Canto da Cátia: Um show de realidade

Há três dias, Santo André é cenário de um reality-show no qual todos fazemos parte como atores. Os personagens principais pouco aparecem, são vistos por uma pequena janela de cosntrução de classe baixa, da periferia da região metropolitana. Fechados na “caixa de sapato” que são estes apartamentos da CDHU atraem as atenções do Brasil e já devem ter seus flashes garantidos nas redes internacionais de televisão.

Um dos protagonistas principais, com o pomposo nome Lindenberg, fala ao celular com desenvoltura em rede nacional, bate papo com jornalistas e sem saber bem para que servirá tudo isso parece esticar a agonia na esperança de que uma luz apareça no seu caminho. Ou uma emissora de televisão se prontifique a colocar no ar a enquete popular para saber se Lindenberg deve ir ao paredão e ser eliminado ou parmanecer na casa.

Na imagem feita pela repórter Cátia Toffoletto, personagem involuntária deste show, o pai da moça Eloá, que imaginava estar livre de um namorado possessivo quando este encerrou a relação por ciúmes, é levado pela equipe de socorro durante crise de pressão alta.

Reeleição: democracia ou monarquia?

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Por Carlos Magno Gibrail

Ricardo Teixeira, em 2015, completará 25 anos como presidente da CBF, suplantando seu ex-sogro João Havelange que ficou 24 anos dirigindo a FIFA.

Nepotismo à parte, Carlos Nuzman já garantiu 17 anos no COB através de eleição às pressas com justificativas que nem a Pollyanna aceitaria.

Muito menos o Juca Kfouri, que atento coloca o talento a serviço do bom jornalismo:

“CARLOS NUZMAN chegou ao paraíso. Atingiu aquele ponto que só a pessoa sem nenhum problema de consciência, ou com todos, alcança: dane-se o que vão dizer de mim. O que tem a consciência tranqüila sabe que nada pode feri-lo. O que perdeu a vergonha na cara não está nem aí mais para coisa alguma, só quer desfrutar, pensem o que pensarem as pessoas, a opinião pública, o país”.

“Lembremos que Nuzman quer comandar a operação Rio-16 como Ricardo Teixeira, sua filha e sua turma, comandarão a Copa-14”.

” Não se envergonha ao ver a vil manobra exposta na primeira página do principal jornal da cidade onde mora, ele que preferiu usar jornais menores para publicar o edital da convocação de sua clandestina reeleição, em desobediência ao estatuto da entidade que preside”.

Enquanto isso… Os clubes de futebol copiam esta perenidade à custa do processo de reeleição.

Desponta como paradigma reverso o São Paulo FC. Lidera todos os rankings, nacionais e internacionais, entre os clubes brasileiros. Lidera também no tempo menor de permanência dos presidentes, causa evidente do efeito acima, que podem ficar no máximo cinco anos no poder.

A política também começou a utilizar o sistema de reeleição, quando FHC mudou as regras, em 1997, para se reeleger.

Lula, seu sucessor, contrário ao novo critério, agradeceu.

Enquanto isso… Nesta última eleição 60% dos prefeitos se candidataram. 67% ganharam no primeiro turno. Percentual que supera os 58% de 2004 que acompanhou a tendência crescente da arrecadação.

De 190 bilhões orçamentários de 2007 estimava-se 245 bilhões para 2008, que em função da crise pode chegar a 215 bilhões.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (cnm.org.br) Paulo Ziulkoski acha que “as reeleições têm ocorrido porque os prefeitos têm feito boas gestões pelo Brasil”.

Se nem a Pollyanna endossa, não serei eu a concordar.

Eu sou a favor da democrática rotação de poder

No País
Na Nação
Nos olímpicos
No futebol
E você?

Aproveite e dê a sua opinião. Comente!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, não tem medo da mudança, por isso aceitou trocar para quinta-feira o texto que sempre publica às quartas, aqui no blog. Semana que vem estará de volta à quarta-feira.

CBN SP Digital: Brasileiro lê muito blog

Tá legal ! Se você ouvir a entrevista que fiz pela internet com o diretor do Ibope Marcelo Coutinho tem todo o direito de reclamar da minha manchete aí em cima. Estudioso do setor, o professor da Fundação Cásper Libero disse um monte de coisa bacana.

Por exemplo: os brasileiros preferem usar muito mais lan house à telecentros; só na favela de Paraisópolis, a maior da capital paulista, é possível encontrar 35 salas particulares com computadores; a democratização da informática tem se dado no País principalmente pela iniciativa privada, entre outras tantas coisas.

Agora, convenhamos, saber que o brasileiro é um dos povos que mais lê blogs no mundo, é algo que entusiasma a quem dedica parte de seu dia a este serviço. Por isso, puxei a sardinha para o meu lado e chamei atenção para mais esta curiosidade.

Vamos deixar de papo furado, e aproveite a conversa que tive com o Marcelo Coutinho durante o CBN São Paulo Digital que vai ao ar do meio-dia ao meio-dia e 20 apenas pela internet, durante a campanha eleitoral:

Cláudio Fonseca: Uma Câmara que fiscalize o prefeito

O vereador eleito Cláudio Fonseca, do PPS, não é exatamente um novato. Na legislatura anterior foi considerado um dos melhores da Câmara Municipal de São Paulo pelo Movimento Voto Conscinte. Não se reelegeu há quatro anos. Porém, com pouco mais de 21 mil votos conseguiu voltar para a casa. Assume – ou reassume – em janeiro com a intenção de lutar para que a Câmara passe a exercer seu verdadeiro papel, o de fiscalizar o trabalho do prefeito.

Descansando de São Paulo

Cobertura da pobreza

Os carros cruzam a Avenida Nove de Julho em alta velocidade, os ônibus passam lotados de passageiros no corredor, as pessoas atravessam as pistas mesmo com o perigo de atropelamento. Ninguém enxerga estes moradores de rua que transformaram o teto no alto do túnel da Nova de Julho em dormitório. Ninguém não. O ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias enxerga e vê lá em cima a pobreza descansando de São Paulo.

Fontes para enxergar a pobreza sem preconceito

A mensagem que reproduzo é da colega de redação Camila Campanerut e apresenta links para conteúdo bastante rico sobre a pobreza. Acessá-los talvez ajude muitos de nós a exergar o tema sem o preconceito que embassa a vista:

“Tratar do tema da pobreza, justamente pela complexidade, é muito apaixonante para mim. Em especial, porque trabalhei durante um ano e meio em um programa financiado pela Comunidade Européia de estudo e construção de propostas para combater à pobreza nos centros urbanos na América Latina e na Europa. O projeto tinha duração de três anos (2000-2003) e você acessa o site clicando aqui.

Contém uma série de entrevistas, algumas que fiz com especialistas no assunto, e algumas documentos com propostas e o documento final do projeto que diz a que veio.

Espero que estes textos possam servir de fonte para mais discussões e outras boas propostas.

Um abraço,

Camila Campanerut”

Pobreza e globalização

Por Ricardo Gomez Filho

A globalização econômica é o mais novo fenômeno comum a todos de que se tem notícia. Atinge de uma só tacada as classes abastada, média e a pobre. Antes dela, somente a morte e o respeito ao seres humanos, segundo a Declaração dos Direitos Humanos, cobririam a todos. A Declaração, infelizmente, não comove mais as pessoas e menos ainda os dirigentes mundiais.

A globalização, que é recém-chegada no pedaço, já assimilou que existem diferenças entre pessoas e países. Por isso o fenômeno econômico afeta mais dramaticamente os pobres de países subdesenvolvidos do que aqueles que vivem em países altamente industrializados.

Um exemplo recente da distinção operada pela globalização foi visto durante a corrida pelo desenvolvimento de combustíveis ambientamente sustentáveis, os chamados biocombustíveis. Quando a maior economia do mundo ‘comprou’ a idéia de diversificar sua matriz energética anunciou que iniciaria a produção de etanol a partir do milho. Houve uma disparada da inflação global. Com a possibilidade de obter maior rentabilidade transformando milho em etanol em vez de destinar à alimentação, o produtor não teve dúvida: brecou a ida da mercadoria para os supermercados. O movimento fez os preços subirem e decretou escassez do produto. O milho é largamente utilizado na alimentação de pessoas e um dos seus derivados, a ração, é fonte de alimento para aves e gados. Assim, a redução da oferta do milho resultou em elevação dos preços de diversos produtos.

A inflação, é verdade, atingiu a todos os países do globo. Mas foi mais severa em regiões carentes da América Central, Ásia e principalmente África. Os países industrializados puderam lançar mão de mais recursos para obtenção do produto, enquanto nos países pobres houve aumento das insurgências civis causada pelo desespero de milhares de famintos – atualmente um exército de 850 milhões de pessoas com potencial de chegar a 1,2 bilhão de pessoas. A imprensa registrou fartamente as rebeliões, os saques ao comércio e o aumento da inanição ao redor do mundo. As Nações Unidas convocaram reuniões para discutir o tamanho da ajuda humanitária necessária para debelar a fome. E… parou nisso. Mais tarde, os esforços para discutir a fome foram silenciados por uma nova pauta vinda dos EUA: a crise hipotecária – que se estende e contamina o sistema financeiro. Essa crise não é bem uma novidade, trata-se de uma bomba-relógio acionada no início desta década e que se agravou em 2007.

Enquanto a imprensa se limita a mostrar as perdas porcentuais das bolsas de valores mais badaladas, o estado de miséria é agravado nos países periféricos de forma global, cruel, inexorável. Com a crise, a escassez de alimentos ganhou um triste aliado: o freio na economia. Nos próximos anos testemunharemos o aumento da fome, das doenças e guerras, especialmente nos países do centro e leste africano. O dinheiro usado para salvar bancos poderia debelar a fome global e criar novos centros de consumo e desenvolvimento. Mas a preferência dos bancos centrais é pelo investidor. O pretexto da hora é ‘para não deixar o mundo quebrar’; Mais tarde será porque ‘é preciso expandir os negócios globais’.

Anos atrás, uma campanha publicitária contra a inanição no Brasil trazia o slogan “a fome tem pressa”. E tem mesmo. Mais até do que as ações mercadológicas, porque o bem envolvido é a vida. Ou esse bem se desvalorizou com os papéis da bolsa? Se nos global players a recessão que se anuncia para 2009 será uma “pisada no freio da economia”, nos países carentes a fome terá o impacto de um soco no estômago. Um golpe certeiro e mortal.

Sobre Kichutes e chuteiras

Por Sérgio Vaz

Em outubro é o mês em que se comemora o dia das crianças, depois do natal, esse é o dia mais aguardado para qualquer menino ou menina, pois, teoricamente é um dia para receber presentes.
Pra ser sincero não tenho boas lembranças dessas datas, na minha casa a roupa sempre foi muito mais importante do que brinquedo, por isso, desde cedo aprendi a brincar só com os meus botões. Sem carrinho pra dirigir, cheguei de kichute na adolescência, e com os pés cheios de calos no coração.

Naquela época não era fácil entender que existia um dia só para as crianças, mas ao mesmo tempo, só para algumas crianças. “Quem será que ensinou aos adultos a serem tão cruéis?”. Pois somente um adulto é capaz de ensinar uma criança a ter raiva e inveja ao mesmo tempo.
Raiva porque as ruas nesses dias eram tomadas de cores e luzes da felicidade alheia, e inveja por que essas cores e luzes não brilhavam no meu quintal. De quebra também aprendi a odiar o Playcenter e o Papai Noel. Bom velhinho, sei…

No caso das meninas fico pensando que também não devia ser diferente, não deve ser fácil acalentar a boneca da vizinha e chamá-la de minha filha ao mesmo tempo. Brincar de babá aos seis anos deve doer tanto quanto ser motorista aos sete. Sorrir com a alegria emprestada… é
muito sério ser criança.

Descobri que somos o país do futebol porque uma única bola, não importa de quem seja, é capaz de fazer a alegria de um bairro inteiro, e nessa hora não importa quem ganhou presente ou não. Para quem não sabe o futebol também é um esconderijo de crianças tristes e solitárias. Descalços ou não,uns chutam a bola, outros a vida.

Não estou fazendo propaganda de supermercado e nem sei se as pessoas se tornam melhores porque na infância ganharam brinquedos ou não, só quis lembrar um tempo em que o algodão não era tão doce.

Se vão presentear seus filhos, para que não se tornem poetas tristes como eu, não esqueçam, as crianças gostam que os pais venham como acessórios. Ou quem sabe, o contrário.

Nesses tempos onde as mães jogam os filhos pelas janelas dos apartamentos, haverá um tempo que a gente não lembrará mais a falta dos brinquedos, e sim das crianças.