Canto da Catia: Agora vai

Nestes dias de férias e distanciamento da cidade, sempre que possível (leia-se: aparecer um acesso a internet no meu caminho) abrirei espaço para o canto mais famoso deste blog.

Neste começo de semana, soube pela Catia Toffoletto que São Paulo trava queda-de- braço com os motoristas de caminhão. Se a briga não é da cidade, parece ser do prefeito que de jaleco e tudo saiu as ruas para caçar os “ ilegais”.

Na primeira imagem, o próprio atirou na mosca e acertou no mosquito. Encontrou e mandou cortar faixa de comerciante que fere a lei Cidade Limpa. Na segunda, foi a CET que cortou o barato de um motorista de caminhão. E, segundo me conta a Catia, com pneu careca e placa ilegível, o caminhão sequer poderia rodar na cidade.

Quando a prefeitura tiver capacidade de tirar das ruas carros e caminhões “piratas” não precisará mais restringir o tráfego de ninguém.

Terra de Heródoto




Clique na imagem e veja fotos de Taiaçupeba no álbum do Blog do Mílton Jung

Taiaçupeba tem ilustres moradores. Nenhum se compara ao lendário professor Heródoto Barbeiro. Com sítio na região, já fundou ONG e ajudou a mudança de hábito dos moradores do pequeno distrito de Mogi das Cruzes. Transformou o local em estação turística, haja vista o interesse do ouvinte-internauta Marco Paulo Dias em fotografar pontos relevantes de Taiaçupeba pelos quais nosso mestre já nos brindou com sua sempre humilde presença.

Avalanche Tricolor: Festa na madrugada italiana

Direto de Roma
(e de um teclado com a acentuaçao diferente da nossa)

Do acolhedor apartamento na Via Merulana, é possivel caminhar até tres belas igrejas que ornamentam o bairro. Vizinho a nos, no subterraneo, uma cantina de moças divertidas esta sempre a disposiçao. Se der a volta na quadra, outras moças festeiras poderao nos recepcionar, mas o local nao é exatamente para as boas familias italianas. Prefiro manter distancia.

Daqui do terceiro andar deste antigo prédio que mistura residencias e dois ou tres espaços comerciais, quase nao se ouve nenhum barulho da rua. Os sons costumam sair dos apartamentos de cima. O salto da senhora do quarto andar nos acompanha o dia todo. Um pouco mais cedo, ouvi alguns aplausos de uma familia de espanhois comemorando o gol de Torres contra a Alemanha. Imagino que tenham saido para festejar o titulo na Eurocopa, pois nao ouvi nenhum som a mais, apos o fim da partida.

Com a madrugada, o silencio se destaca. Nada, além da ventuinha deste computador e da respiraçao cadenciada de quem ja dorme. Foi assim que assisti, pelo computador, ao Gre-Nal deste domingo, que terminou na segunda, em Roma. Estamos cinco horas a frente do Brasil.

Mesmo nestas condiçoes, foi possivel vibrar mais uma vez com o talento de Roger que marcou seu quarto gol de penalti neste Campeonato Brasileiro. Nao tive o privilégio de ver a imagem da cobrança, mas na transmissao do Terra, o redator escreveu “com direito a paradinha”. Fechei os olhos e relembrei a cena de domingo passado quando estava, ao vivo, no estadio Olimpico, e Roger desconsertou Galatto, do Atlético Paranaense. Clemer deve ter sofrido o mesmo vexame.

Engraçado: ao fechar os olhos, passei a ouvir o grito forte de torcedores gremistas que, em meio a foguetes, corriam em avalanche pela arquibancada, berravam de maneira estridente, e cantavam aos gritos o hino do tricolor.

Ao abrir os olhos, a familia deitada na cama me olhava com cara feia.

Boa Noite !

De tempo e Ponto Zero

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Mais uma semana se vai ou, puxando para o dramalhão, se esvai. Tudo voa, nas malhas da controvérsia sobre a velocidade do tempo.

O geólogo americano Greg Braden vem dizendo, há tempo, que a Terra está desacelerando o movimento de rotação e aumentando sua freqüência vibratória, a chamada Ressonância de Schumann, e que isso faz o tempo passar cada vez mais depressa. Ele diz que num futuro bem próximo, a Terra vai parar o movimento de rotação, atingir o que ele chama de Ponto Zero, e girar do lado contrário. Dessa forma o sol vai nascer no Oeste e se pôr no Leste. Acrescenta que devemos nos preparar para essas mudanças, e que todos os nossos medos, então, serão totalmente dissolvidos. Gosto da idéia.

Acontece que Einstein disse que ele, o tempo, e na realidade tudo o mais, é relativo; e com isso quis dizer que se você está perto de quem ama, ele, o tempo, voa, mas se está na cadeira do dentista, boca aberta, com uma broca insistente detonando o seu dente, engatinha.

Carrego as duas informações, mas é a crença na relatividade que me faz perceber que é, em grande parte, nossa impressão de prazer e desprazer a responsável pela mudança na velocidade da passagem do tempo. Nosso prazer o acelera e nosso desprazer o paralisa. Que poder, hein? E olha que cada um de nós tem um cardápio próprio, pessoal e intransferível, do bom e do não-bom. Será que, mesmo assim, somos nós que aceleramos o tempo? Cada um empurrando a máquina com seus prazeres, mesmo mergulhados em diferenças e achando que está tudo sempre errado?

Esse é o mundo que criamos; o reflexo da soma de todos nós. Puro espelho. É o melhor que conseguimos fazer. Duro é chegar a essa conclusão, mas é hora de encarar a realidade nua, sem maquiagem e de cara lavada.

Vivemos manifestando vontade de mudar, mas na verdade estamos muito apegados ao tempo e ao mundo; cada dia mais, e daí nasce o desequilíbrio entre matéria e essência. O segredo para o equilíbrio? O meio do caminho, para onde convergem as duas pontas, encontrando-se no ponto zero da reta.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.

Caros,

De Madrid/Espanha

O avião da TAM para Milão atrasou a saída. Muitos passageiros estavam presos na interminável fila do embarque internacional, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O da Iberia para Madrid tinha de “estacionar” na mesma vaga. Atrasou, também. E a conexão para Roma “foi para o saco”, expressão que ouvi de um brasileiro que aguardava em mais uma fila para remarcar o vôo à capital italiana. De consolo, ganhamos o almoço e o direito de visitar as lojas do freeshop. Dei preferência a sentar em um dos pontos de conexão Wi-fi e escrever para vocês aqui no blog.

Durante estas férias, o acesso à internet será restrito. Sempre que houver oportunidade conto alguma novidade (se é que você está interessado em saber). Durante minha ausência não faltarão novas notas aqui no blog, além das colunas que nos acompanham todas as semanas: a Do Gibrail, publicada às quartas-feiras, que tem tido ótima repercussão mesmo lançada recentemente; a da Maria Lucia Solla, que nasceu com o blog e todos os domingos nos ajuda a pensar sobre as coisas da vida; a Quintanares, às terças e sábados, com a poesia de Mário Quintana; o anto da átia, a qualquer momento em edição extraordinária ou quando o orinthians ganhar; e a Avalanche Tricolor, que vai “ao ar” logo após cada nova façanha do Grêmio (a próxima, no domingo, cheia de emoções pois estamos na Semana Gre-Nal).

E se o assunto é futebol, a camisa da seleção da Espanha, aqui no aeroporto, está custando 65 euros (não encontrei a de nenhum time brasileiro). om a classificação à final da Eurocopa, o preço vai aumentar, em breve. A satisfação com o desempenho da seleção deles é tanta que o comandante do vôo entre São Paulo-Madrid, nas boas vindas aos passageiros, fez questão de anunciar a vitória por 3 a 0 sobre a Rússia. Não chegaram a fazer “ola” mas o bom humor dos comissários de bordo – pouco comum na Iberia – refletia a alegria da turma.

Quanta coisa a gente faz de errado

Desde a extração até a venda, use e descarte, todas as coisas em nossas vidas afetam as comunidades locais e internacionais, mesmo que na maioria das vezes não sejamos capazes de enxergar esta realidade. A “História da Coisa” – originalmente batizada “The Story of Stuff” – apresenta a conexão que existe entre problemas sociais e ambientais enfrentados pela sociedade moderna. São 20 e poucos minutos de filme que nos convocam a criar um mundo mais justo e sustentável. A iniciativa é de Annie Leonard, ambientalista e coordenadora do Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption

Você tem duas formas de assistir ao vídeo. Clique na imagem acima e reserve alguns minutos a mais para refletir sobre o tema. Ou vá até o site oficial de “História da Coisa” e tenha a oportunidade de interagir na discussão.

Audácia de Maluf tem limite

O livro-palanque com a trajetória política de Paulo Maluf, lançado semana passada, não foi a primeira tentativa de se escrever a biografia do atual deputado federal. Ainda antes de se eleger para a Câmara dos Deputados, Maluf se submeteu a uma série de entrevistas feitas por famoso jornalista paulistano. Ao aceitar o convite, Maluf assumiu o compromisso de permitir a publicação de todas as declarações que estavam sendo gravadas. O caldo entornou quando o jornalista falou sobre a relação dele com o Regime Militar: “O senhor sabia que os militares torturavam e matavam os presos políticos ?”. Um sonoro e impublicável palavrão foi disparado pelo parlamentar na época não-deputado. Em seguida, levantou-se e saiu da sala. Ao retornar foi informado que a reação agressiva seria publicada. Desistiu do projeto.

Do Gibrail: Pareto, Drucker e a consagração da eficácia

Por Carlos Magno Gibrail

Cinqüenta e duas mil pessoas vaiam a seleção brasileira e, de repente, começamos a assistir à infindáveis causas geradoras da vaia por parte dos envolvidos e da imprensa. Pareto diria que se constataram dez causas, bastariam resolver duas e na próxima o Brasil ganha.

Nas empresas com muitos itens de venda, apenas pequena parte apresenta giro e volume significativos. De forma que podemos classificar em A, B e C. E verificar que os produtos A representam 20% das unidades, mas 80% do resultado.

Segundo Drucker, ao realizarmos uma tarefa dentro do prazo e custos previstos, somos eficientes. Se escolhermos certo as atividades a serem executadas e as fizermos eficientemente, somos eficazes.

Eficácia, portanto, é atuar em cima dos 20% que resolvem os 80%.

Pareto desenvolveu sua experiência em 1897, Drucker escreveu em 1966. Entretanto, muitas áreas ainda não utilizam estas premissas.

Não vamos nem citar o caso de nosso guarda-roupa, do qual, certamente, estamos usando apenas 20% das peças e as outras 80% estejam ocupando espaço.

Provavelmente na política, inclusive durante as campanhas eleitorais, é que Pareto e Drucker sejam mais ignorados. Como explicar que em vez de o candidato eleger 20% de temas que mais dariam eficácia ao mandato desejado, escolhe criticar o adversário mais forte, indo muitas vezes na profundidade da vida privada alheia ?

Que o esporte, as empresas comerciais e nós estejamos almejando a eficácia é de se esperar, mas e a política ?

Carlos Magno Gibrail
é empresário, mestre em administração e professor de marketing de moda. Toda quarta-feira, está neste blog, dividindo com você idéias de maneira eficiente e muito eficazes.

Fretados debatem trânsito congestionado de São Paulo


Caminhão comete irregularidade e prejudica ainda mais o trânsito

São Paulo está congestionada de eventos que discutem a mobilidade urbana, reflexo de um cenário que prejudica a qualidade de vida do cidadão e barra o desenvolvimento da cidade. Os engarrafamentos que transbordam os tradicionais horários de pico são resultado de políticas públicas fracassadas que deram prioridade ao transporte individual, e tornaram o carro extensão da casa de mais de 1/3 dos paulistanos. Hoje, será a vez do sindicato que reúne empresas do setor de frete que debaterá o tema com personalidades que estudam este quadro.

Uma pesquisa que mostrará quantos carros deixariam de circular com a ampliação do sistema de fretamento oferecerá aos empresários base para documento que será apresentado ao fim do encontro. Será interessante, por exemplo, comparar o efeito desta medida com outra muito mais polêmica: o pedágio urbano. Apesar de o programa do 1o. Fórum de Debates sobre Trânsito e Transporte não falar explicitamente no tema, um dos mais ferrenhos defensores da cobrança, o arquiteto Cândido Malta, está entre os convidados do painel “São Paulo está parando”.

Os empresários do transporte de carga que têm criticado a prefeitura de São Paulo pela restrição parcial na circulação de caminhões também falarão ao público e, ao lado, dos representantes dos setores de transporte de passageiros formarão o painel “São Paulo não pode parar”

A este que lhe escreve, caberá o sempre antipático papel de mediar o debate “São Paulo não vai parar”. Antipático, pois a função exige o controle do tempo ocupado pelos debatedores (e sempre alguém vai além da conta) e a seleção das perguntas do público o que acaba deixando muita gente de lado. Nos dois casos, todos olham para você com cara feia.

Como feia mesmo é a situação do transporte na cidade, será interessante ouvir do presidente da Associação Nacional do Transporte Público Ailton Brasiliense o que São Paulo pode fazer. Em seguida, CET, EMTU, e as secretarias de transporte do Município e do Estado comentarão as sugestões apresentadas para que se possa entender as diferenças que existem e as convergências possíveis.

O evento será no Centro de Convenções do Novotel Jaraguá São Paulo Conventions (r. Martins Fontes 71 – Centro – São Paulo -SP), das 8 às 18 horas.