Da Móoca ao Morumbi, nunca mais ?

Por Carlos Magno Gibrail

Cena do curtametragem Escola de Meninos (Andre Cherri/Flickr)

A escola da Móoca que o Governador José Serra estudou foi para o noticiário policial; as escolas de São Paulo estão em posições surpreendentemente desfavoráveis nos rankings nacionais; professores de universidades de ponta detectam queda no nível dos alunos.

Não se educa mais como antigamente? Ou não se estuda mais como antigamente? As crianças e os jovens não são mais bem informados e espertos do que no passado ?

Acredito que a resposta “sim” vale para todas as questões acima, acrescentando que a abertura do ensino e a falta de um método cientifico de avaliação explicam a “inexplicável” situação da educação no Brasil.

Professor da FEA USP, Nelson Barrizzelli atesta o primeiro “sim”:

“Como professor universitário de uma das escolas mais conceituadas deste país, vejo com tristeza que a cada ano o nível dos alunos que chegam à Faculdade é pior do que os que chegaram nos anos anteriores. Isto é uma demonstração cabal de que estamos falhando nos níveis elementares e intermediários”.

Indagado a respeito de uma solução, pondera:

“Acredito que a educação no Brasil só atingirá níveis compatíveis com nossa necessidade de futuro, quando o ensino fundamental e o ensino médio voltarem a ter a qualidade que tinham anos atrás. Há 30 ou 40 anos um aluno que deixava a escola após o científico ou clássico tinha nível de conhecimento adequado para o seu desenvolvimento, mesmo sem acesso à Universidade”.

E dá um recado:

“Não esqueça de que tudo isso pode ser mudado se o voto se tornar facultativo. Precisamos sensibilizar a imprensa a respeito. O Milton poderia começar esse movimento no programa dele.”

A psicóloga Ceres Alves de Araújo declarou à VEJA:

“São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a entrar na onda das escolas liberais e construtivistas. O professor perdeu a autoridade e os caminhos individuais para a aquisição de conhecimento forjaram alunos autônomos , porém indisciplinados”.

O que é ruim para desafios de concursos e provas, ao contrário do perfil dos colégios campeões.

Do MEC, há três semanas, saíram  sugestões entre as quais a  expansão da carga horária e a interdisciplinaridade de leitura  e de arte e cultura. Certamente melhorarão o cenário atual. Entretanto para melhor entender o momento  é preciso levar em conta a expansão  quantitativa de alunos e o crescimento  da classe C neste contexto. Principalmente em  São Paulo  onde ela representa 55% da população. E, dos 493 colégios da cidade, 182 cobram menos de 500 reais de mensalidade. E “mensalidade é um indicador de qualidade” como lembra o Prof. Arthur Fonseca Filho do Conselho Estadual de Educação.

Daí a prova do ENEM fica distorcida e escancara uma falha gritante de avaliação. Exatamente na educação, ignora-se a técnica. Quando foi usada, em 2001 a Marplan elegeu o Colégio Porto Seguro no Morumbi o melhor da cidade, agora o 452º do ranking do ENEM.

Até mesmo um especialista, o economista Gustavo Ioschpe e colunista da VEJA fica confuso:

“É um mistério que os colégios da elite paulistana não se saíam bem no ENEM”.

O mistério é por que até agora não se aplicou a técnica usada nas eleições ou nas pesquisas de produtos, onde se respeita a amostra de mercado e a segmentação dos consumidores.

É hora de chamarmos os especialistas. Os pesquisadores de mercado, os pedagogos e os psicólogos.  Inclusive para os problemas de violência, principalmente se a intenção for reabrir a rota Móoca-Morumbi.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda as quartas escreve no Blog do Milton Jung

Veja mais imagens no álbum de Andre Cherri, no Flickr

Liberdade ainda que tardia

Por Carlos Magno Gibrail

As recentes demonstrações de irresponsabilidade dos políticos brasileiros podem ter origem em inúmeras causas. Entretanto, uma da qual ninguém duvida é a liberdade dada aos mesmos.

A política nacional é um sistema enfermo, cuja cura pode-se copiar dos organismos vivos, quando se combate o veneno com o próprio veneno.

Se a liberdade é a droga, que a usemos  para o saneamento geral . Liberdade no voto e as eleições serão valorizadas, pois o voto facultativo é o voto consciente. Propomos dar a liberdade e tirar o dever. Direito e não obrigação.

Alguém duvida que uma ação realizada por gosto seja superior a mesma ação obrigada?

Não é acaso que dos 232 países existentes, 205 tem voto facultativo, 24 tem voto obrigatório e três não tem eleições. Ou seja, 89% optam pela liberdade do voto e 10% obrigam o cidadão a votar. Quantidade e qualidade se apresentam no mesmo grupo, pois Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Suíça, Vaticano, dentre outros são membros dos 205 cujos cidadãos votam se quiserem.

O Brasil fica dentro dos 10% que obrigam o voto, junto com Argentina, Bolívia, Chile, Congo, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai, Peru, Nauru, Singapura, Tailândia, etc.

Situação que se depender da opinião pública deve mudar, pois o resultado de uma pesquisa Vox Populi mostra que, se o voto não fosse obrigatório, 51% dos eleitores iriam às urnas. Uma pesquisa CNT/Sensus de 2007 aponta que 58,9% dos brasileiros demonstram preferência pelo voto facultativo, ou seja, rejeitam o sistema adotado atualmente. O voto obrigatório no Brasil, com seus 77 anos, já resistiu a quase 30 propostas parlamentares para que fosse extinto. O que demonstra a existência de forças contrárias. Econômicas, políticas e algumas até indecifráveis. Como a de Luis Eduardo Matta, escritor: “Temo que o voto facultativo acabe levando o grande contingente de pessoas informadas e desiludidas com a política a não votar”.

Ora, se informadas, estão desiludidas com o sistema atual, certamente estarão propensas a protagonizar a mudança geral que aconteceria com o voto facultativo.

Como crê o presidente do Movimento Voto Livre (MVL), Paulo Bandeira, que instituir o voto facultativo é o primeiro passo para o aperfeiçoamento da democracia no Brasil .  “Quanto menos votos, maior o seu valor, portanto menos compra e venda”.

Na mesma linha o conselheiro legislativo do Senado Federal, Paulo Henrique Soares, afirma que os parlamentares que defendem o voto obrigatório receiam perder o “mercado de votos”. E  “A preocupação principal de parlamentar é a reeleição”.

Valeriano  Costa da Unicamp aponta : “Candidatos bons atraem os eleitores. Quando o eleitor sente que o seu voto decide algo importante para ele, ele participa”.

O Prof. Nelson Barrizzelli resume: “Sempre tivemos a esperança de que o voto livre e universal acabaria por escolher os melhores. Infelizmente não é isso que acontece. Tanto no Executivo como no Legislativo, os cargos que dependem de voto, sejam de natureza majoritária ou proporcional, tem uma repetência incompreensível, tendo em vista as irregularidades cometidas por seus ocupantes em período ou períodos anteriores. As mazelas do modelo atual com a compra de votos e o voto de cabresto já foram amplamente comprovadas. A única tentativa que ainda não foi feita é a do voto facultativo, em dia de semana, sem feriado”.

Para quem atua na área de Marketing, é de uma clareza irrepreensível a vantagem do voto livre, pois os candidatos terão que atrair os eleitores como fazem os produtos e serviços oferecidos ao mercado. Vamos inverter os papéis, a mercadoria passa a ser o político e não o eleitor. Que apresentem características e benefícios que nos faça desejar e comprar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira escreve no Blog do Milton Jung sem esconder o seu voto na liberdade.

E o Senado não é mais aquele…

Por Carlos Magno Gibrail

Senado e Câmara na imagem de Rafael Lopes

Palmas para ele!

A cláusula que abordaria a questão do IPI para os exportadores, que os interessados não conseguiram incluir na votação na Câmara dos Deputados, também não teve acolhida no Senado.

É o que nos garantiu a assessoria do relator da Medida Provisória 449, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), na palavra atenciosa de Ana Paula Azevedo Carvalho.

Afinal de contas estariam envolvidas quantias de R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões de reais, dependendo do lado, isto é, Governo ou FIESP.

Na Câmara, segundo notícias divulgadas, não houve acordo entre os lobbies e deputados, tal o valor exigido.

E a pretensão da FIESP e de grandes empresas interessadas na liberação dos 15% do IPI devido nas exportações, envolve  significativas empresas de Consultoria.

Como se costuma dizer no pugilismo competitivo, pesos pesados.

E influentes, Belluzzo e Associados e LCA Consultores. Nada menos que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, notável no meio econômico, além da proximidade com o Presidente Lula e recém agregada no currículo a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Outro notável é o economista Luciano Coutinho, ex-Unicamp, ex-LCA e atual presidente do BNDES.

O Diretor de Comércio Exterior da FIESP Roberto Gianetti, baseado nos estudos da Belluzzo Associados e LCA Consultores, contratadas pela entidade, argumenta que a decisão via STF causará grande prejuízo a União ou acarretará a inviabilização de boa parte do setor exportador. Daí a sugestão de acordo no Congresso utilizando o mecanismo da compensação de créditos-prêmios e outros.

O Senado momentaneamente sob a luz dos refletores refugou o assunto, que melhor será tratá-lo no Executivo, embora sua origem venha de 1983. A União corre o risco de assumir um enorme prejuízo se o Executivo não tomar a rédea da negociação, evitando levar ao Poder Judiciário a decisão, ou deixar para os lobistas atuantes na Câmara, que é para onde volta a MPV 449. Além da obrigação de precaver-se da interferência dos “de casa” principalmente os consultores aparentes e ocultos.

Deixar o tempo passar só irá piorar a situação. Rapidez e transparência são ingredientes fundamentais para uma solução justa, neste que é:

“O maior encontro de contas feito na história do país”, de acordo com o próprio Gianetti.

Curioso é que tal quantia em pauta não tivesse cobertura na mídia após a votação no Senado. Não encontrei nenhuma reportagem que trouxesse esta informação da não inclusão na  MPV 449 do caso dos R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões. Banalizamos os bilhões?

Mas, se a imprensa não informou você pode contatar diretamente o Senado Federal e surpreender-se da facilidade de comunicação e atenção que irá receber. O Senado é 0800 612211; o gabinete do relator, Senador Francisco Dornelles é 61 33034229. Mais fácil que falar com qualquer empresa privada ou prestadora de serviço. E, não há maquinas, apenas pessoas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung sem nunca perder a noção de quanto vale 1 bilhão

Conheça o trabalho fotográfico de Rafael Lopes

A fala dos homens

Por Carlos Magno Gibrail

Lugo, Maradona, ACM Neto e a força da palavra

“Em nada lembra o tal carro inglês”… Dirigente da montadora chinesa ao apresentar semana passada no Salão de Xangai o Geely, idêntico ao Rolls Royce.

“Fué La mano de Dios”… Diego Maradona ao marcar visivelmente com a mão o gol que deu a vitória para a Argentina contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986.

Estas falas, todos sabem que não devem ser levadas a sério. A não ser o próprio Maradona que aproveitou e lançou música, livro e filme.

Com humor, uma das melhores falas de Vicente Matheus: “O Sócrates é inegociável, invendável e imprestável”.
Outra, famosa, pode ter autor camuflado: “O povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”, Joãozinho Trinta ou Elio Gaspari?

A natureza que nos envolve e as comunicações nas relações sociais exigem percepção e conhecimento. A olho nu mal conseguimos perceber que a terra é redonda. No âmbito das Humanas a busca da verdade exige redobrada atenção.

“Domingo é o dia da ressurreição e o dia da nossa eleição.  Deus abençoe o Paraguai”. Lugo, candidato, ex-bispo católico, celibato obrigatório.

“Quero pedir perdão por estas circunstâncias e quero ratificar que minha versão será sempre a verdade”. Lugo, Presidente do Paraguai, após a denúncia de 3 filhos ainda quando bispo.

“Não apoiarei ninguém no segundo turno”. Soninha Francine, vereadora candidata a Prefeita SP.

“O DEM tem uma posição política da qual eu discordo. Eu quero o poder. O poder de fazer o possível. Por isso aceitei esse cargo executivo”. Soninha Francine, após ter sido oferecida pelo partido.

“A Casa toda fez… Acho que estão querendo fechar o Congresso”. ACM Neto que recém foi a Paris com a esposa.

“Até ontem era tudo lícito. O que mudou? É um bando de babaca”. Ciro Gomes ao responder sobre passagens para sua família.

No futebol, falas tem gerado confusões, que aliadas aos problemas de torcedores trazem resultados ruins para todos. A partir da fuzarca do último jogo do Brasileirão que redundou na suspensão do presidente da FPF, os clubes paulistas entraram em rota de colisão, a ponto das finais do Paulistão estarem praticamente com torcidas únicas.

“Eles tem é que fazer a conta de quanto vão perder”. Marco Aurélio do SPFC sobre a não utilização do Morumbi.
Dirigentes apaixonados esquecem as regras comerciais. Este final de Paulistão evidencia o que há de pior neste sistema de radicalização, clareando apenas que não há exceção, todos agem amadoristicamente.

Melhor a fala dos jogadores, que José Geraldo Couto bem definiu. Dramática de Maradona, malandra de Romário e épica de Ronaldo. Pelé deve ter lido o texto de J. G. Couto e disse que no domingo passado Ronaldo foi o Rei da Vila Belmiro.

* “A fala dos Homens” é o titulo do livro da Profa. Maria de Lourdes M. Covre, minha orientadora no Mestrado. Analisa a fala de Delfim Neto, Simonsen, Passarinho, etc. quando estavam no Governo Figueiredo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, toda quarta, fala às claras no Blog do Milton Jung

O remédio que cura, mata

Por Carlos Magno Gibrail

Imagem do álbum de Daniel Lobo, no Flickr

Brasil 3D  –  radicaliza na questão do trabalho do menor de idade, contemporiza na destruição da floresta amazônica e fecha os olhos para o crescente descontrole do dinheiro público.

Nesta fotografia ética, destacamos a exploração do menor, controlada pela justiça do trabalho.  Suas baterias estão dirigidas às quadras de tênis.

A partir de 2005 a legislação regulamentou a atividade do menor com 14 a 16 anos dentro do projeto Aprendiz.

Os Clubes bem estabelecidos em boa parte aderiram, outros eliminaram a função do pegador de bola e os demais estão sendo avisados que serão punidos.

O tênis até então incluía o pegador de bola, o rebatedor-assistente do professor, e o professor. Todos invariável- mente vinham das camadas menos favorecidas e imediatamente iniciavam um processo de inclusão social, a partir de 7 anos em diante.

Foi assim que surgiu uma série de tenistas profissionais como Givaldo Barboza 32º ATP, Júlio Goes 68º ATP, João Soares 72º ATP.  João ainda treinou Flávio Saretta 62º ATP e Ricardo Mello 50º ATP.  Isto para não citar McEnroe, de pegador de bola a 1º ATP e ícone do tênis mundial.

A nova regulamentação originou  séries e sérias iniciativas de inclusão. Entretanto, ao mesmo tempo impediu a manutenção do modelo anterior, menos burocratizado e mais natural. Além de proibir o acesso antes dos 14 anos, o que faz muita diferença.

Independentemente da existência de infindáveis propostas para evitar o “gap” entre 7 e 14 anos, como a do ex  pegador Clovis Silva com Kirmayr, precisamos de uma regra especifica para o tênis, antes que o drama atual se intensifique.
Temos que evitar episódios como o do Secretário Municipal do Trabalho de SP, Prof. Marcos Cintra:

“VIVI RECENTEMENTE uma triste e pungente experiência. Observando as fotos das arruaças ocorridas em Paraisópolis, quando jovens moradores daquela favela depredavam propriedades e agrediam inocentes transeuntes em combate campal com a Polícia Militar paulista, identifiquei alguns jovens que eu havia conhecido algum tempo antes em circunstâncias totalmente diversas.
Lembrei-me deles sem as feições embrutecidas que exibiam durante as arruaças, mas como saudáveis meninos pegadores de bola em uma academia de tênis. Eram jovens com idade aproximada entre nove e 12 anos que, após o período escolar matutino, ganhavam alguns trocados participando como auxiliares de partidas de tênis.
Nos períodos de ociosidade das quadras alugadas, brincavam alegremente entre eles, praticando o esporte e tomando gosto pela prática salutar da cultura física.
Não ganhavam salário, não tinham horário fixo nem obrigações a serem observadas. Apenas passavam seu tempo pegando bola e ganhando em troca alguns reais para suas pequenas despesas.
No passado, esse costume induziu vários desses jovens pegadores de bola a se tornarem profissionais em suas respectivas modalidades esportivas. Outros acabaram cursando faculdades de educação física. Outros ainda se profissionalizaram como treinadores. E tudo como resultado dessa convivência lúdica com o esporte e com o aprendizado de uma técnica ou de uma profissão.
Chamava-me a atenção que o dono da academia exigia desses meninos que mostrassem seus boletins escolares e dava-lhes uma dura, chegando até mesmo a impedir que frequentassem a academia enquanto não demonstrassem que suas notas eram adequadas.
Um dia, as autoridades baixaram no recinto e proibiram, sob alegação de trabalho infantil, que esses jovens continuassem naquelas condições”.

Tudo indica que a sorte da criançada do Brasil ,que vive nos arredores das quadras de tênis deverá mudar.

Ontem, 11 dias após este artigo na Folha, indaguei ao Secretário se já tinha feito algo a respeito.

Imediatamente relatou que além de reunir vários segmentos e grupos organizados pertinentes ao tema, está trabalhando em 3 alternativas: PEC, TAC e Aprendiz. Ou seja, emenda da constituição, termo de ajuste de conduta e adaptação ao projeto Aprendiz são ações efetivas e já compromissadas pelo Prof. Cintra.

Que solicita apoio nosso, ao que prontamente atendemos. Convidamos a todos, que façam o mesmo em nome dos futuros tenistas, professores e empresários do tênis, vindos desta maravilhosa trilha da ascensão social.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Milton Jung e, dizem, é mestre com a raquete de tênis em punho.

Veja mais fotos de autoria de Daniel Lobos no Álbum do Flickr

São Paulo… É bonita? É gostosa? É cheirosa?

Por Carlos Magno Gibrail

CIdade desde o Parque do Ibirapuera (Foto: Diego_3366 Flickr)

As 230 milhões de pessoas empregadas no turismo correspondem a 8,3% dos trabalhadores globais.  Isto significa que a cada 12 trabalhadores 1 trabalha em turismo.

É a terceira maior indústria do mundo, ficando atrás apenas do petróleo e armamentos. Que o diga a França ou Londres, país e cidade, líderes no ranking a tal ponto que recebem, anualmente, quantidade de turistas superior a sua população.

O Brasil segundo o WTTC Conselho Mundial de Turismo é a 14ª economia do turismo global e a 1ª nas economias que mais crescerão.

São Paulo é a cidade brasileira que mais recebe turista. Durante um ano o equivalente a sua população – 11 milhões.

Tão surpreendente quanto estes dados são o fato de tanto o Brasil quanto São Paulo ainda não tenha executado marketing moderno e agressivo. Para o país um plano de divulgação de produtos e regiões. Para a cidade, uma identidade de marca que a diferencie das demais líderes mundiais, Londres, Paris, New York, Roma, Milão etc.

Do Brasil ainda não se tem notícia de nenhum plano extraordinário para levar a sua marca a produtos pertinentes a suas origens e as regiões naturais exuberantes e únicas.

De São Paulo começam a surgir indícios de trabalho técnico e moderno, o MAPA DAS SENSAÇÕES, que poderá além de contribuir para facilitar as escolhas dos turistas das atrações da cidade, definir a identidade da marca cidade de São Paulo.

Na carona das teorias aplicadas empiricamente nas maiores marcas mundiais no ranking das emoções – Singapore Airlines, Apple, Disney – o Mapa das Sensações foi iniciado através da pesquisa realizada pela São Paulo Turismo.

Visão, tato, paladar, olfato, audição foram exemplificados pelas pessoas relativas à capital paulista.

Do cheiro da mata da Cantareira, passando pelas perfumarias da Daslu, até o olfato usufruído do rio Tietê, vieram notas aromáticas para definir a cidade.

O apalpar das estátuas do Parque da Luz até o Café Photo originaram ligações do tato como reminiscência do “pegar” na capital bandeirante.

Fasano e pastel de feira, como paladar. Interlagos e Sala São Paulo ou ronco de motores e sinfonias de orquestra explicitaram a audição. Ibirapuera, MASP, Luz, Museu do Ipiranga confirmaram o César Maia copiando Vinicius que beleza é fundamental.

De acordo com Caio Luiz de Carvalho, Presidente da SP Turismo, após as 648 pessoas pesquisadas, que indicaram 2.933 referencias aos cinco sentidos, serão trazidos 20 casais para serem monitorados eletronicamente nas emoções que terão ao visitar a cidade.
Enquanto isso, convido a todos a contribuir com a cidade de São Paulo ajudando a SP Turismo na construção do MAPA DAS SENSAÇÕES.

Cite pensando na cidade o que vem na mente sobre os sentidos:

VISÃO

TATO

PALADAR

OLFATO

AUDIÇÃO

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Milton Jung  às quartas-feiras. E o que pensa e diz, faz todo sentido.

Veja outras imagens de Diego_3336 no álbum do Flickr

Ordem e Progresso no Congresso

Por Carlos Magno Gibrail

Clodovil HernandezDo tiroteio entre o pai de Fernando Collor e Góes Monteiro, que a má pontaria de Arnon de Melo resultou na morte do suplente de Senador José Kairala diante de mulher e filhos que assistiam à sua estréia no Senado, ao pronunciamento de Cristovam Buarque, pedindo o fechamento do Congresso Nacional, nada a acrescentar a respeito de ética, civilidade e moral.

De quatro de dezembro de 1963 até ontem, apenas constatar, que udenista e pessedista foram absolvidos e que Buarque não pode estar falando sério.

Às vésperas de completar 183 anos não é o fechamento do Senado e da Câmara que irá resolver os problemas, pois representar o povo, legislar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos é função essencial ao Estado democrático.

Exemplo vivo da primeira Lei de Parkinson sobre o aumento dos cargos e funções, a Câmara ainda apresenta um órgão como o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que é a disfunção da própria função.

Tudo indica, entretanto que a exposição que a mídia contemporânea passa a exibir tenderá a inibir os desmandos financeiros e administrativos.

Os dados são provocativos, para 513 deputados, 104 diretores, 3470 servidores concursados, 1350 comissionados, 11500 secretários parlamentares, 2300 terceirizados, totalizando quase 20000 funcionários, mais os aposentados, consomem R$2,6 bilhões dos R$3,5 bilhões da Câmara para 2009.

Temos então 32 funcionários para cada deputado, enquanto nos EUA são 15, no México 6 e na Índia 6.

Comparando o custo mensal com a renda per capita:
Brasil US$49800, 126 vezes a renda per capita – EUA US$30000, 8 vezes – Inglaterra US$26600, 8 vezes – Alemanha US$15200, 5 vezes – França US$9800, 3 vezes.

Entretanto se Buarque, educador experimentado se atentasse para a fala da classe teria percebido que a solução já foi sugerida.

“Cheguei aqui como um alienígena, um estranho, mas não vou deixar passar em branco meu mandato de jeito algum. Estou vivendo do dinheiro do povo, a serviço do povo, e para ele vou trabalhar loucamente. Aos 70 anos resolvi que agora é hora de limpar minha alma para mandá-la de volta a Deus polida, pelo menos com atitudes.” Clodovil Hernandes.

Brigou com o Presidente Chinaglia logo no primeiro pronunciamento, no dia seis de fevereiro de 2007. Clodovil reclamava da falta de educação, do barulho, das longas e improdutivas sessões, do andar arrastado da vida pública. Um estilista, só, não faz verão, mas talvez possa ter alinhavado para o futuro.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 280/08, apresentada em julho do ano passado, não saiu do lugar. Clodovil quis, explicitamente, uma Câmara dos Deputados mais enxuta, com apenas 250 representantes, com um mínimo de quatro e o máximo de 35 vagas por Estado. “A composição da Câmara dos Deputados resulta em um Parlamento com diversidade de idéias, bastante plural, o que é imensamente positivo. Mas o atual número de deputados me parece excessivo, mormente em um momento em que a sociedade se volta contra a classe política e exige a depuração de seus quadros”, disse em sua justificativa.

Nem da Universidade, nem da Política nem das Grandes Corporações, mas do mundo da Moda a observação mais aguda relativa ao Plenário da Câmara, onde 513 deputados se desrespeitam em todos os sentidos. Não ouvem, circulam, não sentam, dormem. Leem jornal, telefonam, conversam, algumas vezes dançam, tentam se esmurrar, etc.

Eu acredito que a maioria dos brasileiros não daria  nem assistiria aula numa classe em que ninguém prestasse atenção em quem fala. Não trabalharia numa empresa em que ocorresse o mesmo.

E você?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve aqui no blog sempre atento a tudo o que dizem e deixam de fazer lá no Congresso.

São Paulo: Non Ducor Duco

Por Carlos Magno Gibrail

Terra dos espigões

Kassab, engenheiro e economista, certamente têm ciência que “Não sou conduzido, conduzo” é o lema da cidade de São Paulo. Lema e advertência.

A incerteza é se efetivamente o comando está no poder constituído.

A Diretora Técnica do Movimento Defenda São Paulo, Lucila Lacreta afirma que a decisão de onde construir não tem sido da Prefeitura nem do Prefeito. As incorporadoras, construtoras e imobiliárias é que tem comandado esta ocupação. Bem diferente de cidades cosmopolitas de países não periféricos.

Além disso, esta indústria da construção pode ultrapassar a relação original de 1  área de terreno para 1 área de construção em muito,  desde que pague.

Outorga onerosa e operação urbana, sistemas diferentes para atingir a idêntica meta de arrecadar. Mimos do PT para as construtoras quando governo, criticado pelo PSDB quando oposição.  Adotado quando governo.

Trocas de posição e de lado, não há ética, a situação objetiva a arrecadação, a oposição mira a obstrução, que só não é eficaz porque é minoria.

Mas, motivos não faltam, pois a outorga onerosa não corresponde na relação custo benefício a vantagem ao município, enquanto que as operações urbanas, além disso, estão em sua maioria em áreas de várzea cujo subsolo não pode permitir adensamentos. A ONU através de recente relatório sobre o aquecimento global chama atenção para a questão da permeabilidade do solo e sua relação com o clima. Como sabemos, existe na capital diferença significativa  de temperatura entre bairros, o que espelha a mão do homem neste desequilíbrio.

Na semana passada, o PSDB e o DEM tiveram a oportunidade de executar as críticas feitas no governo Marta ao PLANO DIRETOR, quando foi votado na Comissão de Constituição e Justiça. Entretanto, mudaram de idéia. Retiraram a parte social e mantiveram a questão da ocupação do solo, dando margem a severas avaliações quanto a futura possibilidade de mudanças, permitindo adensamento urbano e verticalização acentuada.

O placar da votação da Comissão, técnica por formação, foi político por vocação. 7×2, correspondendo exatamente a configuração partidária.

É a preocupação principal das 145 entidades representativas de moradores e técnicos que se manifestaram contrariamente a este resultado. E que valeu da Carta Capital editorial sob o título de “Cidade sufocada de prédio”.

Conduzidos assim, seremos uma “República dos Edifícios”, digo eu.

Deixo aqui uma questão ao líder do governo na Câmara de SP, vereador José Police Neto (PSDB):
O sistema político evidencia um problema inicial para o candidato vitorioso, na medida em que já entra compromissado com os financiadores da campanha. Além disso, busca-se primeiramente o aumento da arrecadação, o que faz dispor aos investidores  vantagens que nem sempre priorizam o melhor em termos, por exemplo, de sustentabilidade.

Como agir eticamente?

O PT criou a OUTORGA ONEROSA e as OPERAÇÕES URBANAS. O PSDB na oposição votou contra. Agora, governo, usufrui deste sistema.

É correto?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira, aqui no blog, conduz seu raciocínio em favor do cidadão.

Para facilitar a leitura do abaixo-assinado contra a revisão do Plano Diretor Estratégico, citado nos comentários deste post, clique neste link (Postado em 02.04, 20h33)

Pedofilia: SOS Crianças

Por Carlos Magno Gibrail

Foto de André Cherri, no Flickr


Carta Capital, Veja, TV Globo, GNT, Folha, Estadão, etc. O destaque é merecido mas indigesto, e é sobre o pior crime que o ser humano pode cometer. Caso houvesse possibilidade de hierarquizar aberrações.

“Se o sujeito nasceu pedófilo, por que sua preferência sexual é considerada crime ? Por que punir alguém que apenas obedece a impulsos inatos que lhe são impostos pela natureza? … Se ele gosta de birita, maconha, cocaína, crack ou ecstasy, é problema dele. Mas não, pai, mãe, polícia, a sociedade inteira se volta contra ele”. Ferreira Gular, sob o titulo : Repressão e preconceito.

É surpreendente que um “intelectual” não consiga discernir entre um ato que resulta em dano pessoal de um ato que  estraga  em definitivo toda uma existência de outro ser inocente e puro. Como se vê não há como ranquear anormalidades, já que estão em toda parte. É preciso controle e punição.

Mas não foi Ferreira Gular que atraiu a mídia. Nem o murro que o presidente Lula deu na sala ao assistir à exposição da CPI da Pedofilia. Estes são fatos passados. Provavelmente um conjunto deles que deve ter tido o ápice em Catanduva, interior de São Paulo.

Redes de pedofilia como a investigada em Catanduva são raras, afirmou  o psiquiatra americano Gene G. Abel, na Folha de segunda. “O aliciador geralmente age sozinho”.

Pesquisador do tema há mais de 40 anos, Abel diz que cerca de 1/3 dos pedófilos já foram vítimas de abuso e a pedofilia tende a continuar existindo, estimando que apenas 10% se originam de estranhos. Entretanto este número não é pequeno, pois segundo Walter Mairerovitch anualmente 18 milhões saem para fazer turismo sexual.

Se os potenciais ambientes são conhecidos – o núcleo familiar, as escolas e os instrutores – há que se preocupar com aqueles onde está o poder de controlar e julgar a própria pedofilia.

Polícia e justiça.

E as informações que temos não são nada animadoras.

“Nas quatro oportunidades, o acusado, aproveitando-se da ausência de pessoas adultas, imobilizou os braços da criança, passando a beijá-la lascivamente, inserindo a língua em sua boca. Ato contínuo apalpou-lhe as nádegas, pressionando o corpo da menina contra a sua região peniana”. Caso de uma menina de 10 anos violentada, no TJ/RS.

Ao pronunciar o seu voto, o desembargador Sylvio Baptista Neto afirmou que “muitas vezes, as penas mínimas previstas representam um excesso de rigor da lei que não faz justiça ao caso em concreto”.  E reduziu a pena de 17 para seis anos.

Para uma menina de cinco anos, o mesmo Sylvio reduziu a pena do acusado de nove para dois anos de prisão: “O alarde dos pais produziu mais danos à vítima do que os fatos”.

“Ao colocar os dedos na vagina da menina, ele não fez as mesmas sequelas que restariam se tivesse penetrado o seu ânus. Mas as duas condutas são iguais na lei, como atentado violento ao pudor. Por isso acho que precisamos ter um entendimento diferenciado sobre a lei”. Desembargador Miguel Fank. Caso de uma menina de oito anos violentada pelo pai, no TJ/RS.

Talvez por tanto absurdo é que na mesma linha países europeus estejam aplicando castrações químicas e similares. No Brasil não há chance, a Constituição não permite.

É hora de vigiar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira escreve aqui no blog.


* Visite o álbum de fotos de André Cherri, no Flickr

O futebol e a fábula

Por Carlos Magno Gibrail

Torcida virtual no Museu do Futebol, por Regia Sofia

O futebol, esta grande paixão nacional, parece bem com a moral da fábula “O velho, o menino e o burro” que demonstra a impossibilidade de se contentar a todos. Fato que seria comemorado por Nelson Rodrigues: a unanimidade é burra.

O presidente Lula assinou na sexta-feira 13, três medidas que fazem parte do plano de ações para a Copa do Mundo de 2014. Entre elas, o  projeto de lei que criminaliza os atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas, tanto nos estádios e arredores quanto no trajeto para as partidas. Assinou, também, um decreto que amplia as exigências técnicas para funcionamento dos estádios e um termo de cooperação técnica para monitorar o acesso de torcedores. Os projetos serão encaminhados ao Congresso e Lula já pediu urgência na aprovação.

“O ministro e as carteirinhas” Juca Kfouri; “Stalinismo no futebol” Fernando Rodrigues; “Todos fichados” Folha; são algumas das manchetes desfavoráveis.

Embora reclamado há muito pela mídia geral e especializada, pela autoridade geral e policial, pela população em geral e esportiva, o combate a violência é uma unanimidade em termos de apelos para o seu controle. Afinal só de mortes são mais de sete por ano, além de inúmeras ocorrências policiais.  De torcedores e de policiais.

Mas há acusações políticas eleitorais. “Dentro do projeto da Folha de São Paulo de contribuir para a eleição de José Serra, em 2010, vale tudo.
 A coluna do Fernando Rodrigues, neste sábado, é um bom exemplo disso. O Projeto de Lei, que modifica o Estatuto do Torcedor foi escolhido para ser o alvo das críticas”. Casa do Torcedor.

O Clube dos Treze declarou ontem que apóia em princípio as medidas e está disposto a discutir as carteirinhas, pois acredita que o cadastramento possa ser feito sem elas.

“De vez em quando a PM também faz coisas que não deve, passa dos limites, agride sem necessidade. Como seremos penalizados, eles [policiais militares que cometerem abusos] também tem que ser”. Presidente da Força Jovem do Santos Futebol Clube, Pedro Luiz Ribeiro Hansen.

“Violência gera violência. Às vezes, têm só dois elementos brigando numa arquibancada, a polícia chega agredindo geral e a coisa se espalha”. Presidente da torcida rubro negra Jovem Fla, do Flamengo, Leonardo Sansão.

O projeto de lei anunciado pelo governo define formalmente as torcidas organizadas como pessoas jurídicas de direito privado, que podem responder civilmente pelos danos causados por qualquer um de seus associados no local da competição, nas imediações ou no trajeto de ida ao jogo e de volta da partida.

O mérito da questão é criminalizar algo que é crime em seu sentido real e figurado. Agressões de torcedores e policiais e o impedimento do maior espetáculo da terra que é o futebol ao vivo, aos cidadãos verdadeiros, são efetivamente um crime.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta está aqui no blog na torcida para que um dia estádio de futebol seja como sala de espetáculo. E desta Organizada eu faço parte.

Veja mais fotos de Regia Sofia, no Flickr.