Canto da Cátia: Um fiscal das antigas

 

A máquina de escrever sobrevive

Os computadores modernos, velozes e leves não seduziram este fiscal da Agência Nacional de Petróleo que coibe a ação irregular de postos de combustiveís, em São Paulo, com uma máquina de datilografia embaixo do braço. Na hora de preencher o laudo de fiscalização, ele não se acanha. Puxa a cadeira e cuidadosamente retira a capa de plástico dura que protege a relíquia. Coloca o papel, alinha, acerta a margem e começa seu trabalho impassível diante da reclamação dos autuados e da curiosidade dos descolados.

Antes de a repórter Cátia Toffoletto colocar em dúvida a estrutura oferecida pela ANP a seus poucos fiscais que atuam no Estado – são apenas 22 -, o chefe da equipe se antecipou: “ele é que é excêntrico e não abre mão da máquina de escrever”.

Fiscais procuram cão abandonado em lugar de cocô

 

Não entendi. Reclamei que a praça Vinícius de Moraes, próximo do Palácio dos Bandeirantes, é usada como banheiro público pelos cachorros que passeiam com seus donos, principalmente no fim de semana. Recebo, agora, resposta da Secretaria Municipal da Saúde, dizendo que “uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses esteve no local nos dias 10.09 e 25.09 para verificar a presença de animais abandonados e nas duas ocasiões nenhum animal foi encontrado”.

Parece não terem entendido a reclamação. O que fica abandonado na praça não são os caes, estes voltam para o conforto de suas casas, o problema é o cocô que deixam pra trás. Ainda bem que nenhum fiscal saiu com o sapato sujo.

CET diz que terá 54 km para “peão de bicicleta”

 

A Companhia de Engenharia de Tráfego afirma que “trabalha para criar espaços seguros para os ciclistas, incentivando novos usuários a migrarem para a bicicleta”. Diz ainda que os projetos que desenvolvem são em áreas da periferia que concentram a maior quantidade de viagens de bicicleta como meio de transporte para o trabalho ou a escola. A nota foi uma resposta à crítica que fiz neste Blog e no CBN São Paulo de que a Secretaria Municipal dos Transportes e a CET não tomam medidas amigáveis aos ciclistas. O principal motivo do post – que se você quiser lê clicando aqui – era chamar atenção para a necessidade de se beneficiar o trabalhador que anda de bicicleta em vez de dar preferência apenas ao ciclismo de lazer

Curioso é que as três ações anunciadas pela Companhia são apenas projetos de ciclovias. Nenhuma delas se iniciou até o momento. A mais próxima, cumprida a agenda, se iniciará em dezembro no Jardim Helena. No circuito do Jardim Brasil, as obras estão programadas para março e do Grajau/Cocaia para abril de 2010. A persistirem os sintomas, seriam 54 quilômetros de extensão entre ciclovia, ciclofaixa e pista com tráfego compartilhado.

A única ação já realizada, segundo nota da CET, é a operação da “ciclofaixa de lazer que liga os parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo”. Convenhamos, operar a pista é sua obrigação. A criação e iniciativa foram da Secretaria Municipal dos Esportes, conforme o próprio secretário Walter Feldman lembrou há duas sextas-feiras, no CBN SP.

Acreditando na palavra oficial da CET e da SMT já comecei a me preparar para pedalar nas faixas de bicicletas que serão entregues, em 2010. E também nos outros 46 quilômetros a serem construídos até 2012, conforme prometido no Plano de Metas da prefeitura.

Milton e a bicicleta dobrável

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Projeto de jovens ganha apoio da ONU, em Santo André

 

Foto reporduzida do site do projeto Jovens Lideranças Ambientais

Foto reporduzida do site do projeto Jovens Lideranças Ambientais

Eram mais de 1.000. Foram escolhidos apenas 67. Três no Brasil. E um deles na cidade de Santo André, onde jovens atuam na formação da consciência ambiental certos de que a iniciativa permitirá a inclusão social de famílias carentes que moram no Conjunto Habitacional Prestes Mais. Eles fazem parte do projeto selecionado pelo Fundo de Oportunidades Impulsionado pela Juventude da ONU-Habitat que oferecerá U$ 25 mil para o desenvolvimento dessas ações. Para um dos coordenadores do Projeto Jovens Lideranças Ambientais Edmílson Ferreira dos Santos o prêmio, bem mais do que a ajuda financeira, é a credibilidade que o grupo ganha e a possibilidade do surgimento de novos parceiros.

Ouça a entrevista com Edmilson Ferreira dos Santos, no CBN São Paulo

Paulistano se diz pressionado com excesso de notícia

 

Pesquisa desenvolvida pelo Ibope, identificou que 53% dos paulistanos se sentem pressionados pelo excesso de informação, e a overdose acaba tirando o tempo para outra atividades que consideram importantes na vida. No estudo dos hábitos de consumo de mídia do paulistano, 93% disseram que tempo voa e 86% preferiam ter mais tempo para si mesmo.

No ConectMidia, fica evidente o grande número de pessoas que consome informações de diferentes meios de comunicação ao mesmo tempo. Por exemplo, 30% acompanham notícias no rádio e na internet, ressalto, ao mesmo tempo. A importância das redes sociais como fonte e troca de conhecimento está evidente, sendo que 52% consomem infomação nestes serviços e 41% produzem conteúdo.

Ouça a entrevista com a gerente de marketing do Ibope Juliana Sawaia, ao CBN São Paulo

Site e cartilha ajudam a combater câncer de mama

 

Enquanto se recuperava do câncer de mama, Valéria Baraccat encontrou na atividade física uma das formas de enfrentar as barreiras que costumam surgir desde que se descobre a doença. Auto-estima mantida, combater o câncer nos últimos cinco anos tornou-se uma tarefa menos complicada do que para a maioria das mulheres.

É para compartilhar histórias e conhecimento adquiridos durante este período, que foi criado o Instituto Arte de Viver Bem que lança, hoje, a primeira de quatro cartilhas que serão distribuídas pela Secretaria Estadual de Saúde. Nesta primeira, o tema vai desde prevenção até fisioterapia, para as mulheres que contraem a doença.

Ouça a entrevista de Valeria Baraccat, ao CBN SP

As informações também estão disponíveis no site do Instituto Arte de Viver Bem

Obrigado, Charles ! @miltonjung ressuscitou no Twitter

 

Meu perfil foi resgatado pela equipe de suporte do Twitter e o nome do soldado da tropa de elite que atuou na operação de salvamento é Charles Magnuson, mas podem chamá-lo de @charles. Bastaram cinco dias de troca de mensagem, com informações simples como o e-mail e o telefone celular associados a minha conta. O recado salvador chegou três minutos após a meia-noite: “I reset the password on the account to: ….”.

E o @miltonjung, seus 4.626 seguidores e 870 seguidos estavam de volta às minhas mãos.

Charles nasceu em São Francisco, onde fica a sede do Twitter, e é uma das 69 pessoas que trabalham na empresa. Ele escreve um blog sobre política, tecnologia e cultura com o pretensioso nome “Melhor de 3”. Tem duas contas, uma pessoal (@magnuson) com quase 1.400 seguidores e a profissional (@charles) com pouco mais de 1.000. Não é de acompanhar muita gente, também.

Fui apresentado a ele por alguém que não conheço pessoalmente, o ouvinte-internauta Dener Brito que soube da minha encrenca após receber tuitada do @jornaldacbn.

Já com a minha nova conta no ar (@blogdomilton) confesso que fiz contato com Charles sem muita esperança. Desde 18 de setembro quando perdi o acesso, já havia trocado e-mail pelo serviço de suporte do Twitter. Fizeram algumas perguntas, pediram dados como últimas tuitadas e re-tuitadas, nomes das pessoas com quem havia me conectado recentemente na minha rede, mas a “conversa” parou por aí.

Com Charles, não. Charles, resolve !

No dia 29 de setembro, fiz contato com ele pelo novo perfil no Twitter pedindo ajuda: “Please, save me !”. Falamos novamente dia 1o. e 2 de outubro, sem precisar ir além dos 140 caracteres que o microblog nos permite.

O único preço a pagar: entrar na lista de seguidores dele para trocarmos mensagens diretas. Feito e dito. Nesta madrugada, chegou a mensagem final com a nova e enorme senha enviada pelo próprio Twitter – já trocada por mim, evidentemente .

A partir de hoje, retomo a conversa pelo endereço original (@miltonjung), mesmo porque as mensagens de ouvintes-internautas e seguidores continuaram a ser enviadas para lá, apesar de ter anunciado o problema há 18 dias em post aqui no blog.

Boa parte dos 570 que me segue no novo endereço está entre os mais de 4.600 do perfil anterior, portanto não terá nenhum prejuízo. Aos que chegaram agora, convido-os a migrarem para @miltonjung. Mesmo assim, continuarei a atualizar as informações no @blogdomilton, pelo menos enquanto alguém ainda estiver na “escuta por lá”.

Pelo vai-e-volta e o transtorno que por ventura tenha causado peço desculpas e àqueles que andaram recebendo mensagens “contaminadas” anunciando que eu os estava seguindo mil-desculpas.

Para comemorar o fim desta novela e a retomada do meu perfil original vou dar dois exemplares do livro “Jornalismo de Rádio”, que lancei pela Editora Contexto. Os prêmios vão para as duas mensagens mais legais enviadas pelo Twitter que relacionem blogs ou microblogs com o rádio. Os seguidores tem até o dia 13 de outubro para enviarem as frases. Não esqueçam de incluir o hastag #miltonjung.

Agradeço a todos pela confiança, em especial ao Dener Brito que deu a dica e ao Charles – Grande, Charles ! – que resolveu o problema.

Quando quiser salvar seu Twitter, fale com ele: o Charles, salva !

Ciclovia na Marginal: “Esqueceram do peão de bicicleta”

 

Bicicleta na pistaConstruir uma ciclovia que atenda as centenas de trabalhadores que deixam o extremo sul de São Paulo em direção aos bairros mais nobres pela Marginal Pinheiros e não apenas mais uma faixa de lazer. Encontrar soluções para a travessia dos ciclistas e pedestres que estarão confinados na pista segregada entre o rio e os trilhos da CPTM e a pista da Marginal.

Estes são dois dos desafios que o Governo do Estado ainda terá de enfrentar para tornar realidade a construção da ciclovia na Marginal Pinheiros, segundo cicloativistas que lotaram uma das salas do Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta segunda-feira.

O projeto apresentado pelo arquiteto Ruy Ohtake, contratado por uma instituição particular, contempla apenas a parte nobre do traçado, do Parque Villa Lobos até a ponte João Dias, passando pelo Parque do Povo e as estações Cidade Jardim e Berrini, da CPTM (O Andre Pasqualini, nos comentários, me corrigi: o projeto vai do Villa lobos até o Parque do Povo, apenas). O restante do trajeto ficaria por conta da Companhia Paulista de Trens Metropolitano, mas sem que tenha sido entregue qualquer desenho.
Para o dirigente esportivo Marcos Mazaron, da Federação Paulista de Ciclismo, deve haver alguns ajustes no projeto apresentado por Othake, mas a ideia da ciclovia foi aprovada. André Pasqualini, do Instituto CicloBR, está bem mais preocupado: “Esqueceram de olhar para o peão que trabalha com bicicleta, estão vendo apenas os que usarão a pista como lazer”.

Quarta-feira, amanhã, os ciclistas se reunirão com Ruy Ohtake pois até agora não foi apresentada uma saída para quem precisa deixar a ciclovia e atravessar a Marginal, cruzando a linha do trem. Estela Goldestein, da CPTM, ouvida pela repórter Alessandra Dias, da CBN, confessa a dificuldade do Governo para conciliar as necessidades de ciclistas, pedestres e motoristas.

Ouça a reportagem de Alessandra Dias, da CBN

A Secretaria Municipal dos Transportes e a Companhia de Engenharia de Tráfego são as únicas que parecem não estar preocupadas. Sequer compareceram no Palácio dos Bandeirantes para dar sugestões ou, ao menos, ouvir as reivindicações. A rejeição da CET às bicicletas é histórica e reconhecida por pelo menos dois dos secretários municipais que estiveram no encontro – Eduardo Jorge, do Verde e Meio Ambiente, e Walter Feldman, dos Esportes. Oficialmente, não assumem esta opinião, pois estariam atacando o super-secretário Alexandre de Morais que cuida da coleta do lixo, da varrição, dos ônibus, das lotações, dos táxis, do trânsito … Não dá tempo para cuidar das bicletas, mesmo.

Uma amizade construída no ônibus

 

Por Ádamo Bazani

Lázaro e Miranda dedicam suas vidas ao transporte de passageiros e na primeira parte desta história lembram dos tempos em que a paixão pelo ônibus os uniu

LÁZARO E MIRANDA

Eles são novos, mas já têm muita história para contar. Lázaro Barbosa da Silva, 44, e Márcio Antônio Capucho, o Miranda, 37, começaram cedo e tiveram oportunidade de assistir a transformação do transporte de passageiros de um sistema quase amador ao profissionalismo e especialização exigidos nos tempos atuais. Amigos, eles concordam que a mudança se deveu ao desenvolvimento da indústria automobilística, do crescimento das cidades e do trânsito e da maior fiscalização dos agentes públicos e da sociedade.

Lázaro veio de Sergipe para Santo André com 8 anos. Desde pequeno, os ônibus despertavam um interesse especial: “Fui morar com minha família, na rua Potomaque, próximo a avenida Martim Francisco, em Santo André, por onde passavam os ônibus da Viação Esplanada e da São Camilo. Eu pensava, um dia vou andar em todos estes ônibus. Hoje estou aqui, coordenando as operação da São Camilo”.

Adolescente, Lázaro era feirante quando o irmão do padrasto, que trabalhava na Auto Viação ABC e na Viação Cacique, do mesmo grupo, o convidou para ser cobrador, em 1982. No primeiro dia, ele deveria apenas acompanhar um colega para aprender a função. Mas teve uma surpresa: “O cobrador que ia me dar instrução tinha faltado. Então, tive de desempenhar a função sem treinamento nenhum. Fiquei tremendo a primeira viagem toda. O motorista, o sr. Pacheco, entrou no carro Caio Gabriela e já me deu a primeira ordem. Abrir todas as janelas do ônibus. Fazia muito frio em São Bernardo do Campo, mas tive de abrir para desembaçar os vidros. A linha, da extinta Viação Cacique, era a Jardim Farina – B. Petrônio, em São Bernardo. Quando o carro encostou no ponto final, para a primeira viagem, simplesmente o ônibus lotou. Não sei de onde vinha tanta gente. Me atrapalhei algumas vezes, alguns passageiros passaram batido, mas foi bom para logo ganhar responsabilidade” .

Márcio Antônio Capucho era apaixonado por ônibus desde pequeno e fez de tudo para trabalhar no setor, adolescente ainda. Com 16 anos, em 15 de janeiro de 1987, ele entrou na Viação Miranda como office boy. O apelido Miranda vem da empresa, para a qual ele dedicava uma verdadeira paixão: “Os serviços de office boy eram mais intensos a tarde. Então, pela manhã, não saía da oficina, do almoxarifado, dos pátios, conversando com os motoristas. Minha vontade de lidar diretamente com os ônibus chamava atenção”.

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Hack Day: Saiba como vota seu deputado e senador

 

Mapa do EJA é ferramenta em favor da cidadania

Mapa do EJA é ferramenta em favor da cidadania

Acompanhar de perto as contas da comissão organizadora dos Jogos Olímpicos Rio 2006, criar sistema de avaliação de serviços públicos por meio de SMS, rastrear os locais em que existem escolas com educação para adultos e saber qual deputado ou senador está mais próximo do seu perfil de cidadão. De ideias a serem realizadas a trabalhos já em execução, o Transparência Hack Day foi um enorme avanço no diálogo entre a sociedade civil e o poder público, neste fim de semana, na Casa de Cultura Digital, em São Paulo.

Já está na rede, em teste, programa que ajudará o cidadão a controlar como o parlamentar se comporta e vota na Câmara dos Deputados e no Senado. Apesar de ainda necessitar ajustes que tornem as informações mais claras, a lista já está no Parlamento Aberto e, em breve, permitirá que você receba as informações no seu agregador de notícias e participe de votações paralelas. O mesmo programa poderia ser replicado para a Câmara Municipal de São Paulo.

O mapa com a oferta de vagas para Educação de Jovens e Adultos nas escolas também foi parar na rede, após a troca de experiência deste fim-de-semana. O cruzamento de dados permitirá a identificação das áreas de maior demanda e menor oferta, além de conscientizarem o cidadão do direito à educação.

Estes foram dois dos projetos destacados pela organizadora do Transparência Hack Day Daniela Silva em entrevista no CBN São Paulo, nesta segunda-feira. Ela ressaltou, ainda, a colaboração de órgãos públicos como o Seade que distribui arquivo com indicadores de todos as cidades do Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista de Daniela Silva, do Transparência Hack Day


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