É preciso humildade no jornalismo (no futebol, também)

 

Coritiba 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)

 

 

Foi muito divertido, sem contar que fiquei honrado, a oportunidade de dividir o palco com a turma do Fim de Expediente, no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional, em São Paulo, na sexta-feira. Como sempre conseguem fazer, Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco levaram a conversa entre o bom humor e o papo sério, entretendo o público que não coube nas dependências do teatro. Foram colocadas cadeiras extras e muitos ainda tiveram de assistir ao programa no telão do lado de fora do teatro. Havia uma ocasião especial para o convite: venci a aposta que fiz com Dan nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Aproveitaríamos o programa para entregar a camisa do tricolor gaúcho que prometi caso passássemos pelo Corinthians, o que aconteceu na quarta-feira, em Porto Alegre. Para a aposta ficar completa, Dan, corintiano, como deve saber o caro e raro leitor desta coluna, teria de vestir a camisa diante do público, o que foi cumprido, apesar da resistência dele.

 

Nosso ator chegou a preparar uma estratégia para não vesti-la. Levou a conversa por quase uma hora e somente permitiu que a camisa lhe fosse entregue nos minutos finais do programa. A número 10, de Zé Roberto (que saudade dele), estava em uma caixa que imitava a Arena do Grêmio e assim que aberta tocava o hino composto por Lupicínio Rodrigues. Dan abriu e pegou a camisa, mas no momento de vesti-la, encerrou o programa, a luz do teatro apagou e as cortinas fecharam. Só pagou a aposta porque o público bateu pé e não saiu do Eva Herz enquanto ele não voltou ao palco devidamente fardado. Perdeu mas levou no bom humor (e teve humildade).

 

Falamos muito de jornalismo durante todo o programa. Dan pediu minha opinião sobre merchandising, prática comercial usada por empresas que pagam para jornalistas fazerem publicidade de produtos, marcas e serviços. Repeti o que digo há muito tempo: sou contra, não é papel do jornalista fazer propaganda. Zé me deu a chance de falar sobre o rádio dos tempos modernos: lembrei que das cinco características exigidas, atualmente, dos meios de comunicação – mobilidade, velocidade, interação, multiplataforma e personalização – o rádio já tem três delas desde seus primeiros anos de vida. É móvel, ágil e aberto à intervenção do ouvinte desde sempre. Teco quis saber como foi migrar do CBN SP para o Jornal da CBN, há pouco mais de dois anos e meio. Expliquei, entre outras coisas, que uma das intenções foi levar os temas urbanos para o cenário nacional.

 

Já não lembro mais se foi o Dan, o Teco ou o Zé quem levantou a bola sobre a exposição pública que o rádio e o jornalismo de uma maneira geral nos proporcionam. Disse a eles que, sem dúvida, ganhamos destaque. As pessoas se aproximam. Passam a nos conhecer melhor. Dizem que gostam ou odeiam. Não ficam indiferentes. Tudo isso nos envaidece. E diante de tudo isso passa a ser fundamental o exercício da humildade. É grande o risco de nos considerarmos mais importantes do que os fatos e nos imaginarmos donos da verdade. Quando isso acontece o tombo é grande, machuca e faz vítimas.

 

Tivemos um bom exemplo disso no início da noite desse domingo. E você, acostumado a ler essa Avalanche, sabe bem do que estou falando.

6 comentários sobre “É preciso humildade no jornalismo (no futebol, também)

  1. Antes de mais nada,meus cumprimentos ao quarteto, que esteve presente no Teatro Eva Herz,pelo excelente programa,no qual o papo entre Dan,Zé Godo,Teco e,como convidado do trio,Mílton Jung. Apreciei muito os assuntos abordados com a sabedoria de quem lida há muito tempo com rádio e jornal e o que representam os dois veículos para ouvintes e leitores. A lição mais preciosa que o quarteto passou às pessoas que superlotaram o teatro e a quem,como eu,ouviu tudo pela internet,foi a de que a humildade é fundamental não só para radialistas e jornalistas,mas para todos os que,de alguma maneira,têm o seu trabalho julgado para o público,por exemplo,os técnicos e jogadores de futebol. E já que toquei em futebol,creio que sei a quem o Milton lembrou no início da noite deste domingo.

  2. Milton, enquanto você provavelmente se aborrecia no momento do jogo, um fato bem mais importante e alegre para você , ocorria no canal MULTISHOW HD durante o programa RECLAME.
    A Bruna Calmon entrevistava o presidente do Grupo Troiano de BRANDING, que presta serviços de imagem de marca, inclusive à REDE GLOBO, incluindo a CBN.
    Ao elogiar a evolução e adaptação da rádio à exigência contemporânea de apresentar notícias de forma descontraída sem abrir mão da seriedade, citou uma abordagem sua no programa exibido naquele dia da entrevista. .Sua performance segundo Troiano, foi perfeita.
    Vale a pena entrar no You Tube e assistir a entrevista,além do que RECLAME é um bom programa, apresentado com categoria por Bruna Calmon.

    • CArlos,

      Já havia sido alertado em relação a entrevista do Troiano e fiquei lisonjeado com a lembrança e citação. Adaptarmos às mudanças que o tempo provoca é fundamental para persistirmos.

  3. O Pato faz a pataquada, o Dan veste a camisa do Grêmio, e o Grêmio toma de 4 do Coritiba. Dan, vai ser pé frio lá no Sul. Rsss Sou Santista. Espero que vc nunca use a camisa do Santos. Rsss Mas valeu. Levou a derrota na esportiva. Assim deveria ser todo torcedor.

  4. Milton,
    Acompanhei este programa que passou, realmente, rápido demais para quem escutava, e tenho que destacar algo que foi dito, até de forma rápida, mas que continha um ensinamento precioso. Sobre a imparcialidade no jornalismo. E você foi muito feliz quando afirmou que TODOS nós somos PARCIAIS pela história/formação/cultura/família.., que trazemos isto conosco. SER parcial é nosso, mas no jornalismo (e porque não não vida) a busca deve ser pela ISENÇÃO. Achei ótima esta explicação. Valeu pela aula. Abraços botafoguenses

  5. Já um pouco refeita do incrível golpe, quero enaltecer a corretíssima postura dos dois profissionais neste episódio entre torcedores rivais. Isto não poderia ser diferente, haja vista que o profissionalismo e a ética dos dois refletiram-se automáticamente em suas paixões e na brincadeira em si. Evidente que lamento o triste resultado para os mosqueteiros, porém humildemente ( como você bem o disse e demonstrou) aguardo dias melhores para a poderosa fiel torcida! A tão esquecida virtude da humildade deveria ser fato corriqueiro entre seres humanos em todas as circunstâncias de nossa vida. Saudações alvinegras!

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