Por Maria Lucia Solla
Ouça De considerações na voz da autora acompanhada por Benny Goodman

Olá, no final do ano que acabou de virar a esquina, minha saúde levou uma sacudida e saiu do prumo. Até hoje, os dias têm sido de sufoco. Literalmente, uma vez que o desequilíbrio, no físico, é respiratório. Passei uma tarde no hospital e, argumentação do meu lado mais compreensão do lado da médica, voltei para casa. Mas ainda hoje quando respiro me sinto equilibrando na corda bamba esticada por brônquios, pulmões e… haja coração. Desenhei uma tabela para dar conta de acompanhar horário de antibióticos, cortisona, xarope e um medicamento que tem a responsabilidade de consertar os estragos causados pelos outros.
Minha prima quebrou um joelho jogando vôlei, no último dia do ano. Hospital, cirurgia, pinos, placas. Entra o novo ano com a tarefa de ficar quieta por noventa dias. Ela é elétrica, cheia de vida, agitada, ariana! Baita desafio, mas conheço a fera e sei que vai transformar a situação e tirar de letra a lição.
Paulinha está tentando segurar a vida como se tivesse uma pilha de pratos na cabeça, andando em terreno escorregadio. A rinite aproveitou a deixa e se instalou. A Nádia foi parar no hospital, com uma estafa das boas, que ela vem driblando como pode, há algum tempo. Com o Graciano a coisa pegou nos bichos que são o seu forte e o seu fraco. O gato foi roubado, o cachorro morreu e o enorme aquário, cheio de peixes, explodiu do nada. Não derrotado, colocou o único peixinho sobrevivente da ecatombe aquariana num pequeno aquário, e o peixinho pulou e se suicidou.
Chove, terra desliza, muita gente morre e outros tantos nascem. A Tininha trouxe à luz gêmeos:Téo e a Catarina. Vou tricotar algo bem bonito: rosa para ele e azul para ela, que é sempre bom lembrar de desafiar as convenções e colocá-las em seu devido lugar.
A vida é uma colcha de retalhos, só que quando a gente está tecendo um retalho bonito, maleável, dá gosto de costurar!
e então como viver
que cartilha obedecer
para fazer direito
é preciso aceitar o que se tem feito
e deixar que o amor escorra livre
de dentro do peito.
não dá pra ser sempre brilhante
há que levar a vida adiante
há dias de ser tansa
em que a gente literalmente dança
e há outros em que o sol entra em nossa casa
ilumina cada canto, pontas e meios
e expande o coração
Que saibamos sempre receber e reconhecer cada momento de Vida.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso do Comunicação e Expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung, sempre a fim de receitar um bom remédio pra alma.