Dona Zulmira do Capão Redondo

 

Dona Zulmira do Capão


Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Dona Zulmira dos Santos é um exemplo de vida. Simpaticíssima, de fala pausada e cheia de otimismo; baixa, de corpo franzino -, o seu semblante  é sereno e profundo, lembra a freira baiana, Irmã Dulce. Dona Zulmira tem 80 anos, coleta recicláveis e pensa no futuro. No domingo, 03/4, subia a ladeira  Modelar, no Capão Redondo, zona sul, onde mora, carregando na cabeça uma banheira plástica com quinze quilos de jornais e revistas  :

“Não é porque sou de idade que vou ficar o dia inteiro dentro de casa, criei  os meus oito filhos com muita garra. Trabalho todos os dias e sou feliz.  Vou ao ferro velho bem cedo, vender tudo. Com a banheira vai dar uns dois reais e cinquenta. Vou comprar meia dúzia de bananas e um pacote de bolacha.

Minha casinha é simples ,bem arrumadinha, vale uns quarenta mil . Penso em vendê -la e dividir o dinheiro com os filhos e netos, para não dar briga quando eu morrer.”

             
Dona Zulmira mostra com orgulho um quadro pequeno que acabara de encontrar no lixo : a imagem de um pescador  recolhendo a rede , sem nenhum peixe .
 
A mineira  de Teófilo Otoni , manda um recado :  ” O importante é não parar, não esmorecer.”
 

De diversidade

Por Maria Lucia Solla

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Estou sempre em ebulição. Dentro de mim, ora espoucam fogos de artifício, ora pedras. Pode haver choro, riso, gemido de dor, congratulação, lagosta e champanhe, salame e tubaína; tem esperança e desesperança, compreensão e o seu inverso, mas é sempre festa; não sei o que é tédio. Isso é parte do que sou, e nessa parte eu não saberia ser diferente, nem que quisesse.

Dá uma trabalheira danada viver assim, mas esse tipo de coisa a gente não escolhe; vem de fábrica, feito carro. Um Fusca, por exemplo, não tem a imponência de um Volvo, e um Volvo jamais terá o charme divertido de um Fusca; sem contar que um nunca terá a oportunidade de experimentar o que é ser o outro.

Dito assim parece óbvio, mas não é. Esse é, na verdade, o caroço do angu, o marco zero dos problemas, pelo fato de não termos aceitado, entendido e assimilado a realidade. Vivemos exigindo que o outro se comporte segundo regras da cartilha que adotamos, que reaja como esperamos que reaja, segundo regras da nossa emoção, e que perceba a vida como nós a percebemos.

Impossível!

Somos receitas exclusivas. Não existem dois de você e nem existem duas de mim. Somos únicos, mas vivemos reclamando, porque o outro não se ajusta à nossa medida, peso e valor. Então passamos uma parte preciosa da vida focados em inútil e surreal tarefa: tentando colocar o triângulo no círculo, e o quadrado no retângulo. E pensar que é um dos primeiros brinquedos que recebemos de nossos pais, damos para os nossos filhos, que dão aos seus.

Somos separados dos nossos brinquedos de criança, e, neles ficam aprisionados muitos de nossos castelos e sonhos. Somos levados a acreditar que é preciso deixar essas coisas-de-criança para lá, e que seus vestígios devem ser bem apagados, e usamos “criancice” como termo pejorativo. Assim, confundimos maturidade com sisudez, responsabilidade com ausência de prazer.

Vivo passando a limpo meus valores, pesos e medidas, e sorrio quando me vem a lembrança da língua de Einstein que gritava, sem quebrar o silêncio: tudo é relativo! E entendo que nenhum de nós é superlativo quando desdenha a diferença que lhe serve de alimento.

Quero viver cada dia mais festa, rir, chorar, maquiar meus sentimentos no limite possível, quando não for possível mostrá-los nus; quero calibrar meu equilíbrio entre o freio do Fusca e o freio do Volvo, Quero sonhar, ser e constantemente aprender a ser, banhada pela possibilidade ofertada pela diversidade. Quero ser plena, no grito e no silêncio, na dor e no amor.

E você? Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Mara Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão, e escreve no Blog do Mílton Jung, aos domingos.

Maquiagem, faça você mesmo

 

Por Dora Estevam

Até há pouco tempo para uma boa maquiagem era preciso ir ao salão de beleza ou chamar um profissional em casa. Raramente alguém sabia fazer a sua, em alguns casos era necessário até a ajuda da tia mais velha que já tinha experiência dos anos 60, nos quais as moças andavam bem maquiadas. A informação se multiplicou com os profissionais publicando livros, com desenhos e dicas, que ajudaram as pessoas a fazer em casa e aprender a função.

Agora, basta um clique na internet e a quantidade de vídeos sobre maquiagens é incrível. São muitas opções, e de carona as “professoras” ensinam, também, a montar cabelos de celebridades, muitos dos quais fazem sucesso e as meninas querem. Tipo o cabelo da Byonce, da Gisele, Fernanda Lima, o coque rosquinha, por exemplo. São muitos.

De tudo que eu vi, gostei muito das dicas da  Julia Petit que faz isso com extrema graça e bom senso. Outro dia passei a tarde empolgada com as informações dela. Adorei. Óbvio que não posso por tudo aqui, mas pelos menos dois deles eu quero que você assista comigo.

Num ensina a fazer o cabelo da Gisele:

Neste outro, fique atenta para a bela maquiagem marrom:

Gostei também do trabalho de uma amiga, a Cris Tamer, ela é editora do blog The Betty, com a Sofia Alckmin. A Cris participou do lançamento de uma marca de produtos para maquiagem e aproveitou para fazer um vídeo sobre o assunto. Na produção, ela chegou sem maquiagem, com o rosto lavado e fez um make suave próprio para o dia. Detalhe: tudo sem pincel, somente com os dedos. Isso mesmo, dedos para blush, gloss e sombra. Veja que legal.

Tem também um editorial de beleza da revista The Gentlewoman que traz seis maneiras de passar blush, cada um com efeito diferente, dependendo do ângulo do rosto é notável a diferença. Verdadeira obra de arte. O responsável é Peter Philips, o mestre dos pincéis da Chanel. A modelo é a Abbey Lee, fantástica.

Agora é com você. Que seja mais uma motivação para sair de casa toda bonita, mais do que você já é. Inspire-se !

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Foto-ouvinte: O tapume comeu

 

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Placa que alerta pedestres para a existência de ônibus no sentido contrário desapareceu com o tapume desta obra na esquina da rua Salto com a Avenida Brigadeiro Luis Antonio. O autor da foto, ouvinte-internauta Paulo Elias Gonçalves, chama atenção também para outra coisa importante para o pedestre que sumiu: parte da calçada.

Fórum rebate críticas a Seminário de Educação

 

O texto a seguir, foi enviado por Airton Goes,
coordenador do Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira – uma das organizações que promoveu o 1º Seminário de Educação Infantil da Cidade Ademar e Pedreira, em resposta ao post assinado por Devanir Amâncio, da ONG Educa SP (leia aqui)

Por Airton Goes

Os organizadores do 1º Seminário de Educação Infantil da Cidade Ademar e Pedreira, realizado sábado (26/3), têm uma avaliação muito positiva do evento. Os objetivos do encontro foram atingidos e a sociedade local saiu fortalecida para realizar outras ações e cobrar do poder público a ampliação de vagas em creches e EMEIs na região.

Como ainda não há um movimento por creche e pré-escola que organize e mobilize as mães da região – o que seria ideal –, a estratégia dos promotores da iniciativa foi focar o seminário em três objetivos: realizar um debate qualificado, entender melhor os problemas causados pela falta de vagas no ensino infantil e estimular as organizações e lideranças locais a se envolverem com o tema.

Tendo em vista os objetivos escolhidos, os organizadores optaram por um seminário de dia todo (das 9 às 17 horas) – o que certamente dificulta a participação das mães. Como resultado da estratégia definida, poucas mães compareceram ao evento – duas delas relataram publicamente suas dificuldades perante o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.

Por outro lado, a qualidade do debate foi um dos pontos fortes do seminário, que contou com a participação de Ariel de Castro, ex-conselheiro do Conanda (2007/2010) e atual vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB, Maria Stela Graciani, coordenadora do Curso de Pedagogia da PUC-SP, e Samantha Neves, coordenadora do GT Educação da Rede Nossa São Paulo.

Os questionamentos apresentados ao ministro e ao secretário foram debatidos e elaborados pelos participantes de quatro salas temáticas: “Consequências pedagógicas e sociais da falta de vagas em creches e EMEIs”; “Legislação e direito da criança”; “Política de convênios”; e “Como a sociedade se organiza para enfrentar o problema”. Embora as respostas de ambos não atendam as reivindicações da população, o entendimento dos organizadores é que a presença deles no evento foi muito importante.

Para algumas entidades talvez seja comum ter secretários e ministros em seus eventos, mas na periferia da cidade isso é uma raridade. Razão pela qual é perfeitamente compreensível o fato de os participantes terem aplaudido os dois representantes do poder público que vieram ao Jardim Miriam dialogar com a sociedade. O secretário municipal da Educação, inclusive, se comprometeu a retornar à região em 90 dias para ouvir as demandas da população sobre creches e EMEIs, o que contribui para a continuidade do movimento.

O próximo passo será realizar uma reunião – aí, sim, focando o convite a mães de crianças que estão fora do ensino infantil – destinada a discutir e elaborar as reivindicações a serem apresentadas ao secretário. A expectativa é que este encontro possa ser o embrião de um movimento organizado por creches e EMEIs na Cidade Ademar e Pedreira.

Os organizadores do seminário informam, ainda, que 252 pessoas se inscreveram para participar do evento. De acordo com as fichas de inscrição, a grande maioria dos participantes era constituída por estudantes, educadores e integrantes de entidades sociais e movimentos populares da região.

Talvez a estratégia de focar outros objetivos – e não a presença de muitas mães no evento – não tenha sido compreendida ou aceita por quem não conhece a realidade local, mas os promotores da iniciativa têm a convicção de que foi a melhor escolha para que o movimento se fortaleça e tenha continuidade.

Outras informações sobre o seminário estão disponíveis no blog Seminário de Educação Infantil

Critérios para construir não são respeitados, diz Whitaker

 

De aprisionamento

Na carta de Maria Lucia Solla, publicada domingo neste blog (leia aqui), a pergunta era simples: quais os critérios que a prefeitura usa para autorizar a construção de prédios ? Muitos ouvintes-internautas deixaram sua contribuição com respostas ou apenas compartilhando suas percepções sobre a maneira como a cidade está sendo ocupada e mal planejada.

No Jornal da CBN, desta terça-feira, fiz a mesma pergunta para o coordenador do Laboratório de Habitação da USP João Sette Whitaker. Para ele, a decisão de se permitir a construção de mais prédios, sejam residenciais ou comerciais, em bairros da capital, tem como base a lei de zoneamento. Os critérios são, aparentemente, simples: capacidade de infraestrutura, de incomodidade e a manutenção das características da cidade.

Complexa é a execução destas regras. O professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Urbanismo da USP e do Mackenzie disse que, no caso de São Paulo, os critérios acima não são respeitados, além do fato de a legislação ser branda com as construtoras. Cobrar compensações e usar este recurso para melhorar o ambiente urbano seria um dos caminhos para dar mais qualidade de vida ao cidadão, na sugestão dele.


Acompanhe a entrevista de José Sette Whitaker, ao Jornal da CBN

Seminário sobre creche tinha de tudo, menos mães

 

Pintura de criança

Por Devanir Amâncio
ONG Educa São Paulo

O seminário sobre o  crônico problema da falta de creches e Emeis na cidade de São Paulo, no sábado, 26 de março,  no Jardim Míriam, região de Cidade Ademar,  Zona Sul, estava repleto de assessores de políticos, funcionários e professores da Escola Estadual Yolanda Bernardini, onde aconteceu o evento.

Nada de importante foi anunciado pelas autoridades. Poucas cobranças e muitos aplausos para o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider. Ambos afirmaram que dinheiro não falta para a educação.  

Dona Maria de Fátima saiu frustrada, mora na favela Elba, perto dali, tem duas crianças à espera de vagas -,  estava com um carrinho de mão na porta da escola,por volta das duas horas,  atrás de  cesta básica e informações sobre os benefícios sociais do Governo. Dona Fátima, não  entrou para os discursos, não permitiu  que fosse fotografada, mas deu uma dica importante :
 
“Tem uma creche fechada na Av. Dona Belmira Marin, no Grajaú, desde dezembro do ano passado, os filhos de uma amiga minha eram matriculados na escolinha, é uma creche muito grande, tem dois prédios bonitos… de um, já roubaram duas janelas …. fica em frente à escola do Estado Adelaide Rosa, uma escola pixada de cima em baixo. A creche com certeza tem alguma coisa a ver com a Prefeitura, porque era um entra sai de gente da Educação… É de lá que precisa tirar foto para saber o porque a creche está fechada …se todo mundo tá procurando e falando de creche. E pode anotar aí o meu endereço.” 

O advogado Manoel Del Rio , presidente da ONG Apoio – Associação de Auxílio Mútuo , justificou a sua ausência no seminário:

“Estou reunido com alguns voluntários, estudando a dívida da Prefeitura de São Paulo com o Governo Federal, dados que pegamos no Conselho Regional de Economia (CORECON – SP) . Estamos assustados ! O orçamento da Prefeitura para 2011 é de 36 bilhões de reais, a dívida é de 52 bilhões. A Prefeitura vai pagar só de juros neste ano 3 bilhões e mais 4 bilhões de parcelas da dívida. Queremos traduzir isso de forma simples para as comunidades. Pretendemos organizar um seminário nos próximos dias e trazer o Governo Federal para discutir o assunto. Não há outro caminho : é preciso renegociar a dívida de São Paulo. Os juros causam grandes estragos sociais à nossa Cidade… Se investisse um bilhão por ano dos juros da dívida na educação infantil, daria para suprir significativamente a carência de creches e Emeis, e com um pouco mais , fazer melhorias na escola pública, na rede de sáude e construir nova casas populares.”

De céu e sol aprisionados

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De aprisionados” na voz e sonorizado pela autora

Senhor Prefeito,

é com o respeito de quem não tem a mínima ideia de como se administra uma cidade inteira, particularmente uma cidade como São Paulo, que venho tomar do seu tempo uns minutos para fazer uma pergunta que tem perturbado muita gente.

Preciso saber como é que o senhor faz para decidir se um prédio pode ser erguido numa região, ou se não pode. Toda edificação precisa da permissão dos administradores da cidade, certo? Seja ela uma padaria, banca de jornal, casa, edifício ou condomínio.

Pois bem, na verdade, quero saber quais são os critérios que determinam autorização ou rejeição ao pedido de construção. Essa é a minha pergunta, mas sinto que devo dar ao senhor ao menos um motivo pelo qual a estou fazendo.

Em 2001 escolhi o bairro onde moro desde então, e vou lhe dizer quais foram os meus critérios: a área tinha muito verde, poucos prédios, casas, três boas padarias e três acessos de entrada e de saída para outros bairros da cidade. Ando de carro, não uso o transporte público, portanto, era muito importante me certificar de que eu poderia me deslocar com relativa facilidade. Nessa época, ainda não tínhamos a ponte estaiada.

Dois anos depois, uma ciranda de prédios começou a cercar o meu, os outros, e as casas. Altos e truculentos. Famintos, engoliram famílias que também escolheram este bairro pelas vias dos critérios delas. Outros dois anos se passaram e os prédios continuaram a se multiplicar, feito praga, sem planejamento, uns se metendo na frente dos outros, sem o mínimo respeito, como fazem os humanos. Temos hoje, em vez de três, seis excelentes padarias, mas onde era possível sentar, no final de semana para um café da manhã relaxado, na companhia de um bom jornal ou de amigos, a gente enfrenta fila.

Mais quatro anos se passaram e hoje é quase impossível circular dentro do bairro. Tem fila para sair da garagem e entrar na outra fila nervosa que desde o nascer do sol serpenteia desordenada, regendo um coro desafinado de buzina. Olho em volta e o que vejo? Vejo muitos outros prédios em construção. Bate estaca daqui, bate estaca de lá; é a paisagem e a melodia que nos restam. Lembrando que esses prédios engolirão mais e mais famílias que vão trazer seus carros e esperam entrar e sair da região, como quem já está aqui.

Sei que esse desconforto não é privilégio deste bairro, mas se o senhor disser quais são os ditos critérios – que imagino envolvam o número de habitantes da região, as artérias que bombeiam gente que vai e que vem, capacidade de esgoto, transporte público, água, gás – a gente pode tentar se conformar, se for isso o que o senhor espera de nós. Se o senhor, mexendo na papelada, encontrar desmandos nas pastas, que tal acabar com eles e se transformar no nosso prefeito-herói?

Vou parando por aqui para não tomar o seu tempo. Há que administrar, eu sei. Agradeço por sua atenção ao meu relato e aguardo, ansiosa, pela resposta.

Atenciosamente,

Maria Lucia Solla

PS: Moro na Vila Andrade, também chamada de Panamby, Jardim Sul ou Morumbi.

Maria Lucia Solla é terapueta, professora de língua estrangeira, promove curso de comunicação e expressão e, aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Clique aqui e veja álbum sobre ocupação do bairro por prédios

Coroas chics


Por Dora Estevam


 
Seja em SP, Milão, Florença, Londres, Paris ou qualquer outro lugar, não importa. O que importa é se mostrar ao mundo da melhor maneira possível. Se possível da maneira que agrada aos olhos de quem os vê. E, principalmente, de quem os veste.

São os coroas chiquérrimos que encontrei nas imagens de fotógrafos espertos e antenados pelo mundo e pelas pessoas. Gente normal, que circula pelas ruas livremente como cidadão comum.

Nas clicadas, o que se nota é a opção de se vestir da maneira mais clássica e chic possíveis. É aparentar a idade através da roupa e do comportamento, sem precisar esconder nada (deles próprios ou de ninguém).
 
A verdade é mostrada a olho nu. As rugas, o cabelo branco, a pele envelhecida, que num toque de classe fica maravilhoso e agradável aos olhos.
 
Veja esta foto da brasileira Costanza Pascolato, editora da Revista Vogue Brasil, na qual surge toda sorridente e muito feliz. Ela foi fotografada pelo Sartorialist. Simplesmente um dos melhores do mundo da moda pela internet.


 
A foto poderia ter vindo sozinha, mas ganhou ainda um comentário do fotógrafo: “Costanza é ótimo exemplo de como a mistura de estilo e moda funcionam, ela tem um jeito incrível de manter um estilo consistente e pessoal, e está sempre se atualizando com itens da moda.”
 
É maravilhoso encontrar pessoas que transmitem este sentimento. Ainda mais representando o Brasil.
  
Ela estava abençoada no dia da foto: a boca estava linda; os olhos, maravilhosos; o brinco, super discreto; o cabelo arrumado elegantemente; a pele envolta do pescoço no ponto certo; nem mais, nem menos. Resumindo, uma expressão fantástica captada pelo fotógrafo.

 
 
Acho que todos têm a oportunidade e a liberdade de envelhecer como quiserem, se cuidando ou não, mas quando nos deparamos com fotos de pessoas que se preparam para viver melhor os últimos anos da vida é muito empolgante.
 
Não gosto do estilo extravagante, mas o estilo mundano me desagrada. E isto vale para ambos os sexos.
 
Já sei da preferência de homens pelos jeans e camisetas, não é esta a questão, é o controle do seu jeito de se vestir, é a maneira com que você encara a terceira, a quarta idade ou mais. Vai desistir ou vai enfrentar. Os problemas chegam com a idade, mas a ideia é enfrentá-los e seguir adiante.
 
Já imaginou como seria tudo sem graça: sem a adrenalina correndo no sangue; sem o trânsito; sem ter que buscar filho na escola; sem ter que chegar atrasado (inevitável); sem ter que pegar filas enormes no cinema? Seria chato, né?
 
Então enfrente com estilo, continue tocando a vida livremente e não se preocupe em esconder a idade. Seja você mesmo e verá que tudo fluirá melhor.
 
Faça seus exercícios regularmente, cuide a sua alimentação, vá à igreja e seja alegre e simpático (a) com os seus amigos e parentes.
 
Não queira mudar algo que nem você acredita, esta não é a hora de mudar de estilo, é a hora de aprimorar o que está feito.
 
 


 
 
 
 
 
 
Esta não é a primeira vez que falo dos idosos aqui neste blog, eu gosto da ideia de envelhecer naturalmente. Mas gosto também da ideia de ser graciosa de viver longe dos produtos químicos e cirurgias. Gosto da beleza natural.
 
Lembre-se, porém, a beleza vem da sua experiência de vida e não do que você veste. Vem de dentro para o rosto. As imagens que nós vimos aqui, dão certamente força para saber que a vida pode ser interessante e que é possivel viver sempre com entusiamo. Deixe a vida acontecer.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung