Dirigir em São Paulo dá medo

 

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Trânsito congestionado, motorista violento e ameça de assalto tem provocado o aumento no número de pessoas com medo de dirigir na cidade de São Paulo. Algumas dessitem de guiar, outras temem entrar em um carro até mesmo para andar de carona. Esta a constatação da psicóloga Cecilia Bellina que em suas clínicas tem atendido cerca de 900 pessoas que sofrem desta fobia, mais do que o dobro de pacientes que tinha há cinco anos.

A psicóloga chama atenção, também, para o fato de a preparação dos motoristas ser ineficiente para as condições enfrentadas nos grandes centros urbanos, devido ao ensinamento oferecido pelas auto-escolas.

Ouça a entrevista da psicóloga Cecilia Bellina, ao CBN SP

De impunidade

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça o texto “De impunidade” na voz da autora

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Meu filho acaba de ser assaltado, sob mira de armas e ameaça de lhe tirarem, num piscar de olhos, a vida.

Teu filho, nossos filhos foram ou serão assaltados mais de uma vez, com certeza, se tiverem a graça de saírem da experiência com vida.

Não sou pacifista nem belicosa, mas quero justiça e punição exemplar para começarmos a sanar a doença virulenta que corrói esta sociedade desgovernada. Não é hora para gentileza e rapapés. O basta à loucura, e à violência desenfreada, precisa ser abrupto para que se possa mudar a direção.

Meu filho trabalha; sempre trabalhou, e muito. É capaz, é bom filho, bom amigo, excelente profissional, e tem uma garra que vi em poucos, nesta vida minha. Não basta. Nada basta!

Dirigentes, legisladores e pastores dos rebanhos desta republiqueta de bananas, de dólares nas cuecas e em Bíblias ditas sagradas, largaram a direção do barco, há muito tempo, e se sentaram à beira do caminho, sob a sombra das poucas árvores que escaparam de sua ganância desmedida, e estão contando notas e moedas de toda espécie e de toda proveniência, exatamente como os marginais que estão agora contando o dinheiro que meu filho transportava e que seria destinado à folha de pagamento de seres humanos que, como meu filho, trabalham pelo dinheiro que deveriam receber hoje.

Não sei, e nem ele ainda sabe o que vai fazer a seguir. Daqui do assento 10 C do avião da Gol, com destino a Brasília, seguro as lágrimas e tento domar meu coração, que dá pinotes circenses dentro do meu peito, que suporta a duras penas, e aliviado por profundos suspiros, a avalanche de emoções que toma conta de mim.

Faço uma prece, pensando um trilhão de coisas ao mesmo tempo. Entro em curto-circuito. Seguro meu queixo para não bater os dentes e chamar atenção.

Insisto dizendo que a ação para estancar a hemorragia de nossa sociedade precisa ser drástica e imediata. Intervenção de vida ou morte.

É preciso extirpar o tecido doente, antes que o corpo inteiro sucumba. Não adianta mais verborragiar na mesa do bar para se deliciar com o som magnífico da própria voz.

É preciso devolver a vida aos nossos filhos.
É preciso devolver-lhes a esperança e a alegria de viver.
É preciso agir; por você, por mim, pelos teus filhos e pelos meus.

Jogar na jaula de leões famintos e dar de comer às ariranhas, o criminoso reincidente.

Cansei. Incendiei. Ensandeci!

Alguém me ajuda, por favor! Perdi o sorriso, e a leveza bailarina que trazia comigo transformou-se num monstro pesado e horrendo.

Os dedos de uma de minhas mãos já não bastam para contar as vezes em que eu e meus filhos fomos atacados por seres humanos; nossos semelhantes. Perdi a conta de quantas vezes nos roubaram, desrespeitaram; riram de nós.

Chega!

Acredito que somos a face material de Deus, mas é preciso que nos unamos para que ele se manifeste; para que se faça, definitivamente a Luz. Agora, como é possível gerar Luz se nos acostumamos à treva, ao medo, ao desrespeito, à traição. À mentira desavergonhada.

Há tempo demais remamos, desesperados, pela Vida, num barco furado que faz água sem parar.

Chego à Brasília e ouço de minha amiga Cláudia que sua casa fora assaltada, que amarraram seu marido, filho e jardineiro. Machucaram seu filho e lhes roubaram computadores, instrumentos de trabalho, e tudo o que puderam carregar; numa dança regida por ameaças às suas vidas.

Acordo na manhã seguinte e, ainda à mesa do café da manhã, Cláudia, a nora da minha Cláudia desce as escadas, assustada. Desta vez era ela quem trazia o coração aos pinotes. Recebera um telefonema de seu pai que tivera a fazenda invadida por bandidos. Ele, diabético e hipertenso, foi machucado no corpo, na alma e na dignidade, que acabou em frangalhos. Fizeram-lhe cortes na cabeça, a coronhadas, e roubaram e carregaram o que puderam. Pensam vocês que os ataques foram feitos em nome da fome? Não, foi em nome da ganância e do desrespeito que campeiam livres e soltos por todos os cantos deste país, e que viraram moda, seguindo o exemplo de regentes de nossas orquestras sociais.

O primeiro violino rouba, mata, corrompe e desrespeita, e os outros seguem-lhe os acordes.

Depois de tudo isso, nosso pequeno grupo de bons amigos conseguiu manter cabeças erguidas e aproveitar a companhia uns dos outros; mas seguramente jamais seremos os mesmos. Não saímos dessas experiências, piores, mas nossas consciências esbofeteadas, abriram ainda mais seus olhos. Queremos justiça e educação. Não estamos interessados no desenvolvimento desenfreado que disputa classificação com países distantes. Queremos nosso próprio modelo. Queremos crianças que saibam que galinhas e ovos não nascem em bandejinhas de isopor, embalados em plástico. Queremos proteger o solo onde pisamos. Queremos menos prédios e menos carros, menos coisas compradas e mais amizades e amores conquistados.

Só humanos tem direito a humanidade. Só quem respeita os direitos do próximo tem direito a ter os seus, respeitados.

O que é que você acha de tudo isso?
Chega, ou ainda tem fôlego para mais?
Chega, ou ainda há tempo e espaço, neste curto espaço de tempo que é a vida?

Você ainda tem paciência para prefeito levando propina na cara dura, e para político comprando voto com o teu dinheiro e com o meu?

Você ainda suporta político sem vergonha na cara, reinaugurando obra com a cara suja de lama da campanha política prematura, para manter a boca na botija?

Não ficou, ainda, claro que tudo isso é feito à custa de sangue e lágrima dos teus filhos e dos meus?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e ministra curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung.


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Foto-ouvinte: Espetáculo de plástico

 

Gêmeos no Anhangabau

Os bonecos de plástico fizeram a plateia vibrar no palco que se transformou o Vale do Anhangabau, na noite de sexta-feira, em São Paulo. O espetáculo O Estrangeiro teve a presença do grupo francês Palsticiens Volants e da dupla brasileira Os Gêmeos, em uma das atividades de encerramento do Ano França-Brasil. O colaborador do blog Marcos Paulo Dias explica que o grupo de teatro faz coreografia com plásticos que inflam e criam formas de animais, manipulados por atores pelo alto ou pelo chão, combinando música, voz e acrobacia.

Canto da Cátia: Venda livre

 

Camelôs na 25 de Março

Fiscalização na rua de comércio popular em São Paulo, a 25 de Março, não conseguiu impedir a ação dos camelôs na manhã desta sexta-feira 13, como mostra fotos feitas pela repórter Cátia Toffoletto. Apesar de que ela garante que esta “muvuca” é normal por lá. Tem dias em que a situação é muito pior. Ontem houve confronto entre os vendedores ambulantes e a Polícia Militar.

“Puta, aí foi uma farra”, comemorou diretor de Itaipu

 

O diretor geral brasileiro da Usina de Hidroelétrica de Itaipu concedeu uma entrevista à CBN, hoje pela manhã, que me chamou atenção pelo palavreado e comportamento adotados. Tive a impressão de que após a noite e madrugada tensas devido ao corte de enérgia elétrica em 9 estados e no Distrito Federal, Jorge Samek havia conseguido relaxar enquanto esperava o avião para Brasília. Deu risada, falou em gíria e soltou até mesmo um palavrão de alívio ao relatar o momento em que todas as 18 unidades de Itaipu voltaram a funcionar às cinco e 15 da manhã. Até lá, disse ele, “foi uma barra”. Depois, “puta, aí foi uma farra”. Nada como falar a língua que o povo entende.

Ouça a entrevista com o diretor geral brasileiro de Itaipu Jorge Samek

Sem luz: Prefeitura mantém rodízio de carros, hoje

 

Sem energia: Trolebus parado

Trólebus parados foram substituídos por ônibus a diesel. Semáforos apagados, por agentes da CET. E o rodízio de carros foi cancelado, mas apenas pela manhã. E aí a coisa vai pegar. Muita gente saiu de casa com seu carro placa final 5 ou 6 e vai ter de fazer serão, pois somente poderá rodar antes das cinco da tarde ou depois das oito da noite.

Para o secretário municipal de Transportes, de Obras, presidente da CET e presidende da SPTrans Alexandres de Moraes entende que isto não será problema: os paulistanos antes de sair de casa souberam que o sistema de ônibus, trem e metrô funcionava e, portanto, mesmo sabendo que o rodízio estava liberado, teriam preferido deixar o carro em casa.

Ouça a entrevista com o Secretário Municipal de Transporrtes Alexandre de Moraes

Baixe o som para ouvir melhor e não ficar surdo

 

Bastam cinco minutos com o Ipod a todo volume para o seu ouvido dar os primeiros sinais de doença. Mas não se desespere, pois é bem possível ouvir Ipod por cerca de 4 horas com apenas 70% do volume sem deixar nenhuma sequela. Como a maioria dos adolescentes não presta atenção nesta regra, uma nova geração de surdos ou com problemas de audição surge no mundo modeno. Pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos mostrou que 13% dos jovens de 6 a 19 anos apresentam alguma restrição pelo uso excessivo dos aparelhos de som.

Uma caminhada pelas escolas e faculdades da região central de São Paulo marcou o Dia Nacional do Combate e Prevenção a Surdez com a intenção de conscientizar os jovens para este enorme problema que eles próprios geram pelo mau hábito de ouvir música a todo volume. E com fones que estão enterrados no ouvido, como lembrou a fonoaudióloga Alessandra Spada Durante, em entrevista ao CBN São Paulo.

Ouça aqui as orientações da fonoaudióloga Alessandra Spada Durante, mas não precisa aumentar muito o volume

Acerte sua agenda: o Gibrail volta amanhã

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Apagão no blog, desde domingo, e no País na noite de terça e madrugada de quarta, mudaram nossa agenda de comentaristas aqui no Blog. O artigo do doutor em marketing de moda Carlos Magno Gibrail, publicado toda quarta-feira, será postado amanhã com um tema que você haverá de gostar: trânsito na cidade de São Paulo. A Abigail Costa também estará com a gente nesta quinta-feira.

Aqui no Blog do Mílton Jung, a semana começa com a Maria Lucia Solla, no domingo; o Antonio Augusto Mayer dos Santos, na segunda; o Adamo Bazani, na terça; o Carlos Magno Gibrail, na quarta; a Abigail, na quinta; e a Cátia Toffoletto a qualquer momento em edição extraordinária. O resto é por minha conta e risco. Até o próximo post.