Um final feliz para Luciana de Viver a Vida

 

Alinne Moraes no papel da tetraplégica Luciana

Casal no altar, pais reconciliados, viciado sorrindo pela recuperação e o vilão pagando seus pecados na cadeia para delírio da torcida. A síndrome do Final Feliz que contamina os autores de novelas está sob ameaça na recém-iniciada Viver a Vida, da TV Globo, graças ao destino traçado à personagem Luciana, modelo que após acidente ficou tetraplégica. A curiosidade é que a preocupação de que o autor Manoel Carlos decida “curar” Luciana no último capítulo é de parentes e profissionais ligados a pessoas com deficiência.

Desde a confirmação da sequela deixada pelo acidente de ônibus, tenho recebido mensagens de pais de jovens com deficiência, filhos que cuidam de pais que sofreram lesões de extrema gravidade na coluna e profissionais de saúde que se deparam com esta realidade diariamente. Temem que a hipocrisia leve a novela a apresentar uma transfusão mágica ou uma cirurgia milagrosa para “salvar” a vida da menina bonita.

Há duas semanas, ocomentarista Cid Torquato, do Cidade Inclusiva, anunciou no CBN São Paulo, o destino de Alinne “Luciana” Moraes, que ainda fazia o papel de modelo de passarela disputando beleza com a colega Helena que casou com o pai dela, Marcos. Ele foi afirmativo ao dizer que ao contrário de outras novelas, Manoel Carlos estava disposto a mostrar a realidade na vida de pessoas com tetraplegia, sem apresentar falsas esperanças.

“Quando encaramos a verdade, fica mais fácil agir naturalmente e é essa verdade dos fatos que faz com que o deficiente encare a sua realidade e passe a exigir respeito, a exigir o compromisso das autoridades frente aos tratamentos e, principalmente, faz com que o próprio deficiente tenha acima de tudo amor próprio e o respeito por si”. A opinião é da ouvinte-internauta Suely Rocha.

Em Viver a Vida, o final feliz não está na descoberta da cura de uma deficiência que limita o movimento do corpo, mas no combate ao preconceito que restringe a inclusão de um cidadão.

4 comentários sobre “Um final feliz para Luciana de Viver a Vida

  1. Caro Milton,

    São pessoas como você e o Cid que dão força para continuarmos a Viver a Vida com dignidade, abrindo espaço importante para assuntos que, na maioria das vezes, ficam dentro das gavetas fazendo de conta que está tudo bem.
    Estou repassando o link do blog para muitas pessoas portadoras de deficiências que, certamente, ficarão honradas com o respeito que lhes é assegurado tanto no quadro Cidade Inclusiva quanto no Blog do Milton Jung. Mais uma vez parabenizo vocês por esse trabalho competente e de resultados.
    Grande abraço,

    suely rocha

  2. Com toda certeza um final feliz para Luciana está relacionado diretamente à determinação de seguir em frente! De enfrentar o problema e vencê-lo! Acredito que o maior obstáculo não é a tetraplegia em si, mas deixar-se derrotar por ela. Muitas possibilidades de discussão podem ser provocadas com essa iniciativa. E o que é melhor, gerar informação à cer a do tema, o que seria extraordinário!

    Suscitar essa discussão da pessoa com deficiência num programa de entretenimento é perigoso, mas muito valido. Pois as pessoas com deficiência não precisam ser vistas como “coitadinhas”, e sim com o cidadãos que merecem todo respeito. Sempre gostei muito da frase que diz: “Deficiente é a cidade, a sociedade e não as pessoas”. É uma frase forte, mas serve como reflexão.

    Tenho muito, muito orgulho de trabalhar pela causa das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida!

    Lincoln Tavares
    Jornalista

  3. Torço muito para que Luciana aprenda a viver com a deficiência e ao longo da novela mostre as dificuldades que enfrenta em nossos espaços públicos inacessíveis.

    Espero que Manuel Carlos tenha o bom senso de mantê-la com deficiência superando preconceitos e mostrando que a vida pode ser vivida apesar deste tipo de dificuldade

  4. Milton,,
    é salutar que escritores coloquem personagens reais e os conduzam com realidade, em suas ficções, em temas tão caros quanto o abordado na novela, pessoas com deficiência. Não temo o destino de Luciana, pois a Flávia Cintra, que é tetraplégica há 18 anos, casada, mãe de gêmeos c/ 2 anos, jornalista e uma querida e especial pessoa é a consultora de ambos na condução do persongem. Creio que a abordagem será uma grande aula, aos que assitirem com o espírito aberto para as diferenças humanas.

    abraço
    Mara

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