Ditos populares na minha infância

 

Por Julio Tannus

 

HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO… e eu ficava imaginando como seria um pé de cachimbo, quando o correto é:
HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO… (fumar um cachimbo).

 

E a gente pensa que repete corretamente os ditos populares.

 

No popular se diz: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro”. Minha grande dúvida na infância: Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro??? O correto: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”. Está aí a resposta para meu dilema de infância!

 

“Batatinha quando nasce esparrama pelo chão”. Enquanto o correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”. Se a batata é um caule subterrâneo, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?

 

“Cor de burro quando foge”. O correto é “Corro de burro quando foge”. Esse foi o pior de todos. Burro muda de cor quando foge? Qual cor ele fica? Por que ele mudaria de cor?

 

Outro que no popular todo mundo erra: “Quem tem boca vai a Roma”. Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar. O correto é: “Quem tem boca vaia Roma”. Isso mesmo, do verbo vaiar.

 

Outro que todo mundo erra: “Cuspido e escarrado” – quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. O correto é “Esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore.

 

Mais um famoso: “Quem não tem cão, caça com gato”. Entendia também errado, mas entendia. Se não tem cão para ajudar na caça o gato ajuda! O correto é “Quem não tem cão, caça como gato”. Ou seja, sozinho.

 

Julio Tannus é engenheiro, consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !

 

 

Reforços para as candidaturas femininas

 


Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

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São poucas as mulheres na política (foto:LuisMacedo/CâmaradeDeputados)

 

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a partir deste pleito, os partidos políticos deverão reservar pelo menos 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, para financiar as candidaturas femininas. Os ministros também estenderam o percentual para o estratégico tempo destinado à propaganda eleitoral de rádio e televisão.

 

Dessa forma, invocando o princípio da igualdade previsto na Constituição Federal, o TSE definiu que as agremiações não podem criar distinções em torno do rateio desses recursos baseadas exclusivamente no gênero, os quais deverão obedecer à proporção de candidaturas femininas e masculinas apresentadas.

 

Vejamos algumas motivações desse julgamento.

 

O regime de cotas estabelece que cada partido ou coligação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de vagas para candidaturas de cada sexo. Como noutros países que as adotaram, as cotas eleitorais foram instituídas no Brasil visando reduzir as dificuldades no lançamento de candidatas.

 

Importante mencionar, no entanto, que apesar das mulheres serem mais da metade da população (51,4%) e do eleitorado brasileiro (52%), portanto a maioria, a presença percentual feminina no Congresso Nacional é tímida. Comparado com os seus vizinhos latino-americanos, o Brasil apresenta a penúltima situação entre 20 países, à frente apenas do Haiti. Em termos globais, o cenário é ainda mais raquítico: o país está na 158ª posição entre as 188 nações catalogadas pela Inter Parliamentary Union (2014).

 

É óbvio que a insuficiência de recursos para as campanhas repercute diretamente na escassa efetividade das cotas. Afinal, de pouco adianta haver vagas reservadas sem que o aporte financeiro seja efetivado. Daí porque esta decisão do TSE amparada noutra que havia sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal ter o potencial de atenuar algumas causas da sub-representação parlamentar feminina.

 

Num sistema harmônico de regras, a proporção mínima do fundo partidário destinado às candidaturas de mulheres deve ser coerente com a quantidade de vagas a elas reservadas.

 

Assim, além de reforçar a proporcionalidade e atribuir mais eficácia às cotas, a manifestação do Tribunal Superior Eleitoral era necessária em razão de o Fundo Eleitoral ser constituído exclusivamente com recursos públicos (R$ 1,716 bi derivados do Orçamento Federal), sendo que 73,5% serão para os dez maiores partidos do país.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

O simples e o complexo na greve dos caminhoneiros

 

Por Julio Tannus

 

Como toda questão que envolve a “coisa pública”, a greve dos caminhoneiros é ao mesmo tempo complexa e simples.

 

A complexidade advém do fato que existem grandes interesses envolvidos.

 

Por parte dos caminhoneiros, a raiz de sua insatisfação está na política de preços dos combustíveis, com constantes reajustes que, segundo representantes da categoria, tornam inviável o transporte de mercadorias no país.

 

Por parte do governo, essa política de preços dos combustíveis é necessária para tentar segurar o aumento da inflação. Diferentemente do governo Dilma Rousseff que atrasava o repasse dos preços internacionais aos combustíveis no mercado interno, obrigando a Petrobras a vender os produtos a preços abaixo do mercado, causando grandes prejuízos, o governo Michel Temer passou a ter uma mudança significativa em 2016: os reajustes passaram a ser determinados pela Petrobras, em função das variações do dólar e do preço do petróleo no mercado internacional.

 

A simplicidade, dentre outras, advém do fato que não existem alternativas de transporte de mercadorias no país.

 

Lembro-me de um professor de pós-graduação, em 1971, da Escola Politécnica da USP, na área de Sistemas de Transportes, que ficava transtornado quando se referia ao que estava sendo feito com o sistema ferroviário no Brasil. Segundo ele, o lobby da indústria automotiva (estrangeira) era suficientemente forte para impedir o desenvolvimento natural do uso da energia elétrica no transporte ferroviário e rodoviário urbano no país. E mais: ele dizia que iriam acabar com as nossas ferrovias. Não deu outra!

 

É simples porque basta apenas vontade/vocação política para romper as mais fortes barreiras.

 

Por que até hoje não foi desenvolvida tecnologia para se ter veículos (automóveis/caminhões) movidos a energia elétrica, com todos os benefícios decorrentes de uma energia limpa, não poluidora? Certamente os interesses ligados as grandes montadoras, as gigantes do petróleo, etc. não o permitiram.

 

Já entramos em colapso!

 

Julio Tannus é engenheiro e consultor em estudos e pesquisa aplicada, coautor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Qual o papel do jornalismo em meio aos boatos da era digital? 

 

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Se me permite, volto ao tempo para começar esta história. Novembro de 1889. Quem dava as cartas era a Monarquia — ao menos é o que acreditava. Dom Pedro II porém era bombardeado por muitas frentes.

 

Os fazendeiros não estavam contentes com o fato de terem de liberar seus escravos sem receber um só tostão. Os progressistas reclamavam que o processo foi muito demorado. Na Igreja, havia descontentamento — as decisões do papa só podiam ser adotadas se autorizadas pelo Rei. No campo militar, a popularidade da monarquia era ainda menor.

 

Apesar da pressão dos republicanos, porém, o alagoano marechal Deodoro da Fonseca, que comandava o Exército, não demonstrava disposição para sair de casa e encarar um golpe de Estado. Mantinha alguma simpatia com a monarquia — o que provavelmente lhe garantia regalias e convites para as festas mais importantes; e sofria de falta de ar —- o que lhe mantinha muitas vezes na cama, como naqueles dias que antecederam a Proclamação da República.

 

A incomodar Deodoro, porém, havia a possibilidade de um desafeto, dos tempos em que serviu no Rio Grande do Sul, Gaspar Silveira Martins, assumir o o cargo de presidente do Conselho de Ministros do Império. Silveira Martins era advogado e político, costumava chamar Deodoro de “Sargentão” e o atacava em discursos na tribuna — rusgas que teriam se iniciado quando Silveira Martins ganhou o coração da Baronesa do Triunfo, que dizem ter sido uma viúva muito bonita e paixão não correspondida de Deodoro — bem, mas isso não tem nada a ver com a nossa conversa.

 

Ao perceber que o Marechal relutava em sair para a luta, o major Sólon — meu conterrâneo, nascido em Porto Alegre, Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro — usou de sua rede de amigos e comparsas e espalhou boatos pelo Rio de Janeiro, de que a Guarda Nacional iria atacar unidades do exército e havia ordem de prisão contra Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant — um republicano de primeira hora. O boato correu solto por ruas, bares e clubes do Rio até chegar aos ouvidos do Marechal que, então, achou atrevimento de mais. “Viva a República!” —- teria dito após convocar os soldados a derrubar a Monarquia e voltar para casa.

 

Perdão se me estendi nesta introdução que versa sobre o passado diante de pergunta tão objetiva e atual. Quis mostrar, porém, que se hoje estamos em busca de soluções para conter a influência do que se denominou ‘fake news’ — e sou contra o termo por motivos que explico logo à frente —, é importante perceber que esse fenômeno não é recente e foi usado em diversos momentos da história, no Brasil e no Mundo. Espalhar boatos, mentir, distorcer fatos e rever versões para mobilizar pessoas contra ou a favor de um causa são artifícios antigos que até hoje fazem parte da nossa sociedade. A grande diferença é que, atualmente, temos ferramentas que permitem o crescimento exponencial dessas informações fraudulentas, aumentando seus efeitos.

 

Quando questiono o uso da expressão ‘fake news’ para informações fraudulentas, o faço para mostrar que ‘fake news’ é falso até no nome, porque seu produto pode ser tudo menos notícia (ou ‘news’). Notícia é resultado de trabalho jornalístico que tem como base a busca constante da verdade possível — e ao dizer ‘possível’ o faço porque nem sempre a verdade absoluta se revela em um primeiro momento. Há casos que começam a ser contados por um caminho e acabam se revelando diferente à medida que a apuração avança.

 

Exemplo: em 11 de setembro de 2001, um avião se choca em um prédio, o mais emblemático de Nova Iorque; às câmeras transmitem a cena para o mundo e as emissoras de rádio levam à informação aos ouvintes. Assim como fiz de um estúdio em São Paulo, milhares de jornalistas pelo mundo noticiavam um acidente aéreo com dimensão ainda impossível de se identificar, mas relevante por todas as circunstâncias que tínhamos até aquele momento. Éramos todos produtores de ‘fake news’ dada a verdade que se revelou em seguida? Não! Estávamos apenas relatando a verdade possível até então, porque aquela era uma história que se construía ao vivo. Em nenhum instante, até percebermos a verdade que se escondia naquela imagem, após a soma dos acontecimentos que se sucederam ao primeiro avião que se espatifou no prédio, publicou-se algo com a intenção de ludibriar o público.

 

Buscava-se a verdade.

 

Eis aí o papel do jornalista em um ambiente no qual os fatos e versões se sucedem e são construídos pelas mais diversas fontes; em um momento, em que as pessoas recebem, por dia, um volume de informação cinco vezes maior do que há 30 anos; e em um cenário no qual essas mensagens são transmitidas em altíssima velocidade e nós temos cada vez menos tempo para gerenciar esse conhecimento — ou para refletir sobre esse conhecimento.

 

Buscar a verdade exige apuração, construção de uma rede confiável de fontes, curiosidade para descobrir os fatos que compõem a história, desconfiança para não ser vítima de versões fraudulentas, observação atenta ao ocorrido e humildade para não ser refém do erro.

 

Nessa busca, leve-se em consideração, também, o que aprendi com Zuenir Ventura, jornalista e escritor de mão cheia: “jornalismo é apuração, investigação, é usar o saber do outro (…) no jornalismo você estuda. Quando você faz uma matéria tem uma hierarquia do saber, você se informa sobre a matéria, procura ouvir quem sabe mais do que você” — disse-me ele em uma entrevista na rádio CBN.

 

O jornalismo feito com liberdade é o melhor antídoto para as informações falsas produzidas propositalmente com o objetivo de atacar pessoas ou instituições. Isso não significa que não cometemos erros. O jornalismo e os jornalistas erram, sim, mas têm a responsabilidade de assumir seus erros e pagam por eles. Identificada a falha, corrigem, pedem desculpas e conforme o prejuízo que tenham cometido podem ser acionados na Justiça.

 

É preciso que se entenda, também, que a produção de informações fraudulentas é uma covardia contra o cidadão — mesmo que essas surjam para confirmar sua visão de mundo, um dos motivos para essas mensagens ganharem dimensão muito rapidamente.

 

Na parte final do filme “The Post”, de Steven Spielberg, a atriz Meryl Streep, no papel de Kay Graham, a proprietária do ‘The Washington Post’, conversa com Tom Hanks, que faz as vezes do editor-chefe Ben Brandlee. No diálogo, Kay reproduz frase do marido dela, Philip Grahan, que comandava o jornal até a sua morte: “Notícias são os primeiros rascunhos da história”.

 

Os produtores de informações fraudulentas têm como objetivo escrever histórias falsas; os jornalistas têm como missão rascunhar a história até onde for possível em busca de sua versão final — a verdade. Isso faz uma baita diferença na vida do cidadão e da democracia.

 

Em resposta a Beatriz Lima, estudante de jornalismo, que realiza monografia sobre o tema “fake news”.

Zoologicamente falando

 

 

Quando um garoto de 12 anos pensa o que pensa — e você lê a seguir o que ele está pensando — é sinal que temos esperança na mudança. Valeu por compartilhar com a gente!

 

 

Por Matheus Nucci Mascarenhas
Colégio Notre Dame de Campinas, 7º ano

 

 

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Era o último dia de aula, uma sexta-feira enobrecedora, ensolarada e quente. Todos afobados, cansados e atordoados pelas longos conteúdos do ano, o costume do fim das aulas. Nesse dia, particularmente especial a mim, houve uma tarefa, criada pelos professores, com intuito de desviar seus alunos do prosaico: um debate. O incrível e controverso debate. O tema escolhido pelo docente foi este: “É correto existir zoológicos, ou não?”. Assim nós pudemos escolher o lado que achávamos correto. De repente, uma classe unida por fortes laços de amizade e interesses, dividiu-se em duas partes: os contrários e os favoráveis. Na realidade não eram somente os contrários e os a favores, mas sim extremamente opositores, ou extremamente defensores do tema.

 

 

Naquele momento, refleti um pouco sobre isso, mas agora, desenvolvo melhor meu raciocínio e vos digo, por quê? Por quê, sempre que um assunto envolve alguma decisão ou opinião, a divisão é feita através de pólos? Isso me incomoda. Por que sempre há de ter uma tão grande divisão? E vejo que isso não acontece somente na escola. Porque as opiniões políticas também são sempre assim. É um absurdo a maneira como é comum que qualquer um, que ouve um comentário de outro, rotule essa pessoa em algum dos pólos opinativos, somente por ouvir um comentário fraco, cujo autor nem havia ainda adicionado sua correta nem completa opinião. Ou seja: é uma conclusão precipitada e injusta sobre o discurso feito pelo locutor

 

 

Parece que sempre há a vontade insaciável do ser humano de enquadrar alguém em algum posicionamento, mesmo sem haver indícios de polarização, tanto na fala, quanto no comportamento da pessoa, que acaba sendo vítima de um processo invisível de aprisionamento a algum polo opinativo — mesmo que quem tenha projetado tal preconceito não tivesse essa intenção.

 

 

Ou você é de esquerda, ou, de direita! Ou você é “petralha”, ou é “coxinha”! Ou é fanático, ou é ateu! Ou é um carnívoro sem redenção, ou é um vegano que protege até os insetos peçonhentos. Parem com isso, não há a mínima necessidade de exercer esse antagonismo.

 

 

Fracamente, as ideias extremistas defendidas por pessoas que se dizem pertencentes aos pólos opinativos são igualmente incoerentes, e pressupõem a imediata suposição de que aquele que pensa diferente está errado. Além de não terem bases sólidas de argumentação, esses radicais em geral não têm a capacidade reflexiva necessária para construir fundamentos pertinentes que confirmem suas ideologias.

 

 

Tomemos como exemplo os atuais gurus políticos dos extremos. Ambos os líderes têm seus graves problemas, mas ambos são considerados “santos” por seus seguidores mais fiéis, que se deixam levar pela ingenuidade, formando uma imagem deturpada do ex-presidente Lula, ou do senador Bolsonaro. Os próceres dos extremos. Do outro lado, muitos os veem como demônios, como ameaças terríveis, consideram-os endiabrados. Mas algo não está certo. Por que os classificamos como santos ou demônios?

 

 

O fato é que esses personagens brasileiros não são nem capetas, nem anjos, são apenas pessoas, políticos que, apesar de divergentes, carregam consigo simbologias e anseios das pessoas comuns. O que os conecta é que representam o radicalismo, são extremos.

 

 

Já dizia Gregório Duvivier, escritor e humorista, em suas crônicas do Estadão, o mundo da razão não é preto nem branco, mas sim cinza, pois cinza é o meio termo e o meio termo é a razão. Um exemplo prático é que no cérebro humano, a razão cerebral se concentra em um local chamado de massa cinzenta, que é da cor cinza, mostrando que até o local onde fica o bom senso no nosso cérebro detém a cor cinza.

 

 

Não é preto nem branco, a razão das pessoas não é preta e branca, retomando, mas sim cinza, com tons diferentes de cinza, quanto maior a mudança da coloração cinza original, mais desvirtuada e próxima a leviandade essa pessoa estará. Lula e Bolsonaro estão presentes na escala de cinza mas não no cinza original, estando classificados em escalas mais claras ou escuras de cinza (à modê de cada um).

 

 

Na realidade, não existem extremos pólos opinativos políticos, dados por um representante, mas dados pelos seguidores dos representantes, que, geralmente, transformam esse dogmas em supostos pensamentos, esquerdistas ou direitistas. Seus líderes somente, em sua maioria, denominam-se nesses polos políticos para criar uma marca, legado e característica para ser seguida, se não seu propósito político não é frisado e comentado pelo povo.

 

 

Percebemos que nenhum polo fabulados pelos seguidores é corretos. Pense, onde é melhor viver? No polo Sul, ou, polo Norte? Ainda por cima no pólo Sul e Norte idealizados pelos pelos seguidores dos próceres. Definitivamente em nenhum desses lugares! Onde devemos viver mesmo é na linha do Equador, na “cinzenta” linha do equador, onde as ideias boas e coerentes que estavam presentes em cada polo fabulado, são trazidas a vigor.

 

 

Leitor não sei se você percebeu, mas, as ideias favoráveis dos polos em conjunto podem ser a chave para salvar nosso querido país. A união faz a força, a extrema divisão faz a inanição brasileira.

 

 

Termino o texto relembrando a fatídica cena de gritos desesperados, desesperados por atenção e querendo, exaltados, mostrar o sentido e afirmar a veracidade de sua opinião. Enfim uma sala de aula antes unida, acaba ardendo no calor da briga por uma simples opinião zoologicamente certa ou errada, dependendo de seus insensatos pontos de vista extremistas. Até mesmo zoológicos podem causar polarização, acredite.

 

 

“Num mundo quase sempre governado pela corrupção e arrogância pode ser difícil se manter firme nos princípios literários e filosóficos.” Olivia Caliban

Aprendendo a viver com a longevidade alheia

 

 

Eram 4h30 da manhã, ainda com a ressaca do fim de semana, a espera do café preto e do omelete, que sempre me acompanham logo cedo, quando recebi uma dose extra de vitalidade. Estava lendo O Globo e, em uma sequência de reportagens, encontrei exemplos de longevidade incríveis que nos animam tanto quanto nos desafiam.

 

O primeiro talvez você estranhe. É de um cara com apenas 36 anos. Mas não é um cara qualquer. É Roger Federer que ao vencer Marin Cilic, um croata de 29 anos, em uma disputada final do Australian Open, conquistou seu 20º Grand Slam.

 

Historicamente, esportistas de alta performance exigem de mais do seu físico e param diante da impossibilidade do corpo suportar o esforço ao qual são submetidos. Para atletas de alto rendimento, o suíço estaria próximo de encerrar a carreira, mas graças a um calendário bem organizado e uma preparação eficiente, é bem provável que o teremos por mais algum tempo nas quadras. Assim como ele, a tendência é que veremos o mesmo fenômeno em outras modalidades esportivas. E sua estratégia bem poderia se adaptar aos nossos planos de vida e carreira.

 

Logo após o caderno de esportes, deparo-me com o Segundo Caderno. E a reportagem principal, de duas páginas, tem em destaque Clint Eastwood, que se prepara para o lançamento de seu mais novo longa metragem, “15h17 – Trem para Paris”. Eastwood está com 87 anos, o que não o impede de ser inovador na forma de contar essa história real.

 

Escalou para os papéis principais os mesmos três amigos que, em férias na Europa, foram responsáveis por render um terrorista, evitando um massacre, em 21 de agosto de 2015, dentro de um trem que fazia o trajeto Amsterdã-Paris. Ao repórter Eduardo Graça disse que extrapolou o limite de até onde pode-se levar a realidade para um thriller de ficção. Muitos já teriam parado, outros tantos se conservado. Octagenário, o cineasta americano se mostra renovado.

 

O terceiro caso a me chamar atenção aparece em forma de nota na coluna de Ancelmo Gois. Fala da atriz Cora Zobaran, de 88 anos, que será destaque na revista Vogue, de fevereiro. Aos 55, fez curso de teatro para superar a depressão, iniciou carreira e, desde 2009, é estrela em campanha de supermercado, no Rio.

 

De todos os exemplos de longevidade que encontrei, nesta edição de O Globo, a dela talvez seja a mais efetiva para os dias atuais e mais próximas de todos nós: “Estou começando a aprender a viver. Só faço o que eu quero, como apenas o que gosto, ando somente com quem me apraz. E não mantenho conversa comprida com pessoa negativa”. Vou tentar!

Mundo Corporativo: esqueça a ideia que você é multitarefa e melhore o sua perfomance no trabalho

 

 

Quando as pessoas trazem mais foco para as atividades do dia-a-dia, conseguem aumentar sua performance. “Hoje as pessoas se autointitulam multitarefas. Dizem: ‘sou capaz de fazer quinze coisas ao mesmo tempo’. Mas não. Somos capazes de parar e começar coisas diferentes muito rápido, mas o ser humano não faz duas coisas ao mesmo tempo”. O alerta é do consultor de empresas e professor da FGV Luciano Salamacha, que falou sobre algumas mudanças de comportamento que podem aumentar o seu desempenho no trabalho.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Salamacha contou sobre o método stakehand, que aplica a neurociência como matriz para o aperfeiçoamento da carreira e negócios.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Um canal para exercer o seu papel de cidadão

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

 

Cada vez mais cobramos o papel do Estado perante a sociedade que, obviamente, tem suas obrigações e leis a seguir. Mas convido você, leitor do Blog do Mílton Jung, a questionar a si próprio:

 

“estou cumprindo o meu papel de cidadão?”

 

Boa parte do que nos deparamos no cotidiano é fruto de nosso comportamento. Temos o dever de seguir as leis e nos desvincular do famoso “jeitinho brasileiro” em pequenas ações, por exemplo: estacionar em local proibido, parar em vaga especial para idoso … quantas vezes ouvimos as pessoas dizendo “são apenas 5 minutinhos”? A lista vai à frente: cobrar por fora, pagar um dinheiro extra para que seu serviço saia antes, furar a fila e mais um monte de coisa que você sabe do que estou falando.

 

Na capital de São Paulo, o cidadão tem canais digitais que podem ajudá-lo a exercer o papel de guardião da cidadania. A prefeitura paulistana desenvolveu, há algum tempo, um site e também um aplicativo para celular – o SP156, disponível para download na AppStore e Google Play – nos quais os contribuintes podem denunciar reserva irregular de vaga (aqueles famosos cones que pessoas e estabelecimentos comerciais colocam na rua para “guardar” estacionamento) e veículos estacionados em local proibido; solicitar de poda de árvore, inclusão ou atualização de placas e sinalizações de trânsito na rua, consertos no asfalto, entre outros.

 

É possível também denunciar veículos abandonados em via pública. Esse último, chega a ser assustador se lembrarmos da Teoria das Janelas Quebradas (Broken Windows Theory) – modeloamericano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, cuja visão fundamental é que a desordem é fator de elevação dos índices da criminalidade.

 

O nosso papel cada vez mais será fundamental para a construção de um bairro, uma cidade, um país melhor… não apenas porque estamos desesperançosos com nossos governos, mas principalmente porque é gratificante termos o poder de fazer o bem por nós, pelo próximo e para as gerações futuras.

 

E você, o que está fazendo pela sua cidade?

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve no Blog do Mílton Jung.