CBN SP Digital: Brasileiros derrubam lugar-comum na web

Quem disse que brasileiro não lê ? Nove milhões leram blogs em agosto, segundo o Ibope/NetRating.

Quem disse que texto na internet é superficial ? Há sites com estudos científicos completos abertos ao público e com grande acesso, no Brasil.

Ouça a entrevista com a doutora em sociologia da educação, Daniela Auad, que analisou o comportamento do brasileiro – o jovem, principalmente – na internet:

Até o dia 24 de outubro, último dia da campanha eleitoral, você ouve o CBN São Paulo Digital, das 12h às 12h30, acessando o Portal da CBN.

As digitais do fotógrafo Eduardo Garofalo



Garofalo tinha apenas 10 anos quando deu os primeiros sinais de que fotografia era o seu negócio. Formou-se em pedagogia, matemática e economia, mas aos 50 e poucos anos dá mostras claras de que a intuição de menino influenciou sua vida. Nesta semana, expõe seu talento em Jundiaí, no caminho de Campinas. Até novembro, Eduardo Miguel Garofalo é personagem da Exposição Efeitos e outras fotografias, no escritório de artes Sandra Setti. No trabalho dele a interferência digital é marca profunda e chocante como você confere na imagem acima e em outras tantas que você encontra visitando o site de Eduardo Garofalo.

Primavera na periferia

Por Sérgio Vaz



Ontem enquanto milhões de pessoas no Brasil estavam ligadas em frente à televisão assistindo a novelas, a um joguinho mixuruca de futebol entre Brasil e Colômbia, umas quinhentas pessoas, mais ou menos, foram seqüestradas pela poesia, na periferia da Zona Sul de São Paulo. Quem
anda cometendo esses crimes? O Sarau da Cooperifa.

Há sete anos, exatamente no mês de outubro, aproveitando-se da desatenção do estado e da falta de cinemas, bibliotecas, museus, teatros, livrarias, e qualquer espaço para a produção cultural, um
bando de malfeitores trajados de roupas simples e empunhando poesias nas mãos, invadiram uma fábrica abandonada em Taboão da Serra, e começaram a produzir um tipo de entorpecente que iria afetar o cérebro e a alma das crianças, jovens e adultos: a literatura.

No começo as autoridades acadêmicas não deram muita bola para o assunto, acharam que seria apenas mais uma dessas primaveras, em que as flores abrem caminhos para o verão. Mas que nada! As flores não pararam de desabrochar, e a estação das flores e dos espinhos, não tem
hora para acabar.

E quando o apito da fábrica apitou o final do expediente, nós que éramos operários da palavra com medo do desemprego gramatical, erramos o caminho para Passárgada, e caímos direto no único espaço público ao qual as pessoas da ponte pra cá têm direito: o bar. E antes que a gente se embriagasse de tédio, começamos a recitar poesia, e o poema, que transitava de boca em boca, chegou aos ouvidos de outros poetas mudos abandonados nos becos e vielas da fidalguia do
vernáculo.

E como se fosse um chamado do rei Zumbi, um enxame insolente de guerreiros e guerreiras vinha de todos os lugares para se juntarem ao quilombo da palavra falada, que acabava de se formar.

E vinham de outras tribos, pintados para guerra ou não, e trazia em seus cantos a canção que celebra a luta, que respeita os ancestrais e honra a vida. Um canto de louvor à liberdade, e de um povo que já não respeita mais os seus carrascos.

E quando o bar já se tornara o quartel general da evolução, guardados por poetas, donas-de-casa, torneiros mecânicos, professores, desempregados, taxistas, auxiliares de escritórios, advogados,
rappers, advogados, motoristas, aposentados, estudantes, estudados e iletrados, os livros, armamento pesado, foram distribuídos de mão em mão, a qualquer um que quisesse manuseá-los.

Independentes se tinham porte para portá-los, ou não. A única recomendação era que todos
apontassem para a mesma direção: o futuro. E ontem de posse do nosso futuro, aconteceu mais um disparo no sarau , o livro “Meninos do Brasil” de Márcio Batista, professor e poeta da
Cooperifa.

Acho que foi o quadragésimo livro lançado ali, no Bar do Zé Bateado, no extremo sul de São Paulo, perto do Jardim Ângela, perto do cemitério do Jardim São Luiz, onde estão enterrados a maioria dos jovens que foram assassinados nesta metrópole da riqueza e da dor. Mas a primavera não pára por aí, ontem também, neste mesmo horário, no jardim Monte Azul, estava acontecendo uma exposição de artes “Natural da periferia” de Jair Guilherme, outro artista resistente da quebrada.

Pois é, numa mesma noite, longe dos grandes centros e longe das grandes e pequenas verbas da prefeitura, do estado ou da federação, quase quinhentas pessoas se reuniram – como se reunem-se há sete anos, toda quarta-feira, ininterruptamente -, para ouvir e falar poesia, e
de quebra, comprar um livro de um autor nascido e criado na Cooperifa.

E para provar que a gente não odeia ler, Márcio Batista vendeu 12o livros, ali, no chão duro do bar, no templo da poesia, um lugar ondeboa parte das pessoas morria de cirrose, sem o tira-gosto da poesia.

Se por acaso você não foi, pergunte para quem esteve lá, a única lágrima que escorreu de alguém, foi do rosto do poeta, e não foi detristeza, foi de emoção pelo nascimento de mais um livro na nossa maternidade.

Nem tudo são flores em nossa primavera, mas para nós, que sempre fomos espinhos no verão alheio, um pouco de poesia no outono, faz com que a gente suporte a vida dura no inverno.

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O que eles dizem da Guerra da Polícia

Assessores de imprensa tão descontrolados quanto os policiais durante a Batalha do Morumbi; opiniões apaixonadas a influenciar os pensamentos; e cidadãos interessados em entender o que está por trás das cenas que marcaram negativamente a quinta-feira, em São Paulo.

Três situações que resumem o dia de hoje na produção do CBN São Paulo quando decidimos que nossa pauta se concentraria nesta notícia de extrema gravidade e de repercussão nacional.

No ar, abrimos espaço para diferentes pensamentos sobre o caso. A seguir reproduzo as quatro entrevistas que realizamos no CBN São:

Major Olímpio, deputado estadual do PV: “Incompetência do Governo”.

Coronel José Vicente: “Policial não participa desta baderna”

Samuel Moreira, líder do PSDB na Assembléia: “Greve é eleitoreira”

Cláudio Beato, Centro de Estudos em Criminalidade (UFMG): “Sindicalização das forças policias é perigosa:

Policiais sem controle, Estado sem vergonha

São Paulo assistiu à cenas vergonhosas no entorno do Palácio dos Bandeirantes, nesta quinta-feira. O Estado que reúne algumas das maiores corporações do País, centro de conhecimento na área de administração pública e privada e concentra boa parte da riqueza produzida em terras nacionais não foi capaz de controlar suas forças policiais.

O confronto da Polícia Militar com a Polícia Civil foi de fazer bandido do PCC dar gargalhadas na cadeia enquanto falava ao celular com seus amigos que moram do lado de fora da cela. Um dia antes, já devem ter se divertido ao saber que o envio de um fax para o número de telefone errado havia permitido a libertação de um dos seus, em trapalhada de outra policia, a Federal.

A violência entre as policias mostrou que a manifestação dos civis está sem controle e a ação da militar, sem comando. Jamais se poderia ter permitido que a situação chegasse a este ponto. Bons gerenciadores deveriam ter sido convocados, previamente, a medida que se enxergava a proximidade da crise.

Deram de ombros às ameaças. Trataram o fato apenas como ação partidária. Subestimaram o nível de tensão entre as forças. E o preconceito histórico entre as duas corporações policiais explodiu diante do Executivo Estadual.

Como ficará a segurança do cidadão paulistano durante a ressaca da violência provocada por policiais excitados de um lado e mal-preparados de outro. Ou alguém imagina que a violência não tenha deixado enorme ferida na autoridade policial do Estado.

Adote um Vereador: Heródoto apóia essa idéia

Texto publicado pelo jornalista Heródoto Barbeiro no Blog do Barbeiro:

“Essa frase foi ouvida depois que o TRE divulgou o resultado das eleições para prefeito e vereador. Muita gente não conseguiu eleger o seu candidato a prefeitura e a câmara e ficou com essa sensação. Contudo a última eleição pode ser um divisor de águas na participação popular na escolha dos dirigentes da cidade. Se o seu candidato a vereador se elegeu, escreva o nome dele em uma agenda, ou caderninho, ou em alguma pasta do seu computador. Depois de alguma tempo a gente nem se lembra em quem votou. Como fazer a fiscalização cidadã nos próximos quatro anos sem o nome do candidato que teve a honra de receber o seu voto? Com o nome da excelência em lugar seguro vai ser possível mandar e-mails, recados, bilhetes e lembrá-lo que a principal função de um edil- como se dizia na época que se amarrava cachorro com lingüiça – é a de fiscalizar o prefeito. Assim, de tempo em tempo, por e-mail ou por telefone você fala com ele e pergunta se ele está fiscalizando. Todos devem fazer isso pertençam ou não ” a base do prefeito na câmara”. A responsabilidade é da situação e da oposição, mas isso só vai ocorrer se o eleitor/cidadão ficar em cima e fizer pressão cidadã, caso contrário tudo vai ficar do mesmo jeito. (…)”

Leia o texto completo acessando o Blog do Barbeiro

Foto-ouvinte: Calçada “viciada”

Calçada vira lixão

Descobri recentemente esta expressão: “a calçada é ponto viciado”. A invencionice serve para descrever locais da cidade em que a população permite que sejam usados para depósito de entulho – irregular, é lógico. Esta da Rua Barão de Tatuí, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, é um desses pontos, segundo a ouvinte-intenauta Lu Almeida, autora das fotografias que estão no Álbum do CBN SP no Flickr. Todo dia o entulho se acumula – por ordem e mando sabe-se lá de quem – e atrapalha o passeio. A subprefeiura vai até lá e recolhe o material para, em seguida, mais entulho ser despejado. Parte da ação é realizada por catadores de material reciclado sem consciência ambiental que ao não ter interesse comercial na carga deixa por lá para que a prefeitura resolva o problema. O cidadão que contrata o serviço também é responsável, pois poderia levar este entulho para os Ecopontos mantidos pela prefeitura. São poucos, mas existem.

Jamil Murad: Sem pedágio, mas com conselhos

Incentivar a implantação dos conselhos de representantes, é uma das metas do vereador eleito Jamil Murad, do PC do B. Apesar de ter sido eleito pela primeira vez à Câmara Municipal, o comunista é um velho conhecido da política paulista. Já foi deputado estadual e federal.

Na cidade de São Paulo, defende a ampliação do metrô como forma de melhorar a mobilidade urbana. Mas é contra a existência de pedágio urbano porque considera que o sistema não funcionará.

Ouça as propostas de Jamil Murad eleito com pouco mais de 28 mil votos:

De onde vem a carne que você come ?

?

Faça essa pergunta a si mesmo. E se não tiver a resposta, faça a mesma pergunta ao açouqueiro. Se ele disser que não sabe, troque de açougue ou de supermercado. É bem possível que a picanha do almoço tenha vindo de gado criado em áreas devastadas da Floresta Amazônica. Três grandes redes de supermercados se comprometeram a comprar o produto apenas de rebanhos de fazendas que não agridam o meio ambiente nem explorem o trabalho escravo. Distribuidores e comerciantes de carnes, também.

Este é um dos resultados do encontro Conexões Sustentáveis promovido pelo Movimento Nossa São Paulo e o Fórum Amazônia Sustentável, em São Paulo.

Nos dois dias de discussão, os candidatos à prefeitura paulistana também assinaram compromisso de que em até 90 dias após a posse terão iniciado estudo para verificar a origem de todo material comprado pela administração municipal. Isto para reduzir o risco de o seu filho estudar em uma escola mobiliada com móveis de madeira oriunda de derrubadas na Amazônia.

Ouça a entrevista com o representante do Fórum, Caio Magri:

Leia os estudos e compromissos apresentados no site do Movimento Nossa São Paulo e Repórter Brasil.