Por Márcio Rachkorsky
Recém casada, uma moça recatada mudou-se para São Paulo com o marido. Uma bela mulher, com aproximadamente 25 anos de idade. O marido trabalhava muito e quase não parava em casa. Ela, ainda sem emprego em São Paulo, passava o dia todo no apartamento. O vizinho de porta era um jovem rapaz solteiro, com hábitos totalmente contrários às regras da boa vizinhança. Ouvia o som sempre em alto volume, promovia festas em seu apartamento, desrespeitava sistematicamente as normas do condomínio.
Indignada, nossa personagem tentou dialogar com ele e, como de nada adiantou, reclamou ao síndico. Após reuniões, pedidos e advertências, que de nada adiantaram, o condômino foi multado reiteradas vezes. Certo dia nossa personagem discutiu feio com o vizinho mal educado e quando seu marido chegou em casa, exigiu providências e, aos prantos, pediu que o marido fosse tirar satisfação com o vizinho. Cansado e sem paciência para tais assuntos, o marido disse que tinha mais o que fazer e um assunto tão bobo motivou uma abrupta separação. Ele voltou para a cidade do interior e nossa brava personagem permaneceu em São Paulo.
Alguns meses depois, para minha surpresa e indignação, recebi um feliz casal em meu escritório, ávidos para realizar o pagamento de uma dívida de condomínio. Era uma sexta-feira, por volta das 17:00 horas. Não é que a moça agora namorava seu vizinho, aquele mal educado! E estavam no meu escritório justamente para pagar as multas, aquelas aplicadas em função das reclamações dela … Dei um belo desconto, fechei o escritório e fui tomar uma gelada e merecida cerveja !
Márcio Rachkorsky é comentarista especializado em condomínio na CBN. Toda segunda está aqui no blog com textos inéditos e abre espaço para conversar com você.




