Por Carlos Magno Gibrail
SP arrecada 25 bilhões de reais, perde 33,1 bi com engarrafamento e 1,4 bi com acidentes e, ainda assim, produz 331 bilhões de reais por ano.
O automóvel, o ônibus, a moto, e a bicicleta querem espaço e vias exclusivas; os moradores não querem trânsito pesado; os comerciantes querem estacionamento permitido para automóveis e paradas de ônibus na loja do vizinho; e os pedestres exigem respeito nas ruas e calçadas.
A indústria automobilística cada vez mais afluente e influente coloca 800 veículos novos por dia na cidade de seis milhões de carros e 11 milhões de habitantes.
A indústria imobiliária empreende como nunca mais casas, apartamentos e condomínios. Além de patrocinar 12% da campanha do PSDB e 8% do PT na última eleição municipal.
As construtoras se antecipam e propõem aos candidatos um Plano Viário para abocanhar 15,6 bilhões de reais, construindo 54 viadutos, 44 avenidas e 18 pontes. Dinheiro suficiente para levar de 60 para mais de 140 km de metrô.
De acordo com Liane Nunes Born, o carro chega a ocupar 90% dos espaços e corresponde a 19% dos deslocamentos. O ônibus ocupa, em média, 25% do espaço urbano e corresponde a 71% dos deslocamentos.
Executivo e Legislativo, poderes municipais, premidos pelas forças das construtoras que os financiam nas campanhas, pela necessidade do voto de eleitores que os elegerão nesta cidade, trampolim para o sucesso da carreira política, como devem agir para que possamos equacionar o transe atual do trânsito?
Renato Balbim, na abordagem sistêmica de sua tese de doutorado vai à origem: A idéia de circulação surge, em 1628, em referência ao movimento do sangue no corpo. Lavoisier no século 18 foi quem falou pela primeira vez em sistema de circulação. É o mesmo dos dois corpos que não se sobrepõem.
Há falta de pesquisa sobre a mobilidade, continua Balbim: Se sabe muito pouco sobre o que faz as pessoas irem de um lugar ao outro. A única que existe é a pesquisa de origem e destino. E explica: Deve-se ter claro que a noção de mobilidade supera a idéia de deslocamento, pois traz para a análise suas causas e conseqüências, ou seja, a mobilidade não se resume a uma ação.
Dentre os vários tipos de mobilidade, chama atenção o da profissão, pois o sonho da casa própria, tão característico dos brasileiros, aliado a maior mobilidade nos empregos, origina uma maior distância nos deslocamentos casa-trabalho na medida em que as pessoas mudam de emprego.
Marcos Cintra, o calculista dos 33,1 bi de perda, aposta na circulação: Na capital paulista, são 1.509 km2, por onde circulam quase seis milhões de veículos, ou seja, cerca de 4.000 veículos por km2. Em Manhattan, com área de 87,5 km2, circula 1,9 milhão de veículos, ou 22 mil carros por km2. Essa comparação mostra que a revascularização do trânsito em São Paulo, fazendo-o fluir por um número maior de vias, deveria ser a diretriz a ser seguida em curto prazo.
Benjamin Steinbruch: Em São Paulo, a solução definitiva só virá com o investimento pesado em transporte coletivo. Também é necessário tratar com serenidade o problema dos automóveis. Não adianta odiá-los. É melhor fazê-los circular. Há também medidas de gestão que podem facilitar o trânsito, como a desobstrução de rotas paralelas hoje fechadas por conveniência de moradores, a mudança de sinalização, a adoção de mão dupla e a facilitação de conversões com sinal fechado.
Para Cândido Malta o jeito é cobrar pedágio urbano, investir no metrô, levar microônibus para as ruas a fim de suprir deficiências da malha subterrânea e usar carro particular só no fim de semana.
Jaime Waisman: Não construir para o automóvel, investir na qualidade do transporte público..
Raquel Rolnik: Não aos investimentos viários, o trânsito já entrou em colapso. Atenção para a mobilidade.
Gregório Jung, 11 anos: Não quero que acabem com os rios Tietê e Pinheiros.
Quem decidirá isto é você. Vote.
De minha parte fico do lado do meio ambiente, mesmo porque já tem muita força com o automóvel e pouca com os trilhos e os moradores.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve neste blog às quartas sobre temas do cotidiano. Durante o resto da semana, bate papo com todos que publicarem sua opinião aqui embaixo. Há muito tempo tem diminuído as distâncias a bordo do seu computador portátil.