Sim! Buenos Aires ainda é um luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Que a Argentina enfrenta forte crise é fato e o mercado do luxo vem sendo afetado consideravelmente. Desde quatro anos para cá, muitas marcas internacionais deixaram o país por causa da intensificação das medidas adotadas pelo governo de Cristina Kirchner com o intuito de restringir importações e operações com dólar.

 

O charmoso e tradicional bairro da Recoleta, que antes reunia lojas de grifes como Louis Vuitton, Emporio Armani, Ralph Lauren e Nina Ricci – estas na tradicional Avenida Alvear – agora mostra nova realidade. Algumas lojas internacionais deram lugar a marcas locais, como a argentina Cardon, hoje ocupando o prédio onde era a Empório Armani, e outras estão fechadas e sem funcionamento. Por outro lado, na esquina da Avenida Alvear com a Calle Montevideo, a joalheira Simonetta Orsini anuncia a abertura de uma nova loja. Afinal, o consumidor do luxo efetivo não deixa de existir, mesmo com a crise no país.

 

 

Se o varejo de luxo enfrenta situação difícil, a gastronomia e a hotelaria impedem Buenos Aires de perder seu charme e sofisticação. Hotéis de luxo como Alvear Palace, Palacio Duhau-Park Hyatt, Four Seasons e Faena investem cada vez mais na excelência em serviços prestados e na excelente comida. Chás da tarde, brunch aos domingos e programas especiais com tema gastronômico são algumas das experiências que se pode vivenciar nesses hotéis prestigiosos da capital portenha.

 

Buenos Aires pode não estar vivendo seu melhor momento para o consumo de produtos de luxo, porém a cidade não perdeu seu luxo intrínseco, sua sofisticação, seu charme. Esse é o luxo de verdade. A sua história, sua tradição. Vivenciar o que a cidade tem para oferecer. Afinal, luxo não é comprar. É viver e experimentar. É sensorial. O luxo em Buenos Aires continua vivo: na arte, na cultura, na arquitetura incrível da cidade, nas experiências gastronômicas… que merece ser apreciado!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Seja lá o que for

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

pensa comigo:

 

O cidadão trabalha numa empresa de transporte público, motorista ou cobrador, apenas para citar os visíveis. Recebe seu salário do dono da empresa, que por sua vez,recebe o seu $$, do governo, seja ele qual for, de qual partido for. Certo?

 

Por partes, para eu não me confundir:

 

O governo, seja ele qual for, de que partido for, paga os donos da frota de veículos com o teu e o meu dinheiro, de um imposto escrachante*, com dinheiro dos que utilizam o dito transporte, e dos que não o utilizam.

 

Se você está sentado numa cadeira confortável, lendo este meu desabafo, se dirige um carro importado ou uma charanga qualquer, também paga pelo transporte público, seja ele qual for.

 

Portanto, esse assunto é do teu interesse e do meu, e não devemos apenas olhar de esguelha e dizer: oh! que horror! sentados em nossas poltronas assistindo à tragédia pela tevê, internet, ou seja lá de que tipo de geringonça for.

 

Ora, ainda para que eu possa manter o raciocínio nesse assunto que me é tão espinhoso:

 

Os funcionários das ditas empresas de transporte público não estão contentes com sua situação. Estão perigosos da vida com seus patrões – donos das empresas e do… ooops, quero dizer e com o governo. Seja lá qual for, de que partido for. Não podemos, de forma nenhuma, nos esquecermos de que eles são também cidadãos, que também pagam seus impostos e que, portanto, pagam parte do próprio salário e do $$ dos seus patrões. Certo?

 

Sou a favor da greve. Direito à greve é uma conquista do trabalhador; um direito que deve ser mantido e respeitado. Um soco no bolso do cara que não faz bem a sua parte.

 

Tenho uma singela sugestão aos grevistas de plantão.

 

Tomem seu banho de manhã, um bom café e vão trabalhar. sorrindo. Tomem respeitosamente seus assentos nos ditos veículos e recebam com bem os passageiros.

 

Komo açim, malu?

 

Elementar. É só não cobrar a passagem dos passageiros.

 

Olha que beleza. Em vez de vermos uma cidade em guerrilha, povo infeliz, e nem preciso descrever porque você está cansado de ver, veremos um povo contente, solidário com os funcionários grevistas, uma cidade inteira se unindo para verificar onde está o nó.

 

Afinal, os investidores dessa parafernália toda somos Eles: você e eu.

 

Ou não?!

 

* “Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho, um riacho de amor…” em Não existe pecado ao sul do Equador, de Chico Buarque e Ruy Guerra

 


Maria Lucia Solla é nossa escritora de todo domingo, que se deu folga porque sabe mais do que ninguém quando precisa, mas que diante do que assiste nas cidades nos deu uma bela chance de lê-la nesta segunda.

Tiffany abre loja conceito em plena Champs Elysées

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A grife americana Tiffany & Co. abriu, há apenas algumas semanas, sua nova flagship store (loja conceito) em Paris. O local? A prestigiada e ícone do luxo no mundo, a Avenida Champs Elysées. Com três andares luxuosamente decorados em um espaço com mais de 900 metros quadrados, a nova flagship parisiense da marca disponibiliza produtos de joalheria como pulseiras, anéis, brincos, prataria, e acessórios como óculos de sol, agendas e outros. A loja conceito conta ainda com uma coleção exclusiva de itens da alta joalheria.

 

A abertura na Champs Elysées representa um novo marco na relação da Tiffany com a capital francesa, que começou em 1850, ano em que estabeleceu sua primeira loja ali. Na Feira Mundial de Paris , em 1867, Tiffany tornou-se a primeira empresa americana a ser premiada pela excelência de sua prataria. Em 1999, a marca voltou a Paris com uma loja na rue de la Paix e agora com sua loja conceito na avenida que reúne algumas das mais importantes grifes de luxo internacionais.

 

 

Uma das marcas mais desejadas do mundo, de acordo com a empresa de pesquisa Digital Luxury Group, a Tiffany possui uma seletiva política de distribuição ao redor do mundo, apostando em lojas em locais renomados. Com uma variedade de coleções, a marca atinge tanto consumidores do luxo inacessível, intermediário e acessível, uma vez que também disponibiliza produtos de entrada em suas lojas, considerados acessíveis, como seus chaveiros, agendas, capa para passaporte e óculos de sol.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O luxo de ser hóspede em seu próprio apartamento no Trump Soho

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O hotel Trump SoHo, um dos mais luxuosos de Nova York, acaba de lançar oito novas suítes de cobertura, sendo agora o hotel com o maior número de coberturas com dois quartos em Manhattan. Vistas deslumbrantes da cidade, conforto e elegância, e localização privilegiada são apenas algumas das experiências inesquecíveis que se pode vivenciar da cidade, em especial no charmoso bairro do SoHo.

 

Por ser hotel-condomínio, o Trump SoHo oferece a oportunidade de atender a hóspedes como também a compradores de apartamentos em seu prédio de 46 andares, todo revestido em vidro prateado, localizado na Spring Street, no coração do sofisticado SoHo. Há opções de quartos (studios), suítes e coberturas incríveis. Essas últimas são, sem dúvida, sonho de consumo para os mais abastados. Variam de 74 a 216 metros quadrados. Nas coberturas do 43º andar, por exemplo, os clientes podem escolher vistas para o pôr do sol no rio Hudson, ou a paisagem urbana de Manhattan, ou ainda, aproveitar a vista do Empire State Building da banheira da suíte face norte.

 

 

Ter um apartamento ou uma cobertura no Trump SoHo pode representar experiências que vão muito além do luxo, conforto e sofisticação de um hotel prestigiado. Um apartamento ali costuma ser a segunda (terceira, quarta…) residência de muitos clientes, principalmente pelo fato de poderem usar o imóvel por até 120 dias por ano e assim sentirem-se vivendo em Nova York, de pertencerem à cidade, celebrarem ocasiões especiais, oferecerem jantares em família ou com amigos. É possível ainda usufruir da estrutura do hotel e experimentar coquetéis no The Library, refugiar-se no Bar d’Eau com seu deck de piscina ao ar livre, ou apreciar as criações da gastronomia japonesa no Restaurante Koi – uma forma de vivenciar experiências inesquecíveis, retrato do luxo contemporâneo. O investimento mais baixo para se ter um apartamento no Trump SoHo é de USD 1,2 milhões, enquanto o valor de se concretizar este sonho é inestimável.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Instagram é o preferido das marcas de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A presença de marcas de luxo no mundo online é cada vez mais notória. Em geral, boa parte delas mantém espaço oficial em redes como Facebook, Pinterest, Twitter e Instagram. Este último tem sido o preferido pelas marcas, segundo estudo da empresa americana de inovação digital L2 Think Tank. A pesquisa mostra que 93% das marcas de luxo estão no Instagram, o que representa crescimento de 30% se compararmos a julho do ano passado. Com 150 milhões de usuários ativos, e apesar de ter apenas 10% do tamanho do Facebook (que o adquiriu há 2 anos), o Instagram apresenta 15 vezes mais engajamento entre os usuários que o Facebook. De acordo com o estudo da L2, um dos motivos desse impacto é o envolvimento intenso que têm os fãs do Instagram: eles gastam 275 minutos por mês em média no Instagram e 57% dos usuários interagem com a plataforma diariamente.

 

No segmento do luxo, varejo e moda dominam a presença no Instagram. Marcas internacionais como Louis Vuitton, Burberry e Tiffany&Co.  já possuem mais de 1 milhão de seguidores. É importante ressaltar a importância de uma seletiva gestão das marcas na rede, fazer uma gestão digital compatível com o DNA da marca e seu público alvo. Pode-se investir na rede focando produtos e serviço, além de ser um espaço institucional. Em casos especias até mesmo trabalhar com vendas.

 

 

No dia a dia do Instagram, as marcas de moda, por exemplo, apostam na divulgação de suas coleções, eventos e, principalmente, na associação de seus nomes de prestigio, como a estilista Martha Medeiros que dedica boa parte de seu Instagram a fotos de personalidades com seus vestidos em eventos cobiçados.

 

Vale lembrar a importância do criador de uma marca de luxo, seja para o marketing online ou offline. A brasileira Thelure também está fortemente presente na rede e tem como aliadas suas criadoras, Stella Jacintho e Luciana Faria, que participam ativamente com seu instagram pessoal e nos eventos que envolvem a marca. Esse network do criador é uma das estratégias de gestão sofisticada de  marca de luxo online. A multimarcas Gaoli, especializada em moda beach couture também é um exemplo interessante: suas postagens sempre tem foco em produtos com edição limitada e ensaios de revistas com modelos utilizando suas cobiçadas peças, tudo sempre acompanhado a dedo pelos sócios Julia e Emanuel Galindo.

 

O segmento de turismo de luxo também mostra uma presença crescente na rede. Redes hoteleiras como Hyatt, St. Regis, Taj Hotels, Four Seasons e The Ritz-Carlton estão presentes no Instagram e algumas delas interagem com o consumidor, reproduzindo fotos de experiências de seus hospedes em hotéis das redes.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Companhias oferecem luxo a bordo e esquecem do atendimento em terra

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A primeira classe de um avião ainda é um mundo restrito a passageiros privilegiados. Um mundo para poucos e cobiçado por muitos. Ali, uma minoria encontra espaço, conforto, boa gastronomia, amenidades especiais e, é claro, boas noites de sono.

 

Cada vez é maior o desafio para as companhias aéreas em exceder as expectativas de seus clientes. Algumas se superam quando o assunto é a excelência do atendimento a bordo. O conforto oferecido a seus passageiros não tem limite e pode chegar a requintes como cabines particulares com portas deslizantes, proporcionando uma privacidade invejável durante o voo. Os benefícios incluem ainda menus assinados por chefs renomados, bebidas premium, lençóis de seda, pijamas, travesseiros e amenidades com assinatura de grifes do peso da Bvlgari e Ferragamo, por exemplo.

 

 

O luxo proporcionado a bordo pode ser, digamos, incontestável. Porém, esse atendimento personalizado e exclusivo ainda deixa a desejar nos serviços em terra prestados por companhias no Brasil, sejam brasileiras ou não. Os atendimentos por telefone e aeroportos ainda demonstram falhas graves: falta de conhecimento sobre destinos e produtos oferecidos pelas companhias, além da falta de educação. Por telefone, por exemplo, todo cliente, independentemente da classe de seu voo, pode ficar na espera por intermináveis minutos para obter qualquer tipo de informação. Os programas de milhagem, aliás, cada vez mais restritos quanto ao uso dos pontos e com mudanças em suas regras, são os que mais causam insatisfação. Falta conhecimento por parte dos funcionários, o que significa falta de treinamento,que gera informações incorretas e deixa os clientes insatisfeitos.

 

Clientes da primeira classe em geral possuem o cartão de milhagem mais elevado da companhia, são chamados de cliente preferencial, pagam valores altíssimos para voar, mas esbarram em falhas a princípio grosseiras e em situações onde se espera no mínimo rapidez, eficiência e gentileza, especialmente no mercado brasileiro; sem contar, com a falta de estrutura de alguns aeroportos no país.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Mais uma viagem de bonde pelo passado

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No texto que digitei para este blog,na última quinta-feira,dia 1º de maio,os bondes de Porto Alegre foram o meu tema. Cheguei a imaginar que tivesse esgotado o assunto. Ao buscar algo para preencher o espaço de hoje,porém,dei-me conta de que estava enganado. Esses veículos, que saíram de moda há muito tempo, foram protagonistas de variados e saudosos episódios que começaram na minha adolescência e se estenderam até eu ter atingido a idade adulta.

 

No texto anterior sobre os bondes,quase chegando à conclusão,assinalei que os meus filhos,por iniciativa da Ruth,a falecida mãe deles,levou-os a passear no último que rodou nos trilhos do Menino Deus. Se não estou enganado, Jacqueline, Mílton e Christian,especialmente este – o caçula – talvez somente tiveram aquela última chance de viajar em um desses veículos. A data da despedida foi 8 de março de 1970. Os três,naquele tempo,iam para os respectivos colégios de Kombi.

 

Viajei vários anos de bonde no tempo em que estudei no Colégio Anchieta,então situado na Avenida Duque de Caxias. Quando passei para o Colégio Nossa Senhora do Rosário,ía de carro com o meu pai. Em 1954,com 18 anos,ainda estudante,fiz um teste na Rádio Canoas. Eram muitos os candidatos,mas só três foram aprovados pelos inesquecíveis examinadores,o Léo Ramos e o Hélio Assis. A emissora montou o seu primeiro estúdio em uma casa de madeira,que ficava na frente da torre de transmissão. A Canoas,depois,mudou-se para a Rua Moura Azevedo e,a seguir,estabeleceu-se na Avenida Eduardo,hoje Franklin Roosvelt. Aí,os bondes já não circulavam mais.

 

Bem antes disso,entretanto,comecei a namorar Ruth. O namoro começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Eu era um dos locutores na Voz Alegre da Colina,serviço de alto-falantes graças ao qual animávamos as festas de uma igreja que começava a ser construída. Se é que alguém está lendo este texto,informo que,no meu namoro,os bondes voltaram a aparecer. Os pais da Ruth deixaram as proximidades da casa onde eu morava,mudando-se para a Rua do Parque. Era,então,o bonde São João que me levava,ida e volta,à casa da minha futura mulher. A linha era servida pelos “gaiolas”,bondes de tamanho menor do que os demais. Como eles se sacudiam muito,não era raro que descarrilassem. Uns e outros percorriam a Rua do Parque em toda a sua extensão e iam até o fim da linha.Eu viajava neles para ir da casa dos meus pais,onde morei até pouco antes de casar,até a da Ruth.

 

Eu usava esses bondes também para ir trabalhar na Rádio Canoas. Em 1958,fiz dois testes na Rádio Guaíba. Passei em ambos,mas não gostei do salário que Mendes Ribeiro,diretor de broadcasting,me ofereceu quando passei no primeiro. Pouco tempo depois,voltei à Guaíba. Aden Rossi,chefe dos locutores dessa emissora,testou-me novamente. Passei no exame e continuei a usar os bondes da linha São João para ir da 16 de Julho,onde vivi boa parte da minha existência,até a casa da Rua do Parque. Ruth e eu casamos em 1961 e,ainda sem ser proprietário de automóvel,ia e voltava num Floresta até o meu sonhado emprego em uma rádio de porte. O último bonde que usei foi o Menino Deus. Os ônibus,se comparados com os bondes,serviram-me muito pouco. Por isso,vou continuar tendo saudade dos bondes e lamentando que tenham ficado apenas na lembrança neste país em que a mobilidade urbana é cada dia mais precária.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Bentley põe sua marca de luxo nos carros elétricos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A montadora inglesa Bentley Motor revelou três modelos híbridos durante o Beijing International Automotive Show, no início deste mês. A premissa da marca é a excelência e, nesta linha, a Bentley não mediu esforços para desenvolver os carros com essa tecnologia trazendo leveza e eficiência e, ao mesmo tempo, mostrando o quão luxuoso um automóvel híbrido pode ser.

 

Esteticamente, o Bentley Hybrid Concept mantém a aparência de elementos tradicionais de design da marca, sem deixar de ser ousado no projeto. A fabricante apostou na criação de um veículo luxuoso que oferece potência ao motorista com um pouco dessa paz de espírito que muitas vezes vem com a condução de um híbrido, diminuindo a sua emissão de carbono. Em relação às versões convencionais, o modelo híbrido é capaz de aumentar a potência em 25%, enquanto corta a emissão de carbono em até 70%, tendo ainda bateria com duração de pelo menos 50 quilômetros apenas com o modo elétrico. O material e detalhes em cobre estão presentes em várias partes do carro como nos faróis, pinças de freio, moldura da grade e painel.

 

A indústria automotiva tem investindo no segmento de carros híbridos, não apenas pela rigidez do mercado atual em relação à sustentabilidade e outras questões ambientais. Essas empresas mantêm o foco no consumidor que busca desempenho, conforto e velocidade em automóveis de alto luxo. A velocidade é valor intrínseco desses carros que proporcionam a seus consumidores o prazer de dirigir, porém de maneira mais consciente em relação a seus impactos ao meio ambiente. As grandes marcas estão de olho no consumidor de alto poder aquisitivo que busca conforto, velocidade e, também, se preocupa com as questões globais. É O retrato de um luxo consciente no mundo contemporâneo.

 


Ricardo Ojeda Marins, administrador de empresas pela FMU-SP, MBA em Marketing pela PUC-SP e em Gestão do Luxo na FAAP, autor do Blog Infinite Luxury, escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Digital ou analógico, o livro sempre será essencial

 

 

Para a produção de sua monografia, a estudante de comunicação Carmen Barreto, da ECA/USP, está coletando opiniões sobre novas tecnologias e o uso do livro digital. Tem consultado profissionais ligados as áreas de cultura, educação e comunicação (na qual me encontro). Por e-mail, enviou-me algumas perguntas que respondi na medida do possível e do meu conhecimento. Pedi licença a ela para reproduzir a entrevista aqui no Blog, antes da conclusão do trabalho, mesmo porque este será muito mais profundo e rico. Portanto, a seguir, publico um pouco do que penso sobre o assunto com a esperança de que você, caro e raro leitor deste Blog, compartilhe sua opinião, também:

 

1-Qual é a sua opinião sobre a chegada das novas tecnologias? Como você se sente em relação a isso?

 

No caso específico do rádio, meio para o qual tenho me dedicado nos últimos anos, a internet e todas as possibilidades que surgiram a partir dela serviram como oxigênio, renovando o veículo, oferecendo novas dimensões para o trabalho desenvolvido. Para o jornalismo de uma forma geral, um horizonte incrível surge, pois todas as inovações digitais dependem de conteúdo, produto no qual os profissionais da nossa área são especialistas.

 

2-Como você se adaptou à transição das tecnologias e como essas transformações impactaram sua vida e sua forma de pensar?  [como, por exemplo, sistema analógico/digital, carta impressa/mensagem eletrônica, máquina de escrever/computador, telefone fixo/celular, celular/smartphones (com internet e novos recursos), livro impresso/e-book, antigos sistemas e as revolucionárias plataformas, readers, tablets, Ipad,Ipod] ?

 

Nasci no jornalismo analógico, cresci nas redações sem computador e com mesas tomadas por máquinas de datilografia, conversas por telefone fixo e de pouco alcance, contato com o público por carta e notícias chegando na sala de teletipo. A chegada das novas tecnologias não me intimidou, ao contrário, me motivou. Abriram-se novas possibilidades e o acesso às fontes foi facilitado, assim como estas se diversificaram. Hoje, qualquer cidadão, com um gadget em mãos, pode emitir informação importante e ser alcançado pelo jornalista.

 

3-Hoje, o que o livro ou a leitura representam para você?

 

O mesmo de sempre: fonte inesgotável de inspiração e informação.

 

4-Você já leu algum livro digital (e-book)? Qual? Quando foi? Você gostou?

 

O primeiro livro digital que li foi a biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson. Comprei a versão original em inglês e aproveitei todos seus recursos, provocado pela minha professora de língua estrangeira, Maria Lucia Solla (nossa colega de todos os domingos). Não abri mão, porém, de adquirir o livro impresso (já em português) para guardar na minha biblioteca – talvez resultado desta mania de colecionador que ainda mantenho. Lembro que apesar de ter assistido à toda série House na televisão e baixado vídeos no computador, assim que a coleção chegou às lojas, comprei todos os DVDs e, creio, que sequer os abri. De volta à leitura, apesar das facilidades que o livro digital me oferece no acesso e na navegação, principalmente para pesquisa de temas relacionados, ainda tenho preferido os livros impressos. Força do hábito. Mas não tenho nada contra a digitalização (desde que meu leitor eletrônico esteja com bateria).

 

5-Como você compara a leitura de um livro impresso e um livro digital (e-book)? Considere os itens que parecerem relevantes para você, como, por exemplo, preço, tempo de leitura, praticidade, recursos de formatação de letras e luminosidade.

 

Parece-me que a diferença de preço é mínima, salvo engano. O digital é mais prático de comprar e o impresso, de ler. Digo isso, muito mais pelo hábito de folhear e rabiscar frases e trechos relevantes. Costumo cansar mais rapidamente ao fazer a leitura no tablet. É incomparável a facilidade que o digital nos oferece em termos de pesquisa.

 

Curiosamente, trocaria qualquer jornal impresso pela edição digital. Hoje, logo que acordo baixo a versão de O Globo em meu tablet e sequer dou tempo para a entrega do Estadão pelo jornaleiro. Prefiro o digital. Uma das facilidades é o compartilhamento de informações nas redes sociais ou com os amigos e colegas. Algo inimaginável na versão impressa.

 

6-Você acredita que o livro impresso irá desaparecer? O que você pensa a respeito disso?

 

É uma tendência, a medida que as gerações que viveram a era do livro impresso forem desaparecendo. Uma questão de tempo, mas de muito tempo, pois por anos a fio ainda iremos conviver com os dois formatos. O importante é termos consciência de que o livro e a leitura serão essenciais para o nosso desenvolvimento como sempre foram, apenas estarão em um outro ambiente, o digital.