Por Adamo Bazani
A família dele fundou a maior parte das empresas de ônibus que serviu o ABC Paulista. Desde cedo, desbravou cidades e ajudou no desenvolvimento viário de parte do interior do Estado e da região metropolitana. Com tanto a se contar, a história de Sebastião Passarelli será apresentada em capítulos a partir de hoje.

O setor de transportes de passageiros passou por várias fases ao longo da história. A começar pela época em que os donos de ônibus, a maior parte pequenos empresários, tinham de colocar a mão na graxa e dirigir os próprios veículos, além de abrir com enxadas e com as rudimentares jardineiras, pequenos caminhos no meio do mato, que depois se tornaram estradas importantes, e ajudar a povoar pequenos vilarejos, muitos dos quais conhecidos bairros da região.
Depois, veio a fase do crescimento industrial, no qual o setor enfrentou duas realidades: a da modernização das cidades e frotas e uma organização trabalhista mais forte, que exigia dos donos de viações, agora não mais pequenos empresários, poder de negociação. Isso tudo até chegar a fase do empresário que não suja a mão na oficina mas que é mais exigido nas negociações com autoridades públicas para a prestação de serviços e que também é obrigado a se adaptar as mudanças que ocorrem numa velocidade muito maior que a época dos desbravadores. A cada ano são apresentados modelos novos e de um ano para outro um ônibus pode se tornar obsoleto, tanto por causa das exigências legais, como das necessidades operacionais. E nada melhor do que quem viveu e vive estas etapas para contá-las melhor para a gente.
Um dos personagens que presenciaram e participaram desta história é o empresário Sebastião Passarelli, hoje com 81 anos. Só no ABC Paulista, ele fundou e adquiriu pelo menos 16 empresas de ônibus, entre elas Viação São Lucas, Viação São Victor, Viação São Luis, Viação Humaitá, Viação Campestre, Viação Bartira, E.A.O.S.A.- Empresa Auto- Ônibus Santo André -, Viação Ribeirão Pires, Viação Barão de Mauá, Viação Santa Terezinha, Viação São Camilo, Penha, Viação Tucuruvi, Viação Santa Paula, Viação São José, Expresso Guarará, entre outras.
O dom de transportar está no sangue dos Passarelli há várias gerações. Nos anos 30, o pai, Antônio, e o avô, Andrea, já atuavam no ramo de passageiros e de carga. Em 1938, o pai de Sebastião fundou a primeira linha de ônibus, época das jardineiras entre São José do Rio Preto e Araçatuba. A jardineira comprada na antiga concessionária Ford, Germano Sestini, de São José do Rio Preto, cortava pequenos caminhos de terra. Não havia, em muitos trechos, vias públicas. A jardineira tinha de cruzar sítios e fazendas, com a permissão dos donos. O pequeno veículo dividia espaço com rios, nascentes e rebanhos, sempre rodando em baixa velocidade. As dificuldades de trajeto na região eram grandes. Os atoleiros em dias de chuva, inevitáveis.
E foi neste contexto que Sebastião Passarelli cresceu.
“Vi o meu pai e meu avô desbravarem a região chamada de Alta Araraquarense. Era difícil, mas muito gostoso também. Comecei a admirar ainda mais meu pai e meu avô, dos quais não herdei apenas a vocação pelos transportes, mas a vontade de fazer as coisas, que é genética, e a capacidade de acreditar. Hoje, há muitas pessoas que não tem essa capacidade, de crer, de acreditar e superar as adversidades” – conta Passarell, com disposição e bom humor de dar inveja a muitos jovens. Ele nunca chega depois das 8 da manhã ao Terminal de Vila Luzita, do qual é proprietário do único sistema de corredor segregado de ônibus do serviço municipal de Santo André.
Continuar lendo →