
Um gremista contra tudo e contra todos
Grêmio 1 x 0 Sport
Brasileiro – Olímpico Monumental
Rever com a faixa de capitão no braço sentia uma dor insuportável na perna, a mesma com que despachou a bola que chegava próximo da área quando faltava menos de um minuto para o fim do jogo. O jovem gremista Felipe Mattione, sempre pronto para desarmar o atacante com categoria, não encontrava mais fôlego depois de tantas subidas ao ataque mas conseguiu com a ponta de sua chuteira enviar ao espaço outra bola que se aproximava do nosso gol. Tcheco tinha a camisa colada no corpo tal o suor que lhe cercava, mas não pensou no risco que corria ao dividir com o volante adversário. E Vitor, como foi grande, maior ainda do que já é, no momento em que se esticou todo para alcançar uma bola que tinha endereço certo (desculpe-me pelo lugar-comum, é a emoção).
Todos ali no campo pareciam estar contaminados pelo espírito de um outro herói que já vestiu a camisa do Grêmio e, desta vez, estava do lado de lá: o talentoso Sandro Goiano. Ele faz parte de uma pequena parcela de jogadores que pode vestir qualquer camisa, pode lutar por qualquer time, pode brigar com o juiz por qualquer esquadrão, mas sempre será reverenciado no estádio Olímpico. Hoje à noite, recebeu homenagens, teve seu nome ovacionado na geral, principalmente quando aplicou um carrinho (que saudades daqueles carrinhos), viu sua imagem estampada em uma bandeira na arquibancada, jogou sua camisa para a torcida ao fim do primeiro tempo.
Alguém dirá que o Grêmio só venceu por um gol seu adversário. Meu amigo e mestre Juca Kfouri talvez siga em sua aposta de que o Imortal não conseguirá vaga para Libertadores. Outro que não merece ter seu nome aqui citado irá berrar que as conquistas tricolores estão manchadas por erros de árbitros (deveria ver o que o auxiliar do jogo de hoje fez em uma arrancada livre de Souza). Mas todos irão dormir sabendo que, aconteça o que acontecer, o Grêmio seguirá para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro líder mais uma vez. E na Libertadores da América, nosso objetivo maior.
Ao fim da partida, alguém perguntou a Rever, o mesmo que gemia de dor em campo, sobre a decisão que será o próximo jogo, semana que vem, contra o Cruzeiro, em Minas Gerais. Decisão ? Todos os jogos são decisivos para nós.
Esta é a mensagem que eles não entendem, Rever. Para o Grêmio é sempre final de campeonato. É sempre preciso provar que merece, É sempre necessário lutar, suar, chutar, dar carrinho e chorar ao fim de um jogo como se tivéssemos ganho mais uma guerra.
Na noite desta quinta, só faltou a volta olímpica.



