Emagreça com Michele Obama

 

Por Dora Estevam

Animada, bem humorada e à vontade, a primeira dama dos EUA Michele Obama mostrou que não tem problema em aliar trabalho com descontração – vestida no melhor estilo primaveril. Calça azul e blusa amarela, um cinto fino para dar um toque feminino e sandália prata, combinando, Michele dançou ao som de Beyonce.

Michele Obama, de surpresa, visitou o Deal Alice Middle School, em Washington, com propósito de divulgar a campanha Let’s Move! – campanha de combate à obesidade infantil.

Num cenário super animador, cheio de jovens, a primeira dama não resistiu e rebolou com as meninas. A ideia não era aprender a dançar, mas, depois que acabou o ensaio, ela pediu para tocar de novo e se juntou as alunas.

Beyoncé é uma das minhas performers favoritas no mundo. Quando ela concordou em fazer a campanha, eu fiquei muito animada! Isso é sobre o que estamos falando, que se exercitar e se mover pode ser legal. É sobre dançar, é sobre se movimentar (Michelle Obama)

É claro que não é todo dia que vimos cenas como estas. Ser a primeira dama dos EUA sempre significou algo intocável e sempre nos transmitiu uma imagem de austeridade misturada com elegância ao extremo.

O fato de a primeira dama cair na dança com pessoas comuns significa uma mudança radical no comportamento da sociedade americana. Fruto do novo Governo.

No Brasil, nos últimos anos, também pudemos ver um comportamento diferente de presidente para presidente. Lula praticamente se divertiu em todos os encontros políticos. Sempre que tinha uma chance brincava com os convidados.

A presidente Dilma Roussef também já teve um encontro diferente no Planalto. Entusiasmada com a campanha social do governo brasileiro, a cantora colombiana Shakira pediu um encontro com Dilma em busca de ajuda para o projeto de erradicação da pobreza. Em uma agenda descontraída, a cantora deu até um violão de presente para a presidente.

Esta é uma tendência de governar para atrair mais apoio popular e, principalmente, manter aquele conquistado até aqui. O eleitor sente que o político está mais próximo da realidade dele ao mostrar que sabe fazer o que ele faz.

Pelo visto a forma “não perturbe” está fora de moda na política.

Aproveite o fim de semana e movie your body, este nunca sai de moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Como o lixo do condomínio recicla gente

 

Reciclando

Estou de volta ao lixo, assim como faz um sem-número de famílias pobres da cidade mais rica do país. Levo vantagem, porém, sobre todas elas. Volto por escolha e por retórica, enquanto essas são obrigadas a enfrentar a situação vexatória por sobrevivência.

Há duas semanas, escrevi sobre os lixões residenciais que se formam diante dos condomínios mais luxuosos da capital. Criados por gente que não se dá o trabalho de separar lixo seco do úmido nem se envergonha de ver pais e filhos esfarrapados sentados na calçada vasculhando os sacos depositados cheios da sujeira produzida por eles. De sujeira e de dinheiro, também.

Em cada um desses sacos plásticos, geralmente pretos, é possível encontrar lata de alumínio, garrafa PET, potes de vidro ou quantidade considerável de papel que não tenham sido contaminadas pelos restos de comida. Resíduos que levados à reciclagem se transformam em renda mínima capaz de sustentar famílias carentes.

A boa notícia é que há paulistanos convictos de que é possível mudar este cenário.

Há dez anos, Célia Marcondes e um grupo de vizinhos decidiram organizar a coleta seletiva nos bairros de Cerqueira César e Jardins. Convenceram donos de apartamentos a separar lata, garras, PETS, papel e plástico e colocar tudo em sacos de cores diferentes dos usados para o lixo. Conseguiram os caminhões que, desde então, recolhem este material que está armazenado em conteineres e fazem a entrega na sede Cooper Viva Bem, responsável pela triagem, separação e limpeza. Atualmente, 400 prédios integram esta rede.

“A gente pode resolver dois problemas de uma só vez: ambiental e social. Esse povo que vem rasgar saco na porta dos prédios, vem porque falta alternativa de vida. É o alimento que ele precisa para o dia-a-dia. Não podemos condenar este pobre coitado que vive de catar restos dos outros. Na cooperativa, ele tem dignidade e renda”- explica Célia.

Hoje, a Cooper Viva Bem tem cerca de 100 famílias reciclando em torno de 100 toneladas de resíduos por mês, suficientes para gerar a cada uma algo como R$ 800,00. Se a prefeitura ampliasse a área de coleta e aumentasse a quantidade de centrais de triagem, o número de pessoas beneficiadas seria bem maior na cidade de São Paulo.

Por enquanto, temos apenas 21 centrais que recebem o material coletado pelos caminhões das duas concessionárias contratadas da prefeitura, Loga e Ecourbis. Eles ainda não circulam em todos os 96 distritos da capital nem mesmo em todas ruas e avenidas dos 76 distritos que são atendidos pelo serviço. Mesmo assim, muitas vezes têm de deixar de coletar ou misturam no lixo comum o material reciclado por falta de espaço nos pátios das cooperativas.

De acordo com os dados oficiais da prefeitura, das 10 mil toneladas de “lixo” produzidas pelos paulistanos, todos os dias, cerca de 2 mil toneladas poderiam ser reaproveitadas. Deste total, cerca de 7% são coletados de forma correta. O resto desperdiçamos.

Em tempo: ambientalistas dizem que dos resíduos sólidos produzidos na cidade, no máximo 1,5% vai para as centrais de triagem.

Valdecir Papazissis, homem da prefeitura que tem o desafio de organizar a coleta seletiva na cidade, considera “lamentável a situação dessas famílias que vão para frente dos condomínios procurar material reciclável”. Ele mora em casa, faz a separação e entrega em um dos pontos de coleta da cidade que fica, aliás, no mesmo local em que trabalha, o Limpurb – o Departamento de Limpeza Urbana.

Não diz com todas as palavras, mas sabe que São Paulo poderia estar muito mais bem atendida pela coleta seletiva com mais famílias integradas ao sistema, se os contratos assinados pelas concessionárias não tivessem sido renegociados no início do governo Serra/Kassab. “Marcos foram postergados”, se limita a comentar o diretor de Coleta Seletiva do Limpurb.

Quando foi assinado, em 2004, pela administração Marta Suplicy, as duas empresas receberiam R$ 20 bilhões em 40 anos. José Serra achou caro de mais, pagou cerca de R$ 940 mil para FGV analisar os textos e negociou redução de 17% nos valores, em 2005. Aceitou, porém, mudar os prazos para a realização dos serviços propostos como distribuição de conteineres na cidade, recolhimento de lixo porta a porta em áreas de favela e coleta seletiva. Ou seja, pagou menos em troca de menos serviço.

A atual administração também tem sido lenta no sentido de expandir o programa, apesar de Papazissis insistir que os investimentos têm sido feitos. No ano passado eram 16 centrais de reciclagem, hoje temos 21, estão prometidas mais duas até o fim de 2011 e mais três até o ano que vem.

Sobre a participação dos condomínios, Papazissis diz que 1.870 aderiram ao programa da prefeitura e 3 mil conteineres estão disponíveis para a coleta. Quanto ao investimento para aumentar a participação dos donos de apartamentos, alega que existem explicações no site do Limpurb e que são realizadas palestras. Não parece ser suficiente, haja vista termos algo como 30 mil condomínios na cidade.

Não há previsão de campanhas pedagógica e publicitária para mudar o comportamento do cidadão.

“Infelizmente, a prefeitura não contribui como poderia. Estamos abrindo mão de matéria prima de alta qualidade e deixando de integrar esta gente à sociedade. É preciso que todos se convençam de que o maior avanço que temos neste trabalho é a reciclagem de pessoas” – ensina Célia Marcondes.

Deixo, assim, o convite a você que lê este texto agora: comece por reciclar o seu comportamento. Eu comecei, em 1991, quando adotei São Paulo como minha cidade.

A foto deste post é de autoria do jornalista Marcos Paulo Dias e faz parte do meu álbum digital no Flickr.

O poder do lixo

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Catador de reciclável 1

Se houvesse um concurso de grafite no centro de São Paulo, o grafite no tapume que cerca a interminável e confusa reforma do Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, seria um dos escolhidos: a imagem de um catador de papelão com o peito estufado puxando a sua carroça carregada de recicláveis.

A grande verdade para muita gente que observa a obra de arte , está nos dizeres da carrocinha: ” Um catador faz mais que os Ministros do Meio Ambiente. Nada !”

Em meio aos recicláveis, ao lado de malas, a imagem de um homem mascarado e engravatado – com um cifrão no paletó – chama a atenção.

O tapume é assinado por Mundano_SP

Como reduzir pela metade mortes no trânsito, em 10 anos

 

Acidente na Inajar de Souza

Reduzir o número de pessoas mortas em acidentes de trânsito pela metade em 10 anos é o desafio que Organização das Nações Unidas lança nesta quarta-feira aos governos de todo o mundo. O Brasil e mais uma centena de países se comprometeram com as metas do que está sendo chamado pela ONU como a ” Década de Ação para a Segurança Viária”

A Agência Nacional de Transporte de Passageiros coordenou trabalho com uma série de organismos públicos e privados para propor ações que permitirão que o Brasil consiga atingir este objetivo. O presidente da ANTP, Ailton Brasiliense, enviou o resumo do documento que contém 40 páginas nas quais estão descritas as medidas a serem adotadas nas cidades brasileiras.

Tomo a liberdade de reproduzir este material – apenas o sumário executivo – para compartilhar com você algumas das ideias e abrir a possibilidade de uma discussão mais profunda sobre o tema.

PLANO NACIONAL DE REDUÇÃO DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NA DÉCADA 2011-2020

PROPOSTA PARA O GOVERNO E A SOCIEDADE BRASILEIRA

A Organização das Nações Unidas – ONU, em Assembléia Geral realizada em março de 2010, com base em estudos da Organização Mundial de Saúde, estabeleceu a década 2011-2020 como a Década de Ação para Segurança Viária, convocando todos os países signatários da Resolução, e o Brasil foi um deles, para desenvolver ações para a redução de 50% de mortes em 10 anos.

Para mobilização mundial, e como subsídio aos países membros, a ONU lançou dois documentos – o “Global Plan” e o “Toolkit for Organizers for Launch Events”. O primeiro, contendo subsídios para o desenvolvimento de planos de ação nacionais e locais, e o segundo, contendo um conjunto de idéias para eventos de lançamento do Plano de Ações, marcado para o dia 11 de maio de 2011.

Os estudos de 2009 da Organização Mundial de Saúde – OMS, que motivaram a ONU a lançar o Plano Global, registraram 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Segundo esses estudos, se nenhuma ação mundial for empreendida, o número de mortes em todo o mundo poderá chegar a 1,9 milhão até 2020.

Os dados de mortes no Brasil são controversos, pela falta de um sistema seguro de estatísticas, e indicam números que vão de 35 mil a 50 mil mortes por ano. Na pior das hipóteses, no entanto, em comparação aos números apresentados pelo estudo da OMS, as mortes de trânsito no Brasil representam quase 3% das mortes em todo o mundo.

Estudos realizados pelo DENATRAN, ANTP e IPEA em 2004 e 2006, em aglomerados urbanos e nas estradas, respectivamente, estimaram o custo social dos acidentes no Brasil em cerca de R$30 bilhões, em valores de 2010.

Acrescente-se que grande parte dos recursos do Sistema Único de Saúde – SUS são drenados todos os anos para o socorro a acidentados no trânsito no próprio local do acidente, no transporte de vítimas, no serviço hospitalar e no processo de recuperação e reabilitação, prejudicando inúmeras outras pessoas com doenças graves a espera de atendimento público de saúde.

O relatório anual do DENATRAN de 2010 contabilizou a arrecadação de cerca de R$300 milhões para o Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito – FUNSET e de aproximadamente R$290 milhões provenientes do Seguro Obrigatório (DPVAT). Por lei, o FUNSET é composto por 5% dos valores de multa arrecadados em todo o Brasil, sendo possível calcular o total de recursos disponíveis para os órgãos executivos de trânsito em R$6 bilhões. Mantido o nível de arrecadação atual também no período de 2011 a 2020, só o DENATRAN disporá de FUNSET e DPVAT, ao fim desta década, de cerca de R$5,9 bilhões, enquanto os demais órgãos executivos de trânsito terão recolhido em valores de multa algo em torno de R$60 bilhões, recursos que precisam ser inteiramente aplicados no combate à violência no trânsito.

É indispensável rever-se, no entanto, a verdadeira cultura da impunidade no Brasil, da qual participam não apenas cidadãos comuns, mas parte das estruturas do executivo, legislativo e judiciário e de setores da sociedade e a mídia, a estimular, por um lado, a prática de atos infracionais e toda sorte de ilegalidades e fraudes e, por outro, contingenciar os recursos legais, ou direcioná-los a outras iniciativas governamentais, tornando os órgãos de trânsito incapazes de cumprirem com eficiência suas competências.

Por todos estes motivos, apoiados nos documentos divulgados pela ONU, no Plano sugerido pelo Comitê Nacional de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito, coordenado pelo DENATRAN, nos princípios contidos no Manifesto da Frente Parlamentar de Redução do Acidente de Trânsito e nas contribuições de inúmeras outras entidades e profissionais colaboradores, a Associação Nacional dos Transportes Públicos – ANTP, por meio da Comissão de Trânsito, o Instituto de Engenharia de São Paulo e o Conselho Estadual para Diminuição do Acidente de Trânsito e Transporte do Estado de São Paulo – CEDATT, apresentam uma proposta de Plano Nacional de Redução de Acidentes para a Década 2011-2020, organizado segundo seis pilares estratégicos: gestão, fiscalização, educação, saúde, segurança viária e segurança veicular, com os seguintes objetivos estratégicos:

Gestão: Instituir uma gestão eficiente e capacitada, baseada em eficientes sistemas de informações e de indicadores de desempenho, capaz de coordenar adequadamente o Sistema Nacional de Trânsito e as ações e os recursos disponíveis, com planos de metas e acompanhamento permanente. Destaca-se o fortalecimento do órgão executivo federal (Denatran) e a criação do Observatório Nacional, este constituído por entes de governos e da sociedade civil, com o objetivo de observar e acompanhar os planos de governo.

Fiscalização: Promover fiscalização eficaz e eficiente em todo território nacional, por meio de recursos humanos, tecnológicos e de sistemas informatizados de gestão, em especial focada sobre atos infracionais e fatores de risco dos quais possam resultar riscos de acidentes e mortes no trânsito, tendo como princípio a reeducação e a redução da impunidade.

Educação: Mobilizar os setores governamentais e não governamentais, empresariais, educacionais, técnicos e acadêmicos para que participem e adotem ações educativas que promovam o respeito às regras de trânsito, às pessoas e ao meio ambiente e que incentivem os cidadãos a desenvolverem um comportamento mais seguro, ético e solidário no trânsito.

Saúde: Promover a saúde voltada para a mobilidade urbana, em especial o estímulo e o fomento de ações práticas para a redução de mortes ou da gravidade de lesões às vítimas de acidente de trânsito, capacitar os agentes de saúde, assim como promover a educação para o trânsito por meio das redes de assistência da saúde em comunidades.

Segurança Viária: Prover as vias urbanas e rodoviárias de infra estrutura física e de sinalização que dê prioridade ao transporte coletivo e aos não motorizados e que proporcione a segurança de todos os usuários da via, em especial o desenvolvimento de ações voltadas para os principais fatores de risco e para os usuários mais vulneráveis no trânsito, como os pedestres, ciclistas e motociclistas.

Segurança Veicular: Realizar o controle sobre a frota de veículos automotores, na fabricação e no uso, de forma a melhorar os níveis de segurança veicular e reduzir os níveis de emissão de poluentes. Criar programa de incentivo financeiro para substituição da frota de veículos fora das condições de segurança e de alto custo para recuperação.

Desta forma, convocamos a sociedade brasileira, assim como os membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário a nos comprometermos com a meta proposta pela ONU de redução de 50% de mortes por acidente de trânsito na Década 2011-2020 e, se possível, preservarmos e qualificarmos um número maior de vidas.

“O Estrangeiro” vai resistir a renovação do Anhangabau

 

Estrangeiro

Por Marcos Paulo Dias
jornalista e ouvinte-internauta

Acabei de ler a informação publicada no Diário Oficial do Município de São Paulo, de 08/04/2011, que o prédio do Sindicato dos Comerciários na Rua Formosa , Vale do Anhagabau, foi desapropriado e será demolido pela Prefeitura. Na lateral deste prédio há um personagem batizado “O Estrangeiro” que parece estar só e perdido. É um grafite gigante, pintado pela dupla Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como Os Gêmeos.

O prédio começa a ser demolido neste mês, manualmente, como o foram o São Vito e o Mercúrio. Desconstrução que pode levar até três meses e não deve oferecer risco aos prédios tombados nas proximidades. O objetivo da prefeitura fazer ali o Complexo Praça das Artes, com mais de 28,5 mil m², conjunto de espaços culturais ligados por um boulevar, oferecendo novo visual ao Vale do Anhagabaú.

De imediato veio na memória, o registro que fiz no ano passado do personagem criado e pintado pelos Gêmeos. Segundo informação publicada no Diário Oficial, a prefeitura pretende manter a fachada do prédio onde funcionava o antigo Cine Cairo, edifício vizinho. A opção da prefeitura em manter a fachada do prédio onde foi o cine, embora ele não seja tombado, foi por conta da importância dele para cidade.

Coleta no buraco e fogo no lixo

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Lixo atolado

Sábado, 12 de fevereiro. Por volta da uma da tarde, um caminhão de coleta de lixo teve suas rodas engolidas por um buraco na Avenida Dona Belmira Marin, número 4.200, Grajaú, na Capela do Socorro, zona sul. Até às três e meia, o veículo ainda não havia sido retirado do buraco. Garis afirmam: “Isso acontece sempre, mas quase ninguém fica sabendo.”

Lixo no Grajau 1

Enquanto um caminhão de coleta afundado era a atração em um ponto da Avenida Dona Belmira Marin, a poucos metros dali, no número 2577, uma outra cena de fazer inveja à ‘blitz do lixo’ de Beto Tatu, acontecia: o lixão que demora para ser recolhido, segundo os moradores, queimava e incomodava quem passava pelo local.

Foto-Ouvinte: A feira de orgânicos na Água Branca

 

Feira organica

Foto e recado do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo:

Frequentador assíduo do parque Fernando Costa(Água Branca)não poderia de deixar de comentar o que ocorre lá todos os sábados pela manhã. Todo mundo com suas sacolinhas recicláveis, uma feira de verdade, mas muito especial, todos produtos responsalvemente orgânicos. O ambiente natural com faizão, muitas galinhas ao redor, dão um tom muito especial.

Mantega no País das Maravilhas

 

Por Frederico Mesnik

Certa vez, nos tempos em que ainda era permitido, voltei em um vôo da Varig dentro da cabine do piloto. Perguntei de tudo, mas o que me chamou a atenção foi a aparente sensação de descontração entre os pilotos. Falavam de tudo, menos do vôo. De vez em quando, pelo canto do olho monitoravam algum instrumento, mas nada que justificasse algum ajuste. “Estamos em piloto automático”, justificou o comandante. “Voamos em céu de brigadeiro, sem nuvens carregadas à frente e nosso próximo check-point está a 2.000 milhas”, complementou o co-piloto que percebera minha inquietação sob o oceano a 33 mil pés em total escuridão.

O fato é que nesta situação o avião voa tranquilamente em piloto-automático, mas é durante uma turbulência, uma mudança de rota, ou a necessidade de alguma manobra que o piloto mostra seu talento; do futebol ao painel de controle em milissegundos dos fatos às decisões na fração necessária para colocar a aeronave de volta ao prumo.

Durante anos surfamos as ondas da prosperidade, dos ventos a favor, do céu de brigadeiro, e o Brasil decolou no piloto automático. Vieram as nuvens bem carregadas de 2008 com rajadas fortes, fechamos os flaps e subimos à altitude para novo cruzeiro. E agora, precisamos aterrissar de forma suave, com combustível baixo, pouca visibilidade e ventos que empurram a aeronave rumo ao chão. Porém, o piloto ainda age como se pilotasse um planador.

Nos meus mais de 20 anos de mercado financeiro, não me lembro de um momento tão delicado, com tantas situações interligadas prestes a estourar. Sinto-me como o Mário Bros® na primeira versão do Donkey Kong® em que o gorila frenético, atira do topo de um prédio, barris em direção ao pobre encanador que luta com veemência para desviar das ameaças rumo ao cume e salvar sua princesa.

O mundo, na nossa analogia, o valente Mário, luta para crescer e conquistar um crescimento sustentável de longo prazo. Porém, a cada minuto surgem novos barris e nosso gorila não hesita em atirá-los, com intuito de desaprumar a economia global da expansão. Do problema da impagável dívida soberana dos países periféricos do bloco europeu, dos levantes no Oriente Médio, terremoto no Japão, desemprego nos países desenvolvidos e inflação à alta incessante dos produtos agrícolas, o mundo vai caminhando para desviar com destreza das ameaças ao seu crescimento.

E o governo brasileiro, parte deste imbróglio, vai tocando seu dia a dia, em clara negação dos riscos inflacionários, com medidas isoladas sem efeito, desafiando o mercado e afugentando investidores estrangeiros. Como se houvesse certa esperança de que no final, tudo dá certo, de que Deus nasceu aqui. Enquanto isso, os índices de inflação vão rompendo o teto da meta estabelecida pelo Banco Central e o governo, assiste nas arquibancadas a confiança do consumidor, esvaindo-se.

O jogo é o mesmo, mas o nível de dificuldade é muito maior com mais barris para acertar a cabeça do bravo Mário. Porém, independentemente do barril, cada um individualmente tem o poder de descarrilar o mundo da sua rota de recuperação de crescimento da pior crise financeira desde a Grande Depressão.

O mundo está em um momento complicado e os mercados refletem esta falta de visibilidade. A inflação corre solta e nossos líderes globais vão tomando medidas isoladas, sem coordenação alguma num mundo globalizado e interligado, em que um ato do lado de lá afeta o lado de cá, quase sempre de forma instantânea. Pelo jeito algum barril ainda vai acertar nosso pobre Mário antes que ele adquira a destreza para enfrentar os obstáculos à frente e salvar sua princesa amada.

Por aqui, o governo já disse que não cumpre a meta em 2011, mas sim em 2012. O ponto não é o número em si, mas a perda de credibilidade num momento de tantas dúvidas.

Credibilidade traz investimentos de longo prazo e consumo. Um aumento substancial das expectativas inflacionárias afugenta tanto o capital de longo prazo como o consumidor, ambos os alicerces essenciais para nosso crescimento. Infelizmente, parece que a economia brasileira vai piorar antes de voltar ao seu prumo. A incoerência matemática de querer controlar a valorização do real ao mesmo tempo em que se tenta domar a inflação por meio do aumento de juros, mostra a falta de coordenação e excesso de confiança que rege nossa Fazenda e Banco Central.

Fica difícil ser um otimista num mundo tão conturbado em que os preços dos alimentos e da principal fonte de energia estão em patamares elevados e sem perspectiva de alívio num horizonte visível. O cenário é delicado e precisamos ser muito seletivos nos nossos investimentos. Não há como ficar imune às volatilidades inerentes da falta de visibilidade.

Nos dias de hoje vamos gerir como pregam os textos clássicos do Tai Chi Chuan:

Vencer o movimento através da quietude (Yi Jing Zhi Dong)
Vencer a dureza através da suavidade (Yi Rou Ke Gang)
Vencer o rápido através do lento (Yi Man Sheng Kuai)

E com isso, vamos colher os frutos da paciência e da perseverança naquilo que conhecemos e acreditamos. O dinheiro sempre persegue os bons investimentos e sabemos que conforme nossas empresas forem divulgando seus resultados vamos nos beneficiar. Há liquidez abundante de capitais no mundo e o Brasil tem grandes oportunidades.

Isso, se o governo não atrapalhar.

Frederico Mesnik é gestor de recursos, mestre em Administração de Empresas pela London Business School, especialização em Finanças pela Universidade de Chigago, GSB, e escreve no Blog do Mílton Jung

De pai e mãe

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De pai e mãe” na voz e sonorizado pela autora

Somos dependentes de deuses, da mesma forma que são dependentes de nós, os filhos. Somos dependentes, cada um na sua medida, de objetos, sensações, hábitos, entidades, crenças. Não resistimos ao invisível, intocável, inatingível, impensável. E lhes conferimos poder. Nas suas mãos depositamos a responsabilidade que deveria ser nossa.

Há deuses para todos os gostos: os que exigem algumas coisas, os que são contra outras, os que têm emoções humanas como ira, vingança, preferência; e todos têm seus inimigos também. Como nós.

Não sei como são os teus deuses, nem qual é o grau da tua dependência. Nem você sabe, mas vou enfrentar a minha, com tudo; com minhas células, meu sangue, meus músculos. Com a consciência.

Quando digo: Deus! – Criador, Pai, Mãe, Grande Ser – me dirijo a uma entidade desconhecida, raras vezes intuída, questionada, idolatrada, traduzida nas mais diversas línguas, pelos mais diversos corações.

E digo: Pai! – Mãe – dá-me força para que eu não bata o pé feito criança mimada, sempre que alguma coisa não toma o rumo que eu esperava que tomasse. Pai! – Mãe, Irmãos invisíveis, Anjos, Arcanjos, Entidades de todas as raças, de todos os credos, Devas da Natureza, Natureza – olha para mim que sou pequena, frágil, solitária e que vivo em busca do ponto de origem que mora em mim, e que é a fagulha que faz existir tudo o que deve existir. Eu sei que está ali, em algum lugar, em mim, no outro, em tudo o que é; um ponto mágico para ligar e desligar, aqui e ali, para que eu me equilibre, que possa oferecer amor, respeito, consideração, solidariedade, e para que eu aprenda a atrair para mim, o mesmo, e mais.

Pai! – Mãe, Senhor dos Mares dos Ares, da Terra, Ondinas, Fadas Silfos, Senhor da Lua e do Sol – ilumina minha consciência, para que eu, de algum modo, encontre o que procuro. Ilumina minha consciência para que ela perceba quanto ainda é pequena, e quanto espaço ainda precisa ocupar.

Mãe! – Pai, invisíveis, visíveis, faz o mesmo a todo aquele que demonstrar no coração, que busca o mesmo que eu. Mesmo que não saiba expressar esse desejo. E o mesmo a todos os outros, à minha esquerda, à minha direita, que vão lá na frente e aqueles de quem ouço os passos, ali atrás.

Você ouve? você pensa nisso? ou não…

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

“Sou gay e sou feliz”

 

Por Dora Estevam

Estas foram algumas das palavras de Ricky Martin na entrevista ao apresentador Jay Leno do The TonighShow.

O cantor, de 39 anos, um sexy symbol, manteve sua sexualidade em segredo até recentemente.

Neste post separei dois trechos da conversa dele na NBC:

Em resumo, Martin foi o símbolo do sexo, dançava , enlouquecia as meninas, e contruiu uma imagem que o impedia de dizer que era gay.

Imagino, hoje, o alívio dele poder assumir esta condição.

Na entrevista, Ricky Martin diz que graças a revelação se sente abençoado e feliz. Ainda dá conselhos para os homossexuais. Sugere que saiam do armário: “Eu só digo às pessoas para cuidar de si e se concentrarem na dignidade e auto-estima; e olhar mais no espelho e dizer: eu amo você, tudo é legal!”.

Destaco esta entrevista justamente na semana em que o Superior Tribunal Federal decidiu legalizar a união estável homoafetiva que inclui o Brasil na lista dos país que reconhecem os casais homossexuais como entidade familiar.

A decisão veio num momento justo, pois questões de garantias de uma relação reconhecidas pela justiça podem ser comuns agora entre os homossexuais: pensão, herança, comunhão de bens e previdência. Casais que já moram juntos e querem filhos também poderão se beneficiar uma vez que a lei facilita a adoção.

As campanhas pelo mundo no combate ao preconceito e violência contra gays ganham força, também. O estilista Marc Jacobs criou uma camiseta em favor da união gay (entre pessoas do mesmo sexo) com frases tais como “Eu pago impostos. Eu quero meus direitos”. E se você quiser vesti-la, a camiseta está à venda no site da Human Rights Campaign por $ 35 dólares – dinheiro que ajudará nas iniciativas da ONG.

“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”, disse a ministra Ellen Gracie.

Aos 60 mil casais homossexuais que moram no Brasil (dados do IBGE) desejo parabéns pela conquista.

E a todos nós, aproveito, para desejar um Feliz Dia das Mães.