A necessária redistribuição de vagas na Câmara

 

Por Fabiano Angélico

Em artigo publicado no blog do Milton nesta segunda-feira, o advogado Antonio Augusto Mayer dos Santos defende a redução da Câmara dos Deputados. O argumento é de que a ineficiência “impõe” a diminuição do número de vagas. Para defender sua tese, o autor do artigo cita outros países, que teriam menos parlamentares do que o Brasil.

Permita-me discordar, doutor.

O autor do texto cita Espanha e Portugal, mas se esquece da França, que tem um terço da população brasileira mas conta com 64 deputados a mais.

Os problemas relativos a ineficiência e corrupção na Câmara dos Deputados brasileira não estão na quantidade de parlamentares, mas sim processos internos, que são arbitrários e pouco transparentes. Se houver a redução do número de vagas sem as necessárias alterações nos processos, tudo ficará como está.

Exemplo de arbitrariedade que leva à ineficiência e à corrupção: o excesso do número de cargos de confiança à disposição de cada deputado federal.
Num estudo comparativo (leia aqui) coordenado por este que vos escreve e publicado pela Transparência Brasil, observa-se que são 25 os “assessores” que cada deputado federal brasileiro pode contratar.

Nesse quesito, não há qualquer similaridade no mundo. No Chile, o número de assessores não pode ultrapassar 12. Na França, cada deputado pode ter no máximo 5 assessores.
Com tal quantidade de cargos para distribuir, os parlamentares brasileiros em geral contratam apaniguados, que na verdade são cabos eleitorais. Eles têm a única função de falar bem do chefe junto às bases eleitorais.

Além de ser uma usina de corrupção (esses “assessores” são usualmente os “fazedores” das malfeitorias; quando descobertas, essas malfeitorias são sempre atribuídas ao “assessor” — os chefes nunca sabem de nada), o trabalho desses “assessores” detona a idéia de eleições livres e justas.

É que na corrida eleitoral, o deputado que está no exercício do cargo nos últimos quatro anos obviamente é muito mais conhecido do que os seus adversários que não estão em um cargo de visibilidade. Assim, o eventual cidadão que quer entrar na política precisará de muito, mas muito dinheiro para divulgar sua candidatura e se equiparar ao nível de conhecimento desfrutado pelo deputado em exercício.

Limitar o número de cargos de confiança é o tipo da coisa que deve ser implementada se buscamos um Parlamento mais eficiente e menos corrupto. Diminuir o número de deputados sem alterar esse tipo de processo não afetará o funcionamento da Casa.

“Um homem, um voto”

A Câmara dos Deputados não precisa ser menor; o que a instituição precisa é ser mais forte e mais representativa. E um dos meios de se alcançar esse fortalecimento tem relação sim com o número de vagas, mas não com o numero total. Explico: o que está disfuncional na Câmara é o número de deputado por estado.

Se o Senado existe para representar igualmente todos os estados (são 3 parlamentares por Unidade da Federação, não importando o tamanho da população de cada ente federativo), a Câmara dos Deputados existe para representar a diversidade da sociedade brasileira.Tabela Um Homem, um voto

Mas isso, na prática, não acontece: há uma representação exagerada de alguns estados e uma subrepresentação de outros. Exemplos: cada deputado federal de Roraima representa 52 mil pessoas de seu estado; e o deputado amapaense, 78 mil. Por outro lado, o parlamentar paulista representa 591 mil pessoas; e o cearense, 388 mil.

Levando-se em conta a contagem populacional do IBGE para 2009, somos 191 milhões de brasileiros. Assim, cada um dos 513 deputados federais representa 373 mil brasileiros.
Aplicando-se essa relação a cada unidade da federação, conclui-se que 5 estados — Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Pará e São Paulo — deveriam ter mais deputados do que têm hoje. Por outro lado, 18 estados deveriam ter menos deputados do que têm atualmente. Assim, são apenas 4 os estados que têm uma representação adequada na Câmara dos Deputados.

No quadro acima, está expresso o número de deputados que cada Unidade da Federação deveria ter, se respeitássemos a idéia de “um homem, um voto”, noção extremamente importante numa democracia.

Infelizmente, não obteve êxito a iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral em redistribuir o número de cadeiras na Câmara dos Deputados considerando-se a população de cada estado. Mas o Censo do IBGE vem aí. No próximo ano, teremos uma idéia mais exata da população de cada estado brasileiro. Será uma boa oportunidade para resgatarmos a discussão sobre a noção de representatividade na Câmara dos Deputados, com o intuito de fortalecê-la — e não de reduzi-la.

Fabiano Angélico é coordenador de Projetos da Transparência Brasil, especialista em Transparência e Combate à Corrupção pela Universidade do Chile e mestrando em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas


Leia aqui o texto de Antonio Augusto Mayer dos Santos, publicado segunda-feira sob o título “A necessária redução da Câmara dos Deputados”

Buracos imaginários para assustar apressadinhos

&nbsp

Falso buraco

Para obrigar motorista apressado a tirar o pé do acelerador, o artista espalhou imagens de crateras na pista. O ouvinte-internauta Raul Rizato que enviou as fotos encontradas na internet acredita serem as simulações de buracos substitutos das lombadas eletrônicas. Mas para que buracos imaginários em nosso caminho se temos tantos reais a atrapalhar o trânsito ?

Tecnologia nacional faz transporte coletivo mais limpo

 

Inovações para o sistema de trólebus e desenvolvimento de ônibus híbridos, a eficiência energética dos veículos elétricos e a falta de política pública para que o transporte de passageiros seja menos poluente. Estes são alguns temas da série de três reportagens que você lê, a partir de hoje, no Ponto de Ônibus

Trólebus  com mais de 20 anos de uso

Por Ádamo Bazani

Mesmo com o descaso pelo qual passou o sistema de trólebus no Brasil, nos últimos 20 anos, com a extinção de milhares de quilômetros de linhas, algumas empresas de tecnologia nacionais têm investido na melhoria do sistema de transporte elétrico. Se estes avanços forem assimilados pelos planejadores de políticas públicas, podem resultar em benefícios ambientais, operacionais e econômicos. Bom para as contas públicas, assim como para as do cidadão.

As inovações que o blog teve acesso podem tornar o trólebus um veículo interessante. Aliás, o ônibus elétrico por si só deveria ser prioridade no investimento das cidades a medida que proporciona ganhos ao meio ambiente e à saúde da população. No entanto, há uma série de desculpas, tanto por parte de governos como de empresários, para não voltar a investir neste modal totalmente limpo.

O gerente de contratos da Eletra, empresa de tecnologia de tração elétrica 100% nacional, José Antônio do Nascimento, afirma que as inovações vão justamente ao encontro das demandas apresentadas por empresários e gestores: “Desenvolvemos soluções que deixam o trólebus mais barato, mais rentável e acompanhamos outras iniciativas de vanguarda quanto a rede aérea, que pode se tornar mais eficiente e  econômica”.

Algumas destas novidades estão em estudo. Outras, já em teste, foram acompanhadas pela nossa reportagem. Saiba em que pé andam os trólebus e o que pode ser tendência para o setor voltar a respirar e ajudar a população a respirar melhor, também:


Rede de Corrente Alternada –
A rede aérea de trólebus brasileira e de quase o mundo todo é de corrente elétrica contínua. Não que seja um sistema ultrapassado, mas a indústria conseguiu chegar ao princípio da rede de corrente alternada, com um tipo de fornecimento energético mais eficiente. A corrente alternada até então era aplicada somente no sistema de tração interno dos trólebus e não na rede aérea. Assim, mesmo sendo de corrente alternada, que possibilita uma maior nacionalização das peças e o uso de chassis de tração nacional, o trólebus recebia a energia em corrente contínua. A conversão era feita no veículo. A Eletropaulo desenvolveu estudos para implantação da corrente alternada na rede e percebeu que isso deixaria a operação dos trólebus mais vantajosa. Há um melhor aproveitamento energético e o equipamento das subestações ao longo do percurso é bem mais barato. O sistema foi instalado em pequenos trechos na capital paulista.


Flexibilização de Sistemas por um único veículo –
A concepção de linhas de corrente alternada é um avanço, mas que não pode vir sozinho. Os veículos devem acompanhar essa mudança. Por isso, a Eletra tem em desenvolvimento um equipamento que permite que qualquer trólebus (seja de corrente alternada – mais novos – seja de contínua – mais antigos) possa circular em linhas com redes aéreas modernas.  Assim até mesmo um trólebus com tecnologia defasada pode ser adaptado, com a instalação deste equipamento. Uma das grandes vantagens disso é a flexibilização quanto a renovação da frota. Se o sistema de rede aérea vier a mudar numa certa velocidade, os trólebus mais antigos não precisariam ser encostados. Como a vida útil de um trólebus pode ser até de 30 anos, não haveria necessidade de um veículo dentro desta faixa etária ser desativado. Pelo contrário, todo o investimento no trólebus seria recompensando até o fim de seu tempo previsto de serviço.


Eixos convencionais em veículos de sistemas antigos –
O sistema de corrente alternada apresenta melhor relação entre o motor do trólebus e o eixo de tração. Isso possibilitou que os trólebus de corrente alternada operassem com mais equipamentos nacionais e com eixo de tração (normalmente o traseiro) de um veículo articulado comum, cujas peças podem ser encontradas em qualquer revendedor. Mas o grande avanço é que, por meio da Eletra, a indústria nacional conseguiu chegar a fase final de um estudo da utilização de eixos de ônibus convencionais em veículos de sistemas antigos, de corrente contínua. Assim, não seria necessária a mudança de toda a tecnologia de tração do ônibus elétrico e seria possível nacionalizar e baratear os trólebus de qualquer geração de corrente elétrica.

Continuar lendo

Pauta do dia no #cbnsp 22.03.2010

 

CBN SPEm um dia tomado pelo julgamento do casal Nardoni, o CBN São Paulo buscou equilibrar a cobertura jornalística da cidade promovendo debate de vereadores sobre a ‘lei do barulho’ na tentativa de esclarecer que intenções estão por trás da derrubada do veto feito pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Aproveitando o Dia Mundial da Água falamos, ainda da “pegada hidráulica” que deixamos no planeta, a partir de nossos hábitos de consumo. Sobre o julgamento em si, conversamos sobre o papel do tribunal do júri, o que provocou reações interessantes de ouvintes-internautas. Vamos a pauta do dia:

Lei do Barulho
– O vereador Carlos Apolinário (DEM) autor da lei do barulho que mudou as regras do PSIU em São Paulo e o José Police Neto, líder do Governo na Câmara Municipal debateram sobre o tema. Da conversa, ficou a expectativa de que novo projeto será enviado à Câmara consertando os exageros da lei em vigor. Ouça aqui o debate dos vereadores e diga o que você pensa desta discussão.


Dia Mundial da Água
– A “pegada hidráulica” no Brasil é de 1.300 m3 per capita por ano, semelhante a média mundial. Neste cálculo não entra apenas a água que você gasta ao abrir a torneira, por exemplo; mas a água que é gasta para atender seus hábitos de consumo de bens e serviços. Ouça a entrevista com o professor de hidrologia da USP de São Carlos Eduardo Mário Mediondo e depois saiba qual a sua “pegada hidráulica” através do link disponível na coluna No Ar, do lado direito do blog.


Fim do júri no tribunal
– O presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi Walter Maierovitch critica a existência do tribunal do júri na justiça brasileira. Ao comentar o caso Nardoni defendeu que os julgamentos sejam realizados apenas por juizes togados. Entenda os argumentos de Walter Maierovitch ouvindo a entrevista para o CBN SP.

Época SP na CBN – Franz Ferdinand no palco, aquário para as crianças e um restaurante para os casais estão nas dicas do Rodrigo Pereira.

Pacientes tratados como gado, diz médico nos EUA

Caminhando, ou Deus não permita, levado para uma sala de emergência (algumas vezes por uma ambulância da companhia que tem alguma “conecção com o hospital) e você pode sentir como se estivesse sendo conduzido por você mesmo. Conduzido com três ou quatro outros muito doentes para dentro de uma área que pode caber confortavelmente somente um. Algumas vezes os pacientes são empilhadas tão próximos um dos outros que é impossível para um clínico examiná-lo adequadamente. E esqueça sobre privacidade.

Doutores em todo o País tem confidenciado para mim que eles são levados a dar alta aos pacientes tão logo for possível após serem admitidos. Um contra-senso, certo ? Isto porque os hospitais pagos pelas seguradoras dos pacientes baseado no diagnóstico do paciente e não no tempo em que o paciente permance no hospital. Que você fique dois duas ou 10 o hospital será pago o mesmo valor. Isto é como pagar $5,000 pelas férias no Hilton Hotel e os funcionários que fazem o check in decidirem quanto tempo você vai ficar.

Em um golpe horrível e desonesto para se certificar que o paciente ficará tão pouco quanto for possível os hospitais tem recorrido a dar bônus para os médicos não pela sua qualidade de atndimento, mas com base no número de dias que seus pacientes ficam nos hospitais. Outros clínicos que trabalham para hospitais contaram para mim que eles foram chamados para reuniões com administradores e falaram para parar de consultar um doutor, não por causa da qualidade dele ou dela no antendimento, mas somente porque os pacientes desse doutor ficam no hospital muito tempo.

Os trechos acima, ao contrário do que você imagina, se referem ao atendimento hospitalar nos Estados Unidos e fazem parte de artigo publicado em inglês no Blog Healthcare – A behind the scenes look (Atendimento de saúde – Um olhar por trás dos bastidores), do cardiologista Dr. Evan Levine. Em “How Hospitals Make Money ? Raw Hide”, ele usa o nome de um show de televisão que se passava no velho oeste e tinha como cenário a área rural para ironizar a estratégia de hospitais americanos para ganharem mais dinheiro: tratar os pacientes como gado.

Evan é autor do livro What Your Doctor Won’t (or Can’t) Tell You que não foi lançado no Brasil e trabalha como cardiologista em Nova York. Tive oportunidade de conhecê-lo nas últimas férias quando fui para a cidade de Riedgfield, no estado americano de Connecticut. Além do seu jeito americano de receber (entenda isso como quiser), Evan mora em uma casa deslumbrante e com vista para um bosque sem-fim. É lá que escreve boa parte de seus posts, mas a inspiração encontra no cotidiano da medicina e em uma série de desrespeitos escondidos nos corredores e salas de atendimento dos hospitais.

De Certeza e de Deus

 

Por Maria Lucia Solla

MVC-662F

O mundo externo, e consequentemente o interno, tem passado por poucas e boas.
Nada é. Não há certeza. Ou melhor, certeza nunca houve, mas nós nos agarramos e continuaremos a nos apegar a tristes arremedos dela.

De religiões e dogmas, desisti há muito. Era levada por ventos curiosos, mas não me entregava nunca. Mesmo babando de inveja da certeza dos que a tinham; mesmo doida por pertencer a uma tribo que me acolhesse, cedo percebi que essa acolhida custava caro demais. Preço que eu não queria pagar.

Quanto a certeza, com a dose de incoerência que todos temos no cardápio – confessemos ou não -, ainda me pego indo atrás de uma ou outra, no fim. No entanto, enquanto cobiço uns pares delas, também quero me livrar das que teimam em se agarrar em mim.

O vazio de certeza, no início, dá insegurança. Como nos primeiros passos não encontrar estendida a mão da proteção. Como pedalar pela primeira vez sem as rodinhas de trás, ou pular na piscina e não ver a cara molhada e divertida do pai acenando; dando a mão.

O homem se separou da Natureza e de Deus, e disputa, a unha, certeza por certeza. Por vezes, a tiro. Paga por ela, morre por ela. Ajoelha-se e vende a própria alma por um vislumbre dela; e no entanto, à única certeza irrefutável, que é nossa de graça, viramos as costas e nos recusamos a aceitar.

a morte do corpo material
a viagem é de ida e volta
ponto final

Hoje, só não percebe quem não quer: a vida aperta a porca, e o parafuso penetra a carne e é então que é preciso aceitar que na dor há propósito; ela nos impulsiona a encontrar a via que desemboca na harmonia, que é o modus operandi da Criação. Se não fosse assim, se Ela não fosse movida a ritmo, harmonia, equilíbrio e perfeição

os planetas se chocariam uns contra os outros em frenética dança egocêntrica
o Sol viria espiar a Terra e nos exterminaria com uma lambidas de suas régias labaredas
a lua preguiçosa apareceria de quando em quando de luz opaca e sonolenta
as estrelas sairiam em caminhada pelos céus de outras galáxias
e seríamos sem elas ainda mais tristes

Eu não estaria aqui esperneando na busca do equilíbrio e da harmonia pessoal.
Da minha sanidade mental.

E como isso tudo me remete a Deus, lembro que quando menina eu tinha certeza Dele, mas sentia pena do Deus da minha certeza, e chorava. Ouvia dizer que Ele era maior e melhor que tudo e todos, e isso me levava a pensar um Deus material, velho, barbudo, sisudo, distante e solitário. Um Deus que julgava, condenava e tinha preferências entre os humanos e suas tribos. Se não fizéssemos o que Ele determinava, nos expulsava de seu Reino e nos virava as costas. Para sempre. Isso me perturbava, trazendo ansiedade,
aos sete anos de idade.

Eu pensava um Deus eterno que sofria de solidão eterna. Sem amigos! Quem
pode ter amigos sendo melhor e maior que todos!

mas voltando a certezas confesso
escrevo para delas me livrar
não para novas conquistar

E enquanto isso você, do outro lado da tela, ouve meus ais e uis nascidos da birra de não ter o que quero, quando quero, nascidos da frustração. E eu não jorraria palavras, ipis e urras, britados da satisfação.

E sem certezas, não tenho resposta pronta nem mapa do tesouro. Não tenho a pretensão de explicar o Divino e Seus desígnios. Não tenho receita para o meu nem para o teu bem-estar. E vou vivendo.

E Deus?
Hoje, dele não tenho certeza.
Eu o sei, o sinto e o percebo nos meus momentos de lucidez.

mas quando me deixo tomar por uma ou outra certeza
sofro e o resultado é nefasto
isso acontece sem dúvida
quando eu Dele me afasto.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de Comunicação e Expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com fé e certeza nas suas incertezas

É outono, troque seu guarda-roupa !

outono-lindo


Por Dora Estevam

Neste sábado, dá início a nova estação, outono, e com ela a mudança do clima: de manhãzinha frio, à tarde calor, à noite frio de novo. Seu guarda-roupa pede malha, camisa de manga longa, blazer, casaquinho, jaqueta, calça de algodão, meias, sapatos fechados, echarpes, lenços … Uma infinidade de peças que precisa ser acolhida no espaço que está habitado pela moda verão.

Não importa o quanto você vai gastar em um par de sapatos novos ou em um sweater, o que importa é que você precisa comprar pelo menos duas peças para  compor o novo visual. Se você é do tipo que trabalha muitas horas, que precisa andar de um lado ao outro no escritório, sem dúvida terá de investir em algo de qualidade. A primeira coisa em mente é que, do verão para o inverno, a mudança é radical: saem os florais coloridos, entram as cores esmaecidas.

Chega, então, a hora de escolher entre preço, moda e marca. Vá com calma ! Não saia por ai gastando tubos em algo que você usará pouco e logo vai enjoar. Compre peças boas, não precisa ser de marca famosa e cara.

Moda Out:2010 Feminina

Sugestão da consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron: aproveite e dê uma espiada no guarda-roupa da mãe ou da avó. Veja se lá tem um casaquinho de veludo alemão, de brocado, lurex, lamê, tecidos com carinha de antigo. Estes modelos se usados com um cinto por cima ou uma bolsa bacana, são elementos do passado que dão característica de unicidade.

Para o orçamento que está curto ou para quem não pretende comprar um blazer mais ajustado, com ombreiras de espuma pontiagudas, precisa ter em mente as cores da estação (rosáceos, nudes, toda a gama dos azuis, preto e branco, cinza, musgo) e compor com o que já tem em casa.

Os estilistas estão compondo cada vez mais o guarda-roupa feminino com a política da liberdade da criação, explica Andréia.

1. Ela ensina como fazer esta troca sem gastar muito tempo:

2. Comece por tirar as peças sem manga e substituí-las pelas com manga;

3. Depois, encaixe aquelas que protegem do friosinho comum de outono como blazer, jaquetas, malhas, tricots.

4. Então, troque as blusas decotadas pelas de golas mais altas.

Mudança também na sapataria. Se a intenção é, realmente, usar o que está na moda, o sapato feminino ideal agora é o “Kitten Heels” (Salto Gatinho). O salto não tem mais que cinco centímetros. Uma tendência mundial. A proposta visa dar conforto para mulheres de todas as idades.

Continuam os de bico fino contemporâneos e retrô com bico quadrado. Use meias trabalhadas, como as rendadas.

Moda Out2010 Masculina

Para os homens de paletó, o forte da estação será o azul marinho; nas camisas, o predomínio dos azuis, dos claros aos escuros, tipo Bic; as gravatas aparecem nos tons esmaecidos, amarelos e rosáceos. Os sapatos – sem invenção: os mesmos clássicos de amarrar.

Com tudo isso, nesta mudança de guarda-roupa, se você não tiver onde guardar o que sobrou faça uma boa ação.

Ao optar pela doação, veja se a roupa não está rasgadinha. Se estiver tudo certo, não exite: dê para pessoas que realmente precisam, doe para a empregada, alguma amiguinha em crise financeira, aquela priminha pobre do interior ou procure ONGs que saberão dar uma finalidade.

Doar é uma prática de boa conotação e fará com que pessoas com dificuldades se sintam bem melhores.

Agora, se você realmente não pode gastar nada, tem um sistema de troca de roupas muito usado pelas britânicas que é o “Clothing Swaps”. São amigas e até lojas, bazares que combinam de levar tudo aquilo que não usam mais para troca. Quem não se incomoda de usar roupa de segunda mão acaba tendo vantagem. O conceito do “O Que é Meu é Seu” pode ser usado em produtos de beleza, acessórios, mobílias, vai da sua imaginação.

Se você tem muitas amigas, acho que seria uma boa opção para este momento. Agora, veja se a amiga tem um guarda- roupa legal, caso contrário alguém pode sair no prejuízo.

Ligue para elas e combine um encontro, depois me conta como foi.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

outono-lindo

Pauta do dia no #cbnsp

 

Buraco na Marginal

Próximo da Ponte das Bandeiras, na pista local da Marginal Tietê que vai em direção a rodovia Castello Branco, em São Paulo. Este é local da cratera aberta nesta madrugada que engoliu dois carros. Os dois foram tirados com “vida” do local, mas um teve a suspensão quebrada. A causa do incidente seria a “idade” da Marginal, segundo técnicos que estavam no local. Construído na várzea do rio, o terreno aos poucos é levado pela água e surge o solapamento. Resultado: 14 quilômetros de congestionamento na Marginal.

Outros assuntos do CBN SP:

Transparência – Apenas oito das 31 subprefeituras cumprem a Lei da Transparência, em vigor desde 2005, em São Paulo, que obriga a publicação do Orçamento no saguão do órgão. A Câmara Municipal também cumpre a lei. Acompanhe a entrevista com o coordenador do Movimento Nossa São Paulo Oded Grajew

Lei do Barulho – A fiscalização do silêncio urbano ficará prejudicada mas a prefeitura ainda não decidiu se pretende encaminhar a nova lei para a Câmara Municipal, após a aprovação da lei do barulho. A informação é do secretário das Subprefeituras Ronaldo Camargo que anunciou, ainda, que todos os subprefeitos serão cobrados para cumprir a Lei da Transparência. Ouça a entrevista.

Cidade Limpa – O prefeito Emídio de Souza, de Osasco, acredita que até o meio do ano a Lei Cidade Limpa será aprovada na cidade. A restrição aos outdoors será apenas na região central de Osasco, na Região Metropolitana. O prefeito Emídio de Souza (PT) explica como quer implantar a lei Cidade Limpa na cidade.

Esquina do Esporte – O São Paulo mostrou maturidade na vitória por 3 a 0 contra o Nacional do Paraguai. A definição das quartas-de-final da Copa dos Campeões na Europa e do Paulista, no fim de semana, também foram assuntos na conversa com Marcelo Gomens que você ouve aqui

Noite Paulistana – B.B.King e Paulinho da Viola são atrações na agenda cultural de São Paulo. Acompanhe as indicações de Janaína Barros.

O insustentável preconceito do ser !

 

Por Rosana Jatobá

álbum de jef_safi no Flickr

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:

– Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “Cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.

“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.

O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra “niger”para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
“Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe”…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan “black is beautiful”. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém.

Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos”, mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

– A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

– Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
– Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …

Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”.

Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.

O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos…

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre vida e consciência sustentáveis

Veja outras fotos no álbum digital de Jef Safi, no Flickr

Foto-ouvinte: Seu José, plantador de árvore

 

Seu José planta árvores

Seu José tem 52 anos, guarda carro, varre a calçada, pinta as guias e planta árvores. Acha um desrespeito a prefeitura não cuidar das calçadas, então faz o trabalho por conta própria. E ensina o cidadão paulistano: “Na minha rua todo buraquinho que aparece eu planto uma árvore”.

O corretor de imóveis Marcelo Escobar encontrou Seu José na rua atrás do prédio da IBM, na Vergueiro. Eu o encontrei no blog do Marcelo. Vá até lá e conheça “Pessoas Legais e Lugares Bacanas”