Avalanche Tricolor: Éramos nove …

 

Criciúma 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Heriberto Hülse (Criciúma-SC)

 

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Foi um jogo curioso. Muito curioso. A sequência de adversidades que marcou nossa trajetória, no sábado, chamou atenção: estádio pequeno, torcida aguerrida, chuva forte, frio intenso, adversário desesperado e atos desiquilibrados que leveram às expulsões. Duas, por sinal. Não bastasse isso, tivemos Werley machucado e pelas circunstâncias, que não gostaria de ressaltar nesta Avalanche, podemos até computar como mais “um a menos” (lembra em cima de quem saiu o primeiro gol?).

 

A partida despertou sensações diversas e contraditórias a partir do comportamento de nossos jogadores e das decisões do árbitro. Perdemos no jogo, mas deixamos o gramado com uma ponta de orgulho pela forma brava com que aqueles que permaneceram em campo lutaram. Talvez muitos não entendam isso, mas não somos torcedores de resultado. Não nos convence a vitória conquistada sem suor, sem desejo. E no primeiro semestre deste ano houve situações assim: três pontos garantidos que não foram capazes de tocar nosso coração.

 

Não quero dizer que ficamos contentes por perder. Claro que não. Como lembrou Kleber: corre-se o risco de jogar fora o campeonato em partidas como essa, contra adversário que não está na disputa do título, teoricamente mais fácil de ser batido. Mas nós nos orgulhamos pelos que batalham e acreditam sempre. E assim tivemos prazer de ver que os nove que foram até o fim em defesa de nossas cores não se apequenaram. Apesar do gramado encharcado e das expulsões, jogaram muito melhor do que quando estávamos completo em campo. E aqui mais uma dessas contradições difíceis de serem explicadas: com 11 em campo não tivemos o mesmo desempenho e crença do que na adversidade.

 

Até a próxima luta!

Avalanche Tricolor: para matar a saudade

 

Grêmio 2 x 1 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Cheguei de viagem logo cedo, neste domingo, após 10 horas de vôo e cinco horas de fuso que atrapalham o sono, mas não tiram a satisfação de duas semanas de férias. Ao trabalho volto na terça-feira, oportunidade para matar a saudade de colegas, do programa e dos ouvintes. Hoje, porém, dedico-me a escrever sobre outra saudade resolvida: a do Grêmio. Não que eu tenha comparecido em corpo e alma na Arena, coisa que ainda estou devendo a mim. Assisti ao jogo em casa, já aqui em São Paulo, diante da televisão. E gostei muito do que vi, mesmo sendo submetido a forte pressão do adversário que, não se deve esquecer, era o líder e tem um jogador excepcional (quase tão bom quanto Zé Roberto – acho melhor deixar este comentário fora, vão dizer que é só porque sou gremista).

 

Fazia tempo não havia jogadores vestindo nossa camisa com tanta dedicação e, curiosamente, alguns deles estão há algum tempo por lá. A vibração nas bolas despachadas para fora, como fizeram Pará e Alex Telles, e com carrinhos salvadores que impediram o gol de empate, como ocorreu com Werley e Bressan, nos minutos finais, demonstra nova disposição da equipe. Arrisco dizer que até o impassível Dida se deu o prazer de comemorar defesas. Pra frente não foi diferente, seja com a dupla Zé Roberto e Elano, seja com Kleber e Vargas, este último com destaque especial ao marcar dois golaços. Por falar em gringo, apesar de mais uma vez ter o direito de jogar apenas alguns minutos, Maxi Rodríguez, que já conquistou o torcedor, segue mostrando utilidade.

 

Em meio a divididas duras, riscos de gol, algumas jogadas atabalhoadas e ao bom toque de bola do meio para o ataque, lembrei que Renato Portaluppi, durante a semana, havia alertado para o fato de estarmos disputando uma decisão de seis pontos contra o líder e da necessidade de se vencer os três primeiros, que poderiam fazer uma tremenda diferença no final. E sabemos bem que fazem. É importante que se tenha esta visão a cada partida em um campeonato de pontos corridos. É assim que se chega ao título e foi assim que perdemos vários deles, nesses anos todos.

 

Ao ouvir o jovem lateral esquerdo Alex Telles falando com repórteres de campo, assim que a vitória foi garantida, não tive dúvidas de que o espírito do qual tinha tanta saudades estava de volta: “Desde que chegou, o Renato falou que, quando ele foi campeão do mundo, precisou de muita entrega. Se a técnica não prevalecesse sempre, hoje a vontade prevaleceu. Nosso time está muito preparado, marcando muito forte. O Renato implantou isso na gente: nunca desistir”.

 

Vamos precisar mais do que vontade, mas enquanto esta estiver presente, não vamos desistir nunca.

Avalanche Tricolor: da terra dos Portaluppi

 

Atlético PR 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Curitiba PR

 

 

Distante do Brasil, mas próximo dos Portaluppi. Daqui de onde estou, em direção ao norte, pouco mais de 400 quilômetros me separam da região de Verona, onde haveria registros da presença da família Portaluppi, que se dedicaria a função de notário, ainda no século 13. Pouco antes tem Milão, onde nasceu o arquiteto Piero Portaluppi, no finalzinho do século 19, que deixou sua marca em prédios e casarões, tendo ajudado no desenvolvimento urbano com seu talento e conhecimento. Impossível saber no momento em que publico este post se pendurado na árvore genealógica de algum deles estaria seu Francisco, casado com dona Maria, que adotou a cidade de Bento Gonçalves para criar seus 13 filhos, seis mulheres e sete homens, um deles, o único Portaluppi que realmente me interessava no fim da noite de sábado, aqui em Ansedonia.

 

A despeito de toda a riqueza histórica que me cerca na Itália e diante do Mar Tirreno que me acompanha nestas férias, estava antenado mesmo era na possibilidade do filho do Seu Francisco reconstruir em poucos dias a obra retorcida deixada por seu antecessor. Alguns minutos de jogo, assistidos na pequena tela do Ipad, através da minha caixa mágica que copia pela internet as imagens de meu televisor em casa, no Brasil, foram suficientes para perceber que estava exigindo de mais na reeetreia de nosso técnico. Renato já fez muito com a bola nos pés, inclusive aqui na Itália, quando jogou pelo Roma, na temporada de 1988/1989 e teve alguns bons momentos como técnico, a última com o próprio Grêmio, em 2010, mas para colocar o time em ordem precisará de tempo, bem mais do que alguns dias de treino. Não que seja necessário mudar muitos jogadores de lugar, mas terá de encaixá-los nas funções para as quais estão mais bem qualificados. As bolas chutadas por cima do meio de campo, a falta de companheiros mais bem colocados para receber o passe e o aparecimento de jogadores fora de posição revelam um desarranjo na equipe. Além disso, caberá ao nosso Portaluppi mexer com a cabeça e o ânimo de cada um deles para recuperar a alma sugada pela passagem de Luxemburgo.

 

No jogo mal jogado de sábado, que me fez dormir de madrugada, dado o fuso horário, ao menos a satisfação de ver, quase ao final, o lance mais bonito da partida, quando Maxi Rodríguez, há pouco tempo em campo, com precisão e distância, acertou lançamento no pé de Barcos, atacante que já incomodava por não deixar sua marca. A jogada certeira de Maxi e a retomada dos gols de Barcos, quem sabe, abrem esperança para que Renato Portaluppi nos devolva a satisfação de ver o Grêmio em campo. Enquanto isso não ocorre em definitivo, fico por aqui aproveitando as alegrias e prazeres que a terra dos Portaluppi têm a nos proporcionar.

Avalanche Tricolor: somos um bando de loucos

 

Grêmio 1 x 1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Calma, lá, caro e raro leitor gremista deste blog. Vou, sim, falar do Grêmio neste post, apesar do título lembrar o apelido de outra torcida. Aliás, sequer vou me ater ao comportamento de nossos torcedores que ganharam o direito de ocupar seu espaço na Arena, mesmo que permaneçam restrições à avalanche. Apesar do atraso na publicação deste texto provocado pelo horário do jogo, compromissos profissionais e familiares, quero, hoje, reproduzir a sensação que tive ao ver nosso time em campo.

 

Assisti à partida deitado na cama, em silêncio total, sem nem mesmo ouvir o que diziam narrador, comentarista e repórteres na televisão. Prestei muita atenção na formação inicial escalada por Vanderlei Luxemburgo e tentei entender a estratégia dos três atacantes, o deslocamento dos laterais, o posicionamento dos zagueiros, a ação dos volantes e a articulação do meio de campo – ou do que havia no meio do campo no primeiro tempo (no caso, Zé Roberto, isolado, obrigado a conduzir a bola em busca de algum companheiro). Vi as mudanças no intervalo, a boa entrada de Elano, a presença de Guilherme Biteco e a chegada de Ramiro. Como nada ouvi, fiquei sem saber se Elano entrou no segundo tempo devido a desgaste físico ou para atender o esquema do técnico.

 

Confesso que não sou craque em identificar esquemas táticos como costumam fazer muito bem colegas como o Mário Marra, da CBN. Sempre tive dificuldade para contar o 4-4-2, o 3-5-1 ou o 4-2-1-3, que me parece foi o usado na partida de ontem. Por isso analiso o futebol muito mais pelas sensações do que pela razão. E meu sentimento, em meio as dificuldades para chegarmos ao gol adversário, era de que não passávamos de um bando de louco, dispostos a vencer, mas sem ter planejado o caminho da vitória. No segundo tempo em especial, foi possível até mesmo se emocionar com o esforço de alguns para mudar o placar. Era evidente, porém, que tudo ocorria de forma voluntariosa, do jeito que desse, torcendo para dar certo. Aquele chute do Werley, longe do gol, quando havia atacantes a espera do lançamento dentro da área, sinalizava bem este espírito. Aliás, nosso gol de empate, aos 42 minutos do segundo tempo, com a bola empurrada para dentro, na cabeçada de Kleber, também foi resultado disso tudo.

 

Ainda bem que estas loucuras de vez em quando dão resultado, nem que este resultado seja um simples empate dentro de casa.

 

Quem será capaz de colocar só um pouco de razão diante desta alucinação?

Avalanche Tricolor: é tempo de calar e esperar

 

Atlético (MG) 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena do Jacaré, Sete Lagoas (MG)

 

 

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus …” Começa assim o texto de Eclesiastes que lembrei durante a partida desta noite de domingo, em Belo Horizonte, quando pensava no que escrever nesta Avalanche. A passagem que me levou a este livro da Biblia Cristã ensina que há “tempo para procurar, e tempo para perder … tempo para calar, e tempo para falar”. E para calar é preciso sabedoria, pois sem ela corremos o risco de transformarmos em terra arrasada, campo fértil. E nós, gremistas, sabemos bem que existem valores que precisam ser preservados, assim como temos joio a ser arrancado para que o trigo seja cultivado e a boa safra possamos colher.

 

Ao me calar hoje, dispenso a oportunidade de reclamar do pegador que se transformou em fazedor de pênalti; da zaga dura, firme e forte, que cedeu a velocidade ou altura dos atacantes; de laterais que esqueceram o caminho da linha de fundo; de jogadores criativos que perderam o brilho do drible; e goleadores que se esparramaram no chão antes de mostrarem seu desejo de matar.

 

Neste cenário, o melhor mesmo é calar, e esperar, pois há “tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado”. Mas para isso é preciso de um excelente agricultor.

 

Para não perder o domingo, fico com a satisfação de assistir à vitória da seleção brasileira sobre a França no comando de Luis Felipe Scolari, este sim um técnico que sabe colher. E merece cada conquista alcançada em sua história

Avalanche Tricolor: chuta este mau humor para escanteio

 

Grêmio 1 x 0 Vitória
Brasileiro – Arena

 

 

(um bate-papo comigo mesmo)

 

Deixa de ser mal-humorado! Esta é a quarta rodada do Campeonato Brasileiro e, além do teu time, só tem mais dois invictos. Foram duas vitórias em casa e um empate fora. A receita perfeita em competição de pontos corridos. Tem um jogo a menos e está empatado com os líderes que disputaram quatro partidas. Tem concorrente que já está até com a sombra da zona do rebaixamento! Sem contar os que sequer deixaram seus técnicos esquentar o banco por muito tempo. E o que o é que foi aquele golaço do Elano. Que baita cobrança de falta. Parecia ter ajeitado a bola com a mão. Pensando bem, foi o que fez com o pé.

 

Está reclamando, então, do quê? Seu mau humorado!

 

Eu sei, nós bem que gostaríamos de assistir aos nossos atacantes convertendo em mais gols as bolas que recebem, de ampliar o placar sem nos expormos a riscos e de ganhar as partidas com mais facilidade. Mas, neste “salve-se quem puder” do Brasileiro, talvez tenhamos que nos contentar mesmo com esta luta diária, ou melhor, com esta disputa dura rodada a rodada. E tirar este nariz torcido com alguns jogadores e com o técnico que, convenhamos, jamais ganharia o título de Simpatia do Ano.

 

Está na hora de retomarmos à alegria, apesar dos pesares, e torcer para que o Padre Reus do meu pai (leia o texto anterior) nos ajude.

 

Até a próxima!

Avalanche Tricolor: nossa camisa tem de vestir corpo, coração e alma

 

Santos 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

O caro e raro leitor que me acompanha neste blog e teve a oportunidade de ler minha coluna na revista Época São Paulo, que está nas bancas neste fim de semana – o que o tornará ainda mais raro – sabe que a dediquei à relação dos jovens com o futebol que me parece cada vez mais distante. Falei da dificuldade que foi para levar meus meninos a torcerem pelo meu time de coração, tendo ambos nascido e morado longe de Porto Alegre. Diferentemente de mim, criado e batizado nos campos de futebol, em especial no estádio Olímpico, quintal de minha casa, eles já pegaram esta época em que ir ao jogo é um comportamento de risco. Por isso, me contento em saber que são gremistas mesmo que não conservem a mesma alucinação que eu (o que de certo ponto é uma boa notícia).

 

Por conhecer o comportamento ‘low profile’ deles com o futebol e o Grêmio é que me surpreendi com a atitude dessa tarde de sábado, quando abandonaram os atrativos jogos online, no computador, para sentarem ao meu lado no sofá e assistirem ao Grêmio, na televisão. O mais velho até trouxe uma bacia de pipocas pronta para tornar o programa mais interessante. E realmente estava, graças a postura gremista em campo, com marcação firme, toque de bola preciso e chegada forte ao ataque. O gol logo cedo nos deixou entusiasmados pela velocidade com que os atacantes se movimentaram a ponto de deixarem Vargas sozinho dentro da área com a tarefa de concluir a jogada. Meu entusiasmo – e o deles – não foi até o fim do primeiro tempo quando a equipe já dava sinais de que estava satisfeita com o placar e não conseguia mais impor o mesmo ritmo na partida. Antes mesmo do intervalo, os dois já estavam dormindo ao meu lado. E assim ficaram praticamente até o fim. Nem a pipoca programada para o segundo tempo os tirou desse estado. Preferi não acordá-los, não estava valendo a pena mesmo.

 

Além da torcida dos meninos, o Grêmio desperdiçou excelente oportunidade de largar com vantagem nestas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, e abriu mão de dois pontos fora de casa importantes para quem pretende disputar o título. Bem verdade que a velha estratégia de vencer em casa e empatar fora ainda funciona nos campeonatos de pontos corridos. Temos visto, ainda, a ascensão de Vargas, cada dia melhor no ataque. E, mais uma vez, mostrou que tem talento para vencer. O que incomoda é que transforma esta qualidade em arrogância. Também confunde sentimentos, faz da necessária tranquilidade antídoto da raça, quando ambos têm de jogar juntos. Parece, às vezes, haver um sanguessuga a consumir nossa alma no vestiário. E nós apaixonados sabemos que esta camisa tricolor não é para vestir apenas corpo, tem de vestir coração e alma.

 

Avalanche Tricolor: se é o que temos para vencer, venceremos

 

Grêmio 2 x 0 Náutico
Brasileiro – Alfredo Jaconi (Caxias-RS)

 

Gremio x Nautico

 

Aprendemos com o tempo que o Campeonato Brasileiro se conquista a cada rodada, na soma de pontos de cada jogo, e, portanto, toda partida é uma decisão. Sendo assim, vencemos a primeira de 38 finais que temos para sermos campeões. Distante de casa, pela punição que sofremos no fim da temporada passada, mas próximo da torcida que praticamente lotou o Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, fizemos uma boa partida, na qual nosso meio de campo se destacou com os gols de Zé Roberto e Elano. Houve destaques nas laterais, com Pará e Alex Telles se revezando nas subidas. E a defesa jogando com seriedade.

 

Era evidente o ressentimento de muitos com a desclassificação na Libertadores, e as vaias para Vanderlei Luxemburgo que soaram das arquibancadas revelaram este sentimento. Há muita desconfiança com o que este elenco qualificado é capaz de fazer quando desafiado em campo. Mesmo os jogadores não escondiam a ferida aberta pela derrota há pouco mais de uma semana. Ou seria a lição aprendida? A comemoração de Zé Roberto, logo após o gol, que correu para abraçar Cris no banco, pareceu-me uma forma de tentar reconstruir este grupo que, segundo palavras do próprio craque da camisa 10, precisa encarar o Brasileiro como um novo tempo para o Grêmio. Tempo de mostrar que projetos pessoais jamais poderão se sobrepor ao interesse coletivo. Que talentos individuais somente se consagrarão se impulsionados pelo espírito guerreiro que sempre marcou nossa histórias.

 

Ao fim do jogo, Souza resumiu o desejo de todos: se é o Brasileiro (e a Copa do Brasil) que temos para vencer, vamos vencer. Que assim seja, da primeira à última rodada.

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais!

 

Santa Fé 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Bogotá (Colômbia)

 

Santa Fe x Gremio

 

Somos Imortais não porque jamais perdemos, mas porque jamais desistimos.

 

(…e nada mais digo por enquanto frente ao adiantado da hora, mas voltarei a este espaço ainda nessa sexta-feira)

 

Estou de volta (editado às 11h15 de 17/05):

 

Ao escrever logo após o jogo, chuto a razão para as cucuias (que imagino seja um lugar bem distante), desabafo minhas emoções e desprezo a lógica do futebol. Prefiro assim pois teclar como pulsa o coração me faz sofrer menos e me impede de enxergar as fragilidades de um clube que quero Imortal. O adiantado da hora e a necessidade de dormir o mínimo possível para me colocar em condições de pensar às notícias do dia, me impediram de dizer o que pensava logo após o apito final da partida na Colômbia que nos desclassificou da Libertadores.

 

Somente agora, noite mal dormida e dia já praticamente trabalhado, é que sento diante do computador para escrever o que penso do desempenho do tricolor nesta edição da Libertadores. Talvez este distanciamento me tenha feito entender um pouco mais a sensação que me acompanhou durante todo o jogo de ontem à noite e em parte da competição. Não havia a confiança quase deslumbrada de sempre, mesmo nos melhores momentos do jogo e ciente do bom elenco de jogadores que tínhamos à disposição. As escapadas em direção ao gol adversário não me iludiam, nem mesmo a aparente tranquilidade no toque de bola de nossos jogadores. Cheguei a pensar que era apenas forma de controlar meu nervosismo: não acreditar no possível para não se frustrar no revés. Mas isto não é coisa de gremista, pensava comigo mesmo.

 

Foi a boa crônica do jogo, intitulada “Os Miseráveis”, escrita por Maurício Brum, no site Impedimento.org, que me ajudou a traduzir o sentimento e desconforto com o time. Não com os jogadores em si, apesar de alguns terem provado que não merecem vestir a camisa do Grêmio. Desconforto com a alma de um time, que desapareceu em meio a estratégias mirabolantes e palavras rebuscadas. Que acabou com a raça que sempre nos diferenciou sem sequer dar vazão para o talento que existe em muitos dos que estão na equipe. Raça e categoria estiveram juntas apenas em uns poucos instantes desta temporada; raridade como no jogo do Fluminense, no Maracanã, por exemplo.

 

A mudança de postura se fará necessária para que os desafios de 2013 não sejam desperdiçados como foram todos os que enfrentamos na Era Luxemburgo, a começar pela Copa Sul-Americana do ano passado, na qual assistimos à virada histórica do Millionários, nas quartas-de-final, e às perdas do vice-campeonato Brasileiro e da vaga direta à Libertadores ao aceitar um empate no jogo final do Olímpico. E para que esta mudança ocorra, em vez de aplicarmos a política da terra arrasada, dispensando aleatoriamente nomes que não renderam o que podiam até aqui, é preciso identificar, antes, quem sugou nosso ímpeto, quem consumiu nossa alma.

 

E você, caro e raro leitor deste Blog, sempre acostumado a me ver ufanista mesmo nos piores momentos, não pense que estou incrédulo. Estou apenas com os pés no chão e pedindo que recuperem a saga do Imortal Tricolor, este que é Imortal não por jamais perder, mas por jamais desistir.

 

Eu não desisto: Grêmio, sempre!

Avalanche Tricolor: lutamos, sofremos e vencemos

 

Grêmio 2 x 1 Independiente (COL)
Libertadores – Arena

Lutamos, acertamos, erramos, sofremos e vencemos. Com a mesma precisão com que distribuiu passes, driblou adversários e despachou bolas que rondavam nossa área, Souza descreveu a vitória que nos deixa com vantagem na disputa pela vaga às quartas-de-final da Liberadores. Um resultado que ganhou dimensão diante das circunstâncias da partida, quando mais uma vez tivemos um jogador expulso (aliás, mais uma vez o mesmo) e, agora, contra o único time invicto na competição e com a segunda melhor campanha até aqui.

 

O gol de Vargas, de cabeça, premiou o atacante que, apesar da pouca estatura, se agiganta diante dos marcadores. Fez isto especialmente na partida desta noite quando teve uma de suas melhores apresentações desde que chegou à Porto Alegre.

 

O gol de Fernando, de fora da área, consagra a história deste volante que talvez seja, hoje, o jogador que mais bem simboliza a saga gremista. Foi dele que saiu, em entrevista ao fim do jogo, a fórmula para superarmos nossas carências: cada um deve jogar 10% a mais para substituir a ausência do colega expulso. Ele, com certeza, jogou muito mais do que isso e se transformou no herói da partida.

 

Para um clube que forjou sua vida nas conquistas históricas e construiu a imagem de Imortal, não podemos esquecer que, nesta noite, tínhamos, ao lado do campo, o estigma de um vencedor: o técnico interino Roger.

 

Que venha a próxima batalha!