A festa em fotos do CBN SP nos 457 anos da cidade

Público do CBN SP

Casa cheia, convidados interessantes e conversa de boa qualidade fizeram a festa de aniversário da cidade de São Paulo, no Pátio do Colégio, promovida pelo CBN SP, nessa terça-feira. Com destaque para o tema “livro e literatura”, o encontro reuniu agitadores culturais; de escritores a músicos; de livreiros a poetas. E se encerrou com uma nova biblioteca para os meninos e meninas da Associação Esportiva Da Doze, do parque Dorotéia, no extremo sul da capital paulista.

O chorinho do Retratos

Retratos, grupo musical que venera o chorinho, transformou os ouvintes que estiveram no Pátio em um coral que cantou músicas identificadas com a cidade e o Brasil como em Carinhoso, de Pixinguinha.

Zé Geraldo emociona

Zé Geraldo emocionou e levou pessoas às lágrimas com músicas que marcaram sua carreira artística. Não se limitou a cantar, contou histórias, também, e lembrou de quanto esteve em São Paulo ainda jovem ajudando na construção do Minhocão e outras obras da cidade.

Godoy e Herz no CBN SP

Na sala de estar, montada para receber os convidados, todos pareciam à vontade para falar sobre a importância do livro na nossa vida. Pedro Herz, da Livraria Cultura, Sérgio Vaz, da Cooperifa, José Godoy, do Fim de Expediente, e José Luiz Goldfarb, da campanha Doe um Livro alertaram para a necessidade de se entender a leitura como prática de lazer e sabedoria.

Sérgio Vaz, o poeta

Herz logo no início convidou os pais a lerem, pois assim contaminam seus filhos. Godoy sugeriu que a ‘leitura obrigatória’ na sala de aula busque autores mais atraentes aos jovens. Vaz levou como exemplo o Sarau da Cooperifa que reúne centenas de pessoas todas as quartas à noite na periferia de São Paulo.

Luiz Goldfarb do Doe um Livro

Goldfarb, de fala entusiasmada, apresentou Felipe, menino de 6 anos, que mexeu com os colegas da escola dele em Santo André e conseguiu reunir 100 livros para a campanha que tem ajudado a construir bibliotecas pelo País.

Felipe, o menino do livro

Enquanto tudo se desenrolava diante de um número impressionante de pessoas que foram assistir ao programa, ao vivo, a turma do Museu da Pessoa gravava depoimentos de ouvintes para o Conte Sua História de São Paulo, em um espaço reservado do Pátio.

O bom papo após o CBNS

Integrantes do Adote um Vereador estavam lá, também. E saíram com o apoio de ao menos mais dois colaboradores que gostaram da ideia de passar a controlar, monitorar e fiscalizar os parlamentares de São Paulo. Um professor se comprometeu a mobilizar seus alunos no projeto. Sejam bem-vindos.

Eu, como sempre, falei demais, mas me diverti muito com as conversas durante e após o programa. Deixei o Pátio apenas uma hora e meia depois do encerramento, período em que tive o prazer de receber sugestões, agradecer a presença de todos e ganhar um espetáculo à parte com um “Mário de Andrade” que baixou em um dos convivas.

Campanha Doe um Livro

Nada me agradou mais, porém, do que a mesa do Doe um Livro lotada de material levado por gente comum, gente graúda, uma gente muito boa e pronta para colaborar e comemorar o aniversário da nossa cidade.

Todas as fotos deste post e o álbum com imagens da festa (que você vê aqui) foram feitas por Massao Uehara

Cocô de cachorro, quem pega ?

 

Por Dora Estevam

Passeando com Gisele

A cena é a seguinte: a babá leva o cachorro em lugar de um bebê, passeia lentamente, aos passos do cachorrinho, é claro. Cumprimenta as pessoas das lojas, o porteiro, alguém mais que não identifiquei. Enquanto isso o cachorro aproveita para dar uma cheiradinha na grama, que lhe parece familiar. Para e pumba: cocô na calçada.
 
Quem pega? É pegar ou largar.
 
A moça não pode fazer feio na frente do amiguinho, então recolhe a caca, põe num saquinho de plástico, amarra bem amarradinho e depois, e depois … tchan tchan … atira ao pé da primeira árvore que encontra pela frente.
 
Situação como esta que vi dia desses acontece diariamente por todas as ruas dos bairros residenciais  da cidade. O caso desta moça foi apenas um exemplo, são muitas as pessoas que passeiam com seus cães e não pegam a sujeira. Fica lá aquele cocô na calçada que você é obrigada a desviar para não se sujar. As calçadas com grama ficam  insuportáveis, tem que andar pela rua. Nas residenciais misturadas com comércio, então, é uma constante briga entre lojistas e passeadores de cães.
 
O problema é do dono do cachorro, e pronto!
 
Incrivelmente é do conhecimento de todos que o caso virou Lei e se não recolher o cocô e jogá-lo na lata de lixo é multa (na incerta).
 

Elegância de Sienna Miller

Tenho falado aqui na coluna sobre comportamento, moda, beleza e estilo de vida. Sempre na intenção de inspirar e não criticar. Mas eu não posso deixar de falar da falta de educação destas pessoas que continuam agindo de má fé.
 
Eu não posso acreditar que o dono ou a dona de um animal de estimação não tenha consciência  que o bicho também faz as necessidades  dele e estas não são feitas em privadas, mas em quintais e gramas, muitas do vizinho.
 
Da mesma maneira que você passa no Pet Shop para fazer compras para o seu doguinho deveria aproveitar para se informar qual a melhor saída na hora de recolher o que ele deixa pra trás.
 
A vergonha e falta de educação é você largar a sujeira na calçada achando que com a primeira chuva vai tudo embora. Ou colocar em saquinhos plásticos e abandoná-lo no pé da árvore. Quem vai pegar aquilo? A faxineira da loja ou do salão de beleza, é isso?

Sem contar que aquele saquinho deve demorar anos para se dissolver na natureza (outra questão que já foi tema de debate aqui neste blog) – ou seja, deixarão de herança uma montanha de plástico recheada de cocô de cachorro.

As fezes na rua podem trazer muitas doenças através das moscas que atraem. E você não vai querer que a sua família seja contaminada por isso, vai?
 
Para você que tem animal em casa, certifique-se de que a pessoa que esta saindo com ele recolhe a sujeira e a despeja no lixo da sua casa. Melhor ainda, dê você mesmo o exemplo e mostre qual o procedimento correto.
 
Seja um fiscal da sua calçada e se vir alguém cometendo esta falta de educação não deixe de alertá-la.  
 
Tenha um bom e elegante passeio com o seu dog!

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Do Tempo


 

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Em que curva da estrada ficou a leveza de viver? Hoje, viver é perturbador. Muitas vezes, e cada vez com maior frequência, a vida traz a sensação vertiginosa da roda gigante, da montanha russa, e meus plexos se manifestam o tempo todo; não descansam, não se aquietam, nem mesmo enquanto durmo.

Ouça “Do Tempo” na voz e sonorizado pela autora

A gente hoje tem internet e pode conhecer, assistir, estudar tudo que quiser, sem sair de casa, a hora que bem entender. Biblioteca pública é um termo que criança desconhece. É evidente que podem deduzir da receita do termo, mas não têm ideia do que seja estar lá dentro. Sem saudosismo bolorento, mas é uma sensação que provavelmente nunca terão. Falar baixinho, de preferência não falar porque o sussurro mais tímido pode voar cegamente, atropelando, no vazio, o quase-absoluto silêncio.

Passava-se lá, uma tarde ou uma manhã inteira, selecionando fonte, lendo, selecionando e copiando dos livros o que se precisava estudar. Não havia máquina copiadora. Era no braço, mesmo. Uma pesquisa levava um tempão, isso se a gente pesquisasse um só autor. E não adiantava fazer na base do garrancho porque a gente não entendia depois e o trabalho era árduo demais para se atirar ao vento.

A gente hoje tem e-mail, que deixou no esquecimento o hábito de escrever à mão, enviar cartas, o correio, envelope, selo. Não é mais preciso enfrentar fila numa das agências, lamber o selo, colar no envelope e jogar a carta na caixa adequada; nacional, internacional, aérea…

Hoje temos carros velozes e estradas que, enquanto durarem, permitem que se desenvolva velocidade não permitida. E a gente tem cada vez menos tempo, está cada vez mais ansioso, sobrecarregado, irritado, sem-paciência, atropelando e sendo atropelado.


Há poucos anos, ninguém podia imaginar que um dia a gente se comunicaria instantaneamente, de e para os lugares mais longínquos da Terra, e que isso tudo seria feito através de uma rede internacional de máquinas que levam nossa palavra escrita, nossa voz, nossa imagem para encontrar outras imagens, outras vozes, outras escritas; sem fronteira, sem visto de entrada ou saída.

Vivemos tempo de mudança rápida e radical. Não tem como negar. E nos queixamos da falta de tempo, sem mesmo saber o que é o Tempo. Tempo é o tempo da música, sua batida, seu ritmo, ao qual é preciso se harmonizar se quisermos dançar. Entender o Tempo é entender a harmonia cósmica das fases da Lua, da sua influência nas águas, fora e dentro de nós. Tempo é a harmonia dos ciclos da Natureza, da qual nos afastamos para nos entregarmos de corpo e alma ao materialismo plástico. É triste, mas sempre há tempo.

Os Maias usavam o tempo para se harmonizarem, não para se engajarem numa competição com ele. Afirmaram que no dia 22 de dezembro de 2012, a Humanidade terá sua última oportunidade de escolher: sucumbir ou evoluir. Também predisseram que, de 1992 até 2012, teríamos tempos de tribulação, dificuldades que nos dariam a oportunidade de perceber nossa real relação com o Todo, e de eliminar medo e desenvolver, ou adquirir, respeito por si e pelo outro. Em tudo. Sempre.

Previram o eclipse solar de agosto de 1999, e que sua sombra delimitaria áreas de guerra, terrorismo e barbárie. E assim foi.

Dizem algumas profecias que nosso planeta entrará na Quinta Dimensão, ou seja, no tempo do não-tempo, quando estaremos preparados para entender que o tempo não é linear, nem medido pelo relógio, mas concomitante. Passado, presente e futuro vivendo
em harmonia.


Quando comecei a ter contato com esses pensamentos, tive dificuldade de entender. Hoje entendo um pouco melhor e vejo na psicanálise de vidas passadas, não uma regressão na linha do tempo material, mas um reconhecimento de todos os momentos que existem em nós, do passado, do presente e do futuro. Profecia, filosofia, pensamento religioso e alternativo vêm, há muito, anunciando o fenômeno que mexe com o campo magnético da Terra. Agora a ciência, mais cuidadosa e santomé, concorda com o pensar dos leigos e explica os porquês.

A mesma rede internacional de que falamos nos oferece um cardápio de possibilidades para que a gente navegue pelo assunto, escolhendo fontes que mais agradar. Você mesmo vai se conduzir e encontrar o caminho, se quiser.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

PS: Vamos comemorar a Limpeza na Prefeitura de Jandira. Há esperança! Que venha a meada atrelada ao fio.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Cafezal da 9 de Julho

      
                                   

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Estátua Colhedor de Café

São Paulo está longe da “cidade ideal”, mas  a escultura “Colhedor  de Café “, obra de Lecy Beltran  na Avenida Nove de Julho, Jardim Europa, para homenagear os plantadores de café de São Paulo, é um exemplo  de monumento bem cuidado entre os muitos semidestruídos da região central. A escultura tem um pé de café de cada lado, carregado de flores e frutos. Pedestres  de diferentes classes sociais param, admiram e  degustam  ali mesmo grãos maduros e impuros. Não importa se  são impróprios  para o consumo humano.

Moradores da Rua Turquia garantem que o café do Jardim Europa é uma delícia, as crianças adoram. No domingo,16 de janeiro, o eletricista  Evandro José de Andrade, enquanto colhia alguns grãos acompanhado da filha Beatriz,  recordou  seu tempo de infância em Fernandópolis, interior de São Paulo – onde nasceu, cresceu e trabalhou numa fazenda de café. Evandro  ainda lembrou   do maior bem da  família: um rádio. Todas as tardes ouvia ‘Flor do Cafezal’  de  Cascatinha e Inhana.
 

Meu cafezal em flor quanta flor meu cafezal…  
Passa-se o tempo vem o sol ardente e bruto
Morre o amor e nasci o fruto no lugar de cada flor
Passa-se o tempo em que a vida e todo encanto morre o amor e nasce o pranto
Fruto amargo de uma dor
Meu cafezal em flor quanta flor meu cafezal
Ai menina meu amor minha flor do cafezal
 

Foto-ouvinte: Amigo urso no buraco

 

Urso no buraco

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Na guerra contra o terror dos buracos , a população da cidade apela para tudo: espeto de pau, pneu, tocha caseira e até boneco com cara de político. No Jardim Jangadeiro, área de responsabilidade da Subprefeitura do M’ Boi Mirim, zona sul, um urso de pelúcia de um metro foi colocado em cima de um buraco na rua Abílio César,altura do número 622.

Pelo jeito, Beto Tatu está está recebendo amigos e influenciando muita gente com sua ideia fixa de “cidade ideal “.

Foto-ouvinte: Prefeitura reprovada na inspeção

 

Inspeção alagada

O carro tem de passar por ali uma vez ao ano. A inspeção veicular é obrigatória. Garantem que melhora a qualidade do ar. Talvez esteja faltando uma lei – já que as do bom senso e cidadania não mobilizam – que obrigue a prefeitura a cuidar da qualidade de vida do cidadão e evite alagamentos como este na porta da Controlar de São Miguel Paulista, na zona leste.

O ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, colaborador do Blog, que flagrou a cena, só tem dúvida se a kombi em destaque foi aprovada na inspeção. Porque a prefeitura foi reprovada.

Soluções simples para cidades complexas, diz Lerner

 

Jaime Lerner é ex-prefeito de Curitiba, ex-governador do Paraná e ex-político do Brasil. Há oito anos, preferiu se dedicar as carreiras de arquiteto, urbanista e sonhador nas quais tem alcançado resultados impressionantes. Apesar disso, a lembrança da maioria dos brasileiros ainda é do início de sua vida política quando transformou a capital paranaense em referência internacional.

Convidado pelo programa Roda Viva, da Tv Cultura, tive oportunidade de conversar com ele, na tarde dessa segunda-feira, no ar e no bastidores. Tanto em um lugar como no outro é o mesmo otimista de sempre. Acredita na capacidade do homem, por mais que este tenha a tendência de complicar as coisas simples. E na possibilidade de as grandes cidades se transformarem em ambientes de convivência e qualidade de vida, mesmo que identifique em nossa realidade a existência de uma guerra urbana.

“Sou otimista por que já vivi isto, já fiz isto, tenho legitimidade porque fiz algumas coisas, eu sei fazer isto”, ressalta para que este sentimento não se confunda com ilusão.

Lerner fala pausado, parece cansado, mas é extremamente dinâmico nas suas ideias. Desenha uma rua móvel, que se constrói à noite e se desmonta de dia, ou vice-versa. Projeta um carro elétrico para curtas distâncias e para ser usado de maneira coletiva. Desenha soluções para ilhas, cidades e prefeituras. Para São Paulo, também, apesar de a prefeitura ter dado de ombros à sua proposta para a Cracolândia.

Acredita que com a política de acumputura urbana consegue melhorar a qualidade de vida em qualquer ambiente em três anos.

Para resolver catástrofes como a que assola a serra fluminense, entende que precisamos primeiro dar solução às tragédias do dia-a-dia. Lembra que o trânsito e a falta de planejamento urbano matam tanto como as guerras. Na capital paulista, morrem em média 1.400 pessoas por ano. No Rio, já são mais de 600 os enterrados pelas enchentes e deslizamentos de terra.

Não se assusta com a dimensão da capital paulista. Critica autoridades e especialistas que a usam para justificar a falta de ação. Para ele, o tamanho não é desculpa. E diz, fora do ar, que a Cidade do México com seus quase 9 milhões de moradores hoje é bem melhor do que São Paulo, que tem pouco mais de 11 milhões. “Não é a escala, é a visão que interessa”, destaca.

Para falar de solução para as tragédias, fala de habitação e mobilidade. E defende que as cidades copiem a tartaruga – abrigo, trabalho e locomoção no mesmo lugar. “O casco lembra a tessitura urbana, se quebrarmos este casco, a tartaruga morre”, completa a analogia.

Não gosta da ideia adotada pelos Governo e prefeitura de São Paulo que ampliaram a Marginal Tietê e apostam todas suas fichas no metrô. “Em São Paulo, 84% das pessoas se deslocam na superfície, para o metrô funcionar bem a superfície precisa funcionar bem”. Lerner não está no time dos que defendem o fim do automóvel, entende que todos os modais têm sua função. É necessário metrô esperto, ônibus esperto e carro esperto, reforça.

E o que fazer para resolver o problema de agora, quando centenas de pessoas morreram e milhares perderam as casas ?

Quer abrigo imediato para as pessoas, seguro para as casas que serão abandonadas e correm o risco de serem saqueadas, proibição de moradias nas áreas de risco e a criação de uma zona franca que isente de impostos quem se comprometer a criar empregos nas regiões que sofreram os desabamentos.

E para as cidades brasileiras ?

Mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade são a solução, explica de maneira simples.

Ouvir Lerner por uma hora e meia, mais o tempo extra antes e após o programa, nos faz acreditar que as grandes cidades são possíveis, as soluções estão na simplicidade e os homens é que complicam a coisa. E nos dá esperança de que é possível mudar a qualidade de vida no ambiente urbano.

Mas para isso é preciso sonhar: “Você tem de ter um sonho e propor um cenário que seja desejável para as pessoas. Quando as pessoas veem um sonho realizável, elas se transformam”. Não se fruste se o sonho não se realizar, pois se você se dedicar, um dia este sonho vai te cutucar e perguntar: lembra de mim ? – ensina.

Que São Paulo você quer no fim desta década ?

 

Paulistanos, os de nascença e os que se aprochegaram, querem deixar a cidade. Ao menos mais da metade deles disse isso em pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo (leia aqui). Opinião que não me surpreende dada a relação que temos com o ambiente urbano.

É o trânsito, é a escola, é o trabalho, é a poluição, é a violência. É um monte de coisa que nos atrapalha todo o dia. É tanta coisa que tem uma hora que a gente pensa em voz alta: “tô louco pra ir embora daqui”. O propósito não costuma vingar e a maioria prefere ficar por estas bandas seja porque é onde estão as oportunidades, a família e a nossa vida seja porque fora dela também não se tem certeza de que algo melhor haverá.

E como é aqui mesmo que viveremos, esta semana é ótima para refletirmos sobre que cidade queremos para nós. No dia 25 de janeiro, São Paulo completa 457 anos de fundação e uma série de atividades está programada para celebrar a capital paulista.

Aproveitando este clima, o CBN SP leva ao ar, a partir de hoje, uma provocação. Pelo twitter, pelo e-mail ou aqui mesmo no Blog, responda: “Que São Paulo você quer no fim desta década ?

Imagine como você gostaria que esta cidade fosse dentro de 10 anos, e não deixe de pensar o que você poderia fazer para torná-la possível. As ideias que forem enviadas ao CBN SP vão ao ar durante a semana e as mais interessantes serão apresentadas, também, no programa especial em homenagem a São Paulo que será apresentado, ao vivo, no Pátio do Colégio, dia 25, terça-feira, das 9 e meia ao meio-dia.

Programação

Na festa promovida pelo CBN SP no dia do aniversário de São Paulo duas atrações musicais estão confirmadas: Zé Geraldo e o pessoal que integra o projeto Retrato.

No centro da festa um convidado especial: o livro. Além de entrevistas sobre a importância da leitura na nossa vida, o CBN SP estará de mãos dadas com a Campanha Doe um Livro, que surgiu no Twitter e incentiva o cidadão a doar livros que são distribuídos para escolas públicas e bibliotecas.

Você que pretende assistir ao programa, antes de sair de casa procure na sua biblioteca os livros que podem ser doados e leve até o Pátio do Colégio.

Acompanhe outros programas da CBN em homenagem aos 457 anos de São Paulo:

Por dentro de São Paulo, com os pontos curiosos da capital paulista apresentados por Heródoto Barbeiro (7h15 e 14h20)

Ser Paulistano, em que personalidades falam sobre a identidade com São Paulo em reportagens apresentadas por João Vito Cinquepalmi (11h10 e 17h45)

Conte Sua História de São Paulo, com depoimentos de personagens que contarão mais um capítulo da nossa cidade em entrevistas ao vivo para mim, no CBN SP (10h02)

Adaptação, mudança e coragem para combater enchentes

 

Debate na CBNSão Paulo tem jeito e recursos para enfrentar as enchentes, concordaram os três convidados do debate promovido pelo CBN SP, neste sábado. Há necessidade de se adaptar às mudanças do clima e rever nosso comportamento, disseram eles. Nem todos se entenderam, porém, quando o assunto era saber se as medidas que estão sendo adotadas seguem o caminho certo.

Em torno da mesa do estúdio que discutou “Ambiente urbano e mudança climática”, duas visões contaminadas pelo pensamento político, sim, mas muito bem intencionadas e embasadas: Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, ligado ao PV, e Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-vereador do PT. Ao lado deles, um técnico disposto a mostrar que há tecnologia e conhecimento sendo desenvolvidos, professor Hélio Diniz, do Instituto de Geociência da USP.

Eduardo Jorge deixa claro que se a discussão é sobre a mudança do clima não há tempo a perder, chegou duas horas antes do programa. Aproveitou para colocar em dia vários e-mails pendentes. Na camiseta desbotada, um recado: o meio ambiente é o equilíbrio. O professor Hélio fez aquecimento antes do debate ao explicar para o pessoal da redação o que leva a terra se mover a ponto de causar a tragédia assistida na área serrana do Rio. E Nabil Bonduki chegou quando todos estavam no estúdio e disposto a apontar erros das administrações municipal e estadual no combate às enchentes.

Com números e ações, o secretário Eduardo Jorge se esforça para mostrar as diferenças no comportamento dos governos paulista e paulistano com os do Rio de Janeiro diante da mudança do clima. Disse que enquanto na capital paulista foram removidas cerca de 20 mil famílias de áreas de risco, em seis anos, na serra fluminense tiraram apenas dez famílias.

Mesmo com estes dados, o problema na capital ainda é grave. Levantamento do IPT que não está à disposição do público mostra que ainda existem 29.993 famílias morando em 407 áreas de risco, informa o secretário.

Bonduki lembra que a prefeitura erra ao promover a saída das famílias através do pagamento de aluguel social. Segundo ele, é preciso políticas habitacional e fundiária para impedir que estes deixem uma área de risco por outra.

Pouco depois, o repórter Juliano Dip relata que encontrou famílias que viveram esta situação no Jardim Romano. Ficaram alagados ano passado, perderam a casa, receberam o aluguel social e se mudaram para o Jardim Pantanal. Estão alagados de novo.

E como o assunto é ocupação do solo, o professor Diniz comenta que fez pesquisa no Vale do Paraíba e identificou que 99% das estradas vicinais foram construídas ao lado do rio, em local impróprio e arriscado. Uma lógica que também marcou o desenvolvimento da capital paulista com avenidas sendo instaladas sobre e na várzea dos rios e córregos.

Foi a oportunidade para Eduardo Jorge alertar para a construção de parques lineares e o risco que mudanças no Código Florestal podem trazer para o ambiente urbano. Na réplica, Bonduki criticou o investimento na Nova Marginal que impermeabilizou a região e beneficiou o transporte individual.

Antes de encerrar perguntei sobre qual seriam as prioridades no combate às enchentes:

Eduardo Jorge

– Remover as quase 30 mil famílias de áreas de risco

Nabil Bonduki

– Políticas habitacional e fundiária para reduzir a especulação imobiliária e baratear o preço da terra;
– Desestímulo ao uso do automóvel com investimento em corredor de ônibus;
Liberar fundos de vales

Hélio Diniz

– Criação de selo verde para infraestrutura, ou seja obras apenas com respeito ao meio ambiente.
– Armazenamento da água da chuva

Acompanhe o debate nos links a seguir:

Governo promove ações para evitar o efeito estufa, diz Eduardo Jorge

Ações do governo são paliativas, critica Nabil Bonduki

Viabilização de Plano Diretor de Macrodrenagem é importante para evitar enchentes, afirma professor Diniz

Quais são as prioridades para evitar novas enchentes ?

De estrada

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De estrada” na voz e sonorizado pela autora

Sabe quando a gente pega a estrada errada e continua, e continua, e continua tanto, e vai tão longe que fica difícil voltar?

a gente acaba parando
por um tempo
no lugar onde foi parar

Aí dá aquela vontade de conhecer outro lugar, acaba se encantando com o próximo, e fica literalmente hipnotizado pela beleza e pela riqueza de mais um. Acaba se perdendo.
Pois foi o que aconteceu com a gente. Foi o que aconteceu com todos nós.

Não adianta apontar o dedo para a turma do lado de lá, para o parente, para o ex ou o pretendente, o mandante ou o obediente. Não dá mais tempo. É tempo de abrir bem os olhos, de criar vergonha na cara, cada um fazendo o que sabe fazer. Fazendo direito, fazendo às claras, sem segundas, terceiras ou quartas intenções. Sem vender a alma. Do gari à presidente. Nós. Todos nós: os bonitinhos, os feios, as marombadas, as gordinhas. Nós. Os burros, os inteligentes, descolados e condenados. Nós. Espertalhões e bobalhões.

Fomos longe demais pela estrada errada, e depois de tanto tempo, tanto dinheiro, tanta energia gasta, da enorme distância do verdadeiro ponto de origem e do verdadeiro destino, a gente se dá conta de que ficou igual a todo mundo, como queria, vestindo igual, tendo carro igual, usando joia igual, falando igual, sofrendo mais e curtindo menos; a gente se dá conta de que vendeu a alma e, com ela, a graça.

Isso que tem acontecido em volta, no meio, dos lados, em cima e embaixo, é a prova de que este é o lugar errado; onde chegamos, todos. O que a gente vê é a paisagem errada!

Foi isso que nos hipnotizou? É difícil de acreditar! É isso que continua nos fazendo destruir o verdadeiro e a água do terreiro; o bosque, o pássaro, a borboleta? É essa ganância desmesurada, esse egoísmo generalizado e banalizado que deixa um amargo na boca, essa tristeza que sempre sobra no coração, esse medo e esse desalento que se mostram no olhar, que incluídos em letrinhas minúsculas no final do contrato vieram no pacote e levaram em troca o bom-humor, e transformaram tudo em dor, em desgraceira, em resgate onde acaba cabendo saque, num palco de lágrimas e horrores onde cabem boatos criminosos?

Em que lugar do caminho se perdeu o prazer de dirigir na estrada, sem rumo, à noite, só para ouvir no silêncio, com o corpo inteiro, as músicas favoritas, no rádio do carro? Onde se perdeu o prazer de acampar; de dormir no embalo dos pingos da chuva? De nadar na cachoeira sem medo de verminose, de virose ou de cirrose? Onde está nossa cidade antiga, nosso berço, cercado, protegido, fotografado e cuidado diariamente para que ninguém o destrua, para que ninguém o desfigure, para que a gente se lembre de onde veio e para onde estava indo?

O que nos cerca nos escoa por entre os dedos e não ecoa o prazer esperado, porque traz consigo a desgraça, a tristeza, o isolamento, a solidão, a armadilha que nos atraiu até aqui, até agora.

Está tudo sossobrando porque nem o Planeta nos aguenta mais. Não aguenta tanto desrespeito, tanta prepotência de quem se julga dono dele. Se não pararmos agora e não assumirmos, cada um, o seu latifúndio de responsabilidade, criaremos filhos apenas para que ajudem a suportar, nas costas, a custo das próprias vidas, até o último segundo, os pilares da Terra.

Não custa lembrar que, hoje e sempre, não é dado apenas a um ou a poucos, entender e traduzir a magnitude da Vida. É preciso que haja quorum, que estejamos juntos, todos, porque só o todo pode compreender O Todo.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung