Avalanche Tricolor: desistir, jamais!

 

Grêmio 0 x 0 Atlético PR
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

Renato já havia convocado a torcida. E o torcedor atendeu a seu pedido. Foi retribuído com a escalação do Zé da Galera. Apostou em Barcos e Kléber. Colocou Elano e Vargas. Arriscou com Mamute. Tentou em uma partida fazer com que o Grêmio fizesse o que não vem conseguindo há alguns jogos: o gol. Apesar de todo o esforço, chutes no travessão, chutes para fora e chutes defendidos pelo goleiro adversário, não conseguiu marcar mais uma vez. E com isso está fora da Copa do Brasil, esta competição pela qual temos todo carinho e vários canecos. A temporada segue, a busca pela vaga da Libertadores persiste e nossas chances de disputar a competição sul-americana é real.

 

Quanto a nossa Imortalidade, caro e ralo leitor deste blog, esta sempre estará conosco, pois, como já ensinei muitas vezes, não somos Imortais porque jamais perdemos. Somos Imortais porque jamais desistimos.

Avalanche Tricolor: tem algo a nossa espera, só pode ser

 

Grêmio 0 x 0 Bahia
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

A história que vou contar na abertura desta Avalanche é conhecida pela maioria dos gremistas. Muitos dos que acompanham o cotidiano do futebol já devem tê-la ouvido, também. Era 1981 e enfrentávamos o São Paulo na final do Campeonato Brasileiro, época em que a disputa não era por pontos corridos como atualmente. No primeiro jogo, vencemos por 2 a 1, no saudoso Olímpico Monumental, em Porto Alegre, mas o pênalti desperdiçado pelo artilheiro Baltazar deixou a sensação de que não teríamos capacidade de manter o resultado na última partida que seria disputada diante de um Morumbi lotado de são-paulinos. Baltazar porém não parecia abatido e aos repórteres que foram ouvi-lo na saída do gramado, investiu em uma de suas marcas, a religiosidade: “Deus está reservando algo melhor para mim”. No dia 3 de maio, após matar a bola no peito e com a perna direita encaixar o chute no gol defendido por Valdir Peres diante de 100 mil torcedores, dando ao Grêmio nosso primeiro título brasileiro, Baltazar parecia saber o que estava dizendo dias atrás. Ou pode ter sido apenas um “lance” de sorte.

 

Reviver esse momento histórico do Grêmio logo após empate sem gols com o Bahia, em plena Arena, pode parecer algo sem sentido para você. Mas foi o que me restou depois de perceber nosso retrospecto nas últimas semanas. Cinco jogos sem vencer, quatro sem marcar um gol sequer e estando às vésperas de jogo decisivo no qual precisamos ganhar para chegar à final da Copa do Brasil. Hoje, tivemos domínio da bola, opções para atacar e chances de marcar. Mesmo assim, nos mativemos no zero a zero e ainda consagramos o goleiro adversário com uma sequência de bolas lançadas para dentro da área mais sem sentido, certamente, do que a minha lembrança inicial. Ao fazer esta revisão fico a imaginar que alguém em algum lugar está nos reservando algo melhor nos próximos dias. Só pode ser isso. Da mesma forma que acreditou Baltazar há 32 anos, é nisso que quero acreditar agora. Apesar de que naqueles tempos tínhamos um goleador. E Ênio Andrade era nosso técnico.

Avalanche Tricolor: a experiência é nosso trunfo

 

Atlético PR 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Curitiba (PR)

 

 

O diabo sabe mais por velho do que por diabo. Por muitos anos ouvi o ditado no vozeirão de meu pai, este que você conhece bem e tem oportunidade de ler toda quinta-feira aqui no Blog. Costumo repeti-lo em minhas palestras sobre comunicação quando me refiro aos meus quase 30 anos de carreira profissional dedicados ao jornalismo. Com todo esse tempo consegui aprender muitas diabruras. Ou seja, ganhei experiência que me impede de repetir velhos erros. Tanto quanto eu – ou quase -, o Grêmio também tem experiência em Copa do Brasil. Somos quatro vezes campeões e já estivemos em muitas finais. Sabemos que o mata-mata é disputado em 180 minutos e nada se decide no primeiro jogo, principalmente quando um dos times (e me refiro ao nosso) tem o dom da superação. É por isso que não me canso de defender a tese: até três gols de desvantagem, a gente vira em casa. Portanto, estamos no jogo.

É preciso humildade no jornalismo (no futebol, também)

 

Coritiba 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)

 

 

Foi muito divertido, sem contar que fiquei honrado, a oportunidade de dividir o palco com a turma do Fim de Expediente, no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional, em São Paulo, na sexta-feira. Como sempre conseguem fazer, Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco levaram a conversa entre o bom humor e o papo sério, entretendo o público que não coube nas dependências do teatro. Foram colocadas cadeiras extras e muitos ainda tiveram de assistir ao programa no telão do lado de fora do teatro. Havia uma ocasião especial para o convite: venci a aposta que fiz com Dan nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Aproveitaríamos o programa para entregar a camisa do tricolor gaúcho que prometi caso passássemos pelo Corinthians, o que aconteceu na quarta-feira, em Porto Alegre. Para a aposta ficar completa, Dan, corintiano, como deve saber o caro e raro leitor desta coluna, teria de vestir a camisa diante do público, o que foi cumprido, apesar da resistência dele.

 

Nosso ator chegou a preparar uma estratégia para não vesti-la. Levou a conversa por quase uma hora e somente permitiu que a camisa lhe fosse entregue nos minutos finais do programa. A número 10, de Zé Roberto (que saudade dele), estava em uma caixa que imitava a Arena do Grêmio e assim que aberta tocava o hino composto por Lupicínio Rodrigues. Dan abriu e pegou a camisa, mas no momento de vesti-la, encerrou o programa, a luz do teatro apagou e as cortinas fecharam. Só pagou a aposta porque o público bateu pé e não saiu do Eva Herz enquanto ele não voltou ao palco devidamente fardado. Perdeu mas levou no bom humor (e teve humildade).

 

Falamos muito de jornalismo durante todo o programa. Dan pediu minha opinião sobre merchandising, prática comercial usada por empresas que pagam para jornalistas fazerem publicidade de produtos, marcas e serviços. Repeti o que digo há muito tempo: sou contra, não é papel do jornalista fazer propaganda. Zé me deu a chance de falar sobre o rádio dos tempos modernos: lembrei que das cinco características exigidas, atualmente, dos meios de comunicação – mobilidade, velocidade, interação, multiplataforma e personalização – o rádio já tem três delas desde seus primeiros anos de vida. É móvel, ágil e aberto à intervenção do ouvinte desde sempre. Teco quis saber como foi migrar do CBN SP para o Jornal da CBN, há pouco mais de dois anos e meio. Expliquei, entre outras coisas, que uma das intenções foi levar os temas urbanos para o cenário nacional.

 

Já não lembro mais se foi o Dan, o Teco ou o Zé quem levantou a bola sobre a exposição pública que o rádio e o jornalismo de uma maneira geral nos proporcionam. Disse a eles que, sem dúvida, ganhamos destaque. As pessoas se aproximam. Passam a nos conhecer melhor. Dizem que gostam ou odeiam. Não ficam indiferentes. Tudo isso nos envaidece. E diante de tudo isso passa a ser fundamental o exercício da humildade. É grande o risco de nos considerarmos mais importantes do que os fatos e nos imaginarmos donos da verdade. Quando isso acontece o tombo é grande, machuca e faz vítimas.

 

Tivemos um bom exemplo disso no início da noite desse domingo. E você, acostumado a ler essa Avalanche, sabe bem do que estou falando.

Avalanche Tricolor: movidos pela paixão

 

Grêmio 0 (3) x (2) 0 Corinthians
Copa do Brasil – Arena do Grêmio

 

 

Gregório vestia uma camisa em homenagem ao estádio Olímpico, logo cedo. O Lorenzo queria saber como eu estava para essa noite, assim que cheguei em casa. Minha mulher foi dormir, disse que não tinha coração para me ver sofrendo diante da televisão, assim que a bola começou a rolar na Arena, nesta noite. Antes de dormir, os meninos me desejaram boa sorte. E o mais velho já deixou separada a camiseta para vestir amanhã, antes mesmo de saber o que iria acontecer no gramado: no azul celeste se destacam letras em branco com “Grêmio manda” rabiscado.

 

Independentemente do resultado desta noite, sei que todos compartilham comigo, cada um de seu jeito, a paixão que tenho pelo Grêmio. Nenhum deles nasceu gremista como eu. Todos cresceram e foram criados aqui em São Paulo, mas aprenderam a respeitar minha admiração pelos feitos do Imortal. Conheceram a história do tricolor pelas histórias que conto. Sabem de seus feitos pelos feitos que revelo. Mais do que torcem para o Grêmio, torcem por mim e me querem ver feliz. E se tivessem me vito ao fim da partida, eu os teria retribuído com a minha felicidade.

 

Amanhã, quando nos encontrarmos no almoço, vou dividir com eles a emoção que me tomou durante a decisão da vaga à próxima fase da Copa do Brasil, nesta noite de quarta-feira. Vou dizer que meu time jogou de forma corajosa. Foi valente durante toda a partida, não porque jogou duro (apesar de ter jogado duro, também), mas porque entendeu que era no ataque que deveria manter a bola na busca de sua conquista. E assim afastaria o risco de um revés. Marcou bem, trocou mais ou menos bem, chutou a gol quando pode e foi o único time em campo com disposição de buscar a vitória.

 

Vou dizer para eles que decidimos a vaga nos pênaltis. Que assistimos a heróis e anti-heróis protagonizando cenas de mais um grande drama do futebol. Erramos um, erramos o outro, também. Ficamos atrás no placar das cobranças. Fizemos o adversário acreditar que seria capaz de nos abater em casa. Mas não desistimos nenhum minuto de tentarmos. Fizemos gol, quase que empurrando a bola para dentro e entre as mãos do goleiro, empatamos o placar, ficamos à frente. Mas ainda não era suficiente. Dida, que já havia defendido duas vezes, precisava fazer muito mais. E fez. Na última cobrança, impediu o gol que adiaria a decisão e nos levou à próxima fase da Copa do Brasil escrevendo seu nome na história da nossa Imortalidade.

 

Meninos, ainda bem que vocês estavam dormindo. Não me viram sofrer, esbravejar, pular e gritar (em silêncio para não lhes acordar). Não viram a lágrima que correu em um dos olhos pela satisfação de mais esta conquista. Melhor mesmo é vocês ficarem com a imagem do pai responsável, que compartilha as coisas da vida, conversa do futuro e troca ideias sobre o cotidiano. Apesar de que vocês conhecem bem o pai que tem. E devem imaginar o que foi minha comemoração nesta noite.

 

O pai é tudo isso (ao menos tenta ser) e também é movido pela paixão. Por vocês, pela nossa família e pelo Grêmio, cada um em sua dimensão.

 

Em tempo: conto com vocês no programa Fim de Expediente, sexta-feira, quando vou entregar com muito prazer uma camisa do Grêmio para nosso amigo Dan Stulbach.

Avalanche Tricolor: uma paixão que não se apaga

 

Inter 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Centenário/Caxias (RS)

 

 

O clássico Gre-Nal, como é conhecida a disputa entre Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul, sempre foi apaixonante. Não por acaso, pesquisa recente que mediu o fanatismo dos torcedores, citada na última Avalanche deste blog, colocou o Grêmio em primeiro lugar, seguido de seu rival mais direto. As torcidas dos dois clubes gaúchos superaram até mesmo a paixão daquelas que são consideradas as maiores do Brasil. A vitória no Gre-Nal é capaz de se sobrepor a qualquer campanha sofrível na temporada. Ao fim e ao cabo, mesmo com resultados capengas, o torcedor vitorioso olha para o adversário e tasca: “da gente vocês não ganharam”.

 

Estes 22 anos vividos em São Paulo, me distanciaram dessa que é a maior rivalidade no futebol brasileiro. Cheguei a ensaiar a tese de que, para mim, muito pior é enfrentar o Corinthians, pois moro na cidade em que o rival predomina. Um revés que seja é suficiente para ter de suportar a flauta do adversário. Onde você pisa por aqui vai encontrar um corintiano devidamente paramentado com camisa, bandeira ou seja lá qual for o adereço fazendo alusão ao seu time. É dose para mamute. Claro que uma vitória como aquela da semana passada e a que espero que aconteça na próxima quarta-feira, pela Copa do Brasil, oferecem um sabor especial a este gaúcho refugiado em São Paulo.

 

Acreditei na ideia de que estava imune às pressões de um Gre-Nal até a bola começar a rolar neste domingo. Diante de um estádio acanhado para a dimensão da partida e indevidamente tomado pela torcida adversária, já que a pequenez de nossos dirigentes (e me refiro a todos eles) impediu que se colocasse número maior de ingressos à disposição dos gremistas, logo percebi que as mais de duas décadas de distância do Rio Grande do Sul não seriam suficientes para amainar essa paixão. O gol tomado logo no início do jogo, o gol contra que serviu para empatar ainda no primeiro tempo, a belíssima troca de passes que levou a virada no placar no início do segundo tempo e o pênalti convertido pelo adversário serviram para mostrar a emoção que esse clássico ainda exerce sobre mim. As disputas de bola, leais ou não, a marcação do árbitro, equivocada ou não, a reação dos técnicos ao lado do campo e dos jogadores no gramado, fiéis aos fatos ou não, me fizeram explodir de desejo. Gritei e esbravejei como não fazia há muito tempo. Como sempre fiz diante do clássico Gre-Nal nos tempos em que vivi em Porto Alegre.

 

A qualidade da partida, acima da média desse campeonato, e o fato de o empate ter nos mantido isolados na vice-liderança do Brasileiro talvez fossem suficientes para me deixar satisfeito neste fim de domingo. Sem dúvida, porém, minha maior felicidade está em saber que a paixão que alimentei pelo clássico Gre-Nal segue muito viva neste coração que bate gremista dentro do peito.

 

Em tempo: independentemente do sabor de um Gre-Nal, a vitória contra o Corinthians na próxima quarta-feira vai me deixar bem feliz, tenha certeza.

Avalanche Tricolor: nós acreditamos e somos os mais fanáticos

 

Grêmio 1 x 0 Corinthians
Brasileiro Arena Grêmio

 

 

Ensaiar qualquer texto antes do apito final do jogo é arriscado, principalmente quando somos torcedores do Grêmio. Tudo é possível de acontecer, mesmo porque somos o time do impossível. Deixar para escrevê-lo depois de um jogo que se encerra tarde da noite como o desta quarta-feira, é um risco à saúde e ao bom humor na manhã seguinte, em especial para quem acorda de madrugada. Mas decidi acreditar mais uma vez na nossa força e esperei para iniciar esta Avalanche somente com o placar confirmado. E acreditei que este placar seria nosso. Fui recompensado.

 

A crença na conquista se iniciou com a entrada de Maxi Rodrigues no time, no segundo tempo. Renato apostou na qualidade técnica de nosso jogador de meio campo e na capacidade dele servir melhor nossos atacantes. Diminuiu assim o sacrifício imposto ao centro-avante Barcos que há nove partidas não marcava gol e na maior parte das partidas não recebia uma só bola decente. Era obrigado a brigar com dois, três adversários sozinho. E pagava caro por essa escolha do time.

 

Com Maxi em campo, Barcos desencantou. Diante da área e de uma defesa bem postada, Maxi enxergou Barcos. A bola veio pelo alto, correu no peito do atacante e caiu disposta a ser chutada para dentro do gol. O punho cerrado na comemoração, o olhar sério em direção às arquibancadas e o abraço no técnico Renato foi a maneira de Barcos mostrar que, tanto quanto os torcedores, sofria com aquele futebol. Mas assim como nós, acreditava na vitória.

 

Torcer pelo Grêmio é acreditar sempre. É por isso que somos a mais fanática torcida do Brasil, sensação confirmada em pesquisa publicada nesta quarta-feira, pela Pirui Consultoria (leia aqui) Segundo os dados colhidos pela consultoria, 22,5% dos torcedores do Grêmio se identificam como fanáticos pelo clube. Enquanto, 57% se dizem torcedores. O total de engajados é de 79%. O Grêmio também tem o menor índice de torcedores indiferentes, com 7,6%.

 

Se você não acredita nisso, brigue com os números e não comigo. Porque eu acredito. Aliás, eu sempre acredito no Grêmio.

Avalanche Tricolor: motivos para manter o bom humor

 

Fluminense 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

Bem humorado, como devemos ser quando falamos de futebol, independentemente do resultado da partida, meu colega de rádio Carlos Alberto Sardenberg costuma brincar ao explicar os resultados de seu time do coração (que, por sinal, é outro tricolor, também). Para ele só existem dois resultados no futebol: ou nós ganhamos ou fomos roubados. Às vezes somos “roubados” e não perdemos, empatamos. Como aconteceu no sábado à noite, no Rio de Janeiro, quando estávamos prestes a reivindicar a Taça Guanabara de 2013, pois conquistaríamos a sexta vitória contra times cariocas neste Campeonato Brasileiro. Tudo bem que fecharemos a temporada invicto contra as equipes do Rio – podendo incluir nesse histórico, os jogos pela Copa Libertadores -, mas o resultado da última rodada foi servido com um gosto amargo, pois estávamos a alguns minutos da conquista quando aquela bola foi desviar no calcanhar de Rhodolfo, logo ele o mais seguro dos nossos zagueiros, subiu como nunca deveria ter subindo e caiu onde jamais deveria ter caído, dentro do nosso gol, distante, muito distante, do alcance de Marcelo Grohe – aliás, goleiro que merece menção especial por tudo que realizou nesta partida. Ele, em particular, não merecia levar o gol daquela maneira.

 

Curiosamente, o gol saiu poucos instantes após o árbitro, traído por seu auxiliar, ter sinalizado impedimento de Kleber quando o atacante estava disparando, completamente sozinho, em direção ao gol adversário. O erro crasso abortou o que poderia ter sido o gol definitivo da vitória gremista que iria nos aproximar ainda mais do líder do campeonato. O bandeirinha não percebeu – pois não consigo imaginar que ele não conheça as regras do futebol – que Kleber havia arrancado do seu campo de defesa, o que elimina a possibilidade de impedimento. Como desgraça pouca é bobagem, o juiz ainda puniu nosso atacante com um cartão amarelo que o tira da próxima partida. Fosse honesto consigo mesmo, o árbitro viria a público nesta segunda-feira e pediria desculpas a Kleber, pedindo para que o cartão fosse desconsiderado.

 

Ok, eu sei que cartões não podem ser cancelados após o jogo. Sei também que erros do juiz fazem parte desse mesmo jogo. Às vezes, passam despercebidos, outras desequilibram a disputa. Na maioria dos casos, o erro é cometido por falta de atenção, pressão excessiva ou falta de competência para acompanhar a velocidade dos lances. Há, ainda, isso é de conhecimento público, juiz sem-vergonha que erra de propósito.

 

Seja qual for o motivo da barbeiragem do árbitro desse sábado (desde já, honestamente, descarto a desonestidade), dedico esta Avalanche para falar de erros de arbitragem não porque entenda que a causa do empate azedo esteja no apito indevido do juiz. Mas para não ter que ficar aqui escrevendo mal do Grêmio, afinal empatamos mesmo foi por nossos próprios erros, por falta de capacidade de anular o adversário que teve um jogador expulso e por não matar o jogo quando tivemos chances e o árbitro não se intrometeu. É uma boa forma de não perder o humor com o time do qual tanto gostamos.

 

Seja como for, aí estamos, depois de mais uma rodada: um ponto mais próximo do líder e com a vaga para a Libertadores praticamente garantida a dez rodadas do fim do Campeonato Brasileiro. Tem gente com inveja dessa situação e com muitos motivos para estar de mau humor, pode ter certeza!

Avalanche Tricolor: tem, sim, uma só explicação

 

Grêmio 1 x 2 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Não busque a lógica para explicar esse resultado.
Nunca tente explicar o que acontece com o Grêmio nessas horas.
Não queira saber as estratégias que impediram nossa vitória.
Jamais você saberá o que nos leva a resultados como esse.
O inesperado sempre nos ronda.

 

A técnica, o técnico?
A tática, a escalação?
Não existe uma resposta, mesmo que os comentaristas as busquem.

 

Minto, tem, sim, um motivo para acontecer o que aconteceu.
Um só motivo.
Eles têm Galatto no gol.
E mitos nós respeitaremos eternamente.
Eles são imortais.

 

Galatto é mito.
Galatto é imortal.

Avalanche Tricolor: uma questão de fé

 

Botafogo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

Um rosário estava na mão de Alex Telles na saída para o vestiário no primeiro tempo. Pelo que disse ao repórter curioso, sempre leva com ele o símbolo de sua religiosidade. Onde guarda durante a partida, não sei, mas que precisou de muita fé para alcançar a conquista parcial, até aquele momento, sem dúvida. No pior momento do jogo, quando acabávamos de ficar com um a menos em campo, sofríamos pressão intensa de adversário que já foi apontado como candidato ao título e disputava a vice-liderança diante de seu torcedor, soubemos manter a cabeça no lugar e a bola nos pés. Situação rara nos mais de 90 minutos jogados nesse sábado, no Rio de Janeiro. Refiro-me à raridade de controlarmos a bola, pois o equilíbrio emocional se fez durante praticamente toda a disputa. Foi nesse instante que, mais uma vez, um de nossos muitos volantes, Riveros, apareceu no ataque, foi à linha de fundo e, em vez de dar um chutão para dentro da área a espera de um cabeceio salvador, com a cabeça erguida encontrou Alex chegando pela meia esquerda, entregando-lhe a bola com açúcar e com afeto. O camisa 13 gremista – ainda vou pedir essa camisa para mim – na mesma velocidade com que entrou na área, ajeitou a bola para concluir de forma certeira e indefensável: 1 a 0, mantido heroicamente até o fim da partida.

 

O gol teve a crença e coragem de Renato. Na jogada anterior, o técnico havia reclamado de Alex que, em vez de se aventurar na ponta esquerda, ficou recuado durante troca de passe. Temia, com certeza, deixar a defesa desguarnecida em setor do campo por onde o adversário demonstrava preferência em jogar. Mas Renato sabe que seu esquema, por muitos considerado retranqueiro, exige ousadia de seus jogadores. Impõe aos atacantes marcar como zagueiros, às vezes até quando estão atacando, como aconteceu com o atabalhoado Kleber, no lance da expulsão. O treinador escala três zagueiros e aposta na chegada deles na frente, como ocorreu em ao menos dois lances de perigo no primeiro tempo, através de Rodolfo e Werley. Compõe o time com três volantes mas não se satisfaz com seus desarmes, exige a presença deles no ataque quando possível como aconteceu com Souza, em um dos primeiros lances de gol do time; com o incansável Ramiro, que roubava a bola atrás e aparecia como companheiro de Barcos próximo à área do adversário; e com Riveros, tão importante no lance de gol nessa partida quanto o foi ao marcar o gol da vitória no jogo anterior. Os alas também são exigidos pelo técnico, por isso Pará protagonizou bela jogada pela direita quando já tínhamos inferioridade numérica em campo e superioridade no placar. E, claro, só por isso Alex Telles apareceu na entrada da área para receber passe de Riveros e marcar o nosso gol da vitória. Bressan, despachando todo perigo que surgia, e Dida fechando o gol nas poucas vezes em que a bola conseguia cruzar nossa linha de marcação, não fazem por menos. Apesar de não chegarem ao ataque, por razões óbvias, refletem a disposição do elenco em atender às ordens de Renato.

 

Os raros e caros leitores deste Blog sabem que costumo não confundir minhas convicções religiosas com minha paixão futebolística. Não arrisco pedir a Deus nas missas de Domingo por melhores resultados em campo, pois sei que Ele tem coisa demais para se importar. E eu, coisa mais importante para pedir. Mas de alguma maneira as crenças de Alex e Renato contaram com uma forcinha divina nessa partida de sábado à noite. Talvez obra de Padre Reus que assiste às partidas do Grêmio nas mãos de meu pai, que, lá em Porto Alegre, aperta a imagem dele com fé e muita força.

 

N.B: Como reservo minhas conversas com Ele para coisas importantes, desde após a partida tenho pedido toda a força para a recuperação do técnico Osvaldo de Oliveira, que passou mal ao fim do jogo. Além de ótimo ser humano, um amigo para quem sempre vou querer o melhor.