nos tira a pretensão de que somos capaz de influenciar o destino da partida com nossa torcida.

Torcida ? Como senti falta de estar ao lado dela nesta noite de quinta-feira. Assim como estive há dois anos, na final da Libertadores. A imagem daqueles alucinados na arquibancada era inebriante. Vê-los cantando e pulando, e cantando e acreditando mesmo quando o maior dos crentes não teria mais motivo para tal é contagiante.

Em um momento qualquer daquela partida, mesmo com todas as desvantagens a nos incomodar, ela não nos dava motivo para esmorecer. Havia dois gols contra nós; havia atacantes nossos a perder gols – e como os perderam em toda esta temporada -; houve carência de talento em alguns setores – e digo isso porque nossa paixão não nos cega -; tivemos até mesmo o prejuízo provocado pela expulsão de um dos nossos; mas, nada, absolutamente nada, mudou a obsessão daqueles torcedores.

E somente aqueles que acreditam na Imortalidade são capazes de fazer o que a torcida gremista fez no estádio Olímpico. Aos que nunca entenderão o significado deste sentimento, uma só explicação: “Não somos Imortais porque nunca perdemos, o somos porque jamais desistimos”.

Começa a caminhada de volta para a Libertadores !

Aos adversários

Que o Cruzeiro esteja a altura do futebol brasileiro na final da Libertadores, afinal é o nosso Capitão América que está no seu comando. Sorte, Adílson !

Só agora Santo André tem ônibus para deficiente

Por Adamo Bazani

Comil 1, ônibus adaptado para deficientes em Santo André


Parece incrível. Uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista, com mais de 600 mil habitantes, só agora apresentou a população ônibus adaptados para pessoas com deficiência (com elevador e banco para obesos). Antes tarde do que nunca, como diria o velho jargão.

Nesta quarta-feira, com exclusividade, o Blog presenciou a entrega dos veículos. São os primeiros do Consórcio União Santo André. Na cidade, só havia dois ônibus, da Expresso Guarará, Caio Millenium II, com a adaptação, mas a empresa não participa do Consórcio. São 11 ônibus encarroçados pela Comil, modelo Svelto, Chassi Mercedes Benz, OF 1418. Eles vão operar linhas da de apenas uma empresa do consórcio formado por seis viações: a Viação Vaz.

“A empresa investiu cerca de 3 milhões de reais na compra dos veículos. Além de preparar os motoristas para operar os elevadores e os componentes, preparamos também para o convívio e atendimento aos deficientes que são cidadãos comuns como todos” – disse Gustavo Augusto de Souza Vaz, diretor da Viação Vaz, que opera cinco linhas na cidade.

Renata, primeira motorista da empresaAlém de apresentar os novos ônibus, a empresa contratou sua primeira mulher motorista: Renata Nogueira, de 37 anos.

“Trabalho há cinco anos dirigindo ônibus, nas Viações Imigrantes, Julio Simões, Veneza e Auto Viação ABC, mas para mim é um orgulho trabalhar com o deficiente, e ser a primeira mulher motorista de uma empresa” – conta Renata. A Viação Vaz vem da Viação Padroeira do Brasil, empresa que operava em Santo André desde os anos 40 e tinha apenas motoristas homens. A empresa Vaz assumiu a Viação Padroeira, trocando de nome, em 2002.

O gerente comercial da Comil, Fabrício Tascine, afirma que a estratégia da empresa é retomar mercado em São Paulo. Para isso, anunciou um Comil modelo Svelto Midi, um micrão com proporções menores que os apresentados em Santo André, no dia 1º de Julho.

“Nossa empresa conta com colaboradores especializados em adaptar os veículos. Já era mais que hora de isso acontecer. Desde o menor ônibus ao maior, hoje podemos oferecê-los com acesso a quem tem mobilidade reduzida. Afinal, o deficiente não precisa do transporte só para ir ao hospital. Ele tem o direito de trabalhar, passear e estudar, usando o transporte público”.

Já o representante de revenda da Mercedes Benz do Brasil, em São Paulo, Paulo Mendonça, afirmou que a marca vai se dedicar ao aprimoramento de chassis que atendam ao deficiente. “Independentemente do tamanho dos ônibus, grande, convencionais, midis ou micros, a idéia é priorizar o deficiente. Eu trabalho há mais de 30 anos no ramo e a mentalidade do empresário e do poder público em relação a isso mudou muito, e pra melhor. Seja carro com piso rebaixado ou com elevador, a demanda para tornar o deficiente mais incluso nas cidades é felizmente cada vez maior”

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Aposentadoria ou morte!

Por Carlos Magno Gibrail

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Do 26,5 milhões de brasileiros aposentados 8,5 milhões ganham acima de um salário mínimo. Não possuem mais força competitiva no mercado de trabalho, que os rejeita. Não recebem reajustes compatíveis na pensão devida pelo Estado, que os discrimina. E são taxados no valor que recebem de aposentadoria pelo Sistema Tributário, que os assalta.

Ainda assim são acusados de ameaçar o INSS, como se fossem os responsáveis pela incapacidade atuarial de Governos passados e pela frieza contábil do Governo presente.

Desde 1998 o benefício dos aposentados vem perdendo espaço na equiparação com o salário mínimo nacional que em relação a esse está defasado em mais de 75%.

Luiz Nassif analisa: “Há dois pontos opostos em relação à Previdência Social. O primeiro, o da manipulação dos números, jogando em cima do Regime Geral da Previdência despesas que não lhe dizem respeito, como forma de reduzir os benefícios. O segundo, os dados, sem manipulação, que indicam problemas pela frente.

Previdência Social é obra de longo prazo, que exige ajustes periódicos para se manter financiável. Esses ajustes decorrem principalmente de mudanças demográficas, do envelhecimento da população, do aumento da longevidade, da redução do tamanho das famílias”.

E conclui: “Pela matriz demográfica de 2004, em 2050 o país deveria ter 259 milhões de habitantes. Com os novos dados, terá apenas 215 milhões, uma redução de 44 milhões de pessoas, alterando o planejamento de todos os organismos estatais, do IPEA, FGV, Previdência etc. Em 2004 se previa para 2050 146 milhões de pessoas na faixa de 16 a 59 anos – idade produtiva. Agora, a previsão caiu para 120 milhões. Essas são as razões que levarão, em breve, a uma nova rodada de discussão sobre os rumos da Previdência”.

Diante de perdas crescentes os aposentados começam a pressionar através das várias entidades que os representam.
Antonio Graffi da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas obteve de Michel Temer o compromisso de colocar o tema em pauta na Câmara.

João Batista Inocentini do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos da Força Sindical anuncia que os aposentados pretendem reunir um milhão de ações na Justiça contra o fator previdenciário e pela criação de uma política nacional de recuperação do poder de compra do benefício. Diz ainda que as primeiras dez mil ações devem ser ajuizadas agora em São Paulo.

A Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais demonstra que o pensionista que se aposentou em 1998 com dez salários mínimos, deveria receber R$ 4.650 hoje, mas com as correções diferentes, o benefício atual é de R$ 2.635,06, uma perda de 76,47%.

Inocentini da Força afirma ainda que a ideia não é vincular a correção do benefício ao mínimo, e sim criar um indicador próprio para reajustar as aposentadorias.

Esse índice deve ser baseado nos custos de vida do aposentado.

De acordo com Inocentini, foi elaborada uma lista com cem itens que vão desde os gastos com a casa (luz, água, telefone, gás) até itens de saúde (plano de saúde, medicamento de uso contínuo, óculos, dentista).

“Não tem como o aposentado fugir desses gastos. E todos eles sobem mais que o INPC”,diz.

O INPC é normalmente usado para basear os reajustes dos benefícios.

A campanha do Sindicato já foi lançada em outras cidades, principalmente as do Sul e Sudeste, regiões que concentram 85% dos aposentados e pensionistas que recebem mais que um salário minimo. A ideia é que os aposentados procurem os sindicatos da categoria em cada cidade para ajuizar ações individuais, mas que serão encaminhadas coletivamente à Justiça. “Um milhão de processos até dezembro é uma forma de pressionar o governo a negociar”,afirma.

Pode ser que haja mudanças. O presidente do Senado, José Sarney marcou para o dia 8 de julho a votação, em sessão do
Congresso, do veto do presidente Lula à proposta aprovada pelos parlamentares que reajustou todas as aposentadorias em 2006 com o mesmo índice de correção do salário mínimo, 16,67%.O Governo deu apenas 5% para os benefícios acima de um salário mínimo.

“Quero pedir também ao presidente Sarney e aos líderes que o voto não seja secreto durante a sessão do Congresso que decidirá sobre esse veto. Sei que a Constituição exige votação secreta no caso de vetos, mas gostaria que, como em outras oportunidades, cada deputado ou senador pudesse anunciar nos microfones o seu voto”, disse Paulo Paim autor do Projeto.

Ontem, entretanto além da pressão sobre Sarney e talvez por essa causa a votação dos nomes dos novos integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público terminou em confusão. Os dois candidatos foram rejeitados. O vice-presidente da Casa, Marconi Perillo , que comandava a sessão, fechou a votação mesmo com parlamentares presentes. Os senadores que não votaram alegaram desatenção e começaram o bate-boca no plenário. “Quantos integrantes do MP serão maculados por conta da crise do Senado?”, questionou Demóstenes Torres.

Enquanto isso, José Sarney, reuniu de noite em sua casa alguns aliados para avaliar o impacto dos pedidos para que ele se afaste da Presidência da Casa. Ele aguarda reunião da bancada do PT para decidir se permanece no cargo.

Resta saber se pela pauta do dia 8 os aposentados devem ou não torcer pela “aposentadoria” do velho Sarney.

Aposentadoria ou morte!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung

Tecnologia dá vida à rede aérea

Por Adamo Bazani

A situação do trólebus não é  fácil no Brasil, onde várias cidades o aboliram completamente. Em São Paulo, discussões e desentendimentos entre operadores, gerenciadores e administrações públicas já viraram uma marca da atual fase deste modelo de transporte de passageiros. Mas é no campo de tecnologia que se pode encontrar a saída para a continuação dos trólebus como veículo capaz de reverter o quadro cada vez pior de poluição sonora e do ar.

Quem garante é o administrador de contratos da Eletra, única fabricante cem por cento nacional de ônibus com tecnologia limpa, José Antônio do Nascimento.

Jose Antonio do Nascimento e Adamo no trólebus

José Antônio diz que o mundo está no caminho da tração elétrica para os transporte urbano. Ele conta que na cidade de Nova Iorque já existem mais de 500 ônibus híbridos (motores de partida a diesel e motores de funcionamento a energia elétrica) em operação; e na China e boa parte da Europa, os administradores locais em parcerias com a iniciativa privada voltaram a investir no trólebus com rede aérea.

“Posso garantir que em corredores exclusivos, o trólebus de rede aérea ainda é melhor alternativa que o híbrido. Na empresa Eletra, que nasceu do Grupo da Viação ABC de Transportes, de São Bernardo do Campo, percebemos que a procura pelo híbrido é cada vez maior, afinal ele possui uma flexibilidade maior que o trólebus e igual ao ônibus a diesel, mas, pelo fato de o trólebus durar mais e não gerar nada de poluição, em corredores segregados, ele é opção ainda melhor”.

“Num corredor segregado, a rede aérea não produz a mesma poluição visual que no meio da rua, onde há entrocamentos e cruzamentos de fios de outros serviços, como de telefone e energia elétrica residencial e comercial. Além disso, o híbrido pode poluir até 90 por cento menos que o ônibus comum a diesel, mas o trólebus polui 100 por cento menos. O Brasil deve estar atento a outro fato de vantagem de veículos com tração elétrica: diferentemente de muitas regiões do mundo, que produzem eletricidade em usinas movidas a carvão e óleo, nós produzimos por água, ou seja, não poluímos e gastamos menos para produzir eletricidade.”

Sendo bem realista, num cenário em que apesar de ser mais barato que metrô e que o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o corredor segregado de ônibus pouco cresce, José Antônio afirma que a solução de curto prazo está no investimento da rede aérea já instalada e em sistemas nos ônibus que ocasionam menos quedas de pantógrafo (alavanca que liga o ônibus até os fios aéreos). Para isso é necessário repotencializar a rede. Ele conta que uma boa parte dos trólebus que circulam na cidade de São Paulo são veículos reformados e reencarroçados, que foram produzidos entre os anos de 1979 e 1981. Entre 1994 e 1996, os veículos passaram por uma atualização, mas a rede aérea não.

E quando José Antônio fala em corredores, ele quer dizer vias segregadas mesmo, não apenas faixas pintadas nas vias, com o mesmo asfalto, com as mesmas ondulações, passando pelos mesmos semáforos que os carros comuns. Os corredor entre São Mateus / Jabaquara, via ABC paulista, é considerado bom exemplo por José Antônio:

“Boa parte é segregada totalmente e o piso é de concreto”

Mas enquanto corredores não saem do papel, a solução, para José Antônio é investir em veículos e sistemas cada vez mais modernos. Já está desenvolvido até mesmo um sistema que evita ou diminui drasticamante a queda dos pantógrafos, além de um corredor 100 por cento eletrificado de grande distância, sendo o primeiro “corredor verde” no mundo.

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Boas férias para você !

TranquilidadePodia ser em janeiro ou fevereiro. Tinha de ser no verão. Lá no Sul, as férias escolares eram na praia. Casa alugada e família reunida completavam o pacote. O mar nunca foi lá essas coisas  e quem já esteve no litoral gaúcho sabe do que estou falando. O legal mesmo é que se podia ficar mais tempo na rua, passeava-se com os amigos na beira da praia sem o mesmo controle rígido do pai e da mãe. E sempre havia a chance de uma escapadinha à noite no centro.

Com a vida profissional, a mudança para São Paulo e a criação da própria família, os hábitos mudaram. As férias se transformaram em um quebra cabeça de agendas. A dos filhos, com a da mulher, com a do marido e com a do trabalho. Nem sempre se consegue combinar todas as datas, mas por menor que seja a coincidência se aproveita o que dá. Neste ano, deu.

Assim, a partir desta segunda estou de férias e as aproveitarei nos próximos 30 dias. Terei tempo de ler mais, descansar mais, conhecer mais e brincar ainda mais. Peço a você licença para passar menos neste espaço. A você e a mim mesmo, pois desde que este blog foi ao ar, há dois anos, criei o hábito de postar todo santo dia. Virou mania daquelas difíceis de largar. Deixar de publicar um texto, uma imagem ou um vídeo me dá a impressão de dever não cumprido. De vazio. Como se encontrasse um amigo e não tivesse o que dizer.

Assim, toda vez que você voltar a este blog, mesmo que eu não tenha passado por aqui ainda, saiba que em algum lugar qualquer estarei em busca de novidades para contar. E as contarei assim que surgirem e houver acesso à internet.

Além disso, é bom lembrar que os parceiros de blog não nos deixarão: o Adamo às terças; o Gibrail às quartas; a Abigail às quintas; e a Maria Lucia aos domingos. Estarão todos por aqui provocando nossos pensamentos e aguardando seus comentários.

No CBN SP, o comando estará nas mãos da Fabíola Cidral (fabiola.cidral@cbn.com.br); no Twitter (http://twitter.com.br/miltonjung), pretendo contar alguns detalhes da viagem; no blog, conto com vocês todos.

Aproveitem bem, não é sempre que dou uma folga dessas aos ouvintes-internautas. Até a volta ou a qualquer momento em edição extraordinária !

Avalanche Tricolor: “Azul, negro e branco”

Sport 3 x 1 Grêmio B

Brasileiro – Recife


A TV quase não deu bola. Preferiu repetir exaustivamente jogadas em que os adversários se digladiam dentro da área ou em uma disputa qualquer em detrimento da informação. Na pequena torcida gremista que esteve no estádio da Ilha do Retiro, no Recife, havia a faixa: “Sou azul, negro e branco”.

Recado claro a quem, propositalmente ou não, tenta confundir os fatos, desde o bate-boca de Maxi Lopez e Elicarlos, durante a primeira partida da semifinal da Libertadores, no Mineirão, em Belo Horizonte. Momento em que conhecidos sanguessugas do futebol saíram a dar palpite e se apresentaram como defensores da moral e ética de toda a nação brasileira.

Falei pouco esta semana sobre o tema, e nada escrevi a propósito no blog porque sabem bem aqueles que me acompanham o tom do meu discurso nesta Avalanche. Meu colega de redação Fernando Gallo, que algumas vezes abrilhantou este espaço com ótimos artigos, deixou gravado nos comentários sua frustração por não ter lido por aqui alguma palavra minha. Como se fosse preciso.

Não sinto necessidade de escrever que sou honesto. Parto do princípio que aqueles que me conhecem sabem disso. Os que desconfiam do contrário que me conheçam melhor antes de construir qualquer pensamento a respeito.

Preciso dizer que discordo de qualquer atitude racista ? Minhas posições são públicas, e publicadas diariamente no CBN São Paulo. Quem acompanha o programa conhece minha postura. Quem lê este blog não deve ter dúvida do meu comportamento.

Também jamais me verão levados pelo espetáculo dos fatos, típico no futebol e em boa  parte da cobertura jornalística no País.  Daqueles que fizeram coro contra Maxi Lopez  muitos são os mesmos que fazem comentários jocosos sobre situação social quando falam da torcida do Corinthians,   se assanham a fazer piadas sexistas quando o assunto é o São Paulo ou taxam a ignorância de “baiana” e  a arrogância de “argentina”. Não quero a companhia desses em nenhuma campanha.

É preciso também buscar informacão, ter comedimento e relativizar os fatos.

Lá no pampa argentino, macacos somos todos nós brasileiros, não pela cor de nossa pele, mas por supostamente imitarmos os americanos. Diferentemente do uso dado a palavra no pampa gaúcho, onde a expressão tem conotação racista. Que se mude os hábitos, aqui e lá.

Não vou aqui julgar o atacante gremista. Se ele tomou alguma atitude errada – e, ao contrário de outras oportunidades, isto não ficou claro diante das câmeras – que responda pela injúria. Mas, por favor, não se aproveite desta situação para expor ideias xenofóbicas. Faça deste caso um momento de reflexão sobre atitudes que já tenham sido tomadas por você contra ou a favor de qualquer tipo de preconceito.

Entre torcedores, assim como  nas demais comunidades que se formam neste país seja por afinidade política, religiosa ou social, deve haver quem entenda ser superior ao outro pela diferença de raça. Infelizmente, este é um pensamento que ainda existe na sociedade brasileira. E precisamos condená-lo nos fóruns competentes e com atitudes produtivas, não, oportunistas.

Para o Grêmio, que fique claro a todos, não há opção: somos azul, negro e branco. Somos de todas as raças. Somos um time de raça.