Canto da Cátia: Calçada comercial

Calçada comercial

A venda de cereais e apetrechos para feijoada  nas calçadas das ruas Paulo afonso e Joaquim Nabuco, no Brás, é apenas uma das muitas ilegalidades cometidas por comerciantes que ocupam indevidamente as calçadas de São Paulo. Nestes dois dias, Cátia Toffoletto tem passeado pela cidade registrando este desrespeito que a prefeitura diz fiscalizar. Há situações em que o comerciante tem autorização da administração municipal para ocupar um trecho da calçada.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto

Clientes da Avimed sem orientação da ANS

A Agência Nacional de Saúde está em dívida com os clientes do plano de saúde Avimed que além de não contarem mais com a assistência da operadora que faliu não conseguem se beneficiar do sistema de portabilidade, no qual poderiam se transferir para outros planos sem necessidade de cumprir o prazo de carência. De acordo com o Idec, serviço de orientação ao consumidor, a agência não dá acesso em seu site as informações necessárias para que os clientes da Avimed mudem de planos, apesar de terem este direito.

Muitos desses clientes também estão em dúvida sobre como proceder em relação aos boletos bancários que passaram a receber da  Itálica Saúde que, inicialmente, compraria a carteira de usuários da Avimed. A ANS vetou a operação. Sendo assim, o IDEC recomenda que o boleto seja desconsiderado e o pagamento continue a ser feito para a Avimed mas em consignação extrajudicial. Quem já pagou para a Itálica pode pedir restituição em dobro do valor, conforme prevê o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor.

Ouça a entrevista com a advogada Daniela Trettel, do IDEC

Para mais orientações vá ao site do IDEC

Assédio moral permitido

Por Abigail Costa

Numa noite dessas, perdi o sono. Olhei para o controle remoto e em seguida o clique na TV. O apresentador com aparência de patrão dava as ordens. Os concorrentes tinham que cumprir tarefas. O  certo é: tinham que pagar mico.

Homens e mulheres disputavam uma vaga de trabalho, um prêmio em dinheiro, ou quem sabe só tinham vontade de aparecer na televisão. Até aí, gosto não se discute. Mas, cá entre nós, dá para lamentar.

Olhava para a TV e pensava: Como assim, por exemplo ? Como essas pessoas se permitem enfrentar isso?

E o chefe berrava. O homem se mexia constrangido na cadeira. A mulher mais sensível chorava, sem se incomodar com a maquiagem que derretia entre as lágrimas. Cena de novela, com personagens da vida real.

Eu pensava: Jesus! A mulher dele está vendo o marido ser nocauteado em rede nacional com direito a transmissão para a TV internacional.

E os filhos? Será que os amigos estavam acordados?

Aperto o botão vermelho do controle e a imagem some da tela, mas não da minha cabeça.

Penso, penso, sem que o sono volte, e a conclusão é obvia: eles consentiram esse assédio moral. Então, o problema é deles. O meu, é arrumar um jeito de voltar a dormir.

Antes que alguém me diga porque liguei a TV e não peguei um bom livro, respondo: Assumo o erro. Da próxima noite de insônia, nada de televisão nem livros. Vou acordar meu marido.

E, certamente, no dia seguinte falarei de amor e prazer.

Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira escreve no Blog do Milton Jung para tirar o sono de muita gente (o meu, inclusive).

Foto-ouvinte: De pernas para o ar

Caminhão capotou

“Como é que foi parar aí ?” se perguntavam os moradores da Vila São Pedro, em São Bernardo, na região do ABC Paulista. No sábado pela manhã, assistiram a este caminhão da empresa “Rei do Entulho”, transportando uma caçamba,de cabeça para baixo na rua Machado Barbosa. O ouvinte-internauta Paulismar Duarte registrou a imagem e a história: “Segundo o motorista, Bolívar Lucas de Souza, 42 anos, que escapou ileso do acidente, disse que subia a rua normalmente com o carro em primeira marcha, como de costume, quando percebeu que a traseira do caminhão estava ficando mais pesada e, em seguida sentia o carro tombar.

“Não há o que esconder”, diz Secovi sobre doação eleitoral

Uma semana após o jornal Folha de São Paulo ter publicado que o Secovi estaria usando uma associação para doar dinheiro aos candidatos a prefeito e vereador na eleição municipal do ano passado, o presidente do sindicado, João Crestana, divulgou nota para negar a existência de irregularidades:

O Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), cumprindo de maneira plena a legislação que coíbe o financiamento de campanhas eleitorais por instituições de classe de sua natureza jurídica, não fez doação alguma a partidos ou candidatos nas eleições de 2008 ou em quaisquer outras. Tampouco, intermediou ou repassou recursos para que doações fossem feitas de maneira indireta. Burlar normas vigentes não é vocação da entidade, que sempre se pautou pela mais absoluta transparência, respeito ao arcabouço legal e parâmetros éticos na legítima defesa da habitação.

Desse modo, é improcedente a ilação, contida em noticiário da Folha de S. Paulo veiculado ao longo desta semana, de que o Secovi-SP teria usado a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) para doar dinheiro a políticos e partidos. A série de matérias, com todo o respeito que merece esse grande jornal brasileiro, não corresponde à verdade.

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É proibido ter família

A criança e o velho

Em 40 e poucas páginas, o juiz Fernando Antônio Lima justifica a decretação do “toque de recolher” para crianças e adolescentes na cidade de Ilha Solteira, desconhecida de boa parte dos brasileiros, que ganhou direito a citação em rede nacional de televisão – jornal, rádio e internet, também. A intenção dele é “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.

O país está cheio de gente bem intencionada como o magistrado. Preocupada com a educação dos jovens e a falta de limites. Interessada em oferecer mais segurança as crianças. Leis não faltam neste sentido. O Estatuto da Criança e do Adolescente é peça primordial desta rede de proteção.

Em nome desta defesa, lá no noroeste do estado de São Paulo, quem tem até 14 anos só fica na rua, desacompanhado, até às oito e meia da noite; adolescentes entre 14 e 16 anos de idade voltam para a casa até às dez da noite. E meninos e meninas de 16 a 18 anos podem “brincar” até às 11 da noite.

Assim que o tema foi ao ar no CBN SP, dezenas de ouvintes-internautas se posicionaram em relação a medida que está em vigor em Fernandópolis e Itapura, além de Ilha Solteira. Maioria assustadora defende a intervenção do Estado na educação dos filhos, não confia na competência dos pais e no poder da família. Há quem veja na regra uma forma de se defender dos jovens e não defendê-los.

Aguarda-se decreto judicial que coiba a violência doméstica contra crianças, esta sim uma das formas mais cruéis de violência que parte dos próprios pais, escondida da sociedade, dentro de casa. O serviço Disque-100, que recebe denúncias anônimas, registra mais de 67% de ligações feitas devido a agressão física e moral contra meninos e meninas.

Sugiro que se proíba a instituição da família para “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.

Jaime Lerner põe em dúvida investimento em metrô

Cheguei ao texto do ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner por indicação do ouvinte-internauta Hilton. Faz abordagem interessante sobre a defesa insistente de que devemos investir todas as fichas no metrô como opção para o transporte público. Curitiba, onde a experiência de Lerner foi forjada, é exemplo mundial em transporte público sem uma linha sequer de metrô. Vale a leitura, pois o urbanista traz argumentos importantes para nossa reflexão. O maior impecilho à proposta de Lerner, porém, é a falta de coragem de se tirar espaço dos automóveis nos centros urbanos:

Um dos grandes equívocos na discussão dos problemas das cidades no mundo inteiro é a polarização entre a opção pelo carro ou pelo metrô no enfrentamento dos desafios da mobilidade urbana.

Com o crescimento do número de carros nas ruas, alimenta-se o imaginário popular com a ideia de que a solução seria a ampliação da infraestrutura viária, como viadutos e vias expressas, e o consequente aumento de grandes estacionamentos – subterrâneos ou não, e a adoção de toda a parafernália que acompanha a opção pelo automóvel com as metodologias de engenharia de trânsito.

Para contrabalançar isso, vende-se a ideia de que só o metrô poderia resolver essa confusão fenomenal. E aí aparecem os ‘vendedores’ de sistemas enterrados a abastecer a mente dos prefeitos com essa solução.

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O remédio que cura, mata

Por Carlos Magno Gibrail

Imagem do álbum de Daniel Lobo, no Flickr

Brasil 3D  –  radicaliza na questão do trabalho do menor de idade, contemporiza na destruição da floresta amazônica e fecha os olhos para o crescente descontrole do dinheiro público.

Nesta fotografia ética, destacamos a exploração do menor, controlada pela justiça do trabalho.  Suas baterias estão dirigidas às quadras de tênis.

A partir de 2005 a legislação regulamentou a atividade do menor com 14 a 16 anos dentro do projeto Aprendiz.

Os Clubes bem estabelecidos em boa parte aderiram, outros eliminaram a função do pegador de bola e os demais estão sendo avisados que serão punidos.

O tênis até então incluía o pegador de bola, o rebatedor-assistente do professor, e o professor. Todos invariável- mente vinham das camadas menos favorecidas e imediatamente iniciavam um processo de inclusão social, a partir de 7 anos em diante.

Foi assim que surgiu uma série de tenistas profissionais como Givaldo Barboza 32º ATP, Júlio Goes 68º ATP, João Soares 72º ATP.  João ainda treinou Flávio Saretta 62º ATP e Ricardo Mello 50º ATP.  Isto para não citar McEnroe, de pegador de bola a 1º ATP e ícone do tênis mundial.

A nova regulamentação originou  séries e sérias iniciativas de inclusão. Entretanto, ao mesmo tempo impediu a manutenção do modelo anterior, menos burocratizado e mais natural. Além de proibir o acesso antes dos 14 anos, o que faz muita diferença.

Independentemente da existência de infindáveis propostas para evitar o “gap” entre 7 e 14 anos, como a do ex  pegador Clovis Silva com Kirmayr, precisamos de uma regra especifica para o tênis, antes que o drama atual se intensifique.
Temos que evitar episódios como o do Secretário Municipal do Trabalho de SP, Prof. Marcos Cintra:

“VIVI RECENTEMENTE uma triste e pungente experiência. Observando as fotos das arruaças ocorridas em Paraisópolis, quando jovens moradores daquela favela depredavam propriedades e agrediam inocentes transeuntes em combate campal com a Polícia Militar paulista, identifiquei alguns jovens que eu havia conhecido algum tempo antes em circunstâncias totalmente diversas.
Lembrei-me deles sem as feições embrutecidas que exibiam durante as arruaças, mas como saudáveis meninos pegadores de bola em uma academia de tênis. Eram jovens com idade aproximada entre nove e 12 anos que, após o período escolar matutino, ganhavam alguns trocados participando como auxiliares de partidas de tênis.
Nos períodos de ociosidade das quadras alugadas, brincavam alegremente entre eles, praticando o esporte e tomando gosto pela prática salutar da cultura física.
Não ganhavam salário, não tinham horário fixo nem obrigações a serem observadas. Apenas passavam seu tempo pegando bola e ganhando em troca alguns reais para suas pequenas despesas.
No passado, esse costume induziu vários desses jovens pegadores de bola a se tornarem profissionais em suas respectivas modalidades esportivas. Outros acabaram cursando faculdades de educação física. Outros ainda se profissionalizaram como treinadores. E tudo como resultado dessa convivência lúdica com o esporte e com o aprendizado de uma técnica ou de uma profissão.
Chamava-me a atenção que o dono da academia exigia desses meninos que mostrassem seus boletins escolares e dava-lhes uma dura, chegando até mesmo a impedir que frequentassem a academia enquanto não demonstrassem que suas notas eram adequadas.
Um dia, as autoridades baixaram no recinto e proibiram, sob alegação de trabalho infantil, que esses jovens continuassem naquelas condições”.

Tudo indica que a sorte da criançada do Brasil ,que vive nos arredores das quadras de tênis deverá mudar.

Ontem, 11 dias após este artigo na Folha, indaguei ao Secretário se já tinha feito algo a respeito.

Imediatamente relatou que além de reunir vários segmentos e grupos organizados pertinentes ao tema, está trabalhando em 3 alternativas: PEC, TAC e Aprendiz. Ou seja, emenda da constituição, termo de ajuste de conduta e adaptação ao projeto Aprendiz são ações efetivas e já compromissadas pelo Prof. Cintra.

Que solicita apoio nosso, ao que prontamente atendemos. Convidamos a todos, que façam o mesmo em nome dos futuros tenistas, professores e empresários do tênis, vindos desta maravilhosa trilha da ascensão social.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Milton Jung e, dizem, é mestre com a raquete de tênis em punho.

Veja mais fotos de autoria de Daniel Lobos no Álbum do Flickr

Avalanche Tricolor: Paciência e caráter

Paulo Autuori, futuro técnico do GrêmioForam duas semanas das mais perigosas para o Grêmio. Nem tanto pelos adversários em campo, superados um após o outro, a ponto de estarmos hoje com uma das melhores campanhas do futebol sul-americano. Mas corremos sérios riscos. E não digo isso devido a ausência do técnico, não. Rospide se comportou bem para a função de interino. Seu rosto tímido ao lado do gramado estava a altura do seu papel.
Os nomes que surgiram na mídia para substituir Celso Roth é que não ofereciam segurança nenhuma. Diga-se a bem da verdade que dos diretores do Grêmio, os que decidem mesmo, jamais ouvi que pretendiam contratar este ou aquele treinador – exceção a Paulo Autuori, por quem iremos esperar mais 30 dias . Mesmo os pedidos insistentes por Renato Gaúcho, inclusive com aval de Fábio Koff, foram elegantemente negados. Desde o fim de semana, leio também que Vanderlei Luxemburgo estava cotado. Ninguém confirmou. Mas confesso que temi o pior.

A cobrança por uma decisão rápida, apressada, no afogadilho, conspirava contra o Grêmio, após o erro na forma e momento com que Celso Roth foi afastado. Para atender a pressão, Duda Kroeff e companheiros poderiam falhar como nossos atacantes o fizeram nas primeiras partidas da Libertadores ou os homens do meio de campo ao não serem precisos no passe ou nossos defensores quando dão o bote errado para desarmar o adversário.

Paciência é um mérito. Não sei se foi esta a virtude exercitada pelo presidente do Grêmio no evento da contratação de Paulo Autuori.  Um contratação acertada, mesmo com a presença apenas após as oitavas-de-finais da Libertadores e a estreia do Campeonato Brasileiro. Melhor a espera do que o erro da precipitação.

Seja o que tenha sido, o destino nos ajudou, afastou os perigos e vai colocar no comando da equipe gremista alguém que conquistou duas Libertadores e o respeito de clubes no mundo inteiro. Alguém a altura do Grêmio, pelo conhecimento e pelo caráter. Por que para mim, caráter é fundamental.