Maria Lucia, em texto e voz

Primeira colaboradora a aceitar meu convite para participar do Blog do Milton Jung, Maria Lucia Solla não titubeou quando lhe apresentei mais um desafio: dar voz a seus textos. Há duas semanas estamos ensaiando para que o áudio esteja à altura da escrita dela. Alguns tropeços deste blogueiro e a incompatibilidade entre três computadores – dois Mac e um PC – e os perfis adotados pela Globolog quase me impediram de insistir nesta fórmula. Foi quando lembrei do livro escrito pela própria Maria Lucia que está em minha estante, “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, decidi seguir em frente. Resultado: você, a partir deste domingo, além de ler os textos de nossa escritora (logo mais abaixo), terá ainda o privilégio de ouvi-la.

Faça bom proveito:

De palavras e certa digressão

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Ah caríssimo São Longuinho, me ajuda a achar as palavras que eu dou três pulinhos, dizia minha avó, italiana de Palermo. Minha mãe manteve a tradição, e eu, que adoro uma história diferente, adotei o esquema. Perco alguma coisa, corro para São Longuinho; ponho foco na tarefa, vasculho cada canto, encontro a tal da coisa perdida e, cansada da busca, além de dar o crédito a ele ainda pago três pulinhos. Será fruto de folclore, ou ele ajuda mesmo? Só sei que nunca tentei ficar escarrapachada na poltrona, pedindo que ele ache o perdido e que o traga para mim.

……………………………

Fiz uma pausa na caçada às palavras para falar com minha amiga Suiang, que acompanha de perto minhas sandices. Batemos o ponto, perguntamos uma da outra, família, amores, trabalho… E, claro, acabamos falando de amor. Já viu duas meninas conversando, qualquer que seja a idade delas? Acaba sempre em amor, receita nova, filhos, amor, amigos, brinquedos novos, trabalho, amor, muita idéia para mudar o mundo, começando por marido, filhos… Mas a gente também fala de brilho, lantejoulas e paetês, do último livro lido e praticamente impingido aos amigos, como se fossem todos, homens e mulheres, legítimos clones seus… Bem, mas, o que é que eu procurava? Ah sim; palavras. Enquanto não as encontro vou contar rapidamente, editando, por onde passeou o nosso papo.

Enveredamos pelos caminhos do amor, é claro, e chegamos ao amor incondicional; aquele divulgado pelo Mestre Jesus e outros; lembra? Pois bem, amar incondicionalmente é amar sem nenhum “mas” agregado à declaração do sentimento maior, pelo ser que merece o melhor do seu amor. Parece que nós, terráqueos bípedes, continuamos confundindo amor com certificado de propriedade. Dizemos que o amor é precioso, mas condenamos o ser amado a um confinamento velado, e às vezes não tão velado assim. Fazemos de tudo para que o outro seja o nosso eu de calças, ou no caso dos meninos, que seja o nosso eu de saias. Minha avó, a mesma lá de cima, também disse que é de pequeno que se torce o pepino. Hoje sabemos, pelos cientistas, que somos pepinos sujeitos a torcida, apenas até os sete anos de idade. Nesse ponto, a configuração está completa. É possível atualizá-la e até trocar programas; mas só se quisermos. Eu disse a ela: Su, acho que começo a sentir o gostinho desse amor incondicional, mas não sei dizer o que é que me levou a ele. Teriam sido as cerimônias de batismo e crisma? O TAO que recebi há alguns anos, yoga, musculação, reiki, do-in, tarô, reza brava, florais de Bach e de Beethoven, leitura das idéias dos grandes mestres, as velas que adoro acender, meus diálogos com o próprio Criador, com a lua, o sol e as estrelas? Ou será que foi ele que veio a mim, trazido pelos pássaros agradecidos pela banana fresquinha pendurada nas primaveras?

Nossa, o tempo voou e falei demais. Peço licença e me despeço. Acabei cercada de tantas palavras, que só me resta dar três pulinhos. Se bem que hoje as encontrei meio desencontradas, mas você há de me entender.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês, escreve todos os domingos aqui no blog e agora pegou a mania de conversar com os ouvintes-internautas que deixarem comentários logo abaixo.

VÔLEI ARTE, BRASIL !

Ter assistido ao vôlei feminino do Brasil nestes Jogos Olímpicos foi o mesmo que apreciar uma obra de arte na tela. E José Roberto foi o construtor deste quadro ao ser capaz de encaixar os melhores elementos nos lugares mais apropriados. Um verdadeiro artista.

Obrigado por tudo, por nada obrigado

Sérgio Vaz
Criador e criatura da Cooperafira

Quando vi a estrada pela primeira vez nem sequer sabia o quanto ia ter que caminhar pra chegar até aqui, e mal sabia que esse tipo de estrada não fim, só paradas breves para que o coração possa registrar os momentos.

A vida não pára, nem aqui, nem hoje e talvez, nem nunca. Quem sabe o futuro? Ninguém vence enquanto a luta não acaba, um dia como hoje é apenas uma vitória passageira, não chega a ser um nocaute, mas dá um certo prazer em olhar a cara do destino cheio de hematomas acuado nas cordas, como que surpreso pela nossa reação.

Quando olho no espelho também vejo as cicatrizes que carrego na face, todos sabem que a vida bate bem, e muitas vezes é traiçoeira, só quem nunca apanhou não sabe do que estou falando, mas de onde eu venho quase todos têm cicatrizes na alma. Um dia como hoje é algodão doce na ferida da gente.

Eu que sempre represei lágrimas, apesar de tudo, sempre achei que a vida é feita de pequenos milagres, e o riso que nasce da dor, como vocês sabem, é giz colorido na boca de poeta. Sofrimento pra nós é festa, muitas vezes sem hora pra acabar.

Mas hoje, exclusivamente hoje, não quero estar triste, tampouco quero uma alegria histérica estampada no rosto como vitrine de loja de shopping, quero apenas estar em paz. Nem como soldado nem como monge, como moleque comendo fruta no pé, encardido de suor, mas limpo na sombra.

Um dia para andar descalço, no escuro e nu de vaidade (vou tentar). Andar com os pés no chão, mas sem pisar em brasas… não quero bolhas nos pés nem bolhinhas de sabão. Se for proibido pisar na grama, deitar e rolar e seria bom. Francamente, um dia como hoje é ótimo para dizer obrigado, não como pagar dívidas, mas para praticar a gratidão sem mesquinharia e sem nada em troca, porque pensando nos tantos amigos se foram, não tive oportunidade de dizer isso, na verdade tive, mas não disse, por isso, antes que eu ou você parta sem se despedir adequadamente, quero te pedir obrigado, por tudo, por nada obrigado.

Este dia em que a lágrima molha meu sorriso, é porque de alguma forma você está por perto. Eu sinto isso. Como eu disse, nem alegre, nem triste. Em paz.

Só queria que você soubesse disso.

Maurren salta pela filha

Os bons resultados no início de carreira, o caso de doping, o nascimento da filha, o fim do casamento. Conheça um pouco da caminhada de Maurren Maggi até os 7,04 m que lhe renderam a medalha de ouro no salto em distância.

O diretor técnico da Confederação Brasileira de Atletismo José Haroldo Arataca é quem conta a história de Maurren. E ainda fala da oportunidade de mais um ouro para o Brasil, neste fim de semana:

Cartas de Viagem: Cátia é ouro !

Olá, Milton !

É hora de fazer as malas…..O objetivo maior da minha viagem já foi alcancado….. Agora há pouco recebi o prêmio Wash Medea Award pela série que foi ao ar no CBN Säo Paulo entre 17 e 21 de marco deste ano…. Aqui no Stockolmsmässan, uma espécie de Centro de Convenções, a cerimônia durou uma hora…Foram anunciados os vencedores e entregues seus devidos diplomas…Uma coisa eu não sabia e fiquei muito feliz: o veículo rádio foi o grande vencedor deste prêmio….sim, porque rádio, tv e jornal concorreram todos juntos, divididos só em língua: inglesa, francesa e espanhola… A TV ficou com o segundo lugar na lingua espanhola, uma TV lá da Argentina, e teve um jornal que ficou em segundo na língua francesa, mas as 3 vencedoras de cada língua sao jornalistas de rádio…. A jornalista da Tanzânia que levou pelo conjunto da obra é de um jornal ….. Por isso sou apaixonada cada vez mais por esse veículo, táo simples, täo desafiador e täo apaixonante……Correu tudo bem…recebi meu diploma e agora levo na bagagem…Ah!!! tirei foto com a camisa do Corínthians, é lógico….Gostaria de vê-la publicada no blog!!!! Que sensação boa!!!!! Agora vou aproveitar este dia de folga e procurar a 25 de marco aqui de Estocolmo…. Até a volta…..

Até a volta,

Cátia Toffoletto

PS:Nao vi nada do Corinthians na internet, se ganhou, se perdeu….Perder não tem nada não, faz parte do jogo….o importante é ser líder, nao é Milton????? Avante Corínthians…. Aqui tem só uma louca, louca por ti Corinthians

Avalanche Tricolor: Noite de boas lembranças



Loivo, o Coração de Leão, estava no meu Maracanã imaginário

Flamengo 2 x 1 Grêmio

Maracanã – Brasileiro

Quando o árbitro marcou a falta quase na imaginária linha da intermediária poucos acreditaram no que estava por vir. Com o número 11 às costas, oferecido a todos que naquela época exerciam a saudosa função de ponta esquerda, Loivo ajeitou a bola no gramado, deu as costas para o goleiro, tomou distância e fez pose com as mãos na cintura a espera da autorização para cobrar o tiro livre direto.

De lá onde estava mal conseguia enxergar a goleira tantos eram os adversários de camisa rubro-negra que formavam a barreira à frente dele. Estava 1 a 1 no placar. Dario havia feito para o Flamengo e Tarciso descontado para o Grêmio. Loivo ainda deu uma última olhada em direção a meta como se tentasse achar um espaço naquela muralha. Assim que ouviu o apito do árbitro correu, mudou um pouco o ritmo para acertar a passada antes de chegar na bola e fulminou.

O petardo acertou primeiro o travessão sobre o goleiro flamenguista, desceu na vertical com um força impressionante e se chocou com a linha da cal, na mesma velocidade voltou a subir encontrando mais uma vez o travessão, e só sossegou depois de ficar amarrada no fundo da rede. Ou no fundo do poço, gíria que um locutor gaúcho que estava na cabine do estádio do Maracanã já havia consagrado no microfone da rádio Guaíba de Porto Alegre.

Foi na cobrança de falta de Loivo que o narrador, pai deste que lhe escreve, ensaiou pela primeira vez um grito de gol que durante anos passaria a ser sua marca registrada. Acompanhando a batida da bola no travessão, na linha, no travessão novamente e na rede, anunciou ao Rio Grande do Sul: gol, gol, gol, gooooooooooooool !, Loivo, Coração de Leão !

Durante à noite de hoje, por motivos que não sei explicar, lembrei desta jogada que aconteceu em 1973 quando ainda tinha 10 anos de idade. Lembrei de Loivo que é o atual titular da ponta esquerda do meu time de botão;do grito de Milton Gol-Gol-Gol Jung; de quantas vezes o Grêmio saiu sorrindo do gramado do Maracanã.

Desculpe-me por tomar tanto espaço nesta coluna falando das minhas lembranças, típicas de quem pode se dar ao luxo de passar um jogo de futebol inteiro pensando nos bons momentos da vida sem se importar com o que acontece a sua frente. Acabei esquecendo de escrever sobre o que realmente lhe trouxe até este blog, nesta noite de quinta-feira: o Grêmio é o líder do Campeonato Brasileiro.

Os melhores vereadores segundo o Voto Consciente



Quatro vereadores do PT, quatro do PSDB, três do PTB e um do PDT receberam notas de sete a dez por seu desempenho na Câmara Municipal de São Paulo, segundo levantamento feito pela ONG Voto Consciente. O tucano José Police Neto foi o mais bem avaliado tendo recebido nota 8,7 segundo os critérios para identificar a qualidade do serviço prestado no legislativo. Mara Gabrilli, do PSDB, ficou em segundo lugar com 7,9 e Donato do PT, em terceiro, com 7,6.

Para chegar a nota final, os integrantes do Voto Consciente avaliaram oito ítens: projetos apresentados, freqüência nas comissões, fidelidade partidária, sites, respostas a pedidos de informação, presença em votações nominais e coerência.

Roberto Trípoli (PV), com 3,9, Wadih Mutran (PP) com 3,3 e Milton Leite (DEM) com míseros 2,4 receberam as piores notas dos 55 avaliados pelo movimento. Doze vereadores apesar de terem obtido notas maiores foram separados em uma lista devido a problemas que enfrentam na justiça como não-provação das contas ou condenação por improbidade administrativa.

Acesse avaliacaovereador2008.xls e veja como o seu vereador foi avaliado pela ONG.

Seis mil livros de graça na Bienal dos Pobres

Bienal dos Pobres

Entusiasmo não falta. Livros também não. É o que se percebe ao entrevistar Devanir Amâncio, da ONG Educa São Paulo. Ele é um dos responsáveis pela Bienal dos Pobres que se realiza, neste ano, na Praça Silvia Teles, no bairro Itaim Paulista, zona leste da capital paulista.

Conversei com ele nesta quinta-feira, durante o CBN São Paulo-digital, transmitido apenas pela internet. Satisfeito com o resultado do evento e a presença de muitas crianças na praça, Devanir disse que há seis mil livros à disposição do público. É só passar por lá, folhear, escolher e levar. De graça.

“Os bairros ricos ajudaram os mais pobres”, falou Devanir ao explicar que o material à disposição dos visitantes da Bienal foi doado por pessoas que têm mais recurso. Bairros que tem biblioteca, no mínimo. Pois, no Itaim você não encontrará nenhuma para ser visitada pelos moradores. Apesar da sede de leitura encontrada na praça, nesta sexta-feira, de muito calor na cidade.