Por direitos humanos, Greenpeace protesta na Paulista

Em mais uma performance dos manifestantes do Greenpeace, jovens usaram algemas e se prenderam uns aos outros no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. O protesto quando se comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi realizado em vários países em apoio a dois ativistas japoneses que podem ser condenados a até 30 anos de prisão. Junichi Sato e Toru Suzuki foram presos após denunciarem esquema de venda de carne de baleia, proibida por uma moratória por mais de 20 anos, envolvendo o governo japonês.

Leia a carta que pede retirada da revisão do Plano Diretor

Esta é a carta que será encaminhada aos vereadores de São Paulo explicando porque entidades ligadas ao urbanismo pedem a retirada da proposta de revisão do Plano Diretor, feita pela prefeitura, da Câmara Municipal. (saiba mais ouvindo entrevistas três posts abaixo)

“Por uma cidade justa, democrática e sustentável

São Paulo, 29 de novembro de 2008

À População e aos Dirigentes da cidade de São Paulo.

O Estatuto da Cidade, Lei Federal nº 10.257 de 10 de julho de 2001, estabeleceu instrumentos fundamentais de política urbana e gestão participativa vinculadas ao Plano Diretor, o qual torna-se obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes.

O Plano Diretor Estratégico, Lei Municipal nº 13.430, de 13 de setembro de 2002, define metas, diretrizes e ações estratégicas para o desenvolvimento econômico e social, o desenvolvimento humano e o desenvolvimento urbano e do meio ambiente para todo o Município. Em 25 de agosto de 2004 foi aprovada Lei 13.885, que estabelece o Plano Regional Estratégico de cada uma das 31 Subprefeituras e também as regras para o uso e ocupação do solo, ou seja, o zoneamento da cidade.

As regras estabelecidas nestas leis determinam como a cidade se estrutura e como se darão a organização e a produção dos espaços e atividades urbanas em função desta estrutura. As principais preocupações demonstradas nestes instrumentos de planejamento foram relativas à função social da cidade e da propriedade urbana, ao estabelecimento de instrumentos de gestão que possibilitem melhor distribuição das oportunidades e riquezas gerando inclusão social e à preservação e recuperação do meio ambiente.

Mas não se pode esquecer de dois aspectos fundamentais destes planos: a descentralização da gestão dando maior autonomia às Subprefeituras aliada à efetiva participação popular no processo de planejamento da cidade e suas regiões.

O Plano Diretor Estratégico prevê diretrizes de curto e longo prazos em horizonte até o ano de 2012, com uma revisão prevista em seu artigo 293 para 2006, exclusivamente da Lei 13.430, para adequação das ações estratégicas nele contidas e acréscimo de áreas passíveis da aplicação dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade. Qualquer revisão anterior a 2012, portanto, deve se ater ao limite estabelecido por este artigo e deve ser precedida de uma criteriosa análise dos resultados do que tenha sido implantado efetivamente como ação estratégica de curto prazo.

Ora, se grande parte dos 34 artigos que deveriam ser regulamentados não o foram e a maior parte das ações estratégicas não foram implantadas até hoje, não é cabível uma revisão ou transformação de conteúdo, neste momento, que vá além de corrigenda de pequenos erros que permaneceram no texto original da Lei.

O Projeto de Lei nº 671/2007 que tramita na Câmara Municipal de São Paulo, apresentado em outubro de 2007 pelo Executivo não só deixa de atender o que determina o referido artigo 293, alterando disposições de uso e ocupação do solo, pertinentes exclusivamente à Lei nº 13.885/2004, como altera substancialmente o Conteúdo do Plano Diretor Estratégico.
Dentre as alterações mais preocupantes apresentadas pelo PL 671/2007, cabe destacar-se:

“A supressão, pela retirada dos artigos 17 a 53, das Políticas Públicas Setoriais: Turismo; Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida; Trabalho, Emprego e Renda; Educação; Saúde; Assistência Social; Cultura; Esportes, Lazer e Recreação; Segurança Urbana; Abastecimento e Agricultura Urbana. Esta supressão tira do Plano Diretor seu caráter estratégico, eliminando diretrizes e ações estratégicas que articulam os diversos setores no planejamento do desenvolvimento econômico e social da cidade.

“A supressão de vários dispositivos de controle e participação popular e de fortalecimento dos movimentos sociais, como o artigo 46, que altera a redação do artigo 79 da Lei 13.430 com exclusão do inciso XII; o artigo 47 que altera a redação do artigo 80 da Lei 13.430 com a exclusão do inciso III; o artigo 58 que altera a redação do artigo 92 da Lei 13.430 com a exclusão do inciso III; o artigo 65 que altera a redação do artigo 97 da Lei 13.430 com a exclusão do inciso II; a alteração que o artigo 241 dá à redação do artigo 266 da Lei 13.430 e os artigos 137 e 138 que alteram a redação do artigo 175 com a retirada do parágrafo primeiro, eliminando o Conselho Gestor das ZEIS.

“O artigo 136 impõe alterações drásticas às disposições do artigo 176 da Lei 13.430, como a exclusão de percentual mínimo de área construída dedicada à Habitação de Interesse Popular. Por se tratar de artigo que define as normas básicas para a aprovação do parcelamento, uso e ocupação do solo nas ZEIS, esses parâmetros deveriam ser mantidos e apenas corrigidos conforme as determinações do artigo 139 da Lei 13.885/2004.

“O mesmo artigo 136 abre a possibilidade de que a destinação de Habitação de Interesse Social, proporcional à área construída em novas edificações, reformas para mudança de uso ou reforma de edifícios residenciais não ocupados ou sub utilizados em ZEIS, seja aplicada não apenas na mesma ZEIS mas em outras a critério do Executivo, o que pode acelerar um processo de expulsão das Habitações de Interesse Popular para a periferia ou locais carentes de serviços públicos.

“A retirada, no Capítulo III, das Macrozonas e Zonas de Uso, de todas as Macroáreas, definidas na LEI 13.430/2002 em seu artigos 151 a 153 e 155 a 158. Estas Macroáreas permitem justamente um planejamento territorial de longo prazo mais consistente, com a definição de vocação e características de porções do território que determinam diretrizes específicas de desenvolvimento ou controle de expansão, adequando sempre a ocupação às capacidades ambientais e de infra-estrutura.

“Os artigos 120 a 123 tratam de matéria de zoneamento exclusiva da Lei 13.885/2004, que não é objeto de revisão, segundo decisão judicial. O item b) do inciso III do artigo 122, inclusive, altera o coeficiente de aproveitamento máximo das Zonas Mistas denominadas ZM3b de 2,5 (duas vezes e meia a área do terreno), conforme determina o item d) do inciso III do artigo 108 da Lei 13.885/2004, para coeficiente de aproveitamento máximo igual a 4,0 (quatro vezes a área do terreno), propiciando um adensamento muito maior nestas zonas.

“Foram suprimidos os prazos para a apresentação e aprovação do Plano de Habitação e do Plano de Circulação Viária e Transportes.

“Tão grave quanto as alterações de conteúdo no projeto que está sendo encaminhado pelo Executivo, é o fato da sociedade não reconhecer como legítimas as audiências públicas, e o processo de consulta pública no todo, que a Prefeitura alega ter realizado. A forma e linguagem herméticas e excessivamente técnicas de apresentação do projeto impossibilitaram à grande maioria das pessoas uma compreensão clara dos regulamentos propostos e seus efeitos e conseqüências no território e na vida da população.

Todas estas alterações demonstram uma orientação fragmentada do PL 671/2007, que não só reforça como agrava o erro de não levar em conta, de maneira consistente e propositiva, a questão da sustentabilidade em todas as políticas públicas e na regulamentação do uso e ocupação do solo, comprometendo a capacidade da cidade de dar suporte à vida humana com qualidade.

Pelas razões aqui expostas, nós, signatários desta Carta Social, rejeitamos o Projeto de Lei 671/2007 e qualquer proposta de revisão da Lei Municipal nº 13.430 de 13 de setembro de 2002, o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, que continue a incorrer nos problemas ora apresentados.

Qualquer projeto de revisão do Plano Diretor Estratégico que venha a ser conduzido pelo Poder Executivo de São Paulo deverá, no nosso entendimento, apresentar necessariamente as seguintes condições:

“Que não altere qualquer determinação da Lei 13.885 de 25 de agosto de 2004, uma vez que esta não é objeto de revisão;

“Que o processo participativo de elaboração seja verdadeiramente amplo e legítimo, com exposição clara e pedagógica das propostas de maneira acessível a qualquer pessoa;

“Que sejam considerados os critérios e princípios de sustentabilidade em todos os aspectos do Plano e não apenas nas políticas ambientais específicas;

“Que sejam criados dispositivos concretos de captura e transferência para a coletividade da valorização urbana;

“Que sejam mantidos os conceitos, critérios e definições das ZEIS, corrigidos segundo as disposições da Lei 13.885 de 25 de agosto de 2004;

“Que sejam mantidas as políticas sociais e de desenvolvimento como na íntegra do Título II da Lei 13.430 de 13 de setembro de 2002;

“Que sejam definidos instrumentos que contenham o adensamento ambientalmente insustentável mas que também criem condições de repovoamento de áreas consolidadas da cidade;

“Que sejam mantidas as Macroáreas como importante instrumento de planejamento;

“Que seja acompanhado dos planos setoriais como Habitação e Circulação e Transportes e da determinação de que os regulamentos específicos das Operações Urbanas Consorciadas e das Áreas de Intervenção Urbana estejam submetidos às disposições destes Planos;

“Que sejam mantidas e todas as instâncias de participação e controle popular criadas pela Lei 13.430 de 13 de setembro de 2002.

Com o objetivo de construir uma cidade justa, democrática e sustentável, onde a qualidade de vida da população e o desenvolvimento social com redução de diferenças e inclusão sejam reconhecidos pelo Poder Executivo, através do Plano Diretor Estratégico, como conquistas mais importantes que a contemplação de qualquer interesse setorial ou privado, subscrevem esta Carta:

Comissão Executiva do Seminário em Defesa do Plano Diretor Estratégico
Movimento Defenda São Paulo
Movimento Nossa São Paulo
Instituto Polis
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo
Central de Movimentos Populares
União dos Movimentos de Moradia
Fórum Centro Vivo
Mandato do Vereador Chico Macena
Arquiteto Jorge Wilheim
Arquiteto Nabil Bonduki

Corte no orçamento atinge áreas de serviço em São Paulo

Mais de 12% do dinheiro previsto para ser investido no setor de serviço da capital paulista será cortado do Orçamento Municipal proposto pela prefeitura. Isto atinge, por exemplo, a área de manutenção da iluminação pública, crítica de acordo com todas as pesquisas de satisfação – ou insatisfação – do paulistano. De acordo com o líder do Governo na Câmara Municipal, vereador José Police Neto (PSDB), a medida apenas “reduzirá o ritmo de inovação”.

Ouça a entrevista concedida ao CBN São Paulo:

Responsabilidade fiscal tem de limitar verba “livre” da prefeitura

O total de dinheiro que a prefeitura de São Paulo terá ano que vem para investir em qualquer área que bem entender será de 15% do Orçamento a ser aprovado pela Câmara de Vereadores que ficará em torno de R$ 27 bilhões. Isto significa que esse valor, conhecido como verba de remanejamento, não precisará atender as prioridades propostas pelos vereadores ou mesmo pelo cidadão através dos debates públicos – que já são pouco, diga-se de passagem.

Para o economista Amir Khair, ex-secretário de finanças do município de São Paulo na gestão Luisa Erundina, a Lei de Responsabilidade Fiscal teria de impor limites a este índice. Lembra que no Estado de São Paulo chega a 17% e em algumas cidades em até 50%.

Ouça a entrevista de Amir Khair, professor da Fundação Getúlio Vargas, ao CBN São Paulo na qual fala sobre a saúde financeira da cidade de São Paulo entre outros temas:

Entidades querem retirar revisão do Plano Diretor da Câmara

Um grupo de entidades que atuam na cidade de São Paulo publicará carta pedindo que a prefeitura retire da Câmara Municipal a proposta de revisão do Plano Diretor. Nossa São Paulo, Defenda São Paulo, Instituto Polis e União de Movimento de Moradias se reúnem nesta segunda-feira, na Casa da Cidade, para redigir o documento que reclama da falta de participação popular no debate e de mudanças apresentadas pela prefeitura que extrapolam o previsto em lei.

O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Nabil Bonduki, que foi vereador de São Paulo pelo PT, explica em entrevista as razões para que a prefeitura não discuta o tema, neste momento, na Câmara:

Agora o outro lado

Para o líder do Governo na Câmara, vereador José Police Neto (PSDB), o desejo apresentado por entidades está relacionado ao fato de o projeto de revisão estar há um ano no legislativo sem ter sido debatido até agora. O tucano discorda, porém, que a prefeitura esteja fazendo mudanças no Plano Diretor que não seria permitidas por lei:

Condomínio sem brigada de incêndio, é fogo !



Por Márcio Rachkorsky

No dia 29/11, um apartamento pegou fogo na Vila Madalena, Zona Oeste de SP, sem deixar vítimas. No dia 06/12, no Maracanã, Rio de Janeiro, duas pessoas morreram e três ficaram feridas, em incêndio ocorrido num apartamento, possivelmente em razão de uma bituca de cigarro acesa, segundo os bombeiros. Todo condomínio, por força de Lei, é obrigado a manter uma brigada de incêndio. Ocorre que, na grande maioria dos prédios, especialmente residenciais, ninguém sabe como agir em caso de incêndio. Essencial que síndicos e administradores realizem um trabalho informativo e de conscientização, para que tragédias sejam evitadas.

Em conversa com um amigo, que atua como engenheiro de segurança e com um Oficial do Corpo de Bombeiros, tive a preocupante notícia que, nos cursos obrigatórios de brigada de incêndio, ministrados nos condomínios, dificilmente ocorre a participação dos moradores. Na esmagadora maioria dos casos, zelador e síndico acabam virando brigadistas e os demais moradores sequer manifestam interesse acerca de tema tão importante. Saber operar corretamente um hidrante, uma mangueira, é fator decisivo para combater as chamas.

Em seu condomínio, seja um brigadista. O treinamento é rápido e muito gratificante. Informe-se com o síndico sobre o próximo curso e chame os vizinhos, pois a brigada de incêndio, além de obrigatória, salva vidas !

Márcio Rachkorsky é advogado especializado em condomínios. Toda segunda, escreve um artigo inédito aqui no blog. Quartas e sextas, às 11 da manhã, tira dúvidas enviadas por ouvintes-internautas no quadro Condomínio Legal, da CBN.

Presépio vivo na Ponte Estaiada

Seis homens pendurados a 100 metros de altura preparavam a decoração de Natal na ponte estaiada, no bairro do Brooklin, em São Paulo, neste fim de semana. Quase não se percebia a ação desses alpinistas minúsculos ao lado de algumas das 80 estrelas já instaladas. Cada um delas tem quatro metros de altura. Ao fim do trabalho, teremos uma gigantesca árvore de Natal que “dançarᔠde acordo com o ritmo da música a ser tocada. A inauguração será no dia 11 de dezembro, quinta próxima. Um espetáculo que poderá ser apreciado de dentro dos carros que costumam parar sobre e embaixo da ponte em congestionamentos sem fim.

Avalanche Tricolor: Tenho orgulho de ser gremista !

Grêmio 2 x 0 Atlético – MG
Brasileiro – Olímpico

Um aplauso emocionante tomou as arquibancadas do Olímpico Monumental no momento em que se encerrava a partida em Gama, no Distrito Federal. O jogo ainda estava em andamento em Porto Alegre. O Grêmio vencia por 2 a 0 o Atlético Mineiro. E se consagrava naquele instante vice-campeão de uma competição na qual venceu o primeiro turno, foi mais tempo líder do que todos os demais, contrariou a previsão de analistas que jamais acreditaram no time gaúcho, mas não conseguiu se manter a frente de um adversário bem estruturado, mais experiente e mais rico.

O canto que ecoou a partir da Geral do Grêmio – lá onde você vê acontecer a avalanche – era de uma torcida que entendia seu time, e sabia do significado de estar mais uma vez disputando um título até o fim. A música cantada pelos torcedores era a mesma que marcou a trajetória gremista na primeira Libertadores da América, em 1983. O grito arrastado de Grêmio, Grêmio, Grêmio não era de lamento, de tristeza. Era o orgulho de ver o tricolor novamente na disputa da América. O Brasileiro é apenas a estrada que nos permitirá alcançar nosso verdadeiro objetivo: ser campeão da Libertadores.

Há três anos, o Grêmio deixava a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro de forma heróica. Há dois conquistava vaga na Libertadores. Há um, estava na final da competição sul-americana. É para lá que voltaremos ano que vem.

Não me pergunte se eu não gostaria de estar no lugar do torcedor do São Paulo que estoura foguetes de campeão no momento em que escrevo, aqui em casa, minha última Avalanche do ano. Eu, você, torça para o time que torcer, todos nós gostaríamos.

Entenda, porém, que o o sentimento que move o gremista nesta noite de domingo é o de se orgulhar do time para o qual torce, mesmo que ele não seja capaz de se tornar campeão.

Pobre de espírito aquele que não sabe reconhecer este sentimento. Triste dos que somente são capazes de enxergar satisfação na vitória final de um campeonato . A vida de um time se constrói ao longo de sua história. Não apenas no que acontece hoje. Mas no que fez no passado e no que ainda pode almejar.

E o Grêmio ainda pode muito.

Avalanche Tricolor é escrita sempre no momento em que a emoção do torcedor ainda supera a maturidade do jornalista. Tem sido assim desde o primeiro jogo do Grêmio, neste ano. E prometo voltar com este espaço ano que vem quando, mais uma vez, acompanharei a saga de um time que jamais aceitou ser coadjuvante na história do futebol.

E agora, tchê !?

Suborno ? Fofoca ? Solução só na segunda ? Dinheiro ou ingresso ? Madonna ? O show continua ? ? Interrompe o campeonato ? Envelope branco ? Mas não era mala branca ? Quem pagou ? Quem contou ? Foi só agora ? Tem mais gente ? Eu só estava preocupado se o Tcheco jogaria bem, tchê !?

De planetas e expressões

Por Maria Lucia Solla

Olá!

Plutão é o planeta mais afastado do sol, e sua composição de rocha e gelo indica um temperamento nada acalentador. Tendo recebido o nome do deus do submundo e da riqueza, governa a morte, o invisível e o mistério. É símbolo de crise, renascimento, cura, e de tudo o que mora no reino do inconsciente. Quando está por perto, Plutão nos leva a pôr os pingos nos is; mesmo que estes estejam pendurados num penhasco aterrador. Com a força do vulcão, traz à superfície as impurezas que não podem mais permanecer ocultas. Plutão pode expressar medo, manipulação, corrupção, luxúria, vingança, vício e obsessão, mas contrapõe poder, força e coragem.

Podemos prever as possibilidades que os planetas nos trazem como resultado de suas associações e oposições, mas friso que a astrologia, ao contrário do que se imagina, não impõe comportamento ou regra. Não adivinha. Permite-nos, ao contrário, desenhar um mapa que aponte onde pode haver turbulência, mas a forma como lidamos com essa informação e influência é da alçada do livre-arbítrio de cada um.

Assim, frente a crises, por exemplo, podemos assumir a postura da árvore rígida, que periga quebrar ao primeiro vendaval, ou optar pela postura do bambu que se verga ao vento e depois dança sob o sol. Já não temos dúvida quanto à influência dos astros em todo tipo de vida, não só na vida humana, mas essa influência não determina o uso que faremos dela. Agora, em pleno terceiro milênio, esqueça! Não há santo, promessa, oráculo, vela, magia ou dízimo que viva a vida por nós. Nossas atitudes, acompanhadas de nossas palavras, são a expressão do estado de nossa alma. Se você ainda não aprendeu a emitir e receber essas expressões, de livre e expontânea vontade, agora vai; querendo ou não. Com meu mestre de Aikidô aprendi que não se deve contrapor força a uma força contrária. Se ela vier com a intenção de derrubar, você usa estratégia. É quase um balé. Então ela passa, segue o curso dela, e você segue o seu. Segundo Hermes Trimegistro, pai do Hermetismo: acima como abaixo, dentro como fora, no universo como no coração. E você, como se expressa?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Na voz da autora:

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de inglês e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo que Doa”. Todo domingo conversa coma gerte aqui no blog.