Ouvinte vê debate na vitrine da rádio, em Porto Alegre



Discussão esportiva é atração no estúdio Cristal de rádio no RS

Na semana Gre-Nal, os debates esportivos ganham destaque no Rio Grande do Sul. O torcedor fica excitado com a possibilidade de vencer o adversário no domingo. E quer participar de todas as discussões. Ver, ao vivo, alguns dos mais famosos jornalistas falando sobre futebol é uma das atrações proporcionadas pela Rádio Guaíba de Porto Alegre.

Na esquina da Rua da Praia com a Caldas Júnior, centro da cidade, local de intensa movimentação, principalmente na hora do almoço, os ouvintes param para ver o programa apresentado no Estúdio Cristal, que fica no andar térreo da emissora. É uma vitrine na qual a atração é a turma do esporte batendo boca. O público que ouve o som da rádio a partir de caixas penduradas do lado de fora participa com vaia ou aplausos dependendo a opinião do comentarista e o time para o qual ele torce, é lógico.

Nesta terça-feira, passei por lá para registrar as imagens que você vê aqui no blog ou acessa no nosso álbum do Blog do Milton Jung, no Flickr. Vi dois velhos amigos com quem tive oportunidade de trabalhar: Luis Carlos Reck, o primeiro da direita para a esquerda, e Edgar Schmidt, na outra ponta.

A emissora está ligada a minha história profissional e pessoal. É lá que meu pai trabalha há 50 anos. E foi lá que trabalhei no início de minha carreira, nos anos de 1980. No livro Jornalismo de Rádio, que lancei pela Editora Contexto, cito a emissora em capítulo no qual falo sobre a influência da internet no rádio. E aqui no blog reproduzo terças e sábados gravações do programa Quintanares que, originalmente, foram ao ar na Guaíba, por dez anos.

Clique na imagem lá em cima e veja o álbum do Blog do Milton Jung, no Flickr

Canto da Cátia: Cadê a faixa que estava aqui ?

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A falta de sinalização horizontal na pista gera insegurança aos motoristas, principalmente nas vias de maior velocidade como esta na Marginal Tietê. A justificativa, já sabemos: é preciso esperar a fiscalização avaliar o trabalho de recapeamento e autorizar a pintura. O problema é a demora para que estas ações sejam adotadas. A Cátia Toffoletto, nossa “Paparazzo do Cidadão”, registrou esta imagem na faixa em direção a rodovia Ayrton Senna, no trecho da Ponte da Casa Verde e o estádio da Portuguesa.

Tempo quente no inverno gaúcho



Painel de Aldo Locatelli se destaca na sala na qual a governadora anuncia medidas para o Detran

Sem a mesma maestria para manipular os deputados estaduais que alguns colegas seus, a governadora Yeda Crusius (PSDB), do Rio Grande do Sul, tem enfrentado forte oposição na Assembléia Legislativa. Nessa segunda, antecipou-se a conclusão da CPI do Detran e anunciou medidas para mudar a cara do órgão, alvo de denúncias de ineficiência e desvio de verbas públicas.

O local escolhido para o lançamento do plano de recuperação do Detran foi o Salão Alberto Pasqualini, do Palácio do Governo. Lotado de jornalistas, gente interessada e uma turma de interesseiros, Yeda falou ao microfone na tentativa de provar aos gaúchos que os tempos são outros, a partir de agora. Tem muito o que falar ainda para convencê-los desta verdade, pois os problemas no governo dela não se resumem ao departamento de trânsito.

Assisti apenas à parte do pronunciamento, estava mais interessado na decoração do palácio e nas pessoas que frequentavam o local. Muitos, atentos as medidas, nem ouviram a explosão de um carro do lado de fora. Não era um carro-bomba, menos mal. Era apenas uma bomba de um carro.

Clique na foto acima para visitar a página do Blog do Milton Jung no Flickr

Nosso blog é 100 mil

Levei dois dias, vai ver pela emoção do momento, para registrar que o blog superou, no fim de semana, a marca dos 100 mil cliques. Poderia falar em 100 mil acessos, mas preferi os 100 mil cliques pois soa mais próximo da realidade. Deve ter muita gente que apenas clicou e quando viu a cara feia deste jornalista já desistiu de seguir em frente, ou seguir rolando barra abaixo para ler os posts. Não posso esquecer a quantidade de vezes que este mesmo autor acessou o blog para verificar se algum ouvinte-internauta deixou seu precioso comentário. Cada sem-número de vezes que fiz a verificação, o reloginho de clicadas mudou, também. Deve-se levar em consideração, ainda, que a contagem não se iniciou com o blog em 1o. de junho do ano passado. A “tecnologia” foi introduzida nos últimos meses de 2007. Por isso, posso garantir-lhe que estamos com bem mais de 100 mil acessos.

A caminhos dos 200 mil !

Ambiente Urbano: Tóquio, lixo e transporte



Por Osvaldo Stella
Direto de Tóquio

“Estando em Tóquio para acompanhar encontros técnicos sobre a inclusão das florestas em pé no Protocolo de Quioto, aproveito para fazer um paralelo entre a cidade japonesa e São Paulo, a partir de temas relacionados ao transporte coletivo e ao lixo (finalmente achei uma maneira de utilizar o gerúndio).

Podemos dizer que Tóquio é a maior cidade do primeiro mundo, seguida de perto por Nova Iorque. A cidade de Tóquio tem uma população de mais de 8 milhões de habitantes, porém se considerarmos a região metropolitana, com suas 23 municipalidades, este número chega a 12 milhões. A densidade populacional da capital japonesa é o dobro que a da cidade de São Paulo. Logo é de se esperar que existam problemas semelhantes. Mas embora os problemas sejam semelhantes, as soluções são diferentes.

Em relação ao lixo na cidade de Tóquio existe um forte programa de redução na produção de resíduos e de reciclagem, o lixo que não é reciclado é incinerado. A opção pela incineração se deve principalmente ao fato da indisponibilidade de áreas para aterro. Neste sistema apenas 20% de todo lixo coletado vai para o aterro. Existem 21 estações de incineração em Tóquio, inclusive uma a 500m aqui do hotel. Esta solução não seria a mais indicada para o Brasil. Apenas os ganhos com programas eficientes de reciclagem já seriam suficientes em São Paulo. Em Tóquio, considerando a incineração, o índice de reciclagem é de quase 80%. Na
construção civil, 90% dos resíduos são reciclados.

Em relação ao transporte, Tóquio é conhecida por ter a maior rede de transporte coletivo do mundo, interligando trens de superfície com metrôs e linhas de ônibus. O metrô de Tóquio foi inaugurado em 1927 e, hoje, conta com 290 km e 240 estações. É comum em Tóquio encontrar estações de metrô a alguns quarteirões uma da outra. Quando saí da minha casa na Vila Leopoldina, sexta feira, levei, de táxi quase duas horas para chegar no aeroporto. Curiosamnente, naquele momento, Dan Stulbach e sua turma conversavam com o professor Jaime Weissmam sobre a questão do trânsito em São Paulo, no Fim de Expediente. A viagem até o aeroporto me custou R$ 130 e duas horas. Chegando aqui, demorei metade do tempo para percorrer o dobro da distância a um custo de R$ 50, de trem. O táxi aqui custaria R$ 400. Parados nos congestionamentos a cidade vai consumindo nosso tempo e nosso dinheiro.”

Quintanares: Acordarás



O autor da imagem é Itamar Aguiar e está publicada no site em homenagem ao Centenário de Mário Quintana

Ouça mais um capítulo de Quintanares, programa que foi ao ar, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre, apresentado por Milton Ferretti Jung:

Ouvinte-internauta: Vamos invadir o Ibirapuera

Por Sandro Tubertini

“Vivo em Londres há três anos onde trabalho como arquiteto para uma consultoria especializada em projetos sustentáveis. Escuto seu programa sempre que posso via internet e pude seguir todas as discussões a respeito das mudanças no zoneamento vigente na região do Parque do Ibirapuera, mais precisamente sobre a construção ou não de novos edifícios no entorno do parque. Corrija-me se estiver enganado, mas entendo que a região tem um zoneamento que permite uso e ocupação maiores dos hoje existentes, entretanto uma resolução do Conpresp limita, desde de 1997, as construções a um gabarito máximo de 10 metros.

Trago esse assunto novamente a tona pois fui convidado pela A.A. (Architectural Association), uma das mais antigas e respeitadas escolas de arquitetura da Inglaterra, para fazer parte de uma banca de examinadores. O tema de trabalho sugerido aos alunos do último ano do curso de arquitetura era uma intervenção no edifício do Detran, em São Paulo, para transformá-lo em uma nova sede para o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Quase todos tiveram a oportunidade de visitar o parque e constatar como este é usado durante o fim de semana e durante os dias úteis,bem como as condições da estrutura de apoio disponível ao público. Eu, como o representante paulistano na banca, tinha previsto o papel de avaliar a adequação dos projetos ao clima local bem como o produto final dos trabalhos. Entretanto, perdi mais tempo explicando as duas constatações mais gritantes de quase todos os alunos. Primeiro, a diferença do uso do parque durante os dias de semana e fins de semana; e segundo, a dificuldade de acessar o edifício do Detran, tanto a partir do Parque do Ibirapuera quanto a partir dos meios de transporte, mesmo que individual. Essa segunda característica foi também constatada pelos alunos quanto à acessibilidade ao Parque do Ibirapuera.

A questão de acessibilidade é importante, porque não faz sentido promover um museu em um local onde são constatados sérios problemas de acessibilidade. A discussão sobre esse tema se estendeu para entender por que o Parque do Ibirapuera não tem sua marquise cheia durante a semana da mesma forma que aos fins de semana. Ou mesmo porque a marquise é o espaço mais utilizado do parque. O clima ameno de São Paulo, onde sombra e áreas verdes como a do parque criam um ambiente extremamente agradável, pode responder parte dessa questão, mas ficava faltando responder ao pouco uso durante a semana.

Comparando o Ibirapuera com os parques urbanos europeus e mesmo com o Central Park de Nova Iorque fica evidente a diferença que há no envoltório desses locais. Áreas lindeiras a parques são privilegiadas e por isso são mais valorizadas. Sendo o parque público o ideal é ampliar ao máximo o uso desses espaços lindeiros, permitindo que mais gente trabalhe, estude e more próximo a ele. Afinal quem mantém o parque são os impostos pagos por toda a população de São Paulo.

Contrapondo esse argumento ao dos contrários a densificação da porção sul do parque fica claro que a atitude de manter o entorno congelado vai na direção contraria ao interesse do cidadão paulistano. A baixa densidade do parque o torna um bem cada vez mais caro para o contribuinte, e proibir investimentos na região que poderiam gerar mais recursos para a preservação do mesmo (mais área construída gera maior arrecadação de impostos).

Do ponto de vista ambiental a construção na vizinhança não prejudica de forma alguma o parque. Na verdade, a proximidade com o parque é benéfica para os que estão ao seu entorno. Sendo esse mais um motivo para que se permita que todos usufruam desse bem público.”

Sandro Tubertini é ouvinte-internauta do CBN São Paulo, arquiteto, e imagina um dia ver o Parque do Ibirapuera cheio de paulistanos durante a semana.

Avalanche Tricolor: De volta à casa



O arco-íris lá em cima, a Praça do Papa em primeiro plano e o Olímpico no horizonte


Grêmio 3 x 0 Atlético (PR)

Estádio Olímpico – Brasileiro

Fazia um ano que havia assistido a uma partida do Grêmio, no estádio. Era a final da Libertadores (as lembranças daquele dia você lê clicando aqui). Hoje, um domingo muito mais frio do que aquela quarta-feira à noite, estive de volta ao Olímpico e fui recepcionado por uma das mais belas imagens jamais vista deste estádio. Um arco-íris guiava o torcedor para um pote de emoções, que começam com a chegada da própria torcida. A batida do bumbo, os braços em movimento sincronizado, o pula-pula na arquibancada, as bandeiras que tremulam (sim, tem bandeiras tremulando no Olímpico), a avalanche que batiza esta coluna. Mesmo sozinho, encapotado até as orelhas, me sinto acompanhado. E feliz. Um ano depois, assisto a um jogo do Grêmio sem a intervenção das câmeras de baixa qualidade e da narração intrometida do pay-per-view.

Felicidade que se consagra ao ver um time em campo que sabe trocar passe. Parece pouco. Mas não é. Pelo menos no futebol brasileiro. Passe, aliás, é o que Roger, camisa 10, mais sabe fazer. Movimentando-se em campo com elegância. Esforçando-se para roubar a bola (sim, com a camisa do Grêmio, Roger se esforça). Se esforça para passar pelo adversário sem levar um pontapé. E quando leva, leva o adversário a ser expulso ou cava um pênalti.

Neste domingo, o Grêmio conseguiu três pênaltis a seu favor. Três cobrados por Roger que pode mostrar ao torcedor um variado cardápio: chute no canto do goleiro, chute em um canto e goleiro no outro, e a malcriada paradinha. Faltou apenas Roger pedir desculpas ao goleiro, afinal com a camisa do Atlético Paranaense estava o lendário Galatto, um dos protagonistas da Batalha dos Aflitos.

Há um ano, deixei o estádio Olímpico ao lado de meu pai, com a certeza de que havia visto o capítulo de uma história vitoriosa e lutadora, mesmo com o resultado favorável ao Boca Junior. Hoje, deixei o estádio sozinho (o frio fez com que meu pai ficasse em casa diante da televisão) no ritmo do canto entoado pela torcida. A sensação de que estava diante de um time que nasceu para vencer e lutar era a mesma. Voltei para casa, o arco-íris não estava mais lá, e o Grêmio … bem, o Grêmio segue líder do Campeonato Brasileiro.

É muito bom estar de volta à casa.