Canto da Cátia: Amor declarado e abandonado

 

Carro Abandonado Paz & Amor

“Ou eu ou o carro”. O ultimato de Gabriela, enciumada com o carinho oferecido ao veículo, foi ouvido com dor no peito pelo dono do velho Ford LTD. Teria de abandonar sua paixão, aquela que lhe acompanha desde os anos de 1970 quando ainda causava inveja nos demais motoristas que retorciam o pescoço para acompanhar sua passagem pelas ruas da Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

A ingrata namorada não aceitou nem ouvir as lembranças que marcavam aquela relação: foram muitos os passeios com a namorada no banco da frente, de mãos dadas e encostadinhos, ombro a ombro, dessas coisas que só aquele carrão nos permitia.

A possessiva não se satisfez em saber que ele aceitaria abandonar o carro em troca de maior dedicação à relação com a namorada. Exigiu que deixasse eternizado na lataria a opção pelo amor à Gabriela. E assim o submisso o fez como nota-se na foto registrada pela Cátia Toffoletto.

Brasília, 50 anos: moderna, não para os ônibus

 

Na planejada Capital Federal o sistema de transporte de passageiros nasceu de forma improvisada. E devido a carência da população que vive em seu entorno, o poder público teve de intervir e operar as linhas.

Ônibus da empresa pública de transporte, em 1964

Por Adamo Bazani

Moderna, com projeto de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, Brasília nasceu há 50 anos com o vício das grandes cidades brasileiras: priorizar o transporte individual em detrimento ao público.

As vias arrojadas, os traçados retos, os trevos e viadutos que evitam cruzamento fizeram parte do projeto urbanístico. No entanto, nenhum espaço exclusivo para o transporte de passageiros foi pensado. A implantação de um sistema que atendesse às necessidades da população foi feita quase no improviso, mais remediando os problemas crescentes que planejando soluções em médio e longo prazos.

Com a construção do Distrito Federal, a população da região e do entorno crescia numa proporção três vezes maior do que em anos anteriores ao empreendimento realizado no Governo de Juscelino Kubitscheck. Eram milhares de pessoas que buscavam empregos de todos os níveis, desde serviços e construção civil até altos cargos no setor público. Havia poucas linhas de ônibus, que apesar de servirem a Capital da Modernidade, ainda enfrentavam ruas de terra e muita poeira.

Em 1960, ano da fundação, a Câmara dos Deputados compra dois ônibus FNM para servir aos funcionários. No dia 25 de maio, os parlamentares, decidem que os ônibus devem operar em três linhas, sempre com destino à Câmara. Enquanto isso, outras empresas de ônibus ligavam o Planalto Central às cidades satélites, mas de forma precária e insuficiente frente à demanda crescente. Um estudo inicial propôs a criação de uma empresa de ônibus a ser explorada pelas montadoras de veículos, beneficiadas por JK, mas a indústria sequer respondeu a proposta.

Também foi pensada a instalação de um monotrilho ligando todo o planalto, isso ainda nos anos de 1960. Mas os custos de implantação e as obras necessárias fizeram com que o projeto não fosse considerado viável.

As empresas de ônibus só se modernizavam quando o poder público dava estrutura de operação. Em 1960, a empresa Planeta comprou ônibus de São Paulo para servir as ligações entre o Plano Piloto e as cidades satélites. Apenas após as obras de pavimentação de Brasília e do entorno é que outros empresários do setor renovariam suas frotas. Em agosto, entra em circulação a primeira linha interna de Brasília, ligando os setores residenciais Sul e Norte. Em 12 de setembro, é inaugurada a Plataforma central da Rodoviária do Plano Piloto, cujo local já recebia ônibus de forma precária.

O início das operações da rodoviária foi gradual. Mesmo após sua inauguração oficial, as linhas de ônibus interestaduais faziam paradas no Núcleo dos Bandeirantes. Em 22 de outubro, Brasília tinha 75 ônibus, distribuídos em 14 linhas com oito empresas, que ainda operavam em regime de permissão da época da construção da Capital. Neste ano, a Expresso Brasil assume linhas circulares do Plano Piloto, mas desrespeita o contrato transferindo sem autorização veículos destas linhas para as das cidades satélites que eram mais lucrativas. Antes mesmo da criação da empresa publica, o poder distrital teve de operar ônibus, inicialmente comprando em 28 de dezembro, monoblocos Mercedes Benz O 321.

A Sociedade de Transporte Coletivo de Brasília, TBC, nascia oficialmente em 8 de maio de 1961. A empresa chegou a contar com mais de 150 veículos, mas depois da estrutura viária e da definição da demanda, as empresas particulares pressionaram para participar do sistema, o que fez com que a TCB fosse perdendo espaço. Tais empresas queriam o que outrora haviam desprezado, na época em que a região ainda não estava totalmente estruturada e que operar transportes representaria um custo muito alto.

A TCB foi uma das primeiras empresas no País a usar transmissão automática em ônibus urbano e nos anos de 1970 foi considerada empresa modelo para a América Latina. Atualmente, opera poucas linhas, com cerca de 40 carros.

As queixas hoje em dia da população de Brasília e região sobre os transportes ainda são grandes. Alguns veículos mal conservados, com motoristas nem sempre desempenhando o melhor de sua função e ônibus lotados rodam bem aos olhos do centro do poder político nacional.

Nota-se que nem sempre cidades bonitas, com largas vias e boa pavimentação são democráticas quando o tema é a divisão do espaço público e a prioridade ao transporte de passageiros.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo e não havia nascido quando Brasília foi inaugurada. Às terças ou a qualquer momento em edição extraordinária, escreve no Blog do Mílton Jung

Pauta #cbnsp 26.04.2010

 

260420103126

Sem-teto – Integrante da Frente de Luta por Moradia esperam ser recebidos pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e se concentraram diante da sede da prefeitura. A repórter Cátia Toffoletto acompanhou a manifestação. Atualize as informações visitando a página da CBN, na internet.

Cidade Limpa – O projeto que tirou os outdoors das ruas de São Paulo e restringiu a fachada do comércio está entre os destaques da Exposição Mundial que começa dia 1º de maio, em Xangai, China. Regina Monteiro, diretora da Emurb, que representará a cidade no encontro disse que o próximo passo no programa é o Plano Diretor da Paisagem Urbana que irá privilegiar a questão da iluminação na cidade. Acompanhe aqui a entrevista com Regina Monteiro.

Esquina do Esporte – A decisão do Campeonato Paulista foi pautada pela forma como o Santos jogou ou deixou de jogar na primeira partida da final, mas o Santo André mostrou qualidade na formação de seu time. Deva Pascovicci e Victor Birner analisaram a vitória santista por 3 a 2.

Época SP na CBN – O Rodrigo Pereira começou a semana com ótimas dicas musicais, tendo rara apresentação de Altamiro Carrilho como destaque. Ouça aqui.

Foto-ouvinte: Vale a pena fazer esta Cãominhada

 

Uma caminhada ao lado do seu cachorro de estimação foi o programa, na manhã de domingo, de muitos paulistanos, na Avenida Politécnica, ao lado da USP, zona oeste. Cenas interessantíssimas foram registradas pelo colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo: “Impressionante, o carinho e o amor devotados a esses bichinhos de estimação”, escreveu o autor das imagens que nos passam exatamente estes sentimentos. Bom caminhada.

De dor II

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De dor II” falado, gravado e sonorizado pela autora

Photo 48-1

Gememos, sofremos, reclamamos.

De quê?
Rejeição, dor, injustiça.

Difícil aceitarmos que alguém não nos ame como queremos ser amados.
Difícil passarmos desapercebidos quando pensamos ter os sentidos alertas e acreditamos perceber tudo e todos.

Na verdade, nossos sentidos têm olhos semicerrados e só percebem vagamente as sombras da ilusão.
Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.

Vivemos rotulando: isto é justo, isto não é; isso está certo, aquilo não.
Chove; que droga! Não chove; que secura!
O mundo lá fora não me revenrencia; não é justo!
O outro tropica; justo!

Nossa bússola anda bêbada; louca.
Deixou de ser bússola; virou biruta.

Pois foi numa fase dessas, de bússola-biruta, que chegou a mim uma mensagem da Cabala e me fez ver um raiozinho de luz nas sombras da ilusão em que me encontro.
Trouxe alívio para a dor que me aflige.

A mensagem diz que rejeições, acontecimentos que não consideramos justos, coisas que não vão ou não vêm na direção que queremos, são a chance que temos de não alimentarmos nosso ego. São a chance de libertarmos o nosso verdadeiro Ser.

A mesagem nos convida a apreciar a rejeição; a dar-lhe as boas-vindas. Diz que a dor que sentimos, a dor que quase não suportamos, é o desacorrentar de nossa alma.

Para mim chegou na hora certa; e para você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e organiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com dor e paixão

Moda eficiente inclui a todos

 

Por Dora Estevam

Campanha da Debenhams

Sabemos que cadeirantes ou pessoas com deficiência sempre existiram e não é de hoje que lutam pelos direitos de igualdade, antes que alguém diga que é coisa de novela. Mas ainda bem que a novela trata deste assunto. Não que tudo que vemos nela seja tão real, é novela. De qualquer forma ajuda muito na divulgação da causa. E, acredito, os trabalhos alavancados neste momento ficarão para sempre. O que antes era difícil conseguir, hoje com a divulgação se tornou  viável.

Esta é uma das preocupações do governo e de empresários da moda brasileiros.  Em 2009, a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, em São Paulo. lançou concurso no qual estudantes – futuros estilistas – criaram roupas para coleção voltada à moda inclusiva. O evento tem o patrocíno da Vicunha Têxtil que ofereceu estágio aos vencedores e se comprometeu a confeccionar as roupas desenvolvidas pelos participantes.

O desafio está lançado novamente, agora, na segunda edição.
 
“Na primeira edição do Concurso de Moda para deficientes ainda não existia novela, foi muito difícil explicar ou fazer os investidores acreditarem ou entenderem o assunto. Hoje, com a novela ficou muito mais fácil atrair novos negócios” – explica Daniela Auller, assessora técnica do projeto Moda e Inclusão.

Shannon MurrayNa Grã-Bretanha, a BBC produziu programa com modelos deficientes incentivando a discussão sobre o tema. E a inclusão na moda foi além, debatendo o preconceito com etnias e tamanhos. Lojas se recusam a estocar roupas “extra-large” e só usam modelos brancas. Para desafiar este cenário, uma grande loja de departamentos, Debenhams, colocou na passarela uma cadeirante como garota-propaganda. De acordo com o site do jornal The Independent é a primeira campanha de moda com este foco.

A modelo é Shannon Murray, 32 anos. A grife investe também em tamanho grande (G e GG) para ficar mais próxima da realidade das pessoas e mostrar aos jovens que o padrão de beleza não é só aquela magreza estendida na passarela nem aquele rosto bonitinho estampado nos editoriais de moda.

Recentemente, uma cadeirante, Caroline Marques, 28 anos, desfilou no Fashion Downtown, que promoveu confecções e comércio no centro de São Paulo. Ela faz parte de agência que tem cerca de 80 modelos com todo tipo de deficiência física.

Você pode imaginar o que são 30 milhões de brasileiros com deficiência sem ter opção para se vestir? Se para uma pessoa “normal” já é complicado … quantas horas você leva para comprar roupa? E para se vestir?

Caroline Marques Paiva (arquivo pessoal)

A palavra-chave para a roupa inclusiva: facilitador.

É uma roupa que facilita a vida das pessoas. A calça com zíper ou puxador maior, que tenha um porta-bengala para as deficientes visuais (as mais jovens esquecem as bengalinhas), uma etiqueta em braille para facilitar a leitura da numeração, aberturas, botões já pregados (falsos) e sapato com elástico ou velcro, que também ajuda quando aplicados nas roupas. Isso significa que as peças podem ser usadas por qualquer pessoa, diz Daniella. 

Aqui no Brasil não se tem conhecimento de confecção que faça este tipo de roupa mais prática. Desta forma, os deficientes se vestem com roupas adaptadas em casa, customização caseira. Não custa nada colocar um bolso maior na frente de uma calça jeans, ficaria prática e simpática para todos nós, sugere Daniella.

Sem dúvida, uma iniciativa que deveria ser integrada em todas as escolas de moda do País.

Serviço
2º Concurso Moda Inclusiva
Inscrições para o concurso: até 30 de abril, no site Pessoa com Deficiência
Entrega dos trabalhos: até 05 de maio
Divulgação dos 20 finalistas: 07 de maio
Desfile: 7 de junho

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Decisão é “irreal” diz prefeitura sobre reciclagem

 

A prefeitura de São Paulo tem um ano para implantar a coleta seletiva em toda a cidade, conforme decisão da justiça paulista. O secretário adjunto de Serviços César Mecchi Morales disse que a medida é irreal e a prefeitura vai recorrer. A coordenadora de Ambiente Urbano do Instituto Polis Elizabeth Grimberg , por sua vez, entende que a organização de parte das 200 cooperativas e entidades que atuam no setor seria possível.

No despacho, o juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal, da Terceira Vara da Fazenda Pública, determinou que a prefeitura dê todo apoio jurídico, administrativo e operacional para a formação de cooperativas de catadores, instale centrais de traigem de lixo e contrate as próprias cooperativas para fazer o serviço de coleta e reciclagem.

Acompanhe esta discussão e entenda a decisão da justiça, nas entrevistas feitas pelo CBN SP

E aqui você ouve outros temas da pauta do dia no #CBN SP

Reginaldo e Mônica, na alegria e na falência

 

Por Frederico Mesnik

Mônica estava desolada. Com o casamento marcado para o fim do ano, sua festa, que há pouco saciava todas as suas fantasias de princesa, estava agora,reduzida ao quintal de casa. Nada de cornetas reais para sua entrada suntuosa, garçons com bebidas exóticas, ou o amigo DJ para agitar a pista até o amanhecer. A nova realidade comportava somente poucos convidados para uma recepção modesta, sem muita pompa, somente o necessário. A lua-de-mel, antes um cruzeiro pelo Caribe, estava agora transferida para a casa de Peruíbe – e com os sogros, para cortar custos.

Da euforia vieram os planos e da fragilidade das decisões veio à decepção. Com pouco mais de R$ 50.000 resgatados do seu FGTS meses antes, Reginaldo foi seduzido pelo glamour da bolsa de valores. O caminho era fácil. Abre-se uma conta em uma corretora, faz-se a transferência do dinheiro e, em pouco tempo, vem a possibilidade de comprar e vender ações. Como toda corretora moderna, sua plataforma eletrônica dava acesso a um mundo de informações, de dados macroeconômicos a opiniões e recomendações de analistas, grafistas e palpiteiros em geral, via fórum de discussão. Balela para um engenheiro hábil em matemática, capaz de digerir e dominar o mercado financeiro em pouco tempo.

Por que não investe em um bom fundo de ações? Cogitou seu irmão mais novo, Márcio. Hoje, a internet disponibiliza um acervo de informações e rankings sobre os melhores gestores com anos de experiência, toda uma formação específica e habilitação pelos orgãos competentes.

Nada disso, replicou Reginaldo! Já estou dominando o processo. Tenho acesso às informações de que preciso tudo on-line e “de graça”. Porque vou pagar 2% ao ano de taxa de administração se eu sei fazer sozinho?

E foi assim, com toda prepotência de uma mente brilhante e inexperiente que Reginaldo debutou pelos meandros fascinantes dos mercados. O mesmo analista que há pouco recomendara a venda de Petrobras agora mandava comprar. Dizia que o aumento dos preços do minério de ferro já estavam precificados e Vale não era uma boa opção. Do vizinho veio a dica de Varig que subia sem parar com rumores de venda. Nos fóruns discutia-se Itaú. Montou sua carteira ao ponderar tantas ideias de tantas fontes diferentes e ganhou dinheiro. Dobrou seu capital em pouco mais de três meses ao mergulhar no boato da empresa e soube conter sua ganância ao realizar o lucro. Marcou o casamento e deu a Mônica um orçamento dos sonhos, que como já sabemos, estava com os dias contados.

Estava confiante, sentindo-se poderoso e apto para arriscar. Do grafista veio o cenário de realização e do analista uma operação de volatilidade, envolvendo o mercado de opções. Abriu seu Excel e “planilhou” tudo. Calculou os retornos, os riscos, o VAR, as gregas e tudo que havia aprendido com todos os canais disponíveis. Montou sua posição, tomou banho e foi para uma entrevista agendada com uma empresa multinacional de bens de consumo. Ganho fácil com operação casada de mercado à vista e derivativos, difícil errar. Márcio, te dou uma comissão de 1% se você ficar aqui monitorando o mercado para mim, disse Reginaldo. Fique de olho na planilha, e se acender alguma luz vermelha você me liga.
Foi para entrevista com um pé em cada canoa. De um lado o mirabolante mundo dos ganhos fáceis; do outro, a árdua tarefa de arrumar um emprego. Afinal, o casamento estava marcado.

Começou a entrevista e Reginaldo percebeu que seu celular estava sem sinal. Suou frio e perdeu a concentração bem como qualquer chance de receber uma proposta de trabalho. Saiu correndo para ligar para casa e gelou ao ouvir as inúmeras mensagens desesperadas do irmão comissionado. O mercado tinha virado com a descoberta do pré-sal, as gregas abriram, houve chamada de margem e Márcio, sem titubear, zerou as posições com 80% de prejuízo! Era tarde demais.

Os sonhos construídos nas últimas semanas ruíram como a fragilidade de um castelo de areia, junto com os sonhos maritais de Reginaldo e Mônica.

Do surgimento da internet veio a facilidade de acesso às mais diversas informações. A Geração Y mergulhou no mundo virtual e o acesso à bolsa via plataforma eletrônica de home broker cresceu vertiginosamente. Estima-se hoje que aproximadamente 200 mil investidores entre 16 e 35 anos trocam suas posições diariamente na Bovespa, algo como 8% do volume mensal de negociação, ou R$ 8 bilhões. A expectativa de ganhos rápidos e fáceis é um atrativo para uma geração afoita que consegue ouvir música, trabalhar, acessar o Facebook ao mesmo tempo em que opera seu capital nos mercados.

Não sou contra o uso do home broker e para cada regra há exceções com a revelação de talentos. Por outro lado, a grande maioria costuma tomar um tombo grande para depois reavaliar. Já ouvi muitas histórias parecidas – óbvio que usei aqui um exemplo caricato – e todas tem um ponto em comum: investidores educados que vão ganhando confiança com o tempo e percebem, de uma maneira bem cara, que o mercado financeiro é ambiente para profissionais. Operar sozinho é como auto-medicação. Começamos com uma simples aspirina e, em pouco tempo, o farmacêutico indica aquele remédio novo para dor nas pernas. Doses erradas, combinação com outros medicamentos e efeitos colaterais são os ingredientes para comprometer a saúde física.

Não vamos também comprometer a saúde financeira e mental. Para operar sozinho, use uma quantia pequena para brincar e se divertir. Deixe a gestão do seu patrimônio para profissionais! Sabemos que o ser humano tem o viés de esquecer as perdas e de dar mais valor aos ganhos, o que dificulta a auto-análise e a visão real de que sozinho é muito difícil ganhar dinheiro na bolsa com consistência e segurança de longo prazo.

Esperamos que Reginaldo tenha aprendido uma lição, pois o primeiro prejuízo costuma ser o menor e, quem sabe, com sorte e um bom gestor ele e Mônica possam comemorar o primeiro ano de casados com muito estilo.

Leia aqui outros artigos publicados por Frederico Mesnik

Frederico Mesnik é gestor de recursos, mestre em Administração de Empresas pela London Business School, especialização em Finanças pela Universidade de Chigago, GSB, e escreve no Blog do Mílton Jung