O poder da tatuagem

 

Por Dora Estevam
 
Elas aparecem espalhadas pelo corpo ou mais timidamente por trás dos cabelos, na nuca; também estão discretamente nos tornozelos e punhos; as mensagens são inúmeras; o desenho, ora incrível ora estranho, dependendo o ponto de vista. Frases apaixonadas e dedicadas aos namorados, amores, filhos, maridos e religião. Enfim, cada tatuagem tem seu motivo.

Esta moça da foto é tão apaixonada pela Chanel que resolveu fazer o desenho do logo na pele. Esta é de verdade.  
 
É que na coleção Primavera/Verão 2010 as tatuagens fake da Chanel viraram febre. Bastava pressionar o desenho na pele, e pronto.
 
Dizem que Karl Largerfeld  teria se inspirado no livro de Lee Tulloch, Nobodies Fabulous, de 1989, no qual a personagem principal, Reality Nirvana Tuttle (uma espécie de Carrie Bradshaw dos anos 80), tem tatuagens Chanel em seus pulsos e nas coxas. Curiosamente o livro vai virar filme em breve e foi escrito depois que a autora foi demitida da Harper’s Bazaar australiana. A expectativa é que o filme tenha um figurino maravilhoso, já que a heroína do livro é tão louca por moda que dá até nome para suas roupas.
 
 

A palavra tatuagem origina-se do inglês tattoo. O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook , que escreveu em seu diário a palavra “tattow”, também conhecida como “tatau”, uma onomatopéia do som feito durante a execução da tatuagem, em que se utilizavam ossos finos como agulhas, no qual batiam com uma espécie de martelinho de madeira para introduzir a tinta na pele. A partir de 1920 a tatuagem foi ficando mais  comercial, tornando-se mais popular entre americanos e europeus. Surgindo uma gama de tatuadores que eram artisticamente ambiciosos. Eles acharam muitos clientes nas décadas de 1950 e 1960. Durante muito tempo, nos Estados Unidos, a tatuagem esteve associada a classes sócio-econômicas mais baixas, aos militares, aos marinheiros, às prostitutas e aos criminosos.

 
  
De acordo com os historiadores, não havia um aborígene que não estivesse tatuado. A tatuagem percorreu mares e Américas e até hoje é cultuada em todo o mundo. Particularmente, não tenho um risco na pele, mas é muito difícil encontrar alguém que não tenha feito uma por inteiro.
 
A “arte na pele” já foi muito marginalizada, mas hoje está na pele de pessoas de todos os níveis sociais.
  
As celebridades aparecem nas entregas dos grandes prêmios sem nenhum pudor. Vestidos que deixam  ombros e costas a mostra para apresentar o desenho no corpo.  

Ano passado, os  tatuadores e fãs se reuniram em uma convenção internacional na capital tailandesa, Bangkok. O evento de três dias trouxe profissionais da Ásia, Europa e América e mostrou técnicas e estilos de arte corporal em diferentes culturas.

Entre os tatuadores que participaram do evento estava Arian Noo, o artista tailandês que teve o prazer de tatuar a atriz Angelina Jolie.

Muitos concursos também são realizados na conferência, incluindo melhor desenho do dia, melhor tatuagem oriental e melhores obras de frente e nas costas.
 
As convenções sobre tatuagens acontecem no mundo inteiro.
 
No entanto, é preciso tomar algum cuidado na hora de fazer a sua arte na pele. Procure um lugar seguro, limpo, conhecido. Espere até completar a idade adulta para ter certeza de que é essa a sua escolha. Pesquise bem antes de entregar a sua pele às agulhas.

Você se lembra do caso daquela menina de 18 anos da Bélgica que dormiu durante a tatuagem e acordou com o rosto cheio de estrelas? Depois se arrependeu.

Converse com o especialista para saber qual a melhor forma de começar. Homens e mulheres têm preferências diferenciadas: homens gostam de fazer o braço inteiro, já mulheres partes das costas, lombares e nucas.

De acordo com os dermatologistas, a maioria das pessoas que tentam removê-las é mulher. Elas até gostam do desenho, mas se sentem pressionadas com as críticas e comentários maldosos a respeito.
  
Se você faz parte desta legião de fãs das tatuagens aproveite para ver algumas fotos de pessoas que foram clicadas nas ruas da Europa e EUA.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Dono do Belas Artes acredita na manutenção do cinema

 

O cine Belas Artes deixa a Consolação, mas não deixa São Paulo. É a impressão que tive ao fim da entrevista com André Sturm, sócio proprietário da empresa que mantém as salas em um dos espaços culturais mais tradicionais da cidade. Ainda parece emocionado quando fala do encerramento das projeções de filmes no dia 27 de janeiro, mas se esforça para mostrar entusiasmo em vista da mobilização que ocorre na capital e fora daqui.

Ouça a entrevista com André Sturm, no CBN São Paulo

Hoje mesmo, iniciou-se mobilização pela internet convocando os paulistanos a participarem de ato em frente ao Belas Artes, no sábado, dia 15 de janeiro, às oito da noite. Nas redes sociais, corre petição pública contra o fechamento dos cinemas, também. Na Folha, Ruy Castro dedicou crônica ao tema na qual escreve:

Um cinema que fecha é uma calçada, um pipoqueiro e uma fila a menos numa cidade. É mais um quarteirão sem luzes, sem movimento noturno e sem possibilidade de encontros, amigáveis ou amorosos. É um lugar a menos para flanar, para fazer hora, até para paquerar. E é também um cenário a menos para que os jovens descubram e troquem ideias sobre cultura, história, comportamento.

O fim do cine Belas Artes é marcado por algumas ironias.

Ao contrário de tantas salas de cinema na cidade, não faltam público nem dinheiro. O dono do imóvel, Flávio Maluf (não confundam com o filho de Paulo Maluf), prefere entregar o local para uma loja, não quer mais ter o Belas Artes como inquilino.

Além disso, o encerramento das atividades será na mesma semana em que São Paulo estará comemorando 457 anos. Se um novo espaço não surgir, a festa terá um gosto amargo.

Alckmin diz que “briga” com Serra é pimenta da imprensa

 

À uma sequência de manchetes que contrapõe Alckmin a Serra, o governador de São Paulo respondeu: “isto é pimenta da imprensa”. Aproveitei a conversa para saber se não seria resultado da relação dele com o ex-candidato à presidência estar apimentada: “Posso falar por mim …” E a entrevista nesta manhã no CBN SP, transmitida, também, pela internet, foi em frente.

Acompanhe aqui a entrevista do Governador Geraldo Alckmin para o CBN São Paulo.

O Governador que volta ao Palácio dos Bandeirantes tem habilidade com as palavras, evita usar expressões fortes e desconfortos mesmo com opositores. Por isso, não era de se esperar que fizesse alguma declaração bombástica, principalmente em consideração a um colega de partido. Mas que o tema tem pautado conversas nos corredores do palácio e da política não tenha dúvida.

Para ser justo, Alckmin usou apenas uma palavra mais forte: “frouxa”, para definir a política cambial do Banco Central, que anunciou nesta manhã algumas medidas para conter a desvalorização maior do dólar. Porém, prefere o tom mais ameno para falar sobre suas relações com a União. Conversou, ontem, com o ministro José Eduardo Martins Cardoso, e conversaria logo após a entrevista com o vice-presidente Michel Temer, também presidente do PMDB. Conversas protocolares, disse.

Sobre planos de governo, reforçou as promessas de campanha na área de transporte, rodovias, educação e saúde. Tem os dados e nomes na ponta dos dedos. Apenas não prometeu aumento salarial para ninguém, o que certamente desagradou a série de ouvintes-internautas que enviaram perguntas sobre o tema. Eram, especialmente, professores e policiais que reclamam da falta de valorização da categoria.

Por falar em policiais, não conseguiu explicar por que o Detran não funciona nas mãos da polícia, a ponto de determinar a mudança do departamento de trânsito para secretaria distante da Segurança Pública. Se depender dele, vai para a Secretaria de Gestão. Ainda não bateu o martelo. Nem respondeu a pergunta, preferindo falar da metade cheia do copo em vez da metade vazia: “teremos mais policiais atuando na sua função, nas delegacias e investigando”.

Da Copa, Alckmin praticamente descartou plano B e depositou confiança no estádio do Corinthians para a festa de abertura: “sem dinheiro do estado”, garante. De qualquer jeito, anunciou encontro com o presidente da CBF Ricardo Teixeira, nos próximos dias.

O governador Geraldo Alckmin parecia bem mais à vontade desta vez do que na época em que esteve no estúdio como candidato ao governo. Àquela foi entrevista tensa, preocupada, apesar de liderar as pesquisas com folga. Chegou a tirar a gravata azul assim que chegou à rádio, logo após tomar café em padaria de Santa Cecilia. Vendo às câmeras, se arrependeu, pediu para um assessor trazê-la de volta, mas o programa estava no ar (e as imagens, também). Foi sem gravata mesmo.

Após uma hora de entrevista, com participação de ouvinte-internautas, por e-mail e Twitter, se despediu de todos, agradeceu a oportunidade, pegou seus assessores, um número razoável de seguranças e subiu no helicóptero rumo ao Palácio.

Próxima conversa (protocolar, lógico): Michel Temer.

Alckmin é o entrevistado do CBN SP, no rádio e na internet

 

Alckmin do PSDB na CBNAs negociações com o Governo Federal, a revisão das contas do Governo Serra, as mudanças na educação e os planos para o transporte são alguns dos temas da entrevista, ao vivo, com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira, no CBN SP. Das 9h45 às 10h45 da manhã, ele estará no estúdio de internet da CBN e responderá perguntas enviadas por ouvintes-internautas.

Um dos assuntos que mais motivam a participação do público é o da educação. Nesta semana, após entrevistar o secretário-adjunto João Cardoso Palma Filho vários e-mails chegaram relatando preocupação com a qualidade de ensino e as dificuldades que os professores enfrentam em sala de aula. O mesmo tem ocorrido desde ontem quando anuncie a entrevista com o Governador.

Desde que assumiu o Governo, Alckmin tem retomado ideias de sua administração anterior e chamou atenção ao anunciar que iria rever os contratos assinados por José Serra. Falou-se em auditoria, expressão negada pelo tucano. Com certeza, pretende reestudar os contratos com as concessionárias das rodovias com a intenção de reduzir o valor dos pedágios – conforme prometeu durante a campanha eleitoral.

Logo após a entrevista, Alckmin segue para o Palácio dos Bandeirantes onde se reunirá com o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB Michel Temer. Oportunidade em que poderá discutir parcerias do Estado com a União e tratar da presença do partido na administração paulista, a medida que o PMDB perdeu espaço na gestão dele.

Foto-ouvinte: Por R$3,00 não tem direito a abrigo

 

Sem-ponto de ônibus

A cadeira de plástico e o guarda-sol não estão incluídos no preço da passagem de ônibus que está mais cara desde essa quarta-feira, na cidade de São Paulo. Os R$ 3,00 que o paulistano passou a pagar não dão direito a ponto de ônibus com cobertura e assento, apenas um pedaço de pau enterrado na calçada. A imagem foi flagrada na avenida das Cerejeiras, Jardim Japão, zona norte da capital, pelo ouvinte-internauta Daniel Lescano.

O que vai mudar na educação de São Paulo

 

O modelo de progressão continuada nas escolas de São Paulo vai mudar, mas não será extinto; o exame de avaliação implantado no Governo Serra não vai retirar professor com mau desempenho da sala de aula; alunos serão submetidos a provas anuais ou semestrais para se identificar a qualidade do ensino; diretores de escolas continuarão sendo indicados e não eleitos; e o Estado pode, finalmente, ter um Plano Estadual de Educação.

De forma simples e direta, é o que entendi da entrevista com o novo secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo João Cardoso Palma Filho, no CBN SP. O esforço dele foi acabar com o mal estar que a manchete da Folha de São Paulo ( “Alckmin muda progressão continuada”) gerou na equipe que somente assumirá nesta quarta-feira.

Ouça a entrevista do secretário-adjunto Palma Filho ao CBN SP.

Palma Filho tentou mostrar que ainda não há uma decisão final do Governo Alckmin sobre estes temas, pois todos serão discutidos com o magistério ao longo de 2011. Conversar com os professores parece ser prioridade na próxima gestão.

A dificuldade de dialogar com a Apeoesp, sindicato da categoria, que teria prejudicando a implantação de programas na área da educação, inclusive com a decretação de greve no ano passado, teria pesado na decisão do Governo Alckmin de substituir Paulo Renato Souza, apesar de José Serra ter pedido a permanência do colega de partido no cargo.

Além de não manter Paulo Renato, o governador ainda ouviu a opinião do desafeto de Serra, o deputado federal e ex-secretário Gabriel Chalita. Tanto o novo secretário Herman Voorwald como João Cardoso Palma Filho, o adjunto, teriam sido indicados pelo parlamentar do PSB. Chalita sempre se orgulhou de durante o mandato dele na Secretaria de Educação jamais ter havido uma greve de professores.

Aliás, outra promessa da gestão que assume vai ao encontro das propostas do deputado do PSB. Foi Chalita quem enviou o Plano Estadual de Educação, em 2003, que depois de aprovado em várias instâncias na Assembleia Legislativa acabou engavetado. O texto previa aumento do investimento em educação de 30% para 35% do Orçamento do Estado e restringia o número de alunos por sala de aula (leia sobre o assunto aqui)

Neste item, tem razão o novo secretário: São Paulo não pode prescindir de um plano estadual de Educação. Somente assim se terá condições de limitar os efeitos negativos das constantes mudanças na política educacional, comuns mesmo em um Estado que há 16 anos é comandado por um só partido.

A dúvida que ainda se tem é se tudo isso que se discutirá mudará o que é mais importante: a qualidade do ensino na rede pública.

Foto-ouvinte: Árvore acorrentada

 

Árvore na Ladeira da Memória

Por Devanir Amâncio

Uma grande árvore com  tronco oco  está segura por uma corrente  na Ladeira da Memória,  ao lado do Metrô Anhangabaú, centro de São Paulo. A corrente amarrada no muro do monumento está no limite de sua resistência . Em caso de queda da árvore, danos materiais e humanos serão inevitáveis.

Igreja nega fim da reciclagem, movimento desconfia

 

Abaixo-assinado em favor da reciclagem

A Arquidiocese de São Paulo nega que determinou o fim do trabalho de coleta seletiva na Associação Reciclázaro, na Paróquia São João Vianney, na Lapa, zona oeste da capital. Apesar disso, o serviço está parado desde dezembro quando foi anunciada a transferência do padre José Carlos Spínola, criador da organização que inclui moradores de rua e famílias carentes.

O padre Cido Pereira, da Pastoral da Comunicação, disse ao CBN SP que a intenção é ampliar a coleta seletiva pois a ação estaria de acordo com o tema da campanha da Fraternidade 2011 que será a preservação do meio ambiente.

Ouça a entrevista do padre Ciro Pereira

Ros Mari Zenha, que organiza abaixo-assinado para impedir o fim da coleta, não entende porém porque “os pobres trabalhadores estão na calçada esperando o lixo ser entregue pela população, que continua perplexa”. Na Reciclázaro são processadas 400 toneladas de material reciclável por mês.

Ouça a entrevista de Ros Mari, ao CBN SP, que foi ao ar, sexta-feira (31.12.10)

O fato de a Arquidiocese não ter ordenado a interrupção da coleta não significa que o pároco que substituirá padre Spínola não tome esta decisão. É isto que temem as pessoas que se mobilizam para manter o serviço na Lapa.

Além disso, desconfia-se que interesses econômicos possam estar por trás da medida. Com a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos este negócio pode se tornar mais atrativo e empresas privadas estariam dispostas a entrar neste mercado que tende a ser lucrativo na maior cidade do país.

De minha parte, fico com a palavra do Padre Cido Pereira que, em entrevista, disse que o interesse da Igreja Católica é investir ainda mais na reciclagem. Mas é sempre bom ficar atento aos próximos passos. Ficaremos.