STF aboliu apenas um papel, não o título de eleitor

 

É uma pena que neste país nenhum movimento possa ser feito sem que alguém use sua própria régua para medir as intenções de quem se move.

A decisão do STF de permitir o voto apenas com um documento oficial que tenha fotografia deveria ser comemorada pela sociedade que pede insistentemente pela redução da burocracia. Bom fosse que com um só documento nos desvencilhássemos de todos os trâmites legais.

No entanto, como a medida foi solicitada pelo PT, que temia perda de eleitores nas urnas devido a exigência do RG e do título de eleitor, foi o suficiente para que todos aqueles que são contra o PT criticassem o STF.

Claro que a ação é casuística, mas daí a condenar o Supremo me parece desproposital.

Vergonha, absurdo, manobra foram palavras que surgiram nos textos, e-mails e twitters.

Alguns inclusive repetem com veemência frase do presidente do Supremo César Peluso que disse ter sido decretada a abolição do título eleitoral. Apenas uma frase de efeito, no que ele parece ser craque.

O que foi decretado é a abolição do uso de um papel que nós chamamos de título eleitoral. O título propriamente dito é o registro que somos obrigados a fazer – e continuaremos a ser – no tribunal eleitoral do Estado em que moramos. Sem este registro você pode apresentar o documento que bem entender na seção eleitoral, seu nome não aparecerá e, portanto, você não será autorizado a votar.

Ver na medida adotada pelo STF interferência política e favorecimento ao Governo Federal, é esquecer que Ellen Gracie, indicada ao cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique, foi a primeira a dar seu voto a favor da apresentação de apenas um documento com foto.

Crítica comum de se ler nestas últimas horas, desde que o tema ganhou o noticiário com a decisão no STF, é que o sistema de votação está mais frágil, pela facilidade com que se falsificaria um documento de identidade, carteira de motorista ou passaporte. Como se o título de eleitor fosse mais difícil de ser falsificado.

O absurdo é o fato de a decisão ser tomada apenas a três dias da eleição quando milhares de cidadãos tiveram de encarar a fila e perder tempo para ter o título de eleitor em mãos. E neste caso, o STF não me parece responsável, pois só apreciou o tema por ter sido provocado pelo PT mesmo partido do presidente Lula que sancionou a minirreforma há um ano sem veto nem questionamento a esta questão.

Assim como é vergonhoso vermos que a preocupação da tal minirreforma de 2009 era apenas burocrática quando temos temas muitos mais relevantes para mexer na lei eleitoral como discutir financiamento público, voto facultativo e voto distrital entre outros pontos.

Transparência tem apoio de 27 candidatos ao Senado

 

A dificuldade de o projeto de lei da informação pública (PLC 41/2010) ser aprovado no próximo mandato legislativo pode ser medida pela quantidade de candidatos ao Senado que se comprometeu com a proposta. Dos 91 procurados pela Transparência Brasil, em todo o País, apenas 23 responderam as duas perguntas feitas pela ONG:

– Qual sua posição em relação ao PLC 41/2010 ?
– O Senhor tomará alguma providência para acelerar a tramitação do PLC 41/2010 ?

Rio de Janeiro e Goiás foram os estados nos quais o maior número de candidatos – três dos procurados – se posicionaram a favor da lei que defende a transparência na relação do cidadão com o Estado. Em Roraima, Acre, Tocantins, Pará, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Bahia, nenhum dos candidatos respondeu as questões.

No Estado de São Paulo, apenas o candidato ao senado Aloysio Nunes (PSDB) se comprometeu a apoiar o projeto, tendo sido procurados, também, Marta Suplicy (PT), Netinho de Paula (PC do B), Romeu Tuma (PDT) e Ciro Moura (PTC). Foram procurados apenas os candidatos que apareceram com mais de 10% nas intenções de voto.

No Estado de Minas, o candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) enviou e-mail mas foi dúbio na resposta, não explicando se apoiaria ou não a proposta.

Para entender

O projeto de lei 41/2010 garante o direito de o cidadão acessar informação pública que esteja em poder dos governos federal, estadual e municipal, seja no legislativo, executivo ou judiciário, incluindo as autarquias e sociedades de economia mista. Esta é uma ferramenta importante para a transparência da gestão pública, facilitando o controle da sociedade sobre o exercício do poder e a forma como o dinheiro dos contribuintes está sendo gasta, por exemplo.

O prazo para a liberação das informações solicitadas é de até 20 dias, prorrogável por mais dez. A lei prevê, ainda, que os dados sejam divulgados na internet em formatos abertos que permitam a leitura através de máquinas, possibilitando melhor manipulação pela sociedade civil.

Veja na tabela a seguir como o seu candidato a senador se posicionou em relação a lei de acesso a informação pública, sendo que “sim” é para quem respondeu e “não” para quem não respondeu

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Combate à reeleição sem-fim de deputados

 

No momento em que se discute o impacto desta eleição na renovação do Congresso Nacional, inicia-se debate sobre o limite no número de mandatos dos parlamentares – de senador a vereador. Atualmente, um deputado, por exemplo, pode concorrer a quantas reeleições quiser, enquanto o chefe do executivo (prefeito, governador e presidente) a apenas uma.

A intenção é acabar com a figura dos políticos profissionais pois há uma tendência naqueles que permanecem por longos tempos no parlamento de perpetuarem alguns comportamentos nem sempre benéficos ao cidadão. “Eles costumam aprender os caminhos tortuosos”, disse o advogado especialista em direito eleitoral Luciano Pereira dos Santos, em entrevista ao CBN São Paulo. Comparou estes parlamentares com aqueles moradores que são eternamente síndicos de prédios e se acomodam na função. “Outras pessoas tem o direito de exercer a cidadania”, completou.

A proposta de restringir o número de reeleições foi apresentada há um mês por Francisco Whitaker, que integra o Movimento Nacional de Combate a Corrupção – um dos líderes da campanha do Ficha Limpa – em encontro com personalidades do cenário jurídico e cientistas sociais e políticos, como o professor Fábio Konder Comparato e o desembargador Miguel Brandi Jr. Ainda não há uma definição sobre como esta ideia seria levada à frente, podendo fazer parte do debate pela reforma eleitoral ou ser apresentada como projeto de lei de iniciativa popular de maneira isolada.

Também não há acordo sobre quantas reeleições seriam possíveis. Inicialmente, a intenção é manter o mesmo parâmetro que existe para o Executivo de apenas dois mandatos seguidos. A restrição não impediria que o parlamentar disputasse cargo para outras casas legislativas.

A discussão sobre o tema deverá se intensificar com a posse do novo parlamento, em 2011.

Ouça a entrevista com Luciano Pereira dos Santos, que também integra o Movimento Nacional de Combate à Corrupção

Internet ajuda a escolher seu candidato

 

Antes de votar, vá a internet. Na rede, há uma enorme variedade de serviços que permitem acesso a informações sobre os candidatos. A maior parte ainda se refere aqueles que já ocupam cargo no legislativo, de qualquer forma os dados disponíveis podem ajudá-lo a não cometer um enorme engano ao escolher alguém que passou seus últimos quatro anos sem atender as exigências mínimas do cargo e agora volta para pedir seu voto com cara de bom moço.

No CBN São Paulo, pedi a colaboração dos ouvintes-internautas, mais uma vez, para que fosse possível reunir alguns desses endereços. Além de sites com a relação dos candidatos e o perfil, alguns lembraram também de serviços que trazem a “ficha corrida” dos parlamentares ou compromissos assumidos durante a campanha.

@luizrodriguez1 fez uma sugestão curiosa pelo Twitter: “use a busca, digite o nome do candidato+justiça+processo+improbidade; aparecerão notícias”. Imagino que se a relação dessas palavras aparecer na sua tela, é melhor pensar duas vezes antes de votar no candidato.

Por outro lado, @A_Mandel lembrou que apesar de haver muitos recursos tecnológicos “ainda deve-se reforçar grupos de discussão em todos os setores sociais”. E sugeriu “basicamente, candidatos novatos devem ser avaliados pela sua atuação pregressa; candidatos á reeleição pela linearidade de ações”

Acompanhe a lista abaixo e, se considerar válido, repasse para seus contatos na internet:

Transparência Brasil
 

No site, você encontra o Projeto Excelências com informações completas sobre os deputados estaduais e federais, muitos dos quais concorrem à reeleição. Projetos de lei, uso de verba indenizatória, denúncias que respondem na Justiça e notícias relacionadas ao candidato estão disponíveis.

(Dica: Valdo Linhares/ @VBichuetti/ )

Voto Consciente

Avaliação do trabalho dos deputados estaduais e vereadores que disputam cargo nesta eleição. Na lista, além das notas é possível ver o desempenho dos parlamentares nas sessões plenárias, nas comissões, na fiscalização do Executivo e outros itens.

(Dica: Renato Lopes/@massao/@rafascarvalho)

Voto Aberto

Este sistema tem por objetivo calcular a afinidade política de suas ideias com os deputados do Congresso Nacional. O cálculo de afinidade é baseado em modelos matemáticos, sendo isento de qualquer vínculo político ou partidário. Utilize estas informações como um recurso adicional na escolha dos seus candidatos nas próximas eleições 
 
(Dica: Renato Manfredini/Valdo Linhares/ elietesophia/lyejepo)

Quanto Vale Seu Candidato

Antes da campanha, todos os candidatos devem prestar contas de todos os seus bens para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo do site é reunir esses dados e mostrar estas informações de uma forma mais interessante.

(Dica: @brunobarreto)

Vote na Web

O Votenaweb foi desenvolvido com o objetivo de ajudar o cidadão a acompanhar de perto o trabalho dos parlamentares. Uma das possibilidades mais interessantes que a plataforma oferece é comparar os votos dos cidadãos com os votos dos parlamentares e analisar o nível de afinidade com aqueles que elegemos. É fácil verificar os projetos de lei que tiveram votações opostas entre usuários do site e os parlamentares. Essas comparações nos levam a pensar na questão da representatividade política e como a democracia funciona na prática.

(Dica: Renato Lopes)

Congresso Em Foco/Sinal Amarelo

Lista de candidatos para os quais o eleitor deve ter muita atenção antes de votar. É um site jornalístico que faz cobertura no Congresso Nacional e seu objetivo é auxiliar o eleitor a acompanhar o desempenho dos parlamentares, contribuindo assim para melhorar a qualidade da representação política no país.

(Dica: @AlmirViera, @Saffuan)

Eu Lembro

O eleitor se cadastra, procura o candidato que pretende votar e recebe informações que estão publicadas na rede. O site pretende, também, se transformar em espaço para que o voto seja memorizado, ajudando o eleitor a não esquecer em quem votou.

(Dica: Renato Lopes/@massao/@tcheregati)

Promessas de políticos

Reúne promessas feitas pelos principais candidatos à presidência da República e pode ser consultado após a eleição para cobrar do eleito os compromissos assumidos.

(dica: Renato Lopes/Valdo Linhares)

10 Perguntas

O 10 Perguntas é o primeiro fórum online no Brasil em que brasileiros podem enviar perguntas, priorizá-las e votar naquelas que querem respondidas pelos candidatos à presidência, exigindo dos políticos respostas profundas para a discussão e não apenas frases de efeito.

(Dica: Renato Lopes)

Político do Brasil

Dados sobre todos os candidatos de 2010 e de eleições anteriores

(Dica: Valdo Linhares/ Ricardo Granatowicz)

Ficha Limpa

Candidatos cadastrados no site se comprometeram a divulgar antecipadamente o nome dos doadores e prestar contas semanalmente sobre os gastos de campanha

(Dica: Valdo Linhares)

DIAP

O levantamento feito pela assessoria do DIAP identifica dentre os quase 6 mil candidatos a deputado federal, os que têm chance de vitória em 3 de outubro para as 513 cadeiras disponíveis na Câmara. A pesquisa abrange as 26 unidades da Federação e o DF. O trabalho leva em consideração aspectos quantitativos e qualitativos e não tem a pretensão de ser conclusivo.

(Dica: @arianef)

Questão Pública

O programa Questão Pública: Valores do Legislativo, Responsabilidade do Cidadão quer comparar as opiniões dos eleitores às dos candidatos ao Senado Federal com o propósito de lhes oferecer um painel de afinidade com os candidatos. Essa comparação é feita a partir de um questionário único, aplicado a candidatos e eleitores, que toma por base afirmações polêmicas sobre temas que estão em debate na sociedade civil.

(Dica: @massao)

Eleições 2010

Portal das Eleições 2010 no Brasil. Informações sobre todos os Candidatos a Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual

(Dica: @Maricrisdias)

IG

O perfil dos candidatos das eleições 2010. A ferramenta permite pesquisar o candidatos mais ricos, mais velhos ou filtrar por grau de instrução, profissão e partido.

(Dica: @juniormelerio)

Como escolher um candidato a deputado

 

Com a mídia de olho na disputa para a presidência e quando é possível para o governo estadual, também, o espaço para discussão em relação ao trabalho legislativo fica reduzido. A própria legislação eleitoral dificulta a cobertura nas emissoras de rádio e televisão, pois exige tempos semelhantes a todos os concorrentes, o que inviabiliza qualquer debate entre candidatos a deputado estadual e federal.

As regras da propaganda eleitoral também não oferecem oportunidade para que os candidatos apareçam com mais frequência para o eleitor e os leva a realizar malabarismos para se destacar em um mundo de caras e bocas políticas que dizem a mesma coisa. Não por acaso, os partidos correm em busca de personalidades do mundo artístico e personagens exóticos capazes de chamar atenção do cidadão.

Deputados que concorrem à reeleição levam enorme vantagem, pois tiveram quatro anos para estabelecer vínculos com as comunidades e criar canais de comunicação que se transformam em uma preciosidade no período eleitoral.

Neste cenário, a responsabilidade do eleitor aumenta na mesma proporção que a dificuldade para a escolha certa. Por isso, é fundamental que nestes dias que antecedem o pleito o cidadão estabeleça critérios claros para a escolha do seu candidato à assembleia legislativa (ou Distrital, caso de Brasília) e o Congresso Nacional.

Nesta semana, o CBN São Paulo vai conversar com os ouvintes-internautas para saber qual a estratégia que usam para decidir seu voto para o parlamento. Caso você tenha sugestões de sites com informações sobre os candidatos que possam ajudar na escolha, não deixe de nos enviar.

Na edição desta segunda-feira, perguntei aos ouvintes-internautas se já haviam escolhido seu candidato e qual o critério que usam para a escolha.

Reproduzo a seguir algumas das mensagens que chegaram

Pelo Twitter

@k4rlosss pesquiso seus antepassados. Tds as emendas sugeridas e só depois vejo suas propostas futuras

@Màssao Uéhara  ninguém está escolhendo seu candidato pelo @fichalimpa ? Está tão fácil escolher pela quantidade de candidatos que se comprometeram serem #fichalimpa com transparência com quem está fazendo doações para a sua campanha

@AlmirVieira Olho sempre o candidato no Projeto Excelências e agora se ele tem #FICHALIMPA. Também analiso seus sites e onde atuam

@Zabarov Sigo de perto o meu eleito e, se merecer, mantenho o voto. Nesse pleito só votarei para DFed. O resto vou anular. Depois, adoto.

@MarcosTomazini Eu voto na legenda para que o partido, elegendo o Executivo, tenha cadeiras no parlamento

@bethgrampola procuro ver a trajetória política do candidato e quais suas propostas caso seja eleito

@rsbraun Candidato comprometido com educação. Porém como o voto é proporcional, deveríamos analisar toda a chapa da legenda.

@ antobastos Já e fiz a escolha baseada na bio do candidato, programa viável e comportamento parlamentar anterior

@ _nizer Já desisti de votar em duas candidatas depois de ver cavaletes de propaganda nas ruas

Pelo e-mail

Rodrigo Romero: Meu critério de escolha se baseia em um tripé: biografia política, realizações em mandatos (costumo não votar em estreantes) e trajetória partidária (se muda muito de partido). Acompanho todos os meus votos, durante os quatro anos de mandato. Para mim, são importantes a coerência e a competência e capacidade do candidato. Por isso, a maioria dos meus votos vão a candidatos experientes. Já escolhi todos os meus.

Cezar e Michel: Procuramos escolher nossos deputados, tanto Federal, quanto Estadual, verificando sua vida pregressa, honestidade e capacidade para o cargo.

Laércio Teodoro: A minha escolha é de acordo com a atuação do candidato, seja para primeiro mandato ou reeleição. Acompanho constantemente o candidato que  ajudei eleger, porém se vejo que ele não se compromete  com aquilo que se propôs, meu voto ele não recebe nunca mais e ainda faço campanha contra.

Fábio Boni: Não voto em quem já é deputado ou já foi. Renovação total.

Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

Câmara tá com a caçamba cheia

 

Lixo da Câmara Municipal SP

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

O lixo que sai de uma obra da Câmara Municipal de São Paulo está transbordando em duas caçambas(20/9), em frente ao número 211 da rua Santo Antônio, entrada oficial dos vereadores. O mau cheiro está insuportável.

Um gari disse: “A gente  já varreu umas três vezes hoje ao redor dessas caçambas…daqui a pouco tem lixo no chão. Fui falar com o pessoal da portaria para retirar as caçambas. ..o homem disse: – gari , vai cuidar do seu serviço”.
 
O morador de rua Cristiano Leandro Brás, 23 anos, revirava  uma delas  em busca de pedaços de madeira para fazer caixa de engraxate.
 
“Pode me chamar de Negrinho !.. Todo mundo me chama assim.  Sou filho de Araraquara,interior de São Paulo. Estou na rua um tempão… frequento o SEFRAS (Serviço Fraciscano de Solidariedade) na  Riachuelo. Fotografar? Pode!.. Minha Ficha é Limpa. O que pode acontecer é minha família descobrir  o meu paradeiro.”
 
Agora o outro lado (publicado às 17h43)     

“A respeito da reclamação encaminhada pelo Sr. Devanir Amâncio, da ONG Educa São Paulo, esclareço:
 
As duas caçambas citadas pertenciam à empresa contratada para execução de serviço de remoção de entulho, deixado por obra em andamento na Câmara Municipal de São Paulo.
Elas foram retiradas no mesmo dia 20 de setembro que o ouvinte faz referência. Não continham lixo, somente entulho de obra.
A empresa contratada colocou uma nova caçamba. Foi advertida para que seus funcionários adotem todas as medidas destinadas a manter limpo o local ao redor da caçamba.  
 
Assessoria de Imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo”
                                 

Adote um Vereador destacado em jornal do NE

 

Webcidadania

A dificuldade que partidos e políticos têm encontrado para explorar de maneira apropriada a internet se contrapõe ao uso que o cidadão faz das ferramentas que tem à sua disposição. Quem reforça esta ideia que tenho há algum tempo, é o jornalista Charles Cadé, consultor e especialista em redes sociais, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste – indicada ao Blog por Claudio Vieira pelo Twitter

Dentre as várias experiências que permitem a participacão política dos usuários da rede, apontadas na reportagem, Cadé destaca o trabalho do Adote um Vereador e o jornal explica que a ideia do projeto desenvolvido em São Paulo “é o usuário acompanhar o mandato do parlamentar e postar, em uma plataforma tipo enciclopédia virtual, todas as ações referentes ao mandato do vereador da Capital”.

Cadé constata que “O cidadão não pode participar da democracia só de dois em dois anos, com o voto. Esse trabalho de engajamento deve ser diário. É realmente um grande desafio”.

Veja outros projetos citados pelo Diário Do Nordeste:

Eleitor2010

Espaço para que o internauta acompanhe detalhes da legislação e dos crimes eleitorais e denuncie qualquer prática criminosa, apontando no mapa (Google Maps) os locais em que ocorreram os atos ilícitos.

Sem Sujeira

O blog posta imagens de poluição visual nas cidades e, nestas eleições, está se dedicando a mostrar as propagandas visuais irregulares de muitos candidatos.

Extrato Parlamentar

A intessante plataforma submete o internauta a um questionário sobre temas atuais e projetos de discussão nacional e traça um perfil dele com o dos candidatos do estado que ele indicar na consulta.

Vote na Web

O site submete à votação dos internautas os projetos que estão sendo discutidos no Congresso Nacional. O cidadão pode votar pela web.

Google Eleições 2010

Por meio da página, o eleitora tem acesso à nota dos principais candidatos a presidência da República. É só indicar o presidenciável e o mapa mostra o destino dos candidatos.

Vereadores querem publicidade de novo site

 

Site da Câmara de Vereadores

Pompa e circunstância para a apresentação do novo site da Câmara Municipal de São Paulo, mas o serviço somente estará no ar em outubro. E enquanto a página da casa na internet se mantém “estática”, nos corredores a discussão é o uso dos R$ 17 milhões que os vereadores separaram no Orçamento do legislativo para pagar uma agência de publicidade.

O vice-presidente da Câmara, vereador Dalton Silvano (PSDB), disse em entrevista ao CBN SP, que o único custo que o site terá é o de manutenção: R$ 75 mil por mês. O desenvolvimento dele foi feito de graça pela agência de publicidade.

O que Silvano não disse é que vereadores estudam a possibilidade de usar boa parte do dinheiro destinado à comunicação da Casa – os tais R$ 17 mi – para divulgar o site. Sob a justificativa de dar publicidade ao novo serviço da Câmara Municipal seria feita campanha com anúncios em rádio e televisão. Importante lembrar que a agência de publicidade é remunerada com percentual sobre o custo das publicações nos meios de comunicação.

A promessa do vereador tucano é que o site dê transparência às informações da Câmara e melhore o acesso para o cidadão.

A foto é de autoria do Sérgio Mendes, do Adote um Vereador, durante lançamento do site, na Câmara Municipal

Site dirá se vereador está na Câmara e como votou

 

adoteSaber como o vereador votou em cada um dos projetos de lei em discussão e se ele compareceu nas sessões em plenário ou das comissões são algumas das informações que estarão disponíveis no site da Câmara Municipal de São Paulo que estará no ar, amanhã, dia 16 de setembro e foram antecipadas, hoje, ao CBN São Paulo.

De acordo com o vereador Dalton Silvano (PSDB), vice-presidente da Câmara, a intenção é tornar o site mais transparente e com ferramentas que permitam a participação do cidadão.: “teremos vários acessos de fora da Câmara para dentro”.

Orçamento, balanço financeiro, contratos e licitações devem ficar mais fáceis de serem acessados, disse Silvano. Além disso, haverá a lista com o quadro de pessoal, concursos realizados e nome de funcionários.

Ouça a entrevista com o vereador Dalton Silvano, no CBN São Paulo

A construção do site faz parte dos serviços de publicidade e divulgação desenvolvidos pela agência de comunicação contratada pela Câmara Municipal de São Paulo em um contrato de R$ 17 milhões. O legislativo pagará cerca de R$ 70 mil por mês para manutenção à Prodam.

O Movimento Voto Consciente e o Adote um Vereador fizeram sugestões à Câmara Municipal de São Paulo de serviços que deveriam estar presentes no site. A avaliação de quanto estas ideias foram aceitas pela agência que desenvolveu a página vai depender do que for ao ar.