Foto-ouvinte 1: Fidelidade partidária

Fidelidade partidária

Três meses após a eleição, este posto de combustível ainda mantém na fachada propaganda eleitoral estampando a figura do candidato à prefeito Geraldo Alckmin (PSDB) e à vice Campos Machado (PDT). Nem a derrota ainda no primeiro turno nem o desrespeito com a lei Cidade Limpa, demoveram o proprietário do estabelecimento a retirar o cartaz que foi registrado pelo colaborador do blog Marcos Paulo Dias.

O posto fica na avenida Marechal Tito, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.

Ex-vereador de olho no prefeito Kassab

Fora da Câmara, desde dezembro, José Rolim se esforça para ver dois dos projetos de lei dele serem sancionados pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) e executados pela prefeitura de São Paulo. Ex-vereador do PSDB, Rolim conseguiu aprovar na Câmara proposta para que os postos de combustível fixem o número do Disque-Denúncia, assim como já ocorre nos ônibus da capital. Em outro projeto, os bancos ficam obrigados a criar estacionamento para carro forte, “pois hoje todos param nas vias principais nos horários de pico: às 9 e meia, abastecendo os caixas; as quatro e meia da tarde, fazendo a coleta”- explicou Rolim.

O tucano que não se reelegeu é “gato escaldado”. Já havia aprovado lei que obriga a construção de calçadas com piso drenante em determinadas situações na cidade, e a viu engavetada pelo prefeito “para ajustes”.

CBN SP começa homenagens aos 455 anos de São Paulo

Fabiana Cozza canta
Fabiana Cozza, esteve na festa da CBN, no ano passado, no Pátio do Colégio

Para comemorar os 455 anos de São Paulo, a rádio CBN começará amanhã, segunda-feira, uma série de programas que terá como maior destaque a festa com artistas, músicos e personalidades no dia 24 , sábado, das 10 da manhã ao meio-dia, no Teatro Eva Hertz, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

O Conte Sua História de São Paulo, programa que está no ar há três anos, terá edições especiais nas duas próximas semanas. Depoimentos narrados pelos próprios ouvintes serão levados ao ar. Da menina que batia bola com o homem que se transformou em presidente do Brasil ao rapaz socorrido por médicos que atendiam no Pátio do Colégio. Do rapa na praça da Sé a um mistério no lago do Ibirapuera. Serão 11 capítulos que foram gravados durante a festa promovida no ano passado.

Quem for ao Conjunto Nacional para assistir ao programa em comemoração ao aniversário da cidade poderá, também, gravar o seu depoimento. Um estúdio especialmente montado para o evento estará à disposição dos ouvintes.

No CBN SP, você vai acompanhar ainda o boletim São Paulo do Futuro, produzido por Fabiana Novelo, que convidou crianças, jovens e especialistas a responderem a seguinte pergunta: “O que você quer para o futuro da cidade ?”. A intenção é reunir propostas para os próximos 50 anos.

A história de ruas e avenidas famosas da capital farão parte de uma série de reportagens no Jornal da CBN, primeira e segunda edição. O quadro “Histórias de São Paulo” é produzido por Michelle Trombelli.

Todo este material estará reunido no Portal da CBN na internet criando mais uma página de conhecimento sobre a cidade de São Paulo.

De situação III

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Fazia tempo que eu não viajava pela Rodovia Castello Branco, a SP 280. Puro prazer. Conhece? É uma estrada manicurada, como costumava dizer o Ray.

Meu filho Luiz Fernando, que é incorporador no Rio Grande do Sul, queria visitar um empreendimento, em Porto Feliz, onde tivemos um sítio que era o paraíso na Terra. Ele dirigiu, e eu preguicei, meditei, e aproveitei para me livrar de um punhado de estresses, do presente e do passado.

Na verdade, fizemos duas viagens. Uma, acelerando sobre quatro rodas, numa reta confortável, e outra voando pelas sinuosas histórias do passado. Incrível como as rotas arquivam tudo. Acabo sem saber se acessamos as memórias, ou se são elas que nos tomam de surpresa, mas sei que cada coração bate no ritmo de suas próprias recordações, e que os olhos, vêem a mesma paisagem, registrando significados diversos.

Vou aproveitar a experiência para jogar fora muitas lembranças que já não servem mais, quando me livrar dos guardados inúteis, nas faxinas aqui em casa. Agora é boa hora.

E você, tem retomado vias do passado, observando o que encontra no caminho, e nas sensações que acionam?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira, autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês, e nos convida a fazer uma viagem pelo pensamento todos os domingos.

De cara nova, tá na cara !

Mudou o blog. E me parece óbvio demais dizer isto. A cara é bem diferente daquele que você acompanhava desde agosto de 2007 quando a CBN me ofereceu a oportunidade de explorar também esta mídia. Agora, mudamos juntos. O Portal da CBN está mais moderno, tem acesso mais fácil, valoriza os comentaristas e os próprios blogs. Além disso, abriu uma porta para receber o material dos ouvintes-internautas. E outra para ouvir a opinião deles: novoblog@cbn.com.br.

Valorizar esta interatividade também foi a intenção que moveu a construção deste novo blog. Os comentários feitos pelos ouvintes-internautas estarão à disposição na coluna da direita (do ponto de vista de quem lê). Os canais pelos quais podemos conversar, também, com destaque para o Twitter, o You Tube, o Orkut e o Flickr. Aliás, as fotos  que estão no álbum do CBN SP no Flickr  também terão mais espaço, em breve.

Ficou mais fácil encontrar nossos colaboradores e seções com a reunião dos textos na coluna “Artigos”. Agora, basta clicar nas “Dicas da Ailin Aleixo” e você tem a relação completa de bares e restaurantes indicados por ela no comentário da CBN, por exemplo. As crônicas da Maria Lucia, assim como as idéias do Carlos Magno, as histórias do Adamo, o cotidiano descrito pela Cátia Toffoletto, a poesia do Mário Quinta, e a minha paixão descrita na Avalanche Tricolor, também estão agrupados. Logo teremos novos colaboradores.

O quadro Conte Sua História de São Paulo que vai ao ar aos sábados no CBN SP e terá edição especial a partir de segunda-feira, ganha destaque no blog. Boa parte dos capítulos que já foi ao ar está reunida em um mesmo espaço. É só clicar e se deliciar com as histórias contadas pelos ouvintes-internautas.

Antigas reivindicações foram incluídas  ao migrarmos para a plataforma do WordPress como as tags e permalinks. E espero que estes utensílios permitam a expansão no número de leitores.

Como era de se esperar, o processo de migração nunca é muito simples como parece. E os posts dos dias sete, oito e nove de janeiro que estavam no blog anterior ainda não chegaram até aqui. Espero recuperá-los até o início desse domingo.

Vou ter de aprender muita coisa ainda para tornar todas as oportunidades possíveis. E, por isso, espero “ouvir” sugestões de você que navega por aqui. Ainda somos uma comunidade pequena, mas muito interessada em aprender.

Participe desta construção !

Foto-ouvinte: Cai a tarde no verão de São Paulo

Pôr-do-sol em São Paulo

O dia começou com cara de verão. Abafado e temperatura alta. Mas não choveu como costuma ocorrer no calor de janeiro. E a cidade assistiu a um pôr-do-sol de causar inveja e provocar lembranças. O fotógrafo e ouvinte-internauta Léo Pinheiro que esqueceu o trânsito complicado no trecho urbano da rodovia Raposo Tavares para registrar esta imagem escreveu que “nem parece São Paulo, mas não se compara aos que já vi no Rio Guaíba, em Porto Alegre”.

Minha modéstia me impede de fazer comentários.

Blog do Joildo disputa prêmio de melhor do Brasil em política

Blog do Joildo

Um dos primeiros ouvintes-internautas a aderir a campanha Adote um Vereador foi Joildo Santos, atuante no programa de alfabetização de jovens e adultos da Escola do Povo, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo. Na mira dele, o comportamento do presidente da Câmara Municipal Antônio Carlos Rodiguez (PR).

Informações sobre a comunidade na qual mora e realiza boa parte de suas atividades, e posts de política e cultural, fazem parte do conteúdo do Blog do Joildo Santos. Logo abaixo do nome dele, o lema que aparece deixa bem claro o desafio que se impõe: “Sobre os ombros de gigantes”.

Trabalho reconhecido, o blog do Joildo está entre os 10 que disputam na categoria “política” o prêmio Best Blogs Brazil, patrocinado pela Campus Party. Clique AQUI para conhecer mais sobre o Blog do Joildo Santos e AQUI para votar nele.

Economia transforma perfil das empresas de ônibus

Por Adamo Bazani

O vale-transporte chega às mãos dos trabalhadores e os empresários deixam de guiar ônibus para dirigir conglomerados na área de transporte público. Hoje, você acompanha o último dos três textos que têm como personagem o busólogo e aposentado do setor de ônibus, João Gilberto, de 63 anos.

A antiga Black & Decker
Da janela do ônibus, João Gilberto assistiu a derrubada do prédio da Black & Decker, na av. Industrial, em Santo André (Foto de 1991)

Nos anos 70, a região metropolitana de São Paulo já tinha cara de gente grande. Bem definida, mais populosa. As ruas estreitas de paralelepípedos davam lugar a avenidas largas e bastante movimentadas. José Gilberto lembra de ver casas nascendo ao longo dos caminhos, pequenas vias sendo demolidas e áreas sendo desapropriadas.

“Aqueles anos foram o boom das desapropriações. Isso lesou muitos cofres públicos, mas tinha de fazer. A Rebouças e a Consolação se alargaram. A tímida Coronel Antônio Fláquer, que liga Santo André a Mauá, se tornou a Perimetral de Santo André, com pistas elevadas e subterrâneas. Eram obras incríveis para a época. Incríveis, mas que hoje são insuficientes pelo privilégio ao transporte individual em detrimento ao coletivo, o que nos anos 70, se tornou notório, apesar desse processo começar nos anos 50” – explica José Gilberto.

O perfil industrial deixava de contemplar pequenas fábricas para ter grandes empresas entre ABC – São Paulo – Osasco e Guarulhos. Muitas linhas de ônibus serviam essencialmente áreas industriais, que levavam operários até os centros das cidades. Depois, eles pegavam linhas menores, com ônibus mais simples, que iam até os bairros operários e residenciais.

O romantismo, de o empresário ser o motorista, o administrador e o mecânico acabava. As viações se tornavam verdadeiramente empresas fortes. O número da frota aumentava e o número de empresas diminuía, segundo José Gilberto.

Os transportes intermunicipais já estavam bem desenvolvidos, ofereciam soluções (nos deslocamentos) e criavam problemas, principalmente por causa da concorrência entre empresas, trânsito, trajetos, pontos de parada e questões gerais de regulação.

A conurbação, fenômeno em que as cidades praticamente são unidas, com limites imaginários apenas, era realidade. O mercado por si só não conseguia se regular. Em 1977, o Governo do Estado de São Paulo foi obrigado a criar a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, para cuidar dos transpores entre as cidades. Antes a responsabilidade era do DER – Departamento de Estradas e Rodagens.

Em 1980, a EMTU é incorporada a Emplasa – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo -, vinculada à Secretaria de Estado de Negócios Metropolitanos, depois Secretaria de Estado de Habitação e Desenvolvimento Urbano de São Paulo.

Mas os transportes interurbanos, intermunicipais e de fretamento, que cresciam com o desenvolvimento das indústrias, de escritórios e instituições educacionais, necessitavam de um tratamento especial. Em 1987, a EMTU foi recriada.

Por causa de políticas públicas, que privilegiam o monopólio de atuação sobre áreas atendidas, e da própria organização do mercado de transportes, muitas empresas de ônibus entre os anos 70 e 80 desapareceram. No ABC, por exemplo, José Gilberto diz ter visto a dissolução de várias que deram lugar a grandes grupos empresariais.
“Lembro-me de ter visto o fim da Viação Nima (que ligava Santo André a Mauá, pelo Parque Novo Oratório), da Viação Monumento (que ligava São Caetano do Sul a São Paulo, pelo bairro de São João Clímaco, na capital paulista), da Irmãos Kamoto (que ligava Santo André a Ribeirão Pires, por Mauá, que até os anos 60 era um vilarejo e os moradores eram chamados de ‘pé vermelho’ por causa das ruas de terra)”. José Gilberto se lembra da extinção também de outras empresas de médio e pequeno portes que serviam Santo André, Mauá, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo e São Paulo, por vários caminhos, ou que interligavam cidades do Grande ABC.

Entre as principais estavam: Auto Bus São Paulo / São Caetano; Viação Príncipe de Gales; Expresso Santa Rita; Viação Santa Terezinha; Viação Progresso; Viação Vila Pires; Viação Andreense e depois Viação Esplanada; Transportes Ivegê; Viação Metrópole; Viação Capuava; Viação Campestre; Expresso Rudge Ramos; Viação São Luiz; Viação Cacique; Viação Alpina (estas duas últimas – Cacique e Alpina – sucumbiram por causa de municipalizações realizadas em São Bernardo do Campo e Santo André, respectivamente, entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90); Viação Padroeira do Brasil, por conta de reestruturação de um grande grupo empresarial do setor.

Algumas empresas se fundiam, outras eram compradas por maiores, muitas permaneceram com seus nomes, mas um empresário era dono de várias, e outras, simplesmente, foram engolidas ou desapareceram. “Empresários, como Francisco Fraquito, fundador de várias empresas do ABC Paulista e São Paulo, e a família Pisaneschi, perderam muito espaço. Outros, como Baltazar José de Souza, a família Constantino, a família Belarmino, Ronam Maria Pinto, ganharam um poder muito grande. Outros, donos de empresas menores, no entanto, como a família Sófio, da Transportes Coletivos Parque das Nações, de Santo André, conseguiram resistir bravamente” – enumera José Gilberto, que conheceu boa parte dos empresários até os anos 80.

O fenômeno não era só da capital e do ABC. Empresas como a Viação Néfer, que ligava a região de Tucuruvi, na cidade de São Paulo, a Guarulhos, desapareceram. E outras, como a Viação Vila Galvão, foram compradas por empresários poderosos.

Definia-se um novo panorama para o setor.

No entanto, mesmo mais fortes e com mentalidade empresarial mais centralizadora, as viações não deixaram de sentir o baque inflacionário e da guerra fiscal entre os anos 80 e 90, quando houve uma outra estruturação nas empresas de ônibus, cuja situação era reflexo de políticas econômicas nacionais e mundiais.

Os anos 80 foram marcados por diversos planos econômicos frustrados que tentaram conter o fantasma da inflação. Os salários ficavam defasados em relação aos preços, o que atingia em cheio as empresas de ônibus. Pois justamente essa classe social mais afetada, a classe trabalhadora, que perdia renda, era a principal clientela das empresas de ônibus.

Muitos deslocamentos tinham de ser feitos a pé, simplesmente, não havia dinheiro para as passagens. Por mais que sofressem reajustes, as passagens de ônibus não podiam acompanhar os aumentos constantes de insumos, como o óleo diesel ou peças para a manutenção, por exemplo.

“Nessa época, os serviços de ônibus se deterioravam muito. Antes os ônibus, como os Coachs eram bem conservados e confortáveis. Começou a se fabricar ônibus no Brasil, pensando em manutenção mais barata e muitas vezes o conforto era minimizado. Os bancos estofados davam lugar aos duros de fibra. Os motores traseiros, mais silenciosos, voltavam a dar a vez para os dianteiros, mais baratos. A manutenção era reduzida. Tinha empresário que esperava o ônibus quebrar, pois valia mais a pena” – conta José Gilberto.

As greves de motoristas e cobradores de ônibus, em buscas de recuperação de perdas salariais, eram constantes. Nos anos 80, no ABC Paulista, as sete cidades da região chegaram a ficar 11 dias sem ônibus.

Para tentar diminuir as perdas em 1985 é instituído o Vale Transporte, que servia como pagamento à vista das viagens que ocorreriam no mês. Os empregadores descontavam parte dos salários dos trabalhadores, que se livravam dos reajustes das tarifas, as empresas de ônibus tinham um dinheiro em caixa e a evasão de passageiros viria a diminuir. Em 1987, o Vale Transporte se torna obrigatório por Lei Federal.

O problema era estrutural, não estava resolvido, mas amenizado. Mais uma vez, apenas os grandes grupos empresariais de ônibus tiveram condições de sobreviver.

Para se ter uma idéia de como a história dos transportes coletivos é tão ativa e de tão refletora da situação econômica do País e das cidades, em meados dos anos 90, quando o fantasma inflacionário começou a ser contido, surge outro problema que fez o setor se adaptar, a guerra fiscal;

“Novamente vi a região Metropolitana mudar.:Primeiro era a região de matas, rios e bairros distantes, depois das indústrias e grandes empresas e agora, a cena foi tomada por galpões de fábricas abandonados e o comércio tomando o lugar das indústrias”

Com a Guerra Fiscal, municípios do interior e de outros Estados, para atrair as indústrias da região metropolitana de São Paulo, cediam terrenos de graça, davam uma série de isenções de impostos e as taxas de consumo, como energia elétrica e fornecimento de água, eram bem mais baixas. A degradação das regiões industriais da Grande São Paulo foi mais um cenário visto pelas janelas dos ônibus por José Gilberto. “A Avenida Industrial, em Santo André, tinha fábrica de ponta a ponta. Hoje em dia, é tudo abandonado.”

Grandes galpões, como os da Black & Decker, em Santo André, viraram shopping center. Também em Santo André, a fábrica de carrocerias de ônibus Cardoso, hoje abriga um supermercado. O mesmo ocorreu com a antiga Internacional, que fazia chassis e motores de ônibus e caminhões, em Santo André. Hoje é supermercado. Muitas fábricas de móveis, em São Bernardo do Campo, viraram lojas de veículos e igrejas evangélicas.

“Na Mooca e na av. Presidente Wilson, em São Paulo, a cena é bem diferente. Os prédios das fábricas são os mesmos, mas boa parte, abandonada”.

Galpões abrigaram indústrias
Terrenos abandonados de indústrias se transformam em pontos de prostituição, na av. Industrial, em Santo André

Para José Gilberto, o caso mais emblemático, no entanto, é a região da av. Industrial. A avenida, em Santo André, uma boa parte de paralelepípedo, por onde passam poucas linhas de ônibus, a maioria em direção a faculdades e a um Terminal Rodoviário próximo dali, é desde os anos 80, um dos pontos mais violentos de prostituição.

“As mãe operárias, às vezes levavam as crianças para as fábricas, e a avenida era cheia de famílias de operários, que iam levar marmita ou esperar o chefe da casa terminar o expediente. Hoje, em plena luz do dia, travestis, seminus se exibem em plena luz do dia”. O tráfico de drogas ligado à prostituição também marca o local.

De 20 anos para cá, deixaram a av. Industrial, a Jutifício Maria Luíza, a Fogal, a Fichet, a Adubos Copas, Adubos Takenaka, Ventiladores Pedro Neunhaus, Black & Decker/ G&E, Irmãos Vassoler, Labortex, Pierre Sabi, Nordon, Hamico – CBC (companhia Brasileira de Cartuchos), Copas – Ouro Verde Adubos, IAP Fertilizantes, Molas Falbo, Café esporte Indústria Mecânica Krause, Cananéia Comércio de Peixes, Máquinas MG, Metalúrgica Quasar, entre outros. Na av. Pereira Barreto, entre Santo André e São Bernardo, havia a Festo, a KS Pistões, a Tognato, Codama, entre outras. Uma parte faliu e outra foi para o interior.

Os transportes tiveram de se adaptar. Primeiro, porque houve mais uma onda de desemprego. A renda nos estabelecimentos comerciais era menor que nas indústrias, ou seja, novamente, a clientela das empresas de ônibus, sofreu um baque. Além disso, várias linhas que passavam por regiões industriais, simplesmente deixaram de existir. E havia empresas que praticamente só tinha linhas que servia regiões industriais. A Viação Esplanada, hoje extinta, e assumida pela Viação São Camilo, passava por bairros com pequenas indústrias.

Outras linhas tiveram queda da demanda expressiva. Anteriormente, uma linha, que ligava Santo André a São Paulo, a 151, da extinta Viação Padroeira do Brasil, que tinha um ponto final perto da antiga Fábrica Troll, perto da Anchieta, e passava pelo antigo Centro de Pesquisas da Ford e por várias fábricas na região de Rudge Ramos e Vila Vivaldi, em São Bernardo do Campo, só não acabou de vez por conta de estudantes de faculdades atendidas pelo itinerário. No entanto, uma nova empresa, a Urbana de Santo André, assumiu a linha que, pela demanda, só opera com micro-ônibus. “Antes, aqueles Padron Alvorada Ciferal grande da Padroeira que faziam essa linha, eram pequenos de tanta gente que levava”.

José Gilberto é enfático ao dizer que prefere muito mais os transportes nos anos 60, apesar das limitações tecnológicas e das vias não muito preparadas para tráfego pesado. “Era mais romântico. O passageiro era tratado com respeito. Se alguém entrasse no ônibus e rasgasse a roupa por causa de um parafuso exposto, na hora, pagavam o estrago pro passageiro. Nós tínhamos acesso com os donos de empresas de ônibus e eles estavam mais próximos da comunidade” – relembra José Gilberto, que finaliza seu passeio pela linha do tempo, lembrando de um fato curioso que ilustra essa relação entre empresários e comunidade.

Um dos donos da EAOSA, nos anos 50 e 60, fundador da Viação Alpina, de Santo André, Luis Fogli, usava uma estratégia inusitada para punir motoristas que não paravam para pegar passageiro no ponto. Assim que recebia alguma reclamação, seguia o ônibus de carro, muitas vezes alugado para não ser reconhecido pelos funcionários. Confirmado o desrespeito com o passageiro, no fim da linha ela advertia o motorista que tinha de voltar a pé para casa. O próprio Fogli dirigia o ônibus na viagem de volta.
“É claro que pela profissionalização, mudança de postura do mercado e até mesmo pela segurança (nos anos 90, muitos empresários de ônibus foram seqüestrado), isso não é mais possível de se ver, mas dá saudade. A gente se sentia valorizado, protegido”

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo. Toda semana escreve mais um capítulo da história dos ônibus na Região Metropolitana de São Paulo aqui no blog.

Ministério Público investiga orelhões que causam perigo a deficientes

Orelhão sinalizado

A mudança dos orelhões por totens com telefone público é um dos pedidos de portadores de deficiência. O formato dessas cabines é considerado perigoso pois causa sérios riscos de acidentes principalmente às pessoas com restrição visual. A arquiteta Adriana Almeida Prado, do Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas de Atendimento Municipal), criticou o uso desses equipamentos pela Telefonica, em São Paulo, durante entrevista ao CBN SP: “Eles não usam orelhões na Espanha por que usam por aqui ?”.

Nessa semana, ao falar sobre as barreiras que existem nas calçadas paulistanas, comentei da entrevista que havia ido ao ar no dia 1o de janeiro sobre o lançamento do livro “Acessibilidade Nos Municípios – como aplicar o Decreto 5.296/04” e fiz referência as armadilhas que estes orelhões se transformaram no passeio público.

O tema foi parar no Grupo de Atuação Especial de Proteção às Pessoas Portadoras de Deficiência do Ministério Público de São Paulo que apesar do nome pomposo conta com apenas dois promotores na capital. Um deles é Julio Botelho entrevistado nessa quarta-feira que anunciou o início de investigação para verificar a questão envolvendo os riscos geradores pelos orelhões.

“Até já pensei em andar por aí com uma marreta a tiracolo para depredar esses orelhões amaldiçoados, sempre que algum deles me acertasse a testa, o nariz, o ombro… E faria questão de chamar a polícia eu mesmo para que me indiciassem por vandalismo, assim eu aproveitaria para também formalizar denúncia por lesão corporal…”. O recado indignado é do ouvinte-internauta Paulo Romeu, deficiente visual, que afirma ser uma antiga reivindicação a retirada desses equipamentos na cidade. Os pedidos se iniciaram nos tempos em que a Telesp tinha o monopólio do serviço na capital paulista, segundo e-mail enviado ao programa.

A vereadora Mara Gabrilli (PSDB) também escreveu, após ouvir a entrevista com o promotor Júlio Botelho, para reforçar a mensagem sobre o “desenho universal”, conceito considerado importante para derrubar barreiras que impedem a participação do cidadão na sociedade. “Utensílios domésticos, ambientes, vias públicas, veículos, e outros produtos, projetados com desenho universal fornecem igualdade de condições de acesso e uso para toda a diversidade humana: de crianças a adultos muito altos ou baixos, sem esquecer os idosos, gestantes, anões, obesos e pessoas com deficiência”, escreveu.

Ex-secretária da Pessoa Com Deficiência e Mobilidade Reduzida na capital paulista, Mara Gabrilli ensina que “por meio do desenho universal, por exemplo, todos os orelhões seriam sinalizados com piso de alerta para evitar as batidas de cabeça de pessoas cegas ou mesmo das distraídas. Não é preciso mudar todos os orelhões da cidade – tema que você tem, acertadamente, mostrado preocupação – mas sinalizá-los como os que estão nas calçadas da Avenida Paulista”.

Ouça o que disse a arquiteta Adriana Almeida Prado, organizadora do livro “Acessibilidade Nos Municípios – como aplicar o Decreto 5.296/04”, publicado pelo Cepam:

Ouça a entrevista com o promotor de Justiça Júlio César Botelho:

Agora o outro ladoA Telefonica informou que não havia ninguém disponível para falar sobre o tema e enviou nota ao CBN SP na qual se refere a adaptação dos telefones públicos para pessoas com deficiência:

“A instalação de telefones públicos adaptados pela Telefônica para deficientes atende à determinação da Legislação, chegando à 4,35% do total da planta de telefones públicos no Estado, enquanto a Lei obriga que 2% do total da planta seja adaptado. Além disso, todos os 250 mil orelhões do Estado estão adaptados para deficiente visual por meio da tecla de número 5”.

Mudanças na mudança das regras

Por Carlos Magno Gibrail

Por problemas técnicos na migração do blog, este artigo teve de ser publicado novamente. Infelizmente, os comentários que estavam no post original não puderam ser reproduzidos aqui


Nova bola “inteligente” poderá ser o elemento mais esclarecido dentro dos campos de futebol

A frase acima, publicada em Lisboa, logo após o jogo final da Copa Mundial de Clubes em 2007, previa com humor que dificilmente a FIFA permitiria a existência deste estranho elemento “inteligência” no mundo do futebol.

E os portugueses estavam certos. Vôlei, basquete, F1, tênis dentre outros, são esportes, que visando adaptarem-se as mudanças no mundo fizeram múltiplas reformas normativas.

Buscando mais justiça, segurança, emoção e respeitando a evolução dos meios de comunicação, modernizando os antigos e utilizando os novos, estes esportes aboliram duplos saques, criaram “tié-brakes”, evitaram motores possantes em demasia, utilizaram sistemas eletrônicos para identificação de bolas nas linhas, etc.

E o futebol, este esporte mais popular do mundo?

A FIFA avaliou que a bola inteligente retira emoção do futebol. A partir daí voltamos aos portugueses, pois desconsiderar que a emoção é o próprio futebol e não suas injustiças e erros é abandonar definitivamente o elemento inteligência.

Milton Jung esclarece: “Nos anos 60-70 os jogadores de futebol percorriam de seis a sete quilômetros durante os 90 minutos de uma partida. Atualmente, correm até 15 quilômetros (se não me engano eram esses os números). O filósofo Mário Sérgio Cortella que assisti em São Paulo, há dois meses, ilustrou com estes dados a evolução do tempo na vida do ser humano. O mundo sempre se desenvolveu, mas nunca na velocidade com que vemos (ou não!) hoje em dia. Cortella chamou atenção de que a quilometragem percorrida pelo jogador aumentou sem que as regras do esporte tivessem sido modificadas: o campo tem o mesmo tamanho; o número de jogadores é igual; a quantidade de bolas, também; e o objetivo de fazer o gol, mais ainda”.

As transformações vieram dos técnicos, dos fornecedores de roupas, acessórios, equipamentos e sistemas relacionados ao jogo, de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas. E de patrocinadores e anunciantes.

Da direção, FIFA e associados, apenas tímidas mudanças, tipo atrasar bola para goleiro, lateral sem impedimento. Embora modestas, tiveram impacto positivo. Podemos imaginar, portanto o resultado se houvesse mudanças mais pertinentes aos tempos modernos.

Chico Anysio, aficionado intenso e extenso , dado o número de times que já torceu, dá sua contribuição em e-mail que me enviou, do qual extraio os seguintes tópicos, agradecendo imensamente a sua atenção.

– A supressão de um jogador de cada time

– Em vez de o jogo ser disputado em dois tempos de 45 minutos, passar a ser disputado em 4 tempos de 20 minutos, só sendo contados os minutos de bola correndo. O tempo do jogo passaria a ser uma atribuição do 4° juiz. O intervalo do primeiro tempo de 20 minutos será de cinco minutos, com os jogadores permanecendo no campo e o técnico tendo o direito de lhes dar instruções. O intervalo entre o segundo e o terceiro tempo será de 12 minutos, com os times indo para os vestiários

– Cada equipe poderá fazer até 5 substituições nos dois primeiros tempos e mais 5 nos dois últimos; jogadores substituídos podem retornar ao campo quantas vezes forem necessárias.

– A bola só sai quando toca no chão (a exemplo do que acontece no vôlei).

– Serão criados dois outros cartões: o branco – que expulsa o jogador por 10 minutos e o azul que obriga o técnico a retirar aquele jogador que recebeu o cartão e colocar outro no seu lugar; este jogador que sair estará eliminado da partida.

Milton Jung complementa: “Jamais os árbitros serão capazes de evoluir da mesma forma que o jogo, portanto precisam do apoio tecnológico para que suas funções sejam exercidas com justiça. E em nome desta justiça entendo que a revisão de lances específicos deve ser permitida. Para mim, a regra do tênis que limita o número de pedidos de revisão é dos melhores exemplos a se seguir”.

Acredito que a questão fundamental é relativa a manutenção do poder. Na medida em que recursos tecnológicos deixam de ser usados, a dominância dos árbitros permanece excessiva e consequentemente a dos dirigentes também.

Antevejo que a solução deverá vir do próprio poder, mas o poder econômico, através dos patrocinadores, tipo Nike, Adidas, Reebok, TVs. Assim como de empresas que venham a ter interesse de fornecimento de tecnologias novas e estejam dispostas a arcar com pedágio inicial.

“O futebol não é questão de vida ou morte. É muito mais que isso”. Bill Shankly, saudoso técnico do Liverpool.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira escreve aqui no blog. Já cansou de ver seu time prejudicado pelos árbitros que não enxergam o que a tecnologia revela. Eu, também.