Shoppings e Serra na Justiça contra estacionamento grátis

 

Há dois anos pelo menos respondo e-mails que chegam ao CBN SP negando a informação de que havia lei em vigor no Estado de São Paulo que proibia a cobrança do estacionamento em shopping aos consumidores que gastassem mais de 10 vezes o valor da taxa. O spam que circulava na internet ainda dizia que os funcionários dos caixas de estacionamento escondiam dos clientes esta informação.

Nesta quarta-feira sou surpreendido com a divulgação do Diário Oficial do Estado que a lei está em vigor em São Paulo graças a derrubada do veto do governador José Serra (PSDB), coisa rara na Assembleia Legislativa que costuma dizer amém a tudo que o Palácio dos Bandeirantes deseja. Os primeiros comentários foram favoráveis, pois a maioria dos consumidores acredita ser um abuso o preço cobrado pelos administradores de shopping.

Agora à tarde, começaram os questionamentos: o preço do estacionamento deve subir, o custo será repassado aos lojistas e as mercadorias ficarão mais caras. O governador também anunciou que entrará com Ação Direta de Inconstitucionalidade por entender que apenas a União pode legislar sobre a propriedade privada. Outras tentativas de aprovação de lei semelhante foram derrubadas na justiça que entende ser ilegal a interferência dos estados neste negócio.

Os lojistas de shopping através de entidade nem tão representativa assim também anunciaram que são contra a medida pois a conta vai parar na mesa deles. A Alshop de Nabil Sahyoun informou que os shoppings vão à Justiça com pedido de liminar para continuar cobrando o estacionamento até que haja decisão final sobre a inconstitucionalidade da lei.

No Rio de Janeiro, os juízes deram razão para os administradores de shopping e a lei deixou de existir. E lá tinha o apoio do governador.

Confesso que para mim esta é uma daquelas leis que a princípio parecem ajudar o consumidor, mas na hora de fazer as contas e puxar o traço ainda vai pesar mais no nosso bolso.

Empresa da merenda escolar usava notas frias, diz MP

 

A SP Alimentação é investigada por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro pelo Ministério Público Estadual e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A empresa que atua na área de merenda escolar para vários municípios brasileiros, inclusive a capital paulista, é acusada de negociar com empresas fantasmas e falsificar notas fiscais, segundo informou o promotor Arthur Lemos Júnior, ao CBN São Paulo.

Entenda as denúncias na entrevista do promotor Arthur Lemos Júnior

Prefeitura de SP diz que pode ter sido vítima

Há quatro meses a prefeitura de São Paulo refez o processo de licitação para contratar empresas que prestam serviço na área de merenda escolar com o intuito de impedir irregularidades que haviam sido constatadas pelo Ministério Público. A SP Alimentação que já prestava este serviço à rede municipal de ensino voltou a concorrer e ganhou um dos contratos.

De acordo com o secretário municipal de Educação Alexandre Schneider as empresas apresentaram toda a documentação necessária para participar da licitação e não havia nenhuma condenação contra elas. Schneider disse ao CBN São Paulo que se as fraudes forem comprovadas a prefeitura terá sido vítima destes grupos.

O secretário falou ainda que a prefeitura solicitou toda a documentação que comprove as irregularidades para verificar se há alguma medida que possa ser adotada neste momento. Caso as irregularidades sejam confirmadas, os contratos podem ser cancelados.

Ouça a entrevista de Alexandre Schneider, ao CBN SP

Agora o outro lado

A SP Alimentação foi procurada pela produção do CBN São Paulo e respondeu através de e-mail:

“A SP Alimentação nega qualquer acusação feita pelo promotor Arthur Lemos Jr., e desconhece qualquer ato irregular mencionado por ele. Reitera que, normalmente, o que acontece é que a empresa vem sendo surpreendida por informações repassadas a imprensa por esse promotor e ao invés desses supostos fatos chegarem ao seu conhecimento por meio das vias legais, evidenciando a preferência do promotor em escandalizar o assunto por intermédio dos meios de comunicação em vez de buscar a apuração de maneira isenta. O que será combatido pelas medidas judiciais cabíveis”

Um final feliz para Luciana de Viver a Vida

 

Alinne Moraes no papel da tetraplégica Luciana

Casal no altar, pais reconciliados, viciado sorrindo pela recuperação e o vilão pagando seus pecados na cadeia para delírio da torcida. A síndrome do Final Feliz que contamina os autores de novelas está sob ameaça na recém-iniciada Viver a Vida, da TV Globo, graças ao destino traçado à personagem Luciana, modelo que após acidente ficou tetraplégica. A curiosidade é que a preocupação de que o autor Manoel Carlos decida “curar” Luciana no último capítulo é de parentes e profissionais ligados a pessoas com deficiência.

Desde a confirmação da sequela deixada pelo acidente de ônibus, tenho recebido mensagens de pais de jovens com deficiência, filhos que cuidam de pais que sofreram lesões de extrema gravidade na coluna e profissionais de saúde que se deparam com esta realidade diariamente. Temem que a hipocrisia leve a novela a apresentar uma transfusão mágica ou uma cirurgia milagrosa para “salvar” a vida da menina bonita.

Há duas semanas, ocomentarista Cid Torquato, do Cidade Inclusiva, anunciou no CBN São Paulo, o destino de Alinne “Luciana” Moraes, que ainda fazia o papel de modelo de passarela disputando beleza com a colega Helena que casou com o pai dela, Marcos. Ele foi afirmativo ao dizer que ao contrário de outras novelas, Manoel Carlos estava disposto a mostrar a realidade na vida de pessoas com tetraplegia, sem apresentar falsas esperanças.

“Quando encaramos a verdade, fica mais fácil agir naturalmente e é essa verdade dos fatos que faz com que o deficiente encare a sua realidade e passe a exigir respeito, a exigir o compromisso das autoridades frente aos tratamentos e, principalmente, faz com que o próprio deficiente tenha acima de tudo amor próprio e o respeito por si”. A opinião é da ouvinte-internauta Suely Rocha.

Em Viver a Vida, o final feliz não está na descoberta da cura de uma deficiência que limita o movimento do corpo, mas no combate ao preconceito que restringe a inclusão de um cidadão.

O ônibus que foi Miss

 

Por Adamo Bazani

O sucesso e o carisma de Martha Rocha, nossa Miss Brasil dos anos 50, foi enorme a ponto de uma encarroçadora ter fabricado um modelo especial com o nome dela para destacar a beleza e o charme do ônibus.

Marta Rocha Rodoviário

Muitos conhecem a história de uma das figuras da moda e beleza mais marcantes do país: a bahiana Martha Rocha. Em 1954, após ser Miss Bahia, ela ganhou o concurso nacional e foi para os Estados Unidos bastante cotada para conquistar o Miss Mundo. A decepção do Brasil foi grande. Apesar de todo o favoritismo, a jovem conseguiu apenas o segundo lugar, perdendo para a americana Miriam Stevenson.

Na época, para “consolar a nação”, que torcia por Martha como se fosse final de Copa do Mundo (de futebol), jornalistas brasileiros disseram que ela perdeu por causa de duas medidas a mais nos quadris. Algo que foi desmentido depois, de acordo com revistas especializadas. Marta só teria perdido porque os organizadores queriam resgatar o interesse dos americanos em concursos de beleza. As TVs e imprensa nos Estados Unidos investiam muito nestes eventos e queriam algum retorno

Cá entre nós, ganhar de uma brasileira em beleza não é tarefa fácil. Mas nosso espaço é para relatar novidades e histórias sobre transporte coletivo e você deve estar se perguntando: o que tudo isso tem a ver com ônibus?

Muito. É que a figura de Martha Rocha foi tão significativa por sua beleza e charme – e um pouco pelo sentimento de injustiça que dominou os brasileiros na época – que a miss ganhou enorme projeção. Seu nome virou marca, referência de beleza, referência de Brasil.

E a Caio – Companhia Industrial Americana de ônibus, fundada em 19 de dezembro de 1954 por José Massa (avô do piloto Felipe Massa) -, não perdeu tempo. A empresa tinha no papel um projeto de ônibus a ser lançado nos anos 50: grande, com linhas belas para época, de duralumínio. Casou o útil ao agradável. A Caio batizou seu ônibus com o nome da nossa Miss Brasil (e Miss Mundo de coração).

Marta Rocha Elétrico

O desenho novo para época, a qualidade dos materiais e a versatilidade fizeram do ônibus um dos maiores sucessos dos anos 50, sendo comprado por diversas empresas operadoras. E o apelo do nome ajudou bastante. O modelo, projeto para ser rodoviário, logo foi usado como urbano, interurbano e até trólebus.

O caso ressalta aspecto sempre presente neste Ponto de Ônibus. De diferentes maneiras é possível ver refletida no transporte de passageiros a realidade social, política, urbanística, cultural e, também, comportamental do País – nem que seja da beleza da mulher brasileira.


Adamo Bazani é repórter da CBN e busólogo. Às terças-feiras estaciona seu ônibus aqui no Blog do Mílton Jung sempre de olho nas belezas que rodam nas cidades brasileiras.

O alarme do Banco do Brasil

 

Aumente o volume do seu computador e clique no vídeo à disposição neste post para ter ideia do que os vizinhos da agência do Banco do Brasil, na Teodoro Sampaio, bairro de Pinheiros, em São Paulo, enfrentaram de domingo para segunda, durante 19 horas seguidas. De acordo com descrição da ouvinte-internauta Eliana Gryn, o alarme de segurança da instituição bancária soou a primeira vez às duas da tarde de domingo. E assim permaneceu durante a noite, a madrugada e a manhã dessa segunda-feira sem que ninguém tomasse providência. Além de considerar um desrespeito aos moradores da região, Eliana põe em dúvida o sistema de segurança do banco.

Canto da Cátia II: Sem saída

 

Rua da Cantareira

A chuva mal havia começado no meio da manhã, nesta segunda-feira, e a repórter Cátia Toffoletto já se deparava com alagamento da rua da Cantareira, próximo do Mercado Municipal de São Paulo. Sujeira nas calçadas e bocas de lobo entupidas davam sinais de que seguimos despreparados para os temporais na capital paulista.

Canto da Cátia: Buraco, meu amigo !

 

Buraco no acesso a 23 de Maio

Todo motorista que chega pela avenida Radial Leste-Oeste e precisa entrar na 23 de Maio já teve oportunidade de “conversar” com este buraco que aparece na foto feita pela repóter Cátia Toffoletto, hoje cedo. Fica bem no acesso de quem vem da zona oeste, logo após a curva, e não há carro que escape de um “bate-papo” com ele. E este “diálogo” com o buraco é cada vez maior. Uma relação que vai se aprofundando a cada dia que passa e que deixa marcas para o resto da vida – ou até que se troque a roda do carro.

Calçadas tem lei de mais, respeito de menos

 

Calçada ou escada

Boa parte dos moradores de São Paulo usa as calçadas, mas não tem ideia das leis municipais que regulamentam a construção e manutenção deste espaço público. Sem publicidade, cada proprietário faz o que bem entende e ninguém sabe ao certo se tem direito a reclamar, e do que reclamar. Uma das situações que mais me chamam a atenção é a transformação da calçada em extensão da rua, principalmente em postos de combustível.

Os carros entram e saem dos postos na maioria das vezes sem sinalizar ou levar em consideração a preferência do pedestre. Os proprietários dos postos se preocupam em rebaixar toda a guia, de ponta a ponta, para facilitar o acesso dos veículos, mas se esquecem de avisar às pessoas infringindo ao menos um dos artigos do decreto (no. 45.904 de 2005) que trata do conceito de passeio livre:

“Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e saídas devidamente identificadas e sinalizadas” (Capítulo V, art. 16, parágrafo único)

Na conversa com dois urbanistas no CBN São Paulo ficou evidente que há muitas dúvidas sobre o que a lei permite ou não em relação as calçadas. Cândido Malta, da FAU-USP, desconhece regras que impeçam o rebaixamento total das sarjetas diante dos postos de combustível. Sugere que a área seja sinalizada com piso diferenciado que faça o carro diminuir a velocidade e alerte o pedestre para o fato de que aquele trecho é de uso compartilhado. Da maneira como está hoje, um deficiente visual, por exemplo, é incapaz de saber se a calçada é ou não para acesso de veículos.

Regina Monteiro, diretora da Emurb, diz que a confusão nas leis também impede um comportamento padrão por parte dos subprefeitos e fiscais. Ela procurou o Secretário das Subprefeituras Ronaldo Camargo para que, em conjunto, seja elaborado um decreto que esclareça uma vez por toda o que pode ou não. Entende que deve ser estudado modelo que adapte o acesso dos veículos à segurança do pedestre.

Na entrevista ao CBN SP, Regina chama atenção para o fato de que, além do espaço maior do que o permitido, a calçada muitas vezes ganha degraus ou fica inclinada prejudicando o passeio.

Ouça a entrevista de Regina Monteiro ao CBN São Paulo

Uma das leis ainda em vigor é de 1988, de autoria do então prefeito Jânio Quadros, que permite o rebaixamento de até 3 metros da calçada, a cada lote. Seria clara não houvesse exceções: se o proprietário solicitar e o agente público aceitar, a área rebaixada pode ser maior. Mais recentemente, nova lei aceita que o acesso dos veículos ocupe até 50% do lote, porém nunca além de 5,5 metros, exceto os terrenos menores que podem ter toda a frente rebaixada.

De lei em lei, de exceção em exceção, ninguém é capaz de impor respeito e fazer com que o pedestre, pelo menos na calçada, seja prioridade.

Foto-ouvinte: Amor ou ódio ?

 

Monumento às Bandeiras e o público

Escalar até o ponto mais alto do Monumento às Bandeiras e se divertir com a família. Cena comum na obra construída por Victor Brecheret instalada diante do Parque do Ibirapuera que causa diferentes sentimentos. O autor da imagem, o ouvinte-internauta e motorista de táxi Davi Francisco da Silva, se incomoda com este comportamento. Enxerga desrespeito e vandalismo onde outros veem uma forma de intervenção urbana.

Como você analisa este comportamento ?