O profissional de vendas e sua importância no varejo de luxo

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Marcas de luxo comumente são associadas a características positivas como alta qualidade de seus produtos, prestígio, história da marca e de seu fundador, beleza de suas criações e produção em edição limitada, entre outras. Esses são, na verdade, alguns dos requisitos essenciais para que a marca seja caracterizada como de luxo. Porém, infelizmente, apesar de toda essa excelência até então prometida, é comum no varejo de luxo no Brasil muitos erros, principalmente com relação ao fator humano, relacionados a atendimento com problemas como falta de conhecimento sobre o produto e a marca, falhas comportamentais, incompatibilidade do funcionário com os valores da empresa e outros.

 

Os profissionais de vendas são peça fundamental para o sucesso da marca. Eles são representantes dela, uma espécie de embaixador. Para o cliente, qualquer deslize pode ser fatal, não apenas pela venda em si, mas pela mudança da imagem da marca, possivelmente abalando sua reputação, e também pela possibilidade de perda deste consumidor.

 

 

Os vendedores devem proporcionar ao cliente a experiência de compra compatível com as estratégias da marca, no intuito de maximizar as vendas e estabelecer um relacionamento forte e longo com seus clientes. Eles devem sim atingir as metas de vendas exigidas, mas muito além disso, devem entender e ter a habilidade de explicar ao cliente o conceito, a experiência de consumir aquele produto, encorajando-o não apenas a consumir, mas entender o DNA da marca. Esse profissional deve ter interesse em aprender e conhecer sobre produtos e serviços de luxo, bem como ter boa formação cultural para lidar com clientes de alto poder aquisitivo no ponto de venda, além de graduação e conhecimento de outros idiomas. Tem de ter consciência que uma falha no atendimento, não é uma falha do vendedor, é da marca. A marca é que falhou aos olhos do cliente.

 

Um dos desafios da Gestão de Pessoas nas empresas de luxo é capacitar seus profissionais para atenderem clientes tão exigentes e de alto poder aquisitivo, principalmente no Brasil, onde há diferenças culturais e de formação entre clientes e vendedores, diferentemente dos Estados Unidos e diversos países da Europa. Os desafios não param por ai. As empresas devem recrutar os talentos certos, capacitá-los, motivá-los e ter uma gestão séria e estratégica de RH para reter os seus talentos e minimizar a rotatividade, um dos principais problemas no varejo brasileiro.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Miss Indígena revela beleza e cobiça que causam ciúmes nas tribos

 

 

O concurso Miss Brasil Indígena, que será realizado em Brasília, tem sido a oportunidade para a apresentação da beleza das índias brasileiras e, ao mesmo tempo, para se descobrir como elas têm sido cobiçadas por homens que não fazem parte das populações indígenas. Devanir Amâncio, sempre atento ao comportamento humano, que por muito tempo colabora com suas histórias neste blog, conta que muitas dessas moças não se casam com índios mas seus maridos acabam vivendo nas aldeias, o que estaria aumentando à população de homens brancos nestes locais:

 

“Muitas delas nem sempre se casam com índios, mas com juruás ou brancos. Aumenta o número de brancos nas aldeias de São Paulo. Só são aceitos na Casa de Reza depois que ‘assimilam’ a cultura e comportamento dos índios. Há quem até se finge de índio para se casar mais rápido. Quando não são aceitos, roubam a índia de madrugada.

 

“Preteridos por belas índias, índios enciumados acusam os juruás de exploração do sentimento e busca de vida fácil nas comunidades indígenas. Muitos se encostam mesmo… a ponto de brigar com o governo por mais dinheiro, segundo um índio adolescente da favela indígena do Jaraguá, Zona Norte, São Paulo. “Alguns juruás se dão ao luxo de ter amantes brancas”, comenta Pedro, filho do cacique. A maioria se casa vivendo numa acomodação total na aldeia – desfrutando, sem esforço, de todos os direitos indígenas, critica um ex-cacique. Faz questão de lembrar que não são todos malintencionados”.

 

O concurso que está sendo divulgado por Olívio Jekupé, da aldeia Krukutu, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, e Carlos Alberto Dias, da Fundação Nacional do Índio, será no dia 14 de setembro, em Brasília. Desde já, muitas das concorrentes desfilam no perfil do Facebook de ambos.

Contribuição e retribuição

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Designers e artistas de todas as áreas, alonguem as asas da criatividade! É hora do povo espreguiçar corpo e mente e sair da inércia tropical e do papo valente e inconsequente de fundo de quintal.

 

Queremos colchões com compartimentos para guardar dinheiro e joias. Pobres banqueiros ricos! Passaremos por calçadas opostas às suas, depois de fecharmos nossas minguadas contas. Joias, para quê? Pela correntinha dourada, seu moço, corre-se o risco de perder o pescoço. E, atenção, se o seu relógio for roubado, mantenha-se calado, para não melindrar o meliante. Gastar seus reais para viajar? Nem pensar. O Grande Irmão, demagogo e populista, ameaça te enquadrar. Acordem, mentes brilhantes; é preciso ousar, atiçar, converter, subverter a fim de se proteger.

 

De estudar pode esquecer, que cultura aqui virou defeito. Vamos cruzar os braços, jogar baralho, descansar o esqueleto em redes esticadas nas árvores que sobrarem, do desmatamento que ninguém vê, encher a cara de cachaça, morar em agrupamentos e viver do Bolsa Família que é mais seguro e não cansa. Dane-se o país e o rio São Francisco, que o Grande Irmão vai mudar tudo mesmo, como nunca antes se fez! De empreender, nem cogite, pra não ser rotulado de elite.

 

O menino mimado e recalcado pela infância pobre, e que agora tem vida de rei, perdeu uma partida e ameaça levar a bola para casa para jogar com a camarilha.

 

Estilistas, avante com lápis e tesouras! O povo precisa de cuecas e calcinhas funcionais, não para guardar dólares surrupiados, mas uns parcos reais suados.

 

Brasileiro sonega sim, você sabe tão bem quanto eu; mas sonega por quê?
 Brasileiro sonega, não porque não concorde com justa distribuição de renda, sonega porque rechaça o assistencialismo obsceno praticado pelo pacau de plantão. Brasileiro não deixa de pagar imposto por gosto, por não querer que o país seja como a Suíça, onde tudo funciona. Brasileiro não sonega porque abomina privilégio de primeiro mundo. Brasileiro deixa de pingar alguns reais nos cofres públicos para impedir que o fruto de seus esforços, honestos na grande maioria, termine nas mãos de vagabundos, ou em cuecas escusas de políticos deslavadamente sujos.

 

Brasileiro sonega, sim, para pagar do próprio bolso a substituição de pneus estourados em crateras aviltantes, nas estradas do país. Brasileiro paga dois terços de imposto porque recebe zero de assistência à saúde e zero de segurança pública, um oitavo na área da educação, iluminação meia boca e um sétimo do que a dignidade humana, esfacelada constantemente, merece. Brasileiro sonega porque cansou de ver farra e lambança e de ouvir histórias pra criança. Cansou de ver homens e mulheres do planalto encherem as burras de dermatologistas, cirurgiões plásticos e estilistas da hora, e sorriso zombeteiro na cara, pateticamente esticada, de político de meia tigela.

 

Se você movimenta, no banco, a fortuna de R$ 833,00 por mês, meu amigo, cuide-se e seja ágil, porque o leão quer mais pra comprar eleitor no próximo sufrágio.
Acorda Brasil, é 2008!

 

NA: Texto publicado há seis anos, em 06/01/08, no blog do Mílton Jung, sob o título: ‘De contribuição e retribuição’

 

Se você recebe a fortuna mensal de R$ 2.046,00 por mês, meu amigo, cuide-se e seja ágil, porque o leão continua querendo mais, para comprar eleitor no próximo sufrágio. De novo, de novo, e de novo…

 

Acorda Brasil, é 2014!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Rede de hotéis de luxo oferece roteiro de arte em avião exclusivo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A rede de hotéis de luxo Four Seasons, conhecida por seus hotéis em destinos como Paris, Londres, Maldivas, Seychelles e muitos outros, criou edição especial de seu produto “Volta ao mundo a bordo de um avião privativo”. O programa, que ocorre em edições limitadas, oferece viagem para destinos diversos a bordo de avião exclusivo para grupos reduzidos de pessoas, com hospedagem em hotéis da rede e serviços customizados, tanto a bordo como durante todo o roteiro da viagem.

 

Esta edição terá foco em artes com acesso exclusivo, por exemplo, à icônica Duomo de Milão e à apresentação no Estates Theatre em Praga. A intenção da rede Four Seasons é oferecer a seus clientes experiência única com imersão nas artes e cultura de diversos países.

 

Com previsão de saída em 20 de abril de 2015, os viajantes irão desfrutar de 16 dias de acesso privilegiado a experiências excitantes da Europa, em parceria com a La Fugue, de Paris, famosa por projetar itinerários sob medida nos setores de arte, música clássica e ópera. O roteiro inclui hospedagem em Lisboa, Milão, Istambul, São Petersburgo, Praga e Paris, além de todo o trajeto aéreo. Tudo isso a bordo de um private jet para até 52 passageiros. O preço? A partir de USD 69.000 por pessoa, baseado em ocupação dupla.

 

 

Acesso especial a coleções de arte, apresentações de musicais exclusivos, jantares privativos em restaurantes com estrela Michelin e apreciar – com um olhar muito apurado – algumas das preciosidades culturais da Europa, são algumas das experiências que os apaixonados por artes mais exigentes poderão vivenciar nesse roteiro.

 

Diferentemente do luxo no passado, o consumidor contemporâneo não busca torneiras de ouro ou lustres e decoração requintados. Para ele, o luxo está nas experiências de bem-estar que o hotel e o destino oferecem, adquirir conhecimento e, principalmente, o sentimento de sentir-se único ao receber tratamento personalizado, ter seus desejos realizados, e a sensação de encantamento.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Manifesto pela preservação das Zonas Exclusivamente Residenciais em SP

 

Incentivado pelo artigo escrito pelo colunista Carlos Magno Gibrail, na quarta-feira, neste bLog, com o título “O que a falta de água tem a ver com o Plano Diretor”, aproveito para reproduzir o manifesto pela manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais no Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, a ser discutidona Câmara Municipal. O texto já tem a assinatura de cerca de 40 entidades.

 

Leia, reflita e apóie (se considerar importante):

 

Ao ensejo da elaboração do novo Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo, as sociedades, associações e entidades representativas das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZER, que este subscrevem, apresentam suas razões para a manutenção, preservação e proteção das Zonas Exclusivamente Residenciais – ZERs, seja como elementos de excelência urbanística no campo do planejamento urbano, seja como elementos essenciais derivados desses projetos do espaço urbano, de qualidade inegável na prestação de serviços ambientais no ecossistema urbano, promovendo equilíbrio ambiental e redução dos impactos urbano-ambientais nocivos, promovidos pelo padrão mercantil de ocupação e de expansão da mancha urbana.

 

Nesse sentido, se destaca a importância do conceito urbanístico inerente às áreas exclusivamente residenciais, de estreita relação com o meio ambiente, cuja natureza jurídica figura no âmbito do direito difuso, conforme já definido no próprio texto do atual Plano Diretor Estratégico (Lei 13.430/02).

 

Por sua vez, a Lei 13.885/04, na sua Parte II, nos Planos Regionais Estratégicos, trata como política pública protetiva e preservacionista manter e promover os bairros com características exclusivamente residenciais. O atual Plano Diretor dispõe sobre a preservação e a proteção das áreas estritamente residenciais e das áreas verdes significativas e a manutenção do zoneamento restritivo dos bairros estritamente residenciais, que devem ser mantidas.

 

Dessa forma, resta claro que as Zonas Exclusivamente Residenciais integram a política pública de planejamento urbano do Município de São Paulo. Essas áreas estão incorporadas no patrimônio jurídico da cidade e de cada cidadão, de interesse público urbanístico e ambiental, com tal relevância para a sustentabilidade urbana–ambiental do território que seu tratamento na revisão do planejamento urbano somente poderá se dar através da criação de novos instrumentos normativos para assegurar ainda sua maior proteção e defesa, como a criação de Áreas de Amortecimento dos Perímetros das ZERs e a revisão das Zonas de Centralidade Linear a fim de aumentar do grau de restrição no uso e ocupação, pois alguns desses corredores, principalmente aqueles localizados no miolo das ZERs são altamente impactantes, promovendo, ao contrário da desejada preservação, a degradação desses espaços especialmente protegidos e seus benefícios urbanos e ambientais em prejuízo da coletividade.

 

Continuar lendo

De evolução

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

tenho vivido muitas vidas
nesta vida
ciclos e ciclos e mais ciclos
e ainda outros
vou viver
círculos perfeitos

 

Máquina de lavar a roupa, de secar a roupa e mais uma de lavar a louça – e secar! Geladeira, congelador, fogão elétrico, fogão a gás, forno de micro-ondas, forninho elétrico, toalha descartável, triturador de todo calibre, batedeira, liquidificador que liquidifica – e coa! – o que quer que seja. Chá em saquinho, café em cápsula, açúcar em gota e leite em pó.

 

Banheiro individual com descarga e chuveiro quente e frio, segundo o gosto e a carteira do freguês. Aparelhos de televisão espalhados pelos cômodos da casa, feito abajures de leitura. Um para cada um. Tevê que se mede em polegadas, e eu ainda não entendi. Por que não se mede em centímetro? Internet, tevê a cabo, satélite espalhado por todo o céu, cano enterrado nas entranhas da Terra, computador de todo tamanho: de mesa, de colo, de mão, de cabeceira, do trabalho e o de casa. De toda cor, feitio, originalidade e custo. Como os carros e todo o resto que se pode comprar.

 

Celular cada dia mais sofisticado substitui no dia a dia a máquina fotográfica, o telefone atado à parede, o correio, todos os outros computadores e seus armazenamentos de dados – nas nuvens! e ainda decide o caminho que vamos tomar.

 

Qual?

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Bentley: o bom gosto dos automóveis britânicos também na perfumaria

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A montadora britânica Bentley Motors dá sequência a sua estratégia de expansão em produtos lifestyle com a introdução de sua mais recente fragrância masculina, Azure. Depois do sucesso da Bentley for Men, a tradicional montadora de automóveis de luxo agora tem mais um perfume com o intuito de atingir a um público maior de consumidores. Não é a primeira vez que a Bentley amplia sua marca para novas linhas de produto. Além de seus icônicos automóveis, desejados ao redor do mundo, o nome da empresa já está em bolsas, óculos de sol, perfumes e mobiliário doméstico.

 

A extensão de produtos no mercado do luxo é cada vez mais presente e, na verdade, inevitável para boa parte das marcas, principalmente pelo fato de que estas precisam atingir os resultados financeiros necessários e desejados como qualquer outra empresa, seja ela com foco no luxo ou não. Nesse caso, implementando linhas de produtos considerados como luxo acessível, a marca pode atingir um número bem maior de pessoas do que somente os consumidores potenciais de seus automóveis – é o que consideramos ser o luxo aspiracional.

 

O importante é manter uma gestão rigorosa e seletiva de distribuição de produtos, sempre se preocupando com a comunicação que deve ser feita de forma seletiva e, principalmente, criando categorias alinhadas ao conceito da marca. É necessário, também, que se conserve o alto nível de relacionamento do público com a marca. A expansão realizada sem critério confunde o que a marca representa, afetando a sua imagem e o seu valor perante o público-alvo.

 


Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De herança

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Tenho pensado muito nos meus ancestrais, já há algum tempo, e tenho resgatado das caixas de pertences que conseguem me acompanhar no meu caminho cigano, os que vieram antes e desbravaram um país estrangeiro com língua muito diferente do português que alguns deles desconheciam, mesmo sendo vizinhos de fronteira. Para mencionar uma das barreiras a serem transpostas. Nós diferimos uns dos outros no pensar, no dizer e no sentir, porque carregamos os viveres dos que nos antecederam nas dependências da vida.

 

Mas voltando aos meus ancestrais, começando pelos bisavós que trouxeram pela mão bocas pequenas expressando fome, bagagem mínima e carteira leve, viveram sem telefone, nem geladeira, e agora você toma a frente e faz a tua lista mental.

 

Se deixaram os seus países, zona de conforto, é porque a coisa estava feia do lado de lá. Afastar-se da família era a última opção na vida. Casava-se, e construíam-se tantas casinhas quantas necessárias para abrigar filhos, noras, genros, netos, sobrinhos e toda a árvore, de preferência.

 

Essa gente simples, que já era ou foi tornada simples pela cadência da vida, não deixou na Europa nem a dignidade, nem a honradez. Pode ter deixado para trás cristais e prataria, mas trouxe o vício de agregar. Pela falta do vil metal, e pela necessidade do apoio uns aos outros, agrupou-se em cortiços, onde todos eram amigos, parentes ou afins.

 

Ajudavam uns aos outros, dividiam tarefas do agrupamento e, claro, como toda fruta tem caroço, havia falta de privacidade.

 

Aliás, acredito que privacidade é uma palavra que foi resgatada do ostracismo dos dicionários, nestes nossos novos tempos. Antes, na casa dos meus ancestrais, privacidade era solidão.

 

Meu pai, criado por uma avó portuguesa, filho de mãe portuguesa e pai espanhol de Murcia, aprendeu o que era trabalhar desde os quatorze anos. Foi premiado na maioria dos finais de ano da empresa, até a celebração dos seus quase sessenta anos de firma. Ele se orgulhava dizendo que só tinha um carimbo na carteira de trabalho.

 

Eu nasci em berço de ouro e tive a benção de ter sido criada nos seus moldes, uma vez que até os meus cinco ou seis anos, morei na mesma casa, com minha bisavó, meus avós paternos, meu tio Neno e minha tia Zoraide, irmãos do meu pai. Minha mãe, filha de italianos e uma entre onze irmãos, também foi responsável pela formação do meu alicerce. Quando eu tinha uns seis anos, meus pais já tinham evoluído tanto as suas consciências, que eu e os meus estudos éramos prioridade no orçamento de casa, e éramos orientados pela sabedoria e competência da Cirley Motta, a minha prima Ley. Construíram casa e se mudaram dela para que eu estivesse sempre perto da escola. Me apoiaram a aprender línguas que eles nem conheciam, me alimentaram seguindo as regras de saúde que trouxeram em suas bagagens e conviveram com uma filha que era tão diferente do que eles tinham sido.

 

Gratidão!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Atendimento a clientes por telefone: o luxo ainda não chegou aqui

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Telefonar para central de atendimento a clientes. Quem não se arrepia de ter que fazer isso muitas vezes? Seja para tirar dúvidas, solicitar segunda via de fatura de cartão de crédito ou reparos na sua TV a cabo, a tarefa sempre exige tempo e paciência do cliente. Se a necessidade for cancelar um produto ou serviço então… prepare-se para no mínimo meia hora de espera e ainda ter de ouvir todos os argumentos de benefícios que você muitas vezes já conhece, mas mesmo assim deseja o cancelamento do produto.

 

Empresas de telefonia, bancos e administradoras de cartões de crédito são campeãs de reclamações. Uma das principais queixas dos clientes na verdade nem é a solicitação ou a reclamação em si, que a princípio seria o propósito da chamada. O que mais irrita os consumidores é a famosa frase “vou transferir sua ligação para o setor responsável”. E quando o segundo funcionário lhe atende, você informa novamente TODOS os seus dados, e tem que repetir a solicitação a ele. Em muitos casos, este segundo atendente verifica que a chamada foi transferida para o setor indevido, e novamente vai o cliente se explicar a um terceiro. Neste processo todo, o cliente perde tempo, se irrita, e muitas vezes desiste. Mas, onde fica a imagem da empresa? Para o cliente, a imagem ficou extremamente negativa, o que vai provocar com que ele compartilhe toda sua ira sobre esta empresa com seus contatos, principalmente nas redes sociais. Afinal, a cultura estabelecida pelos consumidores, clientes, investidores, e pela sociedade é a imagem ou a percepção da marca.

 

As empresas investem em tecnologia, centrais de atendimento modernas e equipadas. Mas a questão é: por que este tipo de serviço no Brasil ainda é tão ruim? A verdade é que as empresas não investem em pessoas. Esquecem de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função. Callcenters são repletos de funcionários em geral mal remunerados, muitos deles terceirizados e, é nítido durante a ligação, que não querem atender ao cliente. Muitas vezes são solicitações simples, que o cliente percebe que o atendente desconhece o produto, algo que um treinamento teria um peso importante para ao menos reduzir os problemas de conhecimento do produto e de comportamento.

 

O departamento de Recursos Humanos de algumas empresas ainda está longe se ser estratégico, o que é lastimável. Em um ambiente empresarial mutável, global e tecnologicamente exigente, obter e reter talentos são as “armas” no campo de batalha competitivo. As organizações empresariais no futuro competirão agressivamente pelos melhores talentos. Na verdade, hoje elas já competem. As empresas bem-sucedidas serão aquelas mais experientes em atrair, desenvolver e reter seus talentos com habilidades, perspectiva e experiência suficientes para conduzir um negócio global e atingir a satisfação de seus clientes.

 

Infelizmente, o atendimento a clientes por telefone no Brasil ainda é um artigo raro e inacessível.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De amigos, conhecidos e afins

 

Por Maria Lucia Solla

Vivemos vidas diferentes, mesmo sendo feitos da mesma substância, mas com toda diferença, cada vida merece um olhar generoso, por respeito à vida. Não gostamos de todo mundo, e cada um dá um nome para isso.

 

Eu prefiro comparar pessoas com alimentos. Uns caem bem, outros caem mal, como feijão do dia-a-dia e feijoada com tudo o que é cacareco dentro.

 

Tem gente que você não cansa de gostar e não pode viver sem, como a água. Dá para ver todo dia, combina com tudo, se mistura com facilidade e quando está longe faz uma falta danada!.

 

Outras, dá para degustar uma vez por semana, e já está de bom tamanho. Tem as que pesam, difíceis de digerir, e só descem com muita água. Tem aquelas, feito peru, que só em dia de festa, e nos dias seguintes, até desgostar o paladar,

 

Tem as tão raras e especiais, que são saboreadas feito trufas brancas, ovas de peixe voador, lagosta com molho de manteiga temperada, como preparava minha sogra, a dona Ruth, que é rara e deliciosa como ninguém, e só faz bem.

 

E, é claro, tem as que não dá nem para passar o dedo e lamber, que causam uma alergia de deixar o cidadão de cama, ou levá-lo ao hospital. Isso se não matar. Gente venenosa, de uma forma diferente para cada um, porque alergia é pessoal, e não dá para generalizar.

 

Gosto e alergia não se discutem, mas é importante lembrar que dieta não se faz só na mesa. A principal é a dos salões.

 

E a tua alimentação, como vai?

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung