Você ainda vai ter um dia de Alice

 

Por Dora Estevam

Ela está por toda parte. Pode ser vista nas embalagens de maquiagem, nas estampas de camisetas, nos editoriais de revistas de moda (as mais importantes do mundo), também em desfiles e exposições.

Já sabem de quem estou falando?

Não, não é da Lady Gaga. É Alice. Sim, ela mesma. De ”Alice no País das Maravilhas”.

Alice 1 Capa TeenVogue

Criada em 1865 e agora resgatada por Tim Burton, a personagem, interpretada pela atriz Mia Wasikowska, virou febre nos mercados da moda e beleza, a começar pelos Estados Unidos, onde o filme já foi lançado. Com agenda cheia, a atriz quase não tira o vestido azul-celeste, mesma cor do usado pela personagem no filme, como podemos ver na capa da Teen Vogue de março.

Com estreia programada para a próxima semana aqui no Brasil, a releitura deste clássico da literatura fantástica de Lewis Carroll tem causado alvoroço na moda. Estilistas enlouquecidos com as roupas e o figurino do filme fizeram versões do modelito azul.
 
Até a poderosa Anna Wintour editora-chefe da Vogue América, se rendeu e dedicou várias páginas a Alice. Anna buscou um time peso-pesado para a produção do editorial: Olivier Theyskens, Tom Ford, Helmut Lang, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld (para Chanel Haute Couture), Jean Paul Gaultier, Viktor & Rolf, Stephen Jones (para Christian Lacroix Haute Couture), John Galliano (para Christian Dior Haute Couture), Donatella Versace (para Atelier Versace) e Nicolas Ghesquière (para Balenciaga). 

Detalhe: a movimentação começou com o início das filmagens. No ensaio, cada estilista veste a modelo com o vestido azul do filme, o que remete a cada cena e ao cenário escritos no livro. Um verdadeiro affair do cinema com a moda. A personagem foi encarnada pela top  Natalia Vodianova e as fotos feitas por Annie Leibovitz.
 
Alice 2 ensaio
 
Ao que tudo indica o filme vai dar lucro também fora das telas, são incontáveis os produtos lançados: a marca de esmaltes OPI criou quatro cores inspiradas no filme e a Urban Decau, uma edição de sombras embalada com a estampa do cenário, edição limitada. A esta altura já não deve ter mais nada nas prateleiras. 

O marketing fortíssimo da Disney contratou a estilista Stella McCartney que criou uma linha de colares e pulseiras com pingentes de cristais Swarowski e Plexiglass (tipo de cristal acrílico).
 
Alice 3 brincos-swarovski-e-broche-da-hora-do-cha-louise-buchan

Se for contar tudo o que estão fazendo por aí, você teria de rolar páginas e páginas de post neste blog. Até a nossa amiga Rihanna já fez um editorial vestida de Alice. Foi em 2009 para a Vogue Itália. O ensaio foi todo em preto e branco, apenas com destaque em uma foto justamente a imagem da cantora com o vestido azul-celeste.
 
Carol Trentini, modelo brasileira também teve seu momento Alice para a revista Numéro, só que numa versão gótica da personagem. Inspirado  também no mundo de Carrol, a princesa Paola de Orleans e Bragança foi Alice por um dia e fez  a campanha para uma marca de jóias no Brasil.

Alice 4
  
É impressionante o sucesso que o filme está fazendo no quesito figurino e cenário. Tim Burton tem ótima reputação no mercado cinematográfico. Acertou mesmo em fazer esta reprodução. Só resta saber se o filme ficou bom. O que veremos semana que vem.
 
E para entrar no clima do País das Maravilhas, vá à exposição sobre o universo dos sonhos de Carroll, no Shopping Portal do Morumbi. O espelhinho com moldura laranja foi o escolhido para ser redesenhado por 40 artistas brasileiros. E os trabalhos serão vendidos a R$ 200 cada um com renda para a entidade que cuida de crianças com leucemia, a Abrale .
 
É isso, assistam e depois nos contem como foi o filme e o que você resolveu comprar para entrar no mundo de “Alice e o País das Maravilhas”.

Dora Estevam é jornalista e escreveu este texto no Blog do Mílton Jung com um vestido longo azul-celeste

Moradores de rua são homens sem país, diz Nicomedes

 

o homem sem paísO “homem sem país” identifica milhares de brasileiros que vivem nas ruas e não são aceitos em nenhuma cidade. É personagem no qual tropeçamos na calçada e fazemos questão de não enxergar. Que ao se aproximar do vidro do carro, nos causa pavor. Por isso, é o centro da história contada por Sebastião Nicomedes em peça itinerante e que, segundo ele, está na hora de ser mostrada para os outros. Até aqui só apresentou para moradores de rua: “cansei de falar de nós para nós, não transforma”.

Sebastião Nicomedes é daqueles entrevistados que me orgulho de colocar no ar. Conheço-o muito pouco, pessoalmente, mas li e ouvi várias vezes a história deste cidadão sempre apresentado como ex-morador de rua. Ele é muito mais do que isso, inteligente, culto, bem articulado, visão lógica das coisas da vida e com a experiência de quem conhece o que ocorre no mundo – conceito de algo que não precisa estar do outro lado do Planeta, está logo ali, do lado de fora da sua porta.

Sabia que na conversa sobre o tratamento oferecido aos moradores de rua na capital paulista, ele traria pensamentos capazes de nos levar a refletir. E de cara chamou atenção do presidente da República, do Governador de São Paulo e do prefeito na capital que “estão mais preocupados em mostrar uma cidade bonita para os turistas na Copa do Mundo”. A sugestão dele é que no dinheiro a ser investido se leve em consideração a inserção dos moradores de rua nos planos de habitação e no trabalho gerado pelas melhorias a serem realizadas. “Por que não pegam essas pessoas que estão perdendo a mente na rua e os oferecem a oportunidade de trabalhar na limpeza da cidade ?”, pergunta Nicomedes em uma sequência de frases fortes e reivindicatórias.

Cartaz 2Sobre o que ocorre em São Paulo se disse preocupado pelo sumiço dos agentes de proteção, substituídos pela Guarda Civil Metropolitana e pela própria polícia. “O caminhão do rapa que antes recolhia material de camelô, passou a abordar moradores de rua para tomar os pertences deles”, explicou. Foi sarcástico ao lembrar que para o governo dar bolsa-aluguel é preciso o morro cair ou a casa desabar, como morador de rua não tem onde morar, nunca é lembrado.

Para ele, o “povo da rua” não é caso de polícia nem só de assistência social. A questão tem de ser atendida por outras áreas como as secretarias de saúde, trabalho e habitação.

Para conhecer melhor Sebastião Nicomedes assista à peça “O homem sem país”, dia 7 de maio, na rua Guaicurus, 1000, Lapa, São Paulo. Ou ouça aqui a entrevista ao CBN SP.

pauta #cbnsp em 16.04.2010

 

Trânsito e moto – As mudanças para a implantação da motofaixa na Vila Mariana tem causado confusão no trânsito da região e reclamação de ouvintes. A repórter Cátia Toffoletto esteve por lá com oconsultor de trânsito Luis Célio Botura que analisou os efeitos da obra, agora e depois de concluídas. O secretário dos Transportes Alexandre de Moraes disse que logo as pessoas vão entender a importância desta motofaixa. Acompanhe a reportagem.

Trânsito e obras – A prefeitura de São Paulo quer cobrar até 5% do valor da obra dos grandes pólogos geradores de tráfego como shoppings, universidades e conjuntos residenciais.

Carro e poluição – – Foram reprovados 20% dos veículos que realizaram a inspeção veicular nos primeiros dois meses de 2010, em São Paulo. O diretor presidente da Controlar Harald Peter Zwetkoff fez o balanço do serviço de inspeção e disse que 25% da frota com placa final 1 ainda não passou pelos postos da empresa e o prazo se encerra em duas semanas.

Futebol e racismo – Ao chamar um adversário de “macaco”, o jogador Danilo do Palmeiras transformou a vitória do time paulista sobre o Atlético do Paraná em caso de política. Para Deva Pascovicci e André Sanches a falta de união entre os atletas e o desrespeito dentro da própria categoria profissional geram este tipo de situação. A conversa com eles foi na Esquina do Esporte.

Noite Paulistana – Fim de semana cultural tem atração para quem curte rock, pop, MPB e música eletrônica. Acompanhe as dicas da Janaína Barros.

Prefeitura mantém sigilo sobre censo de morador de rua

 

Morador de rua em São Paulo

O Ministério Público Estadual quer esclarecimentos da prefeitura sobre tratamento que a Guarda Civil Metropolitana presta a moradores de rua, na cidade de São Paulo. E critica o silêncio do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em relação ao censo que identificou o número de pessoas que vivem nesta situação na capital e pelo qual foram gastos cerca de R$ 800 mil. Apesar de concluído, o trabalho é mantido em sigilo.

No ano passado, após ser cobrada pelo fechamento de vagas para atendimento de moradores de rua, a secretária municipal de Assistência Social e vice-prefeita Alda Marco Antônio disse que não havia como falar em falta de vagas se ainda não tinha sido feito um censo para identificar o número de pessoas nesta condição. Comprometeu-se a realizar este trabalho até o fim do ano de 2009.

Em 1º de março de 2010, a Folha de São Paulo informou que havia 13 mil moradores de rua na capital, com base em dados do censo. A prefeitura negou as informações e disse que ainda não tinha o levantamento em mãos. Desde então, a produção do CBN SP tem cobrado da prefeitura o resultado deste trabalho, sem sucesso.

“O prefeito tem obrigação de divulgar estes dados, pois esta é uma informação pública e sua divulgação está prevista em lei”, explicou o promotor de Justiça de Direitos Humanos da Capital Eduardo Valério, em entrevista ao CBN SP que você acompanha aqui. Com isto, ele toca em um ponto fundamental que é a forma como o poder público – inclui-se a prefeitura de São Paulo, e não se exclui nenhuma outra esfera – trata estas informações.

Dados que deveriam estar acessíveis ao cidadão são mantidos na gaveta por conveniência política, como é o caso da quantidade de moradores de rua em São Paulo. Há outros que apesar de publicados não são transparentes pela formato como a informação está disponível – seja pelo tecnicismo do texto, seja pelos códigos de computação usados que impedem a manipulação dos números por programas avançados de computador.

“Um indivíduo só pode exercer plenamente sua liberdade de escolha se tiver a oportunidade de acessar informações completas, verídicas e de qualidade. Além disso, é somente com acesso pleno a informações detidas pelo Estado que as pessoas podem acompanhar a vida política, seja ela nacional ou local, tanto para monitorar a atuação do Estado quanto para participar dos processos decisórios” – diz texto do Artigo 19, grupo que defende leis de acesso à informação pública.

Em São Paulo, projeto recém-chegado à Câmara Municipal, de autoria da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), oferece oportunidade de se dar ao menos um passo a mais nesta questão. Determina que os dados sobre os gastos das subprefeituras, do TCM e da Câmara sejam divulgados na internet e nas praças de atendimento e contenham nomes de fornecedores e notas fiscais. E o que considero fundamental: de maneira fácil e simples para que o cidadão comum possa ter acesso a estes dados de “forma autônoma e prática”.

Que fique claro, não é necessário nenhum projeto de lei para que Kassab torne público os dados do censo dos moradores de rua. Basta querer.

*Foto do colaborador Marcos Paulo Dias, na avenida Nove de Julho, em São Paulo

Cánto da Cátia: Minha Casa, Meu Lixão

 

Fazenda Joaninha

O Sítio da Joaninha era um antigo lixão que atendia as cidades do ABC Paulista, em especial Diadema e São Bernardo do Campo. Hoje, moram pouco mais de 600 famílias, boa parte assustada desde que vieram no noticiário a tragédia do Morro do Bumba, no Rio de Janeiro. A repórter Cátia Toffoletto conversou com alguns dos moradores que estão por lá há quase 20 anos, outros chegaram recentemente. Todos, porém, estão cansados de ouvir promessas das autoridades públicas.

Na reportagem da Cátia Toffoletto a descrição do que é viver no Sítio da Joaninha, nome singelo para uma área que pode causar tanto mal.

No CBN SP, entrevistei o geólogo do IPT Eduardo Macedo que se mostrou preocupado com a situação de famílias que moram sobre aterros sanitários ou lixões. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas fez estudo há 10 anos por ali e nunca mais voltou. Eduardo Macedo explica os riscos para as famílias estabelecidades nestas áreas que serviram de depósito de lixo no passado.

Atenção senhores moradores, voo chegando

 

Prédio na cabeceira de Congonhas

Esta é a imagem que o piloto tem ao se aproximar para o pouso na cabeceira 35 do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, pelos lados do bairro do Jabaquara. O ouvinte-internauta Armando Italo, nosso colaborador, chama atenção para o prédio que aparece no meio do caminho. Lembrou-se do fato ao ouvir entrevista com o comandante Carlos Camacho, diretor de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, ao Jornal da CBN, na qual falou sobre os riscos nas operações em Congonhas. Disse, por exemplo, que é perigoso descer no aeroporto da capital, principalmente com chuva e à noite, pois não há área de escape suficiente.

Armando gostaria de saber quem permitiu a construção do prédio neste local.

A entrevista do comandante Carlos Camacho você acompanha aqui.

Foto-ouvinte: Santo Antônio agradece

 

R. Santo Antonio

A bela foto do nosso colaborador Marcos Paulo Dias se não sensibilizou ao menos mobilizou a prefeitura de São Paulo que decidiu enviar uma equipe até a rua Santo Antônio, na Bela Vista, e fechar a cratera que ocupa o espaço dos carros e pedestres. A foto do conserto – enviada pela subprefeitura da Sé – não ficou tão bonita quanto a do buraco, mas aqui não era a estética que importava.

Rio “verde” é resultado da poluição na Guarapiranga

 

Rio Pinheiros verde

O rio Pinheiros mais verde que a Pétria Chaves encontrou lá do alto do helicóptero da CBN não chega a ser motivo de orgulho. O que temos dentro da água é algo que foi batizado como “macrófitas”, mas também atende pelo nome de aguapé. Semana passada, publicamos no Blog e tratamos no CBN SP da ocupação da superfície da Represa de Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, por esta planta aquática e soubemos que sua proliferação está ligada ao esgoto despejado no reservatório. De acordo com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) a vegetação apareceu no Pinheiros devido as descargas do reservatório Guarapiranga para controle de nível: “Como essa vegetação estava nas proximidades das comportas, o fluxo de água gerado pela descarga arrasta essa vegetação flutuante para o rio, de onde é possível fazer a retirada” – explico a empresa, em nota.