Buracos da Cidade: Morador Tapa-Buraco

 

Morador tapa-buraco

Cansado de esperar a prefeitura, Renato Cordeiro passa a mão na pá e sai a tapar os buracos na rua Cerqueira Leite, no bairro de Santana, próximo da rodoviária do Tietê. A situação é tão ruim que costumam ocorrer com frequência tombos de motoqueiros, além de carros pararem para trocar o pneu.

O colaborador do blog Marcos Paulo Dias conversou que o morador e soube que ele registrou vários protocolos pelo telefone 156. O último foi com o número 8632 390. Nada foi resolvido. Nos próximos dias, vai providenciar concreto para melhorar o serviço dele.

Escolha o melhor pastel de feira de São Paulo

 

Gorduroso demais, com a casquinha crocante, com mais vento do que com carne. Tem pastel de feira para todos os sabores na capital paulista. A prefeitura de São Paulo calcula que sejam 730 pasteleiros que trabalham nas feiras-livres e agora eles serão colocados à prova. Divididos em cinco regiões, os concorrentes terão uma urna lacrada em sua barraca e os consumidores poderão dar a nota, em fichas padronizadas (e toda engordurada, é lógico).  Contam na avaliação: limpeza na barraca, sabor, organização, higiene, entre outros ítens que podem sensibilizar o cliente.

Dois pasteleiros mais bem votados de cada região participarão da final a se realizar na Praça Charles Miller, quando os dez estarão reunidos e terão seu trabalho avaliado por uma comissão julgadora.

Qual o melhor pastel de feira de São Paulo para você ?

Um tesouro chamado Carbrasa

 

Por Adamo Bazani

Carbras 1962

Veja aqui slideshow com imagens do Carbrasa


Avenida das Bandeiras, 846 – Lucas – Rio de Janeiro. Telefone 30 08 30

Descobri que este era o endereço de uma das empresas que marcaram a história da indústria de carrocerias de ônibus no Brasil após achar uma relíquia. Pura coincidência.

Este apaixonado por transportes estava indo com o pai ao mercado, domingo de manhã, comprar mistura para semana, quando começa, ao volante de seu carro de passeio (infelizmente) a esbravejar:

– “Nossa, nossa, nossa, nossa…um Carbrasa”.

O pai deste que lhe escreve não entendeu nada

“Car o quê ?”

Os apaixonados pela história do ônibus sabem bem o motivo pelo qual esbravejava. No meio do caminho entre a casa de um busólogo e o supermercado havia um verdadeiro tesouro: um ônibus de carroceria Carbrasa, ano 1962.

Era domingo, trânsito tranquilo, rua de bairro, em Santo André, deu até para parar em frente a uma guia rebaixada de uma casa (não façam isso). Todo o busólogo tem de sair “armado”, seja quando atravessa o país seja quando vai até a outra esquina. Eu estava. Em minhas mãos, uma máquina fotográfica.

É verdade que o ônibus dava sinais de que sofreu com o implacável tempo. Mas, como se o veículo fosse um sitio arqueológico, fucei e descobri detalhes interessantíssimos.  O câmbio cotovelo de difícil engate. A placa do motor Chevrolet TB 65 02. O freio de mão, totalmente diferente dos de hoje. Em um dos degraus da porta, a plaquinha, com endereço e telefone da Carbrasa.

A empresa não existe mais. Seu fundador, Mário Sterka, era diretor da Volvo do Brasil nos anos 40. Época difícil, Segunda Guerra Mundial, os avanços tecnológicos não tinham a mesma velocidade de hoje em dia.

Sterka se inconformava em ver a Europa e Estados Unidos, já nos anos de 1930, apresentarem ônibus com carrocerias metálicas, enquanto, o povo brasileiro ainda era transportado em duros veículos com mecânica defasada e carroceria de madeira. Em 1945, mesmo com a crise da Segunda Guerra, decidiu fundar no Rio de Janeiro a Carbrasa – “Carroçarias Brasileiras  S. A”, que desenvolvia, inicialmente, para chassis Volvo, inovadoras carrocerias de aço cobertas de alumínio. Obviamente, o preço era mais alto do que a concorrência e, assim, o início foi bem difícil. A vontade de desistir, segundo a família, apareceu. Mas ela foi superada. Mas Sterka provou que é no momento de crise que se deve investir em inovações. 

Nos anos 60, bem da década que nossa relíquia foi encontrada em Santo André/SP, a Carbrasa se tornou uma das principais encarroçadoras do País, ostentando o nome BRASILEIRAS em sua sigla. Nesta época, a carroceria não era colocada apenas em plataformas da Volvo, mas de diversas montadoras, como a GM, empresa cuja mecânica ainda é a original de nosso achado.

No fim dos anos 70, as ações da empresa foram compradas por outras encarroçadoras, mas a Carbrasa deixou marcas, que são encontradas até hoje, principalmente, pela ação inovadora de Mário Sterka.

Assim foi, com estas lembranças, o domingo de um busólogo que ao levar o pai ao mercado encontrou um tesouro. Pai que também gostou de rever um dos veículos no qual ele andava quando jovem, mas que não aguentava mais de fome, após horas ao lado do filho que contemplava o achado “arqueobusófilo” (não procure esta expressão no dicionário).

A entristecer o dia, apenas a informação de que o dono deste Carbras vai transformá-lo em um motorhome. Portanto, aproveite bem estas fotos, talvez as últimas deste exemplar que ficou na história.

Ádamo Bazani é repórter da CBN e busólogo. Às terças, escreve para o Blog do Mílton Jung. E durante toda a semana garimpa tesouros pelas ruas.

Secretária Dilma diz que lixo provocou enchente

 

Sujeira e entulho no portão do piscinão do Jd. Alto da Boa Vista, em Mauá

Sujeira e entulho no portão do piscinão do Jd. Alto da Boa Vista, em Mauá

A Secretária do Estado de São Paulo de Saneamento e Energia Dilma Pena deixou claro que o lixo foi um dos motivos que causaram as enchentes da semana passada, na região da Marginal Tietê, na capital paulista. Em entrevista ao CBN SP, ela destacou, ainda, que a quantidade de chuva e o local onde ocorreu são fatores que devem ser levados em consideração na análise sobre o transtorno na cidade.

Dilma Pena disse que o plano de macrodrenagem que pode reduzir o impacto dos temporais da região metropolitana tem prazo de cinco anos para sua conclusão e a construção de piscinões está entre as ações que fazem parte desta estratégia. Ela disse que o Estado teve de assumir a função de limpeza dos piscinões pois as prefeituras não realizavam este trabalho e prejudicavam a retenção das águas da chuva.

Acima, um dos piscinões da região metropolitana, em Mauá, em foto enviada pelo ouvinte-internauta José Luiz Zago.

Ouça a entrevista da secretária Dilma Pena ao CBN SP

Máquina transforma lixo em energia

 

Um equipamento capaz de transformar lixo orgânico em energia elétrica, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina, poderia reduzir a quantidade de material despejado nos aterros sanitários. Só a capital paulista gera 15 mil toneladas de lixo, dos quais 9 mil são resíduos domiciliares. E um dos grandes problemas atuais, nas grandes cidades brasileiras, é a falta de espaço para acumular os dejetos, pois sequer terrenos para aterros sanitários são encontrados.

O processo que já estaria sendo implantado na cidade de Matozinhos, em Santa Catarina, envolve a utilização de um sistema de microondas que pela primeira vez é aplicado para esta finalidade. Saiba mais ouvindo a entrevista do epsquisador Vanner Luiz Jahn, ao CBN SP

São Paulo contrata 300 mil servidores, em 23 anos

 

A região metropolitana de São Paulo assistiu ao crescimento de 54,5% no número de funcionários públicos, entre 1985 e 2008, segundo estudo realizado pelo professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Mauro Osório da Silva. É a quarta metrópole que mais contratou servidores, além de ter ficado acima da média nacional que foi de 39,6%. Pelo cálculo, foram contratados 15,4 mil funcionários a cada ano.

Na entrevista ao CBN SP, Mauro Osório que também é doutor em planejamento urbano e regional explicou que o aumento no número de servidores não significa, necessariamente, melhoria no atendimento ao cidadão, mas que esta medida quem tem de fazer é a própria sociedade através do serviço oferecido.

Ouça a entrevista de Mauro Osório da Silva ao CBN SP

Foto-ouvinte: A televisão no lixo

 

TV é lixo

A enorme quantidade de tubos de TV foi encontrada pelo ouvinte-internauta Douglas Nascimento no pé do elevado Costa e Silva, um dia após a enchente que parou a cidade de São Paulo. O descarte foi feito em uma das saídas para o largo do Arouche. “Curioso é ninguém ver isso ser despejado ali”, escreveu Douglas. A imagem dele já foi enviada para o concurso “Revele o Lixo”, promovido pela ONG Educa SP que reunirá as imagens para uma exposição no mês que vem na Praça da Sé.

Desafio terá cadeira de roda e helicóptero

 

Um cadeirante e um passageiro de helicóptero estarão entre os participantes de um desafio que pretende mostrar que existem diferentes formas de as pessoas se deslocarem na cidade. Em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, cicloativistas promoverão a quarta edição do Desafio Intermodal na cidade de São Paulo, no dia 17 de setembro, quinta-feira.

A competição está mais difícil do que em anos anteriores. Desta vez, haverá 18 modalidades de transporte competindo no percurso entre a praça General Falcão, no bairro do Brooklin, e a sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto Chá, região central da cidade. Todos os participantes iniciam o percurso às seis da tarde, horário de pico no trânsito da capital. A intenção é ver qual o tipo de transporte que se desloca com maior rapidez.

O desafio terá participantes utilizando os seguintes meio de transporte: pedestre caminhando, pedestre correndo, bike courrier (ciclista que trabalha com entregas rápidas), ciclista iniciante (vias alternativas), ciclista experiente (vias alternativas), ciclista experiente (avenidas de trânsito mais rápido); ciclista em bicicleta dobrável (integração com ônibus), ciclista de fixa, motoboy, motociclista, motorista, ônibus, trem e metrô, trem e ônibus, ônibus e metrô, trem mais ponte Orca e metrô, cadeirante de transporte público e helicóptero.

No deslocamento todas as regras de trânsito terão de ser respeitadas. Além do tempo de cada modal, o custo para o deslocamento, bem como o impacto no meio ambiente, serão divulgados imediatamente após o fim do percurso no site oficial do Dia Sem Carro (http://diamundialsemcarro.ning.com/)

Serviço do Desafio Intermodal

Data: 17 de setembro, quinta-feira
Local de saída: praça General Gentil Falcão – Brooklin (próximo do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini.
Concentração: 17 horas
Saída: 18 horas

Comentário de André Pasqualini que destaco no post (14.09, 17h28)

Só reforçando, o desafio não é bem uma competição e sim uma avaliação dos modais que os paulistanos tem a disposição para se deslocar pela cidade.

Avaliaremos, além do tempo, o custo e a quantidade de poluentes emitidos pelos modais, além de comparar os resultados com os anos anteriores.

No link abaixo tem os resultados dos anos anteriores.

http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias52.asp

De histórias da História

 

Por Maria Lucia Solla

Mesa de bar por Julianrod, em Flickr

Mesa de bar por Julianrod, em Flickr

Ouça “De histórias da História” na voz da autora

Olá,

Meu coração pipoca no peito quando me dou conta…
Então era por isso!

Eurekas são molas propulsoras que, às vezes, saltam e desarranjam o arranjado; derrubam o que estava em pé e constroem a partir de escombros. Trazem o que está lá no fundo à tona, para que possa entrar em contato com o oxigênio da consciência.

Então era por isso que o professor Haddock Lobo dava socos contidos, a custo, na mesa, deixando vir, ao palco dos lábios, palavrões só amplificados pelas caixas de sua intenção.
Era daí que desespero, desesperança e descrença brotavam e se debruçavam nas sacadas do seu olhar.
Os tempos eram de escola, no Colégio Rio Branco, em Higienópolis.
Aproximada a hora da aula de História, a sala minguava. Ele sempre se atrasava e, quando chegava, arrastava consigo um ar de desencanto. Desprovido de rapapés, convidava os não interessados a se retirarem. Fazia a chamada antes que saíssem, dando um empurrãozinho na decisão dos indecisos.
Só quando restávamos um punhado de gatos pingados era que ele sorria; um sorriso aliviado, iluminado por pares de olhos arregalados e acesos, cravados nele.
Vibrava ao som do conjunto de corações que batiam descompassados, ansiosos por seus relatos.
Seu sorriso dava duro para se encaixar no senho, que trazia sempre franzido.
O professor Haddock não camuflava o esforço hercúleo para se encaixar, ele mesmo, no senho cerrado da própria vida.

Eu era menina cultivada e mantida muito bem podada, pelo seu Solla, movido a crenças e medos. Era mantida afastada do mundo ameaçador que existia do lado de fora dos portões e muros da casa paterna e daqueles da escola.
Sonhadora, romântica, curiosa, tinha sede e fome de saber e de viver.
Comia pouco, e lia muito. Muitas vezes sentada no telhado de casa, alcançado pelo muro da sacada do meu quarto. Mas essa é outra história.
O professor Haddock plantava em nós a semente da inquietude, enquanto nos escancarava as portas da dor e do desprezo pelos homens.
Confiava em nós.
Contava histórias da História. Falava de gente, não de fato, enquanto se admirava ao ver em nossos olhos plurais, réplicas do próprio desespero, que acreditava singular.
Sentados à mesa de um bar perto da escola, na Avenida Angélica, ingeríamos drágeas de sabedoria a goladas de lúpulo e cevada, e nos mantínhamos alertas para detectar, antes que fosse tarde demais, um olheiro do diretor da escola.
Eu era a única menina à mesa. Ouvia tudo com atenção; entendia pouco.
As partículas do meu cérebro, encarregadas de absorver informação para depois transformá-las em conhecimento, deviam ser muito gulosas; se empanturraram de tal forma que acabaram levando anos e anos digerindo, tanto que ainda hoje, como aconteceu há pouco, uma ficha cai e me deixa assim.

Amado e sempre lembrado professor, onde quer que você esteja, pelas estradas misteriosas e nebulosas de todas as faces da vida, recebe o meu afeto e minha gratidão, porque isso eu tenho para dar, e sei que não vai faltar.

Hoje sei que a dor que sinto tem origem e vem certificada.
Também estou certa de que se uniriam a mim, numa homenagem a você, pelo menos dois outros integrantes da nossa mesa: Chico Solano, meu amigo Francisco, que entre outras peripécias viveu exilado na França durante um dos últimos períodos de retrocesso e de burrice explícita que campeava solta por nossa terra, e o Carlos Rodolfo Tinoco Cabral, meu amigo poema.
Decassílabo.

Um dos meus amigos livros acaba de me revelar que há aproximadamente mil e novecentos anos, a violência preenchia a escuridão dos becos, e não perdoava os lares, na Roma de Trajano.

A multidão babava extasiada e anestesiada entornando o sangue bárbaro que manchou perenemente a arena do Coliseu.

A fauna selvagem rareava na Europa, no Norte da África e no Oriente Médio, para manter saciados os instintos do homem.

No imenso e luxuoso edifício do Senado, construído por J.C. (coincidência?) – o imperador Júlio César -, senadores tomavam decisões que ainda repercutem na tua vida e na minha .

Ali, no Foro de J.C., distanciados da República, asseclas do imperador agradavam e obedeciam ao seu senhor, desfilando barrigas obscenas, cobertas por panos obscenamente caros.

Mestre, mestre querido, você sabia!
Pois saiba que a tua angústia se mantém viva, em mim.

E você, caro leitor-ouvinte, quando foi que teve o último Eureka?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, reabre o livro “De bem com a vida mesmo que doa” e o convida a reescrevê-lo. Não a decepcione mesmo que doa