Adote um Vereador: o papel das subprefeituras deve ser discutido na eleição

 

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Fazia frio. Muito mais frio do que qualquer outro sábado dos muitos que já nos serviram de abrigo para as reuniões mensais do Adote um Vereador, em São Paulo. E lá no Pateo do Collegio, o café é do lado de fora, voltado para o vale. A nos proteger, por um lado havia a parede histórica, de 1585, a que restou das primeiras construções dos jesuítas,e por outro, três lonas brancas estendidas de alto a baixo. O restante era a nossa cara e coragem. E isso nunca fez falta a turma do Adote.

 

A Sílvia, a Silma, a Rute, a Eliana, a Lucia, a Aline e a Gabriela estavam lá, mesmo que o frio nos convidasse a ficar em casa. Elas eram maioria na mesa do café – costumam não faltar jamais. Do lado dos homens, além de mim, apareceram também o Vitor e o Moty, que já estão há tempos conosco. O Vitor é quem nos mantém acesos no Twitter (@adoteumver_sp) e o Moty foi quem convenceu o Tiago a nos visitar.

 

O Tiago mora no Belém e trabalha no Campo Limpo. Atravessa a cidade todos os dias e se sente incomodado com os rumos da política na nossa cidade. Assim como os demais que chegam pela primeira vez, senta à mesa e demora um pouco para entender o que está acontecendo ali – bem pouco. Pois logo percebe que o assunto, seja qual for, tem como intenção fazer de São Paulo uma cidade melhor.

 

Uma das ideias dele, em convergência com o que pensa o Vitor e o Moty, é termos oportunidade de assistirmos aos candidatos a vereador em debate, no qual apresentariam suas propostas por São Paulo. Se nossas expectativas forem atendidas, em breve teremos esta chance.

 

Além da própria temperatura, a conversa voltou-se às subprefeituras e seu papel no desenvolvimento de cada uma das regiões. São 32 na capital que deveriam receber pedidos e reclamações da população; solucionar os problemas apontados, preocupar-se com a educação, saúde e cultura de cada região; e cuidar da manutenção do sistema viário, da rede de drenagem, limpeza urbana, vigilância sanitária e epidemiológica, entre outras funções, como ensina o site da prefeitura.

 

Você, cidadão paulistano, deve achar estranho que exista uma instituição em São Paulo com tantas obrigações e tão poucas realizações. Nem mesmo a criação dos conselhos de representantes, eleitos em cada uma das subprefeituras, tem sido suficiente para fazer os subprefeitos trabalharem mais e melhor.

 

Aliás, você sabe quem é o subprefeito responsável pelo seu bairro?

 

Imagino que a maioria de vocês não tem ideia de quem esteja ocupando o cargo nesse momento. A culpa não é sua. É da própria prefeitura. E dos subprefeitos, também. A maioria faz pouco e fica pouco tempo no cargo.

 

Quer um exemplo?

 

Lá mesmo no Pateo, resolvemos fazer uma rápida pesquisa no Diário Oficial do Município para identificar a alta rotatividade de subprefeitos na atual gestão. Levamos em consideração a última subprefeita de Aricanduva/Formosa/Carrão, Jackeline Morena de Oliveira Melo, que permaneceu no cargo menos de um mês, tendo sido nomeada em 12 de maio e exonerada no dia 10 de junho de 2016.

 

Para nossa surpresa, a mesma servidora, já foi subprefeita em Perus (2013) e na Lapa (2014) antes de assumir e deixar a função na Subprefeitura de Aricanduva/Formosa/Carrão. Independentemente da sua qualificação, é muito difícil que algum gestor consiga implantar um plano de ação em qualquer que seja a instituição com tantas mudanças e tão pouco tempo de administração.

 

A pesquisa, que pretendemos ampliar para todas as subprefeituras e subprefeitos da capital, nos remete a discussão que tivemos em encontros passados: a necessidade ou não de eleições diretas, com mandato fixo, para os subprefeitos.

 

Pode ser que me engane, esse, porém, não parece ser um tema capaz de mexer com os candidatos a prefeito que já planejam suas campanhas assim que agosto chegar (a propaganda no rádio e na TV começa dia 26 de agosto, segundo calendário do TSE). A maioria deles, da mesma forma que os candidatos a vereador, teme que a mudança no processo possa diminuir seu poder no cargo.

 

Com eleição direta ou sem eleição direta, as subprefeituras são organismos importantes que precisam ser respeitados e ocupados de maneira competente. Fica a sugestão do Adote um Vereador: assim que um candidato, a prefeito ou a vereador, se apresentar aí na sua rua, pergunte para ele o que pretende fazer com as subprefeituras. Melhor ainda: diga para ele, o que você gostaria que fizessem com as subprefeituras.

 

Se assim como o tempo, a eleição municipal está fria, cabe ao cidadão começar a aquecer o debate.

Avalanche Tricolor: cuidado com as palavras e apuro na bola jogada

 

Fluminense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Volta Redonda/RJ

 

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Bobô na disputa pelo alto, em foto de Nelson Perez/Gremio.net

 

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe bem o cuidado que tenho com as palavras. Tanto porque aprecio as benditas assim como tenho medo do poder das malditas, aquelas que proferimos na emoção de um lance, no momento de explosão do gol ou diante da injustiça imposta pela autoridade em campo.

 

Pensei bem antes de escrever esta Avalanche, mesmo assim por várias vezes me peguei digitando algumas linhas tortas e as apaguei em seguida.

 

Desde que deixei as quadras de basquete, e isso faz muitos anos, decidi controlar meus gestos e emoções. Naquela época, explodia de alegria, de raiva, de choro e de indignação. Fui guerreiro mas fui injusto e descontrolado muitas vezes. Os árbitros eram meus alvos principais. E seria o árbitro meu alvo nesta Avalanche se insistisse em escrevê-la ainda sob o impacto da partida de sábado.

 

Convenhamos, aquele cidadão agiu de maneira um pouco estranha. Se por um lado enxergava pouco por outro ouvia demais. Os olhos toleravam o que o ouvido não aceitava; o que talvez explique não ter enxergado duas mãos na bola em um mesmo lance – e, portanto, deixado de marcar pênalti a favor do Grêmio – nem visto falta em um “carrinho temerário” quando Edílson escapava pela direita, o que provocou a reclamação de Ramiro. Seu ouvido sensível, porém, foi ultrajado com as palavras de nosso volante e, sem dó nem advertência prévia – que resultaria em um cartão amarelo – colocou-o para fora causando mais um grave prejuízo ao Grêmio.

 

Como disse anteriormente, porém, não quero aqui me ater a influência do árbitro nem aos motivos que o levaram a cometer tantos erros contra o Grêmio – apesar de já tê-lo feito no parágrafo anterior (eu não consigo me conter).

 

Prefiro olhar nossos méritos. E que méritos: lá atrás Bruno no gol, Geromel e Wallace dentro da área, Edílson e Marcelo Hermes pelas laterais, apesar do gol sofrido, foram gigantes para suportar a pressão do adversário. Lá na frente, a troca de passes que nos proporcionou o gol, mesmo quando já estávamos com “dois a menos” (se é que você me entende), foi lance de alta categoria.

 

Diante da área e da defesa adversária, com velocidade e precisão, Giuliano passou para Bobô que, sem pestanejar, encontrou Marcelo Hermes entrando por trás da defesa. Nosso menino da lateral esquerda deu um toque elegante embaixo da bola, fazendo-a cair dentro do gol. Coisa linda de se ver, que mostra bem o nível do futebol que temos jogado.

 

Neste fim de semana, ganhamos um ponto e nos tiraram dois. E quem nos tirou os pontos, levou junto a possibilidade de encerrarmos esta sétima rodada na liderança.

 

Se me permitem uma sugestão: independentemente das injustiças proporcionadas pelo apito, dentro de campo, vamos esquecer o árbitro e seguir jogando a bola que sabemos. A performance de nossa equipe é suficiente para nos oferecer a esperança de que logo estaremos na ponta novamente. 

Conte Sua História de SP: prazer, sou o Mendigo Japonês!

 

Mário Curcio
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Quem mora aí região de Santo Amaro, Alto da Boa Vista e Granja Julieta com certeza já me viu muitas vezes. Eu sou o Paulo Ueda, mas certamente você só me conhece como o “mendigo japonês”, aquele baixinho bravo, bem cabeludo e barbudo, sempre usando umas caneleiras feitas de papelão e carregando um saco com as coisas que junta.

 

Sei que muita gente aí se pergunta: um mendigo japonês? Mas eles são tão certinhos, sempre com muito juízo… Por que será que ele virou mendigo? Será que tem família? É, amigo, um dia eu já tive jipe, caminhão. Tenho família em Marília, Campinas e também na Vila Prudente.

 

Na verdade nem mesmo eu sei há quanto tempo estou na rua. Acho que acabei perdendo tudo porque já não era bom da cabeça. Mas é certo que estou aqui no bairro desde que o “Seu” Júlio Guerra ergueu a estátua do Borba Gato na Avenida João Dias e depois mandou colocar ali entre a Santo Amaro e a Adolfo Pinheiro. Aquele painel em frente ao Teatro Paulo Eiró também foi o “Seu” Júlio que fez. Dormi muito na praça em frente ao teatro e às vezes corria atrás e assustava as meninas que faziam balé numa escola ali perto. E já zanzava ali pelo Alto da Boa Vista desde que o uniforme do colégio Doze de Outubro ainda era marrom e o do Jesus Maria José era cor de vinho.

 

Vi muita coisa aqui em Santo Amaro. A escola Linneu Prestes tinha cada festa junina! Às vezes alguém me dava um guaraná, um cachorro quente. Bom mesmo era o cheiro do churrasco e do milho cozido, mas naquela época eu já não tinha os dentes para comer carne ou roer a espiga.

 

Lembro também dos gritos que vinham dos fundos da 11ª Delegacia, ali da Rua Anchieta. Eram os presos apanhando. Vi também os quebra-quebras no início dos anos 80. Saquearam várias lojas do Largo 13 de Maio e aquele supermercado Peg Pag da João Dias onde hoje funciona a Chocolândia. Ali não sobrou uma prateleira, levaram tudo, a começar pelas bebidas.

 

Vi também quando ficou pronto o terminal Santo Amaro. Meu Deus, haja ônibus nesse lugar. Já as obras do metrô não acabam nunca. E também não param. Dia e noite é aquele “pi-pi-pi” vindo das máquinas e caminhões manobrando.

 

Ano a ano fui ficando mais velho, caminhando cada vez menos e dormia sempre num terreno gramado ali da Granja Julieta, nos fundos do Colégio Friburgo. Até outro dia eu era aquele mendigo. Não sou mais. Parti e pedi pra voltar como árvore. Sabe como é, as pessoas gostam mais de plantas que de mendigos.

 

E agora você já sabe: o “mendigo japonês” tinha nome. Ele se chamava Paulo Ueda.

 

Paulo Ueda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto é do ouvinte Mario Curcio. A sonorização do Claudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Marcas de luxo fecham as portas no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Não há dúvidas que o Brasil vive momento delicado. Política e economicamente o país está em crise, e cada vez mais estampado nas páginas de renomeados jornais e revistas internacionais.

 

O mercado de luxo, apesar de ter a imagem de um mercado “sem crise” vive agora situação de alerta. Algumas marcas já deixaram o País por conta da elevação do câmbio e da alta carga tributária, fatores que podem tornar a operação de algumas marcas simplesmente inviável por aqui.

 

O varejo de luxo especificamente parece ser o mais atingido. A francesa Ladurée, famosa por seus tradicionais macarons, encerrou suas atividades no Brasil: recentemente fechou sua linda loja do Shopping JK Iguatemi em São Paulo. Atualmente o preço unitário de seus macarons estava R$ 11, mesmo valor que custa para importar cada doce. Ainda no segmento alimentício, a marca espanhola de chocolates Cacao Sampaka e a americana Red Lobster, famosa por suas lagostas, também encerraram suas atividades no Brasil.

 

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A grife Vilebrequin, uma das marcas mais exclusivas de moda praia, também está deixando o país. Seus famosos shorts custavam a partir de R$ 880 em suas lojas no Brasil. Desde janeiro de 2016, a grife anunciou liquidação de 50%, que dura até os dias de hoje, o que é raro (e inadequado) na gestão de uma marca de luxo. Sua loja no Rio de Janeiro já foi fechada e esta semana a marca anunciou em seu perfil no Instagram que fechará também suas unidades dos shoppings Cidade Jardim e Iguatemi São Paulo. A grife conseguiu manter por algum tempo o preço de seus produtos negociados ainda com o dólar americano em valor razoável. Com a desvalorização do real perante o dólar, novas peças passariam da casa dos R$ 1400, inviável para o varejo de luxo brasileiro.

 

Apesar da crise e do dólar alto, há ainda empresas que apostam no Brasil. É o caso da americana Ralph Lauren, que em 2001 havia encerrado suas atividades e em 2015 voltou a investir por aqui, inaugurando sua loja no Shopping Cidade Jardim com as coleções mais exclusivas e de edição limitada. Este ano, a grife voltou também com a coleção Polo, inaugurando loja no Shopping Iguatemi São Paulo, um dos mais tradicionais do país.

 

Vale destacar que, quando a operação da marca não é feita diretamente por ela como o caso da Vilebrequin, fica ainda mais difícil bancar os custos e lidar com variação cambial, uma vez que, obviamente, seus representantes no país precisam ter margem de lucro. No caso da Vilebrequin, representada pela empresária Michelle Nasser, chegou a trabalhar com margens reduzidas, mas pelo visto não foi suficiente para sobreviver por aqui.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O dia em que o “gol-gol-gol” virou tema da aula de direito

 

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Milton F. Jung, o segundo da esquerda para a direita, ao lado de um dos filhos, o Christian, na homenagem do TJ-RS

 

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lançou campanha de comunicação com o objetivo de dar publicidade aos serviços prestados ao cidadão. Nos spots que serão distribuídos para as emissoras de rádio, a locução ficou a cargo de juízas do próprio TJ que seriam a representação de Themis, a Deusa da Justiça. Bendito ao fruto entre as mulheres está Milton Ferretti Jung, que não requer mais apresentações neste blog: ele foi convidado para gravar os textos de abertura e encerramos dos spots.

 

Em agradecimento ao trabalho que realizou no rádio gaúcho, Milton foi homenageado pelo TJ, durante a cerimônia que marcou o lançamento da campanha. Abaixo, reproduzo parte do texto divulgado pela assessoria de comunicação do Tribunal, no qual se refere ao homenageado. Destaco a interessante história do dia em que, narrando futebol, Milton criou o grito que se transformou em sua marca, o gol-gol-gol:

 

A voz do rádio

 

Nascido em Caxias do Sul, Milton Ferreti Jung trabalhou na Rádio Guaíba, de 1958 a 2014, após uma passagem de 4 anos pela Rádio Canoas, onde começou como locutor de radioteatro da emissora. Em 1964, assumiu o comando do noticiário “Correspondente Renner”. Participou das Copas do Mundo de 1974, 1978 e 1986.

 

Pela precisão da pronúncia, Milton é conhecido como a grande voz do Rio Grande do Sul. “Todos nós, aqui no Judiciário, somos apaixonados pelo rádio. Aliás, aquela frase que diz que brasileiro não vive sem rádio, acredito que é verdadeira. Temos aqui no RS alguns profissionais que marcaram, de maneira muito importante, a nossa radiodifusão e o Milton Jung foi uma dessas pessoas. Agora está aí conosco, com saúde, gozando de merecida aposentadoria, e a nossa ideia de homenageá-lo, fazendo a vinheta, e festejá-lo um pouco, me parece, é mais do que merecido”, agradeceu o Desembargador Túlio Martins.

 

Para o Presidente do TJ, Milton é “a voz de uma geração, marcando a credibilidade da radiodifusão gaúcha”. Em momento de descontração, o magistrado fez questão de relembrar a narração de Milton em um jogo do Grêmio, no início da década de 1970: “Com um gol de Loivo Coração de Leão, numa histórica virada do Grêmio contra o Flamengo, o assunto superou a aula do Professor Enio Kaufmann, no Colégio Aplicação, com a narração do Gol,Gol,Gol, que virou a marca registrada de Milton”, brincou o magistrado.

 

Ao final, o Presidente Difini e o Desembagador Túlio fizeram a entrega de uma placa ao jornalista, agradecendo pela colaboração dele para a campanha Justiça Gaúcha Informa.

We: o romance é do século, o filme não

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“WE, o Romance do Século”
Um filme de Madonna
Gênero: Drama, Romance
País:Reino Unido

 

A história é, em parte, verídica e se passa na década de 30. O Duque de Windsor, Eduardo VIII, é o primeiro na linha de sucessão ao trono inglês. Ele conhece uma americana, Wallis Simpson, divorciada duas vezes, se apaixona  e abandona o trono para se casar com ela. O filme traça paralelo entre a vida deles e de outra americana, também chamada Wallis. Só que esta vive em 1998 (uma história que ajuda a contar o filme mas não é verídica) e tem enorme paixão pela história da “verdadeira Wallis”.

 

Por que ver:
Gente, esta coluna se dedica a não só elogiar mas também alertar.

 

O filme é incrível? Não, não é…

 

Vale perder um tempinho após o almoço de domingo para fazer a digestão? Sim, vale…

 

A direção é da Madonna, mas não acredito que isso some ao filme; na verdade acho que ela perdeu a chance de contar apenas a história do Duque, que é bem interessante. Ficou superficial.

 

Como ver:
Após o almoço de domingo para fazer a digestão.

 

Quando não ver:
Se tiver outros filmes melhores na lista de espera.  O filme é confuso no início. O roteiro e direção não ajuda…

 

Bom, é isso…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

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Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

As emendas parlamentares e a crise econômica

 

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Imagem do Flickr da Câmara Municipal de São Paulo

 

Marcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político,
Conselheira Participativa Municipal
Integrante do Adote um Vereador

 

O Brasil está quebrado. A economia está em recessão. A Política em ebulição. Portanto: “o Brasil está em crise!”. Esta é a frase mais dita e ouvida pelos brasileiros, na atualidade.

 

A situação política e econômica encontra-se estagnada. O Congresso Nacional está emperrado. O Executivo federal está acuado. A economia desandou.

 

Todo este dilema se dá por causa da política. Ou seria por causa da economia? Ou seriam outros fatores? Ou todos estes fatores juntos e misturados?

 

O fato é que tanto a política quanto a economia não vão bem, e por consequência, o país vai mal.

 

Embora a crise econômica seja considerada, por alguns, a maior crise já vivenciada pelo Brasil, as emendas parlamentares vão na contramão deste discurso.

 

Prova de que no âmbito federal, o imbróglio é mais político do que econômico, é o corte que houve no orçamento federal que atingiu áreas como saúde e educação, no entanto, poupou as emendas dos nobres parlamentares brasileiros.

 

As famigeradas emendas parlamentares são parte do orçamento público, destinadas aos “caprichos” e “agrados” dos senadores, deputados e vereadores, para alocarem a verba onde e como lhe convém.

 

Este instrumento de negociação entre o Legislativo e o Executivo, na esfera federal, ficou no montante de R$ 6,6 milhões para o ano de 2016. Isto mesmo, os parlamentares tem esta quantia para utilizarem a bem do “interesse particular”. Pois sabemos que o interesse público, sendo otimista, fica em segundo plano.

 

Estas emendas tratam de interesses diretos dos parlamentares. Evidentemente que a crise que estamos vivenciando não atinge os congressistas. Aliás, não atinge a classe política como um todo, não esqueçamos que o valor do fundo partidário foi triplicado, em meio à crise econômica.

 

Estes fatos, demonstram de maneira inequívoca que não há “falta de dinheiro” como é alegado, na verdade há excesso de interesses próprios, de barganha política, de má execução de políticas públicas.

 

No Estado de São Paulo, o montante das emendas dos deputados estaduais ficou em R$ 304.700.000,00 (trezentos e quatro milhões e setecentos mil).

 

No âmbito do plano local, na maior cidade do país, pasmem, o valor destinado as emendas da vereança paulistana é na órbita de R$ 165 milhões, sendo cerca de R$ 3 milhões por parlamentar.

 

Há algumas aberrações, que não podemos deixar de mencioná-las. Um vereador destinou o montante de R$ 1.500.000.00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “Promoção da Marcha para Jesus”, justificando tal feito por considerar que em virtude do evento ocorrer internacionalmente, visa “glorificar o nome de Jesus”.

 

Pelo meu irrisório conhecimento jurídico, adquirido nos bancos escolares, nas aulas de Direito Constitucional, entendi que a laicidade do Estado trata-se de uma posição neutra em relação à religião.

 

Assim, o Estado laico, como é o Brasil, por previsão constitucional, deve portar-se de forma imparcial a respeito das questões religiosas, não apoiando nem discriminando qualquer religião. Devo ter me equivocado no entendimento da matéria!

 

Ademais, como dizia Renato Russo, “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação”.

 

Como se não bastasse, este mesmo vereador, destinou mais R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “promoção da cultura do funk na cidade de São Paulo”. Vou poupar-me de tecer comentário a respeito.

 

Diante dos poucos exemplos elencados, dá para verificarmos o descompromisso dos nossos representantes, que não nos representam a contento.

 

Estamos realmente em crise econômica/financeira? O Orçamento Público, com certeza, não está.

Quintanares: Canção do poeta difícil

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

A minha pena é áspera; a folha, que nem zinco!

 

Onde a cantiga tão doce
Que o meu amor cantava?

 

As palavras ficam-me nas linhas como urubus
plantados na cerca.

 

Quando eu era um passarinho
Morava numa gaiola
Que eu pensava que era um ninho…

 

Mas até onde, até onde eu vou puxar esta carreta?!
Quando eu era pequenino
Não usava ponto-e-vírgula…

 

Onde o arroio tão puro
Que de tão puro sumiu?”

Avalanche Tricolor: reflexão, conserto e recuperação

 

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Libertadores – Rosário (ARG)

 

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Ramiro briga pelo alto em foro de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Lá se foram quase 24 horas desde que o Grêmio começou a disputar sua última partida pela Libertadores 2016. Desde então, já dormi, já madruguei e já trabalhei. Também já rezei (e não foi pelo Grêmio, não.) Entrevistei deputado, jurista e especialistas em política, economia, cultura e mais uma variedade de temas. Assisti ao Cunha fora da Câmara; e à aprovação do relatório aceitando a abertura do processo de impeachment contra Dilma. Diverti-me em mesa redonda promovida pelos estudantes da FEA e da Poli, em São Paulo, onde falamos sobre carreira e negócio com executivos e diretores de grandes empresas.

 

Como se percebe, fiz muita coisa mas ainda não havia me atrevido a parar para escrever esta Avalanche. Talvez por falta de tempo e, com certeza, por falta de ânimo.

 

Começa que gosto pouco de falar mal do Grêmio, e o caro e raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido isso. Prefiro deixar este papo chato para nossos adversários, que são especialistas em encontrar defeito no Imortal; e ofereço espaço aqui no blog para que exerçam essa tarefa àqueles torcedores que têm a crítica (quando não os ataques pessoais) como seu esporte favorito.

 

Mesmo quando ocupava as cadeiras azuis do Estádio Olímpico, e fiz isso desde de os duros anos de 1970, época em que os títulos eram escassos e nossas pretensões não iam além da fronteira gaúcha, me incomodava os torcedores que vaiavam no primeiro passe errado. Tinha gente que dava a impressão de ir aos jogos para descarregar no time todas suas frustrações.

 

Lembro quando trabalhava de “pombo correio” (acho que já contei isso nesta Avalanche) para meu “padrinho” Ênio Andrade. Exercia a função de gandula ao lado da casamata e levava instruções para o time no gramado sempre que Seu Ênio entendesse necessário. Naquele tempo, não era permitido que o técnico deixasse o banco de reservas.

 

O Grêmio tinha Picasso no gol, Anchieta na defesa, Iura no meio de campo e Loivo na ponta esquerda. Eram todos meus ídolos, especialmente Loivo. Fomos eliminados de um Campeonato Brasileiro e a torcida revoltada soltava rojões no banco de reservas. Cheguei no vestiário e chorei de raiva, não pela desclassificação mas por não entender como o torcedor era capaz de despejar seu ódio em alguém que tanto amava.

 

De volta aos dias de hoje: entendo plenamente a indignação dos torcedores diante de mais um título desperdiçado, mesmo levando-se em consideração que esse era, certamente, o mais difícil a ser conquistado na temporada. Mas, também, era o que mais sonhávamos ganhar. Permita-me um parênteses: não esqueçam jamais de que se um dia alguém ousou sonhar em ser campeão da Libertadores no Sul do Brasil este alguém tem nome e história: é o Grêmio.

 

Especialmente nas duas últimas partida, gostei de poucas ou quase nenhuma das coisas que vi em campo. E tenho certeza de que Roger e boa parte de nossos jogadores também não gostaram. Temos consciência de que nos deixamos dominar por um adversário de futebol qualificado, mas não imbatível. Desejávamos ver em campo um time que expressasse esta mesma gana pela conquista que o torcedor exerce. Algo, porém, não deu certo. Muita coisa não deu certo.

 

Isso contudo não deve ser razão para transformarmos o Grêmio em terra arrasada. É preciso, sim, reflexão, conserto e recuperação, a partir daquilo que vem sendo construído desde o ano passado com a chegada de Roger. Precisamos de reforços, é claro. Ao mesmo tempo, há jogadores qualificados com potencial para render muito mais. Torná-los bode expiatório é perder duas vezes: no campo e na razão.

 

Posso ter visto o Grêmio perder mais um campeonato, mas não perco jamais minha esperança de vê-lo campeão.

 

Que venha o Brasileiro! Que venha a Copa do Brasil! Que venha de volta o espirito do Imortal Tricolor!