A beleza das negras e das asiáticas

 

Por Dora Estevam
 
Toda vez que começa a semana de moda brasileira vem à tona o assunto: modelos negras. Impressão que dá é que elas desaparecem assim que acaba a temporada. E com elas se vai o assunto. também.

Não sei o que acontece com as moças fora das temporadas. Este mês, por exemplo, a Vogue Brasil fez editorial dedicado às negras, com enfoque na brasilidade da mulher. Apenas confirma a regra: estamos em época de semana de moda, e depois?

Bem, as mulheres negras têm muito bom gosto, elas se vestem muito bem, sem contar a pele, o tipo físico e os famosos dentes. Realmente, são charmosas e atraentes.

E como todas as mulheres, arrasam nas ruas de São Paulo, Nova Iorque, Paris e Londres.

Acompanhe fotos de algumas dessas maravilhosas e super elegantes:


 

Outro tipo de mulher que dificilmente encontramos em passarelas ou editoriais são as orientais. Elas ficaram confinadas em bairros como Liberdade e Bom Retiro, em São Paulo. Mas, a forma e o estilo de como elas se vestem está muito longe dos típicos vestidos justos de cetim japoneses e chineses.

Estas mulheres arrasam no figurino, além do bom gosto nas combinações. Sem contar a cabeleira lindíssima. Aproveite algumas amigas fotografadas nas ruas que superam todo e qualquer preconceito:

Com estas belíssimas mulheres, tão exóticas e bem vestidas, não saia de casa sem antes das uma espiada, novamente, nas fotos. Vale a inspiração.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

As imagens deste post são do site Stockholm StreetStyle.com

Mais da metade dos moradores querem deixar São Paulo

 

Nova pesquisa sobre a percepção dos moradores de São Paulo mostra que o número de pessoas que querem deixar a cidade ainda é maior do que o daqueles que pretendem ficar por aqui. O trabalho é realizado pela Rede Nossa São Paulo, com coleta de dados do Ibope, e será entregue à cidade no dia 20 de janeiro. Reproduzo abaixo, parte do texto divulgado pela organização, agora à tarde:

Em resposta à pergunta “Caso pudesse, sairia de São Paulo para viver em outra cidade, ou não sairia de São Paulo?”, 51% das 1.512 pessoas pesquisadas responderam que sairiam. Outros 48% disseram que não sairiam e 1% não souberam ou não responderam.

Embora o percentual de moradores que revelam o desejo de morar em outra cidade ainda seja maioria, o índice caiu em relação à pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2009. Na ocasião, 57% dos pesquisados disseram que sairiam de São Paulo, se pudessem. No ano anterior – em novembro de 2008 – o índice foi de 46%.

Outro dado já tabulado – e que, certamente, é um dos pontos que influenciam a vontade das pessoas de viver em São Paulo – está relacionado à sensação de insegurança. Para a pergunta “Pensando no seu dia-a-dia, que situações mais fazem com que você sinta medo na cidade de São Paulo?”, entre as respostas mais citadas estão: “violência em geral”, “tráfico de drogas”, “alagamentos” e “trânsito”

Reciclar lixo e pessoas na cidade

 

Quatro momentos vividos de maneira despercebida na cidade de São Paulo foram flagrados pela câmera de Devanir Amâncio, da ONG EducaSP. O material enviado ao CBN SP por este que é colaborador constante do Blog se transforma em uma crônica da megalópole – o texto é do próprio autor das imagens:

Profissão entulho

Transporte de entulho no  Capão Redondo , Zona Sul.  Esquina da Rua Modelar com a Rua Integrada.

Reciclável na calçada

Que a reciclagem é a única fonte de renda para muitos ,principalmente para a população de rua , todos sabemos. O que  precisa, é mais atenção  e apoio da Prefeitura para que não seja feita assim, na calçada,invadindo o espaço do pedestre  na rua José Bonifácio, atrás do Palácio Anhangabaú, em frente ao Metrô, Centro.

Caçamba da Ecourbis

 A instalação de pelo menos mais duas caçambas  da Prefeitura na esquina da rua Domingos Peixoto da Silva com a rua Integrada,em frente à  creche Professora Wilma Alvarenga de Oliveira , no Capão Redondo, Zona Sul, seria o ideal para evitar ou diminuir a quantidade de lixo no chão.

Caminhão da feira

Transporte de trabalhadores em feiras  livres no Capão Redondo ,Zona Sul de São Paulo. Esta prática também é comum em outras regiões da cidade. Nem todos gostam de serem transportados assim e se escondem debaixo de caixotes. O transporte é chamado por eles de pau de arara.

Foto-ouvinte: Kombi da sucata

 

Coleta seletiva

A prefeitura que critica – e com razão – o cidadão que despeja lixo na rua bem que poderia olhar com mais carinho o trabalho realizado por esta turma que roda a cidade em situação precária e integra, informalmente, a rede de coleta seletiva.

A kombi em questão é um risco no trânsito, sem dúvida. Deveria estar na sucata em vez de transportá-la, mas sinaliza o espaço que existe para o poder público atuar neste mercado.

O colaborados do Blog do Mílton Jung, ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, encontrou este ‘catador’ na estrada do Imperador, região da Vila Verde, São Miguel Paulista, zona leste da capital:

… evitando o desperdício, recuperando o material que poderia ir para a lata de lixo e, de alguma forma, gerando renda, talvez até um meio de sobrevivência; fazendo uso da ferramenta que tem em mãos, no caso a kombi.

Minha pergunta é a seguinte: falta um serviço oficial capaz de atender a demanda que existe na capital ?

Resolvi ir mais longe, semana passada, após as festas de fim de ano. Fui visitar alguns depósitos de material reciclável – conhecidos por ferro-velho – e para minha surpresa a maioria estava com as portas fechadas, trabalhando internamente ou com horário reduzido par atendimento ao público e aos carroceiros. Conversei com alguns proprietários que informaram estarem organizando e separando o material coletado inclusive em escolas e condomínios e que a demanda é muito grande.

Sinal de que o consumo aumento nos últimos anos.

A chuva é natural, a tragédia é humana

 

Texto de abertura do CBN São Paulo desta terça-feira, dia 11.01, mais um dia de verão na capital paulista obrigada a encarar a ironia de comemorar sua fundação no mês de janeiro, quando costuma enfrentar seus dias mais difíceis:

… em que mais uma vez São Paulo sofre pela falta de planejamento e dinheiro desperdiçado; em que o paulistano fica parado em enormes congestionamentos e em meio a uma enchente que sequer é novidade; em que a imprensa soma números de mortos nas manchetes, são 9 apenas nesta madrugada, em uma matemática sem graça resultado do desrespeito com o ambiente urbano – entupido de obras, prédios, cimento, falta de cidadania e incompetência administrativa.

Somos todos responsáveis pelo que assistimos nesta terça-feira. Seja porque não cuidamos do nosso entorno; seja porque não cobramos de quem tem nas mãos dinheiro – o dinheiro dos nossos impostos – e equipamentos, também.

O rodízio de carros foi suspenso; mas o lixo que entope os bueiros, impede o escoamento da água, este continua circulando por toda a cidade, jogado indevidamente e esquecido pela prefeitura que se não tem capacidade para recolher é porque também não teve para educar.
As pessoas seguem despencando dos morros, embaixo de suas casas, construídas indevidamente, mas permitidas pela falta de opção oferecida pela prefeitura – a mesma prefeitura que entrega todo o ano a conta do IPTU para estes moradores.

Aqui no CBN São Paulo, os repórteres estarão na rua – como sempre – atualizando as informações, sobrevoando a cidade e monitorando os pontos de alagamento, porque a chuva de verão não tem como evitar, é da natureza. O que não é natural é a maneira como ainda aceitamos esta tragédia urbana sempre que o verão chega.

Kobra desenha São Paulo de 1925

 

A São Paulo de 1925 será retratada na fachada de um dos prédios da avenida Tiradentes em mais um trabalho do artista plástico Eduardo Kobra. A curiosidade do desenho que ocupará as duas laterais do Senac, na região central, é que pela primeira vez ele e equipe farão um painel em um espaço vertical. Durante todo o dia, estarão trabalhando a 40 metros de altura. Na série ‘Muro da Memória’, Kobra vai usar o espaço para reproduzir cena da rua Direita e do Viaduto do Chá. A ideia é entregar o trabalho até o dia 25 de janeiro, quando a capital paulista completará 457 anos.

Foto-ouvinte: Mobílias em chamas

 

Móveis queimados
 
Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Para o desespero dos profissionais da reciclagem e dos ambientalistas , o lobby do incinerador  trabalha a todo vapor  para limpar a cidade de São Paulo. Enquanto isso,há muito tempo,  a queima de  parte do lixo doméstico já é feita na Rua Modelar,no Capão Redondo, Zona sul. As chamas e a fumaça preta  que saem do “crematório”, no espigão da Cohab Adventista , podem ser vistas  da Subprefeitura de Campo Limpo.
 
                                                                                       Devanir Amâncio

Da maçã



Por Maria Lucia Solla


Ouça ‘De Maçã’ na voz e sonorizado pela autora

A intenção do Criador nunca foi nos deixar viver no paraíso. Passado o período de gestação, era preciso que saíssemos de lá. Era preciso continuar; nascer para uma nova vida.

E nascer dói; assusta. Parto não é coisa bonita e leve, e nós o cercamos de flores alegres. A morte é irmã gêmea do nascimento, e nós a cercamos de flores tristes. E porquê? Por que ela é para nós mais um nascimento, e sabemos que nascer dói; a cada dia, a cada hora, na mesma vida; que dizer de nascer para uma vida desconhecida.

Na mulher, o parto dói; para cada uma na sua medida, mas que dói, dói. A mãe sofre, o bebê sofre; choram e gritam da dor física, da dor da alegria e da dor do medo. Tudo misturado. Ela expulsa, de dentro dela, o ser de quem foi hospedeira, e a quem vai chamar de filho. Saímos do útero materno, todos nós, sem distinção, do mesmo jeito, chame ele Paraíso, Maria, Rita ou Joana. Somos expulsos do lugar conhecido, seja ele confortável ou não, para o desconhecido; para o desafio.

Todos nós, descendentes do primeiro homem e da primeira mulher, filhos de Deus e da Deusa, fomos expulsos do útero dela, do paraíso, onde havia fartura, beleza, harmonia, amor, para um lugar que insistimos em transformar num vale de lágrimas, na terra do sofrimento, em desarmonia, em desamor.

Mas voltando ao Criador e ao fluir da Criação, no início da nossa raça humana, com apenas dois exemplares prontos, ele sabia muito bem que era só proibir alguma coisa que o casal, iria correndo atrás, e não deu outra. Foi ele decretar a proibição do fruto do conhecimento que a gente caiu.

Demos a primeira mordida e nascemos para a vida do conhecimento e da experiência. Logo na estreia, experimentamos o que é covardia; a cobra levou parte da culpa, e o resto ficou para a mulher, considerada fraca, volúvel, traiçoeira. Certo que o mundo está cheia delas, mas prova-se hoje que o privilégio logo logo se estendeu a eles também. E nós, até hoje não entendemos o que aconteceu, e ainda nos servimos do conhecimento, da experiência, ressabiados, achando tudo errado, feio, meia-boca; achando que é pecado. Não é. Foram o Pai e Mãe que nos arrancaram da zona de conforto, da fase que já dominávamos, com uma ajudinha da cobra, que não por acaso a gente odeia.

O final da história é que a gente entrou pelo canal vaginal da Vida e caiu na real. E o fato é que continuamos de quatro no chão, batendo pés e mãos, xilicando, nos considerando sempre – que porre! – vítimas de tudo e de todos, criando caos à volta, a cada ataque de birra.

Tenho vergonha! e você?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung