Avalanche Tricolor: É assim que se faz

 

Grêmio 5 x 0 Ypiranga
Gaúcho – Olímpico Monumental


A partida mal havia se iniciado e o primeiro chute da artilharia gremista foi disparado contra o gol adversário. De uma distância média, com força e direção desviada pelo adversário, a bola foi para fora. O cronometro não completara a segunda volta quando o placar foi aberto. O escanteio bem medido e treinado se transformou no primeiro gol de cabeça.

Mais uma jogada veloz, troca de passe certeira, movimentação alucinante de seus jogadores e o dois a zero foi confirmado com um chute forte no alto e sem chance para o goleiro.

Antes mesmo de o primeiro tempo se encerrar, novo gol. Era mais uma bola jogada com precisão dentro da área, mais uma chegada forte da equipe para consagrar a classificação à próxima etapa do Campeonato Gaúcho.

E se havia dúvidas na disposição do time. Assim que começou o segundo tempo fez o quarto gol – o terceiro de cabeça.

Na tarde deste domingo, o Grêmio entrou no Olímpico Monumental disposto a dar uma lição àqueles que ainda não entenderam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado.

Desmerecer o adversário, nunca será uma opção, e impor sua superioridade é preciso. E isto se faz jogando bom futebol.

Poderia citar André Lima, Douglas, Borges e Leandro na descrição dos gols marcados, mas não seria justo com o restante do time, pois é importante ressaltar a maneira como a equipe toda tem se comportado.

Repetiria o erro dos comentaristas de “melhores momentos” que exploram o lugar-comum na análise do futebol. Aqueles que passarão os dias a dizer: a jogada aérea é o forte do Grêmio. Têm razão, é forte mesmo. Mas esta só se concretiza porque com a bola no chão o talento fala mais alto. E este tem sido gritante.

Avalanche Tricolor: Começou a loucura

 

Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero
Libertadores – Olímpico Monumental


Foi estonteante a apresentação do Grêmio nesta noite de Libertadores. Jogadas em alta velocidade, bola trocada com rapidez para o companheiro mais próximo e lançada com precisão para um mais bem colocado do outro lado do campo. A variedade de movimentos também sufocou o adversário que fechava pela direita e era atacado pela esquerda. Quando corria para a esquerda, sofria na direita. Nem mesmo o juiz resistiu ao sufoco imposto pela equipe de Renato.

Nosso técnico voltou a surpreender. Nem tanto pela coragem de colocar apenas um volante – bem verdade que era o volante, Fábio Rochemback – e arriscar com três jogadores de meio-campo talentosos, mas pela criatividade de construir a equipe desta forma. Com o velocista Lúcio a aparecer de surpresa em meio a defesa inimiga e com a conhecida categoria de Douglas, Renato fez do “maldito” Carlos Alberto homem-chave no seu esquema.

O novo talento dá sinais de que entendeu o compromisso assumido no momento em que aceitou o convite para vestir a camisa do Imortal (e que bela camisa, chegava a brilhar na tela da televisão). Com a bola no pé repete o que todos já sabíamos, tem qualidade, entende a partida taticamente e orienta companheiros em campo. Quando a bola está com o adversário, não mede esforços para roubá-la ou impedir seu avanço – é a novidade.

Contida a ansiedade do início de Libertadores, o Grêmio-2011 começa a forjar uma ótima equipe, a partir de um elenco que permite variações na maneira de se apresentar – sem nunca perder duas de suas principais características: talento e pegada.

Soma-se a isto uma torcida maravilhosa que levou quase 36 mil pessoas ao Olímpico Monumental e sou obrigado a encerrar repetindo aquilo que esteve na garganta de todos os gremistas na noite desta quinta-feira: Soy Loco Por TRI América !

Avalanche Tricolor: Agora é pra valer

 

Nova Hamburgo 2 x 0 Grêmio
Gaúcho – Olímpico

Novo Hamburgo é cidade bem cuidada (ao menos era na época em que morei em Porto Alegre), próxima da capital e interessante para quem gosta de calçados. Hoje, estava em festa devido ao centenário do time da casa. Mesmo com todo o respeito que tenho pela cidade colonizada por alemães, dou-me o direito de escrever esta Avalanche de olho no futuro.

Antes que você, desavisado, me acuse de estar sendo prepotente ao não dar bola pro jogo desta tarde, entenda o seguinte: o Grêmio com uma rodada de antecedência havia conquistado tudo que era preciso até aqui neste primeiro turno de campeonato. Líder, isolado e distante de todos os demais adversários – inclusive aquele que você um dia já ouviu falar – entrou em campo para cumprir tabela, literalmente.

Tudo bem, havia uma atração em especial: a estreia de Carlos Alberto que vestiu seu número preferido, o 19, e mostrou que tem personalidade suficiente para ajudar o time no maior dos nossos desafios nesta temporada, a Libertadores. Precisa apenas ser mais bem apresentado aos seus companheiros, coisa que os próximos treinos serão suficientes. O vigor com que voltou para roubar bolas, confesso, me surpreendeu, porque o jogo distribuído com precisão e a forma como leva a jogada já conhecíamos.

Carlos Alberto se unirá a um elenco em formação que ainda precisa de alguns ajustes neste início de temporada, mas que está consciente da importância que damos a competição que se inicia, efetivamente. Até então, havíamos apenas entrado em campo para provar que merecíamos o lugar conquistado no Brasileiro 2010; e o fizemos muito bem contra o Liverpool do Uruguai, como conversamos em Avalanches anteriores.

Na quinta-feira, o Olímpico Monumental será cenário de nosso primeiro passo em busca do terceiro título da Libertadores quando teremos como adversário o Oriente Petrolero, da Bolívia. Ninguém espere um jogo e tanto na estreia. Como falei, ajustes ainda são necessários: dar confiança à defesa, acertar a ala esquerda, calibrar o passe no meio de campo e afinar a conclusão no ataque. Até mesmo o elenco precisa ser fechado.

Nada disso – absolutamente, nada disso – será suficiente para tirar do time que entrar em campo, seja quais forem os escolhidos de Renato, uma marca inconfundível do futebol gremista: a nossa gana pela vitória.

Confira e me cobre: cada bola será disputada como se fosse a última, toda dividida como se fosse vida ou morte e nenhuma jogada estará perdida sem que antes sangue e suor escorram pela nossa nova camisa tricolor.

Porque é assim que forjamos a história do Imortal. E assim será a partir desta quinta-feira, na Libertadores.

Avalanche Tricolor: Lição de casa

 

São Luís 0 x 1 Grêmio
Gaúcho – Ijuí (RS)



A viagem é longa até Ijuí, são quase 400km de estrada desde a capital Porto Alegre. O estádio é acanhado, insuficiente para receber todos os torcedores gremistas que vivem nas Missões. E o gramado mais se parece com um charque, molhado por uma chuva que é rara neste verão gaúcho.

Havia ainda um adversário que admitia sua inferioridade a cada falta cometida, único recurso que encontrou para impedir que a bola seguisse nos pés do time tricolor.

Para enfrentar estas condições não bastaria jogar futebol, era preciso coragem e muita disposição. Provavelmente tenha sido este o maior desafio de Renato Gaúcho na conversa de vestiário. Mostrar ao seu time que mesmo neste campeonato pouco atrativo, disputado em meio a uma competição que pode nos oferecer a glória – a Libertadores -, vestir a camisa do Grêmio gera alguns compromissos. Lutar sempre e buscar o melhor, estão nesta lista de tarefas.

E a equipe que nos representou neste fim de noite deu sinais de que entendeu o recado. Bastaram sete minutos de partida – e o gol de Maylson – para impor sua superioridade e mostrar que é o melhor time do Rio Grande do Sul na atualidade.

Exagero de minha parte ? Com uma rodada de antecedência soma 17 pontos, mais do que qualquer outro adversário pode fazer. Garantiu assim o direito de disputar as partidas do mata-mata sempre em casa, a nossa casa, o Olímpico Monumental.

Os pouco acostumados com o Campeonato Gaúcho devem estar desdenhando tais feitos. Importante, então, lembrar que outras equipes tradicionais do estado ainda estão desesperadas dado o perigo de ficarem fora da fase decisiva do primeiro turno.

O Grêmio, não. O Grêmio fez a lição de casa – e a de fora de casa. Por isso, nesta madrugada, enquanto retorna para Porto Alegre, poderá dormir o sono dos justos. E competentes. Eu, também, porque, afinal, já está mais do que na hora.

Avalanche Tricolor: A lenda e o quero-quero

 

Grêmio 2 x 1 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

Quero-quero foi condenado por Nossa Senhora a cantar a mesma música pela imprudência cometida quando acompanhava a passagem pelo deserto da Sagrada Família, que fugia da ordem do rei Herodes para que fossem mortos. Diz a lenda que a família do Menino Jesus estava parada num oásis cercada de aves e animais quando soldados inimigos se aproximaram. Todos se aquietaram a pedido de Nossa Senhora, menos o danado do quero-quero que por pouco não revelou o esconderijo de João, Maria e Jesus.

É por isso que o quero-quero, até hoje, mesmo que queira, não pode dizer outra coisa, escreveu Roque Callage (1888 – !931) em história que teve origem no imaginário popular rio-grandense e reencontrei, neste sábado, no livro “Lendas Gaúchas” que me chamava atenção ao lado do aparelho de TV, enquanto o Grêmio suava em bicas em mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho.

O sufoco tricolor tinha origem muito mais na temperatura – batia nos 40 graus – do que no adversário. Apesar deste ter chegado ao Olímpico Monumental envergando a bandeira de melhor campanha da competição, líder do seu grupo e com o goleador do Campeonato em seu ataque. Banca esta que se desfez antes mesmo dos primeiros 10 minutos.

Com uma defesa segura, saída rápida para o ataque, bola sendo passada com velocidade, e jogadores se movimentando por todos os lados, o Grêmio resolveu a partida ainda no primeiro tempo, mesmo que em campo estivesse apenas parte de seu time titular. O torcedor ainda teve oportunidade de assistir à estreia do zagueiro Rodolfo e o retorno do atacante Borges. Bote nesta conta, também, os gols de Douglas e Vilson.

O calor era tal que nem a família de quero-quero – já tradicional nos jogos em Porto Alegre – se arriscava a bater asa no gramado do estádio Olímpico. Quando muito dava uma corridinha sem-vergonha para o lado do campo para escapar da bola. Gritar seu grito tradicional, nem pensar. Melhor calar.

Foi o quero-quero que apareceu na TV e a falta de fôlego dos jogadores no segundo tempo que me levaram a passar a mão no livro de Lendas e, por coincidência, abri-lo na página em que Callage descreve a saga do passarinho matraqueador. Muito mais interessante do que o jogo modorrento que se desenrolava.

Ainda bem que os jogos do Campeonato Gaúcho ainda servem para alguma coisa: lembrar as boas histórias contadas nos Pampas.

A propósito: sabe quem já tem a melhor campanha da competição e com uma partida a menor é líder de sua chave ?

Poderia dizer que é o Grêmio responsável por escrever algumas das maiores lendas já vistas no Sul do País, mas achei melhor ficar quieto, senão ainda haverá alguém para publicar nos comentários aí embaixo que eu sou um falastrão igual ao quero-quero.

Avalanche Tricolor:Pachecão,Rochemback e a conquista

 

Grêmio 3 x 1 Liverpool
Libertadores – Olímpico Monumental


O destino havia nos oferecido oportunidade rara e difícil. Disputar uma decisão ainda no início da temporada, quando as pernas não estão devidamente equilibradas, e os companheiros de equipe tentam se entrosar, entender onde cada um deve estar no momento em que a bola é passada ou o contra-ataque surge.

Alguns jogadores mal haviam sido apresentados à torcida e aos próprios colegas, mas vestiam a mesma camisa, o mesmo Manto Tricolor, capaz de unir e transformar atletas em campo. Foi o que aconteceu com Vinícius Pacheco sacado do banco de reservas quando o Grêmio estava em desvantagem no primeiro tempo e a ameaça de se despedir precocemente do sonho de toda sua torcida estava no ar. Uma incógnita para a maioria dos gremistas.

A presença dele naquela altura, em movimento apropriado do técnico Renato Gaúcho, foi fundamental e mostrou que para ser grande é preciso coragem. Muitos esperariam o intervalo para a troca, mas nosso treinador foi acostumado a driblar o lugar comum do futebol. E com este lance, permitiu que Vinicius se apresenta-se à América do Sul: “Prazer, Pachecão !”

Incomum também é saudar atletas que surgem como coadjuvante no espetáculo dos gols. Seria simples lembrar de mais um marcado com a cabeça e as lágrimas de André Lima ou os dois definitivos de Vinícius Pacheco. Mas um jogador merece citação especial: o capitão Fábio Rochemback. Nesta noite esteve na origem de todas as jogadas que resultaram em gols. No primeira, o cruzamento certeiro; no segundo, o passe preciso; no terceiro, a cobrança de escanteio.

Foi grande no desarme das jogadas, nos carrinhos precisos e no olhar duro para intimidar na marcação, também. Deu exemplo àqueles acostumados a subestimar o adversário, que se imaginam maior e mais importante do que todos; e acreditam que a vitória será alcançada sem luta e seriedade.

Rochemback tem, a partir de agora, a tarefa hercúlea de liderar o Grêmio até o título da Libertadores, e ele se sacrifica com talento para tal.

A caminhada para o Tri será intensa mas pelo início vitorioso desta temporada temos muitos motivos para desconfiar de que o Imortal Tricolor está prestes a aprontar mais uma façanha no futebol sul-americano.

A primeira conquistamos nesta noite. Que venha a próxima.

Avalanche Tricolor: Nós fazemos a história

 

Grêmio 2 x 1 Inter
Gaúcho – Rivera (URU)

Festa gremista faz história do Gre-Nal (Foto: Gremio.net)

Era a primeira vez que o clássico Gre-Nal seria disputado fora do Rio Grande do Sul. E pela primeira vez seria jogado no exterior, já que as divisões geográficas deixaram Rivera do lado uruguaio. Era, portanto, um Gre-Nal para ficar na história.

E este é um assunto que o Imortal Tricolor entende bem.

O primeiro clássico de todos os tempos foi do Grêmio. O cinematográfico 10 a 0, em 1909, oportunidade em que a diretoria gremista ofereceu o time B para enfrentar o adversário, que do alto de sua prepotência não aceitou.

Para comemorar os 100 anos desta rivalidade, o Grêmio marcou mais uma vitória sobre o “tradicional” adversário, em 2009, em partida disputada no estádio Olímpico. O placar não foi elástico, é verdade: 2 a 1 de virada, lógico. Haveria graça se fosse diferente ?

Ao longo da história deste clássico – que alguns no centro do País dizem ser o de maior rivalidade do futebol brasileiro -, o Grêmio sempre escreve o capítulo mais importante.

Para o jogo desta noite em solo uruguaio – que, diga-se a verdade, é praticamente território tricolor dado os grandes feitos alcançados naquela terras – decidimos por enviar o time reserva, como aquele que queríamos escalar no primeiro dos Gre-Nais. O titular treinou pela manhã, no estádio Olímpico, em trabalho acompanhado por torcedores empolgados.

Nem nosso técnico deixou Porto Alegre nem nosso presidente foi a Rivera nem mesmo a torcida mais empolgada do Olímpico – a Da Geral – fez força para ocupar o estádio Atílio Paiva. Não por acaso a maior parte das arquibancadas estava vazia e o menor público de um Gre-Nal foi registrado: 7 mil pessoas.

Mas a camisa tricolor estava em campo. E isto faz diferença. Às vezes, parece que basta isto para fazer diferença em um Gre-Nal histórico. Basta o azul, preto e branco para transformar jogadores com pouco ritmo e sem entrosamento em uma equipe vitoriosa.

Lógico, não seria fácil. Nunca será. Por isso, foi de virada (novamente).

E serviu para homenagear ex-jogadores como Roger, que estreou no papel de treinador, após muitos anos se dedicando ao bom futebol. Elogiado pelo elenco ao fim da partida pela maneira como motivou a todos no intervalo, mostrando a eles o que representava vestir a camisa do Grêmio.

E, também, consagrou o lateral-ala Bruno Gollaço – perdão pelo trocadilho, mas a cobrança de falta dele valeu o ingresso do jogo.
E fez surgir um novo nome em nosso elenco de goleadores, Lins – nome simples como o gol que marcou, bola recebida de presente do zagueiro adversário, ajeitada com a perna e tocada para dentro do gol como devem fazer os goleadores.

Enfim, para um Gre-Nal histórico, o resultado não surpreende. Porque se existe alguém que sabe fazer história no Rio Grande do Sul este time é o Grêmio Imortal.

Avalanche Tricolor: Cheiro de Libertadores

 

Liverpool 2 x 2 Grêmio
Libertadores – Centenário, Montevidéu

Lúcio na primeira decisão da temporada (Foto: Gremio.Net)

De baixo das arquibancadas do estádio do Nacional em Montevidéu o cheiro do puchero dominava o ambiente. Era bem simples o restaurante no qual a delegação do Grêmio havia sido recebida pelos adversários. E foi nele que fui apresentado ao panelão com um caldo capaz de levantar defunto. Lá dentro, acompanham o grão de bico tudo aquilo que nós costumamos servir em uma feijoada – menos o feijão.

Dado o impacto que a comida uruguaia teve no meu estômago e o estrago que fez no meu preparo físico até hoje desconfio que a mistura levava algo mais do que os condimentos previstos na receita do chef.

Era fins dos anos de 1970 quando sofri esta primeira experiência em uma competição no exterior. Naquela época ainda arriscava alguns pontapés nas canelas de ponteiros atrevidos vestindo o número 6 às costas da camisa tricolor. Mesmo o torneio sendo entre equipes infantis, o cheiro da rivalidade entre Grêmio e Nacional estava no ar.

Quando assisti ao Grêmio entrar no Centenário na noite desta quarta-feira, aquele azedo voltou à minha garganta. O estádio era outro, mas o país era o mesmo e a rivalidade idem, apesar do adversário ter pouca tradição no futebol sul-americano, ter sido batizado com nome de time inglês e vestir camisa inspirada em um italiano.

O cheiro se espalhou quando a transmissão da televisão cortou a imagem do jogo para mostrar torcedores incitando uma batalha nas arquibancadas. Soube após a partida que policiais teriam agredido alguns gremistas. Nunca se saberá qual foi a ordem dos fatores.

O gramado ruim, a sola da chuteira acima da linha da bola, a dividida ríspida, a troca de tabefes e safanões não deixavam dúvida de que aquele não seria um jogo qualquer. Os gols atrapalhados confirmaram a tese.

O sofrimento nos cruzamento na área, o vacilo dos zagueiros, o passe mal feito no meio de campo e as arrancadas sem destino dos atacantes davam um sabor estranho para esta primeira decisão do ano.

Não dava para esperar muito mais. Alguns novos nomes apareceram na camisa branca do Grêmio, gente que mal havia sido apresentada para nós torcedores.

No apito final, o empate em dois gols foi um alívio e deu ampla vantagem ao Grêmio que decide tudo em casa, diante de sua torcida e no Olímpico Monumental. Estádio que além de churrasco tem cheiro de Libertadores.

Avalanche Tricolor: Em busca de um sonho

 

Universidade 0 x 1 Grêmio
Gaúcho – Canoas

Viçosa faz de penâlti (foto: Gremio.net)

Desumano. Foi a expressão usada pelo ex-volante do Grêmio Lucas para definir a maratona de jogos enfrentada pelo time logo no início da temporada. Ele fez o comentário em entrevista ao jornal Correio do Povo, deste domingo. Na reportagem, depositou confiança na competência do presidente Paulo Odone: “com certeza ele vai levar o Grêmio de novo a títulos”, afirmou o jogador que atua pelo Liverpool (ING), mesmo nome da equipe com quem vamos disputar a pré-Libertadores, na próxima quarta-feira, dia 26, no Uruguai.

Sim, após quatro jogos em uma semana, todos pelo ‘emocionante’ Campeonato Gaúcho, o Grêmio decide vaga para a competição que mais interessa nesta temporada. Em pouco mais de dez dias de treinamento, sem tempo para piscar, pensar e respirar, o time de Renato Gaúcho estará sob a tensão de uma disputa que será vida ou morte – mata-mata como chamam no futebol.

Um dia antes de viajar para a primeira partida da decisão, Renato e seus jogadores foram obrigados a atuar em um gramado de pouca qualidade e contra uma equipe que por mais mérito que tenha quase nada representa para o futebol brasileiro. Com todo o respeito ao Universidade de Canoas, um time que não tem torcedores nem identidade está longe de ser um clube de futebol. Talvez seja apenas um negócio no futebol.

As divididas com o adversário (e houve muitas), o carrinho por trás (também aconteceu) e a bola disputada com veemência (faz parte deste jogo) eram sempre uma jogada de alto risco. Qualquer descuido e um goleiro com o talento de Vitor, um volante com a presteza de Adílson ou um atacante com a ansiedade de Diego Clementino poderiam nos faltar quando mais necessitaríamos.

Aparentemente, todos saíram inteiros de dentro do campo e com uma vitória importante para o time respirar com folga em relação a seus adversários no campeonato. O coração ficou na boca o tempo todo, não pelas emoções que o futebol costuma proporcionar, mas pelos perigos que rondavam músculos, canelas e tornozelos de nosso time.

O físico ainda não está preparado para esta final de pré-Libertadores, a mente tem de estar. E na mala a certeza de que não se mede a decisão pelo adversário, mas pelo o que esta pode nos proporcionar. Sendo assim, começa amanhã, a viagem em busca de um sonho: o tri da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Jonas pode

 

Grêmio 2 x 1 São José
Gaúcho – Olímpico Monumental

Jonas está condenado às críticas nestes próximos dias. Moralistas sem causa e senhores de caráter ilibado pedirão punição, afastamento, quem sabe uma medida exemplar contra o atacante que explodiu de razão ao marcar o primeiro gol do Grêmio.

Ouvirá conselhos e puxões de orelha de comentaristas, torcedores e dirigentes. Afinal, as ofensas públicas dirigidas à social do estádio Olímpico não condizem com os bons modos exigidos de um atleta profissional.

Que partam todos para o destino que Jonas os encaminhou !

Ouviram porque falaram. E vaiaram de maneira errada, injusta. Foram incapazes de compreender as razões que impedem Jonas e seus colegas de imprimirem o futebol que sempre esperamos. Estão sendo preparados para uma decisão em poucas semanas, sem direito a pré-temporada e após terem imposto um ritmo alucinante no fim do ano anterior.

Tem todo o direito de explodir com aqueles que não enxergam que entre o desejo de tocar a bola ou chutar a gol existem músculos endurecidos pelos treinos de início de ano. Os impacientes que se retirem. Deixem Jonas fazer seus gols estranhos, bonitos e decisivos.

Jonas tem crédito no clube e no futebol, que não lhe dá o devido respeito. Goleador do Brasileiro foi preterido por muitos na escolha dos melhores do País. Com fama de patinho feio, vê os críticos torcerem o nariz. Sofre o mesmo dentro do seu time.

Um dos maiores atacantes que passaram pelo Grêmio e peça fundamental para a arrancada de 2010, merece toda a nossa atenção. Tem de ser valorizado pelo que faz e pelo que é.

A reação dele é paixão que tem pelo que busca. E isto tem de ser admirado, não criticado. Jonas é capaz de chorar dentro de campo se não alcança seu objetivo. Não aceita a indiferença diante dos fatos.

É bom moço, sincero nas palavras e resignado.

Em vez de glorificado, assistiu durante as férias ao enorme esforço da diretoria para enfiar goela abaixo de parte da torcida um falso ídolo. Enquanto ele nem contrato tem renovado.

Jonas é o nosso ídolo.

E após a “comemoração” da noite dessa sexta-feira, em Porto Alegre, meu ídolo ainda maior.

Gol neles, Jonas !