Paulistano vai cuidar do ambiente nas cidades

 

Texto publicado, originalmente, no Blog Adote SP

 

Parque da Aclimação por Luis F Gallo

 

Um paulistano terá a responsabilidade de cuidar da qualidade de vida dos moradores das cidades brasileiras. O arquiteto Nabil Bonduki, 56 anos, professor de Planejamento Urbano da FAU/USP, mestre e doutor em estruturas ambientais, assumirá a Secretaria do Ambiente Urbano, do Ministério do Meio Ambiente. Dos grandes desafios que terá pela frente está a implantação da política de resíduos sólidos, aprovada e regulamentada no ano passado, que pode se transformar em enorme oportunidade para pessoas que vivem da reciclagem no Brasil, tema sobre o qual falamos no último post, aqui no Adote São Paulo.

Bonduki foi vereador na capital paulista e apesar de não ter sido reeleito deixou a Câmara Municipal com o título de o melhor parlamentar da cidade, de acordo com avaliação do Voto Consciente. Esteve envolvido até o pescoço na discussão do Plano Diretor Estratégico da cidade e terá de usar a experiência adquirida na nova função.

Como não cabe ao Ministério interferir nas decisões municipais, a secretaria terá o papel de incentivadora de políticas públicas na área ambiental. E, assim, Bonduki pretende contaminar os planos diretores com temas desta área, à medida que estudos mostram que até aqui habitação e uso do solo dominaram os textos que pautam as ações e o desenvolvimento dos municípios.

Seria importante, por exemplo, incluir instrumentos que viabilizem a transferência de uma área particular para outra, tornando a terra mais barata e permitindo a intervenção do Estado nos locais considerados estratégicos para a preservação do ambiente urbano. Esta ferramenta está prevista no Plano Diretor Estratégico de São Paulo.

A nova secretaria chega no momento em que o Congresso Nacional discute o Código Florestal, texto que tende a provocar debates voltados para a área rural, mas de grande interesse também para as cidades como explicou o geólogo Márcio Ackerman, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em entrevista que fiz na rádio CBN (leia e ouça aqui).

Nabil Bonduki sabe que das áreas de preservação apenas 1% do território nacional está nas mãos dos prefeitos, portanto a prioridade nas cidades é pela melhoria da qualidade de vida de seus moradores. Assim a abordagem tem de ser diferente da que se pretende dar no campo, pois nas áreas de preservação que estão dentro do território dos municípios é preciso criar uma função urbana. Transformá-las em parque, área de lazer e ciclovia, por exemplo, para eliminar o risco de serem ocupadas irregularmente para moradia.

É o que se busca com o projeto dos parques lineares que está em desenvolvimento na atual administração paulistana. No município há forte concentração de fontes poluidoras que precisam ser atacadas de forma séria, a começar pelo combustível queimado pelos automóveis, por isso a inspeção veicular – em vigor apenas na capital paulista – pode ser um dos programas a serem incentivados na secretaria. Há lei nacional que rege o tema, mas se faz necessário um empurrão oficial. Bonduki parece ainda ter dúvidas de qual o melhor modelo de gestão a ser implantado, porém tem consciência de que o controle da emissão de gases é vital.

A decisão do Ministério do Meio Ambiente de criar uma secretaria para cuidar do ambiente urbano chama atenção à medida que, desde o Governo Lula, existe o Ministério da Cidade, que surgiu com esta função. Hoje, contudo, essa pasta se transformou em uma tocadora de obras, com o programa Minha Casa, Minha Vida. E obras tocadas doa a quem doer, sem levar em questão o respeito ambiental e social, haja vista reportagens publicadas recentemente sobre a exploração de mão de obra irregular.

Sendo assim, é bem-vindo que as cidades voltem a estar na pauta ambiental. É nelas que moram, atualmente, 84,4% dos brasileiros, conforme Sinopse do Censo Demográfico 2010, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma população que cresceu em 23 milhões na última década e tem o direito de morar e viver com qualidade.

Foto-ouvinte: Congestionamento de passageiros

 

 

Congestionamento na CPTM

Recado e foto de Antonio Marcos Souza, ouvinte-internauta do Jornal da CBN:

Sei que o assunto é recorrenrte mas, infelizmente, não tenho alternativa se não tentar denunciar este “câncer” do transpote público paulistano chamado CPTM. Hoje, novamente, esta empresa proporcionou aos usuários da linha Esmeralda ( Calmon Viana – Brás) mais um espetáculo de incompetência, descaso e desrespeito ao passageiro, ao cidadão e ao ser humano.

Resposta da CPTM publicada na área de comentários do Blog (publicado às 17h03):

Nos horários de pico há grande concentração de usuários em todos os meios de transporte, e na Linha 12-Safira (Brás-Calmon Viana) não é diferente. Além disso, parte do aumento da demanda crescente na CPTM, que em 2005 transportava 1,4 milhão de passageiros/dia e hoje 2,4 milhões/dia, também se deve às melhorias já realizada no sistema, que acaba atraindo mais usuários.

Todas as seis linhas da CPTM estão sendo modernizadas. As obras abrangem troca dos sistemas de sinalização, telecomunicações, rede aérea e via permanente (trilhos), além da readequação de estações. São essas obras que permitirão que os 105 trens novos que já estão sendo entregues para a frota, tenham um melhor desempenho, resultando na redução do intervalo e no aumento da oferta de lugares.

Para recapacitar o sistema sem interromper a prestação de serviço, a CPTM vem fazendo um grande esforço para adequar o cronograma de obras, sem paralisar a operação de trens, priorizando sempre o atendimento aos usuários.

Nossa colega na mesa de Paulo Coelho

 

Paulo Coelho em Istambul

Amigos se reuniram com Paulo Coelho em Istambul, na Turquia, e compartilharam ideias e pensamentos, há alguns dias. Durante o encontro, o escultor Spinosa, além de colocar a conversa em dia, apresentou a Coelho o trabalho da nossa colega de blog Maria Lucia Solla. O livro De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa aparece sobre a mesa do escritor brasileiro. Que faça muito bom proveito da sensibilidade da Maria Lucia, a qual você acompanha aqui no Blog, todos os domingos.

Foto-ouvinte: Ataque “antiaéreo”

 

Carro anti-helicoptero

“Um dia derrubo um”. O recado escrito em adesivo, acima da imagem de um helicóptero, chamou atenção do ouvinte-internauta Claudinei Martinez. Assim como eu, ele também não entende o motivo para tal ameaça. Talvez seja inveja dos felizardos que podem se deslocar com rapidez sobre a cidade congestionada; ou um morador muitas vezes incomodado com o barulho desta que é a segunda maior frota do mundo e a maior em número de viagens locais. Por um ou por outro, sugiro que os repórteres da CBN passem bem longe do cidadão do Gol amarelo.

O poder do lixo

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Homens vivem do lixo

A melhor resposta para o crônico problema do lixo, seria tirá-lo das ruas com autoridade ,planejamento e determinação. No caso do centro deveria realizar , com urgência, a coleta domiciliar aos sabádos, domingos e feriados . Reafirmo que o maior problema da limpeza urbana na região central está na coleta e não na varrição. Todos os domingos ,uma multidão de homens ultra – pobres são vistos no centro com mãos e cabeças enfiados em sacos pretos rasgados ,em busca de restos de comida. No dia seguinte o cenário é de horror -, inclusive o Palácio Anhangabaú e a Suprefeitura da Sé amanhecem ilhados pelo lixo, o que daria um importante documentário de ecologia urbana – de projeção internacional . Onde o humano se mistura com o além sujeira e a incompetência de gestores públicos que não encontram formas eficientes que resolvam o problema do lixo domiciliar do centro da cidade mais rica do Brasil.

Não podemos esquecer dos mais de 10 mil moradores de rua que vivem largados pelo centro. Uma questão humana que deveria levar a prefeitura à uma profunda reflexão de prioridades… Entre outras medidas , uma assistência de resultados à população de rua, como pensar e colocar em prática um projeto diferenciado de limpeza na região central , pricipalmente com atenção especial à coleta e à reciclagem,geradora de renda para milhares de pessoas. O que poderíamos chamar de gestão solidária do lixo.

Não confundir com a ‘ limpeza’ de agentes municipais , que consiste em acordar todas as manhãs os mendigos de forma – muitas vezes – não apropriada , como se fosse a solução para “a cidade ideal “(…)

Estamos falando da limpeza das empresas concessionárias, que precisam sim de recursos que permitam a modernização dos serviços de limpeza na cidade . Recursos que deveriam ser destinados sem as costumeiras pressões e interferêcias políticas do é” dando que se recebe”. Afinal , nenhuma empreteira deveria ser ou aceitar a ser ‘extensão’ de partidos politicos ou ter o poder de ditar regras na administração pública , o que ocorre com frequência na limpeza e transportes em São Paulo. O poder conferido às duas empresas de coleta do lixo domiciliar na cidade de São Paulo chega a ser perigoso. Insisto : é indecoroso e predatório ao município.

A administração municipal precisará de muita coragem para disciplinar o serviço de coleta em São Paulo.

Um passo importante neste sentido seria os canditatos às eleiçoes municipais não aceitarem recursos financeiros de construtoras a que são ligadas as concessionárias do serviço de limpeza pública (…)

Leia, também: “Condomínios de luxo mantém lixão doméstico, em São Paulo”

De pares

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De pares” na voz e sonorizado pela autora

Segregar, discriminar, não adianta! porque a força da vida aproxima os opostos. Do seu jeito. Os opostos e os nem tão opostos assim. Uma coisa que seja, em você, que se oponha ao seu par em mim, pode te arrebatar, sem que haja neste planeta explicação. É Física! O planeta precisa de equilíbrio para continuar a ser.

Bizarro e perfeito dividem o palco; água e fogo, nascimento e morte se acotovelam. Casamento, divórcio, assassinato e salvamento; descarte e resgate. Interessante ver. Pobre e rico dividem sonho de ter para ser; e é assim mesmo: o ser não vive sem o ter, até que o ter se rende, inevitavelmente, ao ser. O querer e o estar-nem-aí convivem numa boa, na mesma sala.

Vaidade e insegurança são assim; não se desgrudam por nada. Nada é suficiente, porque nada não vive sem tudo. Desespero campeia na desgraça e na ânsia da pirraça. Dor e prazer, não preciso nem dizer! Dar finca o pé até que chegue o receber, e não tem ir-se-embora sem ficar, nem sem um dia chegar.

Imaginação e realidade se entrelaçam a ponto de perder a identidade. Se fizeram passar, tantas vezes, uma pela outra, que não sabem dizer: o viver, afinal, é filho de quem?

Certo e errado têm seus dias contados. Tão unidos, querendo ocupar o mesmo espaço, vão acabar se fundindo. E nesse dia, abriremos a porta para a responsabilidade, que não existe fora da consciência, e se fará luz no caminho para a verdadeira vida, quando vida e morte finalmente assumem sua atração e vivem e morrem, para sempre.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O tempo virou, vista esta camisa

 

Por Dora Estevam

A virada de temperatura traz sempre aquela preocupação de escolher uma roupa adequada para sair de casa. Pode tanto esfriar como fazer calor num mesmo dia, sem contar a chuva sempre disposta a cair em locais isolados.

De qualquer forma não é porque o tempo virou que vamos correr por ai gastando com roupas novas. Tudo bem, se você quiser – a escolha é sua.

Como estamos em uma estação mais fresca, manhãs e noites mais geladinhas, o que precisamos é de algo prático para ficar bem o dia todo.

Pensando nisso me lembrei das camisetas. São boas companheiras para qualquer virada de estação. E hoje há uma grande variedade delas com estampas super engraçadas que ficam bem com calças, saias, bermudas, botas, casacos … é so usar a imaginação.

Vejas algumas combinações:

 

Acho que já da para fazer algumas produções – todo mundo tem uma camiseta no armário – basta ver de que forma você vai usá-la.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Condomínios de luxo mantém “lixão doméstico”

 

Lixão residencial

O desmoronamento de parte dos 600 mil metros cúbicos de lixo amontoados no aterro sanitário de Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, que ocorreu segunda-feira (25/04), é apenas uma das cenas que revelam a forma incompetente com que o Brasil administra os resíduos sólidos.

Despercebida pela maioria de nós, outra imagem desta tragédia urbana se reproduz diante de alguns dos mais ricos condomínios da capital paulista, todos os dias. São famílias pobres, muitas desgraçadas, que ficam a espera do “lixo” despejado pelos moradores de bairros como o Panamby e o Morumbi, na zona sul da capital.

Sacos se acumulam aguardando a empresa de coleta. Antes que o caminhão chegue, mães, pais e crianças pequenas cercam o local. Como se estivessem diante de gôndolas de supermercado – nem mesmo o carrinho para as compras é esquecido – escolhem o que de melhor têm a disposição.

Latinhas de cerveja e refrigerante são as preferidas da maioria, pois têm saída mais fácil. Garrafas PET e de vidro, também ajudam a formar a renda familiar. Os papéis nem sempre são aproveitados pois ficaram contaminados pela mistura com o lixo comum. Comida, muito pouco (ainda bem).

Em São Paulo, capital, conseguimos substituir os lixões por dois aterros sanitários que, hoje, esgotados, geram até 20 mega watts por hora de energia elétrica, cada um, a partir da captação dos gases metano e carbônico, numa demonstração de que poderíamos gerenciar melhor esta questão.

No entanto, ainda fazemos da porta dos condomínios uma espécie de lixão doméstico, sem que isto cause, aparentemente, constrangimento aos seus moradores. Gastamos fortunas para manter as salas de ginástica, quadras de tênis, áreas de lazer, piscinas enormes mas somos incapazes de nos organizarmos para a separação dos resíduos sólidos. Preferimos jogar tudo fora transferindo aos outros a responsabilidade pelo que consumimos.

E como o consumo está em alta, produzimos sete vezes mais lixo em 2010 do que no ano anterior, conforme estudo divulgado nesta semana pela Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Foram 61 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, em todo o Brasil. Você que lê este texto foi responsável por cerca de 378 quilos de lixo, em média. Se mora em São Paulo, acumulou 1,328 quilo por dia – pois vive na região que mais “sujeira” fez no ano passado.

Responsabilizar o aquecimento da economia pelo aumento da produção de lixo é varrer para baixo do tapete o verdadeiro problema enfrentado pelo País.

As prefeituras investem pouco em políticas de coleta seletiva. Na capital paulista, existem apenas 16 centrais de reciclagem para atender os 96 distritos – número que não cresce faz seis anos. Do material que é recolhido pelos caminhões da coleta seletiva mais de 1/3 vão parar no lixo comum. Faltam campanhas que incentivem a separação e programas pedagógicos que preparem a população. A cobrança da taxa do lixo, que poderia trazer pelo bolso a consciência que nos falta, quase causou uma revolução na cidade.

A esperança de que isto mude está na Lei de Resíduos Sólidos, a Lei do Lixo, em vigor desde o ano passado e que impõe responsabilidade aos municípios e ao poder público, mas também às empresas que fabricam e vendem, assim como às pessoas que compram e consomem.

Temos o compromisso de acabar com os lixões até 2014. Você pode começar a fazer isso agora na porta do seu condomínio.

Texto originalmente escrito para o Blog Adote SP, da revista Época SP

A boneca sem-teto

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Bonecos sem-teto

 
São Paulo é uma cidade cheia de curiosidades e detalhes que a torna mais humana. No Parque Dom Pedro II, por vários dias a boniquinha ‘Chiquinha’, da moradora de rua Maria, ficou sentadinha na  guarita da sentinela do antigo quartel abandonado, enquanto Maria catava latinha ou ia lavar roupa no chafariz da Praça da Sé. As pessoas passavam e paravam para olhar a bonequinha que parecia uma criança recém-nascida. Olhavam, olhavam, e admiradas partiam meio tristes .
 
Maria foi embora para Cambé , norte do Paraná.

Bonecos sem-teto
 
Na Praça Wilson Olivetto, Mooca, na  Zona Leste, uma outra cena impressiona: um macaquinho  de pano verde e olhos pretos expressivos ou esbugalhados – pendurado num pé de goiaba – pisca o tempo todo. Parece que quer dizer alguma coisa.
 
Talvez observar as coisas simples da cidade num feriado prolongado, pode ser a descoberta para viver melhor .
 
                                             

De febre e loucura

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Quero tanto falar de sentimento, de emoção, sempre; e me pergunto, às vezes, se eu não deveria reclamar de o prefeito não prefeitar como deveria ele, se eu não deveria policiar as polícias por não policiarem como policiam os policiais nos filmes de bandido e mocinho. Se acaso eu não deveria vasculhar a vida pessoal dos senadores só de birra, por eles nunca senadorarem, como manda o figurino. Penso se não deveria choramingar mais, em vez de aguentar o tranco. Me pergunto, às vezes.

E acabo rindo! De mim. Que nem sei bem quem sou; que nem percebo, tantas vezes ainda, quando erro, quando sou inconveniente. Rio de mim, sim, que tenho uma dificuldade danada para administrar a vida na matéria, na emoção e na razão. Quem sou eu para criticar qualquer coisa no outro. Quem sou eu para dizer se seus hábitos são saudáveis, se eu estou doente de novo, com uma faringite de fazer dó aos meus inimigos. Quem sou eu para criticar quem quer que seja; e como faria isso? Com que autoridade, sob a batuta de que cartilha? Do Ocidente ou do Oriente? Do norte ou do sul? Do reinado ou da democracia? Eu mediria o outro usando a minha fita métrica?

Não posso. Não quero. E vou dizer mais, quero me livrar da crítica pequena, diária. Não quero mais nada que não seja simplesmente. Não quero nada mais que não seja honestidade, comprometimento, amizade, alegria, companheirismo, generosidade e amorosidade; começando por mim. No dia a dia da minha vida. Não quero mais nada que não tenha um sabor agradável. Não quero não aceitar a vida como ela é. Não quero aceitar a minha não participação no que estiver ao meu alcance. Afinal, não dizemos que a vida é curta? No entanto, vivemos amargos, de dedo em riste, de costas para a parede, o tempo todo. Todo o tempo. E queremos a paz! Como? se a guerra tornou-se senhora dos lares, corações e mentes de todos nós? Como? se ela permeia palavras, gestos e olhares de eterna acusação porque ele não é assim, porque ela é assado. Como? se cada um de nós vive fechado num exército de uma pessoa só, e somos bilhões de exércitos? Querendo ser o senhor de tudo e de todos, acabamos nos tornando senhores muito crueis de um único vassalo, você de você, e eu de mim. E dizemos que queremos paz. Mentira; somos dependentes da guerra da picuinha diária, onde temos absoluta certeza de sermos sempre melhores do que o outro. O malandro se servindo do bacana, que sai todo pimpão achando que se está servindo do primeiro.

Então, falo de mim; de como vejo e sinto a vida; já que esta é a minha viagem, a que me foi oferecida, de algum modo, pelo Criador de tudo isto e de muito mais. Sou meu objeto de pesquisa, mas foco em mim e no outro, que ele é vivente feito eu.

A vida fica muito solitária quando acreditamos ser melhores do que todos os outros; e mesmo assim, preferimos passar mais tempo da vida atacando e nos defendendo do outro, a viver vivendo, amando, amizadeando, trabalhando, criando, ouvindo e, quase sempre sendo ouvido, dançando, passeando, aprendendo, ajudando, apoiando, compreendendo, amando, amando, amando.

Se estou ficando louca, então, me agrada, a loucura.
Confesso.
E me despeço.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung