Condomínio Legal: Ódio do meu amado vizinho

Por Márcio Rachkorsky

Recém casada, uma moça recatada mudou-se para São Paulo com o marido. Uma bela mulher, com aproximadamente 25 anos de idade. O marido trabalhava muito e quase não parava em casa. Ela, ainda sem emprego em São Paulo, passava o dia todo no apartamento. O vizinho de porta era um jovem rapaz solteiro, com hábitos totalmente contrários às regras da boa vizinhança. Ouvia o som sempre em alto volume, promovia festas em seu apartamento, desrespeitava sistematicamente as normas do condomínio.

Indignada, nossa personagem tentou dialogar com ele e, como de nada adiantou, reclamou ao síndico. Após reuniões, pedidos e advertências, que de nada adiantaram, o condômino foi multado reiteradas vezes. Certo dia nossa personagem discutiu feio com o vizinho mal educado e quando seu marido chegou em casa, exigiu providências e, aos prantos, pediu que o marido fosse tirar satisfação com o vizinho. Cansado e sem paciência para tais assuntos, o marido disse que tinha mais o que fazer e um assunto tão bobo motivou uma abrupta separação. Ele voltou para a cidade do interior e nossa brava personagem permaneceu em São Paulo.

Alguns meses depois, para minha surpresa e indignação, recebi um feliz casal em meu escritório, ávidos para realizar o pagamento de uma dívida de condomínio. Era uma sexta-feira, por volta das 17:00 horas. Não é que a moça agora namorava seu vizinho, aquele mal educado! E estavam no meu escritório justamente para pagar as multas, aquelas aplicadas em função das reclamações dela … Dei um belo desconto, fechei o escritório e fui tomar uma gelada e merecida cerveja !

Márcio Rachkorsky é comentarista especializado em condomínio na CBN. Toda segunda está aqui no blog com textos inéditos e abre espaço para conversar com você.

Em boa parte do mundo civilizado o Dia Mundial Sem Carro é marcado por atividades que incentivem o cidadão a compartilhar o transporte com outras pessoas, diminuindo o número de viagens individuais. Aqui no Brasil, a meta do 22 de setembro é pressionar a Petrobrás e a indústria automobilística a respeitarem a decisão do Conselho Nacional do Meio Ambiente e, a partir de janeiro de 2009, colocarem nas ruas e estradas um diesel com qualidade melhor. Que mate menos.

“Vandalismo cultural” apaga grafite do Minhocão


Foto publicada em Cesar Giobbi

Atirou no que viu e errou no que não viu. Modifico o dito popular para descrever o que ocorreu no CBN São Paulo na sexta-feira a partir de mensagem enviada por um dos colaboradores do blog, o estudante de jornalismo Marcos Paulo Dias. Em uma das muitas informações que encaminha ao programa, ele reclamou que grafites haviam sido apagados pela prefeitura de São Paulo, conforme constatou ao passar pelo Minhocão, no centro de São Paulo. Não demorou muito para recebermos a resposta do secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo:

“Em relação à reclamação do ouvinte Marcos Paulo Dias, esclareço que a Prefeitura não “resolveu apagar os grafites da cidade”. No caso da obra do Minhocão – imagino que o ouvinte se refira à da Rua Assembléia, no acesso à ligação Leste-Oeste -, conforme explicado à época, ela foi apagada por equívoco pela empresa terceirizada que realiza serviço de pintura nos muros da região. O prefeito Kassab já havia se reunido com os artistas, e eu me reuni nesta semana com eles, e colocamos o espaço à disposição para que o grafite seja refeito, o que deve acontecer até o final do ano”.

O fato é que o “apagão” citado pelo ouvinte-internauta é em outro ponto do Minhocão. Em pesquisa que fez na internet, descobriu que a Associação Brasileira de Críticos de Arte já havia reclamado da prefeitura pela pintura feita sobre os trabalhos de autoria dos artistas Maurício Nogueira Lima, Flávio Motta e Sônia von Brusky.

A carta assinada pela presidente da associação, Elvira VErnaschi, reproduzida em parte no blog de César Giobbi, diz que “a escolha de dois dos artistas mencionados deu-se em concurso patrocinado em 1998 pelo Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes, do qual participaram 18 conhecidos pintores paulistanos, e se deveu a um júri integrado por membros da Associação Brasileira de Críticos de Arte sob a presidência da associada Radha Abramo – autora também de livro sobre o assunto, publicado naquele mesmo ano pela Funarte”.

Elvira chama a atitude, provavelmente provocada pela falta de comunicação entre diferentes setores da prefeitura, de “ato de vandalismo cultural”.

Sem carro: fale sobre isso !

Deixar o carro é das tarefas mais complicadas para o cidadão dos grandes centros urbanos. São necessários poucos passos e nenhum esforço para embarcar naquela nave que nos aguarda na garagem. Sair em busca de um ônibus, seguir em direção ao metrô ou cavalgar sobre a bicicleta é desconfortável na maioria das vezes. Combinar carona com os vizinhos ou colegas de trabalho é constrangedor, sem contar a dependência que criamos devido ao horário dos demais e o trajeto a ser percorrido.

Convenhamos, fomos feitos para andar sobre quatro rodas, apesar de termos sido criados com duas pernas. Há quem diga que eram quatro pernas logo no início e talvez esteja aí a explicação para darmos preferência ao automóvel. Fomos buscar aquilo que a evolução da espécie nos arrancou. E por evoluir que cada vez compramos carros maiores, mais potentes, mais altos e mais velozes. São mais gastadores e poluentes, também, mas isto vem como acessório.

Por isso, muitos dirão que a edição 2008 do Dia Mundial Sem Carro é uma bobagem e bastará verificar os índices de congestionamento logo pela manhã para sabermos que a adesão foi mínima. E sempre será, pelo menos enquanto a cultura do automóvel persistir nas cidades. E o poder público insistir em políticas que privilegiam o transporte individual.

Os incentivadores do evento realizado em boa parte do mundo não se imaginam capazes de tirar o ser humano de dentro do carro, mas levá-lo a refletir sobre esta relação. Por isso, o 22 de setembro – não por acaso, data que marca o início da primavera – é importantíssimo para o crescimento sustentável das cidades. As organizações sociais se mobilizam para debater o tema, como fará nesta segunda-feira o Movimento Nossa São Paulo, e os meios de comunicação se enchem de reportagens sobre o assunto.

Aproveite esta enxurrada de informações que você receberá nesta segunda-feira sobre as vantagens de se restringir a circulação de carros, os investimentos possíveis para a ampliação do transporte coletivo e as perdas impostas a qualidade de vida de cada um de nós que vivemos dentro deste sistema caótico de mobilidade urbana. Use-as na conversa do escritório, no bate-papo durante o almoço, na sala de aula ou no intervalo. Mesmo que você não esteja convencido de que deixar o carro em casa é uma boa, talvez seus colegas sejam contaminados por esta discussão.

Um dos recados mais legais que recebi logo após o Dia Mundial Sem Carro do ano passado foi da jornalista Mara Luquet, do Valor e comentarista da CBN, que após ouvir uma série de reportagens e debates no CBN SP perguntou a si mesma: “Por quê eu vou de carro ao trabalho ?”. Descobriu que havia ônibus à disposição no trajeto da casa dela e da redação do Valor e que o movimento de passageiros no horário da viagem não era excessivo. Além disso, aproveitava o tempo de deslocamento para ler, coisa que no carro se tornava impossível.

Já soube que Mara Luquet, hoje, alterna entre o carro e o ônibus, mas só o fato de o transporte coletivo ter sido incluído na agenda dela já é uma vitória para quem ainda acredita na mudança de hábito do cidadão.

Avalanche Tricolor: Vou dormir líder mais uma vez


Atlético (PR) 0 x 0 Grêmio

Curitiba – Brasileiro

Estes que aí aparecem na imagem voltarão do Paraná com uma certeza: ao chegarem em casa, no Rio Grande do Sul, já madrugada de segunda-feira, poderão descansar em paz mais uma vez. Aconteça o que acontecer, serão líderes como foram até aqui nas últimas muitas rodadas desta competição.

Atípica situação esta vivida pelos gremistas neste ano. O campeonato é de ponto corrido e, como todos dizem, o Grêmio é um time copeiro. Costumam repetir isso muitas vezes, na maioria com a intenção de desmerecer a qualidade do tricolor. Mostrar que o time não nasceu para as competições consideradas nobres, de fôlego, que exigem infra-estrutura, organização e elenco de peso.

Desta vez, porém, o Grêmio está na zona da Libertadores – os quatro primeiros lugares – desde a terceira rodada do Campeonato. Terminou a primeira fase como líder. Tem a melhor defesa, o melhor saldo de gols, o melhor aproveitamento e o segundo melhor ataque. E mesmo tendo vencido apenas uma vez nas cinco últimas rodadas não consegue ser alcançado por seus adversários – estes sim com personalidade para conquistar os grandes títulos (é o que ouço quando ligo o rádio e leio blogs).

Assim que se encerrou a partida deste domingo, o telefone tocou em casa. Era um amigo gremista (lógico) que havia assistido ao jogo, em Porto Alegre. Está convencido de que se o Grêmio quer ser campeão este ano terá de perder mais uma ou duas das próximas partidas. Pois somente disputando o título com dois pontos atrás no jogo final teria valido a pena ganhar a competição. Disse que após ver Galatto fazer defesas impossíveis na tarde hoje com a camisa do Atlético Paranaense e impedir que o Grêmio vencesse – o que teria sido mais justo pelo que jogou – não tinha mais dúvida:o Imortal se prepara para mais um façanha. O “Herói da Batalha dos Aflitos” estava lá a defender não os ataques gremistas mas “a ordem natural das coisas”.

Deixei-o desfiar toda ladainha, e encerrei o papo desejando-lhe uma ótima noite. Que tomasse um chocolate quente antes de dormir. E ao colocar a cabeça no travesseiro não deixasse de fazer como faço sempre. Agradecesse a Deus por ser gremista e por mais uma vez dormir líder do Campeonato Brasileiro de 2008.

Boa Noite !

Do tudo que vem do nada

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Assustadoramente já é quinta-feira. Prazo limite, com alerta vermelho para eu enviar a coluna para o jornal. Desde que acordei, estou agitada. O prazo limite, com alerta amarelo, foi ontem de manhã. Há dois dias venho tentando. Verdade. Dei o melhor de mim, e nada! Ultrapassei o limite da hora de dormir e só fui cambaleando para o quarto, quando percebi que meus olhos já não distinguiam o teclado do computador, do mouse; e vice-versa. Uma palavra não conseguia combinar com outra, e pensamentos brotavam de toda parte, dançando todos os ritmos possíveis, menos aquele que poderia encaixar na minha música. Aí pensei, vou falhar. Não vou escrever e pronto.

A situação era mais ou menos esta. Cabeça cheia, pensamentos querendo sair fantasiados de palavras, só que todos ao mesmo tempo, e acabavam embolados, na tentativa. Um caos. Fui dormir triste, mas finalmente fui. Parei. Quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer. Quando não se sabe o que dizer, se não for possível calar, é melhor ao menos filtrar o que se diz.

Hoje acordei assim, assim. Não sabia por onde começar. Meditar, nem pensar. Quando você mais precisa é que não consegue mesmo. Comer? Tinha a garganta entupida por palavras natimortas, e o estômago cheio das não ditas e de sentimentos que borboleteavam sem trégua. Foi aí, no meio da confusão que o celular tocou. Apesar de atrasada, fiquei muito feliz de ouvir a voz do meu primo Pedro. Um dia destes vou contar para vocês sobre o presente que a vida tem me dado. Nestes últimos dois meses e meio, tenho ganhado, a prestação, uma preciosa família que eu nem sabia que existia. Pois bem, Pedro é um primo que vem nesse pacote. O primeiro que chegou. Ligou para dizer, basicamente, que gosta do que eu escrevo. A generosidade dele me destravou e me permitiu chegar até aqui.

Até então eu estava tentando escrever sobre a possibilidade, hoje no Brasil, de comprar uma ferramenta que quebre o sigilo telefônico de qualquer pessoa. No caso, por menos de mil reais, e em redes espalhadas por todo o território nacional, feito loja de eletrodomésticos.

Só que as ferramentas são seres humanos!

Agora entendo que eu não tinha, mesmo, nada a dizer sobre isso. Criticar para quê? Para competir com peritos? Sem dizer que minha crítica não traria nenhuma tonalidade nova para a situação. Seria inútil; pura descrição. Melhor não. A única idéia que me ocorre, como sempre, é revolução na educação e na consciência de cada um. Só que quando – e se – isso realmente acontecer, o resultado estará completamente instalado – como programa de computador – daqui a, pelo menos, três gerações. E não conheço muita gente que aceitaria um contrato de investimento para que seus tetranetos pudessem receber dividendos. Você conhece? Mas é bom lembrar que, nas letrinhas bem miúdas no final da página, existe a garantia de retorno individual imediato. É só experimentar.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira, autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, e todo domingo está aqui no blog nos ajudando a pensar melhor a vida.

Conte Sua História de SP: Homenagem ao cronista da cidade

Poucos souberam contar a história de São Paulo como o jornalista e escritor Lourenço Diaféria, morto nesta semana aos 75 anos. Por isso, na edição deste sábado do Conte Sua História de São Paulo fizemos uma homenagem ao cronista reproduzindo o texto “Provado: o que atrapalha o pedestre é o carro”, escrito em agosto de 1976, e republicado no livro “Mesmo a noite sem luar tem lua”, da editora Boitempo.

O texto de Lourenço, pela sua atualidade, também abriu a discussão sobre mobilidade urbana realizada no programa deste sábado.

Ouça a crônica de Lourenço Diaféria:

A sonorização do Conte Sua História de São Paulo é do Cláudio Antônio. Você é nosso convidado a enviar o sua história da nossa cidade para contesuahistoria@cbn.com.br.