De lua

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De lua na voz e sonorizado pela autora

Galeria de Eduardo Amorim no Fliuckr

Mulher é lua, tem fase. Incha, fica plena, regozija, depois murcha, murcha, diminui. Muda a forma: escurece, emagrece, emudece, quase desaparece.

Um dia, invadida pelo calor solar, volta aos poucos a inchar.

Só me parece importante lembrar que tudo isso – fase, forma, luz, escuridão – é ilusão.

eu mulher
eu lua
lua mulher

tenho fase de alegria
colorida como fantasia
onde o riso brota fácil sem regar
tudo vai e vem
em pacote envolto em linda fita

tenho outra porém
de tristeza infinita
dura seca escura maldita
lágrimas rolam
feito folhas no outono
e me vejo sozinha
no amargo abandono

É mais fácil falar de tudo isso quando se está no quarto-crescente porque é aí mesmo, é desse lugar que a gente pode perceber uma nesga da realidade, um vislumbrar da sanidade.

“Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.”

Eu disse isso na semana passada, e ouvi bem o que eu mesma disse. A velha história dos ouvidos que estão mais próximos da boca que fala ou, a gente só tenta ensinar o que precisa aprender.

Pois agora, na fase ascendente, percebo ainda melhor que não são os grandes acontecimentos, os presentes caros, os momentos de fogos de artifício e de champanhe francês que vêm nos resgatar da escuridão da dor, do breu da solidão.

São coisas prosaicas: pequenos sorrisos que só arqueiam os cantos da boca, a mão que se estende e os braços que se abrem no gesto que te aconchega, que oferece conforto, que alivia tanto a descida quanto a subida. É o brilho intenso do olhar que vem certeiro na tua direção, a palavra quase dita, o telefonema inesperado, o doar-se, o oferecer de si mesmo, um pedacinho que seja, que dão o impulso para o passar de fase.

é cada pequeno evento que faz que eu
mulher que anseia
trilhe de novo a via que leva
a mais uma fase cheia

eu mulher lua
vestida nua
no quarto na rua

é cada pequeno gesto
percebido reconhecido recebido
que me ajuda a recolher
os fragmentos da fase vazia
que me deixa
contente
e me faz de novo
gente

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão e escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung em todas fases da lua


Imagem da galeria de Eduardo Amorim, no Flickr

Novos anos 70 de novo

 

Por Dora Estevam

mariacarlaboscone-harpersb[1]

A década de 70 está de volta. Renovada ganhou um ar mais opulento no qual há espaço para muitas pedrarias, tricôts, paetês, lurex, bordados enormes e tecidos brilhantes.  
 
Como a moda não tem fronteiras quando se fala em anos de 1970 logo vem a mente o estilista Jean Paul Gaultier, que apresentou o último desfile de alta-costura  todo inspirado no folclore e nas ricas paisagens do México.
 
E não foi a primeira vez, o encantamento de Gaultier com o México já vem de muito tempo. Ele é conhecido tanto como defensor da causa feminina como da homossexualidade.

gaultier-1998[1] 

Em 1998, o desfile de Gaultier foi totalmente inspirado na vestimenta da artista mexicana Frida Kahlo, que já era conhecida por seus trajes folclóricos 40 anos antes de a moda dos anos 70 ser reconhecida ou intitulada e por eles influenciadas.
 
Na década de 70 quando as mulheres se vestiam friamente para trabalhar ele foi lá e colocou as mãos na tesoura e foi totalmente “irracional” para a época. Aboliu a moda de homem e de mulher. Não queria saber quem iria fumar o charuto ou usar as suas saias.
 
Enquanto os amigos estilistas colocavam estrelas na passarela, Gaultier queria saber de gente autêntica: bonita ou feia; gorda ou magra; jovem ou velha.
 
Verifica-se sempre uma atratividade em suas coleções: “Os Mongóes”, “Os Rabinos Chiques”, “A Grande Viagem”… Até os punks tatuados já serviram de inspiração para estampar camisetas. Uma verdadeira ampliação do conceito de beleza. Pode ter certeza, ele já irritou muitos políticos com este jeito único de ser, como ele próprio se denomina o enfant terrible da moda.
 
Madonna também apreciou o talento do estilista ao usar os famosos corpetes com peitos bicudos em sua digressão Blond Ambition, em 1990.
           

Com tudo podemos dizer então que a década de 70 serviu como uma alforria para a moda, na qual tudo poderia ser misturado  (e pode).
 
Hoje, 40 anos depois, os criadores olharam com carinho para trás e nos trouxeram a exuberância, o luxo e a criatividade dos 70 com toque renovado e chique, atualizado e clássico.
 
dujourmagazine[1]

O que os estilistas estão querendo dizer é esqueça a crise e provoque o mundo com a sua beleza. Use roupas mais coloridas, estampadas, coloque maquiagem colorida nos olhos e na boca, use jóias com pedrarias que lembram a natureza, com suas riquezas de cores e assimetrias. Use muito brilho: nas saias, nas meias, nos shorts, regatas.
 
Mas cuidado, não vai sair por ai tipo  David Bowie, que era puro brilho, das roupas a maquiagem, nem com aquele kit Dancin’Days, de 1978. Prefira uma versão mais urbana e sofisticada, explore bem as jóias e respeite a anatomia do seu corpo. É isso, a antimoda na moda.
 
Agora me conte caro (a) leitor (a), como é que foi a sua passagem pelos seventies?

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Flores para este sábado de outono

 

Para que você tenha um bom sábado, o álbum digital do CBN SP traz sequência de detalhes que fazem parte da exposição fotográfica Flores, que abre neste sábado, em homenagem ao Dia das Mães, no Centro Digital, de São Caetano do Sul, na avenida Goiás, 950. Aproveite o fim-de-semana.

Anchieta, a sessentona e o transporte rodoviário

 

Semana passada, dia 22 de abril, a Via Anchieta completou 63 anos, rodovia que se transformou em sinônimo de modernidade em uma época na qual o transporte rodoviário engantinhava, superando crises internacionais.

EXPRESSO BRASILEIRO INAUGURAÇÃO

Por Adamo Bazani

A Rodovia Anchieta, que faz parte do sistema Anchieta-Imigrantes, em São Paulo, recebe mais de 30 mil veículos por dia na semana e até 80 mil por dia sábados e domindos, isso sem contar os feriados prolongados. Foi um sonho antigo de desenvolvimento de quem entendia a importância de uma ligação moderna entre três grandes pólos econômicos no Estado de São Paulo: Santos, pelo seu porto, o maior da América Latina, principal ponto de exportação dos produtos nacionais; ABC e Capital Paulista, pelo número de indústrias e população que aumentava de maneira considerável desde dos anos de 1930.

Com o aumento da atividade econômica no litoral e no planalto, ampliando também a área urbanizada nestas regiões, os deslocamentos de produtos e pessoas se faziam mais necessários. A ligação principal entre Santos e a Capital era a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, da São Paulo Railway, empresa de capital inglês, que desbravou a Serra do Mar por trilhos. No entanto, desde o governo de Washington Luís, nos anos de 1920, o Brasil começava a adotar política rodoviarista, por opção e, também, necessidade para atender de maneira rápida e barata o crescimento da população e da economia nos centros urbanos.

Mesmo com o trem sendo predominante, já em 1929, as autoridades e a população constatavam o esgotamento da rota Estrada Vergueiro, Caminho do Mar, Estrada Velha de Santos, pelo aumento do número de pessoas, mercadorias e veículos.A estrada velha se tornaria perigosa. Os veículos de transportes de cargas e passageiros se tornariam maiores e sua circulação se tornaria mais difícil.

Neste ano, em 4 de janeiro de 1920, o governo paulista de Júlio Prestes autoriza a obra que cortaria a Serra do Mar. Durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, no entanto, o projeto ficou parado. Era época de conflito mundial e os recursos ficariam escassos.

Ironia ou não, foi na época de Segunda Guerra Mundial que a Anchieta começou a ser construída, apesar de todas dificuldades financeiras e incertezas em relação ao futuro.

A construção começou em 10 de julho de 1939 e foi considerada uma da obra prima da engenharia rodoviária brasileira. Foram inúmeras as dificuldades e até vidas foram perdidas. Os viadutos, pontes aterros, túneis e cortes na Serra do Mar foram feitos quase artesanalmente, esculpida por trabalhadores e engenheiros com ferramentas simples. Não se poderia usar máquinas de grande porte em alguns pontos, por causa de riscos de deslizamentos.

Em 22 de abril de 1947, no governo de Adhemar de Barros, a primeira parte da rodovia, apenas a pista utilizada rumo ao Litoral era inaugurada. Os serviços de ônibus marcaram a fundação da rodovia. Para se ter ideia, no dia da apresentação se formava uma fila de ônibus novíssimos GM Parlour Coach, verde-amerelos, da Expresso Brasileiro, Viação Ltda, que fazia a ligação entre São Paulo-Santos, desde 1942, por iniciativa do empresário Manoel Diegues.

Canto da Cátia: Marronzinho de bicicleta

 

Marronzinho de bicicleta

Esta é uma das duas bicicletas da CET que circulam pela área do estádio do Pacaembu, de segunda a sábado. No Ibirapuera, há cerca de 15 fiscais-ciclistas pedalando para controlar movimento de carros e pessoas. E bicicletas, também.

Ter marronzinhos pedalando ajuda os fiscais a passarem a enxergar as bicicletas como meio de transporte neste enorme aglomerado urbano que vivemos.

Foto-ouvinte: Banheira Pública

 

Banheira pública

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Um grande buraco em formato de poço, que já engoliu as rodas de um caminhão de lixo, vira atração no calçadão da Av. São João com a rua Conselheiro Crispiniano, no centro de São Paulo. Durante o dia, moradores de rua usam o poço para lavar o rosto, as mãos e os pés; à noite, o corpo inteiro.
 

Canto da Cátia: Como o ministro pediu …

 

Ponto de ônibus pichadoSexo faz bem para a saúde, espalhou o ministro Temporão. Recomendou a prática como forma de combater o estresse e segurar a pressão em bom nível. Um moço com taxas de testosterona altíssimas, sem alternativa, provavelmente sem companheira decidiu apoiar a campanha, incentivando ao menos os passageiros dos ônibus que fazem linha neste local, como flagrou a repórter Cátia Toffoletto..

Vereadores arquivam cassação de prefeito de Guarulhos

 

CBN SPPizza em Guarulhos – Comissão especial da Câmara Municipal de Guarulhos decidiu pelo arquivamento do pedido de cassação do prefeito Sebastião Almeida (PT), suspeito de ter usado verba pública para beneficiar a ONG Água e Vida. O relatório será votado provavelmente até sexta-feira e a tendência é que os parlamentares mantenham o arquivamento já que apenas quatro dos 34 vereadores que integram a casa não fazem parte da base governista. Desde ontem, manifestantes estão acorrentados nas dependências internas da Câmara para agilizar o processo de cassação. O repórter João Vito Cinquepalmi acompanhou a votação.

Acompanhe outros destaques da pauta #cbnsp de 28.04.2010:

Cães ameaçados – O canil da USP que mantém cerca de 100 cães abandonados está ameaçado de ser fechado por decisão da coordenadoria da Cidade Universitária, a mesma que tenta impedir uso de bicicleta e quer cadastrar as pessoas que entram e saem deste local que já foi público e área de lazer na cidade. A denúncia foi feita por um dos professores-voluntários que atuam no cuidado e adoção destes animais, Tibor Raboczkay. Apesar de atuar há cerca de 10 anos no local, ele reclama que a medida está para ser anunciada pela USP sem que tenha havido qualquer conversa prévia com os coordenadores do canil.

Bibliotecas de Paraisópolis – Uma das maiores favelas de São Paulo com cerca de 100 mil moradores já tem 15 bibliotecas – cinco delas fora do ambiente escolar, espalhadas pela comunidade e mantidas por ela. Para incentivar os moradores a frequentarem estes locais, se inicia hoje a III Semana Cultural das Bibliotecas de Paraisópolis com uma série de atividades. O presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, falou sobre a iniciativa.

Urbanismo no STJ – O esqueleto de um prédio embargado em 1996 no bairro City Lapa pode mudar a história do urbanismo de São Paulo. A associação de moradores da região e o Defenda São Paulo foram à justiça para pedir que a construção seja derrubada, pois está acima da altura permitida nas escrituras iniciais da Cia City que loteou o bairro na década de 1950. A construtora alega ter autorização da prefeitura. O caso está para ser decidido pelo STJ e se a conclusão do prédio for permitida promoverá forte pressão do mercado imobiliário em bairros protegidos como Pacaembu e Jardins, alertou o professor das Faculdades de Arqutitetura e Urbanismo da USP e da Universidade Mackenzie João Sette Whitaker.

Época SP na CBN – A francesa Laetitia Sadier é o principal destaque musical desta terça-feira, em São Paulo. Tem também um grupo curitibano que faz sucesso cantando em inglês e uma boa dica de restaurante na cidade. Acompanhe a conversa com Rodrigo Pereira.

Esquina do Esporte – As chances de Corinthians e São Paulo na Libertadores na noite desta quarta-feira, foi o tema da conversa com Marcelo Gomes, que está em Lima, no Peru, e Jesse Nascimento, no Rio de Janeiro.

Alerta contra Guarujá é indústria do medo

 

CBN SPViolência no litoral – A recomendação dos Estados Unidos de que os turistas evitem o litoral paulista devido o assassinato de 13 pessoas em Guarujá, Santos e Praia Grande é resultado da “indústria do medo” implantada no país desde o atentado terrorista em 2001. A opinião é do presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, Walter Maierovitch, que explicou os critérios usados pelo sistema de segurança americano para fazerem estes alertas.

Acompanhe outras informações que foram destaque na pauta #cbnsp de 27.04.2010:

Contas dos Vereadores – O Ministério Público vai investigar irregularidades na prestação de contas dos vereadores de São Paulo. Os contratos podem levar a crime de estelionato dependendo das informações levantadas, lembrou o promotor eleitoral Maurício Ribeiro Lopes que falou do tema em tese sobre o assunto, pois não teve acesso aos documentos nem será da alçada da justiça eleitoral qualquer análise. Maurício Ribeiro Lopes diz, porém, que não se surpreende com a precariedade dos contratos firmados, pois isto costuma ocorrer na prestação de contas durante as campanhas eleitorais, também.

Carro abandonado – Depois de cinco dias estacionado em um mesmo local, o carro pode ser considerado abandonado e a prefeitura tem o direito de apreender o veículo. A atitude do proprietário, porém, não se caracteriza infração de trânsito. O advogado José Almeida Sobrinho explicou que carro abandonado se equipara juridicamente a lixo. A repórter Cátia Toffoletto caçou carros abandonados pela cidade e conversou com moradores que se deparam com este problema.

Época SP na CBN – Beautiful Girls é destaque na noite de São Paulo e os ingressos estão esgotados. Acompanhe outras dicas do Rodrigo Pereira.

Esquina do Esporte – A vida do São Paulo será menos complicada do que a do Corinthians na Libertadores. E o maior desafio do Santos na temporada. Estes foram temas para Leonardo Stamillo e Marcelo Gomes.