Novo ônibus elétrico sai as ruas semana que vem com gerenciamento eletrônico das operações, telas LCD para informações a passageiros e motoristas

Por Adamo Bazani
Um novo modelo de trólebus, mais leve, mais tecnológico e mais econômico sairá às ruas de São Paulo, nessa segunda-feira, 29.03, em mais uma etapa do teste que se realiza, neste momento na garagem da Viação Himalaia, na zona leste de São Paulo. O “Ponto de Ônibus” teve acesso em primeira mão ao novo veículo.
Para rodar em São Paulo, o trólebus transportará galões de água ou sacos de areia que simularão o peso dos passageiros e permitirão melhor avaliação do comportamento dele em parte das linhas existentes.
O veículo é resultado de parceria entre a TuttoTrasporti, que desenvolveu o chassi, a Ibrava, responsável pela carroceria, a WEG, pelo motor de tração, além da Iluminatti e da Bosch, que ficaram com o gerenciamento, sistema de operação e integração do conjunto.
De acordo com o diretor comercial da Iluminatti Tecnologia, Edson Corbo, o trólebus paulistano traz inovações nunca antes usadas no Brasil. Por exemplo, o sistema de refrigeração de tração a água, em vez de ar: “Isso traz um enorme ganho operacional ao veículo. Em primeiro lugar, com este sistema ele pesa menos 400 quilos em relação aos trólebus mais modernos já desenvolvidos no Brasil. A ausência deste “peso morto” faz com que as operações sejam mais rápidas, o consumo de energia melhor e possibilita que o veículo leve mais passageiros, pois além de mais leve, o sistema de refrigeração a água ocupa menos espaço no trólebus”.
A lógica é que com menos peso do equipamentos, o ônibus precisa fazer menos força para se locomover, gasta menos energia e tem um desempenho em arranques e velocidades melhorados.
O novo trólebus também conta com uma inovação batizada Multiplex – um computador a bordo que gerencia a parte técnica e operacional embarcada na carroceria, como nivelamento do veículo, funcionamento de dispositivos (entre eles, as portas ) e sinalização e aceleração, por exemplo. A vantagem é que o sistema, além de permitir melhor controle sobre o ônibus, elimina o excesso de fios dos componentes por ser uma rede microprocessada.
Outra inovação, apresentada pela Iluminatti é a tecnologia IHM – Interface Homem X Máquina. No painel, o motorista contará com uma tela de LCD, que acionada apenas pelo toque dos dedos, mostra toda a performance do veículo, para que o motorista possa operá-lo melhor. “Assim, qualquer possível problema pode ser detectado de maneira rápida e corrigido ainda durante a operação” – garante Edson. O IHM também tem uma memória sobre o histórico de operação do dia do ônibus. Frenagens bruscas, defeitos no sistema e pontos de consumo maior de energia fazem parte dos registros. Isso facilita a manutenção do ônibus e permite traçar parâmetros operacionais para uma condução mais econômica e viável por parte do motorista.
Segundo Edson Corvo, diretor Comercial da Iluminatti Tecnologia, o ônibus elétrico é monitorado o tempo todo: “O sistema Multiplex permite o gerenciamento por computador de bordo, o IHM, o gerenciamento total das operações, com registros de desempenho e forma como o veículo foi conduzido, além disso, o trólebus tem um sistema de GPS, que permite monitoramento em tempo real por profissionais na garagem, enquanto o veículo estiver nas ruas. Hoje o grande diferencial da indústria e da economia é a informação. E este trólebus foi concebido para privilegiar a informação em diferentes níveis”.
O passageiro também será privilegiado com informações a bordo, de acordo com o gerente comercial. Em parceria com a Bosch foi desenvolvido um sistema de comunicação, com telas de LCD dentro do ônibus, para os passageiros verem qual o próximo ponto de parada, o trajeto do serviço, horários e informações de utilidade pública ao longo da viagem. A parceria com a Bosch possibilitou a instalação no veículo de câmeras internas e externas para aumentar a segurança e ajudar a monitorar os serviços.
Edson adiantou que há estudos para que mais trólebus deste modelo contem com baterias armazenadoras da energia absorvida da rede aérea e produzida pela frenagem do carro: “Em caso de queda de energia da rede, queda do pantógrafo ou mesmo para deslocamentos pequenos dentro da garagem, o trólebus poderá funcionar independentemente da rede aérea por alguns quilômetros, dependendo do tipo de bateria instalada. Isso, além de deixar o tóolebus mais flexível no trânsito, vai permitir que se construam garagens de trólebus mais baratas, com redes aéreas menos complexas. Se depender da indústria nacional, o trólebus que já é ambientalmente mais vantajoso e tem uma durabilidade maior, vai se tornar um veículo menos caro e mais atraente para o frotista e gerenciador público”.
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Adamo Bazani é busólogo e jornalista da rádio CBN. Escreve, originalmente, às terças-feiras no Blog do Mílton Jung, mas nunca perde o bonde da história.
N.B: A imagem foi feita por Alexandre Bernardes