Igor ri da barriga que ronca

Por Luiza Mafalda Guasco Peixoto

Escrevi este texto quando vi uma reportagem em março de 2002. A repórter entrevistava um menino de mais ou menos uns 5 ou 6 anos, um menino subnutrido, que agora, com estas iniciativas de programas sociais, estava tendo acesso à comida.: A repórter fez uma entrevista:
– Toda criança precisa comer?, perguntou a repórter.
– Precisa. Respondeu Igor.
– Por quê ?
– Pra barriga não ficar roncando de fome – e segue-se uma risada larga.

“Seu nome é Igor, Igor Feliz. Feliz porque já não tem ronco na barriga. Igor não tem fome e sorri. Igor já teve fome e não sorria. Igor sabe que a barriga ronca quando está vazia.
Igor ri da barriga vazia que ronca, mas agora está com a barriga cheia. Igor com a barriga cheia e a cabeça cheia de sonhos. Sonhos não enchem barriga mas enchem o sorriso de Igor, que agora pode sonhar.

De pobreza

Por Maria Lucia Solla

Olá

Estou, faz dois dias, mergulhada na palavra pobreza, porque sei que palavras são idéias, e que idéias são fonte inesgotável de energia. Comprovadamente, por experimento científico. Assim, é possível mergulhar no ambiente que elas criam, experimentar seu conceito e avaliar a idéia que fazemos dele, e o uso que fazemos delas. Então, além do cérebro, é possível usar o corpo todo para perceber os conceitos. Depois, dependendo de cada um, também é possível torcê-lo para o ajustarmos à nossa conveniência. E o incrível é que nunca perdemos o direito de usá-las.

Pobreza provocou-me a sensação que muitas palavras provocam logo na chegada. Oposição –não contradição- e completude. Ela é cheia e vazia na mesma medida. Cheia de nada e vazia de tudo.

As palavras se prestam ao nosso contorcionismo social e nos emprestam seus sentidos. Nós finamos; e elas, flexíveis, sobrevivem. Como a palavra fim, por exemplo.

Mas voltando a ela, pobre da palavra pobreza. Hoje, tudo o que é horrível, é pobreza. Se o lugar é feio, é uma pobreza, se a carne está dura, é uma pobreza. O lugar é sujo, mas a gente vai lá e diz que é uma pobreza. Virou gíria curinga, mas foi levada, a pobre. Caiu na boca do povo, de pobres e ricos, indiscriminadamente. Hoje freqüenta rodas dos que se consideram suas únicas vítimas, e daqueles que se consideram imunes a ela. E ela dobra daqui, estica dali, e se entrega a cada um e a todos.

Quando eu era pequena, pobre era o homem que carregava um saco nas costas, a quem a gente se referia como o homem do saco. E os pais, sabendo que a gente morria de medo, ameaçavam que ele viria pegar se a gente não obedecesse. Um crime. Ele tocava a campainha para pedir um prato de comida, e eu tremia. Minha mãe preparava um prato imenso, enquanto recitava o mantra, meu Deus, que pobreza! Minha bisavó portuguesa batia os tamancos no chão e dizia, menina, você não viu nada. Vocês não sabem o que é pobreza. E eu acreditava que pobreza era sujeira, mau cheiro, cara feia e sacos apavorantes. Disso eu queria me livrar.

Quanto a outras sensações do meu mergulho, vou guardar. Portanto, só me resta desejar que sejamos cada vez mais pobres de doença, de ignorância, de egoísmo, inimizade, prepotência e ganância, e que sejamos cada dia mais ricos de curiosidade, criatividade, perdão e compaixão.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é cronista dominical do blog, mas provocada pelo Blog Action Day comparece nesta quarta-feira, também.

O Blog do Milton Jung se integra a grande rede do

Blog Action Day que abre espaço neste ano para discutir o tema da POBREZA. Milhões de pessoas ao acessar seus blogs e sites favoritos vão encontrar textos, áudios, vídeos e fotos relacionadas a MISÉRIA que MATA 531 CRIANÇAS por hora de FOME. Quando o dia terminar terão sido 12.744 crianças MORTAS. Para participar desta rede, convidei ouvintes-internautas da rádio CBN para enviarem artigos, sugestões, histórias, materiais que nos levem a refletir sobre a POBREZA. Você que acessou este BLOG, aproveite para deixar seu comentário ou, pelo menos, leve esta discussão para dentro do seu escritório, sala de aula, fábrica, bar ou ponto encontro de seus amigos.

Leia o texto de Carlos Magno nesta quinta-feira

O artigo do doutor em marketing Carlos Magno Gibrail publicado às quartas aqui no blog será postado amanhã, quinta-feira, já que neste dia 15 de outubro abrimos espaço para materiais relacionados a pobreza, tema central da campanha Blog Action Day.

Nesta quinta, Carlos Magno falará da reeleição – que pela maneira como é explorada por algumas autoridades, convenhamos, é um pobreza.

Quem é “ficha limpa” na disputa do 2º turno nas capitais

Dos 22 candidatos a prefeito nas 11 capitais que terão disputa no segundo turno no próximo dia 26, apenas oito não respondem a processo na Justiça, o que corresponde a 36,36% dos concorrentes.

Belo Horizonte (MG) e Macapá (AP) são as únicas capitais onde não foi encontrado registro contra nenhum dos candidatos. Na capital mineira, disputam Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). Já em Macapá, dois deputados estaduais estão na briga pela prefeitura: Camilo Capiberibe (PSB) e Roberto Góes (PDT).

À exceção de Márcio Lacerda, que por força da lei teve de deixar o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais às vésperas do início da campanha, todos os demais candidatos ocupam atualmente cargos públicos.

Há um prefeito candidato à reeleição, quatro deputados federais e dois estaduais. Dentre os candidatos com a “ficha limpa”, dois são do PMDB, dois do PSB, um do PT, um do PDT, um do PCdoB, e um do PV.

Os outros candidatos sem pendências judiciais são: Fernando Gabeira (PV), deputado federal e candidato no Rio de Janeiro; Flávio Dino (PCdoB), deputado federal e candidato em São Luís (MA); João Henrique Carneiro (PMDB), prefeito de Salvador (BA) e candidato à reeleição; e Maria do Rosário (PT), deputada federal e candidata em Porto Alegre (RS).

Conforme revelou o Congresso em Foco na semana passada, das nove capitais brasileiras que terão segundo turno, em cinco os dois concorrentes devem explicações à Justiça. Ao todo, 14 postulantes na corrida eleitoral municipal enfrentam 100 ações no Judiciário.

Para o presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), José Carlos Cosenzo, o percentual de candidatos às prefeituras das capitais com processos na Justiça é “extremamente elevado”. Segundo ele, o índice de aproximadamente 64% dos candidatos com processos “coloca em risco a segurança da democracia”.

Já o juiz Paulo Henrique Machado, secretário-geral da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), avalia que a sociedade “está mais atenta” à vida pregressa dos candidatos. Machado coordenou a campanha “Eleições Limpas – Pelo Voto Livre e Consciente”, que divulgou listas de políticos que respondem a processos na Justiça e que se candidataram a cargos públicos neste ano.

“Não fizemos juízo de valor sobre os candidatos. O que posso dizer é que o eleitor deve votar em quem quiser, mas que faça a escolha sabendo de informações relevantes. Alertamos para um dado que é público”, destaca.

Texto publicado em Congresso em Foco. Clique aqui e conheça a lista completa dos candidatos a prefeito que têm a Ficha Suja.

Rio Preto: Rillo não declara doadores; Valdomiro, sim

Ao serem perguntados se aceitavam divulgar o nome dos financiadores de suas campanhas a prefeito, os candidatos que disputam o segundo turno em São José de Rio Preto, interior de São Paulo, se posicionaram de maneira diferentes. Valdomiro Lopes, do PSB, diz que os dados já estão na internet, João Paulo Rillo prefere deixar para depois.

Ouça a entrevista e as propostas para a saúde de Valdomiro Lopes (PSB):

Ouça a entrevista e as propostas para a saúde de João Paulo Rillo (PT):