Morador de rua não é caso de polícia

 

O uso da Guarda Civil Metropolitana para retirar moradores das ruas é de causar constrangimento a qualquer cidade com perspectiva de modernidade. O caso tem de ser tratado do ponto de vista da assistência social, não da segurança urbana – esta é acessório na solução do problema. São Paulo, ao contrário, não se envergonha disso, coloca em lei. Foi esta a iniciativa da administração Kassab (DEM), que no dia 1º de abril – parece brincadeira, mas não é – baixou ordem para que os guardas metropolitanos passassem a atuar na remoção das milhares de pessoas que dormem nas calçadas e praças da capital.

De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, Edson Ortega, os GCMs foram capacitados para atuar neste setor e trabalham de “forma coordenada” com os servidores da assistência social. Apesar da tal “união”, o secretário não soube informar o número de moradores de rua na capital, dado básico para se traçar qualquer tipo de estratégia: “Quem tem esse número é a Secretaria de Assistência Social”, informou.

Confesso que fiquei na dúvida. Se há sinergia, estes dados teriam de ser de domínio tanto da segurança urbana quanto da assistência social. Mas aí há outro problema: desde o fim do ano passado, a secretária municipal de Assistência Social e vice-prefeita Alda Marco Antônio promete divulgar o resultado de pesquisa que mostra a quantidade de moradores de rua na capital. Mesmo tendo gasto cerca de R$ 800 mil no estudo, os dados não foram publicados até agora.

“Eles não conversam, cutucam”, foi o que disse o padre Julio Lancelotti, da Pastoral da Rua, se referindo ao modo de operação dos guardas metropolitanos, em referência a abodagem que fazem com as pessoas que vivem na rua. Para ele a substituição da assistência social pela segurança urbana exclui a solução para outros problemas como a falta de moradia, desemprego, dependência de drogas e dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental

Você ouve aqui a entrevista com o padre Julio Lancelotti e com o secretário Edson Ortega, ao CBN SP

PAUTA #CBNSP 14.04.2010

Acompanhe outros destaques da edição desta quarta-feira, no CBN SP:

Continuar lendo

Foto-ouvinte: Arte no buraco

 

Buraco na Santo Antonio

Tem um buraco no caminho. Um buraco a atrapalhar pedestres e automóveis. Mas que diante da lente da câmera do colaborador do Blog do Mílton Jung Marcos Paulo Dias ganha cores diferentes. A bela imagem captada por ele na rua Santo Antonio, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, não é suficiente para nos fazer esquecer a falta de cuidado com a cidade.

Parque será construído dentro de represa, diz MP

 

Veja outras imagens no álbum de Henrique Bronze, no FlickrA Represa de Guarapiranga, que abastece a região metropolitana de São Paulo, pode sofrer sérios prejuízos ambientais com a construção de um parque que vai ocupar parte interna do reservatório. O alerta é do promotor de Meio Ambiente da Capital, José Eduardo Ismael Lutti, que está investigando o que ele considera um crime ambiental. O parque Nove de Julho terá cerca de 530 mil m2 e foi anunciado pela prefeitura e Governo do Estado como a solução para preservar a represa, vítima de ocupações irregulares há dezenas de anos. Ele disse que a obra é demagogia do poder público.

O subprefeito da Capela do Socorro, Valdir Ferreira, escalado pela prefeitura para defender a administração municipal desta acusação, disse que a intenção de usar a área de inundação do parque, com a colocação de alguns equipamentos na área, é impedir que as ocupações avancem naquela região. Ferreira disse que a fiscalização não é suficiente para impedir as invasões.

Após receber o laudo da perícia realizada sexta-feira em Guarapiranga, o promotor José Eduardo Lutti disse que pretende identificar quem foi responsável pelo licenciamento ambiental que autorizou a construção do parque naquela área.


Ouça a entrevista do promotor José Eduardo Ismael Lutti, ao CBN SP

E aqui a resposta da prefeitura, na entrevista com o subprefeito da Capela do Socorro Valdir Ferreira

Morumbi é o plano A, B e C de São Paulo para a Copa

 

morumbi_Schlaich_Bergermann_und_Partner_GMP_architekten_divulgacao_600A Fifa correu a negar e o Comitê Paulista da Copa do Mundo, também. Após o impacto da notícia publicada pelo jornal O Estado de São Paulo de que a entidade que comanda o futebol internacional havia descartado o uso do estádio do Morumbi para jogos da Copa do Mundo, a federação divulgou nota afirmando que não havia nenhuma decisão sobre o tema e as conversas para melhorias do estádio paulista estavam em andamento.

Foi a repórter Letícia Constant, da Rádio França Internacional, a entrar no ar para transmitir o recado da Fifa aos brasileiros. Em seguida, conversamos com o Comitê Paulista da Copa do Mundo que deixou claro não haver alternativas: jogos da Copa, em São Paulo, apenas no Morumbi. Nao tem plano B ou C, como sinalizam alguns setores interessados na construção de mais um estádio na cidade.

Luiz Sales, coordenador do núcleo de comunicação de turismo do Comitê, disse, inclusive, que neste dia 15 (quinta-feira) um novo projeto para o estádio, atendendo as sugestões feitas pela Fifa, será apresentado ao secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, que estará no Brasil.

Acompanhe a entrevista de Luiz Sales do Comitê Paulista da Copa do Mundo e conheça as novidades que fazem parte do projeto que será apresentado quinta-feira.

Ouça o que disse a Fifa sobre a polêmica, em reportagem de Letícia Constant

Na Esquina do Esporte, Marcelo Gomes e Natalie Gedra falaram que ameaça é pressão política.

“Os planos B,C.D ficam por conta de quem quer ver dinheiro público mais uma vez jogado fora num elefante branco.Vide Engenhão e outros.E depois de 6 jogos quem fica de presente com R$ 1 bilhão pago pelo contribuinte”
-Presidente da SPTuris e coordenador do Comitê Paulista da Copa do Mundo Caio Carvalho em comentário deixado aqui noi Blog do Mílton Jung

Pauta #cbnsp em 13.04.2010

 

Força Sindical na Paulista

Centrais sindicais promoveram passeata na avenida Paulista e se concentraram diante da sede da Fiesp com o objetivo de chamar atenção dos empresários para o projeto de redução da jornada de trabalho. A manifestação causou reflexos no trânsito da região. O repórter João Vito Cinquepalmi acompanhou o protesto. E a repórter Mônica Pocker que acompanhava o congestionamento, registrou a imagem.

Trânsito e transporte – A faixa reversível implantada na estrada do M’Boi Mirim, no horário de pico, não melhorou o transporte de passageiros na região. As promessas da prefeitura com o objetivo de aumentar a velocidade dos ônibus não tiveram efeito e causam irritação nos moradores. A repórter Cátia Toffoletto esteve no local e ouviu a história de trabalhadores que sofrem com a precariedade do sistema de ônibus.


Época SP na CBN –
O punk californiano do Agent Orange é destaque nesta noite em São Paulo. Nas dicas do Rodrigo Pereira outras atrações para a semana. Acompanhe aqui e se programe.

Minhocão, observando e sendo observado

 

“Milhares de veículos passam todos os dias pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão de São Paulo. Nesta pressa absurda imposta pela metrópole, os motoristas jamais percebem o que ocorre logo ao lado, às vezes a centímetros dali onde famílias vivem a observar os carros cruzando o seu quintal”

Foi com este olhar, que o colaborador do Blog do Mílton Jung, Luis Fernando Gallo, identificou detalhes do cotidiano no Minhocão, em uma noite de sábado e um amanhecer de domingo, quando o elevado é ocupado pelo pedestre.

Uma nova era no transporte de Santo André

 

O assassinato do prefeito Celso Daniel foi dos momentos mais tristes da história do ônibus em Santo André. No capítulo final desta história, você vai saber também como os empresários se organizaram para enfrentar a mega-licitação de 2008 e com quantas cores se pinta um ônibus

FOTO 10 - Empresa de ônibus com pintura padronizada do sistema municipalizado


Por Adamo Bazani

A privatização da EPT foi feita no modelo de concessão onerosa. O grupo vencedor da licitação deveria pagar R$ 7 milhões pela concessão de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco. As empresas se interessaram pelas linhas, o que provou que o sistema era lucrativo. Deficitária vinha sendo até o momento a forma de administrá-lo e remunerá-lo.

Começou a surgir a era dos consórcios de empresas no município de Santo André.
O “Expresso Nova Santo André”, formado pela maioria dos empresários das outras viações da cidade, ganhou a licitação em 3 de julho de 1997.

Com a nova forma de organização e operação dos transportes nasceu a “Onda Azul”. As faixas ST da lataria deixavam de existir e os ônibus foram todos pintados de azul com o nome da empresa em branco na traseira e perto da última porta do veículo. No meio da lataria, era estampado em vermelho, um grande logotipo da EPT.

Novos carros, como os Ciferal Padron GLS Bus, foram colocados nas ruas. A “municipalização” dava adeus e se iniciava a fase em que os empresários se reuniam de forma consorciada, não só no sistema em geral, mas em operação de empresas específicas, como a Nova Santo André, que assumiu todo o lado operacional da EPT.
Quanto as demais empresas de ônibus também houve readequação. Elas pertenciam aos mesmos donos da Expresso Nova Santo André, só que cada um cuidando de sua viação.

A EPT, agora só como gerenciadora, começou a elaborar licitações destas demais linhas, após ter declarado nulas as permissões concedidas às empresas em concorrência realizada em 1996.

Em abril de 1999 foi instalada na cidade depois de vários debates entre poder público, empresas e representações sindicais, a bilhetagem eletrônica. De início, o sindicato temia a imediata demissão de cobradores. A prefeitura teve de se comprometer a garantir a manutenção do emprego da classe durante a implantação do sistema.

A bilhetagem eletrônica, além de trazer benefícios diretos aos usuários, que poderiam embarcar e desembarcar mais rapidamente e não precisavam levar dinheiro para as viagens, o que aumentaria o nível de segurança, permitiu maior controle sobre o cumprimento das viagens, horários e trajetos. Mas o principal ganho foi o total acompanhamento sobre a arrecadação nas catracas. Diariamente, empresas e gestores públicos poderiam monitorar a situação financeira do sistema.

A bilhetagem eletrônica possibilitou num único serviço a centralização da arrecadação. Isso fez com que as empresas, para terem condições de fazer este acompanhamento, se organizassem e se unissem ainda mais. Foi criada então a AESA – Associação das Empresas do Sistema de Santo André.

Com a formação dos consórcios e com a criação da Associação, as empresas de ônibus em Santo André, se transformaram em grupos econômicos independentes, mas altamente unidos em prol dos interesses de seus controladores. As viações, que já tinham representatividade econômica, começaram a ter mais influência política e institucional.

Continuar lendo

Foto-ouvinte: O próximo trem

 

Trem na estação de Utinga/SP

Esta é a estação Utinga da CPTM, em Santo André. Poderia ser qualquer outra por onde o trem passa, haja vista os relatos que todos os dias recebemos no CBN São Paulo. Desta vez, as imagens chegaram através do ouvinte-internauta William Marchiori. Mas poderia ter sido pelo celular de qualquer dos passageiros da linha Luz/Rio Grande da Serra, única ‘arma’ que o cidadão tem em mãos para protestar contra a situação que enfrenta diariamente para chegar ao trabalho.

William conta que semana passada “no desespero para não se atrasar, um homem caiu nos trilhos tentando entrar no trem. Depois da partida, ele subiu na plataforma e aguardou o próximo”. E assim estão os usuários da CPTM, aguardando o próximo trem.

Trólebus pode usar lixo como combustível

 

A rede elétrica usada pelos trólebus poderia ser abastecida com energia proveniente dos aterros sanitários de São Paulo, de acordo com o diretor da Iluminatti Tecnologia Edson Corbo. Esta é apenas uma das novidades já desenvolvidas que podem tornar o sistema mais moderno e atraente em contraposição ao que se tem, atualmente, circulando na cidade. Há duas semanas, o “Ponto de Ônibus”, espaço mantido pelo colega Adamo Bazani aqui no Blog, já anunciava tecnologias que passariam a ser testadas na capital paulista como o uso de tração elétrica e sistema informatizado a bordo.

Em entrevista nesta segunda-feira dentro de um dos trólebus que estão sendo testados pela Viação Himalia, Corbo destacou que as empresas brasileiras tem capacidade de colocar no mercado estes modelos atendendo não apenas a demanda da capital paulista. Ouça a entrevista que foi ao ar no CBN SP e saiba o que falta para que a energia proveniente do lixo seja usada na rede de trólebus paulistano.

pauta #cbnsp 12.04.2010

 

buraco no corredor de ônibus

Canto da Cátia – O piso dos corredores de ônibus de São Paulo causa desconforto aos passageiros e prejuízo às empresas. Foi o que a repórter Cátia Toffoletto registrou, nesta manhã, circulando na cidade. Ela esteve em alguns dos mais movimentados corredores da capital e identificou irregularidades no asfalto, como na avenida Francisco Morato, zona oeste. A Cátia conversou com usuários do sistema de ônibus e ouviu as justificativas da prefeitura de São Paulo em reportagem que você acompanha aqui.

Veja outras pautas do dia:

Árvore e luz – A AES Eletropaulo pretende investir na ampliação das equipes de poda e na implantação de redes compactas para reduzir o número de cortes de energia elétrica, principalmente durante o período de verão. Levantamento da empresa mostrou que 61% dos problemas ocorrem devido a queda ou interferência das árvores na fiação. O diretor executivo da empresa Roberto Di Nardo falou, também, sobre as redes subterrâneas, em entrevista ao CBN SP.

Violência urbana – O número de assassinatos aumentou 12% no Estado de São Paulo na comparação do primeiro trimestre de 2010 com o primeiro trimestre de 2009, de acordo com dados do Infocrim. Durante a manhã, a Secretaria Estadual de Segurança Pública não comentou as informações publicadas pelo jornal o Estado de São Paulo. O crescimento da violência chama atenção porque há dez anos São Paulo assiste a redução nos casos de homicídios.

Esquina do Esporte – O futebol que o Santos jogou no segundo tempo do clássico não garante o título por antecipação, na opinião de Deva Pascovicci. Acompanhe nosso bate-papo no CBN SP.

Época SP na CBN – Uma bigband paulistana, hoje, e o Placebo, no sábado, estão nas dicas do Rodrigo Pereira, nesta segunda-feira. No roteiro tem também sugestão de boteco na cidade. Programe-se aqui.