Está chegando a hora do consumidor

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo menos é o que se pode deduzir da 98th NRF Convention, realizada em New York e, que há anos recebe os brasileiros como a maior delegação estrangeira presente. E da força do varejo americano, terceiro PIB do mundo, e da agressividade brasileira, realmente há potencial para mudanças a partir desta 98ª Convenção cuja proposição central –“Inspiration starts here” – levou a resultante, que o foco agora deve ser a “Centralidade no Consumidor”. Que significa esquecer o concorrente e acompanhar o consumidor permanentemente na sua relação com a loja, quantitativa e qualitativamente. Para este consumidor o que interessa é a identificação da loja com ele.

É sair do “o que” comprar e ir para “quem” comprar, “por que” comprar, “quando” comprar.

O maior desafio será conseguir essas informações com segurança, mantendo a individualidade dos clientes. Traçando perfis para seu público alvo, que segmentado e identificado estará pronto para ser trabalhado. A partir daí a marca estará “centrada no cliente”.

Anúncio da Best BuyFoi o que o segundo maior varejista americano a Best Buy fez. Foi além, escolheu dentre seus consumidores cinco pessoas reais e conectou-se com elas. Um deles declinou que sempre procurou produtos que possibilitassem o armazenamento de imagens para reprodução, sem especificação do equipamento. Ou seja, as seções de máquinas fotográficas, filmadoras, computadores deveriam estar juntas e não separadas.

Ao seguir a sugestão, a Best Buy teve significativo crescimento.

O início é começar respeitando os 20% que resolvem os 80% e ir até os clientes de uma só compra que é a maior parte que a loja perde. A retenção se torna mais eficaz quando se consegue fazer ofertas personalizadas para os clientes fiéis.

Algumas empresas estreitaram de tal forma os laços com consumidores padrão que estão levando-os para dentro e mostrando fases da elaboração do negócio. Tanto para ouvir opiniões como para mostrar eficiência ou qualidade.

Precursores talvez do discurso já existente que as marcas não mais pertencem às empresas. São os consumidores os donos das marcas.

Se duvidar disto tudo, o trabalho de Martin Lindstrom, o homem dos cinco sentidos, que colocou Neurologistas em sua pesquisa “Why we Buy”, vai cobrar ainda mais da sua capacidade de adaptação as novidades. Vem aí o Neuromarketing.

Mulheres para vender (?) cervejaTalvez por isso, alguns dos principais executivos e consultores das maiores e mais importantes empresas do varejo americano, tenham defendido o momento Darwinista em que o comércio está vivendo.  Sobreviverão não os maiores nem os mais fortes, mas sim, os que mais rapidamente se adaptarem às mudanças.

“Com a massificação da propaganda, ela agora não é mais processada no nível da consciência. Ela vai diretamente para o subconsciente: As carteiras de cigarro mostram imagens horrorosas do que ocorre no organismo dos fumantes. Mas ao invés de fazer com que as pessoas parem de fumar, essas propagandas parecem mexer com as partes do cérebro que aumentam a vontade de fumar”. Lindstrom em seu livro “Buyology”.

Daí a mostrar que sexo não vende nem cerveja, muito menos carro, é o previsível.

“Centralidade no consumidor” e “Subliminaridade do consumidor” só poderiam surgir num ambiente tenso e propenso a ruptura como foi esta ultima Convenção da NRF National Retail Federation. Mas todos sabem que das guerras a única vantagem é o surgimento de novos caminhos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda. Toda quarta-feira, escreve aqui no blog sempre centrado no leitor

Foto-ouvinte: Em obras (?)

Obras (?) na Germino Gomes da Silva

A rua Germino Gomes da Silva é pouco conhecida da maioria dos cidadãos de São Paulo, apesar de ser paralela a movimentada avenida Sapopemba, na zona leste. Em outubro de 2008, durante a eleição municipal, os moradores tiveram a notícia de que uma antiga reivindicação seria atendida: a pavimentação e urbanização da via que se iniciar na própria Sapopemba e segue em direção a rua Solidônio Leite.

Na placa da prefeitura, a execução da obra deveria durar 90 dias. Na segunda 02/03, portanto cinco meses já se foram, o ouvinte-internauta Renato Perez Michelin registrou as imagens que você vê clicando na fotografia acima. Segundo ele, “é raro quando tem alguém trabalhando três dias diretos em uma mesma semana”.

A demora na realização da obra tem causado transtorno aos vizinhos, além de o local ter se transformado em ponto de descarte de lixo. “O cheiro está insuportável”, escreveu Renato que teme ter de esperar mais quatro anos para que a obra seja concluída. Afinal, ninguém resiste a uma inauguração.

Cidade Inclusiva: Moda para todos

A calça para o cadeirante não deve ter bolsos atrás e a costura tem de ser mais confortável. A camisa para o deficiente visual tem de ter identificação em braile. O blazer para o terno do executivo portador de deficiência tem de estar adaptado a necessidade dele. A estilista Daniela Auler que há 15 anos trabalha com moda, no Brasil, foi seduzida por esta ideia e quer incentivar seus colegas a enxergarem este segmento no mercado: a moda inclusiva.

Em São Paulo, a secretaria dos Direitos de Pessoa com Deficiência promove o Concurso Moda Inclusiva no qual estudantes são convidados a apresentar proposta para atender às demandas de portadores de deficiência. O Brasil tem 24,6 milhões de pessoas nestas condições, o que transforma este um mercado consumidor bastante expressivo, como chamou atenção o comentarista Cid Torquato que apresenta “Cidade Inclusiva”, no CBN SP, às segundas-feiras.

As inscrições para o concurso podem ser feitas até abril pelo site da secretaria dos Direitos de Pessoa com Deficiência .

Ouça a entrevista com a estilista Daniela Auler

Para enviar sugestões e comentários sobre o programa Cidade Inclusiva escreva para cidadeinclusiva@cbn.com.br

Canto da Cátia: Cadê a faixa que estava aqui

Rua da Mooca sem sinal

Rua da Mooca, cidade de São Paulo. Mas poderia ser av. Nossa Senhora do Sabará, av. Pacaembu, av. Sapopemba, entre tantas outras que estão abertas para a circulação de veículos em desrespeito ao Código Brasileiro de Trânsito, na capital paulista. De acordo com a Cátia Toffoletto, autora da imagem acima, muitas vias estão sem a sinalização horizontal, obrigatória, causando transtorno e colocando em risco a segurança dos pedestres e motoristas.

A Cátia trouxe o tema de volta ao CBN SP depois de circular por várias ruas e avenidas que apresentam o mesmo problema. Semana retrasada já havia conversado com o secretário municipal dos Transportes Alexandre Morais sobre o tema (acompanhe aqui). Hoje, tanto fez, tanto falou que arrancou uma nota da Secretaria Municipal dos Transportes para explicar a ausência de sinalização.

Leia a justificativa da SMT:

A CET tem um planejamento de obras, que é obedecido rigorosamente. Só no segundo semestre de 2008, a CET implantou 200 mil m² de sinalização horizontal. Para dar uma noção do que esse número representa, uma faixa de pedestre ocupa , em média, 16 m². Quer dizer que o trabalho realizado pela CET nos últimos seis meses do ano passado corresponde à pintura de mais de 12 mil faixas de pedestre.

Porém, em algumas vias, a CET depende do repasse de verbas da Secretaria das Subprefeituras para reaplicar a sinalização que foi retirada pelo recape da rua.  A avenida Nossa Senhora do Sabará é uma delas e a CET está no aguardo. Além da verba das Subprefeituras, a Secretaria Municipal de Transportes acaba de solicitar recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano(Fundurb) para aplicá-lo na recuperação da sinalização horizontal.

Coordenadoria de Comunicação
Secretaria Municipal de transportes

O que você acha da resposta da Secretaria Municipal dos Transportes ?

Consultor da ONU propõe reciclagem de entulho de obras

A cidade de São Paulo gera 17 mil toneladas de entulho por dia, material que sobra da construção e reforma de imóveis. Boa parte poderia ser reaproveitada sendo transformada em areia, pedriscos, pedras e bica corrida, que serve para fazer base de pavimento. Apesar da tecnologia desenvolvida e da existência de centrais de reciclagem, o resíduo sólido costuma ser todo enterrado em aterros sanitários.

O consultor da ONU para o meio ambiente Sabetai Calderoni disse que no País na construção de três casas costuma-se jogar fora uma quarta casa. Para ele, seria necessária a implantação de centrais de triagem e reciclagem para que o entulho fosse reaproveitado.

Ouça a entrevista do consultor da ONU Sabetai Calderoni

Ambientalista pede taxa para inspeção veicular

O cidadão que anda de metrô é obrigado a pagar a taxa de inspeção veicular ambiental. O passageiro de ônibus e o ciclista, também, apesar deles não usarem carro na cidade de São Paulo. O pagamento se dá através dos impostos públicos já que a prefeitura decidiu bancar o programa com recursos próprios em vez de cobrar dos proprietários de veículos. A tarifa cobrada para que o carro passe pelo centro de inspeção da Controlar é devolvida no mês seguinte pela prefeitura.

É com base nesta lógica que o integrante do Grupo de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo Eric Ferreira defende a ideia de que o causador da poluição financie o programa de inspeção veicular. Ele pretende levar a proposta para o seminário que se realiza, amanhã, na Assembleia Legislativa de São Paulo (leia mais aqui)

Ouça a entrevista de Eric Ferreira, do Nossa São Paulo, na CBN

Foto-ouvinte: O cachorro e o ciclista

O ciclista e o cachorro

Foi um colega de escritório do ouvinte-internauta Pitter Rodriguez quem flagrou esta cena inusitada de um passeio de bicicleta na avenida Paulista. Se o melhor amigo do homem é o cão por que não levá-lo para dar uma volta de bicicleta. Clique na imagem acima e você verá mais uma série de fotos desta pedalada canina.

Seminário e audiência pública discutem poluição veicular

Na mesma data, na mesma hora e em dois locais diferentes, autoridades e técnicos discutirão os efeitos da poluição provocada pelos carros na cidade de São Paulo. Conforme informamos, ontem, aqui no blog, o Ministério Público promoverá audiência pública na qual questionará o resultado do programa de inspeção ambiental veicular, em vigor desde o ano passado na capital paulista, nessa quarta-feira, às duas da tarde, na sua sede no centro da cidade.

Mais para o lado do Ibirapuera, na sede da Assembléia Legislativa, também às duas da tarde, a qualidade do combustível que abastece a frota paulista será debatida pela Petrobrás, fabricantes de carros, ministérios Público Federal e do Meio Ambiente, Cetesb e o Movimento Nossa São Paulo.

A procuradora federal Ana Cristina Bandeira Lins poderá explicar o termo de compromisso assinado com o objetivo de implantar no Estado a distribuição de combustível menos poluente que deveria ter se iniciado em janeiro de 2009, mas por irresponsabilidade do Governo Federal, Petrobrás e Anfavea, teve de ser parcialmente adiado. Com isso se perderá ainda mais tempo no programa de combate a poluição veicular nos grandes centros urbanos.

Petrobrás e Anfavea, provavelmente, repetirão a desculpa que tem usado para se defender do fato de não cumprirem com a resolução nº 315 do CONAMA que previa a utilização do diesel S-50 na frota de São Paulo. No Brasil, o diesel queimado por caminhões, por exemplo, tem 2 mil partículas por milhão de enxofre, enquanto o diesel previsto na resolução tem 50 partículas por milhão de enxofre.

O seminário “Poluição Veicular. Controlar é Possível – A Importância de Combustíveis Menos Poluentes e o Futuro do Programa de Controle de Emissões Veiculares (PROCONVE)”  é promovido pelo deputado estadual Donisete Braga (PT-SP).

O interesse pelo tema se justifica quando se sabe que, segundo o laboratório da poluição da USP, são 12 pessoas por dia as que morrem vítimas da poluição na cidade de São Paulo.

Foto-ouvinte: ‘Puxadinho’ tira espaço da calçada

Calçada-garagemAs calçadas paulistanas oferecem todo tido de surpresa. De carros estacionados ao piso irregular, é possível encontrar uma série de barreiras urbanas que prejudicam a circulação dos pedestres. Algumas são móveis, como as cadeiras de bares que desrespeitam o espaço público outras fixas, bem firmes, construídas à ferro, com todo o cuidado, como este muro/portão que avançou na calçada da rua Álvaro Rodrigues, na Vila Cordeiro, na zona oeste. O ouvinte-internauta Ricardo D’Andrea descreve a construção como uma “obra de arte” em homenagem a falta de cidadania. Já registrou queixa no site da prefeitura (7978572, 24/10/2008). Até agora não teve resposta à reclamação. Quem sabe agora que ganhou fama.

Agora o outro lado (publicado em 10/03, 20:13)

“Em relação ao “puxadinho”, denunciado na rádio CBN e no seu Blog, a subprefeitura de Pinheiros notificou e intimou, em 17/2/09, o proprietário do imóvel que realizou o puxadinho a desocupar a área pública, com base na Lei 15.086/78. Caso não atenda à intimação, uma equipe de obras da subprefeitura removerá a construção, para desocupar o espaço público.

Atenciosamente,
Ricardo Vendramel
Assessoria de Comunicação
Subprefeitura de Pinheiros”

Baltazar: um sonho, uma foto e 3 mil ônibus

Por Adamo Bazani

Baltazar e o ônibus
Baltazar, de gravata, com um de seus primeiros ônibus, carroceria Ciferal, Mercedes Benz

Quem via o menino de cinco anos freqüentando todo o dia uma garagem de ônibus na região de Patos de Minas, em Minas Gerais, jamais imaginaria que ele se tornaria um dos maiores empresários do País. Atualmente, dono de cerca de 3 mil ônibus em sociedade com outros empresários, em 20 viações, Baltazar José de Souza, 62 , teve sua vida, desde a infância, dedicada ao transporte, por necessidade e paixão.

Paixão porque era bem tratado na pequena garagem de ônibus que freqüentava e ajudava a varrer, limpar peças e organizar papéis.

Necessidade pois aos oito meses perdeu o pai, a mãe se transformou em chefe de família e ele e os quatro irmão se viram obrigados a pegar pesado desde cedo.

Além de frequentar a garagem, onde às vezes ganhava um troquinho ou uma ajuda e às vezes nem um obrigado, Baltazar trabalhou de  ajudante de caminhão, no carregamento de carga, aos 10 anos.  Quando adolescente, vendeu arroz e outros produtos agrícolas, boa parte da produção plantada e colhida pela família, desde São Paulo até o Pará. Ele não pode estudar por muito tempo e brincar era luxo.

Na mente, porém, a certeza de que deveria ajudar a família e seu negócio teria de ser com transportes: “Eu sentia na pele a dificuldade para ganhar cada centavo. E não esbanjava dinheiro. Não comprava pra mim nada além do necessário e guardava todo o pouquinho dinheiro que sobrava”. Ainda em Minas Gerais, Baltazar, com 13 anos fazia de tudo na garagem de ônibus da antiga Viação São Cristóvão. Lá,  teve a oportunidade de conhecer toda rotina de uma empresa de transportes.

“Minha área de atuação era o País. Prá mim não tinha distância e dificuldade. Com 16 anos, em 63, soube que uma empresa estava quebrada em Cáceres, decidi arriscar todas minhas economias e comprei a viação, coincidentemente chamada de São Cristóvão, o mesmo nome da empresa que eu freqüentava com cinco anos de idade e que eu trabalhei na adolescência e aprendi um pouco de tudo sobre o setor” – conta Baltazar.

Os ônibus velhos faziam a linha Cáceres – Cuiabá. Foi a prova de fogo para Baltazar. Ele fala que nem dava pra dizer que as condições das estradas eram ruins na época, porque praticamente nem estrada existia. “Eu tinha de saber de mecânica, administração e direção. Tinha vezes que não dormia por três dias seguidos. As viagens eram demoradas e em praticamente todas os veículos quebravam. A região Centro Oeste do Brasil foi meu berço como empresário”.

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