Avalanche Tricolor: Grêmio é 100% na Copa do Brasil

 

Bahia 1 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Salvador

 

 

Logo cedo fui provocado pela minha colega de CBN Ceci Mello, no bate papo que precede o Jornal da CBN, a dar um palpite para a partida desta noite. Não gosto muito de palpites, principalmente em se tratando de placar do jogo. Imaginar quem tem mais chance de vencer ainda é possível tendo como referência o desempenho de cada time na temporada, mas o placar é puro chute. Não há nada que nos dê base para dizer que será 1 x 0, 2 x 0 ou 3 x 2 como alguns chegam a arriscar. Palpites feitos por torcedores como eu, então, são mais sem noção ainda. O coração é quem fala, jamais a lógica. Hoje, porém, fui pego de surpresa (e com sono) e tasquei um 2 x 0 por puro achismo. Ceci ficou no 1 x 0 – menos mal que em favor do Grêmio. E saimos dali satisfeitos com a brincadeira.

 

Assistindo ao Grêmio nesta primeira partida das quartas-de-final, percebo que posso confiar mais na minha intuição. Apesar de não ter previsto o gol adversário, que saiu primeiro e em momento no qual o Grêmio era muito superior, os dois gols gremistas pelos quais torcia aconteceram mesmo. Pura sorte minha e mérito de nosso time que com a bola no pé e a cabeça no lugar jogou como se estivesse no estádio Olímpico, impedindo o adversário de organizar suas jogadas. Time, aliás, que mantém 100% de aproveitamento na competição e tem demonstrado porque é especialista em Copa do Brasil.

 

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Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Bertoglio !

 

Grêmio 2 x 0 Fortaleza
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

 

 

Mais um passo. Este antecipado com a vitória na primeira partida. Faltam três adversários e seis jogos para a Libertadores. E o argentino é quem tem feito diferença. Bertoglio colocou o time embaixo do braço e resolveu a partida. Escrevo pouco porque vi pouco, seja pelo desempenho seja pelo horário. Assim, deixo o vídeo com os gols gremistas para curtirmos juntos.

Avalanche Tricolor: Deu para sorrir

 

Fortaleza 0 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Fortaleza (CE)

 

 

Sabe quando você está naqueles dias em que nada dá certo? Uns falam em inferno astral, outros em onda de azar. É a fase, comenta o amigo. Vai passar, consola o colega. Tudo bobagem da sua cabeça, ouço em tom de reprimenda. Seja como for, quando se está nessa é sempre bom procurar uma boa notícia ou um fato que possa ser animador. Quem sabe dar um cavalo de pau na história que nos ajude a enxergar um novo horizonte. A vitória do Grêmio nessa noite de quarta-feira tem um pouco esse efeito. Quando você vê que aquela bola que tinha tudo para explodir nas arquibancadas lá atrás do gol se transformar em um golaço, abre-se uma perspectiva diferente. Refiro-me ao lance protagonizado por Marco Antonio, um meio-campo que ainda não se firmou na equipe, mesmo tendo chegado com boas recomendações após o futebol que apresentou na Portuguesa. Pegou de voleio ou de sem-pulo, acho que é assim que chamam aquele tipo de chute, na entrada da área e enfiou no ângulo. Se você ainda não viu a jogada, vale procurar na internet (ou clique aqui). Eu vi, revi e voltei a ver mais algumas vezes. Era de um lance assim que estava precisando para levantar o astral. Não que o futebol seja capaz de mudar a nossa vida, mas quando estamos a procura da alegria confiscada o prazer de uma vitória é sempre bem-vindo. Sendo assim, obrigado Grêmio – e Marco Antonio e Marcelo Moreno – pelo sorriso no rosto.

Avalanche Tricolor: Quando o Grêmio é o Grêmio

 

Grêmio 1 x 0 Canoas
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 


Inspirar-se com o que vejo ou deixo de ver dentro de campo para escrever esta Avalanche tem sido minha tarefa desde 2007 quando a iniciei no Blog com o objetivo de extravasar minha admiração pelo Grêmio. Logo no início fazia questão de tê-la publicada assim que o juiz apitasse o fim da partida, mas com o tempo, ou melhor, a falta dele acabei me satisfazendo em escrevê-la o mais rapidamente que pudesse nem que isso significasse o dia seguinte, pois alguns jogos se encerram em horário proibitivo para quem madruga durante a semana, como é o meu caso. Com esta semifinal disputada no sábado à tarde, feriado nacional e sem muito compromisso, postar o texto não exigiria esforço extra, bastaria esperar o time jogar bola, o adversário ser superado, um dos nossos se destacar com um lance bonito, desses que fazem a essência do futebol – um gol, um drible ou, claro, um carrinho na altura da canela -, respirar fundo e se inspirar.

 

Os 15 minutos iniciais de hoje foram empolgantes com o time tendo eliminado qualquer possibilidade de o adversário se aproximar do campo do ataque, a bola passada com velocidade, a agilidade no deslocamento dos jogadores pelas pontas e aparecendo no meio para receber, um sufoco impressionante. O gol aos 7 minutos do primeiro tempo com a bola sendo empurrada para dentro da goleira na insistência de André Lima – o atacante que não desiste nunca – foi a imagem do nosso desempenho naquele um sexto de partida. Estava entusiasmado e certo de que teria um material rico para contar a você aqui no Blog, mas alguma coisa mudou de lá para adiante. O futebol jogado até então ficou reservado ao replay do intervalo. Passes errados, falta de articulação, vacilos desnecessários e cartões amarelos, também. Os chutes a gol continuaram, mas sem a mesma convicção, com as exceções de praxe. Não era mais o mesmo Grêmio.

 

Ao fim da partida – e somente ao fim, porque não dava para tirar o olho da TV a medida que mesmo capenga nunca se sabe o que o adversário pode fazer – respirei fundo, sentei-me diante deste computador e pensei o que poderia me motivar a escrever. Lembrei-me dos minutos iniciais quando o Grêmio foi o Grêmio que queremos e sonhamos. E foi este que me trouxe até este parágrafo final. Que seja este que veremos domingo na decisão da Taça Farroupilha.

Avalanche Tricolor: Um torcedor à distância

 

Extra, extra, extra ! A Avalanche Tricolor tem edição extraordinária para oferecer espaço a um torcedor gremista forjado no extremo do Paraná, distante do Rio Grande do Sul e ainda mais loge do estádio Olímpico. Nem por isso menos torcedor como descreve no texto a seguir. O gremistão é Bruno Zanette (@bzanette), jornalista e meu colega na rede CBN Brasil, em Foz do Iguaçu:

 

Dizem que lugar de torcedor é no estádio. Depende. Nem sempre o deslocamento ao palco do espetáculo chamado futebol é possível. Especialmente se o time pelo qual você escolheu torcer fica em uma cidade muito distante de onde mora. Esse é o meu caso. Um gremista paranaense que não conhece Porto Alegre, quiçá o estádio Olímpico Monumental, local de tantas glórias e conquistas.

 

Felizmente para isso existem as emissoras de rádio. “Ah, mas hoje em dia, com o pay-per-view, você também pode acompanhar”, podem pensar. Mas na época em que comecei a me interessar por futebol, isso ainda era raridade, se é que existia no país. Tive a sorte de nascer no ano em que o Grêmio se tornou campeão da primeira Copa do Brasil da história, em 1989. Aí, minha infância nos anos 90 foi uma festa atrás da outra, em comemoração aos títulos. A grande Era-Felipão! E eu aqui, na minha Foz do Iguaçu, onde nasci, acompanhando (ou tentando compreender) de longe, só observando meu pai, gaúcho que ainda jovem se mudou ao Paraná, rádio no encosto do sofá, ouvindo os jogos do Imortal Tricolor.

 

Sim, é verdade que eu ainda não tinha idade suficiente para entender direito o futebol, mas já sabia por quem gostaria de torcer. Se esse tal de Grêmio ganhava tudo o que disputava, meu pai ficava feliz com ele, por que eu iria querer torcer por outro time? Tenho um irmão mais velho e flamenguista, só que isso não vem ao caso. Deve ter tido os motivos dele para torcer, também à distância.

 

Hoje, com meus 22 anos (23, a partir de 11 de maio) sou jornalista formado, trabalho em uma afiliada de uma grande rede de rádio – a CBN – e sou responsável pela editoria de esportes. Tento não deixar a paixão clubística afetar a isenção na hora de noticiar sobre outros grandes do futebol brasileiro. Por sorte, a cobertura é focada mais ao esporte local, aqui de Foz. Por isso, até consigo continuar torcendo pelo time azul, preto e branco. Mas assim, à distância. Espero mudar este quadro este ano, o último do Olímpico. Preciso conhecer aquele local, respirar o ar dos campeões, preciso sentar naquelas arquibancadas. Preciso estar lá, sabendo que não há distância que separe a emoção de um torcedor. Um torcedor do Grêmio.

Avalanche Tricolor: Mais dois trófeus

 

Grêmio 4 x 0 Ypiranga
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Foi uma semana de muitas emoções para este coração tricolor e, curiosamente, estas foram provocadas mais pelo que ocorreu fora do que dentro de campo. Não que os resultados destes últimos dias tenha desagradado. Bem pelo contrário. Foram duas vitórias importantes, sete gols marcados e nenhum tomado que nos deixaram um passo mais próximos de nossas conquistas. Seja na Copa do Brasil seja no Campeonato Gaúcho, faltam apenas três adversários para serem batidos até o título final. Uma sequência incrível de decisões em mata-mata que promete testar nossos nervosos e capacidade até somarmos mais dois troféus para nossa galeria. E pelo jogo de hoje, quando os jogadores de trás se sobressaíram, aparecendo de forma positiva no ataque, é para acreditar na nossa força, sem esconder as carências que ainda são evidentes. Mas não estou aqui para falar sobre estas, aproveitando apenas a frase para deixar meu desejo de que sejam resolvidas no vestiário e nos treinos da semana.

 

Quero mesmo é dedicar esta Avalanche à alegria que senti ao receber um presente e tanto. Dois troféus – como fiz questão de apresentar a todos os amigos. Alguns estavam perto de mim e logo perceberam meu sorriso quando fui agraciado com a caixa contendo duas camisetas comemorativas do Grêmio que marcam os 58 anos de trajetória no Olímpico Monumental, este estádio do qual estaremos nos despedindo no fim do ano e no qual vivi alguns dos momentos mais intensos da minha vida de torcedor, jogador, filho e cidadão. Um dia ainda terei tempo para descrever o quanto amadureci respirando o ar tomado pelo cheiro de cimento das arquibancadas do Olímpico, de terra dos seus campos suplementares e de umidade no seu ginásio de basquete. Hoje quero dividir com você a satisfação de vestir a atual camisa tricolor, desenhada pela Topper a partir do modelo usado por Tesourinha, Airton Pavilhão e equipe na inauguração do Olímpico, oportunidade em que vencemos o Nacional do Uruguai com dois gols do atacante Vitor. Aliás, a outra camisa que ganhei é a réplica daquela que ainda tinha no peito o escudo gremista com a palavra Foot-Ball em destaque, que não deixava dúvida da nossa missão: jogar futebol de verdade (a propósito, foi o que fizemos na tarde deste domingo, não é mesmo?)

 

As duas camisetas já têm lugar reservado no Memorial do Imortal, espaço que mantenho em minha casa com ítens que se transformam em pedaços da história gremista.

Avalanche Tricolor: Copa do Brasil ou será da Argentina?

 

 

Grêmio 3 x 0 Ipatinga
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

 

 

 

 

É muito legal assistir aos jogos do Grêmio pela Copa do Brasil e não escrevo isto pensando no futebol talentoso e forte que poderíamos desenvolver – e, registre-se, não temos feito isso nas últimas partidas, seja na Copa seja no Gaúcho. Digo de quanto é bacana acompanhar esta competição porque os locutores, comentaristas e repórteres de campo da televisão não se cansam em repetir que somos o primeiro campeão da história da Copa, estivemos em sete finais, vencemos quatro, estamos sem perder há sete anos dentro do estádio Olímpico – mesmo que isto não signifique mais de nove jogos – e tantas outras daquelas coisas que tratam do passado (e dizem pouco sobre o presente). Eles não se cansam de falar e eu não me canso de ouvir, mesmo que o jogo esteja cansativo.

 

 

Quanto a partida de ontem, é bem verdade, estivemos mais para Copa da Argentina do que para Copa do Brasil, haja vista a relevância dos hermanos no ataque gremista. Bertoglio e Miralles fizeram a diferença na classificação à próxima fase e deixaram a esperança de que poderão desequilibrar com seu futebol surpreendente nas seis partidas que nos separam da conquista do penta.

Avalanche Tricolor: Miralles, o ressurgimento

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

O futebol está sempre disposto a nos proporcionar momentos fantásticos, pronto para ser palco de cenas memoráveis e histórias contadas por personagens incríveis. Nós, gremistas, sabemos bem o que isto significa, pois desde os primeiros momentos de nossas vidas fomos marcados por fatos sensacionais e aprendemos a ouvir os feitos de gente como Lara, o goleiro imortal, ou Aírton, zagueiro que teve seu nome estampado nas camisas tricolores na tarde deste domingo. Houve times inesquecíveis, seja pelos talentos reunidos seja pelas vitórias impossíveis. E como tivemos. Portanto, não me surpreenderia se estivéssemos diante de mais um destes fenômenos, talvez não da mesma dimensão, mas com detalhes que valham alguns parágrafos bem escritos mais adiante (não por mim, mas por alguém com talento para tal, lógico). Refiro-me ao ressurgimento de Miralles, provocado pelo desmonte físico que nosso ataque vem sofrendo nas últimas semanas. O argentino que, pela fama que leva, fez muito pouco até aqui, andava desmotivado, sem destino, procurando o eixo, um caminho para recontar sua passagem no Grêmio, onde constantemente tem seu nome gritado pelos torcedores que cultivam uma paixão inexplicável pelo atacante. Em menos de uma semana, foi resgatado do ostracismo e levado ao time titular. Em campo foi veloz para chegar na área, dar um corte nos zagueiros que apareceram no seu caminho e chutar de maneira a desviar a bola do goleiro. Foi festejado por todos da equipe, apertou a mão do técnico como agradecendo pela oportunidade oferecida, fez o sinal da cruz, e o nome voltou a ecoar nas arquibancadas do Olímpico Monumental.

 

Um gol na boa vitória deste domingo pode ser pouco para quem pretende reescrever sua história no Grêmio. Teremos que esperar os próximos atos para saber se este enredo será eternizado por Miralles, mas, sem dúvida, foi uma ótima retomada. Principalmente, porque o fez ao lado de André Lima, jogador que passou por situação semelhante e também marcou na partida de hoje. Imagine que, se isto der certo e chegarmos ao título, poderemos falar com orgulho aos nossos filhos (e para a inveja dos nossos adversários) que um dia buscamos mais uma grande conquista com um ataque formado por jogadores que aprenderam, por linhas tortas, o poder da imortalidade.

Avalanche Tricolor: Um jogo em que só lembrei de Airton

 

Ipatinga 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Ipatinga (MG)

 

Em partida na qual desde o técnico até o último jogador a entrar em campo – refiro-me a Marquinhos – salvou-se mesmo o destemido Fernando, fiquei boa parte do tempo pensando se aqueles atletas tinham ideia do que representava a tarja preta na manga da camisa. Se alguém havia se dado ao trabalho de conhecer a verdadeira história de quem homenageavam. E como nada do que acontecesse em campo, nem mesmo a vitória que eliminaria a partida de volta, poderia ser mais importante do que Airton Ferreira da Silva, nosso Imortal Zagueiro Tricolor, aproveito esta Avalanche para reproduzir texto oferecido pelo próprio autor, Airton Gontow, assim batizado em homenagem ao nosso ídolo das décadas de 50/60. E quanto a este jornalista e gremista que, assim como eu, mora em São Paulo, não tenha dúvida, sabe muito bem o que significou Airton.

 

Para ilustrar, este texto a imagem feita por outro gremista: Francisco Carlos, desenhista de primeira.

 

 

Alto, forte e extremamente clássico, o jovem Airton despertou o interesse dos dirigentes gremistas. Jogava pelo pequeno Força e Luz, time porto-alegrense, que tinha gramado, mas não possuía um estádio. O Grêmio fez uma boa proposta. Acima das suas possibilidades. Mas o Força e Luz quis mais, bem mais. Foi aí que aconteceu a mais surpreendente das ofertas: 50 mil cruzeiros e mais o Pavilhão Social do estádio da Baixada.

 

Era o ano de 1954 e Airton foi para o Grêmio. Ou melhor, agora o tricolor gaúcho tinha o “Airton Pavilhão”, o homem que foi trocado por um estádio de futebol.

 

O ato aparentemente insano da diretoria – de trocar um patrimônio por uma simples promessa, de 19 anos, que poderia nem mesmo vingar ou até sofrer alguma contusão em um período em que a medicina esportiva era tão insipiente – se mostrou o maior negócio da história gremista.

 

Airton valia mais que um estádio!

 

Em 12 temporadas, ganhou cerca de 17 títulos, entre eles de pentacampeão gaúcho de 56 a 60 e o hexacampeonato estadual de 62 a 67. Tinha a companhia de craques, mas era o grande nome da equipe. Durante os anos em que atuou no tricolor dos pampas, aconteceram 52 grenais. Com ele, foram 42 jo..gos, com 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas. Sem ele, nenhuma vitória tricolor. Foram dez jogos, sete ganhos pelo Inter e três empatados.

 

Ficou famoso também por uma jogada que só ele era capaz de fazer: em muitos jogos, levava a bola em direção à bandeirinha de escanteio, levando com ele alguns jogadores adversários. Aí virava o corpo e, colocando uma perna por trás da outra, recuava, de letra, a bola para as mãos do goleiro e, claro, para o delírio dos torcedores.

 

Nunca errou, mas alguns consideram que esta aparente irresponsabilidade foi responsável por sua não permanência na Seleção Brasileira, apesar de ter até conquistado o título de campeão Pan-Americano, em 56.

 

Segundo o conceituado comentarista gaúcho Ruy Carlos Ostermann, que viu atuarem pelas equipes gaúchas zagueiros como Calvet, Figueroa, De Leon, Anchieta e Gamarra e que acompanhou inúmeras Copas do Mundo, Airton Pavilhão foi o melhor defensor que assistiu em campo: “Não conheci zagueiro melhor do que ele…marcava sem pontapé, sem esforço físico, marcava naturalmente”, diz Ostermann. Para o jornalista e escritor Paulo Sant’Ana, conhecido por seus belos textos e também pelo seu fanatismo pelo tricolor gaúcho, Airton Pavilhão foi o maior craque da história gremista, acima de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Eurico Lara e Renato Portaluppi.

 

Ídolo da torcida, foi admirado até pelos grandes rivais. No ano passado, estive no Beira-Rio e entrevistei Claudiomiro, ex-centroavante do Internacional. “Qual é o melhor zagueiro que enfrentaste?”, indaguei. Ele foi taxativo: “Airton, Pavilhão!” e explicou: “Além de ser quase impossível passar por ele, nunca dava um pontapé, era incapaz de fazer uma falta”.

 

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Airton Pavilhão entra para a Imortalidade, aos 77 anos

 

Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero muito prazer. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.

 

 

Era a final da Libertadores de 2007 quando vi, pela última vez, Airton Ferreira da Silva, o maior zagueiro que já vestiu a camisa do Grêmio. Tive a oportunidade de cumprimentá-lo como lembrei na abertura da Avalanche Tricolor (reproduzida acima) que contou a história daquele dia que passei no Olímpico Monumental, ao lado do meu pai. Melhor, tive a chance de, mais uma vez, reverenciá-lo. Mesmo demonstrando a doença e a bengala era majestoso no passeio próximo da torcida, como o foi dentro dos gramados onde se consagrou pela elegância com que desarmava os atacantes, nos anos de 1950 e 1960.

 

Quando o conheci pessoalmente já estava aposentado. Era quase um trófeu sempre exposto na porta da casa que ficava ao lado do portão principal do Olímpico. Cumprimentá-lo a caminho do estádio era uma obrigação de todo gremista. Os mais exaltados gritavam seu nome e o aplaudiam, a maioria, provavelmente, como eu, jamais o assistiu jogando, mas ouviu falar das mais impressionantes cenas que um zagueiro poderia ser protagonista.

 

Airton é o zagueiro do time dos sonhos de todos os gremistas e uma prova de que era possível haver vida inteligente dentro da área. Ganhou o apelido Pavilhão porque o passe dele foi comprado do Força e Luz pelo Grêmio em troca de um lance de arquibancada do velho estádio.

 

Uma das suas jogadas mais tradicionais era quando levava a bola até quase a bandeirinha de escanteio, atraindo o centro-avante, e a recuava para o goleiro de letra. O que era para ele a melhor forma de espantar o atacante – muito melhor do que um pontapé que fosse -, que preferia ficar distante do zagueiro para não ser humilhado novamente. Foi o que sempre ouvi meu pai contar, e os amigos dele confirmavam. E os inimigos, também.

 

Se você tem dúvidas sobre as qualidades de Airton, pergunte a Pelé que o considerava o melhor zagueiro do mundo, capaz de jogar contra ele, roubar-lhe a bola e sem jamais ter necessidade de fazer uma só falta. Consta que foi também o único que se atreveu a dar um chapéu no Rei.

 

Airton morreu aos 77 anos, em Porto Alegre, nesta terça-feira, escrevem os jornalistas. Morreu coisa nenhuma. Airton é Imortal Tricolor.