Eleitor paulista é de centro-direita, diz cientista

 

adoteA disputa dos adversários de Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida ao Governo de São Paulo é para chegar ao segundo turno. E, dificilmente, Marta Suplicy (PT) perde uma das duas vagas ao Senado. A opinião é do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Fernando Abrúcio ao comentar o resultado das pesquisas eleitorais divulgadas pelo Instituto Datafolha.

Abrúcio disse que o PSDB é muito forte no interior do Estado, por isso a dificuldade para Aloísio Mercadante (PT) se aproximar dele. Além disso, o eleitorado paulista tem uma tendência de centro-direita o que daria vantagem ao tucano mesmo na disputa em segundo turno. Para o cientista político, o candidato petista dependeria muito dos votos da região metropolitana e de maior identificação com o presidente Lula e a candidata à presidência Dilma Roussef.

Na disputa ao Senado, na qual Marta aparece como líder, Abrúcio acredita que quatro nomes disputem a segunda vaga: Oreste Quércia (PMDB), Netinho (PC do B), Aloísio Nunes (PSDB) e Romeu Tuma (PTB). Ele disse que a desinformação do eleitorado em relação aos candidatos a senador ainda é muito grande.

Para Abrúcio, entrevistado do CBN SP, será possível ter uma ideia melhor sobre o cenário eleitoral duas semanas após o início do horário eleitoral.

Ouça a entrevista de Fernando Abrúcio ao CBN SP

Os 13 candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo foram convidados pelo CBN SP para participarem de entrevistas. Os candidatos a governador também terão oportunidade de conversar com o ouvinte da CBN.

Homenagem aos motoristas

 

Nesse domingo, se comemorou o Dia do Motorista, uma das profissões mais estressantes do mundo, apesar do desenvolvimento tecnológico.Em alguns casos, nem São Cristovão resolve.

70 ivolante

Por Adamo Bazani

Ônibus automático, suspensão que prioriza o conforto, ar condicionado, computador a auxiliar operações, vias mais largas e melhor planejamento. Situação ideal para quem é motorista de ônibus. Mas estudos mostram que a profissão é cercada de adversidades que colocam em risco a saúde, a integridade física e a qualidade de vida dos mestres do volante.

Pode-se dizer, sem usar jargões ou frases feitas, que os motoristas em geral – de ônibus, caminhão, carros de socorro e de diversos serviços – conduziram e continuarão a conduzir o progresso, ainda mais num país que desde os anos de 1950 privilegiou a política rodoviarista e abandonou o transporte ferroviário.

Motoristas de ontem e de hoje podem ser considerados heróis, mas de diferentes batalhas.

Ao longo do nosso trabalho de pesquisa sobre história dos transportes, tivemos a oportunidade de conversar com motoristas de diversas gerações. Os que atuaram na época em que as cidades ainda estavam crescendo, as ruas eram de barro – e atoleiro em dias de chuva -, e a direção e o sistema de embreagem dos ônibus eram duras de encarar, dizem que preferiam aqueles tempos. Os que ainda trabalham, concordam.

Propaganda Motorista Da mesma forma que o crescimento econômico, a nova postura dos empresários de ônibus e a evolução da indústria trouxeram benefícios, vieram junto os problemas decorrentes deste novo cenário. Estudos de diversos órgãos de medicina do trabalho revelam que dirigir ônibus tem sido cada vez mais cansativo, insalubre e perigoso. Os motoristas vivem em constante tensão. Trânsito caótico, assaltos em maior número e com mais violência, vandalismo, pressão por parte das empresas e passageiros dispostos a descontar neles o sofrimento pela lotação e longa espera nos pontos.

Tudo isso se reflete em afastamentos constantes do trabalho de motoristas que não suportam a rotina sacrificante. Uma pesquisa nacional, com mais de 1.300 motoristas de diversas capitais e regiões metropolitanas do País, realizada pela UnB – Universidade de Brasília – em 2008 mostrou dados alarmantes.

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De umbigo

 

Por Maria Lucia Solla

Vou poupar meus olhos, meus ouvidos, e tudo o que estiver acoplado.

O um diz que o dois está errado. O dois vem logo depois e diz que o um não sabe nada. Os que ficam no meio dividem-se entre: um é um energúmeno, o outro é sem-noção e nenhum dois dois sabe de onde veio e nem para onde vai.

Ninguém presta; ninguém vale nada, a não ser o Egão e a turma que lhe interessa na situação. A onda é reclamar; a onda é criticar: Brasileiro é um-sete-um, francês não toma banho, português é básico, argentino metido, americano é isso, italiano é aquilo. Ninguém presta. Muita pedra jogada na Geni, cabelo cortado do Zezé, e pouco se-é-tarde-me-perdoa.

Falar mal do Brasil, então, é preferência de nove entre dez brasileiros. A gente não aprendeu na escola a se orgulhar de nós. Tudo bem que nosso país foi colonizado na base da exploração, da expoliação, e do desrespeito pelos que habitavam esta terra, mas a gente não vai crescer nunca? Vai ficar rateando e botando a culpa no papai e na mamãe? Ora, já faz 510 anos que a lanterna foi focada na nossa direção e nos deu à luz para o mundo. Já faz 188 que fomos considerados capazes de tocar o barco sozinhos, e ainda agimos infantilmente, batendo o pé para tudo. Como queremos evoluir? Como queremos que nos vejam e ouçam com respeito, se somos um bando de peterpans? Crianças mimadas e chatas.

Deve ter chegado a hora de o Criador desistir do modelo, passar uma base branca na tela e recomeçar sua obra. Basta uma camada de base para apagar você, eu, e o resto da humanidade senhora da verdade – cada um da sua, é claro, e da verdade da sua turma.

Cansei de ouvir julgamento e condenação: fulado tititi; sicrana trolóló, ele, ela, eles, elas, ai! que porre! A vida é difícil, o mundo não é justo, blábláblá.

Poucos falam na primeira pessoa; já reparou? Eu fiz, eu disse, criei, cuidei, cozinhei, preparei, arrumei, limpei, toquei, errei, abracei, beijei, amparei, disse “eu te amo”, agradeci, aprendi, reconheci, perdoei, me dei conta, acordei, limpei a baba do canto da boca. O que vem do outro não presta; pobreza! Tudo bem que pobreza rima com leveza, esperteza e incerteza, mas maledicência rima com indecência, ineficiência; deficiência.

É tanta energia gasta no tititi e no trololó, na desconstrução de tudo e de todos que não dá tempo de construir, de criar, de se empenhar para consertar. Ouvir, então! A fala do outro serve de intervalo para que eu recobre o fôlego e me ponha a falar de novo, para me ouvir, me deleitar com o som da própria voz. Como é possível viver num mundo que a gente odeia! Viver cercado de gente errada!

Sociedade de dedo em riste, tristes juízes do mundo, entramos no parque de diversões e só conseguimos ver a pintura descascada no carrossel. Pobres de nós! Perdemos, perdemos muito, quando só vemos beleza e importância no próprio umbigo. E é bom lembrar que os políticos de plantão são frutos da nossa árvore. Ou investimos na educação, séria e prioritariamente, ou continuamos assim, a rezar:

Deus tenha piedade de nós
faça e viva por nós também
em nome do Pai
do Filho e do Espírito Santo
amém

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de línguas, realiza curso de comunicação e expressão e escreve no Blog do Mílton Jung, aos domingos

Transgressão na moda

 

Por Dora Estevam

Givenchy Lea T Corpo ZoomA moda é mesmo surpreendente. Ou, devo dizer, surpreendente é quem faz a moda. 

A cada coleção ficamos sempre nos questionando. E agora ? Será que vou ter que trocar todas as minhas roupas ? Será que serei uma cafona ? Uma fora de moda se não comprar esta ou aquela peça ? Se não renovar a minha sapateira com cinco pares de sapatos, pelo menos, vou ficar por fora ? As minhas amigas não vão querer sair mais comigo ? 

E os homens: será que minha namorada vai querer ficar em casa ou se esconder em algum restaurante de bairro ? Tá legal assim ?

Tudo por causa da tal moda.

De qualquer forma, uma revistinha você acaba lendo, certo ? Ninguém é de ferro mesmo. Nós já até demos dicas de algumas para homens. Sim, porque pra mulher nem precisa. É dom conhecer todas. 

Bem, quando você abre uma revista para apreciar as páginas de moda normalmente encontra belas modelos apresentando roupas femininas e homens vestindo os lançamentos  masculinos.

Também estamos acostumados a olhar as fotos e identificar uma modelo ou outra e saber que sempre tem aquela que está mais em destaque, uma revelação ou um fenômeno, a quem buscamos como referência para vestir e copiar.

Givenchy Lea T Anuncio

As editoras (poderosas) das revistas mais influentes do mundo sempre escolhem as mais cotadas para os editoriais.

Às vezes, a surpresa vai além da nossa expectativa. E a novidade agora é a modelo e estilista Lea T.

Dela, acredito, você ainda não ouviu falar. Do pai dela, com certeza, ouviu: o ex-jogador Toninho Cerezo. Ocorre que Cerezo tem quatro filhos, um deles é a Lea – ou, Leandro como foi batizado. Uma modelo transexual que mora na Europa e é assistente do estilista da Givenchy, Riccardo Tisci, de quem também é namorada.

leat2O trabalho de maior destaque de Lea T. é o ensaio nu que acaba de fazer para a Vogue Paris, escalada por ninguém menos que a poderosa Carine Roitfeld, editora-chefe da revista.  A moça está fazendo o maior sucesso, até já foi contratada pela agência de modelos Woman. Mas a musa de Tisci já deu o que falar antes destas fotos. 

Sim, ela fez parte da campanha inverno 2010’11 da marca francesa Givenchy.  Foi neste trabalho que Carine Roitfeld conheceu “Leo” – como também é chamado. E ele responde. A editora gostou tanto da musa do estilista que reservou páginas e páginas, inteirinhas, para ela. 

Sobre a sexualidade, Lea disse em entrevista a revista “Vanity Fair” que quer fazer a operação para mudança de sexo. 

Eu, só sei dizer que a moça, nascida em BH, virou sensação da temporada.

Quem pode, pode. 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Arena do Corinthians em Itaquera interessa à São Paulo

 

Estadio Corinthians

Desde que Ricardo Teixeira descartou o Morumbi para a Copa do Mundo, surgem ideias de todos os lados. A última é a construção do estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. Não sei quanto de fantasia existe na proposta que estaria conectada as comemorações dos 100 anos do clube, mas que investidores coloquem dinheiro naquela região me parece mais interessante para a cidade.

Em 2002, o fundo americano Hicks Muse negociou com a prefeitura terreno ao lado da rodovia Raposo Tavares para levantar uma arena esportiva que seria usada pelo Corinthians. Na época, lembrei várias vezes do erro estratégico para a cidade se aceitasse a proposta.

Já que é para levantar um estádio – sem dinheiro público, é lógico – que o seja onde mais possa interessar a São Paulo. A Arena do Corinthians poderia induzir o desenvolvimento da zona leste, alvo de uma série de projetos que pouco andam por falta de interesse do poder público. Com Poá, Ferraz de Vasconcelos e parte de Guarulhos e Itaquaquecetuba, o leste metropolitano de São Paulo tem a maior concentração populacional da região.

O aeroporto internacional de São Paulo está para aquele lado, assim como as rodovias Dutra, Fernão Dias e Airton Senna, o que facilita o acesso de outras partes do País. Já existem linhas de metrô e trem atendendo aqueles bairros. Teriam de aumentar sua capacidade de transportar passageiros.

Há carência de equipamentos culturais, artísticos e esportivos na zona leste paulistana. A Arena atenderia esta demanda transformando-se em boa opção para os moradores que, atualmente, precisam cruzar a cidade em busca de atrativos.

Melhoria da estrutura viária, saneamento e rede hospitalar seriam bem-vindos para aqueles moradores, também.

Os recursos voltados à zona leste teriam reflexo no mercado de trabalho e, a partir de ações bem planejadas, se teria um plano de expansão que poderia tornar a região auto-sustentável, benefício para toda a cidade com renda mais bem distribuída, redução no número de viagens e qualidade de vida.

Duvido muito da capacidade de se construir um estádio com 65 mil lugares que comporte a abertura da Copa do Mundo de 2014, já que o projeto corintiano chega ao máximo de 45 mil. Verdade que, há dois anos, o jornalista Victor Birner divulgou um esboço da Arena que poderia ter até 77 mil assentos – é o desenho que você vê reproduzido aqui no post.

Não, sei também, se há dinheiro para tocar esta obra em tempo de receber jogos do Mundial. Há quem aposte que sim.

Mas quanto a Copa da Fifa que se preocupem aqueles que se comprometeram em fazê-la. Eu, ao acreditar no desenvolvimento da zona leste, tendo a Arena do Corinthians como âncora, penso em São Paulo e seus moradores, apenas.

US$ 1 tri de prejuízo em 60 anos de congestionamento

 

Estudo desenvolvido pelo engenheiro Adriano Branco mostra gastos com combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias, entre 1948 e 2008, em São Paulo.

ônibus 1960

Por Adamo Bazani

A imagem é dos anos de 1960, mas o problema persiste até hoje. E, pelo jeito que as coisas estão, não ficará melhor do que isto. Uns poucos ônibus perdidos num mar de carros. Isto que a foto havia sido feita na Rua Augusta, no centro de São Paulo, que tinha uma mão para ônibus.

A cena explica parte das razões de o transporte público sufocar os trabalhadores, aqueles que pagam caro por um serviço desconfortável e até perigoso. As soluções adotadas pelo poder público são paliativas. Um faz de conta.

A majestade das ruas continua sendo o carro. A autoridade prefere beneficiar os 5m2 de espaço ambulante que costuma transportar uma só pessoa em detrimento dos 30m2 ocupados por um ônibus que leva até 100 passageiros.

O transporte de passageiros que é democrático, pois atende uma demanda maior em menor espaço, não é priorizado. Ou seja, não há democracia nas grandes e médias cidades.

O engenheiro Adriano Branco, um dos responsáveis pelo projeto Sistran, que trouxe uma nova geração de trólebus para o Brasil, escreveu artigo recente no qual apresenta dados impressionantes, que mostram que o problema do transporte tem raízes antigas. Ou seja, há muito tempo as autoridades sabem o que se passa e o pior, sabem o que fazer. Mas não fazem.

No ano de 1958, o prefeito Adhemar de Barros contratou uma equipe de economistas e técnicos, chefiada pelo general Anápio Gomes, para verificar a questão da mobilidade urbana. Isso porque, a CMTC quando foi criada em 1947, com o monopólio do transporte de passageiros por ônibus e bonde, transportava em média mais pessoas do que, em 1958, quando as empresas particulares voltaram a dominar o cenário do transporte coletivo.

O índice de mobilidade nos transportes urbanos (incluindo trens) em 1954, auge da CMTC, era de 392 viagens por pessoa em um ano. No início dos anos de 1960, quando as particulares predominavam, a mobilidade caiu para 343 viagens, mesmo com o aumento no número real de passageiros.

O estudo de Anápio Gomes revelou algo inédito: o custo dos engarrafamentos para cidades como São Paulo. Apesar dos índices de congestionamentos serem bem menores do que na atualidade, o fato de se dar prioridade para os carros causava prejuízos de 1,5 vezes o orçamento da cidade.

Já imaginou o que pode ser feito com um US$ 1 trilhão, só na área de transportes?

Corredores de ônibus em quase toda São Paulo, metrô, trem, VLP, VLT, monotrilho, o que for preciso.

Pois é, mas foi justamente isso que a cidade de São Paulo amargou em prejuízos entre 1948 e 2008, de acordo com estudo de Adriano Branco. Isso inclui combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias.

Cada centavo negado para o ônibus ou trem, no futuro se reverte em gastos bem maiores.

Dados da própria SPtrans revelam que em março de 2006 foram transportados 263 milhões de passageiros contra 293 milhões no mesmo mês de 2009. Aumento de 10%, mas a frota só cresceu 0,5% neste mesmo período.

Nesta terça-feira, 20.07, durante uma hora, o programa A Liga, da Tv Bandeirantes, mostrou a rotina dos transportes e trouxe dados importantes. Os repórteres fizeram ‘passeios’ ao lado de passageiros que chegam a fazer viagens de mais de três horas dentro da própria cidade para chegar ao trabalho. (veja a reportagem aqui)

Especialistas são unânimes: resolver o problema não é tão difícil e caro. Os corredores de ônibus são a solução imediata, barata e de ótimo retorno. Basta ter coragem e colocar ônibus e carros nos seus devidos lugares.

Recado aos busólogos

Em vez de restringirem a discussão à beleza ou feiura de tal modelo de ônibus ou a provarem que um OF tem 10 parafusos nas rodas e outro tem 8, busólogos de todo o Brasil deveriam, sim, pensar em questões mais complexas. Aproveitarem o conhecimento que desenvolveram para cobrar de forma séria daqueles que recebem, e muito bem, para operar e gerenciar o transporte público.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN e que se revolta ao ver a situação atual dos transportes.

Goldman insiste no Morumbi, mas nada está decidido

 

Ainda não decidimos. Este foi o resumo do recado de pouco mais de cinco minutos passado aos jornalistas ao fim do encontro que discutiu a participação de São Paulo na Copa do Mundo de 2014, no Palácio dos Bandeirantes, no meio do dia. Alberto Goldman, governador, Gilberto Kassab, prefeito, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, conversaram sobre as alternativas para que a capital seja palco da partida de abertura do Mundial.

Na reunião, Goldman insistiu na ideia de que o estádio do Morumbi, reformado, é a primeira opção para que a cidade de São Paulo seja sede do Mundial. Em entrevista ao CBN SP, antes do encontro, ele comentou que a CBF e a Fifa poderiam abrir mão de algumas exigências e permitir que o local sirva para a realização do jogo inaugural. A construção do Piritubão, que já foi opção para o prefeito Gilberto Kassab, foi descartada. Goldman reforçou, também, a ideia de que dinheiro público é apenas para obras de infraestrutura, jamais para estádios.

Ouça a entrevista de Alberto Goldman antes da reunião com o presidente da CBF. Ricardo Teixeira

Hoteleiros defendem dinheiro público em estádio

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo foram taxativos ao defender o uso de dinheiro público na construção de estádio caso haja algum risco de a cidade perder o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. Na entrevista desta manhã, ao CBN SP, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, em São Paulo, Maurício Bernardino, explicou que a oportunidade não pode ser desperdiçada pois o retorno econômico com a presença de profissionais e turistas na cidade compensaria os gastos.

Outros destaques da pauta #CBNSP:

Com biblioteca – Após três anos de reformas, a biblioteca Mário de Andrade foi reaberta, parcialmente, na cidade de São Paulo. Acompanhe a reportagem de Juliano Dip que visitou o local.

Sem buraqueira – É possível fazer obras no subsolo da cidade sem deixar cicratizes, mas para isso é preciso investir em tecnologia. É o que defende o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva, Paulo Dequech. Ele explicou ao CBN SP que estas técnicas já são usadas pela Sabesp e Comgás, por exemplo, em São Paulo. Desta maneira, as intervenções nas ruas e avenidas podem ser feitas sem a necessidade de se abrir enormes crateras para a troca e implantação de equipamento.

Daqui a pouco, ouça a entrevista de Paulo Dequech que fala, também, sobre a má-qualidade dos reparos feitos no calçamento após a realização de obras.

Época SP na CBN – Maria Alcina e a banda de um homem só são destaques na agenda cultural de São Paulo. Ouça as dicas de Rodrigo Pereira, no CBN SP

Hotéis temem perder dinheiro sem Copa em SP

 

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo estão preocupados com a possibilidade de a cidade ficar fora da Copa do Mundo 2014 ou perder a oportunidade de sediar o jogo de abertura do Mundial. De olho no dinheiro que o segmento poderia arrecadar, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo, Maurício Bernardino, alertou que para a partida inaugural se prevê a presença de cerca de 20 mil pessoas entre jornalistas estrangeiros, delegações esportivas e dirigentes convidados da Fifa, sem contar os torcedores que se fariam presentes.

“É preciso informar os desavisados sobre o dinheiro que será deixado aqui pelo turista. Imaginem sete diárias de hotel para 500 mil pessoas, público estimado do evento”, disse Bernardino, logo após encontro da Câmara Temática da Copa 2014, realizada nesta terça-feira, na capital.

Ele criticou quem estimula o cidadão a pensar que a construção de um estádio desviaria recursos das áreas de saúde, habitação e educação: “se a população continuar a pensar apenas este lado da questão, perderá a verdadeira noção que o legado de uma Copa do Mundo ou grande evento pode trazer para uma cidade”.

Para o empresário e representante da indústria de hotéis, “é inconcebível pensar em uma Copa do Mundo no País sem considerar a cidade como uma das sedes”. Cita, por exemplo, o fato de que São Paulo tem cerca de 45 mil quartos para hospedagem, uma quantidade enorme de restaurantes, bares, casas de espetáculos e outros equipamentos para atender turistas. Acrescenta à lista, 18 roteiros “interessantes” que estariam a uma distância de até 100km da cidade.


“Só posso dizer que sem hotéis não há turismo e sem São Paulo a Copa é impossível”, conclui.

“Seguradoras estão mal informadas”, diz gerente do Rodoanel

 

A polêmica sobre o roubo de cargas no trecho sul do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, levou a Dersa atacar as operadoras de seguro que se negam a permitir que caminhões de carga utilizem o acesso para o litoral paulista. O gerente de operações Paschoal Vargas Sobrinho disse que as seguradoras estão mal informadas, e não entende a restrição imposta, pois não teria havido nenhum roubo desde o início das operações, em 1º de abril.

Apesar de confirmar a existência de pontos em que não há sinal de telefonia celular, o que dificulta o monitoramento dos caminhões de carga, Paschoal Sobrinho diz que o trecho sul do Rodoanel é bastante seguro em função das característica da rodovia. “Não existem rotas de fuga”, explicou o gerente.

Quando a crítica de que os caminhões estariam preferindo seguir por dentro de São Paulo em lugar de usar o trecho sul do Rodoanel, Paschoal Sobrinho disse que também não se confirma. Atualmente, 70 mil veículos passariam por dia pela rodovia, aumento de 5% em relação há três meses.

Seguros ‘proíbem’ caminhões de andar no Rodoanel Sul

Para saber o que dizem as operadoras de seguro e os transportadores de carga, acesse os links a seguir:

Sem números, seguradoras insistem em restrição ao Rodoanel

São Paulo é refém dos perueiros

 

A prorrogação dos contratos dos 6 mil perueiros até 2013, decidida pelo prefeito Gilberto Kassab, demonstra que a cidade ainda é refém das cooperativas que transportam mais de meio milhão de passageiros, por mês. Toda vez que a administração municipal pensa em reorganizar o sistema de transporte coletivo é pressionada por grupos que exploram, econômica e politicamente, os proprietários de vans.

A nova licitação que deveria ser realizada neste ano mudaria parte da estrutura de transporte de passageiros seja por ônibus seja por vans. Atualmente, linhas se sobrepõem, há excessos de veículos atendendo alguns corredores e carência em outras regiões. Empresas de ônibus e cooperativas não rodam em parceria, são adversários a disputar o mesmo segmento, na maioria das vezes de forma predatória que prejudica diretamente o passageiro.

Haveria necessidade, por exemplo, de se tirar as vans dos corredores e faixas exclusivas de ônibus e colocá-las a trabalhar como alimentadoras deste sistema, além de restringir o acesso às regiões mais centrais. Isto, porém, mexeria com o faturamento das cooperativas que exploram os cooperados/motoristas.

O doutor em Planejamento de Transportes e Logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as cooperativas faturam com a indisciplina que impera no setor. Ele reclamou que a cidade não tem uma gestão integrada de transporte nem plano de mobilidade estabelecido.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Resende, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com o novo secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale mas a assessoria dele disse que “não tinha agenda” para a entrevista. Cardinale assumiu recentemente a pasta em substituição a Alexandre de Moraes, que era citado como supersecretário de Kassab, pois acumulava vários cargos na administração municipal, e teria sido demitido porque insistiu na ideia de abrir a licitação para a contratação de perueiros.

O jornal o Estado de São Paulo trouxe boas reportagens sobre o tema na sua edição de hoje que ajudam a entender a dificuldade do prefeito Gilberto Kassab em enfrentar o segmento.

Clique no link a seguir para ler um desses textos

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