Rio 2016, competência e paixão

(reproduzo este post, que havia sido publicado na quarta-feira, porque problemas técnicos ocorreram e impediram o registro de comentáriosna data)

 

Por Carlos Magno Gibrail

A recente vitória do RIO sobre cidades com genes “capitalistas” pode por à prova a teoria do escocês Gregory Clark, autor do recente livro Adeus ás Esmolas.

A disposição para o trabalho duro, a paciência, a inventividade, a habilidade com números, a facilidade de aprendizado e a aversão à violência, são qualidades essenciais para se vencer numa economia de mercado, de acordo com Clark. A revista Veja após entrevistá-lo considera sua tese, perigosa. E, há indícios suficientes para isso, pois o escocês afirma que as instituições não bastam para efetivar o crescimento econômico, mas sim as qualidades dos indivíduos acima citadas na teoria que chamou de “Sobrevivência dos ricos”, pois são eles que as possuem.

O jornalista Diogo Schelp, bem observa que fora a questão racista, o autor procura explicações para o sucesso das nações. Analisa Marx e a acumulação de capital, considera Jarred Diamond nos aspectos de que geografia e clima são fatores essenciais para desenvolvimento de tecnologias, foca Max Weber na valorização do trabalho e da riqueza, enfatizando a ética protestante presente em países como Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha e por fim aceita em parte Adam Smith, que preconizou a necessidade das instituições. Entretanto reafirma que por si só elas não são suficientes.

A população do Brasil não tem o gene “capitalista” de Clark, mas será que temos uns poucos que nos fizeram chegar lá?

Clovis Rossi relata que em 1997 em Amsterdã ao chegar para cobrir uma cúpula da União Européia um jornalista holandês perguntou “You came all the way from down there just to this” (“Você veio lá do fundo do mundo para isto?”). E, continua: “Nos 12 anos seguintes, o ‘Brasil’ no meu peito, nas credenciais de cúpulas, passou a ser cada vez menos down there, em Hokkaido, no Japão, e Áquila , na Itália, em Londres como em Pittsburgh. Sou, portanto, testemunha viva da história da transformação do Brasil de “down there” para “primeira classe”, como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após “o RIO derrotar Obama”, segundo a manchete do Financial Times”.

O brasileiro Alberto Murray Neto, árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte em Lausanne parece ser um dos discípulos de Clark: “A decisão do COI foi indigna. Mais do que isso, foi hipócrita. Tentaram fazer história à custa do desespero dos pobres”.

E, Juca Kfouri também não se esqueceu dos pobres: “Nenhum governo antes tirou tantos milhões de brasileiros da linha de pobreza, diferença maior dele em relação a todos os seus antecessores. Porque, de fato, um presidente preocupado com os excluídos, coisa que os outros só conheceram na teoria, enquanto Lula foi um deles, na prática. Bem ele, o único que não falava inglês na comitiva quase totalmente da elite branca que o país mandou para Copenhague”.

“No final de tudo, valeram os atributos de um projeto mais consistente. Aí, sim, é que contou a união estabelecida entre o presidente Lula, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e o presidente do COB, Carlos Nuzman. Os Jogos Olímpicos não são mais apenas competições entre atletas. São espetáculos dotados de uma capacidade única de alavancar economias e transformar cidades. Essa é a força da vitória conquistada agora”. É o que diz a revista Veja desta semana, onde encontramos o articulista Diogo Mainardi, autor do “Lula minha anta” e que nesta semana parece que está escolhendo o empresário Eike Batista, um dos primeiros a participar do Projeto Rio 2016, como a sua segunda anta.

Contundências à parte fixemos naquilo que faltou a Clark em seu trabalho e que Nuzman e Lula brilhante e competentemente protagonizaram como registrou Carlos Heitor Cony: “ A louvar , o sucesso de Nuzman, louvor também a Lula, a quem não poupamos críticas diversificadas, mas que na hora das horas veste a camisa do povo com seu jeitão inconfundível. Num pequeno – e feliz – discurso em Copenhague ele expressou uma aparente contradição, falando que a vitória do Brasil foi a vitória da paixão e da razão”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e não tem dúvida qual camisa vai vestir quando aprontar a mala para o Rio, em 2016.

Embolou o meio de campo: rua fechada, pedestre e carro

 

Por Carlos Magno Gibrail

A Câmara Municipal de São Paulo aprova projeto que regulariza o fechamento de ruas, consolidando projetos anteriores e possivelmente contribuindo para resolver os mais de 200 casos que o Ministério Público interpôs questionamentos. Entretanto acrescenta o “traffic calm” que é uma proposta para impedir que volume pesado de trânsito adentre a áreas residenciais não preparadas para absorver tal impacto.

Assunto indigesto, pois adiciona à questão do fechamento de ruas, que por si só aglutina aspecto urbanístico, social e comportamental, o tema do trânsito onde mais uma vez o destaque é o automóvel. Tirano absoluto diante da demagogia escancarada de Prefeito e Governador, submissos à seu reinado com medo de perder votos, de uma população refém da própria desinformação. Desconhecem que para uma população de 11 milhões de pessoas, há 6 milhões de carros, além de terem esquecido a lei de Lavoisier, que previne: “Dois corpos não ocupam simultaneamente o mesmo lugar no espaço”

Do caos de hoje vamos ao que a história da cidade conta há 107 anos , quando uma empresa inglesa decidiu efetuar uma experiência pioneira no mundo e simultaneamente em duas cidades, Londres e São Paulo :


“Em 1912, instalava-se na capital paulista com o nome de City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Ltda. A “Cia. City”, como a empresa ficou conhecida, iniciou suas operações comprando milhares de metros quadrados de terras que hoje estão entre os melhores bairros da cidade, tais como Jardim América, Pacaembu, Alto de Pinheiros e Alto da Lapa.

A visão de futuro da empresa não se revelou apenas na escolha dos terrenos. Desde o início, sua atividade comercial foi associada ao desenvolvimento urbano de São Paulo. Nas áreas que urbanizava a Cia. City implantava todas as benfeitorias indispensáveis à qualidade de vida do morador: pavimentação das ruas, arborização das áreas comuns, implantação de sistema de água e esgoto, gás encanado, bem como fartos espaços públicos, praças e parques para promover a convivência entre os moradores. Assim a Cia City abraçava responsabilidades muito além de seus projetos privados.  Além dessas ações, como parte de sua estratégia de urbanização, a empresa promovia junto ao poder público o fornecimento de serviços complementares essenciais: iluminação e transporte.  Quem não ouviu falar na “Light” dos velhos tempos e dos bondes circulando pela elegante Rua Colômbia?

Com isto, a empresa estabeleceu critérios urbanísticos que influenciaram não só a ocupação de seus terrenos como também os padrões que no futuro vieram reger as Leis de Zoneamento Urbano.
Além disso, a Cia. City contratou os arquitetos ingleses Barry Parker e Raymond Unwin. O objetivo era construir em São Paulo o Jardim América, primeiro bairro a seguir os moldes da cidade-jardim, conceito urbanístico que se opunha à cidade caótica e desregrada e que começava a ser implementado na Inglaterra.

Em sub-centros, harmonizando os diversos usos, trabalhando de maneira suave a transição entre o urbano e o rural. Desta forma, a cidade-jardim rompia com os modelos propostos durante as revoluções industriais, caracterizados por um único centro ao redor do qual iam se agregando bairros periféricos, com traçados de ruas estanques e sujeitos a todo tipo de descaracterização, principalmente as advindas do adensamento populacional”.

Ou seja, a Cia. City mostrou ao mundo há 107 anos que Londres e São Paulo propunham um novo urbanismo para áreas residenciais, onde moradores, flora e carros viveriam prazerosamente. As ruas sinuosas eram essenciais para não prevalecer o tráfico de veículos e não descaracterizar a convivência urbana de casas em ruas abertas, jamais fechadas.

O cluster é o bairro e não a rua.

O processo gradativo e anômalo de fechamento e isolamento a título de premissas apressadas, como segurança, segmentação e estilo de vida, que nada mais é do que uma demonstração de autoritarismo e egoísmo refletido escandalosamente nas Câmaras, Assembléias, Congresso Nacional, poderes Executivo e Legislativo.

Tal qual no Senado das medidas secretas, iremos fechar ruas, que irão beneficiar uns poucos ao mesmo tempo em que se contrabandeia para a mesma pauta legislativa a “traffic calm” que irá beneficiar todo um bairro .

Lembremos que o direito de ir e vir é como pedestre, não de automóvel, e o direito de dormir é como morador. Fato consumado, não há necessidade de fechamento de rua, além de evitar a criação de um cidadão que não mais respeitará o que estiver fora de seu cluster.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Milton Jung e quer garantir o direito de andar na cidade.

Marx e a fotografia do IBGE

 

Idosos no centro de Campinas, da galeria de Sra Mozart no Flickr

Idosos no centro de Campinas, da galeria de Sra Mozart no Flickr

 

Por Carlos Magno Gibrail

O retrato do Brasil tirado pelo IBGE cortou um dos personagens da foto. Apareceu o Trabalho e faltou o Capital. Marx não deve ter gostado nada disso.

Na verdade nem Eduardo Pereira Nunes, pois o IBGE investigou 391.868 pessoas em 150.591 domicílios por todo o país a respeito de sete temas: dados gerais da população, migração, educação, trabalho, família, domicílios e rendimento. Quantidade para ninguém botar defeito.

Entretanto a interpretação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE 2009 tem tido as mais diversas e contraditórias conclusões.

Portanto, os números tais quais as palavras, podem ser mal entendidos ou até mesmo ignorados.

Lucianne Carneiro de O GLOBO: Queda forte no desemprego, com a menor taxa em 12 anos e avanço na qualidade das vagas , ainda que acompanhada de um recuo pequeno na desigualdade no trabalho. Uma taxa de analfabetismo sem grandes mudanças e que ainda atinge 10% da população, ou 14,2 milhões de pessoas. Mais acesso a bens e à infraestrutura, inclusive à internet em casa. E uma população que continua envelhecendo. O estudo realizado é o mais amplo levantamento feito sobre temas como população, educação, trabalho, habitação e acesso a infraestrutura e bens no Brasil”.

Zero Hora, mantendo o regionalismo característico: “Os computadores e a telefonia celular estão entrando com velocidade de banda larga nos lares gaúchos e brasileiros. Em apenas cinco anos, mais do que dobrou a proporção de domicílios com micros, e o acesso à internet e telefone móvel no Estado e no país. Somente entre 2007 a 2008, 130 mil novas residências gaúchas ficaram online. No total, o Estado tinha no ano passado 904 mil residências conectadas à rede mundial de computadores – 500 mil a mais do que em 2003. Isso significa que um em cada quatro lares riograndenses abrigava um computador com acesso à internet. No Brasil, 18 milhões de casas contavam com um PC, 13,7 milhões dos quais navegavam pela web”.

Paulo Henrique Amorim comemorou: “O emprego subiu 2,8% de 2007 para 2008.. Quem puxa é a construção civil, que cresceu14% em um ano e criou 900 mil novos postos de trabalho. O crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, em um ano, foi de 33%.. Aumentou o contingente de trabalhadores com 11 anos ou mais de de estudos. Aumentou o número de domicílios ligados à rede de esgotos. O crescimento do acesso à internet é espantoso foi de 20% EM UM ANO ! O rendimento real do trabalho subiu 1.7%.. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda, melhorou: passou de  0,57 em 2001 (governo FHC) para 0,52 em 2008. O rendimento real do trabalho subiu 1.7%. 97,5% das crianças entre 6 e 14 anos estão na escola.. A maioria dos brasileiros se considera ou negra ou parda. A elite branca de olhos azuis – e separatistas, no caso de São Paulo vai ficar nervosa .Ou seja, a política social do Governo Lula é um sucesso. O Jornal Nacional não conseguiu esconder isso. Limitou-se a encerrar uma segunda reportagem com um casal de desempregados (quando o aumento do emprego foi significativo). Ou seja, bye-bye Serra 2010″.

“Desigualdade cai; renda e emprego avançam”, Antonio Góis da Folha.

“Desníveis regionais marcam pesquisa”, João Sabóia da Folha.

“3,8 milhões deixam pobreza com alta do emprego”, Folha sucursal do Rio.

Mas, Clovis Rossi na mesma Folha, adverte “A mídia compra acriticamente a lenda da queda da desigualdade, o que é uma versão incompleta da realidade”. E insere João Sicsú, economista do IPEA: “O GINI mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho, portanto, não leva em conta as rendas do capital, juros e lucro”. Passa a palavra ao presidente do IPEA , Marcos Pochmann: “A parte da renda do conjunto dos verdadeiramente ricos afasta-se cada vez mais da condição do trabalho, para aliar-se a outras modalidades de renda, como aquelas provenientes da posse da propriedade (terra,ações,títulos financeiros, entre outros)”.

Marx deve ter gostado disso, mas a foto ficou mesmo sem a parte do Capital. Ano que vem talvez não esqueçam o ilustre esquecido.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Milton Jung

Paim, o painho dos exportadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em maio com Dornelles tivemos talvez um dos últimos atos sensatos no Senado, quando brecou a inclusão na MP 449 do crédito prêmio do IPI. Aquela questão envolvendo 288 bilhões de reais. O valor que nunca dantes esteve em discussão neste país, uma montanha de dinheiro.
O STF julgou e indeferiu a matéria. O presidente Lula acompanhou o STF e vetou também.
Agora, no dia 3, Paim certamente se doutorou ao contrabandear para a MP 462, que tratava do Fundo de Participação dos Municípios a medida 14 do crédito – prêmio do IPI. O relator, Jucá, acatou e vai tudo para a Câmara, novamente.

Paulo Paim é um destemido, pois não bastasse o STF e o presidente Lula terem vetado, ainda atropelou todos os princípios, levando para uma MP dos Municípios um assunto tão impertinente quanto temente, como o dos exportadores. Já encerrado e julgado, mas contestado somente pelo lobby dos exportadores, agora claramente assumido pelo nobre senador.

Depois de três artigos sobre estes 288 bilhões, de inúmeras entrevistas do Milton Jung com a Miriam Leitão na radio CBN, afinal de contas raros jornalistas a extensiva e intensamente discutirem o assunto, volto ao tema após receber de um amigo economista, o irretocável texto abaixo:

“Esse fantasma, “mal matado”, vai continuar nos assombrando enquanto o lobby empresarial não conseguir o que pretende: a anistia pura e simples para não só não pagar nada como ainda para receber uns “trocados”.

Foi aprovada no Senado a MP 462 que tratava do Fundo de Participação dos Municípios com 22 penduricalhos, entre os quais, a emenda 14 de autoria do Senador Paulo Paim do PT, sobre o crédito-prêmio do IPI, isentando todas as dívidas referentes a esse crédito indevido, de 100% das multas, 90% dos juros e pagamento do remanescente (leia-se valor histórico sem correção ou com correção mínima) em até 12 vezes ou pelo uso de prejuízos fiscais acumulados.

Isto realmente significa que quem usou indevidamente, R$ 10 milhões em 1995, 1996, etc. e hoje deveria pagar ao fisco cerca de 5 ou 6 vezes esse valor, pagará os mesmos R$ 10 milhões com uma insignificante correção, usando 25% da isenção futura de imposto de renda referente a prejuízos fiscais acumulados. O PAGARÁ é pró-forma, porque o uso do IR referente a prejuízos fiscais acumulados significará colocar no bolso dessa patota, alguns “trocados”.

Duas observações importantes:

Causa espécie o fato de, tanto deputados e senadores do PSDB como do PT, estarem fazendo esforços especiais para provocar a anistia desse débito bilionário na antevéspera de uma eleição majoritária, onde os candidatos gastam os tubos para se elegerem ou se reelegerem. Todos estão tentando garantir o seu quinhão. Caso contrário não haveria essa escandalosa unanimidade em torno dessa anistia. Não esqueça que na 460 foi a líder do PT, Ideli Salvati, a solicitante, no último minuto, para que uma senadora do PSDB Lúcia (não sei de que) introduzisse o penduricalho na MP.

Não tenha dúvidas de que essa isenção vai sair de uma forma ou de outra, ocorram quantos vetos presidenciais ocorrerem. O tamanho das empresas envolvidas no uso indevido desse subsídio é maior do que a força da imprensa ou da vontade do Presidente da República e do Ministro da Fazenda. Essas empresas estão acima do governo e do Supremo Tribunal Federal. É por isso alguns economistas notáveis preferiram ficar do lado delas, em lugar de ficar do lado da Sociedade Brasileira que, como sempre, pagará a conta de uma forma ou de outra.

Não creio que a imprensa esteja interessada em entrar nesse assunto, primeiro porque ele é muito técnico e de difícil compreensão para as pessoas comuns, segundo porque até os partidos de extrema esquerda (leia-se PSTU, PSOL, PCdoB, etc) estão a favor (ou pelo menos não tem denunciado essa barbaridade) e, por último, porque os beneficiados são grandes anunciantes”.

Para manter a coloquialidade e a originalidade da redação feita para comunicação privada, preservo o texto sem citar o autor, ao qual cabe aqui especial agradecimento pela atenção e qualidade de forma e conteúdo somente possíveis em profissional Premium.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, que escreve às quartas no Blog do Mílton Jung, não desiste nunca, e não apenas porque é brasileiro.

Adeus pátria amada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Das lágrimas de Cielo no podium olhando a bandeira brasileira e ouvindo o hino nacional, ao esquecimento da mídia e dos seus patrocinadores da maior data nacional, um curto espaço e um profundo e inexplicável fosso.

Por que a pátria emociona os campeões, atrai o público e afasta a mídia e seus senhores ?

Pela leitura a olho nu percebemos que a diferença entre os campeões e os demais é que cumpriram suas missões com sacrifício, objetivos sadios, honestidade e patriotismo. Daí a se emocionarem é bem explicável. Dever cumprido, emoção de realização.

” Sete de setembro banalizado. Nenhum canal de TV aberta (com exceção da TV Brasil) transmitiu o desfile militar em Brasília na íntegra, nem a TV Cultura. No momento do desfile, canais passavam desenhos animados, programas de variedades e religiosos. Os flashes dos desfiles pelo país tiveram pouco destaque”. Site poder naval.

A verdade é que das pessoas envolvidas no processo do desfile de sete de setembro devemos ter tido semelhante opinião ao do ex presidente FHC, segundo relato de Paulo Henrique Amorim:

“Numa entrevista à revista Piauí – aquela de banqueiros, por banqueiros, para banqueiros; aquela que trata o Daniel Dantas com especial deferência –, o Farol de Alexandria, também conhecido como Fernando Henrique Cardoso, disse que odiava as celebrações do Sete de Setembro, quando era Presidente. Aquilo é uma palhaçada, disse ele”.

Com certeza não era assim que pensava quando criança, ainda inocentemente patriota, como os 50 mil de Brasília presentes patrioticamente no desfile militar, os 35 mil de São Paulo, os 70 mil de Curitiba, os 10 mil do Rio etc.etc.

Também patriotas, na Esplanada dos Ministérios, cerca de 150 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, romperam uma das grades de segurança, invadiram o gramado e conseguiram chegar a menos de cem metros do palanque onde estava o presidente Lula.

Eles cobravam a saída de Sarney da presidência do Senado. “Sou brasileiro, sou patriota, mas eu não sou idiota”, gritavam os manifestantes, em sua maioria estudantes de escolas secundárias e da Universidade de Brasília, com as caras pintadas e narizes de palhaço. Sarney, como Serra em São Paulo, não compareceu ao desfile. A assessoria dele informou que estava descansando, a de Serra, que teve mal estar. Talvez precaução contra tomates e ovos, de Sarney, e de vaias, de Serra.

O desfile de Brasília, orçamento 28% menor que do ano passado, embora tivesse a França, de presidente presente, não agradou:

“Desfile militar pobre e descaso das TVs.
Um LIXO e uma VERGONHA COMPLETA o desfile deste ano em Brasília. Outra lástima: o narrador da TV Brasil, única a transmitir o desfile, não entende absolutamente NADA DE NADA, estava mais perdido que cego em tiroteio. A TV quase perdeu a passagem dos aviões da FAB, e o narrador não sabia qual que era qual. Porque não teve um adido militar esse ano junto ao narrador, pra explicar o quê era o quê?”Do site forças terrestres.

Quando Samuel Johnson escreveu que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” não estava afirmando que todo patriota é um canalha, mas que o canalha, em última instância, busca guarida no patriotismo, o que vamos convir é o auge da canalhice.

Onde então estão os nossos canalhas?

Sumiram?

Metamorfosearam-se?

Ou nem é preciso refugiar-se mais?

Sim, parece que é isso.

Adeus pátria desolada e mal amada!

Salve o patriotismo que poderá combater a corrupção impregnada.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Ao Belluzzo, sem carinho

 

Por Carlos Magno Gibrail

Como avô e economista, chego à conclusão que os últimos dias não tem sido os melhores para ostentar estas condições.

Sarney (dono do Mar, do Maranhão, do Pará, do Senado e da maior cara de pau) o avô que apóia o nepotismo, Mercadante (economista tratadista da irrevogabilidade) revogou o irrevogável e Belluzzo (economista bom de bola, mas nem tanto de contas) conseguiu errar em 200 bilhões uma conta de 288 bilhões do Mantega, mandou publicar no Globo, mas não assessorou o assessorado Giannetti, que hoje chora os 200 bilhões a pagar e a “quebra dos exportadores”.

Eis aqui a fala de Belluzzo retratada no jornal O GLOBO há dias, antes, portanto do almoço com o Ministro da Fazenda na sexta feira:

“Em abril de 2007, a pedido de um grupo de exportadores – a Belluzzo e Associados Ltda. e a LCA Consultores Associados – realizaram um estudo sobre os valores do Crédito Prêmio de IPI, chegando ao expressivo valor de R$ 69,7 bilhões. Tomando-se em conta uma margem de erro de 20% para cima ou para baixo, este valor pode oscilar entre R$ 55,8 bilhões e R$ 83,7 bilhões.

Chama a atenção particularmente a cornucópia de cifras absurdas apresentadas em editoriais e matérias editorializadas: R$ 288,0 bilhões, nem R$ 208, nem R$ 280, mas R$ 288 bilhões. A unanimidade em torno dos valores do Crédito Prêmio de IPI permaneceu inabalável nas manchetes e artigos que circularam nos últimos dias nas várias cidades brasileiras: R$ 288,0 bilhões. Diante de retumbante unanimidade, deveríamos, no mínimo, destinar um pouco de atenção – e curiosidade, por que não – para a fonte que alimentou nossos formadores de opinião: o terrorismo anti-exportador e anti-nacional”.

O economista sofismou, pois ignorou que os 288 bilhões foram calculados e extensivamente publicados pelo Ministério da Fazenda, o que explica a unanimidade, além de confundir incentivo com subsidio o que gerou o grito do GATT.

É bom lembrar que os exportadores tiveram incentivos de todos os lados: eliminação dos impostos diretos, Befiex, investimentos do BNDES em modernização, empréstimos favorecidos através de ACEs, etc. etc. Foi com esses incentivos que os exportadores contribuíram, em cinco anos, para a formação do maior volume de reservas de nossa história.

Dizer que o não reconhecimento do crédito-prêmio é o mesmo que lutar contra as exportações é uma forma de terrorismo que fica bem em campos de futebol, mas não se justifica em questões técnicas como essa.

O veto do presidente Lula, seguindo a decisão do STF ainda não dá sossego, se atentarmos aos interesses e as armas envolvidas.

Aqui, verdadeiramente, o nosso país nunca antes teve tal montante em risco para pagar.

Como presidente do Palmeiras, o economista deve ter noção do absurdo destes números, pois mesmos os originais calculados por ele, 55, 88 ou os 288bilhões da Fazenda, estão muito distantes dos “modestos” 14 bilhões para a COPA 14.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, economista, avô, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e ainda assim dá conta do recado.

Jornalismo à deriva*

 

Por Carlos Magno Gibrail

Do conhecimento concentrado do passado (Platão, Aristóteles, Descartes, Da Vinci) ao conhecimento especializado de hoje, não há dúvida que a quantidade de informação e de distribuição é intensamente diferente. Entretanto, a possibilidade de usá-lo através da mão de obra especializada, representada pelos profissionais contemporâneos, continua subordinada à estrutura de poder estabelecida. Tal qual no passado, quer pelo Estado, pela Igreja ou pelo poder econômico, travestido em grandes corporações ou até mesmo por forte corporativismo.
Fato incontestável é que, em junho, o STF por oito votos a um, optou pelo fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo e pela desregulamentação da profissão.

Já em abril o plenário do Supremo Tribunal Federal tinha declarado inválida, por sete votos a quatro, a Lei de Imprensa, que criara a profissão de jornalista e seu curso universitário de formação, em 1967.
O oligopólio da comunicação, concentrado em poucas famílias e agora entremeado por entidades religiosas, tal qual no passado, argumenta que a Lei de Imprensa e a profissão de jornalista são testemunhos da ditadura e atentam para a liberdade requerida em nossa Constituição.

Reprodução da capa O EconomistaEsquecida quase sempre, a História, testemunha que em 1918 os jornalistas, reunidos em Congresso no Rio de Janeiro, já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão. Em 1961, Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. As empresas, no entanto, se mobilizaram e acabaram conseguindo, um ano depois, sob o governo Goulart, a revogação do decreto.

Não é, portanto condizente afirmar, que por ter sido criada pela ditadura tanto a Lei de Imprensa quanto o diploma, sejam obras do mal. Pior é tornar-se um dos raros países do mundo sem Lei de Imprensa, além de desqualificar o jornalista como profissional, deixando sem regulamentação a atividade e a profissão.

Em sua justificativa, Gilmar Mendes, presidente do STF afirmou que a exigência do diploma fere o direito de liberdade de expressão e a atividade não necessita de qualificações profissionais específicas para ser exercida.

É questionável esta questão do direito de liberdade de expressão. Basta uma experiência em qualquer tribunal para quem não é advogado. Você não pode se representar, independentemente de seu preparo. Você é obrigado a contratar um advogado.

O maniqueísmo do poder, não passou despercebido dos profissionais regulamentados, tal a mudança que estas desqualificações poderão acarretar no mercado de trabalho. A partir de OABs seccionais e outras entidades.

“Ora, chama a atenção do Conselho Regional de Economia de São Paulo o argumento de que merecem regulamentação apenas as profissões como disse o ministro, que ‘podem trazer perigo de dano à coletividade ou prejuízos diretos a direitos de terceiros, sem culpa das vítimas, tais como a medicina e demais profissões ligadas a área de saúde, a engenharia, a advocacia e a magistratura, dentre outras várias”. Antonio Luiz de Queiroz Silva, Presidente.

“Ao negar a cientificidade e a seriedade das demais ciências, em especial as humanas, o STF pode estar indicando que não será mais necessário exigir o diploma para História, Língua Portuguesa, Filosofia, Sociologia, Economia e demais áreas cuja cientificidade tenha como base teorias distintas das ciências exatas, aplicadas, naturais e formais”. Fabio Koifman, historiador e advogado.

E o Presidente do Corecon comenta a observação de Koifman:

“Muito bem observado pelo historiador, curiosa e contraditoriamente, tanto o relator como os demais juristas referenciados – não por acaso – não incluíram a profissão de advogado nesse bojo. Sem entrar no debate a respeito do Direito, vale lembrar que a base teórica das jurídicas está fincada nas ciências sociais, o que de imediato, seguindo a mesma lógica do STF, já incluiria a profissão de advogado como uma das que o exercício independeria de diploma. Negar a seriedade de tais profissões é fechar os olhos para o desenvolvimento propiciado pelo trabalho e pesquisas da área. É negar, sobretudo, a relevância de tais ciências. Visto isso, cabe- nos demonstrar solidariedade aos jornalistas que pertencem à sua instituição de classe, atuando com ética e competência.”

O cozinheiro do Ministro pode ser jornalista de cozinhas. Por que não? Desde que seja competente, na cozinha e na palavra .

A valorização do jornalista é vantagem para o público e para os veículos, embora, como os políticos, não os veja dessa forma.

*Título e imagem da reportagem de capa da revista O Economista, do Corecon-SP (Leia mais aqui)

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e usa de seu conhecimento jornalístico para escrever este artigo, às quartas, no Blog do Milton Jung

Woodstock: Golfe, Sexo, Drogas & Rock’n’ roll

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em 1966 num campo de golfe americano, Joel Rosenman 23 anos e Jock Roberts se conheceram. Joel, filho de dentista classe alta nos Estados Unidos e Jock de família rica, fabricante de pasta de dentes. Um ano depois dividiam apartamento em Nova Iorque e começavam a pensar o que fazer com um milhão de dólares que o “truste” deles havia reservado. Valor este que atualizado deve girar em torno de oito milhões de dólares.

Surgiu então a ideia de colocar um anúncio no jornal “The New York Times” onde pediam propostas de negócios sob o título:

“Jovens com capital ilimitado”

Dentre tantas sugestões, de bicicletas sobre esquis a bolas de golfe biodegradáveis, veio uma de montar um estúdio de música em Nova Iorque com alguém do ramo, Michael Lang. Toparam e partiram para produzir a festa de abertura do estúdio, quando Michael Lang teve a ideia de fazer um evento maior em espaço aberto.

Não conseguiram porque as pequenas cidades, com medo de muita droga e mau exemplo, os recusaram. Até que numa destas cidadezinhas depois de várias audiências do conselho e negativa final, um morador próximo ao local, num vilarejo chamado Woodstock, os apoiou. Era Bob Dylan, e afinal conseguiram alugar a fazenda de Max Yasgur.

Os dois “filhinhos de papai” planejaram tudo e erraram muito. Pesadelos financeiros e de operação. Os pais de Joel e Jock tiveram que avalizar o truste aos banqueiros de Wall Street. Não foi só com os banqueiros que tiveram problemas. Como não eram conhecidos dos conjuntos contratados, Michael Lang teve que pagar bem acima do mercado.

Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Jerry Garcia, The Grateful Dead, Janis Joplin, The Who, Santana, Crosby Stills Nash and Young, The Band, Joe Cocker, Credence Clearwater Revival e Ravi Shankar cobraram o dobro a partir dos maiores valores da época, algo em torno de 10 mil dólares.

O curioso desta história é que um evento, marco de ruptura sociológica de nossa época, contestando valores comportamentais, sociais e políticos da classe dominante, venha de jovens representantes do capitalismo, investidos como mais tarde se designaria de “yuppies”.

É a tese mais uma vez de Carlos Lacerda que chamava a atenção para o fato de que as grandes mudanças sociais no mundo vem sempre de pessoas do setor abastado da população. Além do que esta manifestação de liberdade e contestação tenha nascido de uma ação de marketing, bem dentro do enquadramento convencional, que Woodstock “brifava” contra.

Esta origem real e pouco difundida dos arquivos de Woodstock deve-se a Ricardo Semler, brasileiro conhecido e reconhecido internacionalmente através de palestras e da divulgação de métodos heterodoxos de administração em suas empresas e escola. Os funcionários participam da seleção dos diretores. Na escola Lumiar os alunos elegem os professores. Semler já deu palestras em Universidades estrangeiras tradicionais como Harvard e também em entidades de alto nível. Bush e afins já foram platéias de Ricardo, que é primo de Joel Rosenman e por isso conta a história de Woodstock como parte de seu último livro

“Você está louco”.

A parte conhecida da história por Ricardo Semler: Continuar lendo

Chamada geral ao Conhecimento

Por Carlos Magno Gibrail

Procura-se excelência e abre-se porta para seniores.

O CRA, Conselho Regional de Administração de São Paulo, sai na frente com um projeto de criação, desenvolvimento e difusão de conhecimento de Administração. Na busca de excelência e resultado Premium, abre a possibilidade principalmente para os administradores seniores. Embora o processo seja democrático e admita administradores ou não, desde que qualificados e jovens, maduros, ou seniores, que estejam dispostos a elaborar conhecimento.

É uma fábrica de talentos ordenadamente montada para executar em sua linha de produção, utilizando matéria-prima abundante e sustentável, ou seja, Grupos de Excelência, conhecimento Premium.

“Os Grupos de Excelência são heterogêneos, multidisciplinares, constituídos por profissionais voluntários das diversas áreas, que transformem matéria em excelência”. CRA.

Como objetivo dos GE Grupos de Excelência, o CDDCR Centro de Desenvolvimento e Difusão do Conhecimento e Relacionamentos estabeleceu “Gerar e difundir conteúdos e conhecimentos relativos ao campo da Administração por meio de estudos de tendências, consolidação de conceitos e formação de fóruns de discussão”.

O resultado deste processo resultará em Índices de referência, Pesquisa de Mercado, Geração de artigos, Edições de livros, Lançamento de livros e Eventos.

Visão e Missão dos GE
Difundir conhecimentos e experiências sobre a
teoria e prática das melhores realizações
mundiais sobre Estratégias e Planejamentos
Empresariais,colaborando efetivamente para o
aprimoramento das decisões em Administração
de Negócios,buscando excelência de
procedimentos e resultados,desenvolvidos através
de projetos e programas avançados sobre as
novas tendências envolvendo pessoas, os novos
métodos e tecnologias.
Ser um fórum permanente de captação,
criação,desenvolvimento,debate,divulgação e
intercâmbio de idéias e informações para
procedimentos dos administradores, com elevada
qualificação para o eficaz sucesso das Gestões
empresariais.

“É essencial o administrador mostrar os caminhos seguros, para onde ir e de que forma seguir. Esse é o papel do líder. Mas entendam: liderança não pode ser confundida com heroísmo. Neste momento, o administrador deve ouvir racionalmente as pessoas, pensar inteligentemente, abertamente sobre o que elas dizem e apresentar respostas convincentes para que o processo do esforço coletivo seja contínuo, com entusiasmo e verdadeiro como garantia para ser bem sucedido. Confio no desempenho dos autênticos administradores profissionais Premium”. Prof.Walter Lerner, Coordenador Geral do Grupo de Excelência em Estratégia e Planejamento de Administração.

Se você é administrador ou um profissional com pertinência aos conhecimentos de Administração e tem disponibilidade para adentrar a um processo de estudos voluntariamente, pode se candidatar a um dos GE e se engajar como um trabalhador Sênior em busca de resultados Premium. Ou, se você precisa de informações sobre temas de Administração para aplicar em seu trabalho, negócio ou empreendimento futuro dirija-se aos GE que podem ter a orientação que necessita. De graça.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve com conhecimento de causa no Blog do Mílton Jung

Atrás dos números e cuidado com o biquini

 

Por Carlos Magno Gibrail

“Este homem pegou uma nação destruída. Recuperou sua Economia e devolveu o orgulho a seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo o número de desempregados caiu de seis milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o PIB crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou o lucro das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de marcos e reduziu a hiperinflação para no máximo 25% ao ano.Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística”.

Este homem foi Adolf Hitler e segundo a Folha de São Paulo, dona do comercial acima (leão de ouro 1988 e relacionado como um dos cem melhores comerciais de todos os tempos por Berneci Kanner) :

“É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”.

Da advertência comercial e publicitária da Folha:
“É preciso tomar muito cuidado com a informação no jornal que você recebe”.

À observação de Albert Einstein:
“Nem tudo que pode ser contado, conta. E nem tudo que conta pode ser contado”.

Acrescentamos que não bastasse isso, mesmo em números e estatísticas apenas, a verdade invariavelmente está atrás de minuciosas e especificas análises.

Delfim Neto tinha o hábito de lembrar o estatístico que morreu afogado num rio de profundidade média de meio metro. No local do acidente a altura era de 3 metros.

No dia 5 de julho, antes do jogo Coritiba e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro de futebol, o locutor informava que há 12 anos o Coritiba não conseguia ganhar do São Paulo, tendo marcado 42 gols e ganhado 10 jogos contra 55 gols e 16 jogos do São Paulo. Terminada a partida estes números em nada influenciaram o resultado. Coritiba 2 São Paulo 0.

“Nenhum nadador estará autorizado a usar ou vestir qualquer dispositivo ou maiô que possa aumentar a velocidade, flutuação ou resistência durante uma competição”, anunciou o texto da FINA Federação Internacional da Natação.

Evidentemente que o motivo real não está explícito. O preço mais elevado que inibe o uso competitivo irá bloquear a comercialização para o uso social e recreativo, que é o objetivo de qualquer marca de produto para a prática de esportes.

“Verifica-se que, em 2005, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional foi de 39,1%, enquanto em 1980 era de 50%. Noutras palavras, a renda dos proprietários (juros,lucros,aluguéis de imóveis) cresceu mais rapidamente que a variação da renda nacional e, por conseqüência , do próprio rendimento do trabalho”. Márcio Pochman, articulista do Valor Econômico , 2007.

“Desigualdade e pobreza apresentam melhora histórica no Brasil” Pochman, 2009, presidente do Ipea e se baseando apenas na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. E deixando Clóvis Rossi tão inconformado que intitulou seu artigo de ontem como “A fraude na lenda da desigualdade”.

José Aníbal como articulista na Folha de ontem, acusa Franklin Martins de mentir ao informar que o governo Lula gasta “em torno de R$ 1 bilhão ao ano” com propaganda. E afirma que FHC gastou R$ 1,270 milhões entre 1996 e 2002 e Lula R$ 2,173 milhões entre 2003 e 2009.
“Varejo mostra recuperação firme do país, diz Meirelles. Dados do IBGE mostraram que vendas cresceram 0,8% em maio.

‘Brasil vai crescer forte em 2010’, afirmou o presidente do BC”. G1 em 14/07/09.

O crescimento do varejo teve e está tendo uma contribuição importante de “São Pedro”, pois desde 1943, segundo os dados estatísticos, não tivemos a continuidade das chuvas que ora vivenciamos. Nestas condições, o vestuário e afins tem tido um crescimento contingencial. Fato que ficou despercebido pelo Ministro mas não pelo Serasa: “As lojas que mais venderam em junho, desconsiderados fatores sazonais, foram as de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (alta de 5,1%), de móveis, eletroeletrônicos e informática (alta de 3,9%) e de veículos, motos e peças (alta de 2,7%)”. Os especialistas da Serasa atribuem o desempenho ao frio seguido da redução de impostos por parte dos governos e à recuperação da oferta de crédito.

No aumento de taxas de desenvolvimento econômico é relativamente comum apresentá-las sem maiores análises. Isto acarreta falsas interpretações. Por exemplo, quando a intensificação da fiscalização gera crescimento na arrecadação, ou quando a diminuição de impostos propicia formalização da economia informal, acarretando o aparecimento de empresas novas.

Dados como os da gripe suína que apresentam apenas70 pessoas mortas numa população de 190 milhões e gera suspensão de aulas e congestinamentos em hospitais deveriam servir ao menos como aprendizado.

Números e estatísticas, melhor entendê-los pois não é recomendável viver sem eles. Para isso, algumas sugestões colhidas por tentativa e erro, observação e enganação.

Discernimento entre números relativos e absolutos. A relatividade é essencial para começarmos o entendimento dos números.

Especificidade e contigenciamento, isto é, considerar as caracteristicas de cada ambiente e também o momento analisado.

A lei de Pareto ajudará em algumas ocasiões para separar o que é realmente mais importante.

Se houver necessidade e vontade de mais precisão o Conceito de Curva Gaussiana , a Dispersão de Pontos Fora da Curva e o Plano Cartesiano poderão ajudar. É só consultar o Google , ou algum amigo confiável na área apresentada.

E não se esquecer do alerta do Delfim: “As estatísticas são como biquínis: mostram quase tudo, mas escondem o essencial”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas escreve no Blog do Milton Jung, e sempre está de olho no que os números (ou os biquínis) não mostram.